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domingo, 2 de novembro de 2014

O que é ser um “reformado” e o legalismo religioso dos nossos dias

O que é ser um “reformado” e o legalismo religioso dos nossos dias


Olá, leitores do Blog Palavra a Sério, a paz de nosso Senhor Jesus!

Muitos cristãos evangélicos comemoraram ou pelo menos memorizaram a Reforma Protestante no último dia 31. Pois bem, mas, interessante que, muitos desses evangélicos, estão hoje numa situação em suas igrejas em que é preciso que haja uma reforma. Outra reforma! Não outro Evangelho como alguns já têm instituído.
Muitas igrejas se fundamentam em “novas revelações”, se dão ao misticismo religioso, ao legalismo, ao sectarismo e às novas correntes doutrinárias que ultrapassam as Escrituras. Muitos estão já totalmente mergulhados em dogmatizações totalmente afastadas da verdade da Palavra.
E o trunfo da reforma Protestante foi o advento da Palavra como referencial ÚNICO de fé e prática da Igreja. Mas muitos estão, como disse, preferindo se fecharem em seus “ninhos” denominacionais e se entregarem ao legalismo religioso. Legalismo esse que tende a negar a graça de Deus quando instituem doutrinas e dogmas cujo  indivíduo deve se esforçar através de ritos e práticas para alcançar a graça de Deus e sabemos que não é isso que nos foi ensinado.
Eu mesmo (Gabriel Felipe), junto com minha família, tomei a decisão (que foi já determinada por Deus)  de me reformar e abraçar o Evangelho da Reforma Protestante que, é o próprio Evangelho da Palavra de Deus, ou seja, é o Evangelho bíblico, autêntico sem reformulações, “novas revelações”, legalismo e religiosidade. É o poder de Deus para todo aquele que crê. (confira a postagem: http://palavraserio.blogspot.com.br/2014/08/evangelho-poder-de-deus-para-todo_17.html).
Portanto, há hoje uma urgência em querer que haja uma nova Reforma Protestante, mas, dessa vez, envolvendo não só  a Igreja Católica Apostólica Romana, mas também algumas igrejas evangélicas que se afastaram da Palavra. Hoje, eu, assim como muitos reformados, protestamos contra esses abusos que acontecem em várias igrejas e, pela Palavra (não por força e nem violência) pregamos a verdade e confrontamos nossos leitores com as Escrituras.
Viva o Evangelho autêntico!

Assim, deixo aqui uma breve exposição sobre o que é ser, de fato, reformado:



O crescimento do interesse pela fé reformada em todo o mundo é um fato que tem sido notado aqui e ali pelos estudiosos de religião. Crescem em toda a parte a publicação de literatura reformada, o ingresso de estudantes em seminários e instituições reformadas, a realização de eventos, o surgimento de novas igrejas e instituições de ensino reformadas e o número de pessoas que se dizem reformadas, especialmente oriundas de denominações pentecostais.

Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Por “reformado” entendo aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados “Cinco Pontos do Calvinismo,” resumidos no acrônimo “TULIP” (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança final).

A Reforma produziu movimentos associados aos seus grandes líderes, os quais concordariam substancialmente entre si quanto aos “solas” e o TULIP, mas que divergiram em outros pontos. Refiro-me a luteranos, zuinglianos e calvinistas. Com o passar do tempo, o nome “reformado” foi se associando mais e mais aos calvinistas, de maneira que, de maneira genérica, os termos “reformado” e “calvinista” são usados hoje como similares.

Existe, todavia, um grande número de igrejas que são da "tradição reformada" mas que já não creem de maneira ortodoxa quanto a estas doutrinas. Geralmente essas igrejas não estão experimentando esse crescimento, mas um esvaziamento, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) e outras denominações historicamente ligadas à Reforma, mas que já não professam seus postulados. Por outro lado, da África, Coréia, China, Indonésia, e Brasil, por exemplo, chegam relatórios do florescimento calvinista. É claro que o calvinismo acaba recebendo diferentes interpretações e expressões em tantas culturas variadas, mas os pontos centrais estão lá.

Isso não quer dizer que os reformados são muito numerosos, comparados com pentecostais e arminianos, por exemplo. O que eu quero dizer é que os relativamente poucos reformados têm experimentado um crescimento que já chama a atenção de muitas denominações e tem provocado alertas da parte de seus líderes.

A ressurgência calvinista nos Estados Unidos não está ocorrendo somente entre os Batistas, mas entre muitas outras denominações. Um dos motores é o ministério de pastores reformados populares, como John Piper, R. C. Sproul, Al Mohler, J. C. Mahaney, Tim Keller, Kevin DeYoung e John MacArthur, entre outros. Os eventos promovidos por eles recebem milhares de pastores de todas as denominações e seus livros são traduzidos em dezenas de línguas, inclusive em português. No Brasil temos quase todos os títulos destes autores.

Mas, o interesse maior na fé reformada no Brasil parece ser da parte dos pentecostais. Cresce a presença de pastores e líderes pentecostais nos grandes eventos reformados no Brasil. Cresce também o número de pentecostais que estão adquirindo literatura reformada. E cresce o número de igrejas pentecostais independentes que estão nascendo já com uma teologia influenciada pelo calvinismo. Algumas denominações pentecostais também vêm recebendo a influência calvinista a passos largos.

O ministério de editoras que publicam material reformado, como a Editora Cultura Cristã, a Fiel e a Publicações Evangélicas Selecionadas, por exemplo, tem servido para colocar as obras de reformados brasileiros e internacionais nas mãos dos evangélicos brasileiros ávidos por uma teologia consistente, e cansados dos excessos do neopentecostalismo e da aridez do liberalismo teológico.

Não tenho uma explicação definitiva para esse fenômeno do retorno da TULIP. No mínimo, é curioso que uma fé tão perseguida e odiada como o calvinismo, de repente, passe a ter mais aceitação. Poucos, na história da Igreja, foram tão mal entendidos, distorcidos, vilipendiados, odiados e amaldiçoados quanto João Calvino. Chamado de tirano, déspota, incendiário de hereges, frio, duro, determinista, criador do capitalismo selvagem, Calvino tem sofrido mil mortes nas mãos de seus detratores, os quais, na maioria das vezes, nunca leram sequer uma de suas obras, e que formaram sua opinião lendo obras de críticos.

Somente espero que, à medida que o movimento cresce no Brasil, os reformados aprendam a reter o que é essencial e bíblico na Reforma, sem tornar em matéria de fé aquilo que pertenceu a séculos passados em outras culturas, como, infelizmente, já tem acontecido no Brasil com alguns grupos. Que eles lembrem que a fé bíblica, que é a fé da Reforma, também pode se expressar dentro da rica e variada cultura brasileira.

Logo após essa breve exposição sobre o que é ser reformado, deixo uma outra exposição sobre o legalismo religioso atual.


O Legalismo religioso de algumas igrejas (urgência da Reforma Protestante nos dias de hoje)

O que é o legalismo? É um sistema de crenças falaciosas que convence e induz o homem a cumprir, com esforço excessivo, a lei de Deus ou as leis civis. Geralmente as seitas cristãs (ou pseudo-cristãs) estão repletas disso. E, na maioria delas, as doutrinas e “a forma de vida” (que ultrapassam o Evangelho) são oriundas de “novas revelações”, configurando assim o “outro Evangelho”.

Depois disso, passamos a pensar por alguns dias sobre outra pergunta: Não é legitimamente bíblico lutar contra a natureza pecaminosa, esforçando-se para viver em fidelidade aos conselhos de Deus? Sim, mas isso não é o legalismo. Não podemos confundir o legalismo com a perseverança dos santos.

Embora essa última pergunta pareça defender o legalismo, tal como fora descrito, o propósito deste texto é apresentar a perspectiva bíblica sobre o tema, visando dirimir a confusão que muitas vezes fazemos quanto ao legalismo e a confiança na graça de Deus, afetando negativamente certos aspectos da vida cristã. A salvação não pode ser obtida por obras, mas as obras é uma exigência da fé verdadeira (Tg 2:18).

A palavra “legalismo” tem origem no Latim (legalis, relativo à “lei” + ismo como sufixo que dá forma ao substantivo e denota “sistema”). No Antigo Testamento a palavra “lei” é traduzida de towrah (hb.), carregando o sentido de “instrução” e “direção” (cf. Êx 12:48-51). Já no Novo Testamento é traduzida de nomos (gr.) e significa “norma” ou “regra de ação” (BW9, cf. Mt 5:17). Tanto para Grécia quanto para Roma, nomos era o deus Daemon/Gênius, guardião da justiça entre os homens que exigia fidelidade às normas de Zeus/Júpiter (SMITH, p. 174-175). Os leitores neotestamentários estavam familiarizados com o aspecto religiosamente pagão de nomos, mas muito mais com o seu significado legal na cultura teocrática de Israel. A lei de Deus, superior a todas as demais, fora estabelecida para ser cumprida rigorosamente em todas as dimensões da vida (Lv 26:12-18; Dt 11:26-8). 

A lei de Deus reflete a retidão do seu perfeito ser, que é soberanamente santo e justo (Dt 32:4). Ao violar a aliança de Deus, deixando de obedecer a sua lei, o homem se meteu no pecado (Ec 7:29 cf. Gn 3:17-19) e por ele foi corrompido quanto ao seu estado original, passando a viver os efeitos mortificantes da sua relação com o Criador. Desde então, ele tem sido chamado por Deus à santidade, através da obediência fiel aos seus preceitos (Lv 20:7).

A “fidelidade” é, por definição (“fé”), a “firme” ou “estável” confiança em Deus (Js 24:14; Tt 2:10) e, certamente, o seu propósito final encontra-se além do cumprimento externo de determinadas normas. A “justiça”, do mesmo modo, é o direito de cumprir a lei e ser aprovado (At 10:34-35; 1 Jo 3:7). Noé entendeu isso (Gn 6:9 e 7:1; Hb 11:7), bem como Abraão (Gn 26:4-5; Hb 11:8). Moisés reivindicou isso do povo (Dt 4:1-8). E Jesus veio para cumprir justamente toda a lei de Deus, a fim de salvar o homem (Mt 5:17) da condenação por causa do seu pecado.

Jesus disse que provamos amar a Deus quando conhecemos a sua palavra e a obedecemos (Jo 14:21). Ele quer que sejamos fiéis nesse compromisso de aplicar os seus ensinos para a nossa santificação! Entretanto, isso é impossível sem a operação do Espírito Santo, pois é ele quem nos ensina, aplicando eficazmente verdades que nos restauram e nos consolam (Jo 14:26) frente às pressões mundanas do nosso tempo, até que Cristo volte. Sem a obra do Espírito Santo que inicialmente nos revivifica e nos santifica, qualquer que seja o nosso esforço de santificação será improdutivo para a glória de Deus.


2. O legalismo, a salvação e a santificação.

O legalismo é distinto da fidelidade, pois o legalismo tem o seu foco nas normas, enquanto a fidelidade na pessoa que as estabeleceu. O legalismo, nesse sentido, despreza a graça divina e tenta conquistar o mérito de ser aceito por Deus mediante o seu pretenso esforço religioso. Isso pode inicialmente parecer nobre, contudo a Bíblia ensina que boas ações não podem fazer uma pessoa justa, visto que a condição humana está totalmente incapacitada para produzir qualquer justiça que altere a sua condição diante de Deus (Gl 2:16; Ef 2:1; Cl 2:13). A salvação é obra exclusiva da graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Submeter confiantemente a nossa vida à Deus, arrependidos dos nossos pecados, é o que a Bíblia exorta a fazer (At 17:30). Só fazemos isso quando recebemos a graça de Deus pelo mérito de Jesus, e o Espírito Santo nos concede a vida eterna, que é a garantia da salvação. Este é o princípio de uma vida de obediência.

O contrário dessa verdade bíblica ou a sua má compreensão, produz no homem um falso senso de auto-importância por sua suposta fidelidade a Deus (Pv 25:27; Lc 18:11-12; Rm 12:3), convencendo-o de que a salvação, bem como a santificação, é resultado do seu esforço e merecimento (Lc 17:10; Rm 3:9-12). Deus sempre condenou o orgulhoso, o que confia em sua própria bondade e o que espera receber a graça de Deus na base dos seus atos admirados pelos homens (Lc 18:9; Rm 9:30-33). 

Ademais, o legalismo sempre coloca a ênfase no externo em detrimento do interno (1 Sm 15:22). Ele despreza a graça de Deus e concentra os seus esforços para transformar primeiramente o homem exterior, ou seja, os seus comportamentos, os seus vícios, as suas palavras, os seus maus hábitos, as suas amizades, etc (Cl 2:20-23), mas negligencia o fato de que antes o Senhor vê o coração. Jesus confrontou os fariseus com o fato de que, embora eles tenham feito um grande esforço para limpar os seus copos e pratos, se esqueceram de limpar os seus corações, que eram cheios de rapina e perversidade (Lc 11:37-41). Por isso, o legalista tende a julgar os outros (Mt 7:1-5), pois pensa que a sua justiça, que é baseada em méritos pessoais (larga experiência, títulos acadêmicos, poder econômico, cargos elevados na hierarquia do poder) excede a dos demais.

É importante ressaltar que obedecer a Deus jamais tem denotação negativa e deve ser buscada constantemente. E ela, nem sempre, é interpretada como legalismo, pois a genuína evidência da fé verdadeiramente em Jesus se dá através das obras (Tg 2:18). Ao abalar esse alicerce estaríamos estimulando o relaxamento generalizado das responsabilidades pessoais que a própria santificação envolve.

Aquele que reconhece a sua dependência da graça de Deus a todo instante, é humilde em seus relacionamentos e tudo o que faz, faz acima de tudo para a glória do seu Senhor, não para se promover entre os homens.


2. O legalismo e a conduta moral.

Como já exposto, a graça não nos autoriza a pecar, libertando-nos da responsabilidade moral de observar e atender os conselhos de Deus (Rm 6:1-4). 

O conceito de liberdade do mundo gradualmente obscurece a percepção de que a liberdade é cercada de limites. O homem é livre para andar, mas não é livre para voar, porque a sua liberdade não lhe garante fazer tudo o que gostaria. Porque não existe liberdade sem lei. Não é de se estranhar o fato daqueles que exploram a liberdade pessoal, mas respeitando os limites estabelecidos pela família, pela sociedade e, especialmente pela Palavra de Deus, sejam rotulados de “legalistas” ou “fundamentalistas” por aqueles que defendem uma conduta moral sem regras ou preceitos que a oriente. Mas também, mesmo nos círculos cristãos, percebemos que existem legalistas. São pessoas mal resolvidas, guiadas pela obstinação da vaidade e desajustadas entre aquilo que ensinam e o que demonstram em suas próprias vidas. São religiosos pessimistas e incompassivos quando julgam os outros.

Jesus foi a única pessoa que usou a palavra “hipócrita” (hupokrites) no Novo Testamento (20x e apenas nos Sinóticos). Esta palavra tem origem na arte grega, especificamente no teatro, significando “autor”, “dissimulador” ou “jogador” (BW9). No contexto em que Jesus reagiu a uma tensão provocada pelos fariseus, ele respondeu: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (Mt 23:27). A ideia transmitida é de uma pessoa que “faz o jogo” da religiosidade pura por motivações impuras e repugnantes. Por isso, a característica que mais denunciava um hipócrita nos dias de Jesus era o excesso de autoconfiança, de orgulho e da pretensa tentativa de promover a aparência de santarrão. Esses, agiam como se fossem um padrão de fidelidade à Deus aos outros, mas estavam bem distantes dessa realidade!

Por que os fariseus podem ser classificados como legalistas?

Primeiro. Eles eram hipócritas. Eles fingiam ser dedicados, consagrados, observadores rigorosos da lei de Deus, altamente disciplinados, e assim demonstravam que eram justos e cheios de piedade; mas as suas motivações eram reprovadas e não viviam, no espírito da lei, o verdadeiro amor a Deus (Mt 23:4-7, 25-28). Eles não foram condenados porque eram demasiadamente zelosos, mas porque eram fingidos, falando e exigindo aquilo que não praticavam (Mc 23:3).

Segundo. Eles davam maior atenção para meios negociáveis de se expor a fé, que aos de caráter inegociáveis na lei (Mt 23:23; Lc 11:42). Jesus referiu-se a essa tendência como coar um mosquito e engolir um camelo em Mateus 23:24. Um legalista é como um fariseu nos dias de Jesus, ele se preocupa mais com picuinhas, com superficialidades e assuntos sem importância... como meios de chamar atenção para si e provar a sua exaltada razão entre os outros. Assim, demonstra-se estar perdido daquilo que é o mais importante no cumprimento da lei, que é a atitude voluntária e consciente da obediência (fé), e não meramente da obrigação em si (obras).

Terceiro. Eles interpretavam mal a lei de Deus (Mt 5:17-48), e foi por isso mesmo que fizeram interpretações falaciosas dela, elevando tradições e preferências humanas para o mesmo nível de autoridade das Escrituras (Mt 15:1-9; Mc 7:1-13). Jesus repreendeu repetidamente os fariseus por esse malícia, a qual sobrecarregava as pessoas com culpas injustificáveis, dívidas impagáveis e sacrifícios intermináveis. E ainda, seus falsos ensinos alimentavam o perverso sistema de arrecadações de recursos pelos serviços prestados no Templo e no Sinédrio. 


Conclusão.

O legalismo, portanto, negligencia a graça de Deus com base em legalidades e tradições despidas da fé e da misericórdia. E, portanto, não pode ser confundido com a obediência requerida por Deus, visto que ela é o princípio preeminente da salvação.

Embora a graça de Deus é, por muitas vezes, mal compreendida biblicamente, dando força para aqueles que estão decididos a pecar, ela produz a firme consciência da obra de Deus a nosso favor, conduzindo-nos a uma vida de obediência à sua Palavra. E quando pecamos, deixando de cumprir o que ela prescreve, podemos contar com o perdão divino e a renovação das forças para a devida perseverança da fé, sabendo que em nenhuma condição poderemos pagar a dívida dos nossos pecados, mas demonstrar o sincero desejo de se ver livre dele observando e obedecendo atentamente os conselhos de Deus, por submissão a ele.

O legalista não aceita isso por estar apegado a formas rigorosas de disciplina religiosa e vaidades. Ele pode ensinar corretamente verdades da Escritura, estando distante como referencial bíblico de vida cristã, por ausência de piedade e humildade.

Acreditamos na necessidade de cuidar, de zelar da nossa caminhada cristã, buscando a santificação das nossas vidas, obedecendo os ensinos da palavra de Deus. Contudo, reconhecemos o perigo de nos cegarmos pelo excesso de autoconfiança, tentando monitorar o nosso próprio pecado a ponto de criar um padrão de moralidade falacioso, e ainda usá-lo como base para julgar os outros por comparações insensíveis e impiedosas. 

Deus não nos julgará com base nas regras que podemos criar para estabelecer a nossa vida cristã, mas com base nas suas e elas são inalcançáveis em sua plenitude e perfeição. O único caminho de sermos justificados diante da lei de Deus é pela graciosa obra de redenção que ele efetivou por seu único Filho, Jesus Cristo. E uma vez redimidos por sua graça, mediante a fé, devemos viver obedientes a ele, mas sempre cientes que ainda sofremos os efeitos do pecado. Por isso, carecemos da constante misericórdia de Deus, assim como as pessoas a nossa volta esperam que também sejamos misericordiosos.



Ver também:






  Gabriel Felipe M. Rocha

Referências bibliográficas:
Bíblia de estudo de Genebra/ trad. JFA atualizada;
Bíblia de Estudos Palavras Chave/ Hebraico-grego;
Carta aos Romanos (Karl Barth)

Sermão Ver. Augustus Nicodemus Lopes/ Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia/

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O que é Graça?

O que é Graça?
Paulo emprega a palavra "graça" para significar o oposto de "obras e méritos". "Pela graça sois salvos [...] não por obras" (Ef. 2:8-9). Graça significa favor imerecido ou favor dado sem que seja ganho por esforço algum.
Pela palavra "misericórdia", entendemos que alguém em dificuldade ou derrotado, está recebendo um benefício. Misericórdia faz supor uma pessoa sofredora a quem ela é concedida. Semelhantemente, "graça" sempre pressupõe indignidade na pessoa que a recebe. Se alguém nos dá qualquer coisa por graça, é porque nós não a merecemos. Qualquer coisa que mereçamos por direito, não pode ser nossa por graça. Graça e mérito não podem estar ligados no mesmo ato. São realidades tão opostas como luz e trevas. "Se é por graça, então não é por obras; de outra maneira, a graça já não é graça" (Rom. 11:6).
Assim, dizemos que nós recebemos a graça de Deus. Estamos dizendo, ao mesmo tempo, que somos indignos dela e que não podemos trabalhar por ela. Desta maneira, definimos graça como ela é usada no Novo Testamento, ou seja, "O eterno e absolutamente livre favor de Deus concedido a pessoas indignas e culpadas na doação de bênçãos espirituais e eternas".
A graça de Deus é eterna
À graça, de modo algum, depende do mérito humano; depende só da vontade de Deus. Não é ganha por mérito nem perdida por culpa. A graça é absolutamente livre de qualquer influência humana. Portanto nada há que possa derrotá-la, uma vez que ela foi dada. Por isso, Deus pode dizer: "... pois que com amor eterno te amei" (Jer. 31:3). Tal é a gloriosa base da nossa salvação!
Graça não é como uma franja de ouro na fímbia do vestuário; não é como um enfeite que decora um vestido; porém, é como o propiciatório do Tabernáculo, que era de ouro — de ouro puro — inteiramente de ouro! Portanto, aprendemos como estão seriamente enganados os que sugerem que a graça de Deus pode ser alcançada pelas boas obras. A graça de Deus recusa-se a ser ajudada naquilo que ela tem de fazer. Não seria um insulto à soberania de Deus sugerir que Ele precisa de ajuda do pobre desempenho do homem? A graça, ou é absolutamente livre de toda a nossa influência, ou então não é graça de modo algum.
Salvação, totalmente gratuita!
A graça "reina", diz Paulo em nosso texto (Rom. 5:21). Assim, a graça é comparada a um rei. Nos versículos anteriores, também o pecado é comparado a um rei. Como o pecado aparece armado de poder destrutivo, infligindo a morte, assim a graça aparece armada de invencível poder, amorosamente determinada a salvar. E "onde o pecado abundou, a graça o superou em tudo” (v. 20). Assim, o controle é da graça.
Em outras palavras: aqueles a quem Deus salva por Sua vontade misericordiosa, certamente estão totalmente salvos. Se Deus graciosamente resgata homens do poder do pecado, e lhes dá novas habilidades espirituais, então, não serão deixados para se fazerem suficientemente santos para entrarem no céu. Se a obra graciosa de Deus ficasse restrita a isso, a consequência final ainda seria duvidosa; a graça não estaria reinando. Além disso — admitindo-se que tal coisa fosse possível — os que conseguissem santificar-se por seus próprios esforços, ficariam muito, orgulhosos pelo que fizeram — o que seria diametralmente o oposto da graça!
Portanto, se a graça há de reinar, ela tem que ser o único meio de salvação. Por Sua vontade misericordiosa, Deus não apenas tem que começar, mas também continuar e completar a salvação do pecador. Então, se pode dizer com certeza que a graça "reina". Certamente uma certeza maravilhosa como esta glorifica a Deus.
A graça se adapta melhor à nossa necessidade do que qualquer outra coisa. Visto que o pecado é um tirano que reina sobre nós, e pretende levar-nos à morte eterna, que esperança podemos ter de salvação firmados em nossos próprios esforços? Quando nossas consciências ficam alarmadas por causa de nossas muitas falhas vergonhosas, não entramos em desespero? Lembre-se, porém, de que a salvação é pela graça de Deus! A graça de Deus está fundamentada na obediência perfeita e meritória de Cristo. O pecado não pode destruir o valor disso. A graça pode reinar sobre a maior indignidade. Na verdade, é só com o indigno que a graça se preocupa. Isso é assombroso! Isso é maravilhoso! Há esperança de salvação para o pior indivíduo, se é que ela é assegurada pela riqueza da graça que reina.
Teremos que ver nas próximas vezes como a graça reina na nossa eleição — chamamento, perdão justificação, adoção, santificação e perseverança.


(Por Abraham Booth/1734-1806/ fonte: Os Bereianos)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SEMANA DA REFORMA PROTESTANTE

Olá amigos, irmãos e leitores do PALAVRA A SÉRIO, a paz de nosso Senhor!

Nesse mês (outubro) se comemora o dia da Reforma Protestante e, para nós (servos de Cristo), é uma data importante e memorável.
 
Temos aqui no blog algumas postagens relacionadas a essa data e tema. Confira:

http://palavraserio.blogspot.com.br/2011/10/pilares-da-reforma.html (Pilares da reforma)

http://palavraserio.blogspot.com/2011/10/principios-da-reforma-protestante.html (Princípios da Reforma - Sacerdócio Universal do Crente)


Não deixem de conferir !




Gabriel  Felipe M. Rocha

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A grande religião: Evangelho moderno, Cristianismo Romano

Paz do Senhor aos amigos leitores, hoje iremos falar sobre a grande religião. Leiamos o texto de Mateus capitulo 13 versículos 31 e 32. Antes da leitura quero lembrar que a palavra segue também um contexto, e será interpretada conforme este contexto. Não é intenção do Palavra a Sério criticar, entristecer, constranger alguém, falamos do que cremos, do mesmo jeito que avaliamos outros blogs e culturas religiosas a luz da Palavra.

31 Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo;

32 o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos.

Aplicação do Evangelho moderno:

Jesus nos ensina sobre o que viria a ser o Reino dos céus, um primeiro destaque claro é que Jesus diz que o seu Reino é como um grão de mostarda, por que? _ "...é realmente a menor das sementes...", o Reino não tem aparência externa, e é considerado por muitos como pequeno, hoje as pessoas tem muitas prioridades: prosperidade, curas, status, a semente da mostarda não é a "...boa semente..." vv 24, quando o Reino é a menor importância na vida do homem, o homem vive de aparência "...maior das plantas...".

Qual é a boa semente? _Jesus, a Palavra, e Ele mesmo disse: "...Eu sou o Pão da vida...", de onde vem o pão? _Do trigo. A boa semente não é a mostarda. o Reino da semente de mostarda é o Reino sem Jesus, sem o Pão da vida, tem de tudo, tem curas, tem prosperidade, tem milagres, só não tem Jesus. Falam da semente errada, é como "falar de Jesus sem falar de Jesus". Jesus nos mostra nesta parábola o que viria a ser o Reino dos céus "...que um homem pegando dele, semeou no seu campo..." nos seus interesses, e hoje o mundo tem visto um evangelho assim, de um campo humano, uma semente parecida com a boa semente, "...maior das plantas...", um Reino aparente, mas que não alimenta a alma.


Aplicação Cristianismo Romano:

Irmãos, a palavra é viva, e vai falar de muitas maneiras conforme for a vontade do Espírito Santo. um rápido resumo: _ O Reino é semelhante um grão de mostarda, que um homem semeou no seu campo, e ela cresceu e se fez a maior das árvores e as aves do céus criaram ninhos nos seus ramos.

Um dia um homem tomou do Reino e semeou no seu campo, aquilo que era "a menor das sementes", a igreja, perseguida, morta, humilhada, e este homem de nome Constantino, que tomou o reino que já estava contaminado após a morte dos apóstolos, por diversas heresias, ataques de apostasias, e nos diz a história que este homem teve uma visão de uma cruz, onde estava escrito "com este sinal vencerás", então ele entende que ele deveria se tornar cristão, mas acontece que ele semeou no seu campo, a igreja então se une ao seu campo: o império Romano. Ele então estabelece que aquela seria a religião oficial, ai começa o reino da semente de mostarda, pois Cristo deixou de ser cabeça da igreja, passando esta a pertencer a Constantino. Esse homem era tão herege que deixou para ser batizado próximo a morte, crendo que o batismo limpava somente os pecados anteriores ao batismo, e não entendendo que havia uma purificação posterior a conversão, mediante a fé constante em Jesus.

Maior das árvores, então irmãos, este reino da mostarda se torna o maior em aparência, número, mas sem a vida, dando lugares às aves do céu. As aves do céu são os anjos caídos, os demônios, isso mesmo, Paulo na carta aos Efésios chama Satanás de "príncipe das potestades do ar", ou seja do céu, e irmãos esta grande religião, foi criada assim, deixando de lado a Palavra, a semente de trigo, de onde virá o Pão da vida ao homem, sabe como as aves dos céus pousaram? por meio dos tais "santos", imagens de adoração, ídolos, e a palavra nos ensina em I Co 10:20 que o sacrificado ao ídolo é sacrificado aos demônios, (minha próxima postagem será sobre "os santos" onde será explanado à luz da Palavra esta expressão).As aves do céu não só pousaram mas criaram ninhos, ou seja, não irão sair, e no ninho nascem mais aves, e as aves saem escondidas dos ovos, e a heresia é assim, nasce escondida sem ninguém perceber, e não adianta uma reforma, Lutero é um exemplo, ele teve que sair daquele meio, ele encontrou a boa semente, o tesouro escondido no campo nos diz a palavra, ele estava no meio deste campo mas saiu deste meio, por isso devemos fugir do ecumenismo, ecumenismo é misturar a boa semente com a semente de mostarda, onde habitam as aves do céu. I João 5:21 "Filhinhos guardai-vos dos ídolos. Amém"

Recapitulando: é uma grande religião, não é a boa semente, as aves dos céus estão ali. Não é nosso propósito entristecer vidas, pois muitos estão ali com o desejo de encontrar ou pensando ter encontrado a boa semente. Que Deus tenha misericórdia de nós, não troquemos a boa semente por outra.

Mateus de Souza Morais

domingo, 20 de novembro de 2011

Princípios da Reforma Protestante II - Sacerdócio e Palavra

A ORELHA DIREITA DE MALCO

Lucas 22:50

Os quatro Evangelhos descrevem este momento em que Jesus,após a oração no Getsêmani, é entregue às autoridades pela traição de Judas Iscariotes, onde acontece este episódio em que um dos que vieram prender Jesus, tem sua orelha direita cortada. Seu nome: MALCO.

Um grande equívoco que muitos cometem, é dizer que Pedro cortou a orelha do SOLDADO”.

A Bíblia não diz que Malco era um Soldado; os quatro Evangelhos dizem que Malco era “SERVO DO SUMO-SACERDOTE” (Mt.26:51 ; Mc.14:47 ; Lc.22:50; Jo.18:10).

E que diferença faz, se foi soldado ou servo do sumo-sacerdote? Faz toda a diferença.

Aqueles que almejavam um dia ser sacerdotes, dedicavam sua vida de 5 à 8 ,anos ao estudo da Toráh, se dedicavam ao trabalho no Templo (12 em 12 horas colocando lenha no altar para o fogo não apagar; etc...),e no fim de seu estágio, quando faltava 1 ano para ser consagrado ao Sacerdócio, se tornava SERVO DO SUMO-SACERDOTE. Acompanhava o sumo-sacerdote o tempo inteiro, na condição não só de aprendiz (discípulo), mas de servo.

Essa era a posição de Malco, que por ordem do Sumo-sacerdote Caifás, sai com a “turma errada “ para prender Jesus.

(Um parêntese: Quantas pessoas boas vemos andando com a turma errada: a turma dos murmuradores, fofoqueiros,dos invejosos,dos mundanos,carnais, dos inconstantes...)

Malco tem sua orelha direita cortada. Porque a Bíblia faz questão de mencionar que a orelha era a direita?

Qual a importância da orelha direita?

“...e imolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos, como também sobre o dedo polegar da sua mão direita e sobre o dedo polegar do seu pé direito; e espargirás o sangue sobre o altar ao redor.”
( Êxodo 29:20)

Na consagração do sacerdote o sangue era passado na ponta da orelha direita ,e dos polegares diritos dos pés e das mãos, ou seja: sem orelha direita impossível ser sacerdote.

Malco vê naquele momento toda uma vida, todos os seus sonhos caídos ao chão; por isso a dor que ele sentiu foi muito superior à dor física.

Quando tudo parecia estar acabado, Jesus entra na história da vida daquele homem, não para julgá-lo, mas para “RESTAURAR”, a mesma orelha que havia sido cortada.

Façamos aqui uma outra pausa para meditar: Quem sabe você amado leitor, está também vivendo um momento de provação em que parece que seus sonhos e projetos estão falidos; parece que não tem mais jeito...

Há uma solução: Coloque nas mãos de Jesus. Que no tempo d`Ele virá a restauração!

Jesus não privou aquele homem da dor, mas ofereceu o perdão e a restauração. O Senhor permite as dificuldades e provas da vida, para mostrar em meio as dificuldades que Ele é Deus.

FAÇAMOS UMA OUTRA ANÁLISE DESTE TEXTO , APLICANDO À NOSSA VIDA ESPIRITUAL,À NOSSA CAMINHADA COMO CRISTÃOS E SERVOS DE DEUS:

ORELHA DIREITA = Sacerdócio.
Seria impossível exercer o sacerdócio sem a orelha direita.
Sacerdócio Universal do Crente:
“ De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”. (Romanos 10:17)

QUEM CORTOU?
Pedro = andava com Jesus, mas ainda não havia se convertido (Lc.22:32).
SALVAÇÃO SEM TRANSFORMAÇÃO, SEM NOVA FORMA DE VIDA = Simboliza a Religião

(Pedro teve duas fazes distintas em sua vida: a 1ª antes da morte e ressurreição de Jesus, onde ele ainda não havia se convertido; e a 2ª após a ressurreição de Jesus onde ele havia verdadeiramente se convertido.Posteriormente faremos um estudo sobre este assunto para um melhor entendimento).

A RELIGIÃO APÓSTATA QUE DOMINOU O MUNDO:
-Proibiu o povo de ler a Bíblia
1229 d.C. (somente sacerdotes poderiam lê-la)
1546 d.C. Os livros apócrifos são inseridos na Bíblia
- Criou vários mediadores/ disseminou a idolatria
375 d.C. Adoração a santos e anjos
431 d.C. Instituído o culto a Maria
787 d.C. Começa a adoração a imagens e relíquias
830 d.C. Começa o uso da “água benta” e ramos
993 d.C. Começa a canonização dos santos que morreram

- Papa passa a substituir o Espírito Santo, pois recebe o título de representante de Deus na terra
1870 d.C. Proclamada a infalibilidade do Papa (o Papa passa a ser um homem que jamais se engana).
- Comércio da fé / Salvação pelas Obras
1190 d.C. Vendem-se as indulgências

Princípios Básicos da Reforma Protestante:
1º - SUPREMACIA DA FÉ SOBRE AS OBRAS
Ef. 2:8-9 “O justo viverá pela fé”
2º - O SACERDÓCIO UNIVERSAL DO CRENTE
I Pe. 2:5 e 9
3º. JESUS CRISTO, O ÚNICO MEDIADOR
I Tm. 2:5
4º - O LIVRE EXAME DAS ESCRITURAS
Jo. 5:39. A supremacia da Bíblia sobre a tradição – Mt. 15:1-10

AÇÃO DA MESMA RELIGIÃO EM NOSSOS DIAS (No meio Evangélico):
· Água benta
= é o copo com água em cima do rádio ou da televisão que é consagrado pela “oração forte”.
· Adoração de relíquias (Objetos que diziam pertencer aos apóstolos e santos) = Hoje são os Lenços, rosas, sabonetes, vassouras,óleo, água...e tantos outros objetos que são “ungidos”.
· Papa ou Padre como Mediador = O Homem (pastor, missionário, apóstolo, o conferencista, o avivalista) recebendo a glória que pertence à Deus.
· Venda de indulgências = o comércio da fé.
O Materialismo tem governado o espiritual = Só se crê naquilo que se pode ver ou pegar.

É a crise da fé. É o Evangelho só pra atender às necessidades físicas, só pra esta vida terrena (enriquecer, casar,cura física...),não se prega sobre Salvação,Santificação,sobre o Arrebatamento da Igreja,sobre o sacerdócio universal do crente, sobre a Eternidade.
Porque a fé verdadeira e bíblica está relacionada ao que não se vê.

A RESTAURAÇÃO:
- Manifestação da Graça de Deus – SALVAÇÃO PELA GRAÇA

(Pois Malco não merecia ser restaurado; afinal ele estava indo contra Jesus!)
- Orelha restaurada:
*OUVIR A PALAVRA – SUPREMACIA DA PALAVRA DE DEUS
*EXERCER O SACERDÓCIO- SACERDÓCIO UNIVERSAL DO CRENTE

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

CARTA DE CALVINO A LUTERO

Carta de Calvino à Lutero (1545)

Lutero e Calvino



21 de Janeiro de 1545
Ao mui excelente pastor da Igreja Cristã, Dr. M. Lutero, [1] meu tão respeitado pai. Quando disse que meus compatriotas franceses, [2] que muitos deles foram tirados da obscuridade do Papado para a autêntica fé, nada alteraram da sua pública profissão, [3] e que eles continuam a corromper-se com a sacrílega adoração dos Papistas, como se eles nunca tivessem experimentado o sabor da verdadeira doutrina, fui totalmente incapaz de conter-me de reprovar tão grande preguiça e negligência, no modo que pensei que ela merece.

O que de fato está fazendo esta fé que mente sepultando no coração, senão romper com a confissão de fé? Que espécie de religião pode ser esta, que mente submergindo sob semelhante idolatria? Não me comprometo, todavia, de tratar o argumento aqui, pois já o tenho feito de modo mais extenso em dois pequenos tratados, em que, se não te for incomodo olha-los, perceberá o que penso com maior clareza que em ambos, e através da sua leitura encontrará as razões pelas quais tenho me forçado a formar tais opiniões; de fato, muitos de nosso povo, até aqui estavam em profundo sono numa falsa segurança, mas foram despertados, começando a considerar o que eles deveriam fazer.

Mas, por isso que é difícil ignorar toda a consideração que eles têm por mim, para expor as suas vidas ao perigo, ou suscitar o desprazer da humanidade para encontrar a ira do mundo, ou abandonando as suas expectativas do lar em sua terra natal, ao entrar numa vida de exílio voluntário, eles são impedidos ou expulsos pelas dificuldades duma residência forçada. Eles têm outros motivos, entretanto, é algo razoável, pelo que se pode perceber que somente buscam encontrar algum tipo de justificativa.

Nestas circunstâncias, eles se apegam na incerteza; por isso, eles estão desejosos em ouvir a sua opinião, a qual eles merecem defender com reverência, assim, ela servirá grandemente para confirmar-lhes. Eles têm me requisitado de enviar um mensageiro confiável até você, que pudesse registrar a sua resposta para nós sobre esta questão. Pois, penso que foi de grande conseqüência para eles ter o benefício de sua autoridade, para que não continuem vacilando; e eu mesmo estou convicto desta necessidade, estive relutante de recusar o que eles solicitaram.

Agora, entretanto, mui respeitado pai, no Senhor, eu suplico a ti, por Cristo, que você não despreze receber a preocupação para sua causa e minha; primeiro, que você pudesse ler atentamente a epistola escrita em seu nome, e meus pequenos livros, calmamente e nas horas livres, ou que pudesse solicitar a alguém que se ocupasse em ler, e repassasse a substância deles a você. Por último, que você escrevesse e nos enviasse de volta a sua opinião em poucas palavras.

De fato, estive indisposto em incomodar você em meio de tantos fardos e vários empreendimentos; mas tal é o seu senso de justiça, que você não poderia supor que eu faria isto a menos que compelido pela necessidade do caso; entretanto, confio que você me perdoará.

Quão bom seria se eu pudesse voar até você, pudera eu em poucas horas desfrutar da alegria da sua companhia; pois, preferiria, e isto seria muito melhor, conversar pessoalmente com você não somente nesta questão, mas também sobre outras; mas, vejo que isto não é possível nesta terra, mas espero que em breve venha a ser no reino de Deus.

Adeus, mui renomado senhor, mui distinto ministro de Cristo, e meu sempre honrado pai. O Senhor te governe até o fim, pelo seu próprio Espírito, que você possa perseverar continuamente até o fim, para o benefício e bem comum de sua própria Igreja.



Extraído de Letters of John Calvin: Select from the Bonnet Edition with an introductory biographical sketch (Edinburgh, The Banner of Truth Trust, 1980), pp. 71-73.

[1] - Nota do tradutor: O especial interesse por esta carta, pelo que sabemos, é que ela é a única que Calvino escreveu a Lutero.
[2] - Nota do tradutor: Pelo que parece Calvino se refere aos huguenotes que embora haviam assumido o compromisso com uma confissão de fé reformada, mas na prática ainda preservavam os ídolos, toda a pompa e ritual da missa católica romana. Esta prática evidenciava uma incoerência entre o ato e a convicção de fé.
[3] - Nota do tradutor: Calvino se refere ao culto como uma confissão pública de fé.

Tradução livre:
Rev. Ewerton B.Tokashiki
Pastor da Igreja Presbiteriana de Cerejeiras – RO.
Prof. de Teologia Sistemática no SPBC – extensão Ji-Paraná





GABRIEL FELIPE MARTINS ROCHA