quarta-feira, 9 de julho de 2014

UMA REFLEXÃO SOBRE SANTIDADE

Santo em Publico, Demônio em secreto
(Charles Haddon Spurgeon)

Se uma panqueca não for virada, ela ficará crua de um lado. Em diversos aspectos, alguns crentes são semelhantes a uma panqueca não virada. Eles têm áreas em suas vidas que não foram tocadas pela graça de Deus. Embora houvesse algumas obediências parciais, também existiam muitas rebeldias.
Alma minha, eu ordeno que você verifique, se este é o seu caso. Você tem um coração completo nas coisas do Senhor? A graça de Deus, por meio de suas obras, penetrou até ao âmago do seu ser, em todas as suas forças, ações, palavras e pensamentos? Ser santificado em seu corpo, alma e espírito deve ser o seu alvo; e embora a santificação em você possa não ser perfeita em grau, ainda assim deve ser geral quanto a ação.

Não pode haver aparência de santidade em uma área e entrega ao pecado em outra; pois, deste modo, você será um pão que não foi virado. Um bolo não virado logo queima no lado mais próximo ao fogo, e embora nenhum homem possa ter religião em demasia, há alguns que parecem bastante queimados com zelo fanático pela parte da verdade que receberam, ou são reduzidos a carvão com uma ostentação farisaica daquelas atitudes religiosas que se ajustam ao seu caráter. 

Amam dizer que jejuam, se esforçam para mostrar o que fazem, amam cobrar do outro as mesmas atitudes, ama assentar-se em primeiros lugares, adora estar no púlpito, etc.

Nosso testemunho deve ser, principalmente o testemunho da humildade e do novo nascimento em Cristo em uma vida genuinamente cheia do Espírito Santo e cheia da Palavra de Deus (cheia da essência do Evangelho). A consequência disso será, enfim, uma vida de exemplo. Exemplo tanto para a congregação (igreja), tanto para o mundo.

Só assim mostramos o Cristo vivo ao mundo: numa vida realmente cheia do Espírito Santo em genuína e sincera santificação.


A suposta aparência de santidade superior acompanha frequentemente uma completa ausência de piedade vital. Às vezes, aquele que é santo em público é um demônio em secreto. O pão que está assado de um lado pode ser massa crua do outro lado.


O Senhor, se isto acontece comigo, vira-me! Vira a minha natureza não santificada para o fogo do teu amor, permitindo-a sentir o calor sagrado. Faze com que meu lado já tostado esfrie um pouco, enquanto aprendo de minha própria fraqueza; e deseje aquecimento, ao estar longe de tua chama celestial. Não permita que eu seja um homem de coração dividido, e sim que esteja completamente sob a poderosa influência da tua graça dominadora. Sei que, se me deixares como um pão que não foi virado, sem ser objeto da tua graça, terei de ser consumido para sempre nas chamas eternas (ver Isaías 33.14).

O FRUTO DO ESPÍRITO

O FRUTO DO ESPÍRITO 

Texto base: Gálatas 5:16-26 

Introdução

Nesta parte da carta que Paulo escreve aos cristãos da igreja da Galácia, ele mostra o grande contraste que existe entre quem vive na carne e quem vive no espírito. Sabemos que aquele que se diz “cristão” é nascido do espírito, como o próprio Senhor Jesus relata a Nicodemos no texto de João 3:5-6:

“Em verdade, em verdade vos digo: quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito.” (João 3: 5-6)

Há uma diferença doutrinária entre "dons do Espírito Santo" (registrado expositivamente em 1 Coríntios, capítulo 12) e "frutos do Espírito" (da carta aos gálatas). Os dons dos Espírito são importantes para a Igreja e para a edificação pessoal, no entanto, o Senhor Deus dá conforme sua graça e conforme o Seu Santo Espírito quer. Já os frutos do Espírito Santo devem (disse devem) ser mostrados na vida do crente, pois se não existem, logo esse não é salvo. (Gabriel Felipe M. Rocha)

Desse modo, como identificamos se somos nascidos do Espírito?

Através do fruto descrito nesse texto que vamos analisar podemos identificar se somos nascidos de novo. Uma coisa é clara nesse texto – aqui o fruto do espirito é único. Muitos acham que as atitudes descritas sobre este fruto são individuais, que se você tem um ou outro você é nascido de novo. Não, irmão! Não se iluda! Todos os elementos compõem um único fruto. Leia atentamente e você perceberá que a palavra fruto está escrito no singular, e não no plural. Vemos descrito o fruto do espirito, e não os frutos do espirito.

Explanação

Sendo assim, vejamos, então, cada uma das partes deste fruto contidas em Gálatas 5.22 e, com isso, façamos uma introspecção para entendermos a nossa posição diante de Deus.

1. Amor (Afeição profunda; afeição à pessoa ou objetos; paixão; entusiasmo)

A palavra grega “ágape”, traduzida por amor, inclui o amor a Deus e ao próximo. Paulo o coloca como o primeiro fruto por causa de sua força e importância, pois se refere aos dois principais mandamentos que o Senhor nos deixou: “Amarás ao senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo.”

O amor gera em nós todos os outros elementos incluídos no fruto. Claro que, nos dias de hoje, o amor não tem mais a sua honra e o seu devido valor. O amor de hoje é impuro, egoísta e interesseiro, mas, para os filhos de Deus, o amor não pode perder o seu significado real, e a prática desse amor tem que ser de uma forma santa.

O amor relatado aqui pelo apóstolo Paulo, como o primeiro fruto, é um contraste notório com o amor carnal. No versículo 19 vemos que o primeiro fruto da carne é a prostituição. O amor do ímpio é assim – prostituído, sem valor e sem decência, inundado pelo pecado. O amor do cristão tem que ser diferente, pois essa é uma forte evidência de que este alguém é amado por Deus e é nascido de novo.

Quem ama a Deus crê em seu filho como único salvador e mediador, segue sua verdade e a prática. Este tem prazer de ir à casa do Senhor para adorá-lo, ama a comunhão, tem intimidade com Deus, busca a verdade e foge de heresias. Quem ama seu próximo oferece ajuda quando este precisa, perdoa, se compadece e é amigo, independente do que o outro possa lhe oferecer. Chora com ele e também se alegra, anda mais uma milha, levanta quando este cai e sempre tem uma palavra de consolo para oferecer ao abatido. Quem possui amor pratica tudo o que está escrito em 1 coríntios 13.

O amor do mundo é imoral, obsceno, impuro e sensual; trata com injustiça e violência; é um amor covarde e traiçoeiro que não pensa no outro, mas, sim, em satisfazer a si mesmo. É o contrário de tudo que é bom.

2. Alegria (Gozo, Contentamento, júbilo; regozijo)

Como o próprio significado da palavra deixa claro, a alegria, aqui mencionada, é um contentamento em Deus. Quem ama a Deus demonstra regozijo pela sua verdade.

A palavra grega para alegria é “chara”, que é fundamentada em um consistente relacionamento com Deus. Esta alegria de forma alguma está relacionada a um triunfalismo pregado em muitas “igrejas ditas evangélicas” que vemos por ai, principalmente em “igrejas” neopentecostais, que infunde na mente dos membros que, para se ter alegria em Deus, você precisa alcançar bens materiais, como casa, carro, dinheiro etc.; ou então, para você ser feliz em Deus, você tem que ser uma pessoa saudável e cheia de vida. Irmão e irmã, isso é uma mentira de satanás para tornar os homens miseráveis, pois “aquele que espera Cristo somente nessa vida é o mais miseráveis de todos os homens” (1Cor 15.19).

A alegria mencionada por Paulo é um gozo em Deus. É um prazer único em Deus e em sua verdade. Nos momentos de tristeza e lutas, a alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8: 10d). Isaias 12:3 mostra que das fontes da salvação tiraremos agua com alegria. Como diz o rei Davi: “Então, irei ao altar de Deus, que é minha grande alegria” (Salmo 43:4).

2. Paz (Tranquilidade, sossego, descanso) 

A palavra paz, no grego “eirene”, refere-se fundamentalmente a uma paz com Deus. Essa paz foi conquistada por Cristo na cruz. É uma paz que o mundo não pode nos dar. Quem possui essa paz descansa em Deus em meio às tribulações da vida; confia que o Senhor está na direção e que sabe o que é melhor. Possui a tranquilidade de que um dia habitara num reino governado por um Rei justo e que, “nem a morte, nem a vida, nem anjos e principados e nem potestades, nem o antes nem o porvir... nada pode nos separar do Amor de Deus que está em Cristo Jesus” (Rm 8: 38-39).

Estes três primeiros elementos que compõem o fruto do espirito estão diretamente ligados a Deus e a nossa relação com Ele. O três a seguir: Longanimidade, benignidade e bondade estão ligadas ao nosso relacionamento com o próximo.

3. Longanimidade (Firmeza de ânimo; coragem)

A palavra grega “makrothumia” significa longanimidade; refere-se a alguém que tem ânimo espichado, ou, como dizem na linguagem popular – alguém com pavio longo. Uma pessoa longânime é tardia em irar-se. Não pensa em vingança mesmo se houverem possibilidades. Não se abala com as investidas do diabo. Não se derrete com as tribulações da vida, pelo contrário, se mantêm firme e constante, pois possui sua vida fundamentada em Cristo. 

Quando alguém lhe faz o mal, a pessoa longânime não paga na mesma moeda, pois ela tem facilidade em perdoar, haja vista que possui um espírito reto. Por amar a verdade de Deus, a defende, e por ser assim, é um ótimo (a) apologista.

4. Benignidade
(Bondade; brandura)

Uma pessoa benigna é considerada uma pessoa branda, suave. Suas palavras são temperadas pelo espirito de Deus. Não usa um linguajar obsceno e nem torpe. Suas atitudes revelam sua doçura e seu caráter revela o amor de Deus.

No grego, a palavra “crestotes”, que traduzida significa benignidade, revela um tipo de pessoa gentil e bondosa com os outros. Uma pessoa benigna sempre age de forma misericordiosa. O benigno não age com bondade só com os seres-humanos; a sua compaixão e amor se estende sobre toda a criação de Deus – animais, plantas, terra e todo ser vivo. Paulo, em sua carta aos Efésios, diz: “Antes, sedes uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo Jesus, vos perdoou” (Ef 4:32).

5. Bondade (Qualidade do que é bom; boa índole)

A pessoa considerada bondosa age de forma honesta, é verdadeira, pura e justa. Suporta algumas injúrias com paciência e mansidão. Mesmo sendo pecador consegue agir de forma correta e não dá mau testemunho. Uma pessoa benigna também corrige, disciplina e exorta por amor ao próximo.

A palavra bondade, no grego “agathosyne”, possui um princípio energizante. Trench diz que Jesus usou essa palavra quando purificou o templo expulsando os que estavam transformando o Templo de Deus em um mercado. Porém, mais tarde, usou “crestotes” (benigno) com a mulher que ungiu seus pés, pois manifestou com esta uma atitude amável.1 A pessoa que manifesta bondade em suas atitudes não faz somente a outras pessoas, mais faz bem a si mesmo como está escrito em provérbios 11:17.

6. Fidelidade (Fé/ Lealdade)

É tão bom conhecer alguém fiel. O fiel é alguém que podemos confiar sempre. Alguém que é amigo e confidente, que te apoia nos seus objetivos quando estes são para o seu bem e te repreende quando está errado. O fiel é benigno, bondoso, amoroso, longânime, transmite paz, é manso, possui domínio sobre seu sentimentos e emoções e é alegre. 

Alguém assim não é fiel somente ao seu próximo; antes, é fiel primeiramente a Deus e a sua palavra. Pode o mundo desabar que ele continua com a sua fé inabalável. Pode ser comparado ao servo João que seguiu ao Senhor Jesus até ao seu calvário. A própria palavra grega “pistis”, traduzida por fidelidade, significa fé, que é o nosso firme fundamento que nos mantêm no caminho em direção a Deus. A fidelidade depende da fé, não age de forma individual.

Devemos seguir a fidelidade de Jó, que mesmo diante de tanta dor, em momento algum, blasfemou contra seu Senhor. Ele era fiel no muito e também no pouco. Existem vários exemplos na palavra de Deus em que podemos nos apoiar para nos tornamos fiéis, como: Moisés (Nm 12: 17); Davi (1Sm 22:14); Hananias (Ne 7:2); Daniel (Dn 6:4) dentre outros.

7. Mansidão (Qualidade de manso; índole pacifica)

A palavra grega “prautes”, que traduzida significa mansidão, nos passa um ar de uma dócil submissão. Uma pessoa mansa, por mais que ela tenha inteligência, poder ou status, se mantêm humilde e nunca abusa das qualidades que possui. É como se fossemos cães ferozes domesticados pelo Espírito. O manso de espírito têm facilidade de se submeter. Mesmo quando tem razão tenta de forma pacifica mostrar seu ponto de vista, e mesmo que o outro não concorde, não age de forma arrogante ou obstinada. Este tipo de mansidão nos leva a se submeter a vontade de Deus. Segundo Donald Guthrie, esta qualidade não é natural e precisa ser cultivado pelo Espírito Santo. O desenvolvimento da mesma nos leva a harmonia e não a discórdia.2 John Stott nos diz que esta mansidão é aquela atitude de humildade que Cristo tem (Mt 11:29; 2Co 10:1).3

8. Domínio Próprio/ Temperança
(Autocontrole)

A palavra grega “egkrateia” significa autocontrole, domínios dos próprios desejos. Uma coisa que pega o Cristão são o desejos sexuais. Talvez esta seja uma das coisas mais difíceis de conseguirmos controlar. Ter domínio sobre seus desejos e ações requer a intervenção do Espirito, pois, sem isso, digo que impossível dominar a fera que somos. É muito difícil domar nossos instintos. Se alguém fala algo que não nos agrada, logo já queremos partir para agressão.

Quando estamos solteiros e passa uma mulher ou um homem atraente, logo olhamos com cobiça e daí vem os pensamentos pecaminosos. E quando os hormônios do nosso corpo começam a gritar e nos levam a assistir sites pornográficos para acalmar a agitação dentro de nós? Quando passamos por momentos de tribulação, nossa mente já nos induz a trair nosso cônjuge. Quando passamos por dificuldades, já pensamos em encher a cara nos embriagando.

Irmão e irmã, se não tivermos domínio sobre nossa mente e corpo, pecaremos contra Deus de todos os modos. Talvez este seja o elemento do fruto mais difícil de alcançarmos, mais não é impossível. O Próprio Senhor Jesus, em sua natureza humana, foi tentado de todas as formas e não caiu em nenhuma delas. Que possamos usá-lo como nossa fonte de motivação.

Conclusão

Depois da analise a respeito do Fruto do Espirito, percebemos o porquê devemos nascer de novo. Se somos filhos de Deus, temos o seu “DNA”. E qual seria, então, o seu “DNA”? O fruto do Espirito!

Todos os elementos que formam o fruto mencionado em Gálatas fazem parte do caráter de Deus. Ele é perfeito em todos eles, e por sermos filhos de seu amor através de cristo precisamos ter o caráter semelhante ao de nosso Pai.

Nós somos a bíblia do ímpio. Muitas vezes, o mundo observa nossas atitudes diante de diversas situações. Ele vê a diferença ao praticar as coisas que, para este mundo caído, não são normais. Amar quem nos persegue, bendizer quem nos maldiz, perdoar uma traição, praticar atos de justiça, dar a outra face, submissão são loucuras para aqueles que não conhecem a Deus.

Sabe por que não conseguimos todas as partes do fruto? Porque o nosso amor é imperfeito! Se ao ler esse texto você percebe que falta uma dessas coisas mencionadas, não se apavore! Busque em Deus aquilo que te falta. O Fruto do Espirito é completo, e todos os seus pedaços estão perfeitamente enraizados. Um depende do outro. Busque aperfeiçoar aquelas qualidades que você tem mais dificuldade e se esforce em praticá-las. Assim, o mundo vai ver que você é um amado de Deus.

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Notas:

1 Hernandes Dias Lopes. Gálatas, pág 250.
2 Donald Guthrie. Gálatas, pág 180.
3 John Stott. A mensagem de Gálatas, pág 135.

Artigo escrito Por Priscila Dâmaso

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O Significado da Cruz:

O Significado da Cruz:

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mateus 16: 24,a 28)


Existem alguns enganos sobre a expressão "carregar a cruz". Engano esse, muitas vezes gerado por falta de uma boa leitura bíblica e por não entenderem o conteúdo espiritual do Evangelho.


Aproveitando da não- alfabetização bíblica de muitos crentes, alguns líderes e algumas igrejas impõem cargas pesadas de legalismo e religiosidade para os tais carregarem  sendo essas ordenanças, dogmas, usos e costumes como a “cruz” que o Evangelho se refere. Mas o aspecto profético da Palavra de Deus é já explicitado nos versos de Mateus 16: 24 a 28. A cruz significa a negação de nossa própria vida para uma entrega completa a Deus.Isso implica arrependimento, regeneração, santificação, serviço (do Evangelho), renúncia, etc. Isso, muitas igrejas não querem pregar por não ser, talvez, um assunto tão lucrativo.

Carregar a cruz para Cristo foi o cálice que só Ele podia tomar, pois era o Cordeiro Perfeito plenamente apto para doar sua vida para a redenção humana através de seu Sangue. Enfim, a entrega e morte de Jesus na cruz significou VIDA para nós. O segredo da cruz é MORTE e RESSURREIÇÃO. A morte e ressurreição de Jesus Cristo nos garantiu a entrada no Reino. Esse foi o cálice de Cristo e dele não podemos beber. Mas qual cálice podemos (e devemos) beber?

Nós cristãos autênticos (remidos pelo sangue derramado na cruz) devemos - agora - carregar a nossa cruz que, embora não tenha o mesmo peso espiritual e qualitativo de Cristo (pois a morte dele garantiu Vida a todos os que Deus chamou para a salvação e nós não podemos garantir isso), tem - pelo menos - o mesmo significado prático. Ou seja:

Nossa cruz agora significa, do mesmo modo, MORTE e RESSURREIÇÃO. Como assim? 

A cruz que agora carregamos até o Dia do Senhor é a constante negação de nós mesmos, morrendo para o mundo e ressurgindo para Deus. Esse é o primeiro e principal significado da cruz: morrer para o mundo e para o pecado (negação pessoal) para ressuscitar para a vida espiritual e para a genuína santidade (vida com Deus). Essa é uma responsabilidade pessoal/ individual.

Mas a cruz tem o segundo significado bíblico: sofrer as aflições de Cristo, portanto - em referência à Palavra de Deus - carregar a cruz é também sofrer as AFLIÇÕES DE CRISTO. Pois o próprio Cristo não nos enganou quando nos chamou para a Vida. Ele disse que o mundo nos odiaria, mas Nele venceríamos. Muitas lutas surgem por causa do Evangelho e assim, sofremos as aflições de Cristo. Assim está escrito nos Evangelhos e nas cartas neotestamentárias. 

Logicamente, hoje não temos as mesmas lutas que os cristãos da Igreja Primitiva, de Paulo, Pedro, João, etc. mas temos nossas provas constantes e lutas travadas, pois o intento do adversário de nossa alma é nos tirar do Caminho. Mas, conforme Paulo escreveu: quando fraco estamos (por causa das lutas e provas), somos fortes. Por quê? Porque nossa vida carnal as vezes perece e carece, mas a espiritual é forte, pois tem ressuscitado para a vida em meio a provação. E por quê? Porque o sofrer com Cristo gera fé e a fé gera a genuína experiência com o seu poder. Quando temos experiências com o Deus vivo, nossa alma revive mais forte e nosso corpo de subjuga à vontade santa de Deus. E assim vamos negando nosso eu e vamos vivendo para Cristo.

Louvado seja Deus!


As aflições, lutas e tristezas dos ímpios, dos idólatras e demais pecadores que não estão caminhando na fé e na graça não são as aflições de Cristo. Essas são as aflições do mundo e a constante amargura do pecado. Portanto, para esses o sofrimento não é cruz, pois não negam a sua vida e não conseguem morrer para o mundo. Em pecado, jamais ressurgirão para Deus.

Mas nós que conhecemos a Revelação da graça, a saber, Jesus Cristo, amamos a mensagem da cruz e, até morrer, vamos proclamá-la!


Se agora sofremos as aflições de Cristo, logo participamos de sua glória, diz a Palavra de Deus. Então, a cruz significa também para nós, servos do Altíssimo, o sofrimento cotidiano por causa da mensagem da cruz. E assim, de fé em fé, vamos morrendo para o mundo e revivendo para Deus pela cruz de Cristo.


E a Verdade prevalece!

Gabriel Felipe M. Rocha.

Apetite pelo alimento do céu

Apetite pelo alimento do céu

Referência: Mateus 5: 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos

1. O evangelho de Mateus apresenta Jesus como Rei. O sermão do monte é a plataforma do Reino. Ele não descreve a vida do mundo, mas a vida daqueles que fazem parte do Reino.
2. Somente uma pessoa que é humilde de espírito e reconhece os seus próprios pecados e chora por eles e se submete à soberania de Deus, pode ter fome e sede de justiça.
3. Falaremos sobre esse apetite pelo alimento do céu.
QUE TIPO DE ALIMENTO DEVEMOS TER APETITE? 
A fome espiritual é uma das características do povo de Deus. A ambição suprema do povo de Deus não é material, mas espiritual. Os cristãos aspiram às coisas mais excelentes. Eles buscam em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça.
Thomas Watson, puritano inglês do século XVII, disse que Jesus está falando aqui da justiça imputada e da justiça implantada. John Stott, maior exegeta do século XX, diz que a justiça bíblica tem três aspectos: legal, moral e social. A justiça legal trata da nossa justificação, um relacionamento certo com Deus. A justiça moral trata da conduta que agrada a Deus, a justiça interior, de coração de mente e de motivações. A justiça social refere-se à busca pela libertação do homem de toda opressão, junto com a promoção dos direitos civis, de justiça nos tribunais, da integridade nos negócios e da honra no lar e nos relacionamentos familiares.
1. Devemos ter apetite pela justiça imputada, ou seja, justiça diante de Deus
Aquele que reconhece que é pecador, e que como pecador é injusto, e portanto, está condenado junto ao trono do Deus todo-poderoso, esse tem fome e sede de justiça. Esse deseja ser justo, ele deseja ter sua iniquidade perdoada. Esse busca a salvação.
Mas como um homem pode ser justo diante de Deus? Ele jamais estará satisfeito até que creia que Jesus foi feito por Deus nossa sabedoria, justificação, santificação e redenção (1 Co 1:30). Ele jamais estará satisfeito até que compreenda que Cristo morreu em seu lugar, em seu favor, levando sobre o seu corpo os seus pecados, encravando na cruz a sua dívida, e comprando na cruz a sua eterna redenção.
Cristo é a nossa justiça. O mais fraco dos crentes que crê em Cristo tem tanto da justiça de Cristo como o mais forte dos santos. Em Cristo somos completos e perfeitos. Cristo é a fonte da vida. Não precisamos das cistenas rotas. Quem nele crê tem uma fonte e rios de água viva. Essa justiça de Cristo é gratuita. O pão da vida é de graça. A água da vida é de graça (Is 55:1; Ap 22:17).
2. Devemos ter apetite pela justiça implantada, ou seja, uma vida nova com Deus
Não é suficiente saber que os nossos pecados estão perdoados, pois temos ainda uma fonte de pecado dentro do nosso coração e águas amargas fluem constantemente dessa fonte. Quem tem fome e sede de justiça deseja ardentemente ser transformado. Jesus disse: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20).
Quem tem fome e sede de justiça aspira as coisas do céu, ama a santidade, tem prazer nas coisas de Deus, deleita-se em Deus, ama a lei de Deus. Sua aspiração mais elevada não é ajuntar tesouros na terra, mas no céu. Seu prazer não está nos banquetes do mundo, mas nas manjares do céu. Ele tem sede de santidade. Ele tem uma nova mente, um novo coração, um novo nome, uma nova vida. Seu coração está no céu. Seu tesouro está no céu. Seu lar está no céu. Sua pátria está no céu.
Quem tem fome e sede de justiça deseja ardentemente ter mente pura, coração puro, vida pura. Anela subjugar o orgulho e ter vida certa com Deus e com os homens. Quem tem fome e sede de justiça quer sempre mais. Ele está satisfeito, mas nunca saciado. Ele ama, mas quer amar mais. Ele ora, mas quer orar mais. Ele estuda a Palavra, mas quer estudar mais. Ele obedece, mas quer obedecer mais.
3. Devemos ter apetite pela justiça promovida
Quem tem fome e sede de justiça não se conforma com a injustiça – Ele abomina o mal, ele ataca a corrupção, ele declara guerra contra toda de esquema opressor. Ele luta pela justiça social. Ele exige justiça nos tribunais, ele defende o direito do fraco, a causa dos oprimidos.
Quem tem fome e sede de justiça luta por uma sociedade onde não haja fraude, falso testemunho, perjúrio, roubo e lascívia. Ele deseja que o justo governe. Ele deseja que toda guerra cesse. Ele deseja que leis justas sejam estabelecidas. Sua oração contínua é: “Senhor, venha o teu reino, seja feita a tua vontade assim na terra como no céu.” Ele deseja justiça diante de Deus, justiça para si e entre os homens.
Aqueles que têm fome e sede de justiça lutaram pelas grandes causas sociais: 1) O cristianismo defendeu o direito das mulheres e das crianças; 2) John Weley combateu a escravidão; 3) William Wilberforce lutou pela abolição da Escravatura na Inglaterra; 4) Martin Luther King lutou contra o preconceito racial.
QUE TIPO DE APETITE DEVEMOS TER PELO ALIMENTO? 
1. Consideremos alguns problemas graves ligados ao apetite
a) Os mortos não têm apetite – Uma pessoa morta não tem fome. Não há restaurantes nos cemitérios. Assim, também, uma pessoa sem vida espiritual nunca vai ter fome das coisas de Deus. As coisas de Deus não atraem uma pessoa morta espiritualmente. Ela tem fome do pecado e não do pão do céu. Ela tem fome das coisas do mundo e não dos banquetes de Deus. Se você não tem fome de Deus é porque possivelmente você ainda está morto espiritualmente. A fome é o primeiro sinal de que uma pessoa está viva. Assim como uma criança ao nascer deseja o leite materno, uma pessoa ao nascer de novo, deseja ardentemente o genuíno leite espiritual. Se você tem fome e sede de justiça é porque você recebeu vida em Cristo. Mas se você está cheio com a sua própria justiça. Se está satisfeito com a sua própria vida então não há sinal de vida espiritual em você.
b) A falta de apetite é uma doença – Muitas pessoas que nasceram de novo estão doentes espiritualmente e perderam o apetite pelas coisas do céu. Pessoas doentes têm mais sono do que apetite. São como Pedro no Getsêmani, dormem em vez de orar. Também, perderam o apetite pela leitura da bíblica. Perderam o apetite pela oração. Perderam o entusiasmo de estar na Casa de Deus. Estão fracas na fé. Aqueles que se consideram cheios jamais serão saciados. “Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” (Lc 1:53). Quando as pessoas recusam o alimento é porque não estão com fome. Quando elas fazem pouco caso do evangelho é porque estão cheias de si mesmas. Jesus tinha apetite pelas coisas do Pai. Ele disse: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4:34). Quem tem fome de Deus deleita-se na Palavra de Deus. Ela é mais doce do que o mel e o destilar dos favos (Sl 19:10). Jeremias disse: “Achadas as tuas palavras, logo as comi” (Jr 15:16). Mas apenas ouvir a Palavra sem colocá-la em prática é sinal de doença (Ez 33:32; Tg 1:22-25). Outros preferem recreação ao alimento.
c) A inanição é evidência de alimentação escassa – Quando as pessoas não recebem alimento suficiente para atender suas necessidades elas ficam fracas e não se desenvolvem. Há muitos crentes sofrendo inanição espiritual porque estão ingerindo muito pouco alimento. Estão recebendo apenas uma refeição por semana. Em casa não lêem a Bíblia. Não frequentam os cultos semanais. Não frequentam as reuniões de oração. Por isso estão fracas na fé. Por isso ficam expostas a toda sorte de doenças oportunistas.
d) Muitas doenças são provocadas por alimentação inadequada – A saúde começa pela boca. Ninguém pode ter boa saúde se tem uma péssima alimentação. Não há nada mais nocivo à saúde do que ingerir um alimento estragado ou venenoso. No tempo do profeta Eliseu, os discípulos dos profetas não puderam comer porque havia morte na panela. Hoje muitos crentes estão doentes porque há morte na panela. Há morte nos púlpitos. Há morte nas salas de Escola Dominical. Há morte nos livros! As pessoas estão desejando as bênçãos de Deus e não o Deus das bênçãos. Elas querem prosperidade e cura e não santidade. Elas querem sucesso e não piedade. Elas têm sede dos aplausos dos homens e não fome da glória de Deus. O jovem rico foi a Jesus, mas ele tinha fome de salvação e também de riqueza. Muitos vão a Jesus, mas têm fome de salvação e dos prazeres do mundo; fome de salvação e também de riquezas; fome de Jesus e do pecado. Esses são despedidos vazios! Há pessoas que têm fome de mamom e não de maná. São como Acabe que se deprimem por não terem a propriedade que pertence a Nabote. Há outros que têm fome de vingança. Outros fome e sede de satisfazer seus desejos impuros. Aqueles que têm fome do pecado serão saciados por Satanás e perecerão de fome e sede para sempre.
e) A desnutrição produz raquitismo – Uma pessoa que não recebe alimento saudável e suficiente pode sofrer de raquitismo. Não há desenvolvimento. Um crente que não se alimenta de forma correta das coisas de Deus torna-se raquítico espiritualmente. Assim como uma pessoa deve evitar ingerir aquilo que tira o apetite, devemos também rejeitar tudo aquilo que tira o nosso apetite de Deus.
2. Consideremos as características do apetite
a) O apetite é um desejo real – Não podemos fazer de conta que ele não existe. A fome e a sede são as necessidades mais essenciais da vida. Ninguém sobrevive sem pão e sem água. Assim, também, ninguém pode pertencer ao reino sem ter fome de justiça. O maior anelo de um crente é ser perdoado, é ser vestido com a justiça de Cristo. Seu maior desejo é ser santo, puro e glorificar a Deus. Antes tínhamos fome de pecar; agora temos fome para não pecar. Quem tem apetite enfrenta qualquer dificuldade para saciar a sua fome. Ele se deleita na comida. Há algumas diferenças entre o apetite verdadeiro pelas coisas de Deus e o apetite hipócrita: 1) O hipócrita não deseja Deus, mas apenas as bênçãos de Deus – É como Balaão, ele quer morrer a morte dos justos, mas não viver a vida dos justos (Nm 23:10). 2) O apetite do hipócrita é condicional – Ele quer Jesus e os seus pecados; ele quer Jesus e as riquezas; ele quer Jesus e a cobiça; ele quer Jesus e o mundo. 3) Os desejos do hipócrita são fora de tempo – As cinco virgens loucas, desejam entrar nas bodas tarde demais. Elas queriam as bodas, mas não se prepararam.
b) O apetite é um desejo constante – Comemos pão hoje e temos fome de novo amanhã. Assim também é com respeito às coisas espirituais. Temos fome de Deus e somos saciados. Mas queremos mais. Queremos mais do seu amor, da sua graça, do seu poder. Somos como Moisés. Ele conheceu a Deus na sarça. Ele conheceu os milagres de Deus no Egito. Ele viu o poder de Deus arrancando o povo do Egito, abrindo o mar vermelho, dando água no deserto e fazendo chover pão do céu. Ele viu o dedo de Deus escrever a lei em tábuas de pedra. Mas ele queria mais de Deus. Ele clamou: “Senhor, mostra-me a tua glória!” Esta fome e esta sede continuam e aumentam no simples fato de saciá-la. Quanto mais você se alimenta de Deus, mais você tem fome de Deus. Davi disse: “Minha alma tem sede do Deus vivo” (Sl 42:2). Isaías diz: “Com minha alma suspiro de noite por ti e, com o meu espírito dento de mim, eu te procuro diligentemente…” (Is 26:9).
c) O apetite é um desejo intenso – O que pode ser mais intenso do que a fome e a sede. Essa é a necessidade mais básica e mais urgente da vida. Não basta ter fome, é preciso estar morrendo de fome. Enquanto o filho pródigo estava com fome foi buscar as alfarroba dos porcos, mas quando estava morrendo de fome, busca a casa do Pai. Victor Frankl narra sua dolorosa experiência no campo de concentração nazista. Ele disse que o principal assunto dos prisioneiros era sobre comida. Eles faziam sacrifícios tremendo apenas para ter uma concha de sopa. Houve um tempo em Samaria que se vendia uma cabeça de jumento por um preço de ouro. Na Coréia do Norte já se chegou a comer defuntos. A fome provoca uma dor insuportável. Oh, que Deus nos mande uma fome assim de justiça. Que possamos clamar como Paulo: “Miserável homem que eu sou, quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). Que o desejo de ter uma vida certa com Deus seja desesperadora em nosso coração. Oh, que possamos ter fome de Deus como Davi: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42:2); “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (Sl 63:1). “A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã” (Sl 130:6). Aquele que tem fome de Cristo é o que diz: “Dá a Jesus senão eu morro”.
d) O apetite é um desejo insubstituível – Se uma pessoa está desesperadamente faminta não adianta você oferecer a ela entretenimento, uma boa música, ou colocar talheres de prata sobre a mesa ou enfeites bonitos. Nada substitui o pão e a água. Assim, também, nada substitui Deus. Nada substitui a salvação em Cristo. As oferendas do mundo não podem satisfazer um coração sedento de Deus. Salomão buscou saciar a sua sede nos prazeres do álcool, nas riquezas, no sexo e na fama e descobriu que tudo era vaidade. Jesus fala da bem-aventurança daquele que tem fome e sede não de dezenas de coisas, mas daquele que é específico no seu apetite: feliz é o que tem fome e sede de justiça. Hoje as pessoas querem Jesus e a riqueza, Jesus e o sucesso, Jesus e as glórias do mundo. Mas, feliz é o que tem fome de justiça!
QUE BÊNÇÃOS SÃO DESTINADAS AOS QUE TÊM APETITE PELAS COISAS DO CÉU? 
1. Ele é saciado com uma bênção singular
Quando uma pessoa tem apetite de pão, ele come pão, mas volta a ter a mesma fome de pão. Quando ela deseja beber, ela bebe, mas volta a ter a mesma sede. Muitas pessoas têm fome de bens materiais, mas ninguém pode satisfazer sua alma com bens materiais. O mais rico dos homens não conseguiu ser tão rico como gostaria de ter sido. Os homens têm tentado satisfazer seus corações com as possessões do mundo: eles compram casas e mais casas, carros e mais carros, fazendas e mais fazendas, cidades e mais cidades, até terem a sensação de que são os únicos donos da terra, mas ninguém conseguiu satisfazer a sua alma com coisas da terra. Alexandre, o grande conquistou o mundo todo da época e morreu chorando por não ter mais terra para conquistar. Deus colocou a eternidade no coração do homem e coisas não preenchem esse vazio.
Jesus chamou de louco o homem que pensou que poderia alimentar a sua alma com bens materiais. Somente aqueles que saciam suas almas com o pão do céu são verdadeiramente saciados: Jesus disse: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6:35). Só Jesus satisfaz. Só a justiça de Deus satisfaz a alma!
2. Ele é saciado com uma bênção apropriada
Uma pode só pode ser saciada com alimento. Assim, também, aqueles que têm fome e sede de justiça serão fartos de justiça. Eles desejam justiça e terão justiça. Eles desejam Deus e terão Deus. Eles desejam um novo coração e terão um novo coração. Eles desejam ser guardados do pecado e serão guardados do pecado. Eles desejam ser perfeitos e serão aperfeiçoados. Eles desejam viver onde o pecado não entrará e eles serão arrebatadas para morar no céu, onde o pecado jamais entrará.
3. Ele é saciado com uma bênção abundante
O que Cristo promete não é apenas uma refeição imediata ou provisória, mas uma satisfação completa e eterna. Aquele que tem fome e sede de justiça será farto agora, aqui, na terra e também no céu. Jesus disse: “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14). Ninguém jamais será satisfeito sem que antes esteja faminto e sedento!
A provisão de Deus é abundante. Não apenas nossos pecados são perdoados. Somos justificados. Somos feitos filhos de Deus. Somos feitos herdeiros de Deus. Tornamo-nos co-participantes da natureza de Deus. Cristo passa habitar em nós, como nossa esperança da glória. O Espírito passa habitar em nós e tornamo-nos santuários da sua habitação. Seremos guardados por ele para sempre. Então, Receberemos uma herança incorruptível. Teremos um corpo glorioso. Celebraremos seu nome para sempre nas mansões celestes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Se você não tiver fome e sede de Deus agora, você terá fome e sede tarde demais. Agora você pode ser saciado, mas então jamais o será. O homem rico morreu e foi para o inferno e em tormento, clamou por uma gota de água e até isso lhe foi negado (Lc 16:24). Aquele que não tiver fome e sede de justiça agora, vai ter sede de misericórdia na eternidade, mas será tarde demais. Aquele que não tiver fome e sede de justiça agora, sofrerá fome e sede para sempre sem jamais ser saciado.
A calor aumenta a sede. Quando as pessoas estiverem queimando no inferno sob o fogo da ira de Deus, esse calor irá aumentar a sua sede por misericórdia, mas nada haverá para saciar essa sede.
Mas se você tiver fome e sede de justiça agora, você será feliz agora e eternamente. Você será satisfeito agora e eternamente. “Bem-aventurado os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.”
Rev. Hernandes Dias Lopes

Vencendo a Religiosidade

Vencendo a Religiosidade

É possível ser religioso sem ser religioso? Não, a pergunta não está errada. O problema provavelmente está em nossa interpretação do que é ser “religioso”.

O termo “religião” não é um termo etimologicamente ruim como alguns pensam. Na verdade há uma confusão entre as expressões “religião” em seu significado real e  “religiosidade” que expressa já uma outra idéia (um sentido mais qualitativo). O termo “religião”, portanto, vem do latim “religare”, tem o significado de religação. Essa “religação” se refere a uma nova ligação entre o homem e Deus. Sabendo disso, conclui-se que o real significado da palavra é JESUS CRISTO, pois Ele é o único mediador entre Deus e os homens, não há outro capaz de religar o homem a Deus a não ser pelo Nome de Jesus Cristo.

A Bíblia assim diz, na pessoa de Jesus: ninguém vai ao Pai senão por mim. Todos pecaram e foram destituídos da Glória de Deus.

Mas o quadro foi totalmente mudado quando Ele se ofereceu em sacrifício em nosso lugar. O que a maior parte das pessoas toma por religião é, na verdade, denominação. Católicos, Assembleianos, Metodistas, Batistas, etc. são denominações. Jesus morreu por todos e para se ter uma religião é só se converter a Ele. Ele é a “religião pura e imaculada”.

A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo(Tiago 1: 27)

A religiosidade em seu sentido estrito é inerente ao ser humano, até mesmo para o ateu, que elege a razão e a ciência como substituto das coisas espirituais. Jesus Cristo era, sob certo aspecto extremamente religioso no sentido sadio da expressão, pois era zeloso em relação ao estudo da Lei e vivia em contato com as Escrituras, sendo reconhecido por onde passava como um Rabi, um Mestre nas questões do Judaísmo. Entretanto, ninguém confrontou os religiosos de sua época com tanta autoridade como nosso Senhor, sendo até reconhecido por seus ouvintes como alguém que “ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mt 7.29). Pois Jesus não vivia numa “religiosidade”.

A religiosidade nociva trata-se já de uma situação semelhante a dos escribas e fariseus descritas por Jesus nos evangelhos. Esses eram sectários, vaidosos em relação às suas “denominações” (como farisaísmo, e outros grupos sectários ali existentes), se diziam “melhores”, ou afirmavam que eram mais “especiais” que os outros, “donos da verdade”, e que apenas seus grupos identificados com sua forma de vida e ação eram a obra genuína de Deus. Esses estavam apegados mais aos fatores externos do que a verdadeira transformação de vida. Preocupavam-se com alguns itens da Lei, mas ignoravam os outros tantos. Cobravam atitudes dos outros, mas não moviam uma palha sequer. Vigiavam a vida alheia, mas se faziam de santarrões ao publico, no entanto, eram como “sepulcros caiados”. Jesus foi severo com esses e o juízo ainda está sobre o religioso da religiosidade nociva, vaidosa, sectária e cega.

O grande desafio para o discípulo de Jesus não é deixar de ser religioso ou desprezar a religiosidade, mas, como o Mestre, vencer a religiosidade vazia e ritualística para viver uma religiosidade sadia e conectada com o Espírito Santo, pois a obra do Espírito Santo na vida do autêntico servo de Deus frutifica-o para a vida eterna em atitudes visíveis de arrependimento, definição, testemunho, frutos do Espírito, vida em espírito (de verdade), etc. Pois a obra do Espírito Santo não se limita a grupos religiosos, mas, em sua real essência, trata-se da operação do Espírito Santo na vida do eleito até o completar da sua redenção, aperfeiçoando-a no coração do crente até o Dia do Senhor:

Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6)

Uma religião verdadeira consiste em uma vida genuinamente aos pés de Cristo, onde o crente autêntico (verdadeiro servo do Senhor) engaja-se sem reservas ao serviço e ao testemunho do Evangelho, sendo um imitador de Cristo com suas atitudes. O crente que é crente só no âmbito de sua denominação religiosa não consegue viver por completo essa verdade bíblica. No entanto, viver  a obra redentora de Deus por intermédio do Espírito Santo perpassa-se nas seguintes etapas: 1) conhecimento da Verdade (pela Palavra); 2) frutificação da fé (dom de Deus/ fé salvífica); 3) arrependimento; 4) Batismo (águas e com o Espírito Santo); 5) transformação de vida/ frutos do Espírito Santo; 6) santificação; 7) instrumentalidade/ dons espirituais; 8) crescimento na graça e conhecimento e, conforme a obra específica do Espírito, a evidência de algum ministério na vida desse crente. Aí se resume a vida que vive a genuína religião, a religião pura e imaculada onde Jesus é revelado ao mundo através de uma vida cheia do Espírito Santo. O religioso da religiosidade doentia já não vive isso.

Quando Martin Luther King, Jr. enfrentou os racistas no meio do século passado, muitos deles das igrejas cristãs, ele não se levantou dizendo que precisávamos de menos religião. Ao contrário, ele disse que precisávamos de mais religião, mas da religião de acordo com o verdadeiro ensinamento do Evangelho de Jesus, e não das regras moldadas por homens.

A religiosidade vazia que devemos combater é a religiosidade que preza o exterior ao invés do coração. É aquela que valoriza mais as supostas manifestações do Espírito, experiências pessoais e subjetivas, tradições históricas do que a prática da Palavra de Deus. Esta vivência religiosa foi abertamente combatida por Jesus em Marcos 7:1-23, quando ele e seus discípulos foram criticados por comerem sem lavar as mãos. Os fariseus eram velozes em cumprir alguns aspectos da Lei que lhes interessavam (a consagração de bens ao Senhor), ainda que estes mesmos aspectos contrariassem valores mais importantes (o honrar pai e mãe). Para aqueles, Jesus foi bem direto, chamando-os de hipócritas.

Não é difícil cair nesta mesma armadilha hoje em dia. Geralmente temos os conceitos preestabelecidos de como o cristianismo deve ser vivido, de o que um crente deve fazer, como deve se vestir e que palavras usar. Até criamos o chamado “evangeliquês”, em que basta inserir um “bênção” ou um “glória a Deus” na frase para passarmos por espirituais. Usar tais palavras não constituem religiosidade vazia, desde que o conteúdo do coração esteja alinhado com essa “glória de Deus”. As palavras que saem de nossa boca devem refletir, sim, o estado do nosso coração – se está diante de Deus ou não. Se vivemos uma religiosidade vazia, podemos até falar palavras “bonitas”, mas nossas atitudes comunicam falta de amor e graça. Em contrapartida, se nossa religiosidade é recheada da presença do Espírito Santo, as palavras mais simples e cotidianas vêm repletas do poder transformador de Jesus Cristo.
Sim, é possível ser religioso sem ser religioso. Para isto, basta ter como modelo e referência não pessoas religiosas, mas a maior e mais verdadeira com Deus foi mostrada por Jesus Cristo. Ele é a nossa religião e ser como Ele é nosso objetivo. Para isto, precisamos buscá-lo através de uma comunhão genuína pela oração e pela compreensão da Palavra de Deus, vivendo seus ensinamentos como Ele mesmo viveu, sem medo algum de ser imitador de Cristo.


Texto escrito com base no estudo de Luis Fernando Nacif (Pastor da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte)

Adaptações e acréscimos de Gabriel Felipe M. Rocha