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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Uma reflexão singela sobre a amizade

Uma reflexão singela sobre a amizade

O amigo ama em todos os momentos;
é um irmão na adversidade.
(Provérbios 17:17)

A amizade é um fenômeno humano cujas raízes (ou princípios) são plenamente metafísicos. Ou seja, estão para além da física. O cérebro até pode mostrar para o psicanalista onde se manifesta fisiologicamente a amizade, o amor, o companheirismo, até mesmo a fé. Mas nunca poderá mostrar empiricamente  os átomos ou matérias que compõe cada um. Porque suas raízes não estão no plano imanente e não se limitam na esfera terrena. A amizade, assim como todos os outros sentimentos próprios do espírito, está para além do homem e é oriunda de Deus.

Antes de se manifestar o sentimento da amizade em nós nos primeiros contatos e relações humanas de nossa existência, Deus já era “todo Amor”. Ele já era “todo Amizade”, assim como os diversos atributos e características de nosso Senhor.
Tanto que, o termo "amigo” no hebraico (rêa), além de significar “companheiro”, “irmão” e “próximo”, significa também “amante”, “marido”. É um substantivo masculino que significa outra pessoa, ou faz referência à outra pessoa no sentido de alguém que completa ou alguém que se identifica.

A partir dessa noção, podemos aprender que: Deus elegeu um povo para chamar de amigo. Para estar próximo em profunda comunhão. Para ser irmão que tem a conotação de união pelo mesmo sangue (no caso, reconciliação pelo poder do sangue de Jesus Cristo).  Deus escolheu nos amar. Ele nos amou primeiro. Vendo nossa condição depravada, Ele olhou para nós com olhar de misericórdia e quis – em sua soberania – nos chamar de amigos. Sendo que Ele mesmo providenciou esse recurso através de Cristo que, por inefável amor, se doou em sacrifício por exatamente nos amar e desejar com imensurável afeto nos chamar de amigos.
Jesus é nosso amigo maior e melhor. Prova de amizade maior que a que Ele mostrou não há!
Deus nos resgatou para a vida para voltarmos a sermos parte dele em espírito, pois dEle viemos. Ele não precisa de nossa amizade. Somos prescindíveis para Deus, mas Ele é imprescindível para nós.  Nós completamos Deus não no sentido que Deus é incompleto sem nós. Não! Mas no sentido de fazermos – agora – parte do Corpo espiritual de Jesus na Terra. Somos membros do Corpo de Cristo porque Deus nos amou. Somos parte de Cristo e co-herdeiros com Ele porque Ele nos amou primeiro. Por nós mesmos jamais conheceríamos o esplendor de sua glória e a eficácia de sua amizade e, tampouco, o seu companheirismo diário pela comunhão no Espírito Santo.

No Novo Testamento, existem algumas expressões que definem “amor” e “amizade”, mas chamo atenção para duas em especial. Convido você a abrir sua Bíblia em João 21: 15-17.

Ali, Jesus tem uma conversa especial com Pedro.  Ele faz para o mesmo três perguntas que, a princípio, parecem meras repetições, mas não são.
Nas duas primeiras perguntas “amas-me”, Jesus se apropria do termo “agapao” de ágape. Jesus falava de um amor majestosamente grande que tinha uma conotação que estava para além das condições emocionais e, talvez, espirituais de Pedro. Mas o amor ágape não depende de um tipo de reciprocidade. Jesus fez a pergunta a Pedro não esperando dele a mesma intensidade de amor. Ele apenas perguntou (por duas vezes) se Pedro o amava a ponto de apascentar suas ovelhas. Jamais amaremos na mesma intensidade de nosso Senhor. Nossa natureza não nos permite isso, mas podemos amar muito a Deus e mostramos esse amor (verdadeiro) quando reconhecemos que somos dependentes dele e quando realizamos sua obra. Quando nos dispomos ao serviço, Deus se agrada e nos chama de amigos e não mais servos simplesmente.

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco” (João 15:15)

Amizade se manifesta no cuidado. É entrega. É serviço. É disposição para ouvir, acolher, receber, caminhar junto.

Amizade é suportar um ao outro (dar pleno suporte). É se alegrar e se entristecer seja quais forem as circunstâncias.

Mas a terceira pergunta de Jesus a Pedro foi bem mais pontual, pois o termo empregado foi “phíleo” que já traz a idéia de um amor recíproco. Um amor de relacionamento. Um amor de compromisso. Um amor de entrega. Um amor de devoção.

Phíleo é a palavra grega que significa também AMIZADE. Dela se tem a palavra “filantropia”.
Talvez Pedro se entristecera ali porque não tinha condições reais de manifestar com seu corpo, sua alma e seu espírito essa amizade. Talvez se sentisse aquém desse importante pacto. Mas ele queria, estava disposto a dizer sim ao Mestre, pois o Senhor já havia mostrado o seu grande amor primeiro no gesto do sacrifício.

Amizade não significa ser perfeito ou ser melhor em tudo diante do Senhor, diante da família, diante da igreja e diante do amigo íntimo. Não! Ser amigo é estar disposto a dizer sim. Mesmo nas falhas e mazelas próprias de nossa natureza. Ser amigo é dizer sim, mesmo dizendo não quando for preciso. Aliás, dizer não ao amigo para preservá-lo, às vezes, significa dizer sim, pois o não no Senhor é sim para a vida em crescimento na graça e no conhecimento da vontade de Jesus Cristo. Falar o que precisa ser dito ao amigo, ao irmão e ao próximo é dizer sim para a benção do Senhor sobre sua vida.

A amizade é um presente de Deus. A Igreja não se fortalece e não cresce se não houver amizade entre os irmãos. Amizade é suporte que cada um dá ao outro em constante amor, zelo, carinho, cuidado, repreensão, oração e ensino.

O amigo, então, é dádiva do céu, pois a amizade é um sentimento que revela também o amor de Deus por nossas vidas. Seu amigo (ou seus tantos amigos de verdade) são o cuidado de Deus para com sua vida.

Na hora da adversidade, o amigo é combatente e Deus é fortaleza. No momento da alegria, o amigo é participante e Deus é louvado.

Louvo a Deus pelos meus verdadeiros amigos, começando por minha esposa, meus pais e familiares e pelos meus novos amigos que tenho encontrado nessa nova etapa de minha vida.


Gabriel Felipe M. Rocha

sábado, 19 de julho de 2014

Deus chama o seu povo a uma audiência

Deus chama o seu povo a uma audiência

Referência: Malaquias 1.1-5
Uma advertência: a palavra do Senhor contra Israel, por meio de Malaquias.
"Eu sempre os amei", diz o Senhor. "Mas vocês perguntam: ‘De que maneira nos amaste? ’ "Não era Esaú irmão de Jacó? ", declara o Senhor. "Todavia eu amei Jacó,
mas rejeitei Esaú. Transformei suas montanhas em terra devastada e as terras de sua herança em morada de chacais do deserto. "
Embora Edom afirme: "Fomos esmagados, mas reconstruiremos as ruínas", assim diz o Senhor dos Exércitos: "Podem construir, mas eu demolirei. Eles serão chamados Terra Perversa, povo contra quem o Senhor está irado para sempre.
Vocês verão isso com os próprios olhos e exclamarão: Grande é o Senhor, até mesmo além das fronteiras de Israel! (
Malaquias 1:1-5)

O tempo dos milagres tinha passado com Elias e Eliseu.
O cativeiro babilônico era apenas uma amarga lembrança dos seus antepassados.
As reformas efetuadas por Neemias já estavam caindo no esquecimento. A rotina das cerimônias religiosas era continuada, mas sem entusiasmo. Era um tempo de apatia, de sonolência espiritual. Tanto a liderança como o povo estava vivendo um torpor espiritual.
A mensagem de Malaquias é atualíssima para a igreja hoje.
1. O mensageiro
O nome Malaquias significa mensageiro de Deus. Por isso, alguns estudiosos entenderam que ele Malaquias era um pseudônimo e não um nome. A LXX traduz: “angelou autou” = meu anjo.
Orígenes defendeu a tese de que ele era um anjo de Deus, trazendo uma mensagem de Deus para o povo.
Jerônimo e Calvino defenderam a tese de que Malaquias era um pseudônimo de Esdras.
Cremos, entretanto, firmados na maioria dos estudiosos, que Malaquias não é um pseudônimo, mas o nome do profeta. Ele era um personagem histórico. Obadias e Habacuque também não têm genealogia descrita.
2. O tempo
Alguns estudiosos colocam Malaquias antes de Esdras.
Outros, colocam-no no período entre a ausência de Neemias e seu segundo governo em Jerusalém, visto que Malaquias trata dos mesmos problemas que Neemias enfrentou, quando de seu retorno da Pérsia: sacerdócio corrompido, retenção dos dízimos, casamento misto.
Cremos, entretanto, que Malaquias profetizou logo depois do período de Neemias. No tempo de Malaquias o templo já havia sido reconstruído. O culto, entretanto, estava sendo oferecido com desleixo: tanto o sacerdócio como o povo estava em profunda letargia espiritual. O povo estava vivendo um grande ceticismo. Cremo, assim, que Malaquias vem logo depois de Neemias, e isso, por algumas razões:
a) O estado espiritual de geral decadência é incompatível com a firme liderança espiritual de Neemias. As condições descritas por Malaquias sugerem uma deterioração que surgiu depois da eliminação da influência de Esdras e Neemias. Havia frieza espiritual e culto insincero. Havia ritual, mas não vida nos cultos.
b) No tempo de Neemias a infidelidade não era generalizada nem do sacerdócio nem do povo, mas no tempo de Malaquias sim.
c) Nem Neemias faz referência a Malaquias, nem Malaquias a Neemias.
3. O estilo
No ensino de Malaquias é fundamental o conceito de aliança. Deus se chama de Pai e trata Israel como seu filho (1:6; 3:17).
Malaquias usa um estilo de confronto poderoso, como Deus se estivesse chamando o seu povo para um confronto no tribunal. Nessa audiência divina, há três expedientes:
a) Afirmação;
b) Interrogação;
c) Refutação.
Esse tipo de confronto é apresentado no livro 8 vezes (1:2; 1:6; 1:7; 2:14; 2:17; 3:7; 3:8; 3:13).
Do começo ao fim esse pequeno livro é um APELO – um apelo ao arrependimento do pecado e volta a Deus (1:6; 2:10; 3:7; 3:10; 4:4).
Malaquias pode ser considerado o mais argumentativo livro de todo o Antigo Testamento.
I.A MENSAGEM SOLENE DE DEUS – v. 1 
1. A natureza da mensagem – v. 1
A mensagem de Malaquias é uma sentença, um fardo, um peso. Não é uma mensagem consoladora, mas de profundo confronto e censura. Essa mensagem era um peso:
a) Para o profeta
b) Para o povo
c) Para Deus.
A palavra “sentença” masâ, peso significa mais do que uma palavra da parte do Senhor. É algo pesado, duro, que o Senhor vai dizer. É um peso para o coração do profeta (Jr 4:19), para o coraçãol do povo e para o coração de Deus. Não é uma mensagem palatável, azeitada, fácil de ouvir.
Estamos também com sérias deficiências na nossa espiritualmente. Precisamos ouvir a masâ de Deus.
Os dois principais males de sua época eram o formalismo e o ceticismo. Vemos neles os primórdios do farisaísmo (formlaismo) e do saduceísmo (ceticismo). Como essas duas coisas ainda nos prejudicam hoje.
2. A autoridade da mensagem – v. 1
A mensagem é “uma sentença pronunciada pelo Senhor. A mensagem não é criada pelo profeta, mas apenas transmitida por ele. A mensagem vem de Deus, é do céu.
O pregador não gera a mensagem. O sermão não é palavra de homem, mas palavra de Deus.
Calvino entendia que o púlpito é o trono a partir do qual Deus governa o seu povo com sua Palavra.
3. O destino da mensagem – v. 1
Malaquias entrega uma sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel. O juízo começa pela Casa de Deus. Deus antes de julgar o mundo, julga o seu povo.
Israel alegrava-se quando Deus julgava as nações ao seu redor, mas não aceitou quando Deus trouxe julgamento sobre eles.
Quando o povo da aliança desobedece, Deus envia a vara da disciplina.
4. O instrumento da mensagem – v. 1
Há uma sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias. Deus levanta homens para pregar não o que eles querem pregar, não o que o povo quer ouvir, mas o que Deus ordena falar.
A mensagem de Deus não tem o propósito de agradar os ouvintes, mas de salvá-los.
II. O AMOR ELETIVO DE DEUS – v. 2 
1. É um amor declarado 
a) O amor de Deus por seu povo é um amor deliberado
O amor de Deus pelo povo é imutável (3:6). Era como o amor de um esposo pela esposa (2:11) ou de um pai pelo filho (1:6; 3:17).
Deus não nos amou por causa das virtudes que viu em nós (Os 11:1). A causa do amor de Deus está nele mesmo e não em nós. Deus escolheu Israel não porque era a maior ou a melhor nação. Jesus disse: “Não fostes vós que me escolhestes a mim, pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” (Jo 15:16).
Deus escolheu Jacó antes dele nascer. Deus não nos elegeu: 1) Porque previu que iríamos crer – A fé não é a causa da eleição, mas consequência (At 13:48); 2) Porque viu em nós boas obras – Fomos eleitos para as boas-obras e não por causa delas (Ef 2:10); 3) Porque viu em nós santidade – Deus nos escolheu para a santidade e não por causa da santidade (Ef 1:4); 4) Porque viu em nós obediência – Fomos eleitos para a obediência e não por causa da obediência (1 Pe 1:2).
b) O amor de Deus por seu povo é um amor paciente
Deus amou Jacó, mas ele foi um homem enganador: ele enganou o irmão, mentiu para o pai.
Muitas vezes o povo de Deus voltou-se contra Deus, provocou Deus a ira. Mas Deus nunca desamparou o seu povo. Tratou-o como um Pai trata o seu filho.
De igual modo, Deus é paciente conosco hoje. Mesmo que sejamos infiéis, ele permanece fiel!
c) O amor de Deus por seu povo é um amor triunfante
O amor de Deus por seu povo é um amor contínuo. Ele não disse: “eu vos amei” nem disse: “Eu vos amo”, mas disse: “Eu vos tenho amado”. O amor de Deus pelo seu povo nunca cessou. Deus ama com um amor eterno (Jr 31:3). Deus prova o seu amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós pecadores (Rm 5:8).
Israel afastou-se de Deus. Matou os profetas de Deus. Fechou o coração para Deus. Então, Deus o enviou ao cativeiro, mas Deus o tirou do cativeiro, restaurou-lhe a sorte. A graça de Deus é maior do que o nosso pecado. Israel ainda é o povo da aliança. Deus não desiste de nós. Aquele que começou a fazer boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus!
2. É um amor questionado – v. 2 
a) Insensibilidade ao amor de Deus
A raiz do pecado do povo é a insensibilidade ao amor de Deus. Isso produz dúvida, impiedade e relaxamento moral. Eles deixaram de ver a providência divina. Deixaram de ouvir a Palavra de Deus. Eles foram disciplinados, mas não viram nisso o amor do Pai, ao contrário, sentiram-se injustiçados.
O pecado sempre encontrará uma porta aberta, aonde o amor de Deus é colocado em dúvida.
b) Ingratidão ao amor de Deus
Apesar da declaração e das evidências do amor de Deus por Israel, eles ainda perguntam: “Em que nos tem amado?” A ingratidão tem os olhos fechados para a benevolência recebida. Quantas vezes, nós também, questionamos o amor de Deus. Quantas vezes, ferimos o coração de Deus, com uma atitude de rebeldia e ingratidão (Sl 78:9-17).
O povo de Israel achava certo que Deus julgasse Edom. Mas achava injusto que Deus o julgasse. É sempre mais cômodo apelar para o juízo divino contra os outros.
3. É um amor demonstrado – v. 2 
a) Pela escolha soberana
Deus escolheu Jacó. Deus escolheu Israel. “Tão somente o Senhor se afeiçoou a teus pais para os amar: a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos” Dt 10:15).
Deus escolheu-nos soberanamente. A eleição é um ato da livre graça de Deus. Ele nos escolheu antes dos tempos eternos (2 Tm 1:9). Ele nos escolheu quando não tínhamos nenhum mérito. Ele nos escolheu em Cristo.
b) Pela proteção amorosa
Deus livrou Jacó, salvou Jacó, abençoou Jacó. Formou um povo, libertou o povo, guiou o povo. Deu-lhe provisão, proteção, a lei, uma terra, uma missão.
c) Pela restauração milagrosa
Deus tirou o povo do Egito. Deus guiou o povo no deserto. Deus colocou o povo na terra da promessa. Deus lhes deu sua Palavra. Deus lhes enviou profetas. Deus os disciplinou em sua rebeldia. Deus os trouxe de volta do cativeiro. Deus os restaurou.
III. O JULGAMENTO SOLENE DE DEUS – v. 3-4 
1. Esaú rejeita sua primogenitura – Gn 25:34; Hb 12:16
Esaú não dava valor às coisas espirituais. Ele preferia satisfazer seu apetite do que dar importância às coisas de Deus. Ele trocou seu direito de primogenitura por um prato dse lentilhas. Toda a história subsequente da descendência de Esaú se explica pelo sistem de valores dele.
Deus jamais predestinou Esaú a ser um réprobo. Deus jamais predestinou o pecado.
2. Esaú era impuro e profano – Hb 12:16-17
Esaú era um homem entregue à impiedade e perversão, ou seja, profano e impuro. Ele desprezava as coisas de Deus. Por isso, era capaz de chorar querendo a bênção, mas jamais se arrependeu sinceramente (Hb 12:17).
3. Os descendentes de Esaú, os edomitas seguiram seu caminho – Nm 20:14-21
Eles não deixaram Israel passar pelo seu território. Eles perseguiram o povo de Deus. Eles se colocaram na contra-mão da vontade de Deus.
4. Os descendentes de Esaú, os edomitas associaram-se com a Babilônia para matar o povo de Deus – Ob 10-14; Jl 3:19; Sl 137:7 
a) Saquearam Jerusalém junto com os caldeus (Ob 11,13).
b) Olhou com prazer a calamidade de Israel (Ob 12; Sl 137:7).
c) Pararam nas encruzilhadas para matar os que tentavam fugir (Ob 14).
d) Entregaram à Babilônia alguns que tentavam fugir (Ob 14).
5. Os descendentes de Esaú foram também saqueados pelos nabateus, árabes logo depois do cativeiro babilônico – Ob 15,18,21; Ml 1:3-4
Setenta anos depois que Jerusalém caiu nas mãos da Babilônia com ajuda dos edomitas, os nabateus, invasores do deserto varreram o território edomita, obrigando sua população a se refugiar no Neguebe, ao sul de Judá. Seu país, mais tarde conhecido como Iduméia, tinha por capital Hebrom.
O mal feito dos edomitas caiu sobre suas próprias cabeças. Ao perseguirem o povo de Deus, tocaram na menina dos olhos de Deus.
6. Os descendentes de Esaú, os edomitas, nunca foram restaurados – v. 4
A grande prova do amor de Deus por Israel é que igualmente Israel pecou. Igualmente Israel foi levado para o cativeiro. Mas Deus restaurou Israel e não restaurou Edom. Para Edom não houve restauração. Veja o contraste entre Ml 1:2 e 1:4.
Ainda que Edom queira reconstruir sua cidade à parte de Deus, Deus não o permitirá.
a) Os esforços do ímpio são dirigidos por propósitos errados (v. 4) – Os edomitas querem reconstruir sem Deus.
b) Os esforços do ímpio são conduzidos por espírito errado (v. 4) – retornaremos e reedificaremos (Babel).
c) Os esforços do ímpio estão edificados sobre um fundamento errado (v. 4) – A terra de Edom será sempre uma terra de perversidade. A ira de Deus está sempre ardendo contra eles. A providência divina tanto restaura como derruba (Ec 3:3). O juízo de Deus é terrível (desolada) e irrevogável (irado para sempre).
IV. A GRANDEZA UNIVERSAL DE DEUS – v. 5 
1. A grandeza de Deus é vista em seus graciosos atos com Israel, seu povo
a) Deus elegeu;
b) Deus protegeu;
c) Deus disciplinou;
d) Deus restaurou.
2. A grandeza de Deus é vista em seu julgamento às nações
Deus não age apenas na vida do seu povo, nem apenas na igreja. Deus não é propriedade da igreja. Ele não é uma divindade tribal. Ele é o Senhor do universo. Ele age em todo o mundo. Ele julga as nações.
A soberania de Deus não se limita ao seu povo. Se Israel olhasse mais ao seu redor, reconheceria melhor o amor de Deus, e veria como Deus fora maravilhoso com eles, em contraste com as experiências de outras nações.
Israel precisa ver e anunciar a grandeza de Deus em toda a terra.
CONCLUSÃO 
Este texto enseja-nos algumas lições práticas:
1. A sentença de Deus é deveras pesada
Precisamos escolher entre o peso de glória ou o pesa da ira.
Deus disse por intermédio de Amós: “De todas as famílias da terra somente a vós outros vos escolhi, portanto eu vos punirei por todas as vossas iniquidades” (Am 3:2).
2. O amor de Deus é deveras benigno
O amor de Deus é verdadeiro ainda quando disciplina o seu povo. O viticultor castiga a vinha, podando seus ramos para obter mais uvas.
É uma triste prova da nossa depravação que o amor de Deus é menos confessado, onde ele é mais manifesto (v. 2).
3. O soberano e eterno propósito de Deus é o único fundamento de seu favor a nós
A salvação depende do amor eletivo de Deus. O que deve nos espantar é o fato de Deus ter nos escolhido para ele!
4. O amor de Deus pelo seu povo nem sempre é correspondido
A ingratidão fere o coração de Deus, embora não apague o amor de Deus.
5. O poder do homem jamais pode reverter a sentença de Deus
É Deus quem edifica e quem derruba. Quando Deus edifica ninguém derruba; quando Deus derruba, ninguém edifica.
6. Deus será glorificado no julgamento do pecado como na recompensa da obediência
A glória de Deus é manifesta na salvação do seu povo e também na condenação dos ímpios que o rejeitam. Tanto o céu como o inferno devem manifestar a glória de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes/ Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória -ES

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Estávamos fedendo no túmulo do pecado!


Por Josemar Bessa 

Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.



Lázaro é para ser invejado. “Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.” -João 12:2 - É bom ser Marta e servir a Jesus, mas melhor ser Lázaro e comungar com Jesus. Há momentos para cada finalidade, e cada um deles é lindo ao seu tempo, mas nenhuma das árvores do jardim de Deus se compara a videira da comunhão com Jesus. Sentar-se com Jesus, ouvir Suas palavras, se fixar em seus atos  e receber o Ser sorriso - foi um prazer que deve ter feito Lázaro tão feliz como os anjos!


O que poderia ser mais apaixonante que festejar com o nosso Amado em Seu salão de banquete, todos os suspiros pelas belezas de todos os reinos do mundo pouco seria se o suspiro de Lázaro ali, naquela mesa, pudesse ser comparado a eles!


Lázaro deve ser imitado todo o tempo. Teria sido uma coisa estranha, se ele não tivesse corrido para a mesa onde Jesus estava, porque ele estava morto e Jesus o havia ressuscitado. Aquele que foi ressuscitado estar ausente quando o Senhor que lhe deu vida estava em sua casa, teria sido ingratidão infinita.


Nós também já estivemos mortos! Sim, e como Lázaro, estávamos fedendo no túmulo do pecado! Jesus nos levantou e nós vivemos! Podemos nos contentar em viver a uma certa distância dele? Não estaremos continuamente à Sua mesa, onde Ele se digna a festejar em comunhão com seus irmãos? Oh, isso é cruel! Cabe-nos a uma enorme contrição e arrependimento, e não porque simplesmente nos é ordenado, não ter esse desejo seria uma desgraça para nós.


Ter vivido sem comunhão constante com aquele de quem os judeus disseram: “Vede como Ele o amava”, teria sido uma vergonha para Lázaro! É desculpável em nós, a quem Jesus amou com um amor eterno? Ter sido frio para com Aquele que chorou sobre o seu corpo sem vida, seria um grande argumento da insensibilidade e brutalidade em Lázaro. Que argumento poderíamos ter então, nós, sobre os quais o Salvador não só chorou, mas sangrou!




Vinde irmãos, não adie nem mais um instante - voltemos ao nosso Noivo Celestial, e vamos clamar ao Seu Espírito para que sejamos em termos de intimidade mais íntima com Ele, e daí em diante constantemente nos sentar à mesa com Ele!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

OS FILHOS DE JÓ

OS FILHOS DE JÓ
Por que Deus não os deu para Jó em dobro?

Texto 1: Jó 42:10 “E o Senhor virou o cativeiro de Jó quando orava pelos seus amigos; e o Senhor acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía”.

Texto 2: Jó 42: 13 “também teve sete filhos e três filhas”.

A paz de nosso Senhor Jesus Cristo a todos os irmãos, amigos e verdadeiros estudantes da Palavra de Deus.


Há vários textos e passagens na Bíblia que nos deixa em uma situação de extrema curiosidade. Sabemos que a Palavra de Deus é, sobretudo, profética e, pelo agir do Espírito Santo, se revela a nós.

Todos nós conhecemos a história de Jó. Uma história triste. Marcada por conquista, perda e reconquista.

No último capítulo do livro de Jó (um livro poético), vemos a restauração material de Jó. Não vamos entrar no âmbito do porquê Jó sofreu e porquê alcançou de Deus aprovação. Mas vamos nos ater em uma parte:

Deus restaurou tudo que Jó antes perdera. Deus deu tudo em dobro (v.10). Porém, os filhos, o Senhor deu de forma exclusiva. Não foi em dobro. Devolveu na mesma porção de antes – “ sete filhos e três filhas” (1:2/ 42:13).

Tudo que era material, Deus devolveu em dobro em bênçãos materiais. Mas por que não devolveu os filhos em dobro?

Porque Jó, como patriarca e temente a Deus, oferecia sempre uma oferta  pela vida de seus filhos (Jó 1: 1-5). Deus é fiel, por amor de Jó, tocou apenas na vida física de seus filhos. Cremos pela Palavra que Deus preservou, por amor a Jó, a vida espiritual de seus filhos e esses foram para a Eternidade.

Portanto, Deus deu sim TUDO em dobro a Jó. O que é desta terra, deu em dobro nesta terra. Mas o que é espiritual, Deus preservou na Eternidade. Jó teve 10 filhos na virada de seu cativeiro e ainda tinha os seus outros 10 filhos na Eternidade com Deus. Deus deu tudo em dobro...

Que ensinamento tiramos disso?

Deus é fiel e nos dá tudo aquilo que, de fato, nós merecemos nessa vida. Não temos dúvidas disso. Mas, com certeza (em análise do caráter santo de Jó), sua maior esperança seria rever seus filhos novamente. E, por fidelidade do Senhor, eles estariam no mesmo lar na qual Deus preparara para Jó. 

A maior esperança de quem serve a Deus não está nas coisas dessa vida, mas na Eternidade. Sabendo disso, em espírito e em caráter profético, Jó, no auge da sua aflição, clamou por Jesus Cristo, pois esse é o autor da Vida, a Porta, a própria Vida, o elo entre o homem e Deus:

“Porque eu sei que meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha carne, verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, o verão; e por isso, o meu coração se consome dentro de mim” (Jó 19: 25-27).


Gabriel Felipe M. Rocha

domingo, 28 de abril de 2013

A ANGÚSTIA DO INFERNO


Jesus sofreu a angústia do Inferno



“Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5: 7-9).

Este texto se refere ao sofrimento e angústia de Jesus no Jardim do Getsêmani. Ali Sua agonia e horror são indescritíveis. Jesus antes de orar ao Pai, disse a Pedro, Tiago e João: “A minha alma está profundamente triste até à morte” (MT 26:38). Não podemos penetrar com profundidade nestas palavras, mas podemos imaginar que o Senhor Jesus teve uma visão antecipada do seu terrível sofrimento e sua indescritível agonia na cruz do Calvário que se aproximavam, quando seria abandonado por todos e pelo próprio Pai a ponto de perguntar: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Naquela cruz maldita Jesus sofreu as angústias do inferno. No Getsêmani Jesus sofreu antecipadamente as tristezas de sua morte, não apenas a morte física, mas a morte eterna em lugar das suas ovelhas. Ondas e vagalhões passaram sobre Ele: “... todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim” (Sl 42:7b).

Jesus não apenas sabia que Judas o trairia ― “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar” (Sl 41:9), não apenas sabia que Pedro o negaria, que o Sinédrio o condenaria de forma injusta, que Pilatos o sentenciaria dizendo “... crucificai-o”, que seus inimigos zombariam dele dizendo: “Profetiza, quem é que te feriu?”; Jesus não apenas sabia que seria cravado e levantado pelos soldados em uma cruz infame, mas também que ficaria cada vez mais sozinho, que seus discípulos o abandonariam e que Seu Pai lhe viraria as costas e lhe derramaria o cálice de Sua ira santa até a última gota; Ele sabia que Satanás e suas hostes o assaltariam para fazê-lo se desviar do caminho da obediência ao Pai: “Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Contra mim abrem a boca, como faz o leão que despedaça e ruge” (Sl 22:12-13).

Jesus em toda sua vida carregara sob Si o peso da humilhação, mas agora o clímax deste seu estado de humilhação se aproximava. Não é de estranhar que Jesus “levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu” começasse a “entristecer-se e a angustiar-se”, e lhes dissesse: ”A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo” (MT 26:37-38). “Velem comigo”, disse Jesus. Não é estranho vê-lo desejar ajuda, conforto e encorajamento naquela hora. Mas, estranho é ver tamanha tristeza, tristeza de morte e humilhação, que fez com que o Pai naquela hora, ao vê-lo prostrado sobre o seu rosto e dizendo “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”, enviar-lhe um anjo para confortá-lo. Que angústia!: “... o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra”! Que humilhação!: Quem é este tão fraco que necessita de uma criatura para confortá-lo e encorajá-lo? Não é Ele o próprio criador do mundo? — “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:3).

Olhando para este quadro o escritor de Hebreus diz: “Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte”. Jesus orando e suplicando nos aponta para seu ofício sacerdotal, sua obra sacrificial. Essas orações e súplicas revelam a profundidade da agonia espiritual e física de Jesus: “gotas de sangue caindo sobre a terra”. Jesus carregou nossos pecados e bebeu o cálice da ira de Deus contra o pecado — “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5:21). Jesus morreu por pecadores e se colocou diante de Deus como o mais ímpio dos pecadores. Ele ficou sozinho, orou sozinho, bebeu até a última gota do cálice da ira de Deus sozinho, suportou, sofreu, sangrou, e morreu sozinho, para salvar suas ovelhas (Jo 10:11).

Jesus falou ao Pai “com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas”. Sua voz se fez ouvir. Ali Ele morria a segunda morte por nós, vis pecadores (Ap. 2:11). Não podemos compreender tal agonia — Por nós Jesus experimentou o próprio inferno. A quem Jesus se dirige em seus rogos? “... a quem o podia livrar da morte”. Este não foi um ato de ignorância da Sua missão, ou um ato de covardia do Senhor, pois que sabia que fora para morrer por miseráveis pecadores que havia nascido; Ele sabia do pacto feito com o Pai desde a eternidade. Mas Jesus via e sentia a agonia e os horrores de experimentar o abandono do Pai. Jesus orou para que a vontade de Deus fosse feita: “Pai, se queres... todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22:42). Jesus sabia que havia sido comissionado para redimir os eleitos.

Teria sido ouvida a oração de Jesus? Um anjo é enviado para confortá-lo; era um mensageiro do Pai, mas não lhe é retirada a agonia. O escritor de Hebreus diz “tendo sido ouvido por causa da sua piedade”. Aqui está e resposta. Jesus pediu que a vontade do Pai prevalecesse; o Pai aponta-lhe a cruz e, em reverente obediência, o Filho se submete à Sua vontade.

Que maravilhosa obediência, que gracioso amor do Redentor, que “tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem”.

Glória ao Redentor!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

JESUS CHOROU!


 

 Por que quem se compadeceria de ti ó Jerusalém? Ou quem se entristeceria por ti? Ou quem se desviaria a perguntar pela sua paz?” (Jeremias 15:5)

(uma pequena análise de Jesus Onisciente, Onipresente e Onipotente)

 

A paz de nosso Senhor Jesus!

Jerusalém estava vivendo um período crítico em sua história.  O profeta Jeremias intercedia por seu povo, mas Deus, naquele momento, já os tinha tido como abomináveis aos seus olhos. Grande era o pecado do povo, grande era a tristeza de Deus. O capítulo 15 do livro de Jeremias começa já de uma forma pesada: “Disse-me, porém o Senhor: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com esse povo; lança-os de diante da minha face, e saiam”.

O povo havia pecado. Já não queriam ouvir ao Senhor. O Senhor é amor, mas também é juízo. Ele não poderia jamais ir contra si mesmo. Um juízo sobre o povo viria. O cativeiro era iminente.

Jeremias chorava. Sua angústia pelo povo era tão grande que a sua própria alma desfalecia e se enchia de dor.

No texto em que lemos acima, Jeremias, com tamanha tristeza na alma, faz três perguntas ao seu povo:

·       Quem se compadeceria?

·       Quem se entristeceria?

·       Quem se desviaria a perguntar pela sua paz?  

Compaixão e tristeza leva qualquer um ao choro. Se o choro não se torna externo, a alma por dentro chora. E Deus? Ele choraria a nossa dor?

“Jesus chorou” (João 11.35)!

Ele viu quão crítico era o nosso estado.

A humanidade hoje vive da mesma forma que Jerusalém vivia naquele momento: longe do Senhor, em pecados diversos, apostasia, heresia, incredulidade, infidelidade, ausência de amor e descaso pelo profético.

Desde o pecado do primeiro homem, a humanidade inteira foi posta sob um juízo: a morte. Quem poderia reverter essa situação? Quem poderia adentrar o coração duro do homem e remover a pedra? Quem estaria presente com a humanidade pecadora e doente? Quem ouviria a voz e os clamores de uma alma sem Deus? Quem conheceria a dor alheia de forma tão plena?  Quem choraria conosco? Quem curaria toda essa gente sem Deus?

Foram três perguntas. Três tem um significado profético: É o tempo do Senhor para a redenção do homem. Poderíamos aqui dizer: o número que corresponde ao tempo de Deus não poderia ser três, mas sete, pois em sete dias tudo se fez. Sim! O projeto de Deus é perfeito e tudo que Ele fez é bom. Mas, e o homem em meio a isso tudo? O que preparou para Deus?

Deus anelava o louvor do homem e esse não correspondeu. Antes pecou e deixou a face do Senhor. Deus queria se relacionar com o homem. O termo usado no original para relatar o início foi “bereshit” e, desse termo hebraico temos a raiz gramatical “shirtaev” que relata exatamente isso: “anelo por um louvor”. Apenas isso Deus queria do homem.

Naquele momento, Jerusalém não tinha nenhum louvor para ofertar a Deus, antes rebeldia e apostasia.

O que vemos hoje no mundo não é nada diferente (para não dizer pior).

A alma de toda a criatura humana geme querendo Deus. Todos tem sede do Deus vivo. E muitos se perdem em seus pecados.

Assim como foi com Jeremias, muitas almas cansadas e abatidas querem saber: “Quem se compadeceria por mim?”, “Quem se entristeceria por mim, ou comigo?”, “Quem se desviaria a perguntar pela minha paz, ou quem daria uma palavra eficaz nesse momento?”.

Com três dias essas três perguntas foram respondidas!

Quem se compadeceria? O Pai se compadeceu.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito...” (João 3.16)

Deus se compadeceu do homem. A ira de Deus em Jeremias, para nós, se tornou em amor. Jesus foi a expressão e a revelação desse amor. Mas Ele também foi a expressão e a revelação do juízo (que seria nosso), pois, sobre si, Jesus levou toda a nossa culpa e se fez maldição subindo em uma cruz.

Jesus pôde fazer isso, pois Ele se tornou como nós: frágil, sujeito às lutas e provas, humilhações, doenças, cansaço, medo, dor, etc.

Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas…” Mt 9.36

 Ele conheceu o homem, pois Jesus é Deus onisciente. Ele andou com o homem e com esse falou, pois é Deus onipresente. Manifestou-se como a resposta à pergunta de Jeremias naquele triste momento. Nele há solução para tudo, Ele é onipresente. Estava profeticamente presente no anseio e na pergunta de Jeremias e se revelou mais tarde no seio da terra.

Deus se compadeceu, pois conheceu a nossa fraqueza. Ele sabe quem somos, o que falamos, o que pensamos, o que nos prende, o que nos entristece, o que nos afeta,... Ele sabe! O ato dessa compaixão foi Jesus, o Verbo de Deus.

O termo grego usado em João 3.16 “amou” é agapao, que quer dizer também “benevolência” (graça). O termo agapao traz a ideia de “muito”, ou seja: Deus amou muito o mundo... Tal termo serviria também para traduzir o texto em Jeremias 15:5 “compadeceria”, pois tem uma correspondência com o termo hebraico usado para designar “compaixão”. Analisando a etimologia do verbo “compadecer”, temos uma surpresa: o termo pode, sem mudar sua raiz, ser substituído por: “capacidade para aceitar algo inadmissível” (graça/favor imerecido). Enfim, se cumpriu em Jesus, o Ato da criação, o Verbo que tem TODO o poder...

Quem se entristeceria?

Quando Deus criava os céus e a terra, o Espírito de Deus estava sobre a face das águas, pois a terra ainda era sem forma e vazia. Isso aconteceu no mundo físico, mas teve também todo um caráter profético. Apontava para o coração do homem que estava como Jerusalém quando Jeremias escreveu as palavras de seu livro. O Senhor procurava corações que pudessem receber o seu Espírito. Muitas vezes não encontrou.

O Espírito Santo é uma Pessoa da Trindade. Suas características são semelhantes à de uma pessoa distinta (como Jesus/Filho), pois o Espírito Santo é Deus. Ele se entristece, assim como também se alegra.

Mas a pergunta de Jeremias era: Quem se entristeceria? Ou: Quem ficaria triste comigo? Quem sofreria a minha dor? Quem tomaria nota de minha desesperança?

O Espírito Santo se entristeceu ao contemplar a situação espiritual do homem e ao perceber que em seus corações não havia lugar para a sua habitação.

“Mas eles foram rebeldes e contristaram o SEU Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles”. Isaías 63:10.

 

Mas quem sofreria a tristeza comigo? Muitos perguntariam. O homem sem Deus não tem a esperança e nem a verdadeira alegria, pois não tem o Espírito Santo. Sua alma clama por essa alegria. A alma humana clama pela presença de alguém suficiente no momento da angústia: “quem ouvirá meu clamor?”.

“Tais coisas anunciadas não alcançarão a casa de Jacó. Está irritado o Espírito DO SENHOR? São estas as suas obras? Sim, as minhas palavras fazem o bem ao que anda retamente”. Miquéias 2:7.

Jesus, através de seu Espírito Santo, nos deu uma nova situação diante de Deus.

Ele se faz presente em todos os momentos, pois Ele, como já dissemos, é Deus onisciente, onipresente e onipotente. Ele pode ser a resposta para os nossos anseios e pode ser a resposta para o homem sem Deus. Ele sofreu a nossa tristeza. Ele venceu a morte, Ele é a própria Vida.

Quem se desviaria a perguntar pela sua paz?

O Filho se desviou para perguntar pela nossa paz.

Desviar aqui aponta para o ato da GRAÇA proveniente de Deus na Eternidade. Quem seria o Cordeiro de Deus para tirar o pecado do mundo? Algum anjo do céu? Algum homem da terra para sem nenhuma estrutura divina? Não! Foi o Filho. O Rei da Glória. Aquele que se assentava no trono. O Filho do Homem.

Jesus, se não fosse a compaixão (graça) do Pai, não precisaria deixar o esplendor de sua Glória.  Ele é Deus! Mas deixou toda a sua glória para se ver no dentro do ventre de uma jovem virgem. Fez-se homem.

Tal ato nos lembra da misericórdia de Deus em favor dos gentios. Nós não merecíamos a graça de Deus através do Sangue de Jesus. Mas obtemos. Era para Israel, mas veio a nós.

Jesus perguntou pela nossa paz.

A palavra “perguntar” está no original hebraico como “saal” ou “sael” que quer dizer: inquirir, pedir, exigir, desejar, solicitar, requerer, entre outros termos.

Jesus, pelo seu sangue, inquiriu a nossa paz, ou seja: Ele pediu por ela. Ele exigiu, pois a comprou com alto preço – sua vida. Mas antes, Ele desejou, Solicitou.

Quem perguntaria pela nossa paz? Somente aquele que a comprou!

O termo em hebraico pode ser traduzido como “orar”. No Evangelho de João, no capítulo 17, Jesus inquire diante do Pai a vida de seus discípulos:

“...guarda em teu nome aqueles que me deste...” (João 17:11)

Grande é o amor de Jesus por nós.

Durante seu ministério, Jesus perguntou muito pela paz alheia:

“Queres ficar são?”, “queres ser curado?”, “o que queres que eu te faça?”.

Desviou-se algumas vezes também para entrar na casa de quem o convidasse.

A mulher de Samaria teve uma experiência com o Senhor Jesus ao lado do poço. Jesus não passaria ali se fosse um homem como qualquer outro ali, mas “era-lhe necessário passar por Samaria” (João 4:4). Jesus conhecia aquela mulher, Ele esteve presente ali com aquela mulher, Ele teve ciência de toda a sua vida, Ele a deu uma nova forma de vida.

Jerusalém não teve, naquele momento, essa mesma experiência, mas Jesus veio até nós, se compadeceu e chorou pela nossa vida, se revelou como um Deus Onipotente, Onisciente e Onipresente.

 

Gabriel Felipe M. Rocha