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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eleição e Predestinação

(Estudando Eleição e Predestinação para a glória de Deus)
Uma rápida lição em Romanos 8: 29 (A doutrina da predestinação)

Em primeira análise, Deus é o autor da eleição e não o homem. Foi Deus quem nos escolheu. Não nós que escolhemos Deus. Jamais poderíamos escolher a Deus. Nossa condição espiritual não nos garantia esse poder de escolha. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Éramos ímpios, fracos, pecadores e inimigos de Deus. Por isso, a escolha de Deus é incondicional. Sendo dessa forma, a lição dada pelo arminianismo sempre tende a um modelo de humanismo. Deus não nos escolheu por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Por isso "graça". Graça, portanto, é o favor imerecido. Deus não nos escolheu porque éramos bons, mas apesar de sermos maus. Por isso Jesus Cristo é para nós a reconciliação plena com Deus mediante seu sacrifício vicário. Deus não nos escolheu porque cremos em Cristo; cremos em Cristo porque Deus nos escolheu (At 13.48). Pois bem, esta é uma lição básica para que nossa mente se abra para o entendimento da predestinação.
Para sustentar o entendimento, veja o que está escrito em Efésios capítulo 1, versículo 4, a doutrina da eleição: “Assim como nos escolheu, nele, [em Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.
Portanto, a predestinação é pontualmente a escolha pré definida de Deus e se passa na esfera pessoal, ou seja: Deus predestinou e elegeu indivíduos.predestinação se refere especificamente à decisão de Deus tomada na eternidade, em relação ao destino final de pessoas individuais, antes de o mundo existir. Em geral, o Novo Testamento fala da predestinação ou eleição de pecadores particulares para a salvação e para a vida eterna (Veja em Rm 8.29; Ef 1.4-5,11), ainda que as Escrituras também ocasionalmente atribuam a Deus antecipada decisão a respeito dos que, finalmente, não foram salvos (Rm 9.6-29; 1 Pe 2.8; Jd 4). Por essa razão, na teologia protestante, define-se a predestinação mediante a inclusão tanto da decisão de Deus de salvar alguns do pecado (a eleição) como a correspondente decisão de não salvar outros (reprovação).
O termo grego para predestinação é prooridzo, um termo usado para declarar os decretos eternos de Deus, nos desígnios e nos propósitos do seu plano de salvação (como mostrado em Romanos 8; 29 e 30). O termo está ligado a outras importantes palavras, como: proetoimadzo (que significa "adequar antecipadamente") que dá a noção de um preparo já definido para que o objeto da escolha seja um dia adequado e moldado conforme aquilo que de antemão foi estabelecido. Por isso a vida do cristão genuíno é uma constante adequação ao modelo perfeito, a saber, Jesus Cristo. É um constante e dinâmico cumprimento da ordem divida. É a realização existencial e espiritual do determinismo divino. Esse termo também pode significar "ordenar antecipadamente", dando a ideia de um selo, uma escolha e uma separação para tal patamar, porém num tempo eterno (kronos). Daí tem-se a profunda ligação entre predestinação e eleição. O termo Predestinação também tem ligação com outro termo grego e outra expressão bíblica: protasso. Esse termo traz consigo a ideia de "organizar" ou "arranjar" para determinado fim bem posterior. Significa "prescrever antes de nomear ou indicar". Assim, predestinação é um momento anterior à própria eleição, embora caminham juntas no processo e no conceito de salvação como ato soberano de Deus. Deus predestinou e elegeu. Isso ainda no tempo eterno. Logo - no tempo (kronos) terreno, Ele chamou, efetivando assim a eleição ocorrida já na sua eternidade.
No entanto, esse conceito de predestinação não pode sugerir algum tipo de estagnação espiritual, moral e intelectual. Não significa que, sendo predestinados e salvos, podemos "congelar" nossa vida. Não! Voltemos ao que foi escrito logo acima. Predestinação, a partir do termo original, significa "adequar antecipadamente", ou seja: Deus nos separou desde sua eternidade para que fossemos conforme soberana vontade. Fomos predestinados para sermos segundo seus propósitos específicos já definidos em glória. "Conformes a imagem de seu Filho" (Rm 8:29). Fomos predestinados a participarmos da glória de Jesus Cristo, sendo que fomos definidos por Deus para receber um coração (uma mente) conforme a de Cristo e, logo, um corpo glorificado em glória para reinar com Cristo. Em Cristo somos co-herdeiros da Herança eterna. "[...] a fim que Ele o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8:29). Portanto, a necessidade de se entender a predestinação e eleição junto com a noção da perseverança dos santos. Temos um alvo: a perfeição, embora esta se efetive em glória. Pois fomos eleitos e separados para andarmos conforme Cristo e, gradativamente, alcançarmos a forma ideal de acordo com aquilo que Deus determinou antes do nosso chamado. Para que isso seja cumprido diligentemente, Ele nos conferiu a fé e, com a fé, a certeza e a segurança da salvação para que andemos olhando para o alvo, pensando nas coisas que são de cima e não olhando para trás jamais.
Breve reformulo o presente estudo e continuo o mesmo (se Deus permitir). Há muito ainda que melhorar....


Gabriel Felipe M. Rocha.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O que é Graça?

O que é Graça?
Paulo emprega a palavra "graça" para significar o oposto de "obras e méritos". "Pela graça sois salvos [...] não por obras" (Ef. 2:8-9). Graça significa favor imerecido ou favor dado sem que seja ganho por esforço algum.
Pela palavra "misericórdia", entendemos que alguém em dificuldade ou derrotado, está recebendo um benefício. Misericórdia faz supor uma pessoa sofredora a quem ela é concedida. Semelhantemente, "graça" sempre pressupõe indignidade na pessoa que a recebe. Se alguém nos dá qualquer coisa por graça, é porque nós não a merecemos. Qualquer coisa que mereçamos por direito, não pode ser nossa por graça. Graça e mérito não podem estar ligados no mesmo ato. São realidades tão opostas como luz e trevas. "Se é por graça, então não é por obras; de outra maneira, a graça já não é graça" (Rom. 11:6).
Assim, dizemos que nós recebemos a graça de Deus. Estamos dizendo, ao mesmo tempo, que somos indignos dela e que não podemos trabalhar por ela. Desta maneira, definimos graça como ela é usada no Novo Testamento, ou seja, "O eterno e absolutamente livre favor de Deus concedido a pessoas indignas e culpadas na doação de bênçãos espirituais e eternas".
A graça de Deus é eterna
À graça, de modo algum, depende do mérito humano; depende só da vontade de Deus. Não é ganha por mérito nem perdida por culpa. A graça é absolutamente livre de qualquer influência humana. Portanto nada há que possa derrotá-la, uma vez que ela foi dada. Por isso, Deus pode dizer: "... pois que com amor eterno te amei" (Jer. 31:3). Tal é a gloriosa base da nossa salvação!
Graça não é como uma franja de ouro na fímbia do vestuário; não é como um enfeite que decora um vestido; porém, é como o propiciatório do Tabernáculo, que era de ouro — de ouro puro — inteiramente de ouro! Portanto, aprendemos como estão seriamente enganados os que sugerem que a graça de Deus pode ser alcançada pelas boas obras. A graça de Deus recusa-se a ser ajudada naquilo que ela tem de fazer. Não seria um insulto à soberania de Deus sugerir que Ele precisa de ajuda do pobre desempenho do homem? A graça, ou é absolutamente livre de toda a nossa influência, ou então não é graça de modo algum.
Salvação, totalmente gratuita!
A graça "reina", diz Paulo em nosso texto (Rom. 5:21). Assim, a graça é comparada a um rei. Nos versículos anteriores, também o pecado é comparado a um rei. Como o pecado aparece armado de poder destrutivo, infligindo a morte, assim a graça aparece armada de invencível poder, amorosamente determinada a salvar. E "onde o pecado abundou, a graça o superou em tudo” (v. 20). Assim, o controle é da graça.
Em outras palavras: aqueles a quem Deus salva por Sua vontade misericordiosa, certamente estão totalmente salvos. Se Deus graciosamente resgata homens do poder do pecado, e lhes dá novas habilidades espirituais, então, não serão deixados para se fazerem suficientemente santos para entrarem no céu. Se a obra graciosa de Deus ficasse restrita a isso, a consequência final ainda seria duvidosa; a graça não estaria reinando. Além disso — admitindo-se que tal coisa fosse possível — os que conseguissem santificar-se por seus próprios esforços, ficariam muito, orgulhosos pelo que fizeram — o que seria diametralmente o oposto da graça!
Portanto, se a graça há de reinar, ela tem que ser o único meio de salvação. Por Sua vontade misericordiosa, Deus não apenas tem que começar, mas também continuar e completar a salvação do pecador. Então, se pode dizer com certeza que a graça "reina". Certamente uma certeza maravilhosa como esta glorifica a Deus.
A graça se adapta melhor à nossa necessidade do que qualquer outra coisa. Visto que o pecado é um tirano que reina sobre nós, e pretende levar-nos à morte eterna, que esperança podemos ter de salvação firmados em nossos próprios esforços? Quando nossas consciências ficam alarmadas por causa de nossas muitas falhas vergonhosas, não entramos em desespero? Lembre-se, porém, de que a salvação é pela graça de Deus! A graça de Deus está fundamentada na obediência perfeita e meritória de Cristo. O pecado não pode destruir o valor disso. A graça pode reinar sobre a maior indignidade. Na verdade, é só com o indigno que a graça se preocupa. Isso é assombroso! Isso é maravilhoso! Há esperança de salvação para o pior indivíduo, se é que ela é assegurada pela riqueza da graça que reina.
Teremos que ver nas próximas vezes como a graça reina na nossa eleição — chamamento, perdão justificação, adoção, santificação e perseverança.


(Por Abraham Booth/1734-1806/ fonte: Os Bereianos)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A JUSTIFICAÇÃO (análise dos textos de Paulo aos romanos)

A JUSTIFICAÇÃO (análise dos textos de Paulo aos romanos)
Referência: Romanos 5.1-5

1. Há duas verdades absolutas (axiomas) e uma conclusão lógica:
Deus é Santo e o homem é pecador, logo nenhum homem pode ser justo aos olhos de Deus. Pode o imundo ser puro aos olhos de Deus? Pode o pecador justificar-se diante de Deus? Pode, por ventura o etíope mudar a sua pele e o leopardo as suas manchas?
2. O padrão para entrar no céu é a perfeição e todo o homem é imperfeito, logo é impossível ao homem entrar no céu por seus esforços. A não ser pela GRAÇA de Deus em Cristo Jesus e através da fé (dom de Deus).
Quem obedecer a lei, pela lei viverá. Mas todos pecaram. Não há justo sequer um. Todos se desviaram. Logo, ninguém jamais poderá entrar no céu por seus méritos. A não ser que Deus o conceda a fé espiritual para crer no Filho e pelo Filho ser reconciliado com Deus.
3. Para o homem entrar no céu é preciso que Deus o justifique e para Deus justificá-lo precisa ainda continuar justo
Como Deus pode ser justo e ainda justificar o pecador? Como Deus pode justificar o pecador sem abrir mão da sua justiça? Uma boa pergunta...
I. A REALIDADE DA JUSTIFICAÇÃO – V. 1,2
1. O que é justificação?
A justificação é um ato legal, forense, judicial e declaratório de Deus no qual ele declara, sobre a base da justiça de Cristo que todas as demandas da lei estão satisfeitas com respeito ao pecador.
A justificação não é algo que Deus faz em nós, mas por nós. Não acontece dentro de nós, mas fora de nós.
A justificação é um ato e acontece uma única vez. Não há graus na justificação. O homem é justificado por completo ou não é justificado em absoluto. Ela é instantânea, completa e final. Não podemos confundir JUSTIFICAÇÃO com REMISSÃO.  Fomos justificados pela fé em Cristo num ato único. Também fomos remidos por Cristo num ato único (pois a morte da cruz aconteceu uma só vez e foi suficiente), no entanto, por continuar pecando, o Espírito Santo, em cooperação da nossa fé e busca, opera a remissão.
Pela justificação somos remidos da pena do pecado, perdoados e recebemos o favor de Deus.
2. A necessidade da nossa justificação
Todos somos pecadores e todos nós vamos ter que comparecer diante do tribunal de Deus para prestar conta da nossa vida.
Somos culpados. Seremos julgados:
a) Por nossas palavras
b) Por nossas obras
c) Por nossas omissões
d) Por nossos pensamentos e desejos.
3. A base da justificação
A base da justificação não são nossas obras, nem nossa fé, nem mesmo nosso exemplo, mas a obra expiatória de Cristo na cruz em nosso favor. Nesse sentido a fé não é “meio” para alcançar a justificação, senão ela seria por merecimento e não é. É pela graça. Mas a fé é veículo enviado por Deus (da eternidade) para que o plano de Deus se efetive em nossas vidas. Ele morreu a nossa morte. Ele pagou a nossa dívida. Ele rasgou o escrito de dívida que era contra nós. Ele levou no seu corpo no madeiro os nossos pecados. Foi traspassado e moído pelas nossas iniqüidades. O castigo que nos trás a paz estava sobre ele.
A justificação é mais do que perdão – 2 Co 5:21.
4. O instrumento da justificação
Nós não somos justificados com base na fé, mas com base no sacrifício perfeito e eficaz de Cristo. Mas pela fé nós nos apropriamos da justificação. A fé é o instrumento. A fé é a mão estendida de um mendigo a tomar posse do presente do Rei.
A fé é a causa instrumental e não a causa meritória.
A fé não expia a culpa, não remove o castigo. Ela é o instrumento de apropriação dos benefícios da redenção.
II. OS FRUTOS DA JUSTIFICAÇÃO – V. 1-2
1. Passado – Paz – v. 1
Essa paz não é paz de Deus, mas paz com Deus.
É a paz da reconciliação com Deus.
Todas as religiões do mundo são uma tentativa desesperada do homem encontrar paz com Deus.
Exemplo: Lutero desesperadamente buscava ter paz com Deus.
Cristo morreu e pelo seu sangue nos reconciliou com Deus. Agora não somos mais réus, nem inimigos de Deus. Estamos quites com as demandas da lei.
2. Presente – Graça – v. 2
A palavra “acesso” é prosagoge.
a) Refere-se à introdução ou apresentação de alguém ante à presença da realeza – Por meio de Cristo temos acesso a esta graça na qual estamos firmes. Somos aceitos, somos apresentados como filhos, como herdeiros, como cidadãos do céu.
b) É também o termo comum para referir-se à aproximação do adorador a Deus – Jesus nos abre a porta à presença do Rei dos reis e quando estas portas se abrem o que encontramos é graça, não condenação, nem juízo, nem vingança, mas pura misericórdia, o glorioso favor de Deus.
c) O termo prosagoge traz também a idéia de porto, cais – Significa que por mais que tratemos de depender de nossos próprios esforços somos varridos pela tempestade, como marinheiros que enfrentam impotentes um mar revolto que os ameaça destruir totalmente. Mas, agora, temos ouvido a Palavra de Cristo, temos alcançado o porto da graça. Por meio de Cristo temos entrado à presença de Deus e encontrado segurança no porto da graça.
3. No futuro – Glória – v. 2
Quem foi justificado não teme a morte, não teme o amanhã, não teme a eternidade, ele tem garantia do céu.
Aqueles que não foram reconciliados com Deus têm medo da morte. Mas o salvo entende se gloria na esperança da glória de Deus.
O apóstolo Paulo – Está na masmorra, na ante-sala do martírio. Ele não está com medo da guilhotina, mas diz: “Eu sei em quem eu tenho crido. Chegou a hora da minha partida. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada”.
A mãe da Isabel – Depois que foi convertida seu rosto passou a resplandecer.
O enfermo – “O senhor está preparado para morrer. Não, eu estou preparado para viver”.
III. A PEDAGOGIA DA JUSTIFICAÇÃO – V. 3-5
A justificação não apenas nos prepara para o céu, mas também nos prepara para vivermos vitoriosa aqui na terra. Paulo não está tratando de algo apenas para o porvir, mas algo que nos capacita a viver vitoriosamente no meio das tensões da vida.
1. Nos gloriamos nas próprias tribulações
Não somos masoquistas.
Não somos estóicos.
Não nos gloriamos no sofrimento ou por causa do sofrimento, mas por causa dos seus frutos, dos seus resultados.
O cristão não olha para vida com uma visão romântica, pessimista ou irreal. Ele não nega a existência da dor e do sofrimento.
A palavra tribulação – thlipsis = pressão. A vida cristã é o enfrentamento de muitas pressões: pressão do diabo, do mundo, das nossas fraquezas.
A palavra tribulação é tribulum (latim) = descascador de trigo, separa o trigo da palha.
Rm 8:28 – Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem…
2 Co 4 – A nossa leve e momentânea tribulação produz eterno peso de glória.
Paulo diz que nos gloriamos com grande e intenso júbilo, sabendo que Deus está trabalhando em nós, esculpindo a imagem do seu Filho.
2. Sabendo que a tribulação produz perseverança – v. 3
A tribulação é pedagógica. Ela produz paciência triunfadora.
A palavra grega é hupomone = paciência vitoriosa, que não se entrega, que não é passiva, mas que triunfa. É paciência com as circunstâncias. É saber que Deus está no controle. Que Ele está trabalhando em nós. Ele está esculpindo em nós o caráter de Cristo.
As grandes lições da vida nós as aprendemos no vale da dor. Salmo 119:71 – “Foi me bom ter passado pela aflição para que aprendesse os teus decretos”.
Jô – A paciência nasce do sofrimento.
3. A perseverança produz experiência – v. 4
A palavra grega é dokime = provado – metal que era passado pelo cadinho e provado como legítimo, puro. A palavra significa caráter provado e aprovado como resultado de um teste de julgamento.
Davi não quis a armadura de Saul porque nunca a havia provado, não havia submetido à prova.
Não podemos ter uma fé de segunda mão. O Deus que agiu na vida de Abraão, Moisés, Davi, Paulo tem agido na sua vida. Você conhece a Deus, tem experiência com ele: da sua bondade, livramento.
4. A experiência produz esperança – v. 5
Esta não é uma esperança vaga, vazia. É uma esperança segura.
Como saber que esta esperança não é uma ficção: Porque o amor de Deus é derramado em nossos corações. Há uma efusão do amor de Deus. O céu desce à terra.
CONCLUSÃO
Gloriamo-nos em Deus (v. 11).
Se nada sobrar, se tudo se perder. Ainda temos Deus. Gloriamo-nos nele.
Habacuque 3 – Ainda que falte oliveira na vida e gado no curral, ainda assim me alegrarei no Deus da minha salvação.
Romanos 8:31-39.
O palácio em que somos admitidos é o céu. O portão de entrada é Cristo. O único passaporte é a fé.

Texto escrito adaptado e reescrito por Gabriel F. M. Rocha/ Grupo de Estudos “Palavra a Sério- Escrituras”;

Referências: sermão de Ver. Hernandes Dias Lopes/ Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-ES/ Bíblia King James/ Bíblia de Genebra/ Livro: Carta aos Romanos de Karl Barth/ artigos bíblicos da fé reformada/ Tradução grego-português pela Bíblia de Estudos Palavras Chave/ Hebraico/ Grego.

Eu (Gabriel Felipe) em minha sala de estudos com o precioso livro de Karl Barth ("Carta aos Romanos"):


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A salvação, uma dádiva a ser desenvolvida

A salvação, uma dádiva a ser desenvolvida
 Referência: Filipenses 2: 12-16

O propósito das Escrituras é nos conscientizar da nossa Salvação (I Jo 5: 13), pois um dos ardis do inimigo consiste em querer nos convencer do contrário, semeando a dúvida e a desconfiança da nossa posição em Jesus (II Tess 2: 1 e 2). A cabeça é um dos pontos mais vulneráveis do nosso corpo, por isso numa batalha ela precisa estar bem protegida contra todo o perigo. A nossa consciência de que estamos salvos por Jesus, é algo essencial para que a nossa Salvação esteja sendo operada cada dia. A Salvação é um processo e não um estado nas nossas vidas. Precisamos saber bem disto para não permitirmos que a dúvida se instale e roube a nossa bênção. A base do nosso entendimento de Salvação não está na nossa justiça própria, mas na morte de Jesus em nosso lugar, por isso nada nos atingirá (Col 2: 4 - 15 e Rom 12: 2).

A teologia por si só não leva o crente até Deus. Nem ao menos dá ao estudante o conhecimento necessário e total de nosso Senhor, pois Deus é Espírito e o conhecimento de sua divindade, amor, graça e salvação se dá pela redenção em Cristo Jesus e pela Revelação do mesmo Cristo vivo e ressurreto. No entanto, a "teologia sã" ou a Sã Doutrina propriamente dita não é esforço intelectual humano e nem especulação filosófica; ela, por ser oriunda de Deus, desemboca em vida, pois seu conteúdo é a Revelação do Jesus Vivo e Glorificado. Ela goteja como orvalho em nossos corações e produz frutos para a Vida Eterna. James Montgomery Boyce diz que a verdade conduz à ação. Ralph Martin diz que em seguida ao hino soteriológico (Fp 2.6-11), Paulo prossegue, a fim de fazer uma aplicação penetrante. “Assim, pois” é uma expressão voltada para a conclusão da seção mencionada. Paulo não está começando um novo assunto, mas fazendo uma aplicação do assunto anterior. O chamado é para a obediência.
O conhecimento e a expediência não têm nenhum valor se não nos ajudam a viver nos vales da vida e se não nos capacitam a viver em amor. Depois que Paulo tratou do exemplo de Cristo, falando acerca da sua humilhação e exaltação, volta a exortar a igreja à obediência e à unidade. Paulo é um pastor e por isso antes de exortar os crentes, revela a eles seu amor, chamando-os de “amados meus” (1.7,8; 2.12). Paulo tem tato e diplomacia ao lidar com as pessoas, especialmente quando vai exortá-las à obediência (Gl 6.1).
Destacamos três pontos importantes, à guisa de introdução:
1. O exemplo de Cristo é o nosso maior estímulo à obediência (Fp 2.12)
O problema da igreja de Filipos era a desarmonia entre os crentes produzida pelo egoísmo. Os crentes estavam se atritando a ponto de alguns trabalharem na igreja para a promoção pessoal ou o maior reconhecimento do seu grupo (Fp 2.3). A base dessa atitude mesquinha era o egoísmo (Fp 2.4). Então, Paulo fala para os crentes olhar para o exemplo de Cristo e ter o mesmo sentimento que houve nele (Fp 2.5). Depois que Paulo detalhou os estágios da humilhação e exaltação de Cristo cobrou da igreja um posicionamento. Lightfoot diz que Paulo mostrou o exemplo da humilhação de Cristo para guiá-los e o exemplo da exaltação de Cristo para encorajá-los.
A preposição “pois” no versículo 12 é um elo de ligação entre o que Paulo estava falando e o que agora vai falar. Assim como Jesus obedeceu ao Pai, os cristãos também devem obedecer. Ele está dizendo que o exemplo de Cristo, sua humilhação e a recompensa de sua exaltação são a principal razão para a igreja viver em obediência. O que nós cremos precisa refletir na maneira como vivemos. Nossa teologia precisa produzir vida.
2. A doutrina, embora espiritual e de caráter profético, sempre tem – também – propósitos práticos para a vida de quem serve a Deus (Fp 2.12)
Essas gloriosas doutrinas expostas em Filipenses 2.5-11, além de encher a alma e fortalecer o espírito, têm um propósito prático. A doutrina tem a finalidade de conduzir a igreja na verdade. Ela é a base da espiritualidade, da firmeza, da unidade, da ética e o alicerce da vida cristã em seu todo. Ainda ecoam em nossos ouvidos a verdade celestial e doce acerca do Filho de Deus que desceu da glória para a vergonha da cruz, e isso por amor de nós, pecadores. Nós somos exortados a agir à luz desse vasto e insondável amor. O ensino de Paulo nos mostra que doutrina sempre conduz ao cristianismo verdadeiro que é o cristianismo prático. Quanto mais crescemos em conhecimento, mais humildes deveríamos ser. Quanto mais luz nós temos na mente, mas amor nós deveríamos ter no coração.
3. A obediência do cristão é ultracircunstancial (Fp 2.12)
Alguns crentes estavam muito dependentes da presença física de Paulo em Filipos para viverem de conformidade com a Palavra. Esses crentes sofriam de uma espécie de nostalgia, vivendo um saudosismo dos tempos áureos que Paulo esteve com eles (Fp 1.27). Mas, Paulo estava preso em Roma e eles deviam manter o mesmo compromisso, mesmo diante da sua ausência. Eles deviam colocar sua confiança em Deus e não na presença do apóstolo entre eles.
William Hendriksen diz que a obediência dos filipenses não deve ser motivada pela presença de Paulo, nem durar só enquanto ele estiver em seu meio. O cristão obedece não porque o pastor está presente, ou para agradar esse ou aquele grupo. Sua obediência independe das circunstâncias e das pessoas.
Vamos examinar esse texto e extrair dele três gloriosas verdades, acerca da nossa salvação.
I. A SALVAÇÃO RECEBIDA (Fp 2.12)
A salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus. Ela é nossa, não por direito de conquista, mas por dádiva imerecida. A salvação não é um prêmio das nossas obras, mas um troféu da graça de Deus. Há duas verdades que merecem ser destacas aqui:
1. A salvação é um presente de Deus a nós e não uma conquista nossa (Fp 2.12)
Quando o apóstolo Paulo diz: “… desenvolvei a vossa salvação…” (Fp 2.12), ele não está afirmando que ela nos pertence por direito de conquista. Ela é nossa porque nos foi dada. Ela é nossa porque um outro alguém a comprou por um alto preço e no-la deu gratuitamente. A nossa salvação foi comprada por um alto preço. Ela não foi comprada por prata ou ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo (1Pe 1.18,19).
2. A salvação verdadeiramente nos pertence (Fp 2.12)
Muitos cristãos, por não estarem arraigados nas doutrinas da graça, ficam inseguros acerca desse ponto, pensando que a salvação nos é dada num momento e tomada em outro; que podemos estar salvos num dia e perdidos no outro. Isso é absolutamente impossível. A salvação é um presente que nos foi dado de uma vez para sempre (Rm 8.1). Uma vez salvo, salvo para sempre (Rm 8.31-39). Uma vez membro da família de Deus, jamais seremos deserdados (Rm 8.17). Uma vez ovelha de Cristo, jamais alguém poderá nos arrancar da mão de Cristo (Jo 10.28).
Paulo diz: “… desenvolvei a vossa salvação…” (Fp 2.12). O erudito na língua grega H. C. G. Moule diz que a palavra “vossa” é fortemente enfática.
II. A SALVAÇÃO DESENVOLVIDA (Fp 2.12,13)
Destacamos aqui cinco pontos importantíssimos:
1. A soberania de Deus não anula a responsabilidade humana (Fp 2.12)
Há dois equívocos muito comuns acerca da salvação: o primeiro deles é pensar que a salvação é resultado do esforço humano. A maioria das religiões prega que o homem abre o seu próprio caminho rumo a Deus. Conseqüentemente, a salvação é resultado de mero esforço humano.
O segundo equívoco é pensar que a salvação é uma parceria do homem com Deus e que basta ter sido salvo para não andar diante de Deus em obediência. O sinergismo (ou o arminianismo) prega que a salvação é resultado da obra de Deus conjugada com a cooperação humana. O versículo 12 não diz: “trabalhai para vossa salvação”, mas “desenvolvei vossa salvação”. Ninguém pode desenvolver sua salvação a não ser que Deus já tenha trabalhado nele.
A verdade bíblica insofismável é que a salvação é obra exclusiva de Deus. Porém, o fato de Deus nos dar graciosamente a salvação, não significa que ficamos passivos nesse processo. Aliás, a salvação é um processo de construção da vida cristã, porém segundo a ordem estabelecida por Deus e na constante ação da obra de redenção do Espírito Santo, pois, sem Ele, nada poderemos fazer. Sem a ação primeira do Senhor, não podemos buscar a Deus. Não há, portanto, um esforço e mérito humano, mas sim soberania e graça de Deus. A salvação é de Deus e nos é dada por Deus, mas nós precisamos desenvolvê-la. Corretamente Robertson afirma que a graça de Deus não é uma desculpa para não fazermos nada. Antes, ela é uma forte razão para fazermos tudo. Tanto na obra de Deus como na natureza, nós somos cooperadores de Deus (1Co 3.6-9). Nós plantamos e regamos, mas Deus dá-nos a semente, o solo, e envia o sol e a chuva e faz a semente crescer e frutificar.
H. C. G. Moule diz que a principal referência à salvação aqui é à glória final. Ela precisa ser “efetuada” na vida prática, à vista da aproximação do “dia de Cristo”, que lhes completará a salvação (Rm 13.11).
William Hendriksen interpreta corretamente quando diz que a palavra “desenvolvei” traz a idéia de um esforço contínuo, vigoroso, estrêmuo: “Continuem a desenvolver”. Embora, somos salvos de uma vez por todas quando cremos em Jesus, os crentes não são salvos de um só golpe (por assim dizer). Sua salvação é um processo (Lc 13.23; At 2.47; 2Co 2.15). É um processo no sentido em que eles mesmos, longe de permanecerem passivos ou inativos, tomam parte ativa. É um prosseguir, um seguir após, um avançar com determinação, uma contenda, uma luta, uma corrida (Rm 14.18; 1Co 9.24-27; 1Tm 6.12).
Warren Wiersbe ainda nos ajuda na compreensão desse verbo “desenvolvei”. Ele diz que esse verbo tem o sentido de “trabalhar até a consumação”, como quem trabalha em um problema de matemática até chegar ao resultado final. No tempo de Paulo, esse termo também se referia a “trabalhar em uma mina” extraindo dela o máximo possível de minério valioso, ou “trabalhar em um campo” obtendo a melhor colheita possível. O propósito que Deus deseja que alcancemos é a semelhança a Cristo (Rm 8.29).
Recebemos de graça essa gloriosa propriedade, porém, agora, precisamos cultivá-la. Não a cultivamos para possuí-la, mas porque a possuímos. F. F. Bruce está correto quando diz que neste contexto, Paulo não está exortando cada membro da igreja a empenhar-se na obra de sua salvação pessoal; Paulo está pensando na saúde e bem-estar geral da igreja como um todo. Cada crente, e todos os crentes, num corpo só, precisam prestar atenção a este fato.
Conforme já temos analisado, a palavra traduzida por “desenvolvei” no versículo 12, o verbo grego katergazesthai, sempre leva inerente a idéia de levar a cabo, de fazer uma coisa em forma plena, completa e perfeita de modo que seja terminada e concluída. O caminho da salvação foi delineado no hino soteriológico (Fp 2.6-11). Resta aos filipenses aplicá-lo em sua vida coletiva ( no Corpo de Cristo) a fim de resolver as rivalidades e desavenças e crescerem na graça.
2. A posse e o desenvolvimento da salvação produz reverência e não relaxamento (Fp 2.12)
Quando Paulo fala em “temor e tremor” não está falando de temor servil. Este não é o temor de um escravo se arrastando aos pés do seu senhor. Não é o temor ante a perspectiva do castigo. Deus não é um xerife ou guarda cósmico diante de quem devemos ter medo; nem, também, é um pai bonachão e complacente; ao contrário ele é majestoso, santo, e misericordioso. Nosso grande temor deve ser em ofendê-lo e desagradá-lo, depois de ele ter nos amado a ponto de nos dar seu Filho para morrer em nosso lugar.
Nessa mesma linha de pensamento, F. F. Bruce escreve: É evidente que a atitude recomendada pelo apóstolo aqui nada tem que ver com o terror servil; o apóstolo tranqüiliza os crentes de Roma, dizendo: “não recebestes o espírito de escravidão para outra vez estardes em temor” (Rm 8.15). Trata-se, antes, de uma atitude de reverência e profundo respeito, na presença de Deus, de extrema sensibilidade à sua vontade, de consciência de nossa responsabilidade à vista de havermos de prestar contas perante o tribunal de Cristo.
Lightfoot diz que esse temor é uma espécie de ansiedade para fazer o que é certo. Robertson corretamente afirma que as pessoas hoje não tremem na presença de Deus e tem um fraco senso de temor. O grande sermão de Jonathan Edwards “pecadores nas mãos de um Deus irado” não encontraria eco nos dias de hoje. Nós vivemos numa geração extremamente complacente. Ficaram para trás os dias em que os Puritanos falavam em agonia de arrependimento.
As pessoas que mais tiveram intimidade com Deus, mais se prostraram reverentes aos seus pés. Aqueles que tiveram uma visão da sua glória; caíram prostradas ao chão perante o fulgor da sua glória. Hoje, muitos demonstram intimidade com Deus em palavras, mas uma imensa distância dele na vida.
3. O desejo pela salvação é obra de Deus em nós (Fp 2.13)
O apóstolo Paulo esclarece: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar…”. Ralph Martin diz que não ficamos entregues a nós mesmos, nesta tarefa, pois Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar.
William Barclay diz que Deus é quem desperta o desejo dele em nossos corações. É verdade que “nossos corações estão inquietos até que descansam nele” e também que “nem sequer podemos começar a buscá-lo a não ser que ele já nos tenha encontrado. O começo do processo da salvação não depende de nenhum desejo humano; só Deus é quem pode despertá-lo.
F. F. Bruce corretamente afirma que o Espírito realiza o que a lei não consegue realizar: a lei podia dizer às pessoas o que deveriam fazer, mas não podiam suprir-lhes o poder, nem mesmo a vontade de fazê-lo; o Espírito supre ambas as coisas (Rm 8.3,4; 2Co 3.4-6). Através do Espírito Santo, Deus “energiza” e “capacita” seu povo para as tarefas que ele deseja que ele faça (1co 12.4-7). Deus dá o desejo e a habilidade espiritual. Deus concede dons ao seu povo a fim de que sua obra seja consumada em glória. Por isso somos “cooperadores” de Deus. Deus trabalha nos crentes e os crentes trabalham para Deus.
Não há nenhum desejo em nós por Deus e pela sua obra que não proceda do próprio Deus. Mesmo quando estamos desenvolvendo a nossa salvação, temos consciência de que é Deus quem está operando em nós mediante o seu Espírito. Em última instância, não somos nós que estamos trabalhando, mas Deus em nós e através de nós.
O trabalho de Deus começa com a nossa vontade e a vontade precede a ação. À parte da obra de Deus em nosso coração jamais teremos a vontade livre quando se trata de realidades espirituais. Na verdade não temos vontade livre em nenhuma coisa que envolva nossa capacidade física, intelectual, e espiritual. Não temos capacidade de decidir por nós mesmos ter cinqüenta por cento a mais de Q. I. Não temos capacidade de decidir ter dez centímetros a mais em nosso tamanho. Não temos capacidade de correr cem metros em oito segundos. Não temos capacidade de nos tornar fisicamente belos como os grandes astros de cinema. De igual modo, não temos capacidade de escolher Deus. Somente Adão antes da queda teve livre arbítrio. Somos como um homem à beira de um profundo abismo. Enquanto estivermos na beira do abismo temos livre vontade. Mas, se cairmos nele, não teremos condições, de por nosso próprio esforço, sairmos de lá. Desde a queda de Adão todos nós nascemos com a total incapacidade de escolhermos a Deus. Ninguém jamais pode desejar a Deus sem que primeiro Deus predisponha sua vontade. Ninguém pode fazer a vontade de Deus a não ser que o próprio Deus venha e o tire do abismo e lhe diga: “Este é o caminho, andai por ele”.
Werner de Boor coloca essa sublime verdade de forma esclarecedora, como segue: Realmente, nenhum de nós poderá ter no coração o menor anseio por salvação se Deus não nos despertar previamente da condição de “mortos em delitos e pecados” (Ef 2.1) e nos atrair para a salvação. A cada um, porém, em quem Deus realizou isso, cumpre dizer agora com máxima seriedade: não brinque com essa salvação, siga-a realmente, não deixe escapar essa hora da graça, justamente porque ela não é apenas seu próprio “estado de ânimo”, sua própria ‘idéia”, mas a atuação decididamente divina em seu coração. O querer gerado por Deus – que responsabilidade isso traz para nós! Realmente só podemos aproveitar esse querer “com temor e tremor, em sagrada seriedade!
4. A continuação do processo da salvação também é obra de Deus em nós (Fp 2.13)
William Barclay diz que a continuação desse processo depende de Deus: sem sua ajuda não se pode fazer nenhum progresso no bem; sem sua ajuda nenhum pecado pode ser vencido. Somente por meio da ação de Deus em nós podemos superar o mal e praticar o bem. A verdadeira vida cristã não pode permanecer no mesmo lugar; deve estar em contínuo progresso.
O apóstolo Paulo diz que Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar (Fp 2.13). Não apenas o desejo, mas também toda obra realizada em nós é ação divina.
A palavra grega usada por Paulo aqui é energein. William Barclay diz que sobre esse verbo precisamos notar duas coisas importantes: sempre se usa com respeito à ação de Deus; e sempre se aplica a uma ação eficaz. Todo o processo da salvação é uma ação de Deus e esta ação é eficaz porque é sua ação. A ação de Deus não pode ser frustrada nem ficar inconclusa; deve ser plenamente concluída.
William Hendriksen diz que se não fosse o fato de Deus estar agindo em nós, jamais poderíamos desenvolver a nossa salvação. Ele ilustra essa verdade assim: O ferro elétrico é inútil a menos que seu plugue esteja acoplado à tomada. À noite não haverá luz na sala a menos que a eletricidade flua pelos fios de tungstênio para dentro da lâmpada, cada filamento mantendo contato com os cabos que vêm da fonte de energia. As rosas do jardim não podem alegrar o coração humano com sua beleza e fragrância a menos que extraiam sua virtude dos raios solares. Melhor ainda: “Como pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim, nem vós podeis dar, se não permanecerdes em mim” (Jo 15.4). Assim também os filipenses só poderão operar sua própria salvação permanecendo num vivo e ativo contato com seu Deus.

5. A obra da salvação é resultado da vontade de Deus (Fp 2.13)
A salvação é realizada por Deus em nós não contra sua vontade, mas em consonância com ela. A nossa salvação é resultado da expressa vontade soberana de Deus. Tudo provém de Deus. Nossa salvação tem início e consumação na boa, perfeita e agradável vontade de Deus.
III. A SALVAÇÃO DEMONSTRADA (Fp 2.14-16)
O apóstolo Paulo esteve falando na necessidade de obediência na tarefa de “desenvolver” a salvação (Fp 2.12). A obediência, porém, pode ser de bom grado ou de má vontade. Esta última é uma espécie de obediência que equivale à desobediência. Pedro fala da prática da hospitalidade enquanto se lastima (1Pe 4.9). Agora, Paulo exorta: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas” (Fp 4.14).
1. A salvação é demonstrada através de relacionamentos transformados (Fp 2.14)
Paulo retorna ao problema básico descrito nos versículos 1 a 4. Os crentes da igreja de Filipos estavam fazendo as coisas com a motivação errada (Fp 2.3,4). Eles estavam trabalhando, mas sem sintonia uns com os outros. Havia partidarismo e discordância entre eles. A igreja estava dividida. Paulo, então, exorta os crentes, dando-lhes duas ordens. Os dois pecados mencionados são exatamente aqueles que macularam o povo judeu em sua travessia do deserto (Ex 16.7; Nm 11.1).
J. A. Motyer diz que contenda refere-se a uma atitude interna, ou seja, uma atitude e atividade da mente e do coração enquanto murmuração é algo externo, aquilo que manifestamos proveniente do coração e da mente. Assim, esses dois pecados cobrem todos os nossos pensamentos e ações em relação às outras pessoas. Nessa mesma trilha de pensamento Lightfoot diz que murmuração é um pecado moral e contenda é um pecado de rebelião intelectual contra Deus. Como a igreja devia demonstrar sua salvação através de seus relacionamentos?
Em primeiro lugar, eles deviam fazer tudo sem murmurações (Fp 2.14). A palavra que Paulo usa para “murmuração” é goggysmos. Ela evoca o murmúrio de rebelião e infidelidade dos filhos de Israel em sua peregrinação pelo deserto (1Co 10.10). Os israelitas murmuraram contra Deus e contra Moisés. Eles reclamavam reiteradamente das privações, dizendo que jamais deveriam ter deixado o Egito (Nm 11.1-6; 14.1-4; 20.2; 21.4,5). Moisés os descreveu como “geração perversa e depravada” (Dt 32.5). Quando o povo estava no Egito eles murmuravam porque estavam no Egito. Quando eles saíram do Egito eles murmuravam porque saíram do Egito. Eles murmuraram porque não tinham nada para comer. E quando Deus providenciou milagrosamente o maná para eles comerem, eles murmuraram porque não tinham carne. Eles murmuraram durante quarenta anos no deserto e quando chegaram na terra prometida, ainda continuaram murmurando. Muitos de nós somos como eles. Deus nos abençoa, mas há algumas coisas que nós não gostamos. Deus então nos abençoa mais, e nós ainda continuamos murmurando.
Em segundo lugar, eles deviam fazer tudo sem contendas (Fp 2.14). A palavra “contendas” no grego é dialogismoi. Essa palavra descreve as disputas e debates inúteis e até mal intencionados que engendram dúvidas e vacilações. Essa palavra tem uma conotação legal de “dissensões”, “litígios” e indica que os filipenses estavam apelando até para tribunais pagãos para resolver suas diferenças (1Co 6.1-11).
Porque murmurações e contendas são atitudes tão reprováveis? Primeiro, essas atitudes são completamente opostas à atitude de Cristo (Fp 2.5). Segundo, essas atitudes obstaculizam a causa de Cristo entre os descrentes. Se tudo que as pessoas conhecem sobre a igreja é que seus membros vivem constantemente murmurando e contendendo, eles terão uma impressão negativa de Cristo e do evangelho. Terceiro, provavelmente mais igrejas se dividiram, ainda hoje, por causa de contendas do que por causa de heresias.
2. A salvação é demonstrada através de uma conduta irrepreensível (Fp 2.15a).
O apóstolo Paulo detalha sobre a conduta irrepreensível, abordando três pontos importantes:
Em primeiro lugar, os crentes devem se tornar irrepreensíveis. A palavra grega usada por Paulo para “irrepreensíveis” é amemptos e expressa o que o cristão é no mundo. Sua vida é de tal pureza que ninguém encontra algo nele que se constitua uma falta. O cristão deve ser não apenas puro, mas viver uma pureza que seja vista por todos. O cristão deve refletir o caráter de seu Pai, a ponto de viver de tal maneira que ninguém pode lhe apontar um dedo acusador (Mt 5.13,45,48).
Em segundo lugar, os crentes devem se tornar sinceros. A palavra grega para “sinceros” é akeraios. Ela expressa o que o cristão é em si mesmo. Essa palavra significa literalmente “sem mescla”, “não adulterado”. Essa palavra era usada para referir-se ao vinho ou leite puros ou sem mistura de água. Essa palavra era usada também no vocabulário da primitiva metalurgia para falar do ouro puro, do bronze puro ou qualquer metal sem impureza. Essa palavra era usada também para o barro puro utilizado na confecção de vasos. Nos tempos antigos alguns oleiros cobriam de cera as trincas dos vasos e enganavam os compradores. Esses vasos, ao serem expostos à luz do sol; a cera derretia e logo apareciam os defeitos. Então, os compradores passaram a exigir vasos sem cera. Daí foram cunhadas as palavras: sincero e sinceridade, ou seja, sem cera.
Jesus usou essa palavra quando disse que seus discípulos deveriam ser inocentes como as pombas (Mt 10.16) e Paulo a usou quando disse que devemos ser símplices para o mal (Rm 16.19). O apóstolo Paulo diz que devemos viver assim no meio de uma geração pervertida e corrupta (Fp 2.15) como Daniel viveu na Babilônia cheia de deuses pagãos, numa cultura pagã, sem se misturar e sem se contaminar.
Em terceiro lugar, os crentes devem se tornar filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida. A palavra grega para “inculpáveis” é amomos. Ela descreve o que o cristão é na presença de Deus. O termo se vincula particularmente com os sacrifícios. Aplicado a um sacrifício significa “imaculado”. A pureza do cristão deve ser tal que suporte o juízo de Deus. A vida do cristão deve ser tal que possa ser oferecida a Deus como um sacrifício sem mácula.
É importante ressaltar que a vida cristã não é vivida num estufa espiritual, numa redoma de vidro, mas no meio de uma geração pervertida. Não é ser sal no saleiro nem luz debaixo do alqueire. Bruce Barton corretamente interprete esse fato, quando escreve:
Enquanto crentes nós somos desarraigados desde mundo perverso (Gl 1.4). Porque na verdade nós não somos do mundo (Jo 17.16). Ao mesmo tempo não somos removidos fisicamente do mundo (Jo 17.15). Nós estamos no mundo, com a missão de no mundo anunciar as boas novas do evangelho (Jo 17.18). Assim, também, a igreja de Filipos precisava completar sua missão no mundo, vivendo como filhos de Deus inculpáveis no meio de uma cultura depravada e pervertida.
3. A salvação é demonstrada através de um testemunho notável (Fp 2.15b)
Os crentes são exortados a brilhar como astros celestes neste mundo tenebroso (Mt 5.14-16). A palavra grega que Paulo usa para “luzeiros” é phosteres. Lightfoot diz que essa palavra é usada quase que exclusivamente para os astros celestes, exceto quando seu uso é metafórico, como neste texto. Essa é a palavra usada na versão grega de Gênesis 1.14-19 para referir-se ao sol, à lua e às estrelas que o Criador espalhou pela abóbada celeste no quarto dia. Tais luminárias não brilham para si mesmas; brilham a fim de prover luz para o mundo todo. O mesmo deveria ser verdade a respeito do crente: ele vive para os outros. A igreja tem sido chamado de clube que existe para o benefício dos que não são sócios.
A vida da igreja no mundo é comparada à influência da luz num lugar escuro. Robertson diz que toda igreja é uma casa de luz em um lugar de trevas. Quanto mais escuro é um lugar, mais a luz é necessária.
Bruce Barton diz que o nome dado à estrela mais brilhante da noite é Sirius, da constelação de “Canis Major” e a mais brilhante estrela do dia é o sol. Paulo tira uma lição dos astros celestes quando compara os crentes como as estrelas e a sociedade como a escuridão do universo. Na única outra passagem que usa esta palavra aparece no Novo Testamento, há a descrição da cidade santa, que reflete a glória de Deus como a luz de uma jóia (Ap 21.11).
É digno de nota que Paulo não admoesta os cristãos a se isolarem do mundo nem a viverem em “quarentena espiritual”. Os fariseus eram tão alienados e isolados da realidade que desenvolveram uma justiça própria artificial, inteiramente distinta da justiça que Deus desejava que cultivassem em sua vida. Em decorrência disso, sujeitaram o povo a uma religião de medo e de servidão e crucificaram a Cristo, porque ele ousou opor-se a esse tipo de religião.
4. A salvação é demonstrada através de uma fidelidade inegociável (Fp 2.16)
O apóstolo Paulo enfatiza aqui duas coisas importantes: Em primeiro lugar, a necessidade de a igreja preservar a palavra da vida. A Palavra de Deus é singular. Ela não se assemelha aos demais livros. Ela é viva (Hb 4.12). Ela é a palavra da vida (Fp 2.16). Ela é espírito e vida (Jo 6.63). Ela é a palavra da vida porque proclama a verdadeira vida que se encontra em Cristo. A palavra grega usada para “preservar” epechein foi usada na cultura secular para oferecer vinho a um hóspede. Os filipenses deveriam oferecer o evangelho ao mundo moribundo, porque somente o evangelho oferece vida abundante e eterna. A palavra da vida não é para ser retida, mas compartilhada. O ensino de Paulo não é para a igreja se refugiar entre quatro paredes, isolando-se do mundo; ao contrário, o projeto de Deus é que a igreja brilhe como estrelas numa noite trevosa e leve ao mundo a palavra da vida.
Em segundo lugar, a necessidade da igreja trabalhar enquanto é tempo. Paulo deixa bem claro que ele enfrentará “o dia de Cristo” com muita confiança, desde que seus convertidos permaneçam firmes e viram de modo que tragam crédito ao evangelho que lhes pregou. Tem você investido na vida e outras pessoas? No dia de Cristo você terá a alegria de apresentar a Deus os frutos do seu trabalho? Ou você comparecerá diante dele de mãos vazias?

Sermão de Rev. Hernandes Dias Lopes/ Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-ES;
Considerações, algumas referências e acréscimos de conteúdo por Gabriel Felipe M. Rocha