sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eleição e Predestinação

(Estudando Eleição e Predestinação para a glória de Deus)
Uma rápida lição em Romanos 8: 29 (A doutrina da predestinação)

Em primeira análise, Deus é o autor da eleição e não o homem. Foi Deus quem nos escolheu. Não nós que escolhemos Deus. Jamais poderíamos escolher a Deus. Nossa condição espiritual não nos garantia esse poder de escolha. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Éramos ímpios, fracos, pecadores e inimigos de Deus. Por isso, a escolha de Deus é incondicional. Sendo dessa forma, a lição dada pelo arminianismo sempre tende a um modelo de humanismo. Deus não nos escolheu por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Por isso "graça". Graça, portanto, é o favor imerecido. Deus não nos escolheu porque éramos bons, mas apesar de sermos maus. Por isso Jesus Cristo é para nós a reconciliação plena com Deus mediante seu sacrifício vicário. Deus não nos escolheu porque cremos em Cristo; cremos em Cristo porque Deus nos escolheu (At 13.48). Pois bem, esta é uma lição básica para que nossa mente se abra para o entendimento da predestinação.
Para sustentar o entendimento, veja o que está escrito em Efésios capítulo 1, versículo 4, a doutrina da eleição: “Assim como nos escolheu, nele, [em Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.
Portanto, a predestinação é pontualmente a escolha pré definida de Deus e se passa na esfera pessoal, ou seja: Deus predestinou e elegeu indivíduos.predestinação se refere especificamente à decisão de Deus tomada na eternidade, em relação ao destino final de pessoas individuais, antes de o mundo existir. Em geral, o Novo Testamento fala da predestinação ou eleição de pecadores particulares para a salvação e para a vida eterna (Veja em Rm 8.29; Ef 1.4-5,11), ainda que as Escrituras também ocasionalmente atribuam a Deus antecipada decisão a respeito dos que, finalmente, não foram salvos (Rm 9.6-29; 1 Pe 2.8; Jd 4). Por essa razão, na teologia protestante, define-se a predestinação mediante a inclusão tanto da decisão de Deus de salvar alguns do pecado (a eleição) como a correspondente decisão de não salvar outros (reprovação).
O termo grego para predestinação é prooridzo, um termo usado para declarar os decretos eternos de Deus, nos desígnios e nos propósitos do seu plano de salvação (como mostrado em Romanos 8; 29 e 30). O termo está ligado a outras importantes palavras, como: proetoimadzo (que significa "adequar antecipadamente") que dá a noção de um preparo já definido para que o objeto da escolha seja um dia adequado e moldado conforme aquilo que de antemão foi estabelecido. Por isso a vida do cristão genuíno é uma constante adequação ao modelo perfeito, a saber, Jesus Cristo. É um constante e dinâmico cumprimento da ordem divida. É a realização existencial e espiritual do determinismo divino. Esse termo também pode significar "ordenar antecipadamente", dando a ideia de um selo, uma escolha e uma separação para tal patamar, porém num tempo eterno (kronos). Daí tem-se a profunda ligação entre predestinação e eleição. O termo Predestinação também tem ligação com outro termo grego e outra expressão bíblica: protasso. Esse termo traz consigo a ideia de "organizar" ou "arranjar" para determinado fim bem posterior. Significa "prescrever antes de nomear ou indicar". Assim, predestinação é um momento anterior à própria eleição, embora caminham juntas no processo e no conceito de salvação como ato soberano de Deus. Deus predestinou e elegeu. Isso ainda no tempo eterno. Logo - no tempo (kronos) terreno, Ele chamou, efetivando assim a eleição ocorrida já na sua eternidade.
No entanto, esse conceito de predestinação não pode sugerir algum tipo de estagnação espiritual, moral e intelectual. Não significa que, sendo predestinados e salvos, podemos "congelar" nossa vida. Não! Voltemos ao que foi escrito logo acima. Predestinação, a partir do termo original, significa "adequar antecipadamente", ou seja: Deus nos separou desde sua eternidade para que fossemos conforme soberana vontade. Fomos predestinados para sermos segundo seus propósitos específicos já definidos em glória. "Conformes a imagem de seu Filho" (Rm 8:29). Fomos predestinados a participarmos da glória de Jesus Cristo, sendo que fomos definidos por Deus para receber um coração (uma mente) conforme a de Cristo e, logo, um corpo glorificado em glória para reinar com Cristo. Em Cristo somos co-herdeiros da Herança eterna. "[...] a fim que Ele o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8:29). Portanto, a necessidade de se entender a predestinação e eleição junto com a noção da perseverança dos santos. Temos um alvo: a perfeição, embora esta se efetive em glória. Pois fomos eleitos e separados para andarmos conforme Cristo e, gradativamente, alcançarmos a forma ideal de acordo com aquilo que Deus determinou antes do nosso chamado. Para que isso seja cumprido diligentemente, Ele nos conferiu a fé e, com a fé, a certeza e a segurança da salvação para que andemos olhando para o alvo, pensando nas coisas que são de cima e não olhando para trás jamais.
Breve reformulo o presente estudo e continuo o mesmo (se Deus permitir). Há muito ainda que melhorar....


Gabriel Felipe M. Rocha.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O partir do pão: a função delegada à Igreja

O partir do pão: a função delegada à Igreja

E, tomando o cálice e havendo dado graças, disse: Tomai-o e reparti-o entre vós [...] Isto é meu corpo que por vós é dado, fazei isso em memória de mim(Lucas 22: 17-19)

Os Evangelhos nos ensinam que Jesus comeu a Última Ceia com seus discipulos em uma "sala grande acima" próximo do Templo. Nesta refeição, Jesus levanta um copo de vinho e brinda: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20).
A palavra Hebraica para testamento é “brit”, um termo político que se refere a um contrato por escrito entre um rei e seus súditos. O sangue era utilizado para assinar esses contratos como sinal de seriedade, para assumir "que sabemos que o preço pela violação do tratado é a morte". Isso é exatamente o que acontece no caso do velho testamento, quando Moisés lança o sangue do boi sacrificatório no povo (Êxodo 24:8).
Mas Jesus não é apenas o novo Moisés, selando um simples testamento com seu sangue. Mas Ele é o Cordeiro Perfeito, o Perfeito Sumo Sacerdote que, com seu sangue, selou o Novo Testamento. Ele também diz que o sangue é é “derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mateus 26:28). Esta oferta de expiação sacrificatória pelos pecados é o maior presente que Deus (através de Jesus) poderia dar aos seus discípulos a aos seus escolhidos; é por este motivo que ele esperou até o último instante para dar-lhes. “Desejei muito comer convosco...” (v. 15).
Na Ceia, Jesus reparte então o cálice e o pão entre seus discípulos e eles repetem o mesmo gesto.
O repartir do pão tem um significado importante: Assim como no repartir do vinho (o sangue que era símbolo da Nova Aliança em Cristo), Jesus repartia (oferecia) seu Corpo em sacrifício.
A Igreja foi instituída para também fazer assim.
Tomar posse do Corpo de Jesus e, da mesma forma, repartir com os outros tem também um importante significado:
Sendo inaugurada a Nova Aliança pela graça, a Igreja representava – agora – o Corpo vivo de Cristo sobre a Terra. Responsável é a igreja para compartilhar da Vida de Cristo, uma vez que - pela graça - ela tem abundância dessa vida em si. Isso por mérito de Jesus Cristo e não nosso. Assim como o Ministério de Cristo foi um Ministério de entrega, doação de Vida, compartilhamento de amor, acolhimento, perdão, ensino, anúncio, sofrimento, cruz e sacrifício, o ministério da Igreja (sob a tutela do Espírito Santo) não seria diferente.
Fomos chamados para repartir o pão. O sangue derramado uma vez em sacrifício perfeito é o símbolo da nossa aptidão ao serviço e ao cumprimento do chamado, sendo que, esse sangue, representa a Vida e a ação do Espírito Santo na existência da Igreja.
Sendo o Corpo de Cristo aqui no mundo, ela (a igreja) revela – pela Palavra (na ação do mesmo Espírito Santo) o Cristo Vivo ao mundo. O próprio Senhor intercedeu ao pai, rogando para nós essa aptidão em amor:
Eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles...” (João 17:22,23).
A Igreja, portanto, parte o pão e o passa adiante, memorizando todos os dias o amor e a entrega de Cristo. Quando ela acolhe, quando ele ensina a Verdade das Escrituras, quando ela cuida, quando ela exorta, quando ela acompanha e dá suporte, ela está entregando em mãos o pedaço de pão e esse gesto é contínuo. Jesus se revela através da igreja e é conhecido por muitos através da entrega e da doação de vida da igreja. A Igreja é a luz que o mundo tem e por ela Cristo é conhecido pelos que ainda hão de receber a fé. A Igreja dá o suporte para os santos para que assim todos caminhem em perfeita comunhão e unidade.
"Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente [...]" (Colossenses 3:13);
"Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.
Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo
" (Efésios 4:4-7)
A igreja, estando firme na Palavra, ajustada na Verdade, em prática do amor, ajuda mútua e nos fundamentos de Jesus Cristo, é a própria presença viva e operante de Cristo no mundo. Ela compartilha do mesmo sentimento entre os santos e compartilha da mesma esperança e fé no mundo. Ela dá testemunho vivo da fé. Ela testemunha com real engeamento da luz. Ela cumpre com diligência a sua tarefa. Ela ama servir. Ela vive para a glória de Deus.
Ela (a igreja de Deus) é você, cristão. Você firmado nesse fundamento que é Cristo.
Você que está lendo esse post, tem repartido o pão? Tem evangelizado? Tem acolhido? Tem mostrado e testemunhado o caminho? Tem exortado com amor? Tem cuidado dos feridos, dos órfãos, das viúvas e dos necessitados em geral?
Sejamos luz! Sejamos sal! E, assim, carreguemos todos os dias a nossa cruz. Nossa missão já foi proposta e basta, agora, zelarmos por cumpri-la em amor, devoção e entrega até o Dia de Jesus Cristo.
Amém!

 (Gabriel Felipe M. Rocha)
Gabriel Felipe M. Rocha é membro da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte; graduado em História (licenciatura e bacharelado); pós graduado em Sociologia/ lato sensu (Sociologia da Educação); mestrando em Filosofia (Ética e Antropologia) e professor.


Um agradecimento:

Um agradecimento e (breve) despedida:

"Quando clamei, tu me respondeste; deste-me força e coragem" (Salmo 138:3)

"O Senhor cumprirá o seu propósito para comigo! Teu amor, Senhor, permanece para sempre; não abandones as obras das tuas mãos!"
(Salmos 138:8)

Desejei muito deixar aqui uma palavra de louvor a Deus e de agradecimento. Louvado seja Deus! Grande é o Senhor! Sua glória é para todo sempre!
Quero, com toda minha alma, deixar minha sincera gratidão pelo bom e precioso tempo que caminhei na Igreja Cristã Maranata. Lá me converti em abril de 2004 com o meu melhor amigo (Leonan) que hoje dorme no Senhor (o verei na Eternidade). Batizei-me lá. Professei minha fé na Sã Doutrina de Jesus Cristo lá. Foi lá que o Senhor Jesus se revelou a mim e pude conhecer sua voz pela primeira vez. Foi assim comigo e ainda será com muitos que lá dentro conhecerão ao Senhor e caminharão nEle. E que assim seja!
Louvo a Deus por essa igreja que acolheu minha família quando meu pai se converteu em 2002 através de uma belíssima serenata. Ah! Que tempo maravilhoso...
Louvo a Deus pelos bons e acolhedores pastores que tive. Louvo a Deus pelas regiões de Bom Jesus, Caratinga, Vale do Aço e Santa Luzia por onde estive servindo ao Senhor.
Tive amigos espetaculares e especiais lá. Tive companheiros nobres. Alguns são amigos para toda a vida. Lembro aqui de forma muito especial do pr. David Cristiano que foi meu mestre. Se hoje posso entrar em qualquer assunto bíblico, espiritual, acadêmico e teológico é porque tive um mestre bom. Que me ensinou maravilhosamente muitas coisas (até hoje guardo os esboços de suas aulas das extintas reuniões de jovens de domingo).
Se eu cresci, alcancei responsabilidades e funções, foi - primeiro - porque o Senhor me chamou para as tais e me capacitou para exercê-las. Mas agradeço aos irmãos que oraram por mim. Pelas irmãs que, as vezes não aparecem, mas suas orações geram vida e vigor à Igreja. O que seria eu se não fosse o Senhor e a Igreja Cristã Maranata que até aqui me ajudou a caminhar em Cristo.
Mas chega um momento que algumas decisões precisam ser tomadas e, na maioria das vezes, essas decisões são dolorosas. Não são fáceis como pensam alguns.. Elas se fundamentam em razões específicas e se dão na esfera da necessidade (não entrarei nessa questão).
Mas meu desejo pelo Evangelho do Senhor Jesus e minha convicção pela sua Santa Doutrina me fizeram tomar essa decisão importante. Mas o Caminho proposto é o mesmo: Jesus. No entanto, alguns pontos específicos precisam ser tratados e a Palavra de Deus fará isso com a mesma intensidade de um exército em combate, com a mesma força de um leão faminto, com a mesma eficácia de um bom remédio e com a mesma suavidade e doçura do mel.
Assim, termino meu agradecimento (simples e rápido) a uma igreja a aos irmãos que sempre levarei em meu coração. Fechei apenas um ciclo, mas a História quem escreveu foi Deus e muitas páginas ainda terão que ser viradas. Essa é a nossa existência...

Louvado seja Deus!

Gabriel Felipe M. Rocha

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Uma reflexão singela sobre a amizade

Uma reflexão singela sobre a amizade

O amigo ama em todos os momentos;
é um irmão na adversidade.
(Provérbios 17:17)

A amizade é um fenômeno humano cujas raízes (ou princípios) são plenamente metafísicos. Ou seja, estão para além da física. O cérebro até pode mostrar para o psicanalista onde se manifesta fisiologicamente a amizade, o amor, o companheirismo, até mesmo a fé. Mas nunca poderá mostrar empiricamente  os átomos ou matérias que compõe cada um. Porque suas raízes não estão no plano imanente e não se limitam na esfera terrena. A amizade, assim como todos os outros sentimentos próprios do espírito, está para além do homem e é oriunda de Deus.

Antes de se manifestar o sentimento da amizade em nós nos primeiros contatos e relações humanas de nossa existência, Deus já era “todo Amor”. Ele já era “todo Amizade”, assim como os diversos atributos e características de nosso Senhor.
Tanto que, o termo "amigo” no hebraico (rêa), além de significar “companheiro”, “irmão” e “próximo”, significa também “amante”, “marido”. É um substantivo masculino que significa outra pessoa, ou faz referência à outra pessoa no sentido de alguém que completa ou alguém que se identifica.

A partir dessa noção, podemos aprender que: Deus elegeu um povo para chamar de amigo. Para estar próximo em profunda comunhão. Para ser irmão que tem a conotação de união pelo mesmo sangue (no caso, reconciliação pelo poder do sangue de Jesus Cristo).  Deus escolheu nos amar. Ele nos amou primeiro. Vendo nossa condição depravada, Ele olhou para nós com olhar de misericórdia e quis – em sua soberania – nos chamar de amigos. Sendo que Ele mesmo providenciou esse recurso através de Cristo que, por inefável amor, se doou em sacrifício por exatamente nos amar e desejar com imensurável afeto nos chamar de amigos.
Jesus é nosso amigo maior e melhor. Prova de amizade maior que a que Ele mostrou não há!
Deus nos resgatou para a vida para voltarmos a sermos parte dele em espírito, pois dEle viemos. Ele não precisa de nossa amizade. Somos prescindíveis para Deus, mas Ele é imprescindível para nós.  Nós completamos Deus não no sentido que Deus é incompleto sem nós. Não! Mas no sentido de fazermos – agora – parte do Corpo espiritual de Jesus na Terra. Somos membros do Corpo de Cristo porque Deus nos amou. Somos parte de Cristo e co-herdeiros com Ele porque Ele nos amou primeiro. Por nós mesmos jamais conheceríamos o esplendor de sua glória e a eficácia de sua amizade e, tampouco, o seu companheirismo diário pela comunhão no Espírito Santo.

No Novo Testamento, existem algumas expressões que definem “amor” e “amizade”, mas chamo atenção para duas em especial. Convido você a abrir sua Bíblia em João 21: 15-17.

Ali, Jesus tem uma conversa especial com Pedro.  Ele faz para o mesmo três perguntas que, a princípio, parecem meras repetições, mas não são.
Nas duas primeiras perguntas “amas-me”, Jesus se apropria do termo “agapao” de ágape. Jesus falava de um amor majestosamente grande que tinha uma conotação que estava para além das condições emocionais e, talvez, espirituais de Pedro. Mas o amor ágape não depende de um tipo de reciprocidade. Jesus fez a pergunta a Pedro não esperando dele a mesma intensidade de amor. Ele apenas perguntou (por duas vezes) se Pedro o amava a ponto de apascentar suas ovelhas. Jamais amaremos na mesma intensidade de nosso Senhor. Nossa natureza não nos permite isso, mas podemos amar muito a Deus e mostramos esse amor (verdadeiro) quando reconhecemos que somos dependentes dele e quando realizamos sua obra. Quando nos dispomos ao serviço, Deus se agrada e nos chama de amigos e não mais servos simplesmente.

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco” (João 15:15)

Amizade se manifesta no cuidado. É entrega. É serviço. É disposição para ouvir, acolher, receber, caminhar junto.

Amizade é suportar um ao outro (dar pleno suporte). É se alegrar e se entristecer seja quais forem as circunstâncias.

Mas a terceira pergunta de Jesus a Pedro foi bem mais pontual, pois o termo empregado foi “phíleo” que já traz a idéia de um amor recíproco. Um amor de relacionamento. Um amor de compromisso. Um amor de entrega. Um amor de devoção.

Phíleo é a palavra grega que significa também AMIZADE. Dela se tem a palavra “filantropia”.
Talvez Pedro se entristecera ali porque não tinha condições reais de manifestar com seu corpo, sua alma e seu espírito essa amizade. Talvez se sentisse aquém desse importante pacto. Mas ele queria, estava disposto a dizer sim ao Mestre, pois o Senhor já havia mostrado o seu grande amor primeiro no gesto do sacrifício.

Amizade não significa ser perfeito ou ser melhor em tudo diante do Senhor, diante da família, diante da igreja e diante do amigo íntimo. Não! Ser amigo é estar disposto a dizer sim. Mesmo nas falhas e mazelas próprias de nossa natureza. Ser amigo é dizer sim, mesmo dizendo não quando for preciso. Aliás, dizer não ao amigo para preservá-lo, às vezes, significa dizer sim, pois o não no Senhor é sim para a vida em crescimento na graça e no conhecimento da vontade de Jesus Cristo. Falar o que precisa ser dito ao amigo, ao irmão e ao próximo é dizer sim para a benção do Senhor sobre sua vida.

A amizade é um presente de Deus. A Igreja não se fortalece e não cresce se não houver amizade entre os irmãos. Amizade é suporte que cada um dá ao outro em constante amor, zelo, carinho, cuidado, repreensão, oração e ensino.

O amigo, então, é dádiva do céu, pois a amizade é um sentimento que revela também o amor de Deus por nossas vidas. Seu amigo (ou seus tantos amigos de verdade) são o cuidado de Deus para com sua vida.

Na hora da adversidade, o amigo é combatente e Deus é fortaleza. No momento da alegria, o amigo é participante e Deus é louvado.

Louvo a Deus pelos meus verdadeiros amigos, começando por minha esposa, meus pais e familiares e pelos meus novos amigos que tenho encontrado nessa nova etapa de minha vida.


Gabriel Felipe M. Rocha

domingo, 2 de novembro de 2014

O que é ser um “reformado” e o legalismo religioso dos nossos dias

O que é ser um “reformado” e o legalismo religioso dos nossos dias


Olá, leitores do Blog Palavra a Sério, a paz de nosso Senhor Jesus!

Muitos cristãos evangélicos comemoraram ou pelo menos memorizaram a Reforma Protestante no último dia 31. Pois bem, mas, interessante que, muitos desses evangélicos, estão hoje numa situação em suas igrejas em que é preciso que haja uma reforma. Outra reforma! Não outro Evangelho como alguns já têm instituído.
Muitas igrejas se fundamentam em “novas revelações”, se dão ao misticismo religioso, ao legalismo, ao sectarismo e às novas correntes doutrinárias que ultrapassam as Escrituras. Muitos estão já totalmente mergulhados em dogmatizações totalmente afastadas da verdade da Palavra.
E o trunfo da reforma Protestante foi o advento da Palavra como referencial ÚNICO de fé e prática da Igreja. Mas muitos estão, como disse, preferindo se fecharem em seus “ninhos” denominacionais e se entregarem ao legalismo religioso. Legalismo esse que tende a negar a graça de Deus quando instituem doutrinas e dogmas cujo  indivíduo deve se esforçar através de ritos e práticas para alcançar a graça de Deus e sabemos que não é isso que nos foi ensinado.
Eu mesmo (Gabriel Felipe), junto com minha família, tomei a decisão (que foi já determinada por Deus)  de me reformar e abraçar o Evangelho da Reforma Protestante que, é o próprio Evangelho da Palavra de Deus, ou seja, é o Evangelho bíblico, autêntico sem reformulações, “novas revelações”, legalismo e religiosidade. É o poder de Deus para todo aquele que crê. (confira a postagem: http://palavraserio.blogspot.com.br/2014/08/evangelho-poder-de-deus-para-todo_17.html).
Portanto, há hoje uma urgência em querer que haja uma nova Reforma Protestante, mas, dessa vez, envolvendo não só  a Igreja Católica Apostólica Romana, mas também algumas igrejas evangélicas que se afastaram da Palavra. Hoje, eu, assim como muitos reformados, protestamos contra esses abusos que acontecem em várias igrejas e, pela Palavra (não por força e nem violência) pregamos a verdade e confrontamos nossos leitores com as Escrituras.
Viva o Evangelho autêntico!

Assim, deixo aqui uma breve exposição sobre o que é ser, de fato, reformado:



O crescimento do interesse pela fé reformada em todo o mundo é um fato que tem sido notado aqui e ali pelos estudiosos de religião. Crescem em toda a parte a publicação de literatura reformada, o ingresso de estudantes em seminários e instituições reformadas, a realização de eventos, o surgimento de novas igrejas e instituições de ensino reformadas e o número de pessoas que se dizem reformadas, especialmente oriundas de denominações pentecostais.

Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Por “reformado” entendo aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados “Cinco Pontos do Calvinismo,” resumidos no acrônimo “TULIP” (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança final).

A Reforma produziu movimentos associados aos seus grandes líderes, os quais concordariam substancialmente entre si quanto aos “solas” e o TULIP, mas que divergiram em outros pontos. Refiro-me a luteranos, zuinglianos e calvinistas. Com o passar do tempo, o nome “reformado” foi se associando mais e mais aos calvinistas, de maneira que, de maneira genérica, os termos “reformado” e “calvinista” são usados hoje como similares.

Existe, todavia, um grande número de igrejas que são da "tradição reformada" mas que já não creem de maneira ortodoxa quanto a estas doutrinas. Geralmente essas igrejas não estão experimentando esse crescimento, mas um esvaziamento, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) e outras denominações historicamente ligadas à Reforma, mas que já não professam seus postulados. Por outro lado, da África, Coréia, China, Indonésia, e Brasil, por exemplo, chegam relatórios do florescimento calvinista. É claro que o calvinismo acaba recebendo diferentes interpretações e expressões em tantas culturas variadas, mas os pontos centrais estão lá.

Isso não quer dizer que os reformados são muito numerosos, comparados com pentecostais e arminianos, por exemplo. O que eu quero dizer é que os relativamente poucos reformados têm experimentado um crescimento que já chama a atenção de muitas denominações e tem provocado alertas da parte de seus líderes.

A ressurgência calvinista nos Estados Unidos não está ocorrendo somente entre os Batistas, mas entre muitas outras denominações. Um dos motores é o ministério de pastores reformados populares, como John Piper, R. C. Sproul, Al Mohler, J. C. Mahaney, Tim Keller, Kevin DeYoung e John MacArthur, entre outros. Os eventos promovidos por eles recebem milhares de pastores de todas as denominações e seus livros são traduzidos em dezenas de línguas, inclusive em português. No Brasil temos quase todos os títulos destes autores.

Mas, o interesse maior na fé reformada no Brasil parece ser da parte dos pentecostais. Cresce a presença de pastores e líderes pentecostais nos grandes eventos reformados no Brasil. Cresce também o número de pentecostais que estão adquirindo literatura reformada. E cresce o número de igrejas pentecostais independentes que estão nascendo já com uma teologia influenciada pelo calvinismo. Algumas denominações pentecostais também vêm recebendo a influência calvinista a passos largos.

O ministério de editoras que publicam material reformado, como a Editora Cultura Cristã, a Fiel e a Publicações Evangélicas Selecionadas, por exemplo, tem servido para colocar as obras de reformados brasileiros e internacionais nas mãos dos evangélicos brasileiros ávidos por uma teologia consistente, e cansados dos excessos do neopentecostalismo e da aridez do liberalismo teológico.

Não tenho uma explicação definitiva para esse fenômeno do retorno da TULIP. No mínimo, é curioso que uma fé tão perseguida e odiada como o calvinismo, de repente, passe a ter mais aceitação. Poucos, na história da Igreja, foram tão mal entendidos, distorcidos, vilipendiados, odiados e amaldiçoados quanto João Calvino. Chamado de tirano, déspota, incendiário de hereges, frio, duro, determinista, criador do capitalismo selvagem, Calvino tem sofrido mil mortes nas mãos de seus detratores, os quais, na maioria das vezes, nunca leram sequer uma de suas obras, e que formaram sua opinião lendo obras de críticos.

Somente espero que, à medida que o movimento cresce no Brasil, os reformados aprendam a reter o que é essencial e bíblico na Reforma, sem tornar em matéria de fé aquilo que pertenceu a séculos passados em outras culturas, como, infelizmente, já tem acontecido no Brasil com alguns grupos. Que eles lembrem que a fé bíblica, que é a fé da Reforma, também pode se expressar dentro da rica e variada cultura brasileira.

Logo após essa breve exposição sobre o que é ser reformado, deixo uma outra exposição sobre o legalismo religioso atual.


O Legalismo religioso de algumas igrejas (urgência da Reforma Protestante nos dias de hoje)

O que é o legalismo? É um sistema de crenças falaciosas que convence e induz o homem a cumprir, com esforço excessivo, a lei de Deus ou as leis civis. Geralmente as seitas cristãs (ou pseudo-cristãs) estão repletas disso. E, na maioria delas, as doutrinas e “a forma de vida” (que ultrapassam o Evangelho) são oriundas de “novas revelações”, configurando assim o “outro Evangelho”.

Depois disso, passamos a pensar por alguns dias sobre outra pergunta: Não é legitimamente bíblico lutar contra a natureza pecaminosa, esforçando-se para viver em fidelidade aos conselhos de Deus? Sim, mas isso não é o legalismo. Não podemos confundir o legalismo com a perseverança dos santos.

Embora essa última pergunta pareça defender o legalismo, tal como fora descrito, o propósito deste texto é apresentar a perspectiva bíblica sobre o tema, visando dirimir a confusão que muitas vezes fazemos quanto ao legalismo e a confiança na graça de Deus, afetando negativamente certos aspectos da vida cristã. A salvação não pode ser obtida por obras, mas as obras é uma exigência da fé verdadeira (Tg 2:18).

A palavra “legalismo” tem origem no Latim (legalis, relativo à “lei” + ismo como sufixo que dá forma ao substantivo e denota “sistema”). No Antigo Testamento a palavra “lei” é traduzida de towrah (hb.), carregando o sentido de “instrução” e “direção” (cf. Êx 12:48-51). Já no Novo Testamento é traduzida de nomos (gr.) e significa “norma” ou “regra de ação” (BW9, cf. Mt 5:17). Tanto para Grécia quanto para Roma, nomos era o deus Daemon/Gênius, guardião da justiça entre os homens que exigia fidelidade às normas de Zeus/Júpiter (SMITH, p. 174-175). Os leitores neotestamentários estavam familiarizados com o aspecto religiosamente pagão de nomos, mas muito mais com o seu significado legal na cultura teocrática de Israel. A lei de Deus, superior a todas as demais, fora estabelecida para ser cumprida rigorosamente em todas as dimensões da vida (Lv 26:12-18; Dt 11:26-8). 

A lei de Deus reflete a retidão do seu perfeito ser, que é soberanamente santo e justo (Dt 32:4). Ao violar a aliança de Deus, deixando de obedecer a sua lei, o homem se meteu no pecado (Ec 7:29 cf. Gn 3:17-19) e por ele foi corrompido quanto ao seu estado original, passando a viver os efeitos mortificantes da sua relação com o Criador. Desde então, ele tem sido chamado por Deus à santidade, através da obediência fiel aos seus preceitos (Lv 20:7).

A “fidelidade” é, por definição (“fé”), a “firme” ou “estável” confiança em Deus (Js 24:14; Tt 2:10) e, certamente, o seu propósito final encontra-se além do cumprimento externo de determinadas normas. A “justiça”, do mesmo modo, é o direito de cumprir a lei e ser aprovado (At 10:34-35; 1 Jo 3:7). Noé entendeu isso (Gn 6:9 e 7:1; Hb 11:7), bem como Abraão (Gn 26:4-5; Hb 11:8). Moisés reivindicou isso do povo (Dt 4:1-8). E Jesus veio para cumprir justamente toda a lei de Deus, a fim de salvar o homem (Mt 5:17) da condenação por causa do seu pecado.

Jesus disse que provamos amar a Deus quando conhecemos a sua palavra e a obedecemos (Jo 14:21). Ele quer que sejamos fiéis nesse compromisso de aplicar os seus ensinos para a nossa santificação! Entretanto, isso é impossível sem a operação do Espírito Santo, pois é ele quem nos ensina, aplicando eficazmente verdades que nos restauram e nos consolam (Jo 14:26) frente às pressões mundanas do nosso tempo, até que Cristo volte. Sem a obra do Espírito Santo que inicialmente nos revivifica e nos santifica, qualquer que seja o nosso esforço de santificação será improdutivo para a glória de Deus.


2. O legalismo, a salvação e a santificação.

O legalismo é distinto da fidelidade, pois o legalismo tem o seu foco nas normas, enquanto a fidelidade na pessoa que as estabeleceu. O legalismo, nesse sentido, despreza a graça divina e tenta conquistar o mérito de ser aceito por Deus mediante o seu pretenso esforço religioso. Isso pode inicialmente parecer nobre, contudo a Bíblia ensina que boas ações não podem fazer uma pessoa justa, visto que a condição humana está totalmente incapacitada para produzir qualquer justiça que altere a sua condição diante de Deus (Gl 2:16; Ef 2:1; Cl 2:13). A salvação é obra exclusiva da graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Submeter confiantemente a nossa vida à Deus, arrependidos dos nossos pecados, é o que a Bíblia exorta a fazer (At 17:30). Só fazemos isso quando recebemos a graça de Deus pelo mérito de Jesus, e o Espírito Santo nos concede a vida eterna, que é a garantia da salvação. Este é o princípio de uma vida de obediência.

O contrário dessa verdade bíblica ou a sua má compreensão, produz no homem um falso senso de auto-importância por sua suposta fidelidade a Deus (Pv 25:27; Lc 18:11-12; Rm 12:3), convencendo-o de que a salvação, bem como a santificação, é resultado do seu esforço e merecimento (Lc 17:10; Rm 3:9-12). Deus sempre condenou o orgulhoso, o que confia em sua própria bondade e o que espera receber a graça de Deus na base dos seus atos admirados pelos homens (Lc 18:9; Rm 9:30-33). 

Ademais, o legalismo sempre coloca a ênfase no externo em detrimento do interno (1 Sm 15:22). Ele despreza a graça de Deus e concentra os seus esforços para transformar primeiramente o homem exterior, ou seja, os seus comportamentos, os seus vícios, as suas palavras, os seus maus hábitos, as suas amizades, etc (Cl 2:20-23), mas negligencia o fato de que antes o Senhor vê o coração. Jesus confrontou os fariseus com o fato de que, embora eles tenham feito um grande esforço para limpar os seus copos e pratos, se esqueceram de limpar os seus corações, que eram cheios de rapina e perversidade (Lc 11:37-41). Por isso, o legalista tende a julgar os outros (Mt 7:1-5), pois pensa que a sua justiça, que é baseada em méritos pessoais (larga experiência, títulos acadêmicos, poder econômico, cargos elevados na hierarquia do poder) excede a dos demais.

É importante ressaltar que obedecer a Deus jamais tem denotação negativa e deve ser buscada constantemente. E ela, nem sempre, é interpretada como legalismo, pois a genuína evidência da fé verdadeiramente em Jesus se dá através das obras (Tg 2:18). Ao abalar esse alicerce estaríamos estimulando o relaxamento generalizado das responsabilidades pessoais que a própria santificação envolve.

Aquele que reconhece a sua dependência da graça de Deus a todo instante, é humilde em seus relacionamentos e tudo o que faz, faz acima de tudo para a glória do seu Senhor, não para se promover entre os homens.


2. O legalismo e a conduta moral.

Como já exposto, a graça não nos autoriza a pecar, libertando-nos da responsabilidade moral de observar e atender os conselhos de Deus (Rm 6:1-4). 

O conceito de liberdade do mundo gradualmente obscurece a percepção de que a liberdade é cercada de limites. O homem é livre para andar, mas não é livre para voar, porque a sua liberdade não lhe garante fazer tudo o que gostaria. Porque não existe liberdade sem lei. Não é de se estranhar o fato daqueles que exploram a liberdade pessoal, mas respeitando os limites estabelecidos pela família, pela sociedade e, especialmente pela Palavra de Deus, sejam rotulados de “legalistas” ou “fundamentalistas” por aqueles que defendem uma conduta moral sem regras ou preceitos que a oriente. Mas também, mesmo nos círculos cristãos, percebemos que existem legalistas. São pessoas mal resolvidas, guiadas pela obstinação da vaidade e desajustadas entre aquilo que ensinam e o que demonstram em suas próprias vidas. São religiosos pessimistas e incompassivos quando julgam os outros.

Jesus foi a única pessoa que usou a palavra “hipócrita” (hupokrites) no Novo Testamento (20x e apenas nos Sinóticos). Esta palavra tem origem na arte grega, especificamente no teatro, significando “autor”, “dissimulador” ou “jogador” (BW9). No contexto em que Jesus reagiu a uma tensão provocada pelos fariseus, ele respondeu: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (Mt 23:27). A ideia transmitida é de uma pessoa que “faz o jogo” da religiosidade pura por motivações impuras e repugnantes. Por isso, a característica que mais denunciava um hipócrita nos dias de Jesus era o excesso de autoconfiança, de orgulho e da pretensa tentativa de promover a aparência de santarrão. Esses, agiam como se fossem um padrão de fidelidade à Deus aos outros, mas estavam bem distantes dessa realidade!

Por que os fariseus podem ser classificados como legalistas?

Primeiro. Eles eram hipócritas. Eles fingiam ser dedicados, consagrados, observadores rigorosos da lei de Deus, altamente disciplinados, e assim demonstravam que eram justos e cheios de piedade; mas as suas motivações eram reprovadas e não viviam, no espírito da lei, o verdadeiro amor a Deus (Mt 23:4-7, 25-28). Eles não foram condenados porque eram demasiadamente zelosos, mas porque eram fingidos, falando e exigindo aquilo que não praticavam (Mc 23:3).

Segundo. Eles davam maior atenção para meios negociáveis de se expor a fé, que aos de caráter inegociáveis na lei (Mt 23:23; Lc 11:42). Jesus referiu-se a essa tendência como coar um mosquito e engolir um camelo em Mateus 23:24. Um legalista é como um fariseu nos dias de Jesus, ele se preocupa mais com picuinhas, com superficialidades e assuntos sem importância... como meios de chamar atenção para si e provar a sua exaltada razão entre os outros. Assim, demonstra-se estar perdido daquilo que é o mais importante no cumprimento da lei, que é a atitude voluntária e consciente da obediência (fé), e não meramente da obrigação em si (obras).

Terceiro. Eles interpretavam mal a lei de Deus (Mt 5:17-48), e foi por isso mesmo que fizeram interpretações falaciosas dela, elevando tradições e preferências humanas para o mesmo nível de autoridade das Escrituras (Mt 15:1-9; Mc 7:1-13). Jesus repreendeu repetidamente os fariseus por esse malícia, a qual sobrecarregava as pessoas com culpas injustificáveis, dívidas impagáveis e sacrifícios intermináveis. E ainda, seus falsos ensinos alimentavam o perverso sistema de arrecadações de recursos pelos serviços prestados no Templo e no Sinédrio. 


Conclusão.

O legalismo, portanto, negligencia a graça de Deus com base em legalidades e tradições despidas da fé e da misericórdia. E, portanto, não pode ser confundido com a obediência requerida por Deus, visto que ela é o princípio preeminente da salvação.

Embora a graça de Deus é, por muitas vezes, mal compreendida biblicamente, dando força para aqueles que estão decididos a pecar, ela produz a firme consciência da obra de Deus a nosso favor, conduzindo-nos a uma vida de obediência à sua Palavra. E quando pecamos, deixando de cumprir o que ela prescreve, podemos contar com o perdão divino e a renovação das forças para a devida perseverança da fé, sabendo que em nenhuma condição poderemos pagar a dívida dos nossos pecados, mas demonstrar o sincero desejo de se ver livre dele observando e obedecendo atentamente os conselhos de Deus, por submissão a ele.

O legalista não aceita isso por estar apegado a formas rigorosas de disciplina religiosa e vaidades. Ele pode ensinar corretamente verdades da Escritura, estando distante como referencial bíblico de vida cristã, por ausência de piedade e humildade.

Acreditamos na necessidade de cuidar, de zelar da nossa caminhada cristã, buscando a santificação das nossas vidas, obedecendo os ensinos da palavra de Deus. Contudo, reconhecemos o perigo de nos cegarmos pelo excesso de autoconfiança, tentando monitorar o nosso próprio pecado a ponto de criar um padrão de moralidade falacioso, e ainda usá-lo como base para julgar os outros por comparações insensíveis e impiedosas. 

Deus não nos julgará com base nas regras que podemos criar para estabelecer a nossa vida cristã, mas com base nas suas e elas são inalcançáveis em sua plenitude e perfeição. O único caminho de sermos justificados diante da lei de Deus é pela graciosa obra de redenção que ele efetivou por seu único Filho, Jesus Cristo. E uma vez redimidos por sua graça, mediante a fé, devemos viver obedientes a ele, mas sempre cientes que ainda sofremos os efeitos do pecado. Por isso, carecemos da constante misericórdia de Deus, assim como as pessoas a nossa volta esperam que também sejamos misericordiosos.



Ver também:






  Gabriel Felipe M. Rocha

Referências bibliográficas:
Bíblia de estudo de Genebra/ trad. JFA atualizada;
Bíblia de Estudos Palavras Chave/ Hebraico-grego;
Carta aos Romanos (Karl Barth)

Sermão Ver. Augustus Nicodemus Lopes/ Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia/