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domingo, 7 de junho de 2015

Por que sou presbiteriano?

Por Que Sou Presbiteriano? (1)

Leitura Bíblica: Romanos 13:8-10, Marcos 2:18-22
Ninguém põe vinho novo em odres velhos...” (Marcos 2:22)

Eu, Gabriel Felipe M. Rocha, casado com Bianca Skov e pai de Mariana Skov Rocha, sou presbiteriano por alguns motivos. Quero falar disso, mas, antes, preciso explicar que o fato de dizer em uma postagem os "por quês" de ser presbiteriano não implica um orgulho denominacional, mas sim uma decisão que se tornou necessária.

Converti-me pela mensagem do Evangelho em uma igreja neopentecostal denominada de “Igreja Cristã Maranata”. Ali eu ouvi a mensagem do Evangelho e irresistivelmente eu me converti a Cristo. Nutri por muito tempo um enorme apreço por essa igreja. No entanto, eu também estudava a Escritura e me desenvolvi na área dos estudos bíblicos. Bem, por muito tempo estive cego em relação a algumas coisas ali dentro. Entretanto, eu tinha o meu Senhor e era a Ele que sempre procurei agradar, mesmo praticando alguns enganos que a religiosidade (tão forte na referida igreja) exigia. Todos os meus testemunhos e experiências foram com o Deus da Palavra e não o “deus encaixado” de uma igreja tão sectária, cheia de religiosos e fariseus que até hoje desconhecem a graça do Eterno Deus.

Os estudos bíblicos foram suficientes para que eu percebesse alguns erros graves dentro de um sistema religiosos cheio de máculas, engano, heresias e escândalos. Num momento de maturidade, eu comecei a questionar algumas coisas. Bem, como em toda igreja neopentecostal, que tem um líder supremo, que carrega um conjunto dogmático impregnado de conceitos exclusivistas, que se baseia em uma “nova e exclusiva revelação”, experimentalismos e pseudo “dons” (subjetivos) e que tem uma cosmovisão do Evangelho bastante equivocada, não podia dar em outra: entrei em atrito com algumas pessoas. Aliás, não se pode pensar dentro dessas igrejas.

A gota d’água veio na cidade de Santa Luzia –MG, quando estava já no processo que eles chamam de “morte espiritual”, mas que para mim significou em vida e avivamento. Antes de questionar abertamente alguns pontos doutrinários amplamente subjetivos e exclusivos (o que caracteriza u sistema religioso sectário), eu comecei a ter problemas com alguns religiosos ali dentro. Bem, eu – em toda minha caminhada cristã dentro da referida denominação – nunca havia me envolvido com nada grave (e louvo a Deus por isso) e nunca me envolvi com escândalo algum. Certamente eu tive meus problemas como jovem, mas nunca coloquei em minha “conta” problemas sérios. No entanto, em Santa Luzia conheci pessoas boas, mas outras totalmente problemáticas. Tive uma péssima experiência, por exemplo, com um famigerado, de má fama, com fama de “doido” até mesmo entre os membros da igreja que frequenta. Cheio de escândalos nas costas e hoje com sérios problemas familiares. Tive problema com um outro (da mesma laia) em uma igreja menor. Esse segundo chegou a dizer que não podemos falar da liderança da referida igreja porque "eles pagaram um preço por nós" (que heresia! Que desconhecimento da graça salvadora...). O mesmo desloucado chegou a afirmar que "a obra é o alimento". Isso, sem falar das tantas "revelações" que o mesmo apresentava nos cultos cheias de deduções humanas e que passavam no crivo questionável do 2x1 ou 3x0 da prática de bibliomancia. Tive que sofrer com a “fiscalização”, inveja e astúcia dessas cobras por algum tempo. No entanto, as pessoas podem olhar para mim e para minha família hoje e podem olhar para meu sucesso acadêmico e perspectiva profissional e perceberem que a verdadeira e sadia fé, geralmente, é acompanhada por favores do Altíssimo, o que gera um testemunho pessoal a ser contado.

Bem, a coisa ficou séria, quando lá dentro resolvi falar mais abertamente sobre minha fé bíblica e a refutar aquilo que entendia como engano. Como não se pode pensar na referida seita e, tampouco, questionar o líder supremo e os supostos “dons do presbitério”, fui perseguido. Reuni com pessoas em minha casa, logo denunciaram: “ele quer abri uma igreja...”; “quer fazer um movimento...”, etc. Ah! Rolos, fariseus e religiosos cegos! Quis somente reunir com irmãos que não estavam se sentindo alimentados dentro de uma igreja, cuja pregação não passava de uma devoção à “obra filha única” como os heréticos ali dentro amam dizer. Mas, não demorou muito e eu – depois de um mês de oração com minha esposa – resolvi sair e hoje somos presbiterianos.

Sobre a seita neopentecostal que frequentei, veja mais em:








Mas, por que hoje sou presbiteriano?

Um ano antes de começar a questionar os enganos e algumas heresias da igreja neopentecostal (Igreja Cristã Maranata), eu estava estudando sobre as doutrinas da graça, quando conheci a fé reformada. A princípio, eu achei a doutrina reformada bastante confrontadora, pois eu tinha a orientação arminiana (por causa da I.C. Maranata) e, como todo bom arminiano, eu cria que o homem é quem escolhe se quer ser salvo ou não, o homem resiste à vontade soberana de Deus, que Jesus morreu por todos, mas todos não serão salvos e, portanto, seu sacrifício foi insuficiente para salvar todos (se essa era a vontade divina), etc. No entanto, fui estudando... Resolvi focar mais na leitura bíblica! 

Pronto! Não é que as doutrinas da fé reformada s encaixavam perfeitamente com a hermenêutica bíblica completa? Percebi que a orientação calvinista era a que melhor interpretava a Bíblia. Então passei a estudar mais sobre a igreja presbiteriana, assim como outras tantas que confessam e fé reformada. A maioria delas, assim como a presbiteriana, está fora do contexto de escândalos e têm uma estrutura doutrinária sólida. Não era como na porta larga do pentecostalismo e do neopentecostalismo.  

Vi pela primeira vez uma igreja que se baseia totalmente na Palavra e prcebi o quanto eu era confrontado com a mensagem bíblica.  Percebi que o avivamento se dava pela pregação da Escritura e não por experimentalismos subjetivos. Entendi que os dons espirituais existem numa aplicação bíblica e perfeita e tal aplicação se encaixava bem com a hermenêutica bíblica. Percebi que o verdadeiro cessacionismo não implicava na crença de que não existem os dons, mas na crença de que os dons revelacionais não têm mais seu lugar na direção da igreja. E entendi que isso não implicava dizer que eles não existem.

 Tanto, que vi que em muitas igrejas presbiterianas do Brasil (IPB) tem a confessionalidade dos dons carismáticos, porém, sem ultrapassarem a centralidade da Escritura. Minha igreja mesmo (Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte) é uma igreja que coloca em prática e incentiva os dons espirituais. Contudo, a Bíblia é a base e não as tantas e perigosas “revelações”. Entendi que o batismo infantil, na verdade em nada difere da apresentação da criança e da consagração da mesma diante da congregação e que a mesma criança será acompanhada pela igreja (o que não acontece nunca na igreja onde eu estava) até a fase jovem onde fará a profissão de fé pública (que é a mesma proposta objetiva do batismo). 

Entendi que existe o batismo adulto por aspersão, sendo que a Bíblia dá margens para três tipos de batismos nas águas, sendo a proposta a mesma. Bem, entendi muita coisa. 

Porém, mantendo o velho e sadio hábito de verificar na Escritura se essas coisas eram mesmo assim. Diante disso, fiquei na presbiteriana e lá vivo aquilo que não vivia antes, a saber, um Evangelho sem retoques humanos. Um Evangelho com ousadia! Um Evangelho com Bíblia! Um Evangelho com frutos! Um Evangelho que confronta e nos convida à santidade, pois a segurança de nossa eleição e salvação se atesta na vida que é santa. Meu maior arrependimento em relação à igreja hoje é: não ter saído a mais tempo de onde estava!

Vejo que alguns “meninos em teologia” que frequentam a sinagoga neopentecostal que um dia eu frequentei (Igreja Cristã Maranata) estão tentando difamar a boa e reconhecida imagem das Igrejas Presbiterianas do Brasil. Bem, esses fazem isso para tentar colocar a IPB no mesmo patamar sujo e manchado de sua denominação. Falam de "calvinolatria", mas se esquecem que a nossa centralidade e fundamentação não é Calvino, mas sim a Palavra, sendo toda a nossa doutrina justificada e passada pelo rigoroso crivo das Escrituras. Aliás, as igrejas presbiterianas têm a Confissão de Fé de Westiminster como modelo pragmático de fé, depois (bem depois) das Escrituras e não Calvino. Calvino foi um exemplar teólogo. Foi um homem do seu referido século. Fez coisas naturais e comuns em relação ao seu século. Foi um homem! Portanto, não temos o objetivo de defender a santidade de J. Calvino, pois foi um homem... Contudo, Calvino não foi o líder primaz e supremo das igrejas reformadas, ao contrário de algumas lideranças torpes, manchadas e sem exemplos que não largam o “trono” de suas denominações (mesmo cheios de escândalos em suas vidas). 

Calvino não era dono de igreja e nem “papa” de Genebra (aliás, respeitem a bela história de Genebra). Alguns por aí, são donos da denominação e a interpretação doutrinária altamente subjetiva desses é que compõe o contexto eclesiológico de seus grupos, como é o caso da igreja onde frequentei. Grande parte do conjunto doutrinário da fé reformada não veio de Calvino, mas sim de vários teólogos. 

Para esses, ser presbiteriano ou pertencer à fé reformada é "passar pela porta larga". Tolos! mal sabem eles que "porta larga" é o que eles vivem. Diante das sólidas doutrinas da graça, da eleição e diante da pregação expositiva das Escrituras, tem como estar em uma "porta larga"? Um Evangelho que confronta e que convida à santidade no verdeiro entendimento da graça pode ser chamado de porta larga? Ah! Já sei! É porque nós não nos prendemos em usos e costumes como eles. Não costumamos criar e inventar regras onde a Bíblia não não se posiciona. A Bíblia fala do pecado do excesso da bebida da mesma forma que fala do excesso da comida. Qual é o maior pecado em ambos os excessos? O excesso! Nos chamam de "liberais", mas creio que eles desconhecem o sentido de liberalismo. Não somos liberais. Apenas não somos fariseus cegos! Cremos na ação do Espírito Santo e na transformação de toda a vida humana (em todos os aspectos), sendo a interioridade humana a mais importante, pois a genuína transformação e regeneração interior produz bons frutos no exterior e tais frutos não é calça longa, sai, etc. 


Portanto, falar dos presbiterianos e de Calvino pela perspectiva pentecostal e neopentecostal é aceitar a falácia... A falácia de quem não tem sequer bons exemplos para dar....


Vamos ao texto:

Por Que Sou Presbiteriano? (2)
Não sei dizer por que sou presbiteriano... Às vezes é o que se ouve em face da dificuldade que o afanoso meio religioso tem para responder às questões que ninguém ainda formulou...

Se hoje eu pudesse ter certeza de algo isso seria que muito poucas pessoas acordaram com essa pergunta em mente: “Porque ser presbiteriano?”

Estamos diante de um momento interessante e crítico para as denominações religiosas neste país. São elas um anacronismo, fenômeno emergido em uma outra situação histórica particular e que agora necessita desaparecer? Ou, são elas de valor permanente? Há alguma coisa no Presbiterianismo, Metodismo, Luteranismo que justifique a necessidade de serem preservadas e merecerem celebração?

Não sem propósito que trago este assunto.


Com muita alegria e honra sou presbiteriano! Sou presbiteriano porque esta denominação está SOB AUTORIDADE DA BÍBLIA e não sob A AUTORIDADE DE UM LÍDER HUMANO. II Pedro 4.16-21
Por que sou? Porque preciso pertencer a uma igreja que creia na SOBERANIA eterna de Deus, antes de crer no poder falível da INSTITUIÇÃO humana. Prov. 20.24; 16.4
Sou presbiteriano pelo fato de que nesta igreja não dependo de minhas forças, nem de sacrifícios pessoais, nem de meu livre arbítrio para ser salvo. Apenas sou alvo da GRAÇA de Deus que me escolheu, justificou , regenerou, santificou e selou para salvação eterna. João 10.27-29
Sou sim presbiteriano e porque não seria? Pois aqui, com muita alegria nos reunimos não para negociar bênçãos com Deus, mas para adorar com alegria e gratidão pelo fato de já sermos curados, abençoados e escolhidos por Deus! Rom. 839,39
Sou presbiteriano porque não aceito manipulação e coerção psicológica e emocional sobre a formação e educação religiosa de meus filhos, e aqui a formação é desenvolvida em quatro níveis essenciais ao ser humano, a saber: uma formação biopsicossocial e espiritual. Prov. 22.6
Sou presbiteriano porque minha natureza exige de mim mesmo pertencer a uma igreja que saiba de ONDE VEIO – ONDE ESTÁ E PARA ONDE VAI nossa denominação é herdeira de 500 anos de história, onde olhamos para o passado e sabemos de onde viemos, quando olhamos para o presente sabemos onde estamos e ao olharmos par ao futuro, podes crer, sabemos para onde vamos. II Pd 9-13
Por fim, sou presbiteriano porque sou um ser criado à imagem e semelhança de Deus, para andar na LUZ – e por isto sou inteligente! A inteligência leva-me necessariamente a escolher uma Denominação inteligente que promova a LUZ. Denominação que seja iluminadora e construtora de seres iluminados, que buscam valores eternos, onde jamais existirá espaço para ações inibidoras e alienadoras na formação e desenvolvimento integral do ser humano. Gen. 4.26; I João 4.5-7



O QUE É, DE FATO, SER UM PRESBITERIANO?
             
                                             
O que é o presbiterianismo? O que é uma Igreja Presbiteriana? Por que sou presbiteriano? Será que sou presbiteriano? O que é ser presbiteriano? Estas são as perguntas que precisamos responder para começarmos a entender a nossa igreja, a nossa doutrina e a nossa liturgia.
            É triste notar que muitos membros de nossas igrejas não conhecem o tesouro que possuem; e assim, acham que o cobre reluz mais que o ouro. O presbiterianismo é um ramo do cristianismo que tem muito a nos oferecer no entendimento correto das Escrituras. O presbiterianismo é “uma forma diferenciada de cristianismo”[1], esta é uma declaração inegável a ponto de um pastor tecer palavras similares ao dizer: “Quem conhece o presbiterianismo, não sai dele”[2].
            Conheço muitas pessoas que são presbiterianas desde a sua infância - são presbiterianos por tradição. Conheço outras que se tornaram presbiterianas - saíram de suas igrejas e vieram para a Igreja Presbiteriana; o curioso é que muitas vieram por questões de doutrina, outros por afinidade, outros por julgarem ser esta  a igreja dos intelectuais e coisas do tipo. Todavia, existe um terceiro grupo de pessoas que são presbiterianas que são aquelas que foram convertidas através da pregação de algum pastor presbiteriano e decidiram fazer parte desta igreja. Em qual tipo de pessoa você se encaixa? Deixe-me ajudá-lo a saber que tipo de presbiteriano você é!

I - O QUE SIGNIFICA SER PRESBITERIANO:

            Depois de olharmos negativamente a questão, vejamos ela de forma positiva, ou seja, o que de fato significa ser presbiteriano?

2.1 - Compreender e aceitar o governo da Igreja.

            Você já se perguntou por que a Igreja se chama presbiteriana? A resposta está ligada a quem dirige e governa a Igreja. Alguém já deve ter perguntado a você “quem manda na sua igreja?” E talvez a resposta que tenha saído de sua boca tenha sido “o pastor”, mas esta resposta não toda a verdade. A questão que lidamos é quem deve governar a Igreja. Três propostas são oferecidas pela história da Igreja:
1 - O Bispo = o Sistema Episcopal diz que o bispo que não é eleito pela igreja deve ter a primazia nas decisões referentes à Igreja.
1        - O povo = O sistema Congregacional ou Independente, todo o povo governa e manda na igreja.
2        -  Os Presbíteros = O sistema presbiteriano diz que alguns governam sobre todos.
O sistema episcopal diz que o bispo e maior que o presbítero, todavia, a Escritura nos ensina que essa distinção não é verdadeira: Atos. 20.17,28.
Note: De mileto mandou chamar os “Presbíteros de Éfeso” (vs.17) - observem o termo plural na Igreja local deve haver mais de um presbítero; esses presbíteros são chamados debispos (supervisores) e que possuem a função de pastorear o rebanho de Deus (vs.28).
A)    A Igreja do Novo Testamento era governada por presbíteros (Atos 11.30).
B)    A Igreja do Novo Testamento promovia eleição de vários presbíteros para uma mesma igreja (Atos 14.23)
C)    Problemas em uma igreja local deveriam ser resolvidom em concílio de presbíteros (Atos 15.2,4,6,22,23)
D)    As decisões destes presbíteros devem ser acatadas (Atos.16.4).
E)     Existem dois tipos de presbíteros: 1) os regentes; 2) os docentes (1 Timóteo 5.17).

2.2 - Compreender e aceitar a doutrina da Igreja.

            A nossa doutrina é um dos pontos que mais nos cativam dentro da igreja presbiteriana. O nosso sistema de doutrinas é conhecido na história como sistema reformado de doutrinas ou Calvinismo.
            A igreja presbiteriana é uma igreja reformada que nasceu na reforma protestante na cidade genebra e na Escócia. Em Genebra o seu líder foi João Calvino e na Escócia o seu líder foi João Knox. Posteriormente a doutrina da Igreja Presbiteriana ficou conhecida comoTeologia Reformada  ou Teologia Calvinista.  Que podem ser estruturadas em cinco pontos. Nós iremos ver um após o outro.

II - O PRESBITERIANISMO E TOTAL DEPREVAÇÃO DO HOMEM - O PRIMEIRO PONTO DO CALVINISMO.

2.1  o que significa a depravação total do homem?

A nossa Confissão de Fé declara o seguinte:

“II. Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma.  IV. Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as transgressões atuais. ”[3]
Esta depravação inclui todo  o ser humano seu coração tornou-se maligno, perverso e incapaz de fazer o bem para a sua salvação.

2.2  - A Depravação Total segundo a Bíblia:

Nós como crentes bíblicos ensinamos que o homem não possui livre-arbítrio. Há igrejas que defendem que o homem é livre para escolher ir para o céu; todavia, a Bíblia nos ensina algo totalmente contrário a isso. Vejamos:

1)      Desde a queda de Adão no Éden o homem possui uma natureza pecaminosa e morreu em seus pecados, por isso, é incapaz de fazer o que é bom. A Bíblia ensina de forma clara: Gn.2.17 - “no dia em comerdes certamente morrerás” um morto tem vontade livre? Pode escolher alguma coisa?. Agora observe o texto de Efésios 2.1-3: este texto nos mostra que o pecador  está “morto em delitos e pecados”, sendo “objeto da ira de Deus”  que precisa ser  vivificado por Deus, e isso só ocorre pela graça soberana do Senhor (vs.8-10). Seguindo para o salmo 51.5 e 58.3 vemos o que é o homem desde o ventre materno; o homem precisa ser nascido do alto - dos céus (João 3.1,3) porque encontra-se morto em seus pecados.

2)      Sendo decaídos, o coração e a mente  do homem são pecaminosos: O profeta Jeremias declara isso de forma clara no capítulo 17.9. Aqui vemos que o coração do homem é “desesperadamente corrupto” é enganoso e completamente corrompido pelo pecado. Ninguém pode sondar a si mesmo, a menos que Deus o faça soberanamente (vs.10). Em Efésios 4.17-19  somos introduzidos ao conceito de que a queda e o pecado afetaram todas as constituições do homem sua mente e seu coração estão entenebrecidos.
3)      Esta depravação torna o homem em escravo do pecado: Jesus declarou isso de forma categórica em Jo.8.34,44; em 2 Timóteo  2.25-26 temos uma descrição desta prisão que homem tem em pecado, ele não possui nenhum livre-arbítrio para se libertar do pecado que sempre está em sua natureza.
4)      Os homens em pecados entregues a si mesmos são incapazes de fazer o bem, logo a  livre vontade é uma ilusão: O profeta Jeremias diz exatamente isso em 13.23 e Mateus ensina que homem não pode mudar sua própria natureza no capítulo 7.16-18.


Ver também: Por que sou presbiteriano (em oito tópicos)








Comentários e textos de:

Prof. João Ricardo Ferreira de França.


John M. Buchanan

Uma exegese de 1 Timóteo 4:10

Uma exegese de 1 Timóteo 4:10

SÍNTESE CRISTÃ

Refletindo sobre a Escritura, a fé e a conduta cristã!

“Pois para isto é que trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.” (I Timóteo 4.10)
Em I Timóteo 4.10, Paulo está exortando Timóteo que a sã doutrina e a piedade persistente deveriam ser o impulso de nossa vida por causa da esperança do Deus vivo — nesta era e na por vir. Nós deveríamos estar confiantes em nossos credos e ética por causa da certeza da salvação. Paulo introduz o verso 10 com o indicador inferencial eis touto gar (pois para isto), seguido pela conjunção hoti (porque), que destaca seu ponto principal: “temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.” Seu ponto principal é corroborado pelo seu uso do tempo perfeito ēlpikamen (temos posto a nossa esperança), que define esta ação. É interessante que o único outro exemplo de um tempo perfeito nesta seção imediata é encontrada no verso 6:
“Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, nutrido pelas palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido (parēkolouthēkas)” – I Tm 4.6
Este é um termo incomum no novo testamento, usado apenas quatro vezes (Mc 16.17; Lc 1.3; I Tm 4.6; II Tm 3.10). No contexto de seguir uma crença ou prática, este termo significa “prestar atenção especial, seguir fielmente.” Em outras palavras, para Paulo, seguir a sã doutrina não é sobre uma afirmação estática das declarações credais em papel — é uma ativa, consciente e envolvida adaptação. (Paulo não teria nada a ver com uma “declaração de fé” ambígua de igreja!)
De volta ao verso 10. Na próxima declaração, o que se entende por “que é o salvador de todos os homens, especialmente dos que creem”?
Muitos crentes modernos leem isto com a hipótese de que Cristo veio a terra com a intenção de morrer por cada indivíduo que já viveu; por isso, “que é o salvador de todos os homens”. Mas só aqueles que creem terão sua expiação aplicada aos seus pecados; por isso, “especialmente os que creem.” Portanto, muitos leitores modernos, especialmente arminianos, acreditam que este verso mina qualquer noção de redenção particular e eleição, que é afirmada na teologia reformada.
Porém, nós deveríamos examinar mais que uma leitura prima facie deste verso e fazer a nós mesmos algumas perguntas. Há uma conexão teológica entre “o Deus vivo” e seu qualificador “que é o salvador de todos os homens”? O que “todos os homens” significa aqui para Paulo? Significa todas as pessoas sem exceção ou distinção? E mais importante, como Deus pode ser o salvador daqueles que não creem? Ou há algum outro elemento que tem escapado à nossa atenção?
Uma leitura universalista deveria ser excluída desde que contraditaria o ensino inequívoco de Paulo em seu corpus de que muitos perecerão eternamente.
Depois, a interpretação arminiana lê demais nesta declaração, “salvador de todos os homens”, com duas suposições: (1) que o termo “salvador” deve significar “possível salvador” e (2) ele denota “cada pessoa individual.”
Mas se Cristo morreu por todos os pecados, então não há base para ele punir ou condenar qualquer pecador para a perdição; fazendo assim do arminiano um universalista inconsistente. Que base há para punir o mesmo pecado duas vezes: na cruz e no pecador. Não há nenhuma.
Além disso, o contexto aqui não afirma o que Paulo quer dizer por “todos os homens”. Ele poderia se referir a cada pessoa individual, ou ele poderia se referir a todos os tipos de homens. Mais cedo nesta mesma epístola, no contexto similar de salvação e todos os homens, Paulo deixa claro que ele está se referindo a “todos os tipos de homens”, não cada pessoa individual que já viveu no planeta terra.
Alguns intérpretes tem sugerido que Deus é o “salvador de todos os homens” em um sentido físico-preservador — se você quiser, um salvador de graça comum.” Então ele é um salvador espiritual, especialmente daqueles que creem.
Esta é uma interpretação improvável uma vez que não há nada neste contexto onde Paulo define “salvador” nestas duas formas diferentes. E mais, o v. 8b fornece um contexto soteriológico, “da vida presente e da que há de vir.” E no v. 10 a leitura natural é que Paulo usa o mesmo significado para “salvador” pela humanidade em geral, e crentes em particular.
A interpretação mais plausível deste verso é o que eu chamo de interpretação exclusivismo-monoteístico. O que Paulo está dizendo é que Deus (e por extensão Cristo como redentor) é o único salvador real no mundo, portanto a humanidade não pode encontrar outro salvador competindo fora do Deus vivo. Eles não têm outro salvador para o qual tornar.
Não é por equívoco que a frase “Deus vivo”, um termo que sugere monoteísmo está conectado com este verso. Esta frase é frequentemente encontrada no contexto de politeísmo (At 14.15; I Ts 1.9; Js 3.10; I Sm 17.26, 36; II Rs 19.4). Desde que há um único Deus que é vivo, há somente um salvador para a humanidade abraçar.
Também, nesta mesma epístola Paulo faz uma declaração exclusiva parecida que há um mediador da salvação para humanidade: “pois há um só Deus e mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem” (I Tm 2.5). Aqui Paulo conecta isto com a verdade do “único Deus” com apenas um mediador, antecipando o que ele diz dois capítulos depois.
Além disso, isto é similar a declaração exclusiva de Jesus:
“E disse Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai senão por mim” (João 14.6)
E na mesma linha, Pedro proclama:
“E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.” (Atos 4.12).
Para toda a humanidade só há um caminho, verdade, vida, pai, nome, mediador e salvador— especialmente dos que creem.
Finalmente, eu quero concluir com outra interpretação que é convincente. O termo para “especialmente” é malista. George W. Knight III argumenta que este termo aqui deveria ser traduzido “isto é”, funcionando assim como a explicação ou maior esclarecimento da frase anterior. A tradução seria como se segue: “que é o salvador de todos os homens, isto é, dos que creem.” Então esta interpretação não vê “aqueles que creem” como um subconjunto de “todos os homens”; em vez disso, “os que creem” identifica quem são “todos os homens”. Ele escreve:
“A frase [malista pistōn, “especialmente os que creem”] contém a mesma qualificação que Paulo e o NT sempre colocam para receber a salvação de Deus, isto é, “confiar” em Deus como o único salvador. Absoluto [pistōn] como usado aqui e em outro lugar no NT refere-se àqueles que creem em Cristo, isto é, os crentes… malista geralmente tem sido traduzido como “especialmente” e considerado como de alguma forma distinguindo aquilo que o segue daquilo que vem antes dele. Skeat [“especialmente os pergaminhos”] argumenta de forma persuasiva que [malista] em alguns casos (II Tm 4.13; Tt 1.10, 11; e aqui) deveriam ser entendidos como fornecendo uma melhor definição ou identificação daquilo que o precede e assim o traduz pelas palavras “isto é”. Ele cita vários exemplos das letras de papiro que pareceriam requerer este sentido e que em seus casos particulares excluiriam o sentido alternativo contrário. Se sua proposta estiver correta aqui, o que parece mais adequado, então a frase [malista pistōn] deveria ser traduzida como “isto é, os crentes”. Este entendimento também está em linha com a afirmação de Paulo de que todos os tipos e condições de homens estão em Cristo (mesmo às vezes usando [pantes]) e com sua insistência naqueles contextos que todos estão em Cristo e têm salvação pela fé (cf. Gl 3.26-28).” NIGTC, The Pastoral Epistles, 203–4.

Desmistificando o conceito de fé e profecias do neopentecostalismo

Desmistificando o conceito de fé e profecias do neopentecostalismo

SÍNTESE CRISTÃ

Refletindo sobre a Escritura, a fé e a conduta cristã!

2.4 TAMANHO DA FÉ
Em Mateus 13:32, Jesus diz que o reino de Deus é semelhante a uma semente de mostarda, que, apesar de pequena se transforma em uma grande árvore. Olhando essa passagem o ensino de Jesus fica mais claro: o reino de Deus parecia ser insignificante, mas assim como a semente de mostarda cresce e se transforma em uma planta que pode atingir 3 metros de altura, assim aconteceria com o reino de Cristo. Há 5 passagens onde Jesus cita o grão de mostarda, 3 delas são uma comparação com o reino e 2 com fé, mas em nenhuma delas existe a palavra “tamanho”.
Apesar de algumas traduções trazerem “tamanho do grão de mostarda” (NVI e NTLH), a Bíblia não diz que a nossa fé tem que ter tamanho, muito menos compara o tamanho da fé com o tamanho da mostarda. Tanto o texto de Lucas 17:6, quanto a de Mateus 17:20 no Grego (o idioma em que foram escritas) trazem o seguinte:
ει (Se) ειχετε (tiverdes) πιστιν (fé) ως (como) κοκκον (grão) σιναπεως (mostarda).
Se tiverdes fé como grão de mostarda.
Nas passagens sobre fé Jesus comparou o próprio grão de mostarda com a fé, não o tamanho dele. Jesus estava ensinando sobre a semelhança da fé e uma pequena semente. A semente parece pequena, parece pouca coisa, mas é só disso que precisamos para plantar e assim é a nossa fé!
Os discípulos pediram a Jesus para que Ele aumentasse a fé deles. Jesus dá uma resposta que deixa claro a irrelevância do tamanho da fé. Ele usa como exemplo comparativo uma pequena semente de mostarda. O poder da operação do milagre não está na fé, mas em quem a fé é depositada: Deus! Você pode ter uma fé do tamanho de um caroço de abacate; mas, se a sua fé está firmada no saci-pererê, ela não valerá de nada! Não terá efeito, porque o saci-pererê nada pode fazer por você. Se a sua pequenina fé, tão pequena quando um grão de mostarda, está firmada no Deus vivo, a história é outra. Deus tem poder para operar o milagre independente de sua fé. Vou repetir: Quem opera o milagre é Ele, não a sua fé! (André R. Fonseca) [1]
É comum vermos pessoas dizendo que estão orando com muita fé, enquanto na verdade estão apenas pedindo com muita vontade. Ao invés de pedirem pela vontade de Deus, imploram ao vento que suas vontades sejam satisfeitas. Afinal, orar com muita vontade é orar com fé? Isso nos leva ao próximo item.
2.5 ORAR COM FÉ
A Bíblia diz que a oração eficaz é a oração feita com fé. Mas o que é orar com fé?
Irmão, não confunda fé com pensamento positivo. Pensar positivo é algo ótimo, aliás, otimismo é ótimo! Mas isso no máximo é sobre esperança e não sobre fé. Orar com otimismo não é orar com fé! Na verdade o otimismo confundido com fé é algo muito prejudicial à vida de um cristão, isso se chama Confissão Positiva e é uma confusão antibíblica que vamos falar um pouco mais à frente, mas grave essa expressão e pesquise melhor sobre ela quando puder. Continuando:
Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1 Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem. (Rev. Augustus Nicodemus Lopes).[2]
A fé que a oração precisa ter está tão somente relacionada ao poder e à vontade do Pai, jamais ao desejo do coração do homem, independente de ser um desejo bom ou ruim. Ou seja, quando a Bíblia fala sobre orar com fé, ela está dizendo que a oração deve ser fundamentada no alcance do poder de Deus, mas não está dizendo que essa oração vai obrigar Deus te obedecer. Portanto, oremos com fé no poder de Deus e esperança de que Ele nos conceda a graça que precisamos!
A oração não muda as coisas, Deus é que muda as coisas através da oração. É nisso que você precisa crer: que Deus pode mudar as coisas conforme Ele deseje. Assim como a Graça é o meio pelo qual somos salvos, a oração é o meio pelo qual Deus opera certas bênçãos, e ambos os meios são eficazes mediante a fé.
Já sabemos que: 1) nossas palavras não tem poder especial; 2) gritar frases de efeito como “eu determino” ou “eu tomo posse” não tem força espiritual; 3) repetir as frases é vão; 4) pensar positivo não é ter fé; 5) orar com muita vontade de ser atendido não é orar com fé. Falta falarmos sobre profetizar.
2.6 PROFETIZAR
O que é profetizar? Será que estamos profetizando quando declaramos algo com vontade, desejo e força ou será que esse é um entendimento equivocado sobre profecia? Estamos levando em conta o que Deus disse sobre “profetizar falsamente em meu nome”?
A ideia de profetizar as coisas que queremos ao invés de batalhar por elas ou de simplesmente orar é algo tentador, mas antes vamos ler algumas passagens bíblicas para ponderarmos a respeito:
• “Eu não os enviei!”, declara o Senhor. “Eles profetizam mentiras em meu nome. Por isso, eu banirei vocês, e vocês perecerão juntamente com os profetas que lhes estão profetizando”. Jeremias 27:15
• Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal! (Mateus 7:22-23)
• Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo. Isso não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Portanto, não é surpresa que os seus servos finjam ser servos da justiça. O fim deles será o que as suas ações merecem. (2 Coríntios 11:13-15)
• Mas o profeta que ousar falar em meu nome alguma coisa que não lhe ordenei, ou que falar em nome de outros deuses, terá que ser morto”. Mas vocês perguntem a si mesmos: “Como saberemos se uma mensagem não vem do Senhor?” Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele.(Deuteronômio 18:20-22)
Por favor, me diga que leu com atenção esses versículos! Se não leu direito, leia-os novamente, amado!
Se você vive dizendo “eu profetizo” sempre que quer muito alguma coisa, me diga: o que você profetiza sempre se cumpre? Pense comigo, se alguma vez na vida você já profetizou algo que não se cumpriu com exatidão, você nessa situação foi um falso profeta. A Bíblia declara que quem profetiza falsamente merece a morte. Isso é muito sério. Se for seu caso, se arrependa e peça perdão ao nosso Deus, pois ele é fiel e justo para perdoar pecados.
Se você lê as passagens bíblicas sobre os profetas e pensa que tudo acontecia pela força da palavra deles, você está muito enganado.
Quando um profeta fala algo em nome de Deus, só pode ser duas coisas: 1) Ordem direta de Deus (palavras que o próprio Deus o mandou dizer); 2) Mentira do falso profeta (vontades do coração do homem);
Quando lemos uma profecia nas Escrituras, sabemos que cada palavra que o profeta falava tinha de proceder de Deus, ou ele seria um falso profeta (Nm 22:38; Dt 18:18-20; Jr 1:9; 14:14; 23:16-22; 29:31,32; Ez 2:7; 13:1-16). Alguns leem a passagens como 1 Reis 17:1 e não compreendem o texto, acham que o poder está na palavra do profeta ao invés da profecia ser um simples comunicado de Deus pela boca de um homem. Veja a passagem que mais confundem: “Vive o SENHOR Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1 Reis 17:1).
Será que Elias tinha poder? Eram realmente as palavras dele que compunham uma profecia e que dava valor espiritual a ela? Vamos ler uma outra passagem de uma ocasião que ocorreu depois dessa e ver como as profecias aconteciam e de onde vinha realmente o poder e a decisão, atenção ao meu grifo:
“O SENHOR Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua Palavra fiz todas estas coisas” (1 Reis 18:36).
Se até Elias afirmou que tudo que profetizava era conforme o que Deus o orientava diretamente, imagine só nós, meros humanos, achando que profetizamos o que queremos. Elias sempre agiu em conformidade com a ordem direta de Deus, não com pensamento positivo. Desejar não é profetizar. O fato de você usar a palavra “profetizo” numa frase não faz de você um profeta e muito menos faz da sua prece uma profecia. Isso no máximo, como já vimos, seria uma falsa profecia e faria de você um falso profeta. Tenhamos temor de Deus.
Talvez não seja seu caso, mas sabemos que muitos mal-intencionados se trajam de pastores com palavras de vitória e satisfação pessoal pra falar em nome de Deus, que eles não conhecem e que não os reconhecerá no Dia do Juízo (Mateus 7:22). A Bíblia ainda diz que falsos profetas fariam sinais e maravilhas enganando até os eleitos se possível! Se não acredita, leia Mateus 24:24.
Algumas pessoas talvez não acreditem mesmo nisso, pois hoje é algo tão frequente que parece não as incomodar. Será que a igreja está se acostumando com falsas profecias? As falsas profecias dão consolo momentâneo e com os dias as pessoas se esquecem delas, mas mesmo quando se lembram e percebem que foi uma falsa profecia, as pessoas não se manifestam mais!
Jamais aceite uma profecia que tenha origem na vontade humana. Profetizar não é declarar “em nome de Jesus” algo que Ele não disse (2 Pedro 1:21). Se o povo de Deus começasse ler mais a Bíblia veria o que realmente Deus está te dizendo e jamais ficaria sem resposta!
A fonte de toda profecia verdadeira na história nunca foi a decisão ou desejo do homem a respeito do que ele queria, mas os desígnios do próprio Deus.
Profecia a esmo, jogada ao vento não é profecia! As profecias bíblicas são específicas, e não o que normalmente vemos por aí! Querem ver profecias? Leiam as suas Bíblias, encham a cabeça com o Evangelho, se saturem de Cristo, e depois (se é que vão precisar) pensem em profecias extrabíblicas. (Jackson Jacques).[3]
“Quer ser um profeta de Deus? Cave a fundo as Escrituras Sagradas e proclame fielmente a mensagem de Deus!” (Roberto de Carvalho). [4]
2.7 CURAS E MILAGRES
Poderia escrever vastamente sobre esse assunto, mas o livro não é sobre isso, então vou fazer considerações básicas e óbvias a partir dos itens anteriores.
Profetizar, decretar, determinar ou ordenar uma cura é uma das formas de percebemos que não temos realmente nenhuma autoridade espiritual que não venha da decisão e vontade de Deus. Quando uma pessoa não é curada em sua igreja, mesmo com várias pessoas tendo “profetizado” a cura ou “determinado” e “tomado posse”, o que você pensa ter sido o problema? O cristão que não tem uma boa compreensão da Palavra sempre clamará pela bênção da forma errada, como se Deus tivesse alguma obrigação para com ele, mas quando não receber a bênção, vai sempre procurar um motivo para justificar essa espécie de derrota. Há cristãos que oram pensando de uma forma e depois se justificam de outra. Oram exigindo, mas ao não receberem, arranjam desculpas ao invés de se voltarem para a Bíblia e ver o que exatamente ela diz e quais são as promessas legítimas de Deus para nós.
Afinal, podemos orar por cura? Sim, devemos! A oração é um meio pelo qual Deus concede misericórdia mediante a fé de quem ora. Então fica a dúvida: por que a maioria das curas não acontece, mesmo com muita oração? Por que essa dúvida sempre aparece na mente do cristão, se a Bíblia tem tantas evidências claras? Será que esquecemos que Deus disse a Paulo que a Sua Graça lhe era suficiente depois dele orar para que Deus lhe tirasse um espinho na carne? Se não estiver nos planos de Deus, a cura não vem e pronto. Não sabemos os propósitos do Senhor. Eliseu, ainda depois de morto, ressuscitou um homem que caiu em cima de seu corpo! É lindo isso, mas parece que ninguém percebe o texto anterior que fala que Eliseu morreu de doença (2 Rs 13:14).
Vemos também o amigo de Paulo, que andava por todo canto com ele, vendo curas e talvez até as ministrando junto com o apóstolo (2 Tm 4:20 / 2 Co 12:9), no entanto, também não recebeu e obviamente eles tinham fé, ainda mais que nós hoje. Cristo orou “Pai não seja a minha, mas a tua vontade” (Lc 22:42); Paulo pediu cura e, quando não recebeu, conformou-se e glorificou a Deus, entendendo que o problema era exatamente para mantê-lo forte em Deus (2 Co 12:9).
Veja esse outra passagem: “Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.” (1 Timóteo 5:23)
É um claro exemplo bíblico para nós de que muitos não serão curados, mas ainda assim alguns lobos, falsos mestres que saqueiam a noiva de Cristo, continuarão dizendo que todo cristão deve ser curado, e quando a cura não vem, logo colocam a culpa na falta de fé do doente. Poderiam dizer isso de Paulo, Timóteo e Eliseu?
Alguns maus ministros ensinam “exigir, determinar, decretar e ordenar a bênção”, enquanto a Jesus, Paulo, Tiago e todo o restante da Bíblia ensinam a pedir. A Bíblia mostra ainda alguns casos em que a pessoa curada nem fé exercia! O cego do tanque de Betesda foi curado por Jesus sem ter fé e sem ao menos conhecê-lo; leia João 5: 8-13.
O cristão deve buscar em Deus a cura, deve clamar pelas bênçãos do Pai, deve perseverar, assim como Davi, homem segundo oração de Deus (Atos 13:22) e assim também compreender que o milagre que tanto queremos, mesmo clamando com persistência, pode não acontecer, pois em 2 Samuel 12 vemos o drama do rei Davi que clamou em jejum durante dias para que Deus curasse seu filho recém nascido, mas a cura não veio e a criança morreu.
O pastor Lécio Contu escreveu: “Deus não é o gênio da lâmpada, não somos o Aladim e oração não é magia!” [5]
Podemos orar por milagres, claro! Mas não podemos ignorar fatos que sabemos sobre profetas, apóstolos e outros homens santos da Bíblia; não podemos ser egocêntricos, achando que os planos de Deus estão baseados em nossos caprichos; não faz sentido ter tanto orgulho a ponto de pensar que Deus está em dívida e tem dia marcado pra se apresentar prontamente a curar e tampouco devemos deixar falsos profetas enganarem irmãos fracos na fé e no conhecimento, que são “levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14).
Há curas, há milagres, jamais desacredite! Mas os milagres são pra exaltar o nome de Deus, não pra fazer nossa vontade. É por isso que Cristo orientou na oração do Pai Nosso: “Seja feita a Sua vontade.” Se é no Deus da Bíblia que nós acreditamos, então devemos, sim, pedir por cura, mas assim como na Bíblia, a cura pode não vir, ainda assim glorificaremos ao Deus de João 3:16, Romanos 3:24, Efésios 1:5, Romanos 5:8 e 1 João 4:16. Amém!
SOBRE FÉ
A fé não é um sentimento ou uma sensação. Ter fé não consiste em esperar, mas em ter fundamento para o que se espera. Ter fé é crer confiantemente que Deus é poderoso para intervir a seu favor.
A fé cristã é confundida por alguns com convencimento mental: “eu estou convencido disto, logo Deus está obrigado a agir”. Isso pode até ser fé em si próprio, mas não em Deus, não nas promessas, não na Sagrada Escritura. É preciso salientar que a fé cristã não está em insistir com Deus em nossos desejos pessoais, mas clamar a Ele que cumpra em nós Sua vontade.
Um dos enganos que as pessoas têm atualmente é colocar fé na fé e não fé em Deus. Fé é confiar em Deus, no Seu poder e na Sua vontade e não em nossa própria capacidade de confiar em Deus. Orar com fé não é orar com poder, é orar confiante no poder de Deus. (Vinicius Musselmann).[6]
Alguém irá perguntar: mas fé não é a certeza daquilo que nós esperamos?
Fé não é só isso. Isso é uma característica da fé. O versículo é uma descrição sobre quem tem fé e não um conceito sobre fé. A fé é o alicerce da vida cristã e é disso que o versículo trata. Entende a diferença? Vamos ver o versículo: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” (Hebreus 11:1). O versículo está dizendo que a fé é o que sustenta e fundamenta o que nós pedimos e esperamos. Não é uma definição de fé, ou seja, ele não está dizendo o que significa fé, mas diz que esperar está baseado na fé.
Outro detalhe é que “esperar” tem mais a ver com esperança. O versículo, em outras palavras, diz: “Quando você tem certeza de algo que está esperando, isso é fé”. No entanto, não temos como ter certeza de algo que nunca foi prometido a nós (como coisas corriqueiras do dia-a-dia), então oramos com esperança, como sugere o texto de Romanos 8:24-25: “Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.”
A fé não consegue tudo. Isso porque ter fé é acreditar que Deus tem poder, mas não que Ele de fato fará o que eu quero, pois isso é outra coisa: esperança. E essa é a maior confusão que costumamos fazer. A fé cristã é basicamente crer sem dúvidas nas promessas bíblicas. Assim como nossa esperança está fundamentada na fé, nossa fé deve estar firmemente fundamentada e se você é cristão, seu único fundamento é a própria Bíblia, não suas necessidades, objetivos e vontades pessoais. Um entendimento equivocado da fé bíblica fará com que sua oração seja egoísta, arrogante, hipócrita e sem fundamento. Aliás, fundamentada em você mesmo ao invés da Palavra.
Mas apenas conhecer a visão teológica sobre o assunto não nos tornará cristãos de oração. A condição de quem ora é fator crucial para a eficácia da oração.
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(Por Lucas Rosalem)
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Notas:
[1] André Fonseca. Disponível em: < www.andrerfonseca.com/…/resposta-ao-leitor-ungir-com-oleo.h… > Acesso em: 18 maio 2014.
[2] Disponível em:
www.facebook.com/AugustusNicodemusLopes/posts/621380551247693> Acesso em: 21 junho 2014.
[3] Disponível em: < http://goo.gl/cXMgUJ > Acesso em: 27 julho 2014.
[4] Disponível em: Acesso em: 27 julho 2014.
[5] Fonte: A oração dos filhos de Deus, Lécio Contu, p.44.
[6] Disponível em: < http://voltemosaoevangelho.com/…/pve-devemos-ungir-com-oleo/ > Acesso em: 20 julho 2014.
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Artigo gentilmente cedido pelo autor ao blog Bereianos. O texto faz parte do livro “400 Metros de Oração” o qual recomendamos.

Livre arbítrio: Tenho liberdade para crer?

Livre arbítrio: Tenho liberdade para crer?


SÍNTESE CRISTÃ

Refletindo sobre a Escritura, a fé e a conduta cristã!

É comum pensar que a teologia reformada nega o livre-arbítrio humano e se mostra contrária a passagens que enfatizam a importância da decisão humana no processo de salvação. Na realidade, porém, a teologia reformada sempre reconheceu as atividades reais da vontade humana na salvação.
Embora a expressão “livre-arbítrio” não apareça nas Escrituras, num sentido técnico ou teológico, é correto dizer que a Bíblia tanto afirma como nega, de várias maneiras, que as pessoas possuam livre-arbítrio. Os teólogos reformados costumam abordar essa questão distinguindo entre a livre agência humana, o livre-arbítrio moral e a liberdade absoluta.
Em primeiro lugar, a livre agência simplesmente reconhece que os seres humanos são criaturas que possuem vontade própria. Ao contrário de pedras, árvores, montanhas e outras partes da criação, os seres humanos fazem escolhas morais. Todos os seres humanos são agentes livres, no sentido de que tomam decisões ao que farão. Por esse motivo, também somos moralmente responsáveis pelas nossas escolhas voluntárias. Foi assim com Adão tanto antes quanto depois de ele ter pecado; é assim agora e o será para os cristãos glorificados – um fato que é refletido ao longo da Bíblia. Todas as pessoas têm o dever de fazer escolhas certas e responsáveis (Js 24:15; 2Sm 12:1-10; Jo 7:24; Rm 1:18-32; 14:13). No entanto, a livre agência não inclui a capacidade de fazer qualquer escolha moral em qualquer circunstancia, nem a capacidade de escolher algo contrário à própria natureza. Uma vez que a obediência e fé no evangelho são contrárias a natureza humana decaída (Rm 8:4-8), o conceito de livre agência não afirma que o homem de caído possui o livre-arbítrio para fazer tais coisas.
O livre-arbítrio moral, por sua vez, é uma capacidade de escolher entre todas as opções morais que uma situação apresenta. Muitos teólogos cristãos do século 2º. (por exemplo, Clemente de Alexandria e Orígenes), ensinavam que a natureza humana decaída possui o livre-arbítrio. Negavam que os seres humanos limitados pela sua condição moral decaída, insistindo em vez disso que os homens são capazes de escolher qualquer rumo que desejarem, incluindo a decisão, pelo seu próprio poder e vontade, de crer no evangelho e obedecer a ele. Essa visão contrasta nitidamente com as Escrituras. Agostinho e teólogos reformados afirmaram corretamente apesar de a humanidade possuir livre-arbítrio moral antes da queda, o pecado original nos privou do mesmo.
Uma vez que somo descendentes de Adão, não temos a capacidade natural de discernir e escolher o caminho de Deus ou de crer no evangelho, pois não temos nenhuma inclinação natural para com Deus. Nosso coração é escravo do pecado e somente a graça e a regeneração podem nos libertar dessa servidão. Por isso Paulo ensinou em Romanos 6:16-23 que somente as pessoas libertas do domínio do pecado podem escolher entre a justiça livremente e de todo coração. Uma inclinação do coração para agradar a Deus é um dos aspectos da liberdade que Cristo concede aos seus seguidores (Jo 8:34-36; Gl 5:1,13).
Tem havido, e ainda há teólogos cristãos que argumentam de várias maneiras que, a fim de terem qualquer relevância, as escolhas humanas devem ser absolutamente livres dos decretos soberanos de Deus. A teologia reformada rejeita categoricamente este erro. Em primeiro lugar, é evidente que possuímos várias limitações físicas e mentais decorrentes da ordem natural determinada por Deus para este mundo. Não temos a liberdade absoluta em nenhuma área. Ademais, as Escrituras ensinam que Deus tem um plano imutável que abrange todos os acontecimentos que ocorrem, desde os maiores até os menores (Is 46:10; Mt 10:29-31). As escolhas humanas estão incluídas nesse plano, mas não podem, jamais, impedir ou frustrar os propósitos de Deus (Is 8:10; 14:26-27). Portanto, assim como estamos certos de que nenhum ser humano decaído tem a capacidade moral de escolher crer no evangelho, podemos ter certeza de que ninguém tem a capacidade de frustrar os propósitos de Deus nem a salvação que ele determinou para nós em Cristo (Rm 8:28-30). Todos os foram predestinados à salvação receberão o chamado eficaz, serão regenerados e escolherão crer. Essa limitação de nossa vontade não é, de maneira alguma, um fatalismo que diminui a importância da escolha humana, mas sim, uma afirmação sublime do nosso lugar importante no mundo de Deus.
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