sexta-feira, 4 de julho de 2014

Análise de 1 Coríntios 1: 7 e 8

Análise de 1 Coríntios 1: 7 e 8

"De modo que não falta a vocês nenhum dom espiritual, enquanto vocês esperam que o nosso Senhor Jesus Cristo seja revelado. Ele os manterá firmes até o fim, de modo que vocês serão irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Coríntios 1:7-8)


Será que o versículo acima se refere aos diversos dons naturais (ou talentos), como: louvar, tocar, servir, oratória, ministrar, etc. ou refere-se aos dons do Espírito Santo mencionados por Paulo ainda na primeira carta aos coríntios no capítulo 12? Eis a questão!


Bem, na verdade, analisando os originais, vemos que o termo "dom" é o mesmo empregado por Paulo ao falar dos dons do Espírito Santo em sua primeira carta aos coríntios.

Isso não refuta a ideia de se tratar, talvez, de dons ou talentos naturais, mas a língua grega (coine/ usada na escrita do Novo Testamento) traz algumas pegadinhas e dá sempre dicas importantes. Por exemplo: o fato de Paulo mencionar "dom espiritual" dá já uma ideia explícita de algo oriundo do Espírito como algo dado (em e por graça) por Deus e não um talento específico que poderia ter nascido com a pessoa. O termo "dom espiritual" está como "dorea"/ uma dádiva, uma graça (de karis) e "pneumátikos" (do espírito). Portanto, podemos crer que pode se tratar ali de dons espirituais conforme relatado em 1 coríntios 12, ou seja, Paulo está falando sim dos dons espirituais do Espírito Santo como algo fundamental para a Igreja. Pois, através desses dons, o Espírito Santo dirige e assegura a igreja quanto às coisas concernentes ao espiritual. Os dons promovem a edificação pessoal, a corroboração e a confirmação da mensagem bíblica, edifica o Corpo de Cristo e seus membros em particular, guia a igreja em trabalhos missionários e evangelísticos, acrescenta a fé por meio dos sinais (que acompanham os que crêem) e dá a possibilidade de uma comunicação mais íntima entre a igreja (cada um de nós) com Deus por intermédio do Espírito Santo, na Revelação de Jesus Cristo.

Essa idéia se sustenta assim, pois a exortação de Paulo para que não faltem os dons do Espírito está diretamente relacionada ao anseio por parte dos crentes de Corinto de contemplarem o Senhor glorificado. Portanto, para que haja a revelação de Jesus, deve haver a operação do Espírito Santo.

Mas há uma advertência: Paulo em momento algum em sua carta aos coríntios coloca os dons espirituais em um patamar superior em relação a Palavra de Deus, a saber, as Escrituras. Inclusive, ela, a Palavra de Deus, é quem revela o Cristo glorificado por intermédio da Revelação obrada pelo mesmo Espírito Santo. Os dons na igreja devem apenas confirmar a mensagem e a verdade bíblica, sem ultrapassá-la e sem acrescentar algo a ela. Mas, antes, deve corroborar com a mensagem do Evangelho e com a Revelação de Jesus Cristo nas Escrituras. Ela (as Escrituras) é quem promovem a fé (pois a fé vem pelo ouvir a Palavra) e é ela (a Palavra de Deus) quem produz o genuíno avivamento espiritual.

Por fim, Paulo deixa isso severamente claro para que a igreja caminhe seu caminho e realize sua missão (já revelada nas Escrituras) em constante glorificação, edificação e que a mesma possa ser guiada com segurança pelo Espírito Santo, tendo como alvo a Cristo e sua grandiosa redenção. A Palavra, enfim, é quem mostra (revela) o Jesus glorificado à Igreja e os dons espirituais confirmam em edificação e sinais a mensagem do Cristo vivo. A igreja deve ter (dinamicamente) experiências pessoais com Jesus Cristo. Portanto, Paulo assevera: “Ele (Jesus) os manterá firmes até o fim, de modo que vocês serão irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Os dons espirituais devem promover também a separação e a santificação da igreja em relação ao mundo. O termo "irrepreensível" dá a ideia de "não haver nenhuma condenação" ou "nenhum pecado", mas, antes, devemos caminhar em Jesus (o Caminho). Os dons espirituais então são resultados da graça divina para que a igreja tenha sempre uma experiência pessoal com Jesus Cristo. No entanto, os mesmos dons (como em específico o de discernir espíritos) devem servir para que a igreja não se abra a experimentalismos estranhos e evidenciem mais o dom espiritual do que a pregação pura do Evangelho. É a Palavra quem deve ser o referencial único a qual Cristo será revelado. Os dons virão como a confirmação em edificação pessoal e conjunta da mensagem da cruz.

Em fé, edificação espiritual e dependência do Espírito Santo, a Igreja caminha firme até a volta gloriosa de Jesus.



Gabriel Felipe M. Rocha

CRESCEI NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO (Parte 1)

"Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém." (2 Pedro 3:18)

A Bíblia é um importante meio de graça, ela é fundamentalmente um "recurso oriundo da graça". Ler a Bíblia é muito mais que uma simples leitura. Ler a Bíblia em espírito e em oração é abrir-se à transcendência pela Revelação de Jesus Cristo nela contida. É ouvir o que o Espírito Santo quer dizer e, efetivamente, ouvir a voz de Deus. O que busca o conhecimento agrada a Deus. Assim, vamos crescendo na graça, ou seja, naquilo que é da fé e naquilo que é do Espírito (aspecto espiritual) e também vamos crescendo em conhecimento. O termo grego usado no original por Pedro em sua carta para definir "conhecimento" foi "gnosis" que, exatamente, quer dizer "conhecimento", "intelectual". Ele não falava do dom espiritual descrito por Paulo em 1 Coríntios 12, embora lá também Paulo use a mesma expressão "gnosis" que significa "conhecimento" ligado ao termo "intelecto". Então Pedro diz em sua carta que precisamos crescer em graça (no aspecto espiritual) e em inteligência (razão a serviço da fé) para que assim sejamos firmes em ambos os aspectos. A fé é um dom de Deus (ela é doada por Deus/ oriunda da Eternidade). No entanto, o crescimento da mesma se dá em nossa constante busca de conhecimento, cuja referência principal para tal conhecimento é a Bíblia, a Palavra de Deus. O conhecimento promove a fé e o coração cheio de fé é o que está, de fato, apto para receber a revelação de Jesus Cristo, a saber, o Cristo vivo e glorificado que se revela pela Palavra.

A fé vem pela Palavra de Deus, O genuíno avivamento vem pela Palavra de Deus, todo dom espiritual ou toda manifestação supostamente espiritual deve estar submissa a verdade das Escrituras e deve passar pelo crivo da mesma, senão é engano. A regra de fé e prática da igreja que pretende ser fiel (eu e você) é a Palavra de Deus, nada mais.... Nada menos... Devemos prosseguir em conhecer ao Senhor e a base de todo o conhecimento de seu projeto de redenção está na Bíblia. Cresçamos em graça (naquilo que é espiritual) e cresçamos em conhecimento (naquilo que é intelectual). Jesus morreu e ressuscitou para limpar-nos de nossos pecados e não para tirar a nossa inteligência. Nossa inteligência, razão e intelectualidade devem estar submissas ao espiritual e devem ser servas da fé e da Revelação de Jesus Cristo. Devemos sim estudar a Bíblia. Quando Paulo fala da "letra", ele não fala do ensino literal da Bíblia, mas sim das exigências da Lei. Devemos conhecer todo o contexto e não apenas apegarmos a versículos isolados. É perigoso! Isso sim mata... Mas Paulo (servo de Deus que nunca ignorou o conhecimento) estava dizendo ali que a "letra" (Lei) mostra o pecado, portanto, "mata", mas o Espírito Santo mostra a vida, portanto, "vivifica". Simples, não é? 

Há ensinamentos na Bíblia que não precisam de alegorizações e busca por algo oculto, pois já estão explicitadas e nos servem como máximas a serem seguidas (pela fé). A Bíblia carrega inúmeros ensinamentos práticos para a vida cristã, para a nossa salvação individual, para nossa prática e fé, para o serviço na igreja, para a missão da igreja, para a família, para o lar, para os pais, para os filhos, para os casamentos, para a vida estudantil, para a vida ministerial, para a santificação, etc. Todos esses ensinamentos estão explícitos na Palavra de Deus e já estão revelados, pois são já a revelação de Deus para os seus servos. Temos que ler, temos que buscar praticá-los, temos que aprende-los e ensiná-los. Assim até a volta de Jesus!

Conheço muitos crentes medíocres que ignoram o conhecimento dizendo que é "razão" e que "a letra mata....etc." e preferem, assim, 'autolimitarem'. Tudo bem, ninguém precisa estudar uma teologia sistemática ou coisa parecida, aliás, não é disso que estamos falando. Conhecimento acadêmico é ouras coisa. Alguns até podem ser perigosos sim. Deus não se interessa por teólogos ou "acadêmicos da fé", mas sim de servos humildes que, em sua humildade e fé, buscam conhecer a Deus e se aprofundar nos assuntos relativos à fé. Isso é nobreza espiritual.

Não fomos chamados para a ignorância, aliás, devemos em todo o tempo prestar o nosso culto racional. Jesus ia cumprir na cruz toda a Lei, mas antes, cresceu em graça e conhecimento e vivia no meio dos doutores. Era sábio. Deus nos dá a sabedoria para aplicá-la a serviço do espiritual (do Reino), no entanto, devemos buscar aprofundarmos em conhecimento sim e não sermos medíocres e apenas para repetir o que ouvimos.

"Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém." (2 Pedro 3:18)

"Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor..." (Oséias 6:3)


"Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor" (Eclesiastes 7:12)

O leitor poderá gostar também de: "Lendo as Escrituras"

http://palavraserio.blogspot.com.br/2014/02/lendo-as-escrituras.html

Gabriel Felipe M. Rocha

quarta-feira, 2 de julho de 2014

"Examinai as Escrituras [...]"

"Examinai as Escrituras [...]"
(o conceito bíblico de "a letra mata, mas o espírito vivifica")

(por Gabriel Felipe M. Rocha)

Já sabemos que Jesus é o clímax da revelação de Deus: "Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer" (Jo 1.18). Jesus é a maior revelação de Deus e, todas as outras inspirações e revelações de Deus aos homens por parte do Criador, eram para mostrar Jesus. A finalidade da revelação é tornar Deus conhecido dos homens.

Para isso, as Palavras do Deus espiritualmente e intelectualmente superior à razão dos homens devem ser mostradas pelo Espírito Santo, aquele que “vos ensinará todas as coisas”. Veja em João 17 que a função do mesmo Espírito Santo é dar ao mundo (através da Igreja) o conhecimento de Deus. Isso configura um caráter explicitamente espiritual e será pela revelação do Espírito Santo que tal conhecimento pode chegar aos homens distantes de Deus.
Mas o que precisamos entender, de fato, aqui é o seguinte: Isso não significa dizer que o texto literal é inválido. Quem diz ou ensina isso está cometendo um grave erro baseado num versículo isolado da Bíblia em (IICor 3:6) que diz assim:
[...] porque a letra mata, mas o Espírito vivifica”.
Ali Paulo não falava da invalidez das Escrituras, mas sim da validez da mesma sobre a intervenção inspiradora, reveladora e iluminadora do Espírito Santo. Paulo ali, no contexto, falava da Lei e isso não pode fazer alusão à Bíblia que hoje nós temos que é a revelação de Deus. Porém a expressão “letra”, do grego “gramma” que pode falar da Lei, mas pode falar do livro todo, uma epístola e Escrituras (considerando que ali não existia só a Lei, mas a Lei e os Profetas). Essa expressão grega vem do substantivo “grapho” = “escrever” e remete ao sentido literal da escrita. Então não podemos ignorar que Paulo advertia a igreja do mau uso da letra literal, fundamentalista e religiosa.
Mas o que vale como informação central nesse texto é o seguinte: Não é a Lei e nem a Palavra de Deus escrita, em si mesmas, que matam. Trata-se, pelo contrário, das exigências da Lei, que sem a vida e o poder do Espírito, trazem condenação (veja em Jr 31:33; Rm3:31). Mediante a salvação em Cristo, o Espírito santo concede vida e poder espiritual ao crente no manejo das Escrituras que também são vivificadas.

Trocando em miúdos e tendo em vista todo o contexto, Paulo disse assim: "a Lei (grego = "gramma" que pode ser traduzido também por "letra") mostra o pecado, mas o Espírito (grego = pneuma) mostra a Vida. Contudo, podemos em segurança dizer que a Vida mostrada pelo Espírito Santo na Palavra é a Revelação de Jesus Cristo, corroborando assim com as próprias palavras de Paulo.
“a Lei mostra o pecado e o Espírito mostra a vida”

O que mata, de fato, são as exigências da Lei tão operantes em algumas igrejas, usos e costumes exacerbados, legalismo religioso, farisaísmo, sectarismo, etc. Isso tende a matar a fé na constante anulação da graça na vida do crente. Não que a graça seja vencida, mas é negada e essa negação (pela religiosidade operante) será paga com terrível condenação.

Contudo, Cristo havia dito: examinai as Escrituras (livros em si) [..] pois elas de mim testificam (Jesus vivo e revelado nelas). Jesus mostra com clareza que Ele não é a Bíblia em si, não podemos assim mistificá-la, mas a Bíblia fala dEle. Isso é bem claro e é questão de pressupostos atestados pelo crivo das Escrituras e perspectivas corretas em relação às Escrituras.
O fato de Jesus ser testificado pela Palavra corrobora também com o fato de: a Bíblia ter um conteúdo “profético”. Mas antes, vou explicar o termo “profético”: O termo “profético”, assim como “profecia” (grego = prophetéia), é comumente usada nas igrejas, mas, muitas vezes, de forma errada. ‘Profecia’ e ‘profético’ remete ao voltar-se para algo, cujo caminho ou método é apontado. Não é só, portanto, “apontar para frente” e não se passa apenas no horizonte do “descobrir algo sobre o futuro”, mas é, no caso bíblico, “voltar-se para Deus”, assim como (também) alguma informação espiritual futura a respeito de algo. Leiam os profetas bíblicos (maiores e menores) e percebam qual é o conteúdo comum em suas mensagens.
O conteúdo comum, já adiantando aqui, é “voltem para Deus”, cujo caminho é apontado: “obedeçam a sua palavra”. Junto com essa mensagem comum nos profetas, haviam ali os sinais e informações espirituais sobre determinados fatos futuros. Isso define o termo “profético”. Sendo assim, a Bíblia é um livro literariamente e espiritualmente profético, pois é a revelação do projeto de redenção de Deus cuja centralidade está toda em Jesus Cristo, o Verbo de Deus, a verdadeira “Palavra Revelada”. Por que é profética? Porque revela a salvação em Cristo e tal Revelação ao encontro com o espírito humano gera a fé (dom de Deus/ fé para a salvação/ fé da Eternidade), por isso a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus, pois seu conteúdo é profético. E nessa promoção de fé pela ação do Espírito Santo (no contexto da soberania e graça divina), produz-se no crente o genuíno avivamento espiritual, ou seja: o Espírito mostra (gera) a vida, enquanto qualquer legalismo (da Lei) ou da religião gera morte.
O ato salvífico de Cristo se resume em: trazer o homem de volta para Deus, logo, o conteúdo da Bíblia é, portanto, profético.

Aliás, a salvação é profética, pois parte do pressuposto bíblico que Deus programou tal projeto na Eternidade e lá elegeu o seu povo para herdar a salvação e a glória em Cristo. Não é à toa que a figura do sangue percorre por toda a Bíblia, mostrando, conforme nos explica o autor de Hebreus, que viria o “Perfeito” (Cristo). Isso sustenta a frase de Cristo: “examinai as Escrituras, pois elas de mim testificam”. Como “de mim testificam”? Pelas figuras e tipos. Onde entra a interpretação e a “revelação” nisso? Entra no fato de: o Espírito conduzir o que manuseia a Palavra ao entendimento de caráter profético que configura numa espécie de revelação, pois, bota “para fora” algo que a Bíblia tinha como “modelo”. Isso se aplica nas peças do Tabernáculo, na figura do Cordeiro, do Sangue, dos tipos humanos, etc. Há aí uma interligação entre RAZÃO e REVELAÇÃO.
Nenhuma é alheia à outra. Estudar, pesquisar e se aprofundar nos textos bíblicos no espírito e pelo Espírito é muito diferente de fazer o mesmo sem a fé. Veja que muitos biblistas alcançam entendimentos profundos sobre o conteúdo histórico, cultural, arqueológico e religioso sobre as escrituras, mas pouquíssimos falam do seu caráter espiritual ou profético. Por quê? Porque não têm o pressuposto fundamental para “botar para fora” aquilo que se discerne espiritualmente, a saber, a fé. Mas vão até onde o espírito humano (a razão humana) pode levar. Mas quando você lê ou estuda a Bíblia partindo desse pressuposto espiritual (a fé), o Espírito de Deus, pela fé, dá o entendimento espiritual daquilo que se lê e assim, Deus fala, as vezes de forma bem particular. Não estamos falando aqui de inventar doutrinas em nome da “revelação”, pois tudo que aparece deve ser provado pela própria Bíblia.

Contudo, termino com a palavra do Rev. Augustus Nicodemus que fala a respeito dessa má (e tendenciosa) interpretação de “a letra mata...” como “desculpa de quem não tem nem argumento e nem exemplo para dar”.

A Paz de nosso Senhor Jesus!

Para ler mais sobre o tema, sugiro:





terça-feira, 1 de julho de 2014

Amando a vinda de Jesus

Amando a vinda de Jesus
(por Gabriel Felipe M. Rocha)

"Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda" (2 Timóteo 4:8)

"Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam" (1 Coríntios 2: 9)

Todo o genuíno cristão deve amar a vinda de Jesus Cristo. Isso, na verdade, é bem mais que uma opção do tipo "eu escolhi amar a vinda de Jesus", mas é algo intrínseco à fé cristã. Se nós temos fé em Jesus, logo amamos sua vinda e se amamos (de fato) esperamos em santificação e séria definição e adesão à mensagem da cruz. Se conhecemos mesmo o Cristo e nossa fé é autêntica nele, nossa alma se preenche e nossa existência retoma o sentido da vida, pois, Cristo tira o peso espiritual da condenação, pois seu castigo nos trouxe a paz (Isaías 53:4-5) e completa (realiza completamente) nosso ser na remissão do pecado e na transformação (renovação) para a vida no livramento da (justa) morte e na superação da nossa angústia humana pela eminente morte (nossa finitude). Isso porque Cristo nos deu a abundante Vida. Todo cristão genuíno tem essa abundante vida dentro de si (mesmo estando ainda nesse mundo). A abundante Vida de Deus em nós é a revelação da graça divina na Pessoa de Jesus Cristo e na frutificação espiritual obrada pelo Espírito Santo. Se esse ciclo já é presente no crente, logo a alma responde (em plena satisfação) com o anseio pela Eternidade. Portanto, nossa alma deseja o céu, deseja estar com o Deus (Jó 19:23-25/ Salmo 42: 1,2).

 

“Pois quem é a nossa esperança, alegria ou coroa em que nos gloriamos perante o Senhor Jesus na sua vinda? Não são vocês? De fato, vocês são a nossa glória e a nossa alegria” (1Tessalonicenses 2: 19, 20)

Por que o pecador (e até mesmo alguns que se dizem crentes) não amam ou não creem na vinda de Jesus? Porque estão totalmente enraizados nesse mundo. E quem tem amizade com o mundo tem logo inimizade com Deus. Como se pode amar a vinda de um inimigo? "Qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tiago 4:4). 



"Mas o justo viverá pela fé" (Hebreus 10: 38)

 

 

Tendo nós a fé para a salvação (fé dom de Deus/ Efésios 2:8), há tão logo a frutificação em nossa vida dos frutos dessa fé, dentre esses frutos, a esperança pela volta de Jesus atestada numa adesão séria nossa em relação a essa promessa. Adesão essa capaz de mudar o sentido de nossa existência para vivermos em serviço do Reino de Deus. Além dos frutos do Espírito (gálatas 5:22), nossa vida é frutificada pela fé e temos em nós os frutos da fé, como o serviço, a tomada de posição, a definição total de nossa vida, a entrega diária, a confiança na Palavra do Senhor, os dons do Espírito Santo e, sobretudo, a esperança na vinda de Jesus.

 

A fé é efetivada em nossa vida pela Palavra, pois ela (a fé) vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus e tão logo se frutifica pela Palavra da Verdade. As Escrituras afirmam que o Cristo vem e ela produz essa esperança tão forte no coração do que ama genuinamente a Deus e, sendo assim, pela fé, passamos a amar a vinda do Cristo.

 

Quem ama a vinda de Jesus? O que não o conhece ainda? Como podemos amar a vinda daquele que não conhecemos? A mulher que ama seu esposo o espera com alegria e anseio. Assim é a esperança da Igreja: alegria e anseio. A igreja fiel a essa promessa se importa em relação ao preparo para esse dia e busca viver na dependência total do Espírito Santo:

 

 

"Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.
E eu pedirei ao Pai, e ele dará a vocês outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. “Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês”. Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês” (João 14: 15 -18)

 

 

"Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus  (Apocalipse 2:7);

 

“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte” (Apocalipse 2:11);


“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei do maná escondido. Também lhe darei uma pedra branca com um novo nome nela inscrito, conhecido apenas por aquele que o recebe” (Apocalipse 2:17)

A volta de Jesus, portanto, é a promessa mor para a Igreja.

“Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória” (Colossenses 3:4);

“Lembramos continuamente, diante de nosso Deus e Pai, o que vocês têm demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo”  (1 Tessalonicenses 1:3);

“Ele os chamou para isso por meio de nosso evangelho, a fim de tomarem posse da glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 2:14)



Ah! Que dia! Porque o Dia do SENHOR está perto e vem como assolação do Todo-Poderoso.” (Joel 1:15)

A Igreja deve amar a vinda de Jesus. A Noiva ama seu Noivo e quer logo a conclusão do casamento. Assim, de todas as promessas bíblicas, a vinda de Jesus é a esperança maior da Igreja (que ao longo da História se prepara em santidade e definição diante do mundo para encontrar o Salvador).

A Igreja (cada um de nós) deve se preparar, dando lugar para que o Espírito Santo promova essa esperança e amor em seu coração. Isso será fundamental quando o Cristo vier. A fé deve estar viva e acesa como eram as candeias das cinco noivas prudentes.

“Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lucas 18:8)


Só no verdadeiro e notável avivamento é que o crente pode esperar (e amar) a volta de Jesus. O avivamento é resultado de uma ação de vida (vida abundante de Deus) no crente e é basicamente promovida pela ação do Espírito na Palavra de Deus, pois ela testifica do Cristo Ressurreto, Glorificado e Revelado. Portanto, o genuíno avivamento produz esperança e desejo ardente de estar já ceando com Cristo. Pela ação da Palavra de Deus, Jesus se revela e a revelação de Jesus só pode produzir plena satisfação da alma. Tanto que ela (a alma) deseja incessantemente estar com Deus. Assim, amamos sua vinda...  Passamos a olhar para o alto! As coisas terrenas passam a ser imediatamente segundo plano.

Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão”. (1 Coríntios 15:19)

“Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova” (Romanos 6:4)

A essência da obra redentora do Espírito Santo é, como já indicado, a redenção humana que de forma completa se dará na Eternidade de Deus onde estará concluída a obra do Espírito. Portanto, a tarefa do mesmo Espírito Santo é a preparação do crente para essa redenção nos seguintes passos: 1) conhecimento de Jesus Cristo e seu Evangelho; 2) promoção da fé salvífica (dom de Deus) e avivamento espiritual; 3) convencimento do pecado; 4) arrependimento; 5) regeneração (obra imediata e constante); 6) santificação; 7) crescimento da graça, da fé e do conhecimento e instrumentalidade do crente; 8) dons espirituais (conforme a graça e o desejo do Espírito Santo) e evidência de ministérios específicos nesse crente. Esta é uma listagem resumida e simples. Nada exaustivo.

Logo, a ação da obra redentora do Espírito Santo é manter o eleito na graça divina para a salvação, acrescentando no mesmo a fé e avivando a esperança da glória.

A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória” (Colossenses 1: 27).

“Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras. Estas palavras que vocês estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou”; "Tudo isso tenho dito enquanto ainda estou com vocês.
 Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu disse. Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo”; "Vocês me ouviram dizer: Vou, mas volto para vocês. Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.  Isso eu digo agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês creiam.  Já não falarei muito, pois o príncipe deste mundo está vindo. Ele não tem nenhum direito sobre mim. Todavia é preciso que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço o que meu Pai me ordenou. Levantem-se, vamo-nos daqui!” (João 14: 24 -31).


Maranata! O Senhor vem!

O RELACIONAMENTO COM JESUS

O QUE É RELACIONAR-SE COM JESUS?

Por Gabriel Felipe M. Rocha

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem(João 10:27)


Saúdo a todos os irmãos, amigos, selecionados leitores e verdadeiros estudantes da Palavra de Deus.

No texto proposto, quem fala é Jesus. Ele é bem enfático ao dizer: “as minhas ovelhas ouvem a minha voz [...] e elas me seguem”. Há, portanto, uma relação de reciprocidade indicando que: ser servo do Senhor Jesus implica em uma relação com Ele. Jesus sempre chamou o homem para tal relacionamento. Vou dar um exemplo que, para mim, é um exemplo clássico: João 21: 15 ao 17.

Nos dois primeiros “amas-me”, Pedro não se entristecera, pois Jesus falava de um amor que já existia com forte evidência em Pedro. Mas na terceira pergunta, Jesus usara a expressão grega “phileo” que traz a ideia de “relacionamento”, “amizade”, “amor de reciprocidade”, “andar junto”, dentre outros significados que podem ser extraídos desse termo. Essa terceira pergunta entristeceu Pedro, pois ela foi mais forte e direta e tocou exatamente em pontos fracos que Pedro demonstrara em alguns momentos: inconstância no serviço e no entendimento. Mas Jesus, com muito amor, o chamava ali para um íntimo relacionamento e, nesse chamado, Pedro recebia uma importante orientação: “apascenta as minhas ovelhas”. Pedro obedeceu, Pedro ouviu, Pedro seguiu...

Mas, o que é exatamente se relacionar com Jesus? Quero, aqui, chamar a atenção para alguns detalhes:

As minhas ovelhas ouvem...”

O termo grego usado para “ouvir” é akoúo que significa também “obedecer” ou “atender a audiência” (ou o chamado).

Jesus estava dizendo o seguinte: suas ovelhas (de verdade) o ouvem e imediatamente o seguem. É decisão, é definição naquilo que diz respeito ao chamado, é entendimento (pelo crivo das Escrituras) da vontade de Deus. A voz do Pastor é conhecida pelas suas ovelhas.

e elas me seguem

O termo grego usado para “seguir” é akoloutheo que tem a mesma raiz semântica de akoúo e significa “acompanhar”, “obedecer ao caminho” ou “estar no mesmo caminho”.

Relacionar-se com Jesus é obedecer as suas palavras, é ouvir o que o Espírito Santo diz, é estar apegado à leitura bíblica e ao exame constante das Escrituras (que produz fé e a fé produz ação). É, portanto, Caminhar em suas pisadas e nunca abandonar o Caminho (que aponta para Ele mesmo). Ou seja, “ser fiel até a morte”.

Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10)

Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2:11)



No Antigo Testamento, o termo ouvir também se apresenta na tradução hebraica como obediência e fidelidade.

Exemplos:

Ouve, ó Israel...” (Deuteronômio 9:1).

Será, porém que se não deres ouvido á voz do Senhor, teu Deus, para não cuidares em fazer todos os seus mandamentos...” (Deuteronômio 28:15).

Veja que, tanto no Antigo Testamento como no Novo testamento, o genuíno servo de Deus é incentivado à obediência da Palavra. Para conhecer a vontade de Deus é necessário examinar a Palavra e não só viver das pregações que emanam dos púlpitos (por mais importantes que sejam estar ali ouvindo-as). O que pretende ser servo do Deus Altíssimo deve zelar pelo seu próprio conhecimento da vontade de Deus (pela Palavra) para que possa também ter suas próprias experiências com o Cristo vivo (testificado pela Palavra). "A fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus..."

É a obediência à voz de nosso pastor que nos faz vencer, que nos faz fortes, seguros e prósperos. Obedecer a Palavra do Senhor nas Escrituras é vida, produz vida e avivamento verdadeiro, pois atentar para obedecer a voz de Deus é dar lugar para a Revelação de Jesus Cristo na própria existência, pois a Palavra de Deus é a Revelação de Deus para o homem de fé e produz vida edificada em Cristo e vida cheia de frutos para a salvação, por isso, obediência para nós, é como o alimento diário.

O maior obreiro de todos os tempos e também o maior de todos os servos foi o próprio Senhor Jesus que tinha a obediência ao Pai algo tão importante como o seu alimento diário. Todo o projeto de Deus e toda a realização de sua Obra consistem em ouvir, obedecer, dispor e seguir.

A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4:34)

Se Jesus era obediente, por que seus discípulos não serão? Jesus nos chama para sermos como Ele, portanto, devemos carregar sobre nossos corações o DESEJO de obedecer ao Senhor em todo o tempo. Se assim fizermos, estaremos nos relacionando com Ele no mesmo amor (phileo) que Jesus quis de Pedro na terceira pergunta.

Vós sereis meus amigos se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer” (João 15:14,15)

Outro detalhe de grande relevância:

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem

Eu conheço-as” – Essa afirmação de Jesus aparece exatamente no meio de sua frase. Para melhor entendermos, vamos analisar outro texto:

Em verdade vos digo que vos não conheço” (Mateus 25:12)

Nesse verso em Mateus 25:12, Jesus, como o noivo da parábola, dizia para as virgens infiéis e desobedientes que Ele não as conhecia. Pois bem, sabemos que Jesus é Deus e como Deus, além de onipresente e onipotente, Ele é onisciente. Ele conhece a todos. Mas a frase “não vos conheço” está ligada a outro sentido: remissão, novo nascimento, presença real do Espírito Santo na vida de cada um.

O termo grego usado para “conheço” é 'eido' que significa também “considerar”. Jesus considera aquele que faz a sua vontade e o tem como Senhor.

Quem o anjo da morte conheceu (ou considerou) na ultima praga sobre o Egito? O anjo conheceu os que tinham o sangue nas portas e luz em suas casas. Da mesma forma, Jesus, quando vier, conhecerá aqueles que estiverem cheios de seu Espírito Santo. Viver em espírito e em regeneração é viver com Jesus e se relacionar com Ele. "Quando vier, pois o Filho do Homem achará, pois, fé na terra?"

Como identificar alguém cheio do Espírito Santo? O indivíduo cheio do Espírito santo é aquele que ATENDE à voz do seu Senhor e o segue, fazendo a sua vontade. Vivendo o Evangelho, amando o próximo e honrando a Deus em testemunho vivo. É servir à igreja com alegria, é servir ao próximo com temor e amor, é se fazer servo o tempo todo, é ser luz para o mundo, é ser sal da terra e refutar o pecado e mostrar o Caminho ao pecador, é conseguir perdoar, é conseguir amar o que te odeia, é ser grato a Deus o tempo todo, é ter esperança na vinda de Cristo e transmitir essa mesma esperança, é amar e cuidar com extremo zelo de nossa família, é levar a Verdade aos cativos, aos pobres, aos pecadores, etc. Esse é o resumo da vontade de Deus. Não há um sequer que esteja cheio da presença do Senhor e permanece inerte diante da vontade de Deus.

Voltando para João 21:15-17, (na terceira pergunta de Jesus), Pedro entristecido respondeu: “Senhor, tu sabes de tudo” (conhece tudo). O Senhor conhece tudo, Ele sabe quem são seus. Ele sabe quão fraco somos, mas Ele mesmo nos fortalece e nos capacita para que possamos ouvir a sua voz.

Relacionar-se com Jesus é, enfim, obedecer (ouvir) a sua palavra, seguir o seu caminho e reconhecer que Ele conhece e sonda constantemente o nosso coração e vê a verdadeira intenção de nossa mente. Mesmo na nossa fraqueza e considerável limitação por sermos tão pecadores, Ele considera-nos como servos e amigos, pois vê o quanto queremos estar com Ele, apascentar o seu rebanho e realizar a sua Obra.

Quero finalizar dizendo que: Se relacionar com Deus não implica apenas pedir, mas também agir, fazer produzir, dar frutos. A oração é fundamental na vida do verdadeiro servo de Deus e, muitas vezes define o nível de intimidade que se tem com o Senhor, porém, ter vida com Deus sugere uma vida de obediência e trabalho.

Louvado seja o Senhor!


Gabriel Felipe M. Rocha