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sábado, 2 de janeiro de 2016

O propósito de nosso chamado (da série: meditação em Efésios)

Não é fácil ser Cristão de verdade! Definitivamente, nosso chamado não implica algum sossego ou plena paz (pelo menos por agora). Não obstante a graça maravilhosa que nos resgatou e a esperança firme que nos caracteriza como cristãos e salvos, nosso chamado é para a morte, para a renúncia, para o serviço, para a oposição, para a exposição pessoal, para o possível vitupério em diversas situações, etc.

Dizer-se eleito, afirmar-se salvo, intitular-se cristão e atribuir a si mesmo características evangélicas são atitudes que não podem ser tão simples a ponto de subsistirem apenas no âmbito das palavras. A nossa eleição é evidenciada pela nossa atuação, nossa ação. O meu cristianismo é mais o que eu faço do que o que eu digo. Nossa vida precisa evidenciar a mensagem que nos salvou. Precisamos nos aderir seriamente ao nosso chamado e fazer firme nossa vocação, pois isso dará prova, razão e testemunho de nossa fé e de nossa salvação.

Você que é cristão, freqüenta alguma igreja, carrega uma Bíblia, etc., sabe para quê foi chamado? Entende o objetivo da sua eleição? Pode evidenciar os reais motivos de ser um “escolhido de Deus”?

Sobre isso, Paulo fala em Efésios 1.

Deus elegeu o seu povo antes da fundação para que o mesmo fosse santo, irrepreensível perante ele. Em amor, Deus predestinou soberanamente cada um e, em momentos específicos, chamou cada um para que todos fossem filhos por meio de Jesus Cristo, pelo qual temos a remissão de nossos pecados. Portanto, nós fomos chamados para vivermos distantes do pecado, embora o pecado habite em nossa antiga natureza.
Não obstante a velha natureza pecadora e inimiga de Deus, o Eterno nos elegeu para sermos santos, dando a cada um de nós subsídios necessários para assumirmos em nossa vida a nova natureza, pois Cristo nos revestiu de novidade de vida e fez de cada um – por seu sangue – "nova criatura" para o louvor e para a glória de Deus. Recebemos a plenitude do Espírito Santo para que, regenerados e frutificados, venhamos nos portar dignamente conforme quer o nosso Pai que, em Cristo, adotou-nos eternamente.

Não é uma questão de sinergia, mas de evidenciar em nossa vida aquilo que Deus fez e garantiu para mim e você em Cristo Jesus.

Precisamos, então, saber, conhecer (para praticar) qual é a esperança do nosso chamamento, qual é a riqueza de sua glória da sua herança, qual é a grandeza e a eficácia do seu poder. Pois, se pela grandeza da graça de Deus, Cristo (sendo Deus) ressuscitou, agora eu e você, que morremos para o pecado, podemos ressurgir para uma nova vida cuja finalidade é sermos agradáveis a Deus em tudo e cumprir toda a sua vontade santa enquanto igreja do Senhor.
Somos a Igreja de Deus. Cristo é o cabeça da Igreja (Ef. 4.15)! É o Senhor nosso! Se nós somos, de fato, igreja e noiva de Cristo, que andemos, pois, conforme o Cabeça da Igreja, a saber, conforme o próprio Cristo.

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra [...]” (v.3-10);


“[...] Não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,
acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (v. 16-23).

Gabriel F. M. Rocha

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Buscar as coisas do alto:

Buscar as coisas do alto:

                  [...] buscar as coisas do alto é, portanto, constante negação de nós mesmos (Cl 3: 5), pois esse é o sentido real da nossa morte e ressurreição. Vida virtuosa é isso: negação de suas aspirações e paixões para fazer aquilo que agrada a Deus. Olhar para as coisas que são de cima e focar nas coisas do alto é assumir o chamado; é esquecer das coisas que para trás ficam; é avançar para o alvo; é procurar não errar o alvo; é crescer em graça e em conhecimento; é se encher do Espírito Santo; é se preocupar com as coisas do Reino; é se alimentar de Jesus; é se envolver e se relacionar com nosso Senhor. Buscar as coisa de cima pressupõe uma vida que está determinada a carregar a cruz. Buscar as coisas de cima é poder orar com firmeza de coração: "venha a nós o teu Reino e seja feita a tua vontade!". Buscar as coisas que são de cima é buscar em Deus e em sua Palavra o sentido para viver e poder olhar para o próximo com mais compaixão.
                  Em Mateus 5: 1-48, Jesus nos deixa o modelo da vida bem-aventurada, ou da "beata vita", que supõe uma vida de plena realização pessoal. E nos ensinamentos do Sermão da Montanha, Jesus ensina que a bem-aventurança (felicidade plena) está na constante negação de nós mesmos para o serviço do Reino de Deus e no servir o próximo e amar o próximo como marca de uma vida que conheceu a liberdade em Cristo. E não só isso: conheceu a graça e a própria miserabilidade diante do amor de Jesus Cristo. Buscar as coisas do alto, assim como "pensar nas coisas de cima" é, portanto, disposição mental, física e espiritual para morrer de vez para o mundo e viver uma vida ressurreta para Deus. Nossa bem-aventurança está no entendimento da mensagem da cruz.
                 Na cruz consiste a verdadeira liberdade em Cristo. Por quê? Porque morrer para o mundo e para o pecado e vencer a carne, dizendo não para as paixões, inclinações e desapontando nossos fortes desejos em vista da glória de Deus, implica total domínio de si mesmo, numa vida frutificada pela obra do Espírito Santo.
                 Poder dizer para a oferta do maligno e da própria carne que “eu vou agradar a Deus e não a mim mesmo” é vencer – como Cristo – a tentação do Diabo e se portar como verdadeiro liberto. O escravo não consegue. O livre sim, pois seu olhar está firme em Deus e tem constantemente buscado as coisas do alto. Assumir, portanto, a liberdade que Cristo nos concedeu na cruz. Somos livres quando nossa mente está buscando as coisas do alto e pensando nas coisas do alto, pois o pecado não mais nos domina. Temos vitória sobre o maligno! Veja em 1 João, 2: 12-17.
                 Em continuidade de sua admoestação e ensino, Paulo ainda adverte sobre a importância de ainda morrermos totalmente em nossa velha natureza terrena, buscando superar e vencer toda prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e avareza. (3: 5), pois, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os homens. Muitos ainda não acordaram para a seriedade dessas palavras e vivem praticando uma ou todas essas coisas citadas. Mas a palavra de Deus para esses é: condenação! Morte eterna! Inferno. A não ser que se arrependam agora e busquem a Deus. Buscai as coisas do alto! Perto está o Senhor daqueles que o invocam (Is 55: 6).

Uma excelente noite e auto-análise, reflexão, súplicas e paz!

Gabriel F. M. Rocha.


Síntese Cristã​

https://www.facebook.com/pages/S%C3%ADntese-Crist%C3%A3/356876407817770?fref=ts


quinta-feira, 19 de março de 2015

Todos Conhecerão

Todos conhecerão!
(Um ensaio sobre o amor cristão)

Por Gabriel Felipe M. Rocha



"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (João 13:35)


            Quando Jesus afirmou essas palavras, Ele já havia falado aos seus discípulos sobre sua morte e os aprontava para a prática da missão a qual foram chamados. O contexto que se segue, portanto, é um contexto de muitas admoestações (Jo 14: 23; 15:1-11); reafirmação de alguns ensinamentos (Jo 12: 44-50; 13: 1-35; 15: 12-26) e consolo (Jo 14: 1-21), preparando sua igreja, então, para os acontecimentos posteriores e exortando-os a perseverar na verdade de suas palavras. Isso, a fim de incentivar a sua Igreja ao cumprimento da missão do Evangelho (Jo 16: 20 -33; 17: 22,23). Havia uma missão! "Todos", empregado pelo evangelista se tratava (e se trata) se todos aqueles a quem o Pai escolheu e entregaria a Cristo. Trata-se, portanto, das ovelhas de Jesus. No entanto, a eficácia de nossa missão consiste no resgate de muitos e essa missão se passa pelo teste do amor.
            Pois bem, diante das palavras registradas no versículo 35 do capítulo 13 (“nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”), Jesus deixa um importante ensinamento no que tange a missão da Igreja. Todos conheceriam os discípulos e reconheceriam a efetividade da mensagem anunciada (como genuínos representantes de Cristo neste mundo) através da atitude de cada crente, a saber: através da atitude de amor ao próximo. Por quê? Porque essa atitude é a marca, a identidade, o cerne e o clímax do ministério de Jesus Cristo. Se a salvação foi uma dádiva que veio generosamente de Deus, Jesus veio como a própria personificação do amor. O Verbo se fez carne. Deus é amor, Cristo é o próprio amor operante do Pai. Em vista disso, a atitude do cristão pode revelar o Cristo se esse cristão viver como Cristo, amando seu próximo! O mundo só enxerga a Cristo se o discípulo é como Cristo. O pecador perdido não lê a Bíblia e se lê, não entende. Porém, o cristão verdadeiro é como a carta que o mundo lê (II Coríntios 3:2-3), isso, se suas atitudes são como as atitudes de Cristo. Mas que atitudes são essas? O nosso testemunho de transformação pessoal, a boa presença, a ajuda mútua, a assistência ao necessitado, o cuidado com o doente, a visita ao cativo, a paciência com o neófito, a disposição para ensinar e aconselhar, o compartilhamento, a oferta, o socorro, a fé naquele a quem muitos abandonaram “por não ter mais jeito”, etc. São gestos simples, mas que podem revelar a Cristo se nós estivermos enxertados nele.
            O amor ao próximo provado na prática atrai e prepara um campo “mais fértil” para se plantar a boa semente do Evangelho. Uma vida cristã fundada no exemplo e na prática das palavras de Cristo torna a pregação do Evangelho algo muito mais efetivo. O poder está em Deus para salvar, certamente. No entanto, o testemunho cristão caracterizado pela adesão firme à mensagem e proposta do Evangelho, pela unidade e comunhão da igreja, gera vida, exemplo e promove atração (At 2: 46,47). Lembremos: somos instrumentos de Deus para a salvação, portanto, devemos ser bons discípulos. Como? Imitando o Mestre (1 Cor. 11: 1)! Como ser luz do mundo e sal da terra (Mt 5: 13)? Imitando a Cristo na prática do amor (Ef. 5: 1). É através do amor que pregamos com intensidade, não importa se é com abraço e gestos de ternura ou se é com palavras e atitudes aparentemente duras em relação ao pecado. O amor constrange o pecador. É a arma mais poderosa na evangelização. É o primeiro da lista dos frutos do espírito (Gl 5: 22). O amor desarma qualquer ataque. Aliás, sem amor, não teria sentido pregar a Boa Notícia, pois seu conteúdo é o amor (1 Cor 13: 1-3).
            No mesmo contexto do versículo em destaque, Jesus apresenta o novo mandamento: “que vos amei uns aos outros; assim como eu vos amei, que também amei uns aos outros” (v. 34). Amar não se trata apenas de um sentimento (que já se tem ou se nutre) em nosso coração. Amar, muito mais que um sentimento (pois também o é), é uma decisão. Se não podíamos, antes (por causa de nosso pecado), escolher e livremente deliberar sobre as coisas eternas, agora podemos – pelo conhecimento da graça – escolher amar.
            Sim! Nós podemos decidir amar ou não!  O amor ao pecador, o amor àquele que nos persegue e o amor àquele a quem parece não valer a pena lutar e estender a mão pode acontecer diante de nossa espontaneidade em querer e decidir amar. Essa decisão nos foi dada diante do conhecimento do Evangelho e da transformação pessoal e convencimento por obra do Consolador (14: 25). Essa decisão está estreitamente ligada à nossa transformação pessoal pelo poder de Deus e pelo conhecimento do Evangelho (CFW, capítulo XVI, II e III). Caminha junta com a nossa frutificação espiritual (Gl 2: 22) desde nossa justificação e regeneração.
            Uma vida piedosa se resume em atitudes de amor e não em conhecimentos, palavras e teorização da fé. Amor, portanto, é agir em prol daquele a quem decidimos estender a mão. Abro um parêntese aqui para a lição presente nas três perguntas de Jesus a Pedro (Jo 21: 15-17). Para cada resposta de Pedro a uma pergunta (“amas-me?”), Jesus ordenava o apóstolo a exercer o pastoreio de suas ovelhas. Ou seja: o efetivo serviço cristão deve passar pelo crivo e pelo teste do amor, senão torna-se ineficaz e sem vida.
             Podemos ter uma teologia sensacional, um peso acadêmico de primeira qualidade, uma estrutura física de excelência, mas sem responder à pergunta de Cristo sobre o nosso amor e real devoção a Ele, tudo passa a ser vão. Aliás, a terceira pergunta de Jesus a Pedro está no original (grego) como “phíleo” que quer dizer: “amizade”, ou “amor de relacionamento”, “afeição”, “intimidade” e “compromisso” (é a pergunta que entristeceu Pedro!). Ela corrobora com o verso 15 do capítulo 15 de João:

Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu pai vos tenho dado a conhecer”.

            Nosso chamado é para o relacionamento com Cristo. Fomos chamados para servir e para sermos amigos de nosso Senhor. E só somos amigos quando procuramos viver como Ele viveu, pois aí está o segredo da boa amizade: a cumplicidade. Só assim podemos ser igrejas e ir de encontro às ovelhas que são de Cristo.
            O amigo de Jesus é, portanto, aquele que tem conhecido o mistério e a essência do ministério de Cristo, a saber, o amor. Conhecendo e praticando o amor, estamos prontos para a missão.
            No capítulo 17, através de sua oração sacerdotal, Jesus expressa seu profundo amor e imensurável apreço à Igreja e roga ao Pai que guarde seu povo de todo mal (v. 14, 15) e que os santifique (v. 16-19) para que o mundo possa conhecer – pela unidade da Igreja – que Deus enviou o Cristo e que Deus ama seu povo, assim como amou a Cristo (v. 23). Veja:
eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim”.
            A unidade da igreja em genuína comunhão, em ajuda mútua, em sã teologia alinhada à ortopraxia, no trabalho evangelístico e na boa assistência aos perdidos e novos na fé, gera aperfeiçoamento e esse aperfeiçoamento é, entretanto, fruto do amor. Igreja que cresce em unidade e que cresce em graça é a igreja que ama. Essa é a igreja que dá testemunho vivo de Jesus Cristo. É a igreja que pratica o mandamento de Deus: amar o próximo como Cristo também amou a igreja.
            O critério para medir a nossa fé é a evidência de nosso gesto e de nossa postura como cristãos. Ou seja, a nossa fé está totalmente ligada com o nosso testemunho pessoal. E o testemunho pessoal só é efetivo na prática do amor (que é o cumprimento do principal mandamento/ Jo 13: 34). A fé só é operante, portanto, se estamos vivendo esse amor.
            Se nós amamos a Cristo e reconhecemos seu gesto de amor e, se amamos o nosso próximo como Cristo também nos amou, estamos aptos para assumir a tarefa que nos foi proposta. Mas precisamos guardar seus mandamentos que se resumem em basicamente dois: amar a Deus e amar o próximo como a  nós mesmos. Jesus disse (em Jo 14: 12) que aquele que nele crê, poderá fazer as mesmas obras que Ele aqui fez e, ainda, obras maiores. Contudo, Ele conclui (v. 15) dizendo: “se me amais, guardareis os meus mandamentos” e logo promete a vinda do Consolador (Espírito Santo) para caminhar conosco nessa missão, ensinando todas as coisas (Jo 14: 26), inclusive a viver a prática do amor (15: 9-14).
           Portanto, seremos conhecidos pela prática do amor. Não pelos belos prédios, pelo bom e tradicional nome e pelas riquezas de nossos discursos.
            Muitas denominações já têm tudo isso e nem sempre vivem a essência do Evangelho. Isso não é o suficiente! Não adianta falar de amor, ensinar a teoria do amor ou cantar sobre o amor. O amor é metafísico, o amor é sentimento e o amor sem prática é abstrato. Só a prática do amor pode personificar a essência da nossa mensagem, a saber, a revelação de Jesus Cristo como Senhor e Salvador de todo aquele que crê.
           As palavras de Jesus em João 13: 35 foram dadas, enfim, para dizer aos discípulos o seguinte: o mundo vai odiar vocês (Jo 15: 18,19), vocês serão perseguidos por causa da minha mensagem (15: 20), mas “vós sereis minhas testemunhas, porque estais comigo desde o princípio” (v. 27). Portanto: todos conhecerão e saberão que vocês são meus discípulos, pois, se praticarem o amor que eu vos ensinei, amando uns aos outros (13: 35), eu serei revelado através de vocês (17: 23).



Gabriel Felipe M. Rocha


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Aquietai-vos

"Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus [...]" (Salmos 46:10)

Existem momentos em que é preciso, às vezes, deixar Deus trabalhar sozinho. Não que Deus dependesse da nossa miserável ajuda para efetuar algo, pois até o fato de hoje querermos Deus é porque Ele nos capacitou a isso. Mas, dentro dos decretos eternos de Deus que envolvem toda a nossa vida, temos livre agência (não "livre arbítrio") e podemos tomar algumas decisões no que tangem os tantos fins e meios na esfera de nosso existir. Contudo, existem momentos em que devemos ficar quietos e deixar Deus tomar conta de tudo. Baixar a guarda totalmente. Seja isso numa determinada área de nossa vida, seja numa situação mais abrangente. Tem momentos em que Deus quer nos dar a conhecer de sua divindade e assim se revelar de uma forma ainda mais profunda, fazendo gerar em nós uma nova postura, um novo entendimento, uma nova perspectiva e uma nova ação. No entanto, o ato de deixar Deus trabalhar não implica total inércia. Não significa cruzar os braços e simplesmente esperar acontecer algo ou aguardar que caia alguma coisa do céu.
Enquanto os demais animais apenas têm necessidades e carências naturais, agindo por instinto para supri-las, nós, seres humanos (crentes ou não), temos sonhos, desejos, aspirações, vontades e sentimentos que ultrapassam os limites corporais e psíquicos da natureza humana. Somos seres espirituais. O que nos difere, inclusive, dos animais irracionais. Muitas vezes nossos desejos e vontades não passam de uma carência carnal, sentimental, etc. Por outro lado, muitas vezes se manifesta em nosso íntimo alguma carência espiritual ou alguma sobrecarga espiritual, algo que as vezes falta ou mesmo algo que as vezes sobeja e que precisa ser tirado. Quando temos fome, tão logo sabemos que precisamos comer e, não desejando delongas, comemos e tornamo-nos satisfeitos. Porém, alguns sentimentos, algumas carências espirituais, alguns sonhos que incomodam a alma, a ansiedade por algo que muito se quer, dentre tantas outras coisas parece vir para nos deixar confusos, tristes, ansiosos sobremaneira, preocupados, angustiados e incomodados. Enfim, entramos para o estágio da inquietação.
Portanto, a ordem descrita no salmo 46: 10 torna-se pertinente para tais situações. "Aquietai-vos!". No hebraico, a expressão é igual a: “raphah”, um termo cujo significado é variado e pode ser atribuído em várias aplicações. Mas o que chama a atenção aqui é o fato do termo “aquietai-vos” (raphah), além de significar "permanecer parado", estar também ligado aos termos: “soltar”,“deixar ir” ou “deixar cair”. E em vários momentos de nossas vidas, quando estamos diante de uma guerra travada ou quando a provação está num alto nível onde parece que não vamos suportar, queremos logo agir. É tipo nosso mesmo. Muitas vezes, quando deixamos apenas a nossa vontade (escrava, limitada e totalmente influenciada pelas circunstâncias) falar mais alto, a tendência é esquecermos que há um Deus soberano em glória e majestade. Quando não buscamos a Deus e quando não entregamos nossa vida por inteiro à Ele, nos submetemos (de forma cativa) a nós mesmos e ao que nos cerca e fracassamos. Precisamos deixar ir toda a prepotência, todo o orgulho, toda a incredulidade, todo o questionamento, toda a murmuração e todo o desânimo. Precisamos "soltar" tudo! Aquietar o espírito totalmente. Isso só se dá quando nos apropriamos de um importante meio de graça, a saber: oração. Quando oramos, quando confiamos e quando entregamos, estamos - de forma concomitante - aquietando-nos para que assim Deus venha agir. Não que Deus precisa exatamente de alguma postura nossa para agir ou deixar de agir. Não! Ele quer que aprendamos e cresçamos em cada situação que venhamos nos encontrar nesta vida. A vida cristã é uma escola, cujo objetivo é a perfeição. Como Paulo mesmo disse (em Fp 3: 12), nós não alcançamos ainda a perfeição (gr. teleiotes) e essa se dará de forma completa na ressurreição. No entanto, caminhamos em postura constante para que alcancemo-la. 
Nesse interim, portanto, a oração não é uma opção. A oração é uma necessidade. É fundamental. Ela - quando feita em fé, de forma constante e firmada nas Escrituras, nos leva ao entendimento da situação que nos cerca, dos propósitos de Deus na situação e à conclusão de toda provação e batalha diante de uma nova postura e uma maturidade ainda maior. Até porque, é na oração que o Espírito Santo (Consolador/ "parákletus") "ensina todas as coisas" (João 14: 26) e, muitas vezes, Ele nos mostra ou nos faz discernir por nós mesmos que algo pode estar errado, algo deve ser mudado, alguma nova postura devemos tomar, etc. Contudo, o primeiro ato é: aquietar-se!
Na oração, Deus comunica ao nosso espírito a segurança que há nele (Sl 46: 1-7); na oração, Deus nos faz entender pelo seu Santo Espírito que Ele é poderoso em obras (Sl 46: 9); na oração, Deus nos faz sentir sua presença e dá a certeza que Ele está conosco (Sl 46: 11). Enfim, na oração, Deus nos exorta à quietação (Sl 46: 10).
A oração é, essencialmente, trinitária. O cristão ora no poder habilitador de Deus o Santo Espírito, que torna apropriado, como é Seu privilégio, a obra expiatória de Deus o Filho, o qual, sozinho, lhe dá acesso ao trono de Deus o Pai. Orando, portanto, nós estamos nos sujeitando, agora, ao mesmo poder que criou todo o universo e tudo que nele há. Muita coisa, não é? Pois é! Aquieta-te! 
Nós podemos nos dirigir ao Pai através dos méritos de Seu Filho, e unicamente por Ele (Jo 14:6). Charles Haddon Spurgeon, em um sermão em Lucas 11:9-10 disse: “Nunca houve uma verdadeira oração dedicada a Ele que não foi ouvida. As orações mais aceitáveis em seu nível mais elevado chegam a Ele pelo caminho dos ferimentos de Cristo.” Como a Pessoa que aplica a grande salvação de Deus aos eleitos em regeneração e conversão, o Espírito Santo energiza as orações a serem dedicadas. Quando não sabemos nem mesmo como orar mais, Deus nos ajuda e nisso também nos aquietamos. Em Sua onisciência, o Espírito Santo é perfeitamente familiar com a profundidade de nossos espíritos e com a santa vontade de nosso Pai (Rm 8:26-27). Quando, em nossa quietação, nos faltam palavras, Ele sabe imediatamente como orar por nós. Ele sabe como compor orações de modo que sejam aceitáveis ao Pai das luzes. Nós podemos descansar no conhecimento de que a oração sincera do coração do crente não será desprezada pelo Pai, que nos convida a que Lhe falemos. E nisso paramos para Deus agir! Desde o incentivo e a exortação à oração até a resposta e a conclusão de tudo, Deus age de forma soberana. Precisamos buscar uma sensibilidade tal para entendermos e discernirmos quando é o momento de deixar apenas Deus obrar.
> “Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, senão de Deus” (2 Cr.20:15).
> “Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Salmo 139:10).
> “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará” (Salmo 37:05).
Outra questão interessante e relevante no salmo 46: 10 é o resultado do ato de ficar quieto e deixar Deus trabalhar, a saber, o conhecimento da divindade do Criador: "aquietai-vos e sabeis..."; "...sabeis que eu sou Deus". Como já falamos aqui, a vida cristã é uma escola. Nesse processo, vamos crescendo em graça e conhecimento (2 Pd 3: 18). Deus vai completando sua obra em nossas vidas ( Fp 1: 6). Conhecer a Deus está totalmente ligado ao fato de experimentar sua poderosa ação em nossas vidas. Não falo dos experimentalismos e das diversas experiências carismáticas onde se intenta conhecer Deus por viés estranhos. Mas aquietar e saber quem é Deus pode ser empregado no mesmo sentido de: parar e orar. Aqui, acrescenta-se: parar, orar e se apegar à leitura das Escrituras.
É necessário, algumas vezes, diminuir nossa atuação, sairmos um pouco de cena e deixar Deus advogar. Conforme João Batista, falando de seu ministério, precisamos também diminuirmos para que Cristo se evidencie em nossas vidas. Quando estamos ansiosos, quando estamos inquietos, preocupados, tristes, desanimados, etc., Cristo deve viver em nossa vida para que não venhamos a viver por nós mesmos e debaixo do jugo que muitas vezes o mundo (e também nós mesmos) nos impõe. Cristo é exemplo para nosso agir e também é exemplo para aquietarmos. Basta lembrar da cruz e das acusações. Houve o momento de parar para que a glória do \pai se manifestasse na História. "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim"(Gálatas 2:20). Deixemos o "eu" para que possamos conhecer o "Eu Sou".
Moisés quando foi chamado por Deus para a libertação de Israel do Egito, ele, querendo dar uma boa explicação a Faraó sobre quem estava ordenando a saída do povo, perguntou: “qual é o seu nome”? (Ex.3:13). Poderia ter pensado: “mesmo vendo essa sarça em fogo e não se consumindo, devo saber quem me ordena por essa voz” (conjectura minha). Moisés convivia com os egípcios e em meio aos deuses tiranos e falsos do Egito. Embora educado segundo os preceitos hebreus, ele não havia tido ainda um encontro com o Deus vivo. Não havia acontecido ainda algo que marcasse sua história. Algo capaz de mudar os rumos de sua existência. Mas a resposta do Criador foi satisfatória: (Ex.3:14) “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós”. Não havia espaço para argumentação, mas sim para a fé. As vezes, ficar quieto é atitude. A atitude de Cristo mais expressiva para nós foi sua morte substitutiva. Foi Deus agindo para a salvação de muitos, sendo que toda a humanidade nada podia fazer para ser salva. Enquanto o mundo se aquietou, Deus mostrou, através de Jesus Cristo, que Ele é Deus. Deu-se a conhecer a muitos por sua majestosa generosidade. Jesus assim se fez quieto, como Cordeiro mudo. Mas o céu e a terra estremeceram...e a Igreja agora sabe que Deus é Deus e é Soberano e justo, tanto para nos salvar, como também para nos ajudar em todas as intempéries de nossa vida segundo seus próprios propósitos e justiça.
Pode ser que, diante daquilo que você está agora vivendo, o momento seja de parar, aquietar o coração, orar, exercer a fé, ler a Palavra de Deus, pois Deus anela ajudar os seus escolhidos e não lança fora ninguém que fora comprado pelo sacrifício de Cristo. No momento certo e em sua própria economia, Deus conclui toda e qualquer situação e aumenta mais em nós o conhecimento de sua glória. Pode ter certeza: na próxima batalha você estará mais preparado e com a fé mais desenvolvida, pois tem mais conhecimento do Deus que te salvou.
"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus; credes também em mim [...]" (João 14: 1).
Que Deus abençoe as nossas vidas, amém.

Gabriel Felipe M. Rocha.

Bíblia de estudos de Genebra;
Bíblia de estudos "Palavras-chave";
Richard T. Zuelch (A séria alegria da oração cristã).

Só entre você e Deus

Só entre você e Deus

(Gabriel Felipe M. Rocha)

"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus" (Colossenses 3:1)
"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR Deus é uma rocha eterna". (Isaías 26.3,4)
"Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?" (Salmos 42:1-2)
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Já cantei muito um louvor antigo que diz assim: "há momentos em que as palavras não resolvem, mas o gesto de Jesus na cruz demonstra amor por nós....". Pois é. Bem verdade isso. Existem momentos em que nenhuma palavra resolve, também nenhuma argumentação ou até mesmo uma carga a mais de esforço. Existem momentos onde Deus nos pede para aquietarmos para que assim Ele possa se revelar a nós como Deus (Sl 46: 10), todo Poderoso, todo Amor, todo Justo.
Sempre existirão aqueles momentos onde vai ser preciso parar, mudar alguma rota, mudar alguma coisa, limpar o coração (e não só o Facebook), se afastar da multidão, e pensar... Pensar muito. De preferência com a Bíblia nas mãos, com os sonhos em guarda, com a mente em Cristo e com o coração derramado no altar de Deus.
Até mesmo alguns sonhos, desejos, interesses devem ser revistos. É isso mesmo que Deus quer para mim? Como Ele quer? Como preciso ser? O que devo dar primazia? Quero ser ou ter tal coisa, mas Deus tem exatamente isso mesmo? Como devo servir melhor a Deus? Como posso servir e ser útil ao próximo? É a minha vontade que fala mais alto ou é o propósito de Deus que deve imperar? 
Sempre haverá o momento que será só entre você e Deus em determinada situação. Essa afirmação não sugere a ausência no seio da congregação. Não faça isso! Não sugere também o isolamento. Não abandone e não se feche para sua família, seus irmãos em Cristo e nem para seus amigos. Não deixe de comunicar seus problemas à igreja e à liderança. Se tiver pecado para ser confessado ao seu pastor a fim de te ajudar, confesse! Muita coisa fará parte desse processo. Oração, Bíblia, louvor, congregação e exercício de uma vida piedosa, etc. Tudo isso fará parte dessa construção de um "novo eu", pois, esse momento sugere apenas a renúncia do excesso de envolvimento com coisas, com pessoas que não edificam e projetos que roubam a primazia de nosso precioso tempo para Deus. É hora de esquecer e avançar. Como disse Paulo aos filipenses 3: 12-14, é hora de avançar em vista daquilo que é a PRIORIDADE do genuíno cristão. São duas expressões interessantes num só contexto: esquecer e prosseguir.
Esquecer remete ao passado. Deixar para trás o que não edifica. Deixar coisas, deixar costumes que roubam nosso tempo precioso, roubam nosso tempo com a família, etc. Por mais difícil que possa ser, "esquecer" inclui pessoas. Não que as pessoas sejam descartáveis. Não! Mas existe o momento em que é preciso deixar. Deixar amigavelmente. Deixar cada um seguir sua rota. "Esquecer" remete à cura interior onde só a atuação do Consolador (Espírito Santo/ "parákletus") pode atuar, limpando o coração, consolando, quebrando tudo e fazendo novo.. Por outro lado, "prosseguir" remete já (obviamente) ao futuro. É adequar a nossa visão em relação ao alvo. Com a visão adequada e com a mente firme em Deus, prosseguir é a tarefa. Olhar para o alvo é o mesmo que procurar não mais falhar, não mais pecar, seguir limpo e curado. Lembrando que pecado (hamartia) significa exatamente "errar o alvo". Quem erra o alvo? Aqueles que tiram a visão da meta e perdem o foco. Pecar é o resultado trágico da perda do foco e do abandono da visão. Nenhum atirador que pretende acertar olha para trás ou para o lado. Ambas situações (esquecer e avançar) tem o mesmo objetivo textual de "fugir" e seguir" em 2 Tm 2: 22. É fugir das paixões e dos embaraços do mal (que sempre tem a aparência do bem) e seguir a justiça, o amor e a paz, buscando a Deus com "um coração puro". Nisso tudo Deus é conosco. Ele sempre trabalha em favor dos seus a fim de fazê-los sempre mais puros e perfeitos. Ele nos incentiva a olhar para o alvo, esquecer o que para trás fica e seguir. Ele ama, Ele chama, Ele age na circunstância e na situação e dá a resposta final que nossa alma deseja. Ele mesmo, antes de nos admoestar a esquecer tudo que fica para trás, esquece tudo, concedendo perdão (Is 43: 25) e novas oportunidades. Jesus caminha do nosso lado e faz nosso coração arder. Ele é o Alfa e o ômega, Princípio e Fim. Ele está conosco desde o início e ficará até a conclusão de tudo.
Muitas coisas, circunstâncias e situações aparecem (ou são geradas por nós mesmos) para nos fazer perder o foco. Quando nos embaraçamos nelas, passamos a não orar mais, ou não orar com mais intensidade. Passamos a não ler a Palavra de Deus, passamos a não agradecer a Deus até mesmo pelo alimento sobre a mesa. Passamos a não desejar o culto. Nos tornamos, em alguns momentos, como inimigos de Deus, pois simplesmente viramos as costas para Ele. E se assim fizermos mesmo, o pecado sempre ganhará forças, pois o alvo não estará sendo mais atingido. Passaremos a dar ouvidos às diversas coisas que querem tomar a primazia de nossa existência. A "hamartia", então, acontece. 
Lembro-me dos dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24) que, diante das circunstâncias, esqueceram-se da ordenança de Jesus de ficarem em Jerusalém (Lc 24: 49) e, desiludidos e desesperançosos (Lc 24: 21), pegaram o caminho que leva para Emaús. Voltaram às origens. Perderam a visão (Lc 24: 16). Se esqueceram das promessas, desviaram-se do foco. Mas - por graça e misericórdia de um Deus que não nos deixa escapar de suas mãos (Jo 10: 29) - houve o momento de um encontro, uma comunhão a mais e um confronto na alma. Isso entre eles e o Mestre. No partir do pão à mesa (um momento de íntima comunhão), o Peregrino se revelou como o Senhor Vivo e Glorificado. E é assim mesmo: vivemos e caminhamos ao lado de pessoas da fé, vamos ao culto, participamos de ministérios, mas - por causa da perda da visão espiritual - não vemos Jesus se revelar em todas essas coisas. Mas há o momento do partir do pão onde o Corpo do Senhor é discernido e, daí por diante, passamos a andar com uma nova perspectiva. Volta-se desse momento envolto de um verdadeiro e duradouro avivamento. Sempre haverá o momento onde Deus se revelará como sendo O Deus em nossas vidas. Sintamos coragem para orar mais, buscar mais e renunciar de muita coisa, negar a nós mesmos. O momento é de negação do "eu". É de carregar a cruz somente e perseverar em oração. Precisamos discernir cada momento. Tirar um longo tempo de leitura devocional da Bíblia, se dedicar a um momento de oração mais intenso e derramar o coração sem reservas diante de Deus não implicará nunca "parar" no caminho ou se fechar para o mundo e para a sua congregação. Não é como o jejum do tolo e do fariseu. É apenas um desafio de dedicação pessoal mais fervorosa, firme e constante. Deus se revelará!
Lembro-me também de Pedro que, num momento só dele com o Mestre, foi confrontado pela Palavra do Próprio Verbo Vivo e teve sua vida marcada para sempre. Isso ocorre em João 21: 15-17, onde Jesus pergunta a Pedro por três vezes se esse o ama e, assim, prova seu amor. Na terceira pergunta, Pedro se entristece. Interessante que, nas duas primeiras perguntas, as palavras de Jesus foram traduzidas para o grego no termo "agapao", que traduziu-se para o português por "amas-me". Trata-se de um amor sublime, amor pleno, abrangente. É o amor com que Cristo amou sua Igreja. Pedro respondeu sem tristeza as duas perguntas. Conjecturo que para Pedro pareceu fácil diante dos outros irmãos responder tal pergunta. Assim como muitos estampam em camisas e adesivos que amam a Deus, pode parecer fácil dizer perante os homens que amamos a Deus. Pregamos, louvamos na igreja, evangelizamos, etc. Fazemos um monte de coisas para o Reino, mas, existem momentos onde precisamos nos evangelizar, pregar para nós mesmos, louvar sozinhos em nosso quarto, etc. A terceira pergunta, portanto, foi puro confronto para Pedro. Foi uma chamada para o particular. Foi um convite para a análise interior. Jesus pergunta "amas-me" apropriando-se do termo que, para o grego, foi traduzido como "phíleo", que remete ao amor de amigo, amor de relacionamento, amor de compromisso e amor de intimidade. Por que Pedro se entristeceu logo nessa terceira pergunta? Foi uma tristeza segundo Deus que tão logo produziu frutos de alegria e disposição para o serviço. Não é fácil responder a essa terceira pergunta quando nosso Senhor nos chama para um relacionamento mais íntimo. Tem que renunciar de um monte de coisas! Se esvaziar. Mas existem momentos que será apenas entre você e Deus. Ele mesmo convidará.
Será hora, portanto, de rever conceitos e ao mesmo tempo de reafirmar conceitos. Se recolher, baixar guarda, tirar o time do campo para , enfim, sair melhor para a guerra, para o jogo ou para a corrida. Muitos passarão em nossa frente. Deixem passar! Muitos ficarão para trás. Talvez tenham que ficar (só Deus sabe). Mas vai ter o momento que a escolha melhor é parar, se recolher, se guardar, esquecer, e se alimentar da graça e do conhecimento de Deus. Você e Ele! O Rei e o pobre camponês. O General e o recruta, a Rocha e o pequeno grão de areia. Mas Deus nos dará ainda mais o conhecimento de sua glória e de seus mistérios.
Uma excelente semana aos amigos e irmãos!
"Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro" (Jeremias 29:11)
"Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Filipenses 3:13-14)
Com orações,

Gabriel Felipe M. Rocha.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Jesus, o Cordeiro Perfeito

Jesus, o Cordeiro Perfeito

"Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo" (Hebreus 7:27)

Na celebração da Páscoa, um cordeiro era sacrificado (Ex 12: 3,4). Cada família teria que ter em casa um cordeiro. Famílias pequenas demais para um cordeiro compartilhavam a Páscoa com casas vizinhas, para que, em solenidade e comunhão, todos celebrassem. No entanto, o cordeiro precisava ser perfeito, ou seja, sem defeito algum. Pois, esse ato vigente no período veterotestamentário (antiga aliança) era símbolo do sacrifício perfeito através de um Cordeiro Perfeito que ainda viria, a saber, Jesus. Portanto, o animal selecionado não poderia ter manchas, defeitos, máculas e qualquer mal visível que não o colocasse no patamar de "cordeiro perfeito" para o sacrifício.

Desse modo, o cordeiro devia ser provado (ou testado).

Era selecionado o aparentemente mais perfeito. Logo, era recolhido e acolhido entre a família. Devia, nos dias que antecediam à celebração, estar já ante a família, em casa, diante de todos até o sacrifício da tarde (Ex 12: 5,6). Podemos conjecturar: o pai de família seleciona o cordeiro, deixa um período considerável (não longo) junto de sua família e ali é testado para o sacrifício. Imaginem: como poderia esse cordeiro não cair na graça da família e dos filhinhos pequenos que o assistiam? Mas ali era provado... Se fosse mesmo perfeito, iria cumprir nele o ato da expiação, cuja festa era a Páscoa (hb. pessach = passagem/ libertação).

Assim foi com nosso Senhor, Jesus Cristo!

O que tiramos disso?

1) Segundo os decretos soberanos de Deus, Jesus foi santificado  para ser o Cordeiro para a expiação do pecado daqueles a quem o Pai elegeu (Is 42: 1; 1 Tm 2:5; Jo 3: 16; 1Pe 1: 19/ Mt 20: 28; Jo 10: 15). Ele foi o substituto, sendo que a morte cabia a nós todos, sem distinção. Mas, pelo sacrifício vicário, Ele eficazmente arrebanhou seu povo. Toda glória ao Pai, todo mérito de Cristo e toda a consumação da obra ao Santo Espírito! Nada de nós, tudo de Deus!

2) Jesus, feito como homem, esteve entre a humanidade num limitado período (onde atuou em seu ministério de aproximadamente três anos e meio). Sua igreja e seus discípulos escolhidos se "apegaram" a Ele, pois Ele os cativou e com eterno amor os atraiu (Jr 31: 3). Não todos, mas alguns, se envolveram com o Mestre que era Deus... Sua retirada do mundo causaria dores e tristezas (Lc 24: 17-21).

3) Mas o Cordeiro de Deus seria provado: essa provação (ou teste) não implica que Jesus, em sua forma humana, estaria "escravo da vontade humana" a ponto de correr o risco de  ir contra o decreto divino da redenção. A Humanidade de Cristo era perfeita (Jo 1: 14; Fp 2: 6). A provação do Cordeiro Perfeito não se passou na noção antropocêntrica que algumas teologias pregam. Mas fazia parte dos planos do Deus Soberano - para demonstração de sua glória - permitir que o Cordeiro fosse analisado e testado entre os homens a fim de evidenciar aos crentes que o Cordeiro estava apto e tem o Nome acima de todo nome (Rm 1:5). Por Ele nos apresentamos ao Pai confiantes que seremos ouvidos (1 Jo 5: 14-15; Jo 16: 24; Hb 10: 19-23).


> Jesus foi tentado pelo Diabo ( Mt 4: 1 -10). Mas  o Cordeiro era Perfeito (Mt 4: 11);

> Jesus foi provado e testado pelos líderes religiosos (Mt 15: 1-20; Mt 16: 1, 2); Mas  o Cordeiro era Perfeito (Jo 8: 7; Mt 22: 20,21).

> Jesus foi provado no Sinédrio, diante de Caifás (Mt 26: 59), mas o Cordeiro era Perfeito (Mt 26: 60, 64).

>Jesus foi provado por Pilatos (Mt 27: 11-13), mas o Cordeiro era perfeito (Mt 27: 14).

Após a insistência de Pilatos quanto a, então, inocência de Jesus e sua estratégia a fim de ver Jesus livre na então possível escolha do povo em detrimento de Barrabás, o que não aconteceu (Mt 27: 16-24), chegou-se a conclusão da análise e provação do Cordeiro. Jesus foi encaminhado para o sacrifício (Mt 27: 26), pois Ele era Cordeiro Perfeito e só Ele podia nos representar naquela cruz (Fp 2: 8; Hb 7:25; Rm 8: 34; 1 Cor 15:4; 1 Pe 3: 22).

O Cordeiro santo,  morreu pelos nossos pecados  para que fôssemos remidos e libertos da escravidão e do pecado. Jesu não conheceu pecado, mas foi feito pecado e maldição por nós. Jesus não morreu por seus pecados, pois não tinha pecado. Era Perfeito!. Morreu pelos nossos pecados, pois eramos e somos ainda imperfeitos e incapazes de nos salvarmos.  Sua morte foi vicária e substitutiva, sendo que Deus seria justo se nos deixasse perecer.

Louvado seja Deus por isso! Maravilhosa graça!

Pequena observação:

Embora, o nosso chamado em Cristo implica a busca constante pela perfeição (Fp 3: 12-16), jamais seremos perfeitos aqui nesse mundo e em nossa carne a não ser na ressurreição. Mas, segundo a própria admoestação paulina, prossigamos para o alvo rumo à perfeição. Prosseguir para o alvo a fim de alcançar o patamar mais próximo da perfeição significa tão somente não errar o alvo o que, no grego, significa "hamartia" que é traduzido ao nosso idioma por "pecado".  Somos pecadores, seres de pecado, mas não precisamos estar mais em pecado, por o que é Perfeito já nos libertou pelo sangue precioso.

“Mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (1Pe 1.19)


Gabriel Felipe M. Rocha.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

JESUS, A PORTA

JESUS, A “PORTA"
(Por Gabriel Felipe M. Rocha)

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (João 10:09)

Jesus sempre usou expressões simples para falar com os seus. Usava figuras e modelos acessíveis e cognoscíveis para a multidão, pois eram figuras voltadas para o dia-a-dia de cada um. Ali estavam pescadores, por isso, Ele chamou alguns para serem “pescadores de homens”; ali estavam homens do campo, por isso Ele usou figuras como a “parábola do semeador” e desse modo falava o mestre, inclusive quando falava de si mesmo para a multidão e para os seus discípulos: “Eu sou a porta”; “Eu sou a água da vida”; “o pão vivo”, o “bom pastor”, etc. Jesus era um pregador relevante. Pregava com autoridade e sua mensagem promovia vida. Aliás, as palavras de Jesus são um convite para a vida...
Jesus, embora soubesse do coração duro da multidão e dos olhos e dos ouvidos fechados da mesma (porque não seriam todos alcançados), não deixou de querer ardentemente ser aceito pelo pecador, pelo contrário, Ele vivia no meio deles como luz para os que andavam em trevas. Sua prova de amor na cruz foi um ato público da graça e misericórdia de Deus. Ele abriu na cruz um Novo e Vivo Caminho para aqueles que iriam receber da grande salvação. Por isso ele formalizou o convite dizendo: Eu sou a porta!
Muitos precisavam passar por essa porta e ela estava ali a todo o momento.
Mas observemos com atenção quando Ele diz, no versículo 7, que: “...eu sou a porta das ovelhas”. Fascinante como esse anúncio era pertinente ali e como ele ainda tem uma relevância hoje.
Quando Jesus usa essa expressão, afirmando e especificando que Ele era a porta das ovelhas e que, quem passasse por ela teria vida, Ele estava se referindo ao seu aprisco, pois em seu aprisco estamos seguros dos ataques. Não que jamais seremos atingidos, mas que em seu aprisco teríamos todo o cuidado e, na comunhão da Igreja (seu Corpo), temos boas pastagens. Alimento diário, forte e rico em proteínas espirituais. Lá recebemos vida. Congregando e estando firmado em Cristo, desenvolvemos vida, compartilhamos vida e, por isso, temos vida com abundância. Mas havia uma conhecida “porta das ovelhas” ali que tinha um significado muito importante.
Havia uma porta lateral no templo que era conhecida como “a porta das ovelhas”, mas as ovelhas que entravam por aquela porta, entravam para a morte, pois a culpa do pecado estaria sobre cada uma que seria ali a vítima para expiação. As ovelhas, portanto, que seriam sacrificadas, passavam por ali. Entrevam por aquela porta. Então, era a porta da morte.
Mas espera aí! Jesus diz que Ele era a "porta das ovelhas" naquele contexto cultural e religioso, diante do templo e das pessoas que bem conheciam o templo e afirma que quem passasse por Ele (entrasse por Ele) se salvaria e receberia liberdade para entrar, sair e achar pastagens. Poderia parecer um contra senso, mas Jesus estava afirmando que, diferente daquela ocasião de morte e condenação, Ele estava ali como a Porta para a vida e todos aqueles que o Pai lhe dava, ganhava a salvação que jamais se perderia. Ganhava a salvação para desenvolver, a partir de então a salvação, saindo e entrando, trabalhando e cuidando. Perseverando e crescendo e, sempre, achando pastagens.
No versículo 11, Jesus diz: “Eu sou o bom Pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas”.
Havia para nós a condenação, pois antes estávamos longe de Deus, no pecado – arrastados para a morte. Não havia nenhuma porta aberta para a salvação fora de Cristo. Apenas para a justa condenação. Mas Deus preparou um projeto. Ele decidiu chamar a muitos para entrarem por essa porta e nunca mais serem os mesmos. Agora entramos, saímos e achamos pastagens.
Jesus, o bom PASTOR é quem passou por essa porta “de condenação”, garantindo a vida eterna para os seus e, assim, se entregou nos dando um novo e vivo caminho.
Ele, o bom Pastor, venceu a morte, agora, portanto, Ele é a porta para a VIDA. Ele pode nos chamar para a vida. Esse convite é restrito. Vem da Eternidade. É dom de Deus. Louvado seja o Senhor!
A porta das ovelhas do templo também aponta para a vida religiosa que muitos caminham e passam por ela, mas seu fim não é vida, mas sim morte, pois não há um encontro pessoal com o Senhor Jesus longe da graça. Muitos religiosos e pessoas de coração duro têm ouvido que Jesus é a porta, mas tnão passam por essa porta.
Sendo, agora, a porta para a vida, Jesus convida muitos a entrar por ela: “Eu sou a porta”. Quem sabe Ele está te chamando para - agora - entrar por ela? Mesmo você já cristão. Já entrou por essa porta hoje? Já saiu renovado e cheio de bençãos celestiais para compartilhar? Já encontrou e se apropriou das pastagens ricas que no aprisco de Deus há?
Quando Jesus se revela como a “porta”, Ele penetra o coração do homem que, por muito tempo, esteve diante de uma porta fechada. Vivia uma vida presa no pecado, no vício, na desesperança, na aflição, etc. Mas agora uma porta (que foi aberta no Calvário) está diante dele. Jesus é a porta que liberta o homem e o coloca em outro patamar. A porta é um meio de acesso a um cômodo ou a uma casa (tanto para sair, tanto para entrar). Jesus é o acesso que temos ao Pai por meio de seu sangue. Jesus quando diz que Ele é a porta (não uma das portas), mas a única porta, afirma categoricamente que fora dele não há salvação
Ele nos chama para entrar, pois preparou muitas moradas:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2), mas a porta é uma só: Jesus.
Interessante que, quando Jesus diz “Eu sou”, ele tira do homem qualquer dúvida e indagação. Tira qualquer oportunidade de nos colocarmos como "merecedores" ou como "ganhadores (por méritos) da grande dádiva da Vida Eterna. Ele deixa claro que Eu sou! Mostrando que isso basta. Nada de nós e tudo dele. Ele salva, Ele se revela, Ele chama, Ele convida e Ele dá a vida. Moisés quando foi chamado por Deus para libertar o povo do Egito, não havia tido ainda uma experiência íntima com o Deus de Israel, embora já havia um altar em seu coração. Ele perguntou à voz que falava na visão da sarça: “Quem eu direi que me enviou?”. Deus disse: Eu Sou te enviou. Ou seja: a obra é minha! Meu Nome é sobre todo nome. Pode ir que Eu faço tudo! Apenas vá!
O anúncio de Jesus como sendo a porta tem o mesmo peso de glória e soberania. Ele afirma: Eu sou a porta! Minha é a salvação, minha é a vida, minha é toda a pastagem! Apenas venha.
Jesus, o bom Pastor, é esse “Eu Sou” (Yaveh). Ele é poderoso em obras, Ele é Deus forte, Pai da Eternidade, grandes são seus atributos e sua glória. Ele é a porta. A esse convite não podemos resistir.
“Se alguém entrar por mim, salvar-se-á”: É a promessa para quem entra pela porta.
A expressão usada no original para “salvar-se-á” é “sodzo”, uma expressão grega que é muito usada no Novo Testamento para indicar “preservar a salvo”, “proteger”, “livras do perigo”, “ajuntar para si”, dentre outras.
Jesus quer que estejamos plantados nele. Vivos nele. Esperançosos nele. Fortificados nele. salvos (em total segurança) nele. Ele quer que estejamos debaixo de “suas asas”, para que, no dia do Senhor, possamos vencer e reinar com Ele.
“... e entrará, e sairá, e encontrará pastagens”:
No frio da noite, nós entramos e nos aquecemos juntos no aprisco do Senhor. Durante o dia, Ele nos leva aos pastos verdejantes (Salmo 23), pois Ele é o nosso bom pastor e nada tem nos faltado. É a benção de fazer parte desse aprisco (Igreja), pois temos todos os dias, além do livramento da morte eterna, o alimento rico e abundante e, no Corpo de Cristo, em seu aprisco, somos mais do que vencedores, pois Ele nos amou. Ele nos chamou. Ele nos escolheu. Ele nos ajuntou. Somente a Deus a gloria!
Esse processo de entrar e sair do aprisco é um processo diário. É o nosso trabalho para o Reino. Assim sempre achamos pastagens, tanto para nos alimentar, tanto para compartilhar. Não podemos abandonar essa dinâmica, não podemos nos esfriar jamais diante da grandeza desse amor, pois Deus ajuntou para si um povo que conhece a sua voz e atende a sua voz, pois a conhece bem. Está firmada em sua Palavra.
“Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas ovelhas sou conhecido” (João 10:14).
Louvado seja o Senhor Jesus!

Gabriel Felipe M. Rocha.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Uma reflexão singela sobre a amizade

Uma reflexão singela sobre a amizade

O amigo ama em todos os momentos;
é um irmão na adversidade.
(Provérbios 17:17)

A amizade é um fenômeno humano cujas raízes (ou princípios) são plenamente metafísicos. Ou seja, estão para além da física. O cérebro até pode mostrar para o psicanalista onde se manifesta fisiologicamente a amizade, o amor, o companheirismo, até mesmo a fé. Mas nunca poderá mostrar empiricamente  os átomos ou matérias que compõe cada um. Porque suas raízes não estão no plano imanente e não se limitam na esfera terrena. A amizade, assim como todos os outros sentimentos próprios do espírito, está para além do homem e é oriunda de Deus.

Antes de se manifestar o sentimento da amizade em nós nos primeiros contatos e relações humanas de nossa existência, Deus já era “todo Amor”. Ele já era “todo Amizade”, assim como os diversos atributos e características de nosso Senhor.
Tanto que, o termo "amigo” no hebraico (rêa), além de significar “companheiro”, “irmão” e “próximo”, significa também “amante”, “marido”. É um substantivo masculino que significa outra pessoa, ou faz referência à outra pessoa no sentido de alguém que completa ou alguém que se identifica.

A partir dessa noção, podemos aprender que: Deus elegeu um povo para chamar de amigo. Para estar próximo em profunda comunhão. Para ser irmão que tem a conotação de união pelo mesmo sangue (no caso, reconciliação pelo poder do sangue de Jesus Cristo).  Deus escolheu nos amar. Ele nos amou primeiro. Vendo nossa condição depravada, Ele olhou para nós com olhar de misericórdia e quis – em sua soberania – nos chamar de amigos. Sendo que Ele mesmo providenciou esse recurso através de Cristo que, por inefável amor, se doou em sacrifício por exatamente nos amar e desejar com imensurável afeto nos chamar de amigos.
Jesus é nosso amigo maior e melhor. Prova de amizade maior que a que Ele mostrou não há!
Deus nos resgatou para a vida para voltarmos a sermos parte dele em espírito, pois dEle viemos. Ele não precisa de nossa amizade. Somos prescindíveis para Deus, mas Ele é imprescindível para nós.  Nós completamos Deus não no sentido que Deus é incompleto sem nós. Não! Mas no sentido de fazermos – agora – parte do Corpo espiritual de Jesus na Terra. Somos membros do Corpo de Cristo porque Deus nos amou. Somos parte de Cristo e co-herdeiros com Ele porque Ele nos amou primeiro. Por nós mesmos jamais conheceríamos o esplendor de sua glória e a eficácia de sua amizade e, tampouco, o seu companheirismo diário pela comunhão no Espírito Santo.

No Novo Testamento, existem algumas expressões que definem “amor” e “amizade”, mas chamo atenção para duas em especial. Convido você a abrir sua Bíblia em João 21: 15-17.

Ali, Jesus tem uma conversa especial com Pedro.  Ele faz para o mesmo três perguntas que, a princípio, parecem meras repetições, mas não são.
Nas duas primeiras perguntas “amas-me”, Jesus se apropria do termo “agapao” de ágape. Jesus falava de um amor majestosamente grande que tinha uma conotação que estava para além das condições emocionais e, talvez, espirituais de Pedro. Mas o amor ágape não depende de um tipo de reciprocidade. Jesus fez a pergunta a Pedro não esperando dele a mesma intensidade de amor. Ele apenas perguntou (por duas vezes) se Pedro o amava a ponto de apascentar suas ovelhas. Jamais amaremos na mesma intensidade de nosso Senhor. Nossa natureza não nos permite isso, mas podemos amar muito a Deus e mostramos esse amor (verdadeiro) quando reconhecemos que somos dependentes dele e quando realizamos sua obra. Quando nos dispomos ao serviço, Deus se agrada e nos chama de amigos e não mais servos simplesmente.

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco” (João 15:15)

Amizade se manifesta no cuidado. É entrega. É serviço. É disposição para ouvir, acolher, receber, caminhar junto.

Amizade é suportar um ao outro (dar pleno suporte). É se alegrar e se entristecer seja quais forem as circunstâncias.

Mas a terceira pergunta de Jesus a Pedro foi bem mais pontual, pois o termo empregado foi “phíleo” que já traz a idéia de um amor recíproco. Um amor de relacionamento. Um amor de compromisso. Um amor de entrega. Um amor de devoção.

Phíleo é a palavra grega que significa também AMIZADE. Dela se tem a palavra “filantropia”.
Talvez Pedro se entristecera ali porque não tinha condições reais de manifestar com seu corpo, sua alma e seu espírito essa amizade. Talvez se sentisse aquém desse importante pacto. Mas ele queria, estava disposto a dizer sim ao Mestre, pois o Senhor já havia mostrado o seu grande amor primeiro no gesto do sacrifício.

Amizade não significa ser perfeito ou ser melhor em tudo diante do Senhor, diante da família, diante da igreja e diante do amigo íntimo. Não! Ser amigo é estar disposto a dizer sim. Mesmo nas falhas e mazelas próprias de nossa natureza. Ser amigo é dizer sim, mesmo dizendo não quando for preciso. Aliás, dizer não ao amigo para preservá-lo, às vezes, significa dizer sim, pois o não no Senhor é sim para a vida em crescimento na graça e no conhecimento da vontade de Jesus Cristo. Falar o que precisa ser dito ao amigo, ao irmão e ao próximo é dizer sim para a benção do Senhor sobre sua vida.

A amizade é um presente de Deus. A Igreja não se fortalece e não cresce se não houver amizade entre os irmãos. Amizade é suporte que cada um dá ao outro em constante amor, zelo, carinho, cuidado, repreensão, oração e ensino.

O amigo, então, é dádiva do céu, pois a amizade é um sentimento que revela também o amor de Deus por nossas vidas. Seu amigo (ou seus tantos amigos de verdade) são o cuidado de Deus para com sua vida.

Na hora da adversidade, o amigo é combatente e Deus é fortaleza. No momento da alegria, o amigo é participante e Deus é louvado.

Louvo a Deus pelos meus verdadeiros amigos, começando por minha esposa, meus pais e familiares e pelos meus novos amigos que tenho encontrado nessa nova etapa de minha vida.


Gabriel Felipe M. Rocha

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Não ultrapassemos o Evangelho de Jesus Cristo, pois, é o poder de Deus para todo que crê

DEVOCIONAL DO DIA: Não ultrapassemos o Evangelho de Jesus Cristo, pois, é o poder de Deus para todo que crê

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé
(Romanos 1:16-17);

Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema (Gálatas 1:6-9);

Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo (Gálatas 1:12);



O apóstolo Paulo, nos textos bíblicos acima, mostra uma enorme preocupação ao mostrar que o Evangelho de Jesus Cristo é o poder de Deus, dádiva de Deus, Boa Notícia da graça e Revelação de sua Glória em Jesus Cristo, portanto, o Evangelho – era pregado por Paulo e ensinado em suas cartas – como poder de restauração e redenção para TODO o que crê no Nome de Jesus.
Ou seja, o Evangelho não poderia ser transtornado. Como assim? Não poderia ser modificado, pois não era tarefa do Espírito Santo assim fazer, pois o mesmo Espírito Santo havia sido enviado para ser Consolador da Igreja, Intercessor da Igreja, guia e luz da Igreja e, sobretudo, a tarefa do Espírito Santo era CONSOLIDAR A OBRA DE REDENÇÃO DO PAI e não ditar (ou revelar) um “outro evangelho”. Por isso a repreensão de Paulo para os que tentavam impor costumes, cargas, legalismos e dogmas na Igreja de Jesus Cristo, transtornando o Evangelho como ele era. Paulo falava com convicção sobre isso ao alertar a igreja da Galácia, pois ele (Paulo) sabia que a tarefa do Espírito Santo era de aperfeiçoar seu ensino  no seio da igreja e não revelar “doutrinas novas”. A ênfase da Evangelização era “Jesus vive” ou “o que foi morto, ressuscitou” e nem por isso o Espírito Santo “ditou” novas doutrinas para “esse tempo profético”. Não! O Evangelho é um só!
Assim, Paulo deixa bem esclarecido: “recebi esse Evangelho que vos ensino pela revelação de Jesus Cristo e não foram homens que me ensinou sobre o mesmo” (Gálatas 1:12). Ele deixava claro que o Evangelho, assim como foi com os dozes apóstolos e como estava sendo com ele, veio de JESUS CRISTO e não de grupos religiosos específicos, não da Lei judaica, não dos fariseus, etc. O mesmo Evangelho que os apóstolos receberam e que foi aperfeiçoado na era apostólica (onde se formou a Bíblia) foi Evangelho que Paulo também recebeu. Por isso, embora haja diferenças entre as igrejas mencionadas nas cartas do Novo Testamento, havia a UNIDADE do ESPÍRITO SANTO entre elas, pois o ESPÍRITO SANTO era o MESMO. O ensinamento do Evangelho tinha a mesma essência, embora ensinado de forma diferente por Pedro, Tiago, João, Paulo, etc. Como a igreja devia orar já estava estabelecido. Não existia formalismo, frases que tinham de ser ditas antes, etc. Havia o ensinamento espiritual de como orar, para quem orar, ter fé para orar e orar em NOME de Jesus. Assim como o Evangelizar: existia o ensinamento de como fazer, como ser dependente do Espírito Santo nessa missão, etc. Portanto, não criava-se modismos, usos e costumes. Não havia partidarismo. Não havia uma igreja que se dizia “melhor” que as outras. Cada uma tinha vantagens e problemas diferentes. A igreja de Corinto mesmo tinha vários problemas que precisaram ser corrigidos por Paulo na primeira carta aos coríntios, no entanto ela também tinha suas vantagens. Assim era com a de Éfeso, a de Tessalônica, etc. Não surgia ali apóstolos ou discípulos que largavam a tradição apostólica para formar outro grupo (seleto) em nome de uma “nova revelação”, mas havia uma unidade firme no mesmo Pai, no mesmo Senhor, no mesmo Espírito, na mesma fé, no mesmo batismo, etc.
Muitos pensam que Unidade é fazer tudo igual e nos mínimos detalhes. Chegam até a dizer que se alguma outra igreja não fazer um culto, ou uma oração, ou pregar  a Palavra da mesma forma, está “fora do projeto” como se realmente Deus tivesse selecionado grupos denominacionais para chamar de “minha igreja preferida”. Veja em Apocalipse que, Jesus, quando aparece para as sete igrejas da Ásia, ele vê situações diferentes,  elogia totalmente duas, repreende outras cinco e apenas uma deixa apenas repreensão. No entanto, Ele aconselhou todas, porque amava todas e, embora seu ensinamento para elas foi diferente para cada ocasião, seu ensinamento tinha uma unidade. Era a Sã Doutrina. Talvez você que está lendo esse texto, pertence a uma igreja diferente da minha, mas se você tem o mesmo Pai, é servo do mesmo Senhor, tem sobre si o mesmo Espírito Santo e, portanto, o mesmo batismo e fé, você é meu irmão em Cristo. Somos de um só Corpo, pois o Corpo de Jesus não é minha igreja e nem a sua, mas somos nós juntos. Eu lá com os meus e você lá com os seus, mas todos olhando para o mesmo alvo e andando no mesmo caminho. Diga não ao sectarismo religioso!

Portanto era essa a preocupação de Paulo. Entre os gálatas estavam alguns legalistas que, tendo deixado a religião judaica, tentavam impor ainda os costumes judaicos nas igrejas de Cristo, transtornando assim o Evangelho. Isso continua acontecendo quando alguns tentam impor normas, conduta de pseudo-santidade, ensinamentos secundários ao Evangelho, etc. Esses são tão legalistas quanto. Esses vigiam os irmãos para terem com que acusar, são falaciosos, paroleiros, religiosos, gostam de acusar, amam cobrar, etc. Mas será que cumprem o Evangelho de Jesus em sua essência? Ao lerem os Evangelhos não sentem vergonha ao perceberem que a atitude de nosso Senhor é totalmente oposta às suas? Eu leio e sempre sou confrontado, pois sempre existe algo que percebo (graças a Deus) que precisa ser mudado e vou aos pés do Senhor!

O Evangelho de Jesus Cristo, portanto é: O PODER DE DEUS PARA TODO O QUE CRÊ. Se o Evangelho é poder, é porque o Espírito Santo opera a fé. E a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Assim, o Evangelho gera fé, gera transformação e redenção. Portanto, é o poder de Deus para salvar aquele que nele crê. Se ele é poder de Deus, é porque o Espírito Santo realiza a mesma obra em cada crente pela fé. Não existem “obras diferentes”. Existe a Obra do Espírito Santo e as Obras das trevas (na qual a obra humana se inclui). Assim, o Espírito Santo realiza a mesma obra em cada crente nos quatro cantos do mundo. A fé, o poder, a redenção e a Obra do Espírito santo não pertencem a grupos religiosos específicos, mas à graça do Pai, pela morte e ressurreição do Filho e pelo poder do Espírito Santo! Não transtornemos isso! Está já avisado! Seja anátema!
Hoje a igreja tem a Bíblia formada. A Verdade se revela nela. Ela, acima de qualquer dom espiritual, é a referência única da Igreja. Somente a Bíblia é nosso manual de conduta, fé, regra e prática. O que ultrapassa seus ensinamentos deve ser refutado. O Espírito santo dá todo o entendimento espiritual sobre a mesma em contínua inspiração e iluminação (revelação), mas seu conteúdo essencial jamais pode ser modificado. No máximo, pode ser contextualizado, pois estamos num tempo histórico diferente, mas o tempo profético é o mesmo: a dispensação da graça até a vinda de Cristo. Não existem novas doutrinas, mas existe a Sã Doutrina revelada em suas páginas cuja iluminação do Espírito Santo nos revela a Cristo.

Que assim possamos amar o Evangelho de Jesus Cristo, a ele ser fiel e, dessa forma, estarmos TODOS preparados para contemplar nosso Senhor, irrepreensíveis em sua vinda.

A paz de nosso Senhor Jesus! Amém!


Gabriel Felipe M. Rocha