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sábado, 2 de janeiro de 2016

E para você, quem é Jesus?

(Por Gabriel F. M. Rocha)


Texto base: Lucas 9. 18-20

"[...] Estando ele orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que sou eu? Responderam eles: João Batista, mas outros, Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas. Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou? Então, falou Pedro e disse: És o Cristo de Deus" (Lc 9. 18-20).


Introdução:

            Diante da maturidade teológica que algumas igrejas têm experimentado e, ao mesmo tempo, diante da “meninice” que tantas outras têm vivido, perguntar quem é Jesus – nos dois contextos - vai sempre soar como uma pergunta superficial e ultrapassada. Aliás, Jesus é Jesus, ora... É o Mestre! É o Profeta! É aquele judeu “socialista” e revolucionário! É aquele sujeito bom que me aceita do jeitinho que eu sou porque ama todo o mundo! Ele é o Senhor! É o Filho de Deus! Está escrito...
            As respostas vão surgindo espontaneamente, pois anos e mais anos nas igrejas todos nós temos ouvido falar de Jesus. Algumas respostas não ultrapassam o campo da opinião, outras já são dotadas de definições mais “experientes”. Ademais, nós temos muitas informações sobre Jesus. Existem filmes, documentários, livros, peças teatrais e músicas sobre Jesus. Portanto, essa pergunta parece mesmo ultrapassada. São muito acessíveis, por exemplo, quaisquer informações sobre o Jesus histórico. E tem sido muito corriqueiro qualquer informação sobre o Cristo divino, afinal, se você vai a alguma igreja cristã pelo menos aos domingos, sabe alguma coisinha sobre o Jesus divino, não é mesmo?
             No entanto, para nada vale o conhecimento do Jesus histórico e, nem mesmo do Jesus divino, sem um encontro pessoal com o Cristo da cruz, pois é exatamente esse encontro que pode fazer a diferença na minha e na sua vida. Não que a imagem que temos do Cristo seja a do Jesus crucificado (da vítima). Não! Jesus não foi vencido pela cruz e não vive apenas na história. A Igreja conhece, agora, o Cristo ressurreto, vivo, ativo no meio do seu povo, glorificado, que se revela na Escritura, que se revela na comunhão da igreja, que se revela no partir do pão, que se revela no próximo, que revela a nós quem é Deus e nos capacita para chamá-lo de Pai (Rm 8. 15,16)!
            A mensagem da cruz, juntamente com seu doloroso convite à morte, é o princípio de todo o nosso conhecimento sobre quem é Jesus. Se discernirmos a mensagem da cruz, discerniremos quem é o Cristo e o que Ele significa para nós.
            Aí está o ponto onde queremos chegar... Conhecer o Jesus histórico não te salvará do juízo divino, pois somente o conhecimento do Jesus histórico não poderá te redimir. Por outro lado, reconhecer a divindade de Jesus é bom. No entanto, tal reconhecimento deve vir acompanhado de reais transformações que só a fé em Cristo (e em sua mensagem) pode promover, pois essa supõe não só o reconhecimento da Pessoa e da divindade de Jesus, mas, principalmente, o conhecimento de tudo que envolve o Cristo e a relação que a sua obra vicária tem com a minha e com a sua vida. Exemplo: posso conhecer o Cristo histórico e reconhecer a sua divindade (assim como alguns grupos pseudo-cristãos conhecem e reconhecem). Mas, o conhecimento que envolve a salvação da minha alma e a minha “re-ligação’’ com Deus é, portanto, o conhecimento e o reconhecimento daquilo que Cristo é para mim; daquilo que Ele fez por mim; do “por que” Ele precisou fazer o que fez por mim e do que eu sou (e devo ser) agora, após Ele ter feito tudo o que fez por mim.
            Qualquer resposta sobre quem é Jesus, para ser verdadeira e eficaz, precisa evidenciar o conhecimento de todos esses aspectos que envolvem a totalidade da obra de Cristo em nós. E quando se afirma isso, não se trata de algum esforço intelectual e, tampouco, de profundos estudos de cristologia (mesmo sendo bom e necessário isso). Mas, o conhecimento sobre Jesus Cristo – que produz vida –, surge tão somente pela fé. Fé precedida por uma ação sobrenatural e reveladora sobre quem, de fato, é o Cristo. Obviamente, essa necessidade de uma ação sobrenatural e reveladora sobre o Cristo não se trata de algum tipo de gnosticismo ou neoplatonismo. Não se trata de um “algo além”, mas trata-se de algo já intrínseco à verdadeira fé cristã. A fé é uma ação sobrenatural, pois é dom de Deus e é ela que nos capacita para enxergar – em meio às diversas opiniões – o Cristo, Filho do Deus vivo.
            Portanto, responder a pergunta “quem é Jesus?” e tantas outras perguntas não parecem tão fácil como se pensa. É difícil responder, às vezes, coisas aparentemente tão simples (ou banais) como, por exemplo: sobre o sentido de nossa existência, sobre o propósito do nosso chamado e, também, sobre quem é Jesus para mim. Ter clareza e verdade nas respostas a essas perguntas requer sempre um auxílio sobrenatural. Sem Deus, nada poderemos fazer! Tampouco conhecer o Cristo.
            Aliás, dizer sobre a pessoa de Jesus Cristo foi um dos primeiros desafios teológicos da Igreja. Responder quem é o Cristo foi pauta de discussões em importantes concílios na história da igreja cristã. Várias controvérsias, oposições e reafirmações ocorreram para nos mostrar, agora, que: tudo que sabemos sobre quem é Jesus, surgiu de longos estudos, diálogos e esforços teológicos. Sim! Por mais que a majestade do Cristo esteja revelada nas Escrituras, a resposta nunca soou tão fácil, não obstante o fato de alguns poderem tão facilmente responder a essa pergunta (às vezes sem dizer palavra alguma, apenas com gestos...).


Desenvolvimento:

            Bem, mas por quê? Por que não é tão fácil responder a essa pergunta? Ou, por que a resposta para essa pergunta só pode ser dada por pessoas "aptas" para tal? E como se tornar apto (se é que podemos tornar a nós mesmos aptos) para responder corretamente a pergunta sobre “Quem é Jesus para mim”?
            Já adiantando uma verdade neste texto, só podemos responder quem é Jesus se tivermos um encontro pessoal com Ele.
            Sei que não é tão seguro afirmar que Pedro teve ali, naquele momento, (ao responder a pergunta de Jesus) um encontro pessoal com Cristo. Não sei se foi ali, se foi antes ou depois. Mas sei que a resposta de Pedro foi movida por uma ação sobrenatural (espiritual) que o levou ao encontro – pelo menos naquele instante – da Verdade fundamental da fé cristã, a saber, que Jesus é o Cristo, Filho de Deus. Verdade essa que permitiu Pedro permanecer, mesmo depois de alguns deslizes, com um altar levantado para Deus em seu coração e não se desviar dessa verdade jamais.
            Podemos responder quem é o Cristo e afirmar com efetividade a sua divindade após um encontro e um relacionamento real com o Jesus da Escritura. E o encontro pessoal com Cristo não parte de nosso esforço para conhecê-lo e encontrá-lo. Não basta apenas estudar teologia, embora isso seja altamente recomendável. Não basta ouvir todos os sermões sobre a Pessoa de Jesus Cristo para entender melhor sobre o assunto. Tudo isso poderá ser instrumento ou “oportunidade” de Deus para a promoção da fé mediante a livre vontade de Deus em querer nos revelar tal Verdade.
            Ter um encontro pessoal com Jesus Cristo e experimentar um relacionamento com Ele só pode acontecer se Deus permitir. Deus tem a história da humanidade em sua mão! Ele não deixará de ser Deus e, tampouco, se tornará injusto, se decidir que meus olhos não se abram para a Verdade (afinal, Ele não me deve coisa alguma. O pecador e devedor sou eu e não Deus).
            Por que estou citando isso? Para te fazer algum medo? Não! É apenas a exposição da verdade bíblica! Talvez esta verdade esteja te causando medo. Mas, nem do seu medo ou pavor depende esta verdade! No entanto, ela pode te fazer pensar agora: “conheço mesmo a Jesus Cristo?”; “posso mesmo responder com certeza e decisão quem é Jesus?”; “quem é Jesus para mim?”.  
            O que vale é a resposta! Oxalá que essa pergunta te leve aos pés do Criador e que, em oração e clamor, você possa chegar a Deus e suplicar misericórdia, pois Ele – o Eterno Soberano Deus – é Bom! Talvez, na sua súplica sincera e no derramamento de seu coração, a resposta poderá fluir (mesmo em partes) sobre quem é Jesus para você. Pelo menos, apto para responder melhor a essa pergunta você estará se seu coração (com verdade e entrega) estiver aos pés do Criador em arrependimento e desespero por sua salvação. Fazer um altar para Deus no próprio coração é evidência de uma vida que poderá responder quem é o Cristo, pois de Cristo é todo aquele que se arrepende de seus pecados e busca a Deus.
            Portanto, se Deus abrir os nossos olhos, poderemos identificar a divindade de Cristo e confessar o seu Nome. Veja que em Mateus 16.17, diante da confissão de Pedro (v. 16), Jesus declara:

Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foram carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus”.

            Toda a Escritura nos revela o Cristo, ela testifica dele o tempo inteiro, seja no Antigo Testamento, seja – de forma tão direta – no Novo Testamento. Contudo, se não for pela ação sobrenatural do Espírito Santo, não poderemos ter o encontro pessoal com o Cristo Salvador. Se não for pela ação divina em abrir os nossos olhos, reconhecer a nossa miséria e, ao mesmo tempo, a misericórdias de Deus, jamais poderíamos confessar o Cristo.
            Por quê? Porque nos tornamos mortos espiritualmente por causa de nossos delitos e pecados (Rm 3.23; Ef 2.1) e, por causa disso – mesmo sabendo muita coisa sobre o Jesus histórico e muito sobre a sua divindade –, não poderíamos confessar “quem é Jesus para mim” e por que eu posso ser salvo por Ele. Contudo, nada vem de nós e a fé operosa é mesmo um dom de Deus (Ef. 2.8).
            No texto em destaque (Lucas 9. 18-20), temos alguns ensinamentos a respeito da confissão segura sobre quem é Jesus.
            O que estava acontecendo ali?
            No capítulo 9, discorrendo também nos capítulos posteriores, Jesus dá uma série de instruções aos seus discípulos e ordena-os para alguns “trabalhos de campo”, capacitando-os para o serviço.
            Primeiro, aconteceu a convocação dos doze principais discípulos para um trabalho evangelístico (9. 1-6). Logo, acontece a primeira multiplicação dos pães e peixes (9. 10-17). É exatamente nessas circunstâncias (missão, serviço e contato com a multidão) que Jesus inquiriu de seus discípulos mais íntimos a resposta sobre quem Ele é. Há algo para ser aprendido nisso!
            Vimos já que o conhecimento e a fé no Cristo só podem ocorrer se Deus abrir os nossos olhos para tal. Contudo, Cristo dá para a sua igreja (sua noiva, seu rebanho) reais condições para ela discernir quem Ele é. Cristo quer se revelar aos seus. Ele faz isso! A primeira condição (ou recurso), nós já sabemos, é a própria Palavra de Deus! a santa Escritura! Pois ela revela Jesus, testifica dele. Por isso Jesus foi categórico ao dizer: “examinai as Escrituras [...] São elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39).
             Veja em Lc 9. 2:
 “também os enviou a pregar o reino de Deus [...]”.

             Não poderia haver missão evangelística se não houvesse um Evangelho a ser pregado. Os discípulos não tinham uma Bíblia em mãos como nós temos hoje, mas eles tinham a máxima do Evangelho “arrependei-vos porque vos é chagado o reino dos céus”, assim como a revelação, pelo menos parcial da Verdade, cujo fundamento (em termos de Escritura) era toda a Lei e os Profetas, a saber, que a salvação estava no Messias de Deus. No entanto, esse Messias precisava ser discernido “melhor” pelos seus.
            A Palavra é mais que um instrumento útil para o nosso conhecimento. Ela é o meio para a fé ou recurso que leva à fé. Por ela – a Escritura –, podemos entender Cristo, conhecer Cristo, se relacionar com Cristo, ouvi-lo, aprender com Ele, imitá-lo em tudo, etc. Manejar bem a Palavra nos leva à firmeza de entendimento sobre o Cristo. A Palavra nos conta todo o mistério se for examinada na total dependência do Espírito Santo. O Espírito Santo nos ensina todas as coisas (Jo 14. 26), nos faz participar de todo o mistério. Mistério esse que para nós não é mais oculto, segundo Paulo discorre em Efésios 3. 3-19.  
            Entretanto, muitos ainda se vêem distantes de responder quem é o Cristo, pois, todo o conhecimento sem um encontro pessoal se torna raso e não produz vida. Que a Palavra produza vida e promova o encontro pessoal com Jesus Cristo! E, diga-se de passagem, o encontro pessoal com Cristo e a iluminação do Espírito Santo no nosso entendimento não implica dizer que devemos priorizar experimentalismos sob égide do mau entendimento do “a letra mata, mas o Espírito vivifica...”. No entanto, a Palavra testifica do Cristo e o Espírito Santo nos auxilia para o entendimento do mistério. “Pelo que, quando lerdes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo” (Ef. 3.4).
            Em nossas reuniões e cultos – no ano todo –, nós ouvimos pregações e também somos chamados a pregar a Palavra. Temos em mãos a Palavra! Temos em mãos toda a revelação escrita! E mesmo assim, muitos não conseguem – no nosso meio – discernir o Cristo. Às vezes, nós mesmos, quando abatidos por alguma circunstancia e aflitos diante da fúria do mar, não reconhecemos o Cristo e a sua divindade e tendemos sempre a dar uma resposta esparsa ou confusa sobre Ele (como os mesmos discípulos deram quando avistaram o Cristo andando sobre as águas e acalmando a tempestade). Até mesmo um bom pregador pode não ter discernido o Cristo, embora viva falando bem sobre Ele e pregando muitas verdades sobre Ele.
Contudo, Jesus – através da Escritura – se revela a nós como o Salvador. Pela Escritura, eu posso dar a minha resposta sobre quem é Jesus. Ele é o meu Salvador! É Deus conosco! Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Todos esses adjetivos e atributos são identificados na santa Escritura. Jesus é o Verbo que estava com Deus e que nada existiria se não fosse por Ele, portanto, Ele é o Pai da Eternidade. Jesus é Deus forte, mas também se tornou Emanuel e esteve conosco (humanidade) e permanece conosco (no nosso meio). É Deus forte, pois venceu a própria morte e pode me salvar. É Conselheiro, pois, sempre que abro a Palavra, Ele fala e guia-me pelas veredas da vida.
            Outra ocasião gerada por Jesus – antes de fazer a pergunta aos seus principais discípulos – foi promover a dependência e a confiança em Deus. “Nada leveis para o caminho [...]” (9.3).
            No versículo 1 está escrito que Jesus deu-lhes poder e autoridade. Portanto, apenas isso bastava. Logicamente, tudo isso se trata daquela convocação específica e, para o nosso dia-a-dia, muita coisa é necessária sim. No entanto, Jesus quer se revelar como aquele que também é o nosso provedor. Ele é o nosso Pastor e de nada temos falta! “Não andeis ansiosos”, Ele diz. Tudo que for necessário nos será acrescentado. Por isso podemos ter a paz, pois Jesus é para mim o Príncipe da Paz. Maravilhoso, pois maravilhosamente Ele cuida de mim e nunca escapo de suas mãos.
            Logo, os discípulos estiveram diante de mais um “trabalho de campo”, a saber, a primeira multiplicação dos pães e peixes. Apenas um detalhe nessa segunda ocasião já nos diz com pertinência outro ensinamento: o contato com a multidão. “Daí-lhes vós mesmos de comer” (v. 13); “[...] partiu e deu aos discípulos para que eles distribuíssem entre o povo”.
             Nesta ocasião, Jesus concede aos seus discípulos a tarefa de repartir o pão entre aquele povo. Mas, como conhecer a Cristo no meio da multidão? Não é ela que tem opiniões tão esparsas sobre Jesus?
             Sim! Porém a missão é bem mais que estar entre o povo. Mas também, conhecer a necessidade do povo. Se compadecer do povo. Repartir com a multidão daquilo que temos (mesmo sendo tão pouco). Isso é o que Cristo fez durante todo seu ministério terreno. É isso que Ele ainda faz através da sua Igreja. A Igreja como aquela que pertence, de fato, a Cristo, só pode ser identificada como “noiva” de Cristo ou porta-voz de Cristo se ela estiver presente entre a multidão, influenciando os povos, repartindo e socorrendo, compadecendo e agindo. De igual modo, eu e você só poderemos responder quem de fato é Jesus para nós, se entendermos e cumprirmos a sua vontade.
            Como nós podemos conhecer bem uma pessoa e descobrir do que ela mais gosta? Procurando entender aquilo que essa pessoa mais gosta de fazer. Procurando compreender aquilo que mais toma a primazia de seu tempo. Assim é com Jesus. Mesmo estando anos em uma determinada igreja, algumas pessoas não conseguem responder quem é Jesus para elas por não se identificarem em nada com Ele.
           Veja que em João 15. 15, Jesus se revela aos seus discípulos como o “amigo” e também os reconhece como tal. Foi um gesto recíproco, dada à condição: “se fazerdes o que Eu mando”. Eu só posso dizer quem é Jesus para mim e chamá-lo de amigo se eu – pelo menos na quantidade pequena dos meus “pães e peixes”, amar como Ele amou. Portanto, quem é Jesus para mim? É aquele que estendeu a mão para mim. É meu resgatador. Meu auxílio no momento de dor. É aquele que – mesmo me encontrando na vala da impureza e do pecado – me amou, me lavou com o seu sangue e me trouxe para a sua luz. Jesus é o Cristo, Filho do Deus vivo! Por Ele sou salvo. Jesus é meu amigo! Eu me relaciono com Ele. Eu me identifico com Ele! Eu gosto de fazer o que Ele faz.
            E é na circunstância da multiplicação dos pães e peixes, mais exatamente após a multiplicação, que Jesus faz as duas perguntas aos discípulos. A primeira sobre quem a multidão diz que Ele é e a segunda sobre o que eles (os discípulos) diziam sobre Ele.

            V. 18: “Quem dizem as multidões que sou eu?”
            
            As respostas foram: João Batista, Elias ou um dos antigos profetas ressurgido. Ou seja, opiniões esparsas, sem definição. Sem uma concordância entre eles. Talvez pudesse ter existido até mesmo alguma disputa entre as multidões sobre quem era Jesus. Creio que o fato de os discípulos terem atuado em meio à multidão, fez com que eles tomassem conhecimento das dispersas idéias que a mesma tinha sobre aquele misterioso homem que curava e repartia alimentos. Contudo, as respostas da multidão revelam algumas coisas:

1)    Sem um encontro pessoal com Cristo, só teremos opiniões sobre Jesus;
2)    Podemos ter uma história de vida em uma congregação, mas, sem uma identidade com Jesus e sem um relacionamento real com Ele, Jesus sempre será alguém indireto;
3)    Jesus será sempre alguém conforme a minha necessidade terrena;
4)    Jesus será sempre alguém conforme alguma cosmovisão religiosa. Ou seja, poderá ser um profeta importante, mas não suficiente em si mesmo. Poderá ser um irmão evoluído, “grau 33”, mas nunca o Cristo que salva a minha alma;
5)    Alguém poderá ter apenas uma ideia incompleta sobre Jesus, sendo Ele, por exemplo, entendido como um milagreiro ou um bom filósofo, mas nunca como Deus e Salvador;
6)    Jesus poderá ser o exemplo maior de amor e, portanto, Ele poderá me aceitar do jeito que eu sou e quero viver;
7)    Jesus poderá também ser aquele que necessita que alguém o aceite num apelo, mas nunca aquele no qual necessitamos confessar com arrependimento e choro para sermos aceitos diante de Deus.

            Meus amados, a multidão sempre foi diferente dos discípulos. Continua sendo diferente ainda em nossos dias. A multidão tem seus compromissos estabelecidos por ela mesma. Enxerga e compreende conforme as suas necessidades locais e próprias vontades. Mas a Igreja (eu e você, discípulos de Cristo) entende e conhece quem é Jesus porque ela participa das vontades e dos assuntos de Deus. A multidão quer ser ativa nesse processo. Ela determina quem é Jesus segundo o contexto que ela vive e deseja viver. A Igreja não! Ela é passiva nesse processo. Ela conhece e torna-se apta para responder quem é o Cristo porque ela é submissa a Ele e reconhece primeiro a necessidade de ser moldada e transformada por Ele. O que diferencia a multidão da Igreja é exatamente a capacitação divina – dom dos céus – para falarmos com decisão “quem é Jesus para mim”.
            Sem algo “do céu” acontecendo para apurar todo o nosso entendimento, não poderemos responder quem é Jesus com definição, verdade e adesão séria.
            Jesus, porém, pergunta – de forma bem específica – aos seus discípulos a mesma pergunta: “e vocês?” “Quem dizes que sou?”.
            Pedro, tomando a palavra, diz de forma peremptória:

És o Cristo de Deus” (v. 20).

             Essa confissão define muita coisa! Confessar que Cristo era o “ungido” (Cristo) de Deus naquele momento significa confessar todo o caráter da vinda de Jesus. Não foi em vão que Cristo pediu para que os discípulos não espalhassem (ainda) essa verdade, pois, naquela altura do campeonato, não seriam compreendidos, mas sim refutados com violência.
           Somente com o auxílio revelador do Espírito Santo, podemos confessar que Jesus, o Homem, é também o Deus que poderá cumprir em si mesmo todo o projeto decretado pelo Pai.
           Dizer – com verdade e graça – que Jesus é o Cristo não implica dizer o “sobrenome” de Jesus, como diz R. C. Sproul. Não se trata disso. Há uma confissão séria nessa expressão. Cristo é o título supremo de Jesus!
           O significado de Cristo é proveniente do Antigo Testamento. Deus havia prometido aos antigos israelitas que o Messias viria para libertá-los do pecado. E a ideia do Messias (Cristo) está amplamente relacionada com a noção de serviço sacerdotal, com a função de profeta e com a noção de rei.
            Afirmar que Jesus era o Cristo naquele momento era afirmar que Jesus era aquele que foi ungido para servir como o maior servo de todos, pois daria a própria vida para resgate de muitos. Também, como Homem perfeito (Homem e Deus) foi o Sumo sacerdote que entrou de forma definitiva no Santo dos santos para expiar os meus pecados a anular toda a minha condenação. Como Sumo sacerdote, se fez também a vítima do holocausto, sendo Ele o Cordeiro perfeito para o sacrifício. Também foi o principal Profeta, pois trouxe a melhor notícia da parte de Deus, a saber, a salvação em seu Nome e a proclamação de um Reino. Foi o melhor Profeta, pois não foi apenas um portador da Palavra de Deus, mas era a própria Palavra de Deus viva e encarnada! Era o próprio Deus ali com eles. Também Rei, pois, tornou-se rei de todas as nações e de todos os povos, o rei dos reis, o Leão da tribo de Judá!
             Portanto, a confissão de Pedro foi muito significativa quando coloca com definição e verdade que Jesus era o “Cristo”, ungido de Deus.
             Da mesma forma que Jesus disse a Pedro que este era abençoado por ter aquela compreensão da identidade de Jesus, eu e você, ao dizer com certeza, graça e adesão “quem é Jesus para mim”, seremos abençoados (ou bem-aventurados), pois, só quem nasceu de novo pode confessar que Jesus é o Cristo.
            Confessar que Jesus é o Cristo, por sua vez, implica em aderir completamente a essa verdade. Pois a verdade dessa resposta signfica o reconhecimento da completude da obra de Cristo em nós. Se Ele é, de fato, meu Rei, meu Senhor e governa a minha vida, Ele é o Cristo para mim! Se eu entendo com sinceridade que Ele me serviu como o Cordeiro que o Pai providenciou, sendo eu o alvo da ira, nada restará para mim se não me engajar completamente à essa mensagem, vivendo uma nova forma de vida. Se eu digo que Jesus é o Cristo para mim, entendendo o real significado desse título, não há como não viver uma vida conforme Cristo quer. Não há qualquer concordância entre a real confissão sobre quem é Jesus e uma vida apática, que não evidencia a imagem de Cristo através de suas ações, gestos, escolhas e forma de vida.
           Quem é Jesus para mim? Jesus para mim é o Cristo! É aquele que Deus ungiu para me re-ligar a Ele, pois somente Jesus poderia operar essa “re-ligação”. Jesus para mim é o único e suficiente Salvador e o que sou hoje eu devo ao fato de Cristo ter ido cumprir a pena que era minha e pagar o preço que era para eu pagar. Tendo esse entendimento de quem é Cristo e do que Ele significa para mim, sou logo convidado a me portar segundo a mensagem que me salvou, a saber, a mensagem da cruz. Por saber quem é Jesus e poder responder com clareza e adesão séria, é que posso pegar a minha cruz e segui-lo sem olhar para trás.

              Você pode? Pode – agora – responder quem é Jesus para você? Que Deus te capacite para responder com a mesma definição e decisão como foi a resposta de Pedro, amém!


Gabriel Felipe M. Rocha.
Outubro/ 2015




            

domingo, 25 de janeiro de 2015

Jesus, o Cordeiro Perfeito

Jesus, o Cordeiro Perfeito

"Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo" (Hebreus 7:27)

Na celebração da Páscoa, um cordeiro era sacrificado (Ex 12: 3,4). Cada família teria que ter em casa um cordeiro. Famílias pequenas demais para um cordeiro compartilhavam a Páscoa com casas vizinhas, para que, em solenidade e comunhão, todos celebrassem. No entanto, o cordeiro precisava ser perfeito, ou seja, sem defeito algum. Pois, esse ato vigente no período veterotestamentário (antiga aliança) era símbolo do sacrifício perfeito através de um Cordeiro Perfeito que ainda viria, a saber, Jesus. Portanto, o animal selecionado não poderia ter manchas, defeitos, máculas e qualquer mal visível que não o colocasse no patamar de "cordeiro perfeito" para o sacrifício.

Desse modo, o cordeiro devia ser provado (ou testado).

Era selecionado o aparentemente mais perfeito. Logo, era recolhido e acolhido entre a família. Devia, nos dias que antecediam à celebração, estar já ante a família, em casa, diante de todos até o sacrifício da tarde (Ex 12: 5,6). Podemos conjecturar: o pai de família seleciona o cordeiro, deixa um período considerável (não longo) junto de sua família e ali é testado para o sacrifício. Imaginem: como poderia esse cordeiro não cair na graça da família e dos filhinhos pequenos que o assistiam? Mas ali era provado... Se fosse mesmo perfeito, iria cumprir nele o ato da expiação, cuja festa era a Páscoa (hb. pessach = passagem/ libertação).

Assim foi com nosso Senhor, Jesus Cristo!

O que tiramos disso?

1) Segundo os decretos soberanos de Deus, Jesus foi santificado  para ser o Cordeiro para a expiação do pecado daqueles a quem o Pai elegeu (Is 42: 1; 1 Tm 2:5; Jo 3: 16; 1Pe 1: 19/ Mt 20: 28; Jo 10: 15). Ele foi o substituto, sendo que a morte cabia a nós todos, sem distinção. Mas, pelo sacrifício vicário, Ele eficazmente arrebanhou seu povo. Toda glória ao Pai, todo mérito de Cristo e toda a consumação da obra ao Santo Espírito! Nada de nós, tudo de Deus!

2) Jesus, feito como homem, esteve entre a humanidade num limitado período (onde atuou em seu ministério de aproximadamente três anos e meio). Sua igreja e seus discípulos escolhidos se "apegaram" a Ele, pois Ele os cativou e com eterno amor os atraiu (Jr 31: 3). Não todos, mas alguns, se envolveram com o Mestre que era Deus... Sua retirada do mundo causaria dores e tristezas (Lc 24: 17-21).

3) Mas o Cordeiro de Deus seria provado: essa provação (ou teste) não implica que Jesus, em sua forma humana, estaria "escravo da vontade humana" a ponto de correr o risco de  ir contra o decreto divino da redenção. A Humanidade de Cristo era perfeita (Jo 1: 14; Fp 2: 6). A provação do Cordeiro Perfeito não se passou na noção antropocêntrica que algumas teologias pregam. Mas fazia parte dos planos do Deus Soberano - para demonstração de sua glória - permitir que o Cordeiro fosse analisado e testado entre os homens a fim de evidenciar aos crentes que o Cordeiro estava apto e tem o Nome acima de todo nome (Rm 1:5). Por Ele nos apresentamos ao Pai confiantes que seremos ouvidos (1 Jo 5: 14-15; Jo 16: 24; Hb 10: 19-23).


> Jesus foi tentado pelo Diabo ( Mt 4: 1 -10). Mas  o Cordeiro era Perfeito (Mt 4: 11);

> Jesus foi provado e testado pelos líderes religiosos (Mt 15: 1-20; Mt 16: 1, 2); Mas  o Cordeiro era Perfeito (Jo 8: 7; Mt 22: 20,21).

> Jesus foi provado no Sinédrio, diante de Caifás (Mt 26: 59), mas o Cordeiro era Perfeito (Mt 26: 60, 64).

>Jesus foi provado por Pilatos (Mt 27: 11-13), mas o Cordeiro era perfeito (Mt 27: 14).

Após a insistência de Pilatos quanto a, então, inocência de Jesus e sua estratégia a fim de ver Jesus livre na então possível escolha do povo em detrimento de Barrabás, o que não aconteceu (Mt 27: 16-24), chegou-se a conclusão da análise e provação do Cordeiro. Jesus foi encaminhado para o sacrifício (Mt 27: 26), pois Ele era Cordeiro Perfeito e só Ele podia nos representar naquela cruz (Fp 2: 8; Hb 7:25; Rm 8: 34; 1 Cor 15:4; 1 Pe 3: 22).

O Cordeiro santo,  morreu pelos nossos pecados  para que fôssemos remidos e libertos da escravidão e do pecado. Jesu não conheceu pecado, mas foi feito pecado e maldição por nós. Jesus não morreu por seus pecados, pois não tinha pecado. Era Perfeito!. Morreu pelos nossos pecados, pois eramos e somos ainda imperfeitos e incapazes de nos salvarmos.  Sua morte foi vicária e substitutiva, sendo que Deus seria justo se nos deixasse perecer.

Louvado seja Deus por isso! Maravilhosa graça!

Pequena observação:

Embora, o nosso chamado em Cristo implica a busca constante pela perfeição (Fp 3: 12-16), jamais seremos perfeitos aqui nesse mundo e em nossa carne a não ser na ressurreição. Mas, segundo a própria admoestação paulina, prossigamos para o alvo rumo à perfeição. Prosseguir para o alvo a fim de alcançar o patamar mais próximo da perfeição significa tão somente não errar o alvo o que, no grego, significa "hamartia" que é traduzido ao nosso idioma por "pecado".  Somos pecadores, seres de pecado, mas não precisamos estar mais em pecado, por o que é Perfeito já nos libertou pelo sangue precioso.

“Mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (1Pe 1.19)


Gabriel Felipe M. Rocha.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

JESUS É MAIOR DO QUE O TEMPLO HUMANO E FÍSICO.

JESUS É MAIOR DO QUE O TEMPLO HUMANO E FÍSICO

      Em Mateus capítulo 12, Jesus Cristo disse que ele é maior do que o templo. O templo de Herodes  era um palácio de mármore, com colunas de ouro, um dos mais belos edifícios do mundo de sua época. Jesus surpreende o povo ao dizer que ele é maior do que o templo. Jesus é maior do que os “lugares sagrados”. Maior do que os ritos sagrados. Maior do que a religião. A religião não pode salvar você. A lei não pode salvar você. Os ritos sagrados não podem salvar você. O templo não pode salvar você. Os usos e costumes não podem salvar. Os sacrifícios religiosos não podem salvar você. Os sacerdotes não podem salvar você. Os pastores e missionários não podem salvar. Mas há um que é maior do que o templo. Esse alguém é Jesus. Jesus pode limpar você do pecado. Jesus pode cancelar sua dívida impagável. Jesus pode aliviar sua consciência de obras mortas. Jesus pode dar a você a vida eterna. Jesus é maior do que o templo! Só não deixe de congregar, jamais abandone o Corpo de Cristo! Participe, seja um membro ativo naquilo que é coerente com a Palavra e com a Sã Doutrina. Não seja um crente isolado, mas viva a Vida que há no Corpo de Jesus.
     Assim - concluindo - pare de ficar espiritualizando o que não deve ser espiritualizado. Sua denominação é só um recurso que Deus dispôs para seu crescimento cristão e para a vivência em comunidade no contexto espiritual do Corpo de Cristo. Onde quer que vejamos a Palavra de Deus sendo pregada e ouvida em sua pureza e as doutrinas e mandamentos sendo ministrados de acordo com a instrução de Jesus Cristo, ali, sem dúvida, existe uma igreja de Deus. Portanto, meu amado, sua igreja não é a "obra única de Deus", pois a Obra de Deus é obra do Espírito santo e o mesmo Espírito Santo opera sua obra de redenção em TODO aquele que crê em Jesus Cristo. Nada mais que isso. Seus dogmas, ritos, leis, deveres, afazeres, obras, clichês, jargões, versículos isolados, usos e costumes, etc. não irão salvar você. Jesus é maior que tudo isso. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida!

(Hernandes Dias Lopes/Primeira  Igreja Presbiteriana de Vitória. Algumas considerações de Gabriel Felipe M. Rocha)
 “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego" (Romanos 1:16)

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.
Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério
'' (2 Timóteo 4:3-5)


domingo, 21 de setembro de 2014

Jesus, o cabeça da Igreja

Jesus, o cabeça da Igreja

Jesus, o cabeça da Igreja
Rev. Hernandes Dias Lopes
O mundo inteiro acompanha, surpreso, a renúncia de Bento XVI, como líder maior do Catolicismo Romano. O alemão Joseph Ratzinger é o 265º papa e um dos maiores expoentes teólogos da Igreja Romana. Homem culto, que domina seis idiomas, entre eles o Português. É autor de vários livros, pianista e membro de várias academias científicas. É reconhecidamente conservador. Combateu firmemente a teologia da libertação. Como chefe de Estado e líder de um dos maiores segmentos religiosos do mundo, é uma das pessoas mais respeitadas de nosso tempo. Porém, o momento é oportuno para fazermos algumas reflexões sobre a posição que o papa ocupa. É o papa o cabeça da igreja, a pedra fundamental sobre a qual a igreja está edificada, o supremo mediador e o substituto do Filho de Deus, como preceitua a dogmática romana? Vejamos o que a Palavra de Deus ensina:
Em primeiro lugar, Jesus é o cabeça da igreja. Essa verdade está meridianamente clara em Efésios 5.23. Nenhum homem, por mais culto ou piedoso, poderia ser o comandante da igreja universal. Somente Jesus tem essa honra. Jesus é o dono da igreja, o Senhor da igreja, o cabeça que governa a igreja, o bispo universal da igreja.
Em segundo lugar, Jesus é a pedra sobre a qual a igreja está edificada. O papado está alicerçado na interpretação de que Pedro é a pedra sobre a qual a igreja está edificada e que todo papa é sucessor de Pedro. A grande questão é se essa interpretação tem amparo bíblico. O contexto de Mateus 16.18 está todo voltado para a Pessoa de Cristo. O próprio Pedro deixou claro que Jesus e não ele é a pedra sobre a qual a igreja está edificada. No começo do seu ministério Pedro disse que Jesus é a pedra (Atos 4.11) e no final do seu ministério, quando escreveu sua primeira carta, tornou a enfatizar esse mesmo fato (1 Pedro 2.4-8).
Em terceiro lugar, Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. O título concedido aos papas, “Sumo Pontífice”, significa supremo mediador. Essa expressão não cabe em nenhum líder religioso, pois a Bíblia é categórica em afirmar que só existe um Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1 Timóteo 2.5). O próprio Jesus disse: “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6).
Em quarto lugar, Jesus enviou o Espírito Santo como seu substituto. O título atribuído aos papas “Vicarius Fili Dei”, ou seja, substituto do Filho de Deus, também, não pode ser concedido a nenhum homem. O substituto do Filho de Deus não é o papa, nem qualquer outro líder religioso, mas o Espírito Santo (João 14.16). O Espírito Santo, sendo Deus, está para sempre com a igreja e na igreja. O Espírito Santo veio para exaltar a Cristo e nos conduzir à verdade.
Em quinto lugar, Jesus é o dono da igreja. Foi o próprio Jesus quem disse a Pedro que ele mesmo edificaria a sua igreja (Mateus 16.18). A igreja é Deus, pois foi comprada com o sangue de Jesus (Atos 20.28). Jesus nunca passou-nos uma procuração, dando-nos a liberdade para sermos os donos de sua igreja.
Em sexto lugar, Jesus é o edificador da igreja. Nós somos os cooperadores de Deus, mas é Deus mesmo quem edifica a sua igreja. Um planta, outro rega, mas o crescimento vem de Deus (1Coríntios 3.9). Jesus disse: “Eu edificarei a minha igreja” (Mateus 16.18). Não conseguiríamos acrescentar nem um membro ao corpo de Cristo, mesmo que usássemos todos os recursos da terra.
Em sétimo lugar, Jesus é o protetor da igreja. A igreja não caminha vitoriosamente à parte da assistência e proteção de Cristo. Ele disse: “… e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18). Os inimigos da igreja são muitos e perigosos, mas Jesus é o nosso escudo e protetor. Ele é o general desse glorioso exército que caminha triunfantemente rumo à glória. Bendito seja seu santo nome!

sábado, 12 de julho de 2014

O termo “misericórdia”

O termo “misericórdia”

Quando Moisés viu Deus de costas, ele também ouviu uma proclamação que definia o Deus de Israel como Misericordioso: “Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado…(Ex. 34:6).
 
No entanto, sempre que observamos as raízes das palavras em hebraico, podemos encontrar conexões incríveis!
 
Por exemplo, o verbo Le Rachem (לרחם), que significa ter misericórdia ou pena, está conectado com outras palavras, como “querido” ou “amado” (Rachim - רחים), que significa para o povo semita alguém que você ama. O termo para quem se ama na língua hebraica é caracterizado pela misericórdia. Você não pode amar sem ser misericordioso. 

O mais intrigante é que a raiz da palavra misericórdia também está conectada com a gravidez
Em hebraico, o útero, órgão que abriga o embrião desde a sua concepção até o nascimento, é chamado de Rechem (רחם). Então o milagre da concepção e proteção do embrião é definido em termos de misericórdia.

O que as Escrituras nos mostram? O que o Espírito Santo nos revela?

1)   Deus em sua Soberania e Graça decidiu agir com misericórdia para com nossa transgressora humanidade. Por quê? Porque Ele nos amou (primeiro). Mas, por quê no amou? Porque, para Ele, fomos queridos. Fomos amados (Le Rachem = ter misericórdia). Quando Ele nos amou e nos elegeu por sermos queridos dele (mesmo em pecado), Ele, o Deus soberano e justo juiz que antes podia nos condenar com justiça, preferiu salvar-nos. Portanto, teve misericórdia.

2)   Interessante ressaltar aqui o seguinte: o Filho Unigênito (Jesus) era o querido de Deus. Ele recebeu o Nome de Messias (em hebraico) e Cristo (em grego). Tais substantivos significam em comum “ungido”, “escolhido”, ou seja: Jesus é o escolhido por Deus, amado e querido e no ato da graça e misericórdia divina, se fez carne para padecer e perecer sob o dano e condenação que era nossa. Por quê Jesus fez assim? Porque Ele também nos amou! Ele nos teve como queridos e amados.

Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e neles sou glorificado. E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos(João 17:9-13);

Jesus amou profundamente os seus...

3)   Jesus se mostrou, então, como a expressão da misericórdia de Deus. Lembrando que “Le Rachim” é um verbo (que significa “ter misericórdia”). Quem é o Verbo de Deus? Jesus Cristo, a misericórdia que se encarnou no Homem e se fez como Cordeiro Perfeito.

4)   Por último, ressalta-se aqui a intrigante relação da raiz semântica da palavra hebraica (misericórdia) com a palavra “gravidez”. Passando pelo crivo profético, o que o nosso Deus quer nos dizer aí? Basicamente duas coisas:

a)   O Filho de Deus, Rei da Glória, Pai da Eternidade, nosso Senhor Jesus Cristo deixou o esplendor de sua Glória e toda sua majestade e poder para flutuar no ventre de uma mulher (pela vontade de Deus). Foi gerado o Salvador! Maria esteve grávida, gerando o seu Senhor, o nosso Senhor. Nasceu em Belém a Misericórdia de Deus para a humanidade!

b)   Salvos pela graça e misericórdia expressados no ato da cruz e do derramamento do Sangue de Cristo, nós, resgatados pela graça, tivemos a oportunidade de nascermos de novo em espírito para a Ressurreição da Vida. Fomos gerados pela misericórdia! Aleluia!

Assim, concluímos dizendo que Deus escolheu nos amar. Ele é quem nos escolheu! Sem sua primeira atitude de misericórdia, jamais provaríamos de sua graça. Jamais provaríamos do amor de Cristo. Jamais nosso coração se encheria de alegria e genuína paz. Jamais estaríamos aptos – como agora – para também exercermos a misericórdia, pois carregamos em nossa vida a marca de Jesus Cristo.

Gabriel Felipe M. Rocha

(tradução hebraico/português por Dr. Eli. E Teacher Biblical – Estudos Judaicos para Cristãos)


sábado, 21 de junho de 2014

Jesus, a expressão maior da misericórdia de Deus

Jesus, a expressão maior da misericórdia de Deus

Por Gabriel Felipe M. Rocha

“As misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos” (Lamentações 3:22)

        Jeremias está tão angustiado pela destruição de Jerusalém, pelo pecado que a motiva, e pelo sofrimento que resulta dela, que encontra dificuldade em afastar-se deste estado sombrio de espírito. Embora reconhecesse a soberania de Deus nestes eventos e, em foco, no texto acima, ele também expressou a sua confusão pelo fato de que o Senhor havia permitido este sofrimento. O clamor de Jeremias, juntamente com a mensagem nela proferida é uma declaração da misericórdia diária de Deus para com seu povo, apesar da infidelidade constante do povo escolhido. O profeta lembrou-se de que todas as bênçãos da vida vêm do Senhor e que a sua confiança deveria estar unicamente em Deus.

       Sobre as palavras de Jeremias no capítulo 3, verso 22, vamos meditar o seguinte:
       A expressão “misericórdia” foi escrita em hebraico como “hesedh”. Dessa expressão hebraica não se extrai apenas o termo “misericórdia”, na qual é  riquíssimo por si só, mas tal expressão indica também: bondade, piedade, censura, benevolência, glória, etc. Mas, interessante que, essa expressão indica também “compaixão”, “opróbrio”, “vergonha”, “fidelidade” e, também, “amor”. A misericórdia de Deus foi a manifestação no mundo da graça soberana de Deus, foi a expressão máxima do recurso salvífico de Deus. Jesus foi a completude de todo o significado da palavra misericórdia. Ele foi bondoso, amoroso, benigno, piedoso, Ele sofreu vergonha, opróbrio e vitupério. Este aspecto de Deus é uma das diversas características importantes de seu caráter: verdade; fidelidade; misericórdia; firmeza; justiça; retidão; bondade. Ele (Jesus) foi a expressão máxima da misericórdia de Deus.
       Jeremias clamava ao Senhor, pois havia necessidade de paz em sua alma. Sua dor era grande e sua tristeza pela miséria espiritual de Israel era notável. Ele clamou pelo recurso de Deus, ele clamou por redenção.

       A resposta (o recurso) foi dada na cruz. O sangue de Jesus foi a expressão máxima da graça de Deus. Foi o elo capaz de restaurar o coração aflito e distante do homem.

      O povo que hoje tem uma vida com Deus não distancia de seus lábios esse clamor. Sempre precisamos desse recurso, pois nosso coração é como Israel: às vezes se deixa levar pelo pecado e sai da justiça para a injustiça e o resultado do pecado é um só, a morte.

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1João 1:8,9).

       Jesus é o recurso!

      Jó no auge de seu sofrimento e angústia clamou: “Porque eu sei que meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25).
      No texto, Jeremias diz que as misericórdias do Senhor (reveladas em Jesus) são a “causa de não sermos consumidos”. O que ele estava dizendo?

      Isso se cumpriria no próprio Cristo.

       A expressão “sermos consumidos” se traduz do hebraico “tamam” como: “acabar com algo”, “completar o já começado”, “consumir por inteiro”, dentre outras expressões.
       Sem Deus, estávamos sob o peso de uma condenação. Nós que fomos criados para o eterno louvor de Deus, estávamos caminhando rumo a um fim eterno, a uma morte eterna, uma gradativa destruição na qual seria uma vitória do inimigo de nossas almas, pois ele é quem veio para matar, roubar e destruir.

       No pecado, vivíamos em um processo de auto- destruição como escravos da nossa carne e do nosso adversário. Era, como disse, um processo gradativo de destruição. Estávamos, por fim, sendo consumidos.

       Mas Jesus pagou o preço do resgate! Ele, a misericórdia de Deus, expressão completa e eficaz da graça soberana é quem foi consumido na cruz do calvário por amor de nossas vidas. Louvado seja Deus, glórias a Jesus, o Rei dos reis...

      Jeremias, em seu clamor (ainda no capítulo 3, verso 19) diz: “Lembra-te da minha aflição e do meu pranto (ou clamor), do absinto e do fel”. Sua alma amargurada encontrou resposta na remissão de Deus que, para aquele tempo não fora revelada ainda na pessoa física de Jesus, mas profeticamente foi a resposta. Hoje a Igreja fiel de Cristo clama pela misericórdia eterna de Deus, fazendo menção do poder que há no sangue do Senhor Jesus que, para nós, foi o ato mais importante do Evangelho eterno.

      O clamor é diário, pois a misericórdia é diária e, sempre, por causa das contingências e aporias da vida humana, necessitamos dela. Clamar pelo sangue de Jesus é suplicar pelo renovo, restauração, cuidado, urgência da alma, do corpo. É pedir a presença do Consolador Espírito Santo em nossos corações, é deixar Deus gerar vida em nós. Por isso clamamos ao Senhor, pois, pelo poder que há no sangue (Espírito santo), não somos consumidos. Esse processo de destruição foi aniquilado para sempre, agora vivemos para a vida. Aleluia!

“Novas são a cada manhã; grande é a tua fidelidade” (3:23)

“A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele” (3:24)

 Gabriel Felipe M. Rocha