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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ARTIGO "O Conceito de Sã Doutrina" de Gabriel Felipe M. Rocha

Paz a todos os leitores do blog Palavra a Sério, que na sua maioria, são verdadeiros amantes e estudantes da Palavra da Deus.

Estou escrevendo um artigo e, mesmo não estando pronto, resolvi expor parte dele aqui no blog. Trata-se da introdução do artigo:

“CONCEITO DE “SÃ DOUTRINA”, O CARÁTER DIVINO DAS ESCRITURAS E A FUNDAMENTAL PARTICIPAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO PARA A CONSOLIDAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DOUTRINÁRIO NA VIDA DA IGREJA E PARA A PROMOÇÃO DO GENUÍNO AVIVAMENTO”

Segue o texto:

Introdução

[...]   No Novo Testamento o termo “cristão”, significa “pequenos cristos[1]. “Cristo” é, podemos assim dizer, um dos títulos de Jesus cujo significado é “ungido”; O termo “ungido” ou “escolhido” é o equivalente grego ao termo hebraico “Messias”. Pois bem, faço esse proêmio para dizer que: se somos parte de Cristo ou “pequenos cristos”, nós devemos, para a afirmação desse nobre título, andar como Jesus andou. O que é “andar como Jesus andou”? É deliberadamente fazer a vontade do Pai[2]. Isso implica em guardar as suas palavras[3].
      Pois bem, é nesse horizonte que percorre toda a nossa análise. O que queremos como cristãos? Queremos, acima de tudo, fazer a vontade do Pai, na certeza de que estamos fazendo o que está em conformidade com as Escrituras. Ter essa certeza significa ter uma vida cristã consciente e sadia, respaldada pela Palavra de Deus.
      Jesus é a própria Palavra de Deus[4], o Verbo vivo, a Revelação do Pai a Igreja testificada nas Escrituras, portanto, sendo nós parte dele (parte de seu Corpo[5]), não podemos ir jamais contra a sua Palavra.
      A Bíblia registra a nobreza dos crentes de Beréia[6], e ela se traduz exatamente no desejo de fazer o que é correto e sadio em relação às Escrituras, procurando conferir se aquilo que estava sendo ensinado era mesmo daquela forma ou se estava fora dos parâmetros de Cristo. Eles não fizeram isso (assim podemos crer) porque duvidaram simplesmente da pregação de Paulo e de Silas, mas assim fizeram pela própria motivação espiritual em querer agradar a Deus, característica de uma alma remida que, diante da verdadeira conversão, passa a amar o seu Salvador a ponto de amar incondicionalmente os seus preceitos[7]. Assim os bereianos se tornaram nobres. O bom recebimento da Palavra de Deus faz gerar o genuíno avivamento e, esse genuíno avivamento, tende a levar o crente cada vez mais para perto das Escrituras e lavá-lo a andar segundo a Palavra de Deus. Estava aí a nobreza dos bereianos: obedecer a voz do Espírito Santo cuja voz é a que impera no crente genuinamente avivado e dependente de Deus.
       Hoje, infelizmente, o termo “avivamento” está sendo usado de maneira descuidada e muitos pseudo-avivados e tantos adeptos de variados movimentos pentecostais e neopentecostais se afastam gradativamente das Escrituras e optam por estranhos cultos, experimentalismos, ênfases em manifestações visíveis de poder e tantos outros perigos que os levam cada vez mais longe do propósito divino revelado nas Escrituras sagradas.
        Nesse lamentável e preocupante contexto, podemos identificar algumas vozes chamando os crentes para voltarem ao verdadeiro Evangelho. Muitas dessas vozes se encontram no meio protestante reformado[8] e, dentre tantos, alguns apontam o pentecostalismo como o principal responsável pelo desabrochar de tantos conceitos, teologias, heresias e posições religiosas contrárias ou nocivas à sã doutrina de Jesus Cristo.
        A ortodoxia, incluindo os valores da Reforma Protestante nesses amados servos de Deus é algo indubitavelmente louvável e exemplar. De fato precisamos - todos nós cristãos - rever os nossos valores e conceitos e sempre, em conformidade com as Escrituras, nos reformarmos. Não estou falando aqui de uma súbita adoção da Reforma, adoção essa que implicaria a renegação total de alguns outros valores conquistados, tanto teologicamente, tanto divinamente.
       Isso significaria dizer que a confissão pentecostal deve ser deixada? Significaria o abandono total dos valores pentecostais? Logicamente faço menção aqui do genuíno pentecostalismo e não do pentecostalismo moderno ou neopentecostalismo que tem assumido outras formas em relação ao tradicionalismo e genuíno pentecostalismo, como aqui, mais à frente, discorreremos sobre. 
       Seria, de fato, o pentecostalismo alheio aos valores tradicionais? Do mesmo modo, seria o tradicionalismo teologicamente fechado ao pentecostalismo? Seria o cessacionismo[9] o caminho prudente para o verdadeiro avivamento? Ou será que a excessiva prudência não configuraria uma ortodoxia morta? Será mesmo que a total dependência da ação do Espírito Santo, da sua direção, capacitação e edificação por meio do seu batismo[10] e de seus dons espirituais ficaram como experiências restritas à era apostólica? Não seria a obra do Espírito Santo no seio da Igreja a chave ou o despertar para o verdadeiro avivamento? Não seria o Espírito Santo o agente de união entre a igreja física – eu e você – e o Cristo vivo? E não seria da terceira Pessoa da Trindade a responsabilidade na constante iluminação do crente diante das Escrituras segundo a promessa do próprio Cristo?[11] Não seria o Consolador Espírito Santo, a terceira Pessoa da Santa Trindade, o responsável em dar à igreja a chave da revelação, o discernimento e a sabedoria diante de sua missão no mundo? Não é esse quem faz oposição ao adversário de Cristo e purifica a Igreja expurgando todo o pecado, heresia e apostasia? Não seria o Espírito Santo o responsável por mostrar o Cristo glorificado para a Igreja? Essas perguntas tentarão ser respondidas no discorrer dessa presente análise. Mas fica aqui de forma prévia a nossa confissão pentecostal e o nosso singelo intento em mostrar que é possível ser pentecostal, viver a experiência segura com Cristo vivo por meio do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, não se contaminar com os ventos de doutrina que insistem em bater na porta da Igreja do Senhor.
      Procuraremos mostrar que o avivamento real da Igreja de Jesus Cristo e de cada membro em particular se dá exclusivamente pela ação do Espírito Santo. Muitos podem sair às ruas e, como verdadeiros profetas e avivalistas, podem pregar, podem ensinar, podem gritar, podem ameaçar anunciando o juízo, etc., mas se não for pelo Espírito Santo de Deus, pela soberania e propósito do Altíssimo, nada acontecerá. Existe a ordem: “ide por todo o mundo e pregai o Evangelho...” [12], mas a obra é exclusiva do Espírito Santo. Podemos dizer que o Espírito Santo veio continuar a cumprir aquilo que Cristo efetivou na cruz, a saber, o projeto do Pai – dono da obra – e sua responsabilidade sobre essa obra é exclusiva[13], sendo assim, Ele é o chefe, o líder, o patrão do projeto divino e cabe somente a Ele ditar e projetar esse plano, sendo que nós somos apenas os trabalhadores chamados para exercer nossa específica função na implantação do Reino. Nessa “hierarquia do céu”, quem somos nós sem a ação do Espírito Santo? Quem somos nós sem o batismo com o Espírito Santo[14]? Como vamos testemunhar de Jesus Cristo ao mundo se não for pelo Espírito e pelo poder do Espírito? Como anunciar a mensagem do Reino e conseguir almas se não for pelo Espírito? Veremos que nesse contexto, os dons espirituais têm uma importante valia, embora não precisamos dar ênfases de nenhum poder sobrenatural nem nos arriscar em nenhum experimentalismo qualquer, pois, como dissemos acima, a obra é do Espírito Santo. O que seria uma obra sem o mestre, sem o chefe, sem o coordenador? Seria uma total falta de rumo, algo que não é difícil de ver nos movimentos pentecostais modernos. Do mesmo modo, a igreja poderia se encontrar, de certa forma, estática. Infelizmente muitos tradicionais por excesso de zelo, de ortodoxia, preferiram ficar com aquilo que ganharam na Reforma Protestante e que não é pouco, a saber, as doutrinas da graça, assim como as doutrinas reformadas em geral e escolheram ficar com a Bíblia como um legado histórico, como regra indiscutível de fé ou como a Palavra de Deus já plenamente revelada. Mas, contudo, pode existir um problema: a ortodoxia, ou até mesmo o fundamentalismo por parte de alguns, não seria prejudicial para o despertar da igreja para o avivamento e para a plenitude espiritual?  Uma igreja, em nome da defesa da Verdade ou, em nome da defesa da sua confissão teológica, pode perder a piedade, pode perder a sensibilidade e pode perder a vida do Cristo glorificado e se prender apenas ao seu legado histórico. Avivamento não se trata apenas daquele entusiasmo do início, do primeiro amor, do desejo de conhecer a Bíblia e da alegria inestimável da conversão à Cristo, mas trata-se da piedade, do amor verdadeiro e racional pelo Evangelho e pelo conteúdo do Evangelho: amar a Deus e amar ao próximo, total dependência do Espírito Santo, experiências seguras com os dons espirituais, uma maior iluminação no entendimento da Palavra de Deus e uma melhor aplicação espiritual da mesma, uma confissão de fé visível e indubitável, perseverança, a plenitude do Espírito Santo, maturidade, discernimento espiritual para o momento que a Igreja vive sobre a terra, etc. É preciso amar não só o conjunto de livros inspirados que compõe a Bíblia, mas, principalmente, o conteúdo profético da mesma, a saber, a Palavra Viva de Deus que nada mais é do que o próprio Cristo que se revela pelas Escrituras. A Bíblia não deve ser apenas uma regra ferrenha de conduta moral e religiosa, pois daí também nasce o legalismo. Não pode ser o acervo das palavras que Cristo um dia falou e nem acervo sistematizado de doutrinas simplesmente, mas ela, a Bíblia, deve ser a Palavra do Deus que ainda fala, a revelação do Cristo que ainda vive e tudo isso pela contínua iluminação do Espírito Santo que ainda dirige o projeto de Deus. A Palavra de Deus deve ser a norteadora do crente que vai – pela graça – para a Eternidade mediante a fé no Cristo, na sua promessa e no projeto de redenção do Pai. Quem testifica essas verdades e as confirma pela própria Escritura é o Espírito Santo. A igreja deve estar vivendo a plenitude do Espírito Santo. Ela deve buscar patamares ainda maiores de comunhão com Deus e isso não remete a viver e experimentar “novidades teológicas”, mas sim de uma novidade do Espírito cuja base se encontra nas Escrituras mesmas, pois o Espírito Santo sendo Deus, a Palavra sendo de Deus e Jesus sendo a Palavra Revelada de Deus na Bíblia, Deus não se volta e nem se voltará contra Ele próprio. Até na defesa da verdade, algumas igrejas podem perder a devoção, pois, de repente, a defesa da Verdade torna-se um fim em si mesmo e, a igreja mesmo com uma elogiável fidelidade doutrinária, pode se tornar uma igreja morta. O amor pela formalidade, pela norma e pela “lei” está fantasiado de amor pela Doutrina e isso tudo é muito sutil e perigoso. Perde-se a verdadeira liberdade em Cristo (pela operação genuína do Espírito Santo) e o entendimento verdadeiro do Evangelho e tudo se torna mecânico e religioso.  Dentre os tantos exemplos que a Igreja registrada em Atos nos dá, destaca-se a dinâmica da Igreja. A Igreja não se acomodava e quem individualmente se acomodava, no caminho mesmo ficava, mas a Igreja perseverava, progredia, crescia, entendia gradativamente o plano profético de Deus, porém, tudo isso na constante e eficaz revelação do Espírito Santo, na aplicação correta dos dons espirituais e no crescimento da graça de Deus onde a vivência prática da plenitude do Espírito Santo levava a Igreja a patamares ainda maiores de entendimento do projeto divino. Enganaram-se os que pensaram que tudo isso era algo restrito ao período apostólico. Não é difícil entendermos que a experiência da primeira Igreja seria trazida e preservada ao longo dos séculos pelo Consolador Espírito Santo que, em cada momento histórico que a Igreja percorria, o mesmo Espírito testificava de seu projeto e enfatizava uma operação de caráter profético em cada época, em cada faze da Igreja de Jesus Cristo. A obra do Espírito seria notificada pelos séculos junto com o clamor de muitos genuínos servos de Deus que, no mesmo espírito, mesmo batismo, mesmo Deus e Pai disseram: “aviva, Senhor a sua obra e a notifica através dos anos”. Na própria Reforma Protestante, a obra do Espírito foi testificada e o avivamento aconteceu cuja ênfase estava na supremacia da Palavra de Deus e na fortaleza verdadeira e refúgio em Deus para todos por meio da graça. Ali havia um remanescente que estava de coração aberto para receber a Palavra de poder e a partir daí, a obra do Espírito santo no seio da Igreja Fiel de Cristo foi retomada de forma notória. Muitas igrejas se consolidaram nessa experiência com a Palavra e firmaram suas estacas na verdade bíblica. Assim, o legado, a herança estava sendo mantida e repassada, até que os grandes avivamentos espirituais aconteceram onde o Evangelho transgrediu as fronteiras humanas e chegou até mesmo a lugares inóspitos. A experiência do batismo com o Espírito Santo foi vivida e notificada, grandes avivamentos aconteciam e a principal característica desses avivamentos estava no desejo de cumprir a Palavra do Cristo e levar o Evangelho a toda criatura.
        Para muitos, porém, a sã doutrina se tornou um mandamento rigorosamente sistematizado e formalizado, um ritual ou uma liturgia sempre a ser observada, mas que não produz vida e nem frutos visíveis. O legado foi apenas histórico. Pode-se fazer uma análise doutrinária de A a Z, mas toda essa ortodoxia é morte e não vida. Há muitas igrejas “históricas” neste país que estão morrendo por não viverem a experiência com a abundante benção do Espírito Santo. Continuam solenes (pela grande bagagem histórica e heróica do protestantismo), porém mortas. Não tem heresia, mas também não tem vida. Não tem heresia, mas também não tem amor, não tem heresia, mas também não tem amparo aos pobres, não tem heresia, mas também não tem vibração por Deus, não há avivamento algum. São igrejas boas, porém sem vida de Deus. Deus é um Deus pessoal e ama o relacionamento com o homem no qual Ele escolheu para viver essa relação recíproca. E do mesmo modo, reforçando o que já foi dito, as aventuras do pentecostalismo moderno produzem crentes imaturos e distantes da verdade bíblica.
       A relevância da presente análise está, também, na possibilidade de um maior esclarecimento em torno da questão “doutrina”. Dessa forma, tentaremos mostrar que a doutrina produz vida, pois a Palavra é viva. Portanto, é boa e segura a liturgia tradicional e muitos devem rever isso e voltar ao modelo tradicional de culto, de cultura, costume, etc., mas sem abandonar ou recusar os valores do genuíno pentecostalismo, pois ambos na verdade podem convergir mais do que simplesmente divergir.
       O objetivo geral do presente artigo é pensar e definir o conceito de “doutrina” e seu caráter não só legalista ou normativo ou disciplinar, mas também seu caráter profético[15], embora, para isso, devemos fazer uma análise do termo “profético”, pois o termo tem recebido valores estranhos ao seu real significado dentro de algumas igrejas pentecostais, principalmente de segunda e terceira onda pentecostal ou, mais precisamente, no neopentecostalismo brasileiro. Temos como parte de nosso objetivo, o interesse de mostrar o que é doutrina para a Igreja de Jesus[16], sua transcendência e o seu valor espiritual, seu caráter prático e moral e também seu caráter profético e, nesse contexto, verificar a fundamental participação do Espírito Santo na consolidação doutrinária através dos tempos ante os riscos e tentativas diversas de agregação herética no contexto da sã doutrina de Cristo. Aliás, um dos maiores desafios da Igreja pela história foi a preservação da sã doutrina diante das tantas heresias que surgiam e tentavam ser introduzidas no seio da Igreja. Hoje esse desafio continua posto. Para ser específico, esse desafio não só continua posto, mas é ainda maior na atualidade diante das tantas ramificações ditas cristãs que crescem e se espalham pelo mundo, inclusive em nosso país. Aliás, esse fenômeno acontece fortemente aqui no Brasil e por isso existe a preocupação com a saúde espiritual dos crentes que aderem a esses movimentos. Precisamos, o quanto antes, voltar ao Evangelho, porém se esquecer que Evangelho é poder de Deus e poder de Deus, para nós, é obra exclusiva do Espírito Santo e implica uma total dependência da operação do mesmo. A característica central do livro de Atos (cujo livro é a referência principal para a missão e conduta da Igreja) é a total submissão à voz do Espírito Santo.
       A Igreja de Jesus Cristo, percorrendo pela história, sofreu algumas alterações em relação ao seu formato original conhecido como “período apostólico” ou “Igreja Primitiva”. A Igreja ao longo da História foi perseguida, cresceu, institucionalizou-se, separou-se e ramificou-se. Vemos tão facilmente hoje essa ramificação. Nesse contexto histórico, a sã doutrina de Cristo se viu ameaçada ou simplesmente esquecida em algumas instituições. Em outros grupos, a sã doutrina recebeu itens a mais, conceitos extras que colocaram e colocam ainda em risco a verdadeira cristandade ou espiritualidade cristã por conta de valores extras ou alheios a ela. São várias igrejas ditas “evangélicas” que, somando com as mais tradicionais, temos, só no Brasil, cerca de 42.275.438 evangélicos[17]. Segundo o Censo de 2010, a população evangélica do país representa 22,2% da população nacional, ou seja, 42,3 milhões de pessoas. Como está sendo elaborado o conceito de doutrina nessas tantas igrejas?
        Vemos principalmente nos grupos neopentecostais (ou pentecostais modernos) variedades de conceitos, experimentalismos estranhos às Escrituras, heresias, teologias frágeis à Palavra de Deus, ênfases em revelações e em manifestações espirituais, pragmatismo religioso, ostracismo religioso, desapego à leitura e ao estudo bíblico, ênfase ao subjetivismo e também ao corporativismo, denominacionalismo e sectarismo.
        Diante de tantos conceitos e crenças que são ensinados, nos preocupamos aqui em trabalhar o conceito de “doutrina bíblica”, pois questionamos se, de fato, alguns ensinamentos e conceitos podem receber o coroamento de doutrina ou não. Não vamos nos prender aqui falando sistematicamente de cada doutrina cristã. Não! Mas apenas apontaremos para o núcleo doutrinário da fé cristã ou, para a base doutrinária da fé cristã que aqui chamaremos de forma genérica de “sã doutrina”. Tendo em vista essa referência e esse alicerce, mostraremos o que, junto com as doutrinas centrais e universalmente conhecidas e aceitas pela fé cristã, pode ser considerado “doutrina”, “dogma”, “disciplina ou prática cristã” e “heresia”. Tendo feita essa separação, poderemos abrir caminho para um diálogo sobre a unidade cristã em meio às diferenças denominacionais e como todas podem verificar a necessidade de voltarem ao Evangelho e ao verdadeiro avivamento sem abrir mão de alguns conceitos que podem ser sadios à fé e à sã doutrina ou, diante da verdade, abrirem mão de alguns conceitos que não estão em conformidade com a palavra de Deus e assim repensarem sua posição. Vamos aplicar aqui o termo “reformar” segundo essa perspectiva e não somente à adoção total dos valores religiosos e teológicos da Reforma Protestante, afirmando que a Reforma Protestante foi um importante e necessário marco para a História da Igreja, mas que a consolidação e o aperfeiçoamento da mesma não se resumem entre as “quatro paredes” dos grupos reformados. [...]

(continua)

Gabriel Felipe M. Rocha. Membro da Igreja Cristã Maranata desde 2004. Professor e pesquisador. Graduado em História (licenciatura e bacharelado); pós-graduado em Sociologia (lato sensu); mestrando em Filosofia (stricto sensu), linha de estudo: Ética e Antropologia. Estudou História da Igreja (bacharelado em teologia) e Francês na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte.




segunda-feira, 6 de maio de 2013

PROTESTO

Aos amados irmãos, amigos, leitores e seguidores do Blog Palavra à Serio: Excepcionalmente hoje, estou deixando à disposição uma postagem um pouco diferente do que é o normal de minhas postagens (que são normalmente análises de  textos bíblicos).
É um Protesto sobre algo que é profético, mas que é uma artimanha maligna para destruir as famílias. Portanto é um alerta à todas as famílias de bem.

“A Nova Ditadura e a Nova Raça Ariana”

O que é a raça ariana?
Um conceito surgido no século 19 que seria supostamente a linhagem ‘mais pura’ dos seres humanos, constituída apenas por indivíduos altos, fortes, claros e inteligentes, representando assim, de acordo com critérios arbitrários, uma raça superior às demais.
HITLER E A RAÇA ARIANA

Hitler era obcecado com o ideal de pureza racial. Para ele a raça ariana era a suprema, e os que não se encaixavam neste pensamento, eram considerados inferiores e os causadores dos males que a Alemanha atravessava naquela época.
"Os direitos do homem estão acima dos direitos do Estado". Esta afirmação foi dita por Adolf Hitler no ápice do seu poder durante a Segunda Guerra Mundial. Portanto, Hitler entendia que o Estado não era absoluto e que os homens possuíam direitos. Contudo, a concepção que ele tinha acerca desses direitos era completamente distorcida.
Para Hitler, somente algumas pessoas seriam dignas de tais direitos; estas pessoas são aquelas descendentes de uma raça superior chamada de "ariana" - a raça pura. Todas as outras pessoas que não se enquadravam dentro dessa raça não mereciam tais direitos, devendo ser exterminadas. Foi a partir desse argumento que Hitler matou a sangue frio milhares de pessoas, sendo a maioria delas judeus.

DITADURA: É a designação dos regimes antidemocráticos, ou seja, governos onde não há participação popular, ou em que essa participação ocorre de maneira muito restrita.
PROTESTO/DESABAFO
“Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar”.
“Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; e o SENHOR viu, e pareceu mal aos seus olhos que não houvesse justiça” (Isaías 59:14-15).

Já está ficando insuportável a manipulação da mídia em implantar uma “nova ditadura”.
Uma manobra política em favor de uma “nova raça Ariana”: um grupo de ativistas que agridem, desrespeitam, afrontam a sociedade, a família, o Cristianismo, a Igreja, destroem a imagem de quem os contraria, e se fazem de vítima.
Exigem não Direitos, mas sim Privilégios de uma raça superior, com poder de arbítrio, e julgamento aos demais.
Criou-se a falsa ideia de que quem não é à favor da prática homossexual é HOMOFÓBICO.
Mas, qual a definição de Homofobia?
ÓDIO e VIOLÊNCIA contra Homossexuais.
Aí é que eu pergunto: - Quando um evangélico agrediu ou violentou um Homossexual?
NUNCA!
E afirmo com toda convicção: Os evangélicos são “O ÚNICO” povo que respeita o Homossexual (apesar de não concordar com a prática do homossexualismo), pois um dos  princípios bíblicos é amar ao próximo, classe esta onde estão incluídos os homossexuais.

ALGUNS FATOS:
·        Alguns meses atrás o Brasil recebeu a visita do Presidente do Irã (que mata homossexuais em praça pública).
- Onde estavam os tais ativistas para fazer protesto para acusá-lo de Homofobia???
·        O Novo Papa se pronunciou contra  o casamento gay:
- Onde estão os ativistas para acusa-lo de Homofobia, para cassar o mandato dele, para mandar prender...???
·        Agora , quando um Pastor evangélico dá sua opinião, é Homofóbico!

Está muito claro, que o único grupo que está sendo discriminado não são os homossexuais, mas sim os evangélicos; não se trata de “homofobia”, mas sim  “evangelicofobia”.
Chega de Hipocrisia: O que mais pedem é respeito, e o que menos fazem é respeitar!
-O local de culto é protegido por nossa constituição federal, mesmo assim não respeitam.
-Tentativas de agressão ao Pastor Marco Feliciano, manifestações em portas de igrejas atrapalhando  a ordem dos cultos, desrespeitando às famílias, promoção do “beijaço gay” nas escadarias de uma igreja Católica, publicação de um calendário no Ceará com travestis profanando personagens do universo Cristão e Católico... e por aí vai...

A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS:
Não aceitam como Presidente alguém que não é gay e nem defende a causa gay.
Afinal, a Comissão é de Direitos Humanos ou Direitos Gays?
Isso não é defender Direitos e sim exigir Privilégios, que enxergo pessoalmente como “SUPER-PODERES”:
- Poder de julgamento.
- Poder de anular outros direitos Universais, como o direito de expressão de opinião.
- Poder de vitaliciedade empregatícia: todo patrão que demitir um funcionário homossexual, por esperteza ou maldade do funcionário demitido poderá ser acusado de discriminação e homofobia.
- Poder de cometer Crimes sem julgamento.
Definição jurídica de Crime: Qualquer violação da Lei Moral, Civil ou Religiosa, ato ilícito.
Conclusão:
(Ainda, há muito que se falar, mas por enquanto, vamos parar por aqui para que a leitura não fique cansativa.).
Se as famílias não reagirem o Brasil corre o risco de se transformar na primeira Ditadura Homossexual do mundo.
Ser homossexual não será apenas um direito, mas uma Obrigação.
Os que não concordam deverão silenciar ou preparar-se para ocupar uma cela de algum presídio do país.

“Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida” (Habacuque 1:4).

Gustavo Rodrigues

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Os Escândalos



A NATUREZA DO ESCÂNDALO

“E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!
Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos” (Lucas 17:1-2).

Diante da queda espiritual e desvios de conduta de alguns até mesmo estimados irmãos, pairam os porquês, a revolta e a indignação.
*Porque, biblicamente esta é a natureza do Escândalo = FAZER TROPEÇAR os pequeninos.
Daí a necessidade de crescimento espiritual (pois o escândalo faz tropeçar o pequenino):
“E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo” (1 Coríntios 3:1)

“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (II Pedro 3:18)

Uma das frases mais recitadas no meio Evangélico:
“NÃO DEVEMOS OLHAR PARA O HOMEM, MAS SÓ PARA O SENHOR”.
Uma grande verdade, que é falada, mas não é vivida pela grande maioria!
Vejamos alguns questionamentos comuns em nosso meio:
1.       “-Tem irmãos que não gostam de mim...”
Nossa Resposta: É lógico que tem! Nem Jesus conseguiu que todos gostassem dele! Isso é muito normal!
2.       “- Fulano” caiu, “Pastor cicrano” tava roubando, desviou dízimo... e agora pra qual Igreja eu vou?
Nossa Resposta: Primeiro, ele vai ser excluído, vai ser julgado, vai ser preso (vai pra cadeia)... E você?
Você vai continuar servindo ao Senhor com alegria! Afinal, quem foi que perdoou os seus pecados, quem foi que te salvou, te libertou, te curou, que mudou a sua vida, que abriu as portas de emprego, que te batizou com o Espírito Santo? Foi o Pastor ou foi o Senhor? Afinal você sabe ou não sabe em quem tem crido?
3.       Mas “fulano” é Obreiro, é Presbítero, é Pastor...
Nossa Resposta: Lembra da Parábola do Joio e do Trigo?
“E os servos lhe disseram: Queres, pois que vamos arrancá-lo?
  Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.
  Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e  atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro”(Mateus 13:28-30)

O que nos chama mais atenção: Deixai crescer ambos juntos.
E só no “dia da ceifa”,o joio será queimado e o trigo será guardado no celeiro.
Deus permite até mesmo o crescimento (funções na Igreja) como uma oportunidade de mudança.
CONCLUSÃO:
Sempre houve e sempre haverá escândalos (“É impossível que não venham escândalos...”), mas o julgamento nunca será coletivo, mas individual (“... ai daquele por quem vierem!”).

Um grande exemplo é Judas Iscariotes: Mesmo Jesus sabendo que ele metia a mão na bolsa, não revelou ou cobrou no momento seu erro; foi dando oportunidade de mudança.
Judas acaba sendo julgado pela própria consciência, que o levou ao suicídio. Judas passou... mas os outros apóstolos continuaram realizando a Obra de Deus; não pararam nem foram condenados pela queda de um.

Quem tem convicção do seu chamado e de sua Salvação, não se abala com escândalos, pois ele pode dizer:

“Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” (II Timóteo 1:12).

Gustavo Rodrigues

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A ONISCIÊNCIA DE DEUS


 

 
Olá amigos, irmãos e leitores do Palavra a Sério. A paz de nosso Senhor Jesus. Dei uma “remexida” em meus arquivos e encontrei esse texto. Li e separei o que era importante, escrevi alguns pontos que considero interessante, citei algumas outras referências e adaptei para o blog. Espero que gostem. Boa leitura!

 

Quando Massillon levantou-se para fazer a oração funerária de Luiz XIV, sua frase inicial foi "Somente Deus é grande". Lutero disse certa vez a Erasmo que seus pensamentos sobre Deus eram demais humanos. Um membro criticava certo pregador ao dizer que ele não engrandecia bastante a Deus. Cremos que esta é uma das falhas no ministério dos dias atuais: não engrandecemos bastante a Deus em nossa pregação. Deus é grandioso, incompreensivelmente grande, em cada atributo. O salmista diz que Seu entendimento é infinito. Salmo 147:5.

 

O conhecimento de Deus é chamado de onisciência, que significa que Seu saber é universal, abrangendo todas as coisas, todas as pessoas, e todos os acontecimentos. A diferença aqui entre Deus e o homem é notável. O homem conhece pouco, pois seu entendimento se obscureceu com o pecado. Ele começa sua carreira terrestre em quase completa ignorância, e após uma vida de estudos, conhece pouco do que deveria conhecer. 1 Coríntios 8:2. Enquanto vive neste mundo, o homem mal pode virar a primeira página do saber. Quanto mais sábio o homem se torna, mais conhecedor é de sua ignorância. O louco é que pensa que sabe de tudo. Ainda mais; quanto mais valiosa for a verdade, mais ignorante é o homem a seu respeito. A verdade sobre Deus e sobre as coisas eternas é a mais preciosa entre as verdades, mas a ignorância do homem é mais notável aqui do que em outras coisas. As verdades morais e espirituais são escondidas dos sábios e prudentes e são reveladas aos bebês. Lucas 10:21.

 

Deus transformou em loucura o conhecimento deste mundo sobre as coisas espirituais. 1 Coríntios 1:20. O mundo por seu saber não pode conhecer a Deus. 1 Coríntios 1:21. Para ser sábio, o homem tem que se tornar louco, isto é, ele tem que renunciar a seus próprios raciocínios e aceitar a revelação de Deus concernente às coisas eternas.

 

Paulo pregou o Evangelho tanto aos judeus quanto a gregos; para o judeu preconceituoso era um escândalo, e para o grego orgulhoso era loucura. 1 Coríntios l:23. Antes que vissem a sabedoria e o poder de Deus no Evangelho de Cristo, tinham que ser chamados; só assim suas mentes eram iluminadas pelo Espírito Santo, para que o Evangelho lhes tornasse claro. 1 Corintios l:24; 2 Coríntios 4:4, 6.

 

O entendimento de Deus é infinito. Salmo147:5. No original lemos: "De seu entendimento não há número". A mente humana não tem a capacidade de sondar o entendimento de Deus. Davi escreveu em relação ao conhecimento (sabedoria) de Deus, e após poucas linhas, disse: "Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir". Salmo 139:6.

 

"Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento". Salmo 139:2. Deus nos observa quando nos assentamos para meditar, e quando nos levantamos para seguir nas atividades da vida. E Ele conhece os pensamentos que regulam nossos caminhos. Ele os conhece mesmo antes de nós os pensarmos. Antes do pensamento se tornar uma ciência a nós, ele já é presciência com Deus. A respeito de Israel, Deus disse: "Porquanto conheço a sua boa imaginação, o que ele faz hoje, antes que o introduza na terra que tenho jurado". Deuteronômio 31:21. Deus conhecia seus pensamentos e ações antes que entrassem em Canaã. Cristo sabia quais seriam os pensamentos e ações de Pedro e até os profetizou antes que ele O negasse.

 

"Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos". Salmo 139:3. Deus conhece nosso caminho e nosso leito. Ele nos conhece quando acordados ou quando dormindo. "Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis a:4. andar, atributo. o que Tu não a conheces completamente". Salmo 139:4. Deus conhece nosso falar. Ele sabe quando os homens tomam Seu nome em vão, e declarou que tal homem não escapará de Seus juízos. Êxodo 20:7. Ele sabe quando os homens negam Sua Palavra e quando "fazem pouco" dela. E Ele ouve o menor sussurro e ouve o grito mais alto. Quando os homens desejam esconder algo, cochicham um ao outro, mas Deus ouve os nossos segredos e mesmo os sussurros de nossos corações.

 

"Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão". Salmo 139:5. Davi sentiu-se cercado por Deus. Verdadeiramente, não há como escapar de Deus! Ele está atrás de nós registrando nossas faltas ou adiante de nós apagando os pecados pela graça de Cristo. Ele está diante de nós, conhecendo nossos feitos, e vendo as nossas necessidades. Deus é uma prisão de punição para os perversos, e um céu de descanso aos esmorecidos. Cada pessoa vai ter que prestar contas a Deus, portanto "prepara-te para encontrares com teu Deus".

 

COMO É QUE DEUS TEM TANTA ONISCIÊNCIA?

 

1. Deus não precisa adquirir conhecimentos. Sua sabedoria não é resultado de observação, consultas e estudos laboriosos. Deus não faz esforço para saber. O saber com o homem é alcançado por árduos esforços; com o homem a vida toda é uma escola.

 

2. Deus não aumenta em sabedoria. Ele não sabe nada mais agora do que há séculos passados. Seu entendimento é infinito por toda a eternidade. Ele sempre teve sabedoria perfeita em todas as coisas. Deus não precisa matricular-Se na universidade humana. Não existem dias de aula para Deus.

3. Deus sabe naturalmente. A onisciência pertence à própria natureza de Deus; uma de Suas perfeições pessoais. Calvino definiu onisciência como: "Aquele atributo pelo qual Deus Se conhece a Si mesmo e a todas as outras coisas em um simples ato eterno". O saber de Deus é direto, sem intermediários. Romanos 11:34.

 

OS OBJETOS DO CONHECIMENTO DE DEUS

 

1. Deus conhece a Si mesmo. As criaturas racionais recebem de Deus a capacidade de conhecerem a se mesmas. Mesmo o ímpio sabe certas coisas a respeito de sua própria pessoa, da composição do corpo e das faculdades da alma. E se criaturas têm este conhecimento próprio, então o Criador cujo entendimento é infinito, conhece-as perfeitamente.

 

Além disso, existe associação perfeita entre as três pessoas da Trindade. O Espírito Santo conhece perfeitamente a mente de Deus, e pode assim fazer intercessão pelos santos de acordo com a vontade de Deus. Romanos 8:26-27. Jesus falando de Deus, Pai, disse: "Conheço-o e guardo a sua palavra?. João 8:55.

 

Deus conhece Sua criação. Ele de tudo sabe na natureza. Ele sabe o número das estrelas e chama-as pelo nome. Salmo 147:4. Os passarinhos não caem por terra sem Seu conhecimento e permissão. Mateus 10:29.

 

Deus conhece tudo no plano da experiência humana. Ele conhece o pensar dos homens, os seus caminhos e suas palavras.

 

"Diante dos homens somos opacos como uma casa de abelha. Eles podem ver os pensamentos entrando e saindo, mas o efeito deles dentro do homem, não podem dizer. Diante de Deus somos como uma casa de abelhas feita de vidro, e tudo o que nossos pensamentos estão fazendo ao nosso interior, Ele perfeitamente vê e entende". Henry W. Beecher.

 

Deus sabe das obras dos homens. Os homens podem esconder suas obras uns dos outros, mas nunca de Deus. Nenhum olho humano viu Caim matar Abel, mas Deus testemunhou o crime. Acã certamente pensava ter cometido o crime perfeito quando roubou o ouro e escondeu-o na terra, mas Deus trouxe seu pecado à luz. Davi encobriu seu pecado com Bate-Seba, mas Deus o descobriu e enviou o seu profeta Natã para dizer a Davi: "Tu és o homem". Não há pecado secreto a Deus; "todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar". Hebreus 4:13.

 

Deus conhece as tribulações e tentações de Seu povo. "E disse o Senhor: "Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores,porque conheci as suas dores". Êxodo 3:7. Contemos ao nosso Pai todas as nossas aflições, pois não existem tristezas terrenas que não possam ser curadas pelos céus.

 

Deus conhece todos os acontecimentos passados, presentes e futuros. Ele conhece todo o passado e nunca esquece. "Pois quando inquire do derramamento de sangue, e lembra-se deles: não se esquece do clamor dos aflitos". Salmo 9:12. Este versículo é para Hitler e todos os outros senhores da guerra. Sua misericórdia nos faz esquecer certas coisas do passado. Há quem pense tanto sobre o passado que se tornam loucos. Esta atitude não deve existir no crente. Ele deve esquecer as coisas do passado, e fixar sua atenção nas coisas do futuro esforçando-se pelo prêmio do alto chamado de Deus por Jesus Cristo. Filipenses 3:13-14. Há perdão em Deus pela fé em Seu Filho. Quando Deus nos perdoa, Ele jamais se lembrará de nossos pecados, por toda a eternidade.

 

Deus conhece o presente e o futuro. Seu conhecimento do futuro é melhor que o conhecimento do passado pelos homens. A perfeita sabedoria de Deus quanto às coisas futuras é demonstrada em centenas de profecias cumpridas. A profecia é o registro de fatos antes de acontecerem.

 

A CONTEMPLAÇÃO DA ONISCIÊNCIA DE DEUS

 

Não há melhor exercício para a alma que contemplar as perfeições de Deus. Aqui jaz o segredo de toda piedade verdadeira. Aquele que teme a Deus deve ter sua mente ocupada com os pensamentos de Deus.

 

"Os ímpios odeiam a verdade da sabedoria de Deus. Eles desejam que não existisse testemunha de suas iniquidades, nem sondador de seus corações, nem juiz de seus feitos". A. W. Pink.

 

Esquecem-se de que Deus Se lembra de todos os seus pecados. Oséias 7:2.

 

A contemplação do conhecimento de Deus deve encher a alma de admiração exaltante. Quão grande deve ser Aquele que conhece todas as coisas! Nenhum de nós sabe o que um dia trará a nós, mas Deus sabe o que há de suceder no tempo e eternidade.

 

O conhecimento infinito de Deus deve encher os homens de santo temor. Tudo o que dizemos, pensamos ou fazemos é conhecido a Ele a quem prestaremos contas. Meditar nesta divina perfeição será um poderoso contra-peso aos caminhos da carne. Em horas de tentações nós devemos dizer como disse Hagar: "Tu és Deus que vê". Gênesis 16:13.

 

Estar ocupado com o infinito saber de Deus encherá o filho de Deus de humildade, adoração e louvor. "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos"! Romanos 11:33.

 

A verdade diante de nós é um encorajamento à oração. Não há perigo de nossas orações não serem ouvidas, que nossos clamores e nossas lágrimas escapem da atenção de Deus. Não há perigo de um dos santos não ser notado por Deus entre as multidões de suplicantes. Uma mente infinita é capaz de prestar atenção a milhões de súplicas como se fossem a súplica de um só homem. E não pomos em perigo nossas orações pelo uso inapropriado de palavras, pois Deus é conhecedor de nossos pensamentos e lê os intentos do coração.