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terça-feira, 24 de junho de 2014

A reconciliação com Deus

A reconciliação com Deus

“De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado Cristo dessa forma, agora já não o consideramos assim. Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo suplicamos: Reconciliem-se com Deus.  Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:16 ao 21)


Em 2 Coríntios 5:16-21, Paulo descreve como a salvação através de Cristo funciona atraindo o conceito de reconciliação. Por que Paulo escolheu esse termo? Em Português, reconciliar significa “Fazer voltar à antiga amizade (aqueles que se malquistaram).” Vem do Latim reconciliare que significa “reunir-se novamente.” Esse contexto é bem aplicável, pois, quando o primeiro homem pecou, rompeu-se completamente a amizade com Deus e, sendo assim, a humanidade se encontra em constante inimizade com o Criador. Mas Cristo é a proposta divina para a reconciliação. E isso partiu da própria generosidade de Deus (graça) que, por Ele mesmo, quis se reconciliar com o pecador por intermédio de seu Filho através do sangue inocente. Hoje, nós todos, podemos chegar a Deus como amigos quando cremos na eficácia desse sacrifício perfeito.

Escrevendo em Grego, Paulo usa uma palavra diferente: καταλλάσσω (katallassō). No coração desta longa palavra se encontra a raiz ἄλλος (allos) que significa “outro”. Então o verbo katallassō significa “trocar uma coisa por outra coisa.” É utilizado normalmente no Grego Clássico para referir-se a troca de bens ou dinheiro. Depois foi aplicado às relações de apaziguamento entre pessoas ou nações em disputa; as duas partes deixam o rancor de lado e voltam a ser amigas.

Autores Gregos nunca utilizaram o termo katallassō em um contexto religioso. A inovação de Paulo é a utilização do idioma de troca/escambo para explicar a mensagem cristã da salvação. Ele diz que Deus faz as pazes entre ele e a humanidade, trocando sua própria justiça pelos pecados da humanidade. Essa justiça estaria no sangue do único Justo, a saber, Jesus Cristo. Este termo, que teria lembrado a audiência de Paulo sobre relações internacionais, é especialmente propício porque mostra a necessidade da morte de Cristo em uma cruz e a importância do derramamento de sangue para tal reconciliação. Ou seja, sem esse derramamento, não pode haver a troca no sentido empregado por Paulo, pois só há a troca quando Deus recebe nosso pecado dando-nos o perdão e a reconciliação.

O interessante é notar que: nós, seres humanos, somos seres em constante pecado e, sendo assim, constantemente necessitamos de um renovo para chegar diante de Deus.

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”
(1 João 1:7-10)

Neste acordo de reconciliação, Cristo funciona como o mediador, o agente que vai e volta entre as duas partes até que a fenda seja remendada: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2 Cor 5:19). Sem Cristo como facilitador da troca, a reconciliação seria impossível.

" A cruz é aquela grande e última palavra de Deus ao homem que explica tudo o que precisa ser explicado e responde as nossas persistentes perguntas sobre o propósito e a obra de Deus entre os homens” (Paul Washer)







(Por Gabriel Felipe M. Rocha/ Interpretação grego/português por Jonathan A. Lipnick)

sábado, 21 de junho de 2014

Expiação eficaz

Expiação eficaz (por C. H. Spurgeon)

"E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão" (Hebreus 9:22)


Em Levítico somos alertados que "é o sangue que fará expiação pela alma" (17:11). No regime da lei Deus nunca perdoou pecado à parte do sangue. Isso era uma constante: "sem o derramamento de sangue não há remissão" (Heb. 9:22). Farinha e mel, temperos doces e incensos, de nada valiam sem o derramamento do sangue. Não havia promessa de remissão baseada em esforço futuro ou profundo arrependimento; sem o derramamento de sangue o perdão nunca viria.


O sangue, e somente o sangue, tirava o pecado e permitia ao homem chegar-se ao trono de Deus para O adorar, porque o sangue o tornara um com Deus. O sangue é a grande expiação. Não há esperança de perdão para o pecado de qualquer homem, a não ser que sua punição seja sofrida totalmente. Deus precisa punir o pecado. A punição do pecado não e um arranjo arbitrário, mas faz parte da constituição de um governo moral. Deus nunca Se desviou disso e nunca o fará. "Ele, de modo algum, inocentará o culpado" (Ex. 34:7).


Cristo, portanto, veio e foi punido no lugar de todo o Seu povo. Incontáveis são as almas pelas quais Jesus derramou Seu sangue. Ele fez uma expiação completa pelos pecados de todos os eleitos. Por cada homem nascido de Adão que crê ou irá crer nisso pelo chamado eficaz do Espírito. Cristo fez uma expiação perfeita; e não há outro plano pelo qual os pecadores possam se tornar um com Deus, exceto pelo sangue, pelo precioso sangue de Jesus. Eu posso oferecer sacrifícios, mortificar meu corpo, ser batizado, participar das ordenanças, orar de joelhos até que endureçam; posso ler palavras devocionais e até decorá-las, celebrar missas, adorar em uma língua ou em cinquenta línguas; porém não posso ser reconciliado com Deus a não ser pelo sangue de Cristo, pelo "precioso sangue de Cristo".



Meus queridos amigos, muitos de vocês já sentiram o poder redentor do sangue de Cristo; não estão mais sob a lei, mas debaixo da graça; vocês também sentiram o poder expiatório do sangue e sabem que foram reco­ciliados com Deus pela morte do Seu Filho, sabem que Ele não é uni Deus que está irado com vocês, e sim que os ama com imutável amor. Isso, porém, não acontece com todos aqui. Oxalá acontecesse! Eu oro para que neste dia vocês possam conhecer o poder expiatório do sangue de Cristo. Criaturas, não desejam se identificar com o seu Criador? Homens insignificantes, não teriam um Deus Todo-poderoso para ser seu amigo? Não poderiam estar de bem com Ele exceto através da expiação. Deus apresentou Cristo para ser a propiciação pelos nossos pecados. Oh, recebam a propiciação pela fé no Seu sangue e estejam em paz com Deus

segunda-feira, 24 de março de 2014

APOSTASIA ESPIRITUAL

APOSTASIA ESPIRITUAL

HEBREUS 6: 1- 6

1 Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, 2 e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno. 3 E isso faremos, se Deus o permitir. 4 Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, 5 e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, 6 e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério”

6:1-6: O propósito do cristão é plenamente expresso pela palavra grega teleioteta de teleiotes, que é traduzida como “perfeição”. O conceito é de que o crente deve buscar um estado de maturidade, em lugar de retroceder para os rudimentos iniciais do cristianismo e da fé básica. 

A expressão “lançando de novo o fundamento” refere-se à idéia de que, se um cristão perdesse a sua salvação, precisaria ser regenerado novamente. Para interpretar esta perícope é necessário um entendimento apropriado da seção controversa dos versículos 4 a 6. A noção principal é de que toda a passagem é hipotética. Por exemplo, é preciso aceitar a suposição de que alguém pode passar pelo processo de salvação. 

E então “recair”(v.6), ou perder a salvação . A explicação nos versículos seguintes pretende mostrar como esta posição é estranha (v.4). A impossibilidade está diretamente conectada ao infinito do versículo 6, “renovar” (
anakainidzen, de anakainidzo).

No texto grego há cinco particípios, no versículo 4, há a palavra grega
photisthentas, de photidzo. Este vocábulo é traduzido como “ os que já uma vez foram iluminados”. Contudo, deve ser vertido como “tendo sido iluminados”, observando o uso da voz passiva. Este último significado revela que o processo de salvação inicia-se com Deus concedendo “luz” a todos os homens (Jo 1.9).

A próxima expressão a considerar neste processo de salvação é: “ e provaram o dom celestial”(v.4). O termo
geusamenous de geuomai seria mais apropriadamente traduzido como “tendo provado”. Neste caso, a voz média é usada para revelar que uma pessoa está reagindo à luz que Deus lhe deu. O foco passa para a responsibilidade do homem, ao iniciar uma reação para o seu “estado iluminado”. Este fato está sempre claro, no processo da salvação: Deus oferece o dom, mas o homem deve tomar a iniciativa de recebê-lo (Jo 1:12;3:16).

O terceiro particípio (v.4) é
genethentas de giomai , traduzido como “se fizeram”. Este particípio também deveria ser vertido na voz passiva, como “tendo sido feitos”, indicando um resultado do fato de o homem receber o dom de Deus. Conectado à expressão “participantes do Espírito Santo”, ele expressa que, em virtude do recebimento, o individuo é feito participante. Portanto, o Espírito Santo está envolvido no processo, vindo a habitar no crente. Todavia , o Espírito Santo não somente opera, habitando no crente, mas também está indicando que a revelação divina e o processo de condenação anterior à salvação são o resultado da atividade do Espírito Santo.

Ao examinar o quarto particípio grego (v.5),
geusamenous, devemos considerar que a interpretação é semelhante á da voz média na expressão “provaram”. Ela aparece nesta forma para revelar ao homem a sua responsabilidade para com a Palavra de Deus. O cristão não é apenas responsabilizado a seguir a “boa Palavra de Deus”, mas também incentivado a compreender o plano futuro de Deus. A palavra usada no versículo 5 para “virtude” (dynameis, de dynamis) refere-se aos milagres que Deus irá operar nos crentes, e não ao iminente juízo e a destruição que haverão de vir.

Voltemos a nossa atenção mais uma vez para a expressão “é impossível” (v.4), e combinemo-la com o infinitivo grego
anakainidzein , que significa “renovar outra vez”(v.6). Aplicado ao versículo 6, este termo refere-se a um arrependimento que é qualitativamente novo e diferente. Se fosse necessária uma forma diferente de arrependimento, Cristo também teria que morrer na cruz uma segunda vez. Isto, no entanto, é inconsistente com o contexto do restante da Epístola aos Hebreus (Hb9:28;Hb10:11,12).

O ensinamento é óbvio: Cristo morreu uma vez pelo pecado do homem(pecado original). Se sua morte fosse insuficiente, não haveria segurança para os crentes.

É precisamente por isto que o autor da Epístola aos Hebreus usa este exemplo. Em linguagem filosófica, esta forma de raciocínio é chamada reductio ad absurdum (redução a um absurdo). A partir de uma suposição falsa, chega-se a conclusões absurdas. Seria falso supor que um crente poderia cair, porque o seu arrependimento, baseado na divindade de Cristo, seria invalidado. Não haveria segurança, e Cristo precisaria ser crucificado novamente.

A dificuldade com estes versículos é removida quando se reconhece que a decisão a seguir a Cristo (pela fé) torna-se a verdadeira salvação. Uma pessoa é salva no ponto da aceitação genuína do dom de Deus, ou de sua “luz”, e somente então ela é recebida por Deus (Efésios 1:6). No final, Deus julga todos os corações humanos, e conhece os verdadeiramente arrependidos. A decisão pela salvação torna-se ineficaz quando se baseia em emoções e nas próprias habilidades (2Ts 2:13).


Gabriel Felipe M.Rocha.
Graduado em História (licenciatura e bacharelado);
Pós- graduado em Sociologia (lato sensu);
Mestrando em Filosofia/ área de atuação: Ética e Antropologia (stricto sensu);
Bacharel em Teologia (ênfase em História da Igreja);
Estudou Francês Instrumental na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte (Faje-BH) e Grego N.T.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

NENHUMA CONDENAÇÃO HÁ!

NENHUMA CONDENAÇÃO HÁ!

Mas, agora, vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio(Atos 27:22)


A paz de nosso Senhor Jesus a todos os irmãos, amigos, leitores assíduos do Blog Palavra a Sério e verdadeiros estudantes da Palavra de Deus.

Na palavra de Deus, encontramos muitos pontos importantes e, que muitas vezes, passam despercebidos.
 Aqui nós vamos tratar do momento em que o navio que levava Paulo para a condenação em Roma foi naufragado.

Muitos pensam que “o barco onde Jesus está” não afunda. Bem, não sou contra essa crença, mas, com Paulo, esse ditado não foi válido. Jesus estava no barco com Paulo, pois Paulo era cheio do Espírito Santo e representava ali o único alento para aqueles homens em meio à tribulação da tempestade e do naufrágio. Mas, como sabemos, o barco afundou.
O Senhor permite algumas situações em nossa vida para seu Nome ser exaltado. De fato podemos dizer: Deus não abandona os seus, mesmo se o “barco” chegar a afundar. O que importa não é o “barco” (nossas preocupações terrenas e aflições humanas carregadas de cargas pesadas), mas sim a presença viva e eficaz de Jesus em nós. Inclusive, o que tem que ser preservado em nossas é a obra do Espírito Santo que não está edificada no "barco", mas em nossos corações. Se o barco afundar, a obra em nós não afundará se estivermos edificados em Cristo Jesus.

Pois bem, vamos ao que interessa:

Paulo era um prisioneiro. Por ser cidadão romano e  ter feito o apelo à César, foi imediatamente enviado à César. O imperador romano da época, César, era o tão temido Nero, um admitido adversário da Igreja de Cristo.
Curiosamente, todo prisioneiro que era enviado para um julgamento e para uma condenação, seja pelo mar, seja por terra, ia para o destino junto com as cédulas de sua condenação, ou seja, junto com o prisioneiro ia também todo o relatório de suas acusações.

Qual era a essência de toda a acusação contra Paulo? Estar em Cristo Jesus. Paulo seria condenado por ser cristão e pregar o Evangelho da salvação.

Agora você entende por que o barco afundou? Porque nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

Em Atos, é registrado que nenhuma vida de fato se perdeu. Todos os homens foram poupados, mas o barco foi totalmente destruído. Junto com o barco estavam as acusações contra Paulo. Todas se perderam no mar do esquecimento.

É assim que Jesus opera com seu precioso sangue em nós. Ele limpa toda a acusação do inimigo sobre a nossa vida. Ele rasga toda a cédula de condenação que antes estava posta junto a nós, cujo destino nosso era a morte.
Mas Deus foi gracioso. Enviou Jesus, a expressão maior de sua graça. Ele se esquece de todos os nossos pecados quando a Ele clamamos com o coração arrependido. O que é acusação e injúrias contra nossas vidas é deixado no mar (no mundo), pois do mundo é o pecado, cujo pai é o adversário de nossa alma. Junto dessas acusações contra Paulo estavam muitas injustiças e falsos testemunhos. Todos foram a pagados. Quantas injustiças nós já recebemos nessa vida? Jesus tem apagado, pois Ele é a nossa justiça. Basta estar firmado nele, pois Ele é a salvação. Ele é a Rocha eterna.

Você pode até questionar: “mas Paulo, mesmo com o naufrágio do navio, não foi levado á julgamento e lá recebeu a condenação”? Sim! Mas lá, perante César foi necessário reformular e registrar outras acusações. Inclusive, Paulo não foi condenado  pelas acusações que vieram junto dele no barco, mas por ter exercido e levantado uma igreja em Roma. Paulo estava preso em casa, apenas sendo vigiado pela guarda romana, mas exercendo sua fé em Cristo, escrevendo suas cartas, recebendo seus irmãos e amigos. As acusações que levaram Paulo à morte foram escritas ali em Roma. Eram novas acusações. Roma interpretou o apostolado de Paulo como afronta ao império, por isso foi morto. Mas, mesmo nessa ocasião, estava ali a mão de Deus chamando Paulo para o seu galardão e para, enfim, possuir sua coroa de glória.

O naufrágio do navio traz um ensinamento para nós, servos de Deus:

Se estivermos em Cristo, nenhuma condenação há. Há poder no sangue de Jesus. Muitas 

vezes pecamos, aliás, essa é a nossa natureza. Uma vez nascido em Cristo, nossa natureza

 humana não morreu totalmente, apenas foi mortificada pelo nosso novo nascimento no ato de

nossa vida espiritual.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça” (1João 1:9).

Mas, se pecamos, temos um advogado junto ao Pai (1João 2:1) e seu sangue tem poder para

 perdoar qualquer pecado. E nossa vida segue rumo à Eternidade de Deus, rumo à Herança 

que nos foi oferecida, em uma novidade de vida, em santificação e em esperança.

Aleluia!

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1João 1:7)

Gabriel Felipe M. Rocha

Gostaria de sugerir aos irmãos o site: Servos ICM. É um site cujo objetivo é anunciar a Palavra de Deus, a Obra que o Espírito Santo tem realizado e, sobretudo, a grandiosa volta do Senhor Jesus.

Servos ICM

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O AMOR AO PECADOR


O AMOR AO PECADOR
(e os limites que nos são traçados ante o não - arrependimento)

[...] Amarás o teu próximo como a ti mesmo [...]” (Mc. 12:31)

 

Bem, qual é a função da Igreja? Levar ao mundo o AMOR de JESUS CRISTO. Como? Em amor, no mesmo amor, demonstrando amor. É com extremo amor ao próximo que vivemos de VERDADE O Evangelho de Cristo, pois, não é verdade que nós amamos a nós mesmos em extremo? Temos um imenso cuidado conosco mesmo e, nesse cuidado todo, nos esquecemos que somos tão pecadores quanto o nosso "próximo". A prática do Evangelho e o amor. É difícil? É! Temos falhado nisso? Temos! Mas amar ao próximo é requisito inegociável para Deus. Não amar ao outro é desobediência, pois o amor ao próximo é um MANDAMENTO que foi  revelado na pesoa de CRISTO. Se Cristo nos perdoou, como negaremos perdão?

Amar ao próximo não implica amar somente o “próximo a você”, como o familiar, amigo, filhos, etc.(seria muito fácil). Mas implica também amar o pecador. É isso mesmo! Até aquele que vive dentro da igreja se fazendo de Cristão e não “larga” o pecado e vive de mentira e falsidade semeando contenda e “pseudoarrependimento”. É amar aquele vaidoso(a) que não quer compromisso nenhum com Deus , mas vive dentro da igreja disseminando “veneno” e carnalidade. É difícil , mas é tarefa nossa!

 

“Isto é o meu corpo que por é dado...Este cálice é o Novo Testamento...fazei em memória de mim” (Lc. 2219-20).

Jesus, quando compartilhou conosco de sua ceia (dos elementos pão e vinho), nos deixava uma responsabilidade. Naquele momento o ministério dEle havia sido transferido para a sua Igreja, a saber, nós mesmos (cristãos). Ele nos amou com inefável amor. Que responsabilidade grande nós recebemos!

Porém Ele sabia que não éramos como Ele era. Pois seu amor era divino e quem somos nós para amar com  tamanho amor? Seria uma pretensão absurda. Mas a nossa tarefa não se torna extinta nesse argumento, embora aceito ao se tratar de nossa condição HUMANA e corrupta.

“... não há um justo, nenhum sequer” (Rm. 3:10)

Mas o CORPO de Cristo é santo! Nele não há pecado. Nós como “igreja” somos pecadores, mas o Corpo é irrepreensível, pois é o Corpo santo de Jesus. Nós isoladamente somos pecadores e falhamos no amor, mas no Corpo, fazendo e realizando a VONTADE DO ESPÍRITO SANTO, somos feitos Filhos de Deus e livres da condenação (Rm. 8:14).

Portanto, não temos condição de mantermos amor semelhante ao de Deus, mas tentamos. O problema é quando alguns não querem receber deste amor e ACUSAM  os outros de “sem misericórdia”, “sem amor”, “falso cristão”, etc.

Mas quando olhamos para a vida destes percebemos que NÃO EXISTE NENHUM LUGAR ALI PARA RECEBER O AMOR. Pois querem viver suas vidas de pecado, apostasia e prostituição.

Hoje (19-11-12) fiz o login no blog e vi um comentário de um “pseudocrístão” usando de palavras (infelizes) de afronta, dizendo: “pregue o amor...tem feito isso?”.  Daí fico a pensar: “Como essa pessoa tem vivido?” Vive uma vida infeliz, pregando amor sem ter amor, pregando santidade sem viver tal realidade, tenta ser um “pregador”, mas sem conhecimento do VERDADEIRO AMOR DE DEUS, fala de “falta de misericórdia”, mas vive afrontando a fé alheia com textos bíblicos isolados buscando para si mesmo justificação. Confesso minha pena e minha lamentação.

Tantas pessoas saem do nosso meio por causas tão horríveis que não caberia usar nossas postagens para enunciar (até porque não é esse o nosso objetivo). Amamos sim o pecador, não queremos é suportar pecados e falsidades no nosso meio.

São tantas mentes perigosas que vivem ao nosso lado se dizendo “cristãos” que, as vezes, vivemos dando “pérolas para porcos” sem saber que estamos tentando alimentar o joio ao invés do trigo. Sério!

Rejeitar o pecador não é cristão. Devemos amá-lo, cuidar de suas feridas. Mas suportar o apóstata, já não é mais função da Igreja de Cristo.

Houve, porventura, desafeto de Cristo quando colocou Judas em evidência como TRAIDOR (Mc. 14:18)? Jesus foi “menos cristão” em sua atitude de excluir Judas dentre os santos (Mc. 14: 21)? Jesus foi “sem misericórdia” quando expulsou os “cambiadores” do templo (Jo 2:15-17)? Bem, nosso Mestre foi apenas ZELOSO.

“O zelo da tua casa me devorará” (Salmo 69:9)

 Zelar pela “casa” do Senhor é TAMBÉM  um ato bíblico e cristão. Cuidar do Corpo é função da Igreja que se chama FIEL. Amar é requisito. Mas se arrepender de pecados também. Cuidar da comunhão entre os VERDADEIROS IRMÃOS é fazer a vontade de Cristo, pois Ele mesmo nos ensinou (pela carta de Paulo aos Romanos 9:21) que existem pessoas para honra e outras para desonra. Infelizmente muitos desses “vasos de desonra” vivem em nosso meio e desonram o Corpo de Cristo com suas sujeiras. Ah! Se pelo menos se arrependessem...  .... A Igreja estaria ali para socorrer o “Filho Pródigo”. Interessante citar o “filho pródigo”, pois me lembrei de que, na terça feira passada tive uma conversa (que na verdade foi uma perda de tempo) com um jovem que pecou, mas não demonstrou arrependimento e, no decorrer da conversa ele autodenominou o “filho pródigo” e, eu e outros (da igreja) não tínhamos misericórdia do “pobre” rapaz. Mas o filho pródigo da minha bíblia voltou ARREPENDIDO (Lc. 15:19) ao Pai e se HUMILHOU. Não ficou usando de “falácias” e autojustificações baratas e sem rumo espiritual.

 

Certa vez, um jovem chamado “José” resolveu “namorar” uma moça chamada “Maria”. Esse rapaz foi ao encontro dela, vestido de ovelha e de “obreiro do Senhor” e lhe seduziu com palavras sutis e cheias de “espiritualidade”, porém o veneno logo começou ficar à amostra. A carnalidade então dominou essa “relação”. A pobre moça, também falha nessa história, chegou a abandonar os pais para viver esse romance diabólico e de desonra. Caiu na prostituição, pois o “obreiro do Senhor”, que na verdade era um “obreiro da iniquidade” não tinha nada de espiritual para oferecer, mas sim carne...muita carne! Deu no que deu...

Nós, na igreja, quando ouvimos o choro e vimos as marcas desse relacionamento no corpo da jovem, tomamos uma posição (primeiramente espiritual). Oramos e buscamos uma direção e, oramos também pelo ARREPENDIMENTO desta moça e deste rapaz, pois não queríamos perder tais vidas. Embora fossemos acusados de “falta de amor”, suportamos essa “relação” toda calados ante os pecados de prostituição dos dois e apenas ouvíamos seus “causos de amor”. Mas quando a moça revelou e mostrou em seu corpo as marcas desse ERRO, nós a recolhemos em amor (função nossa) sem tomar partidos e cairmos em acusações, pois não nos cabia isso. Pagamos um enorme preço por ouvir tal moça, pois o “cabeça” dessa relação toda não quis o arrependimento e se escondeu em suas vaidades proclamando-se “justo” e “merecedor de misericórdias”, embora fosse realmente carente de muita GRAÇA. Além disso atacou a igreja, o ministério e algumas vidas, dizendo que não somos cristãos.

Bem, coloquei esse fato aqui para mostrar com clareza o quão é difícil cuidar do pecador e, para mostrar até onde vai o limite desse cuidado. Uma vez que o pecador não recebe o amor (muitas vezes mostrada pela Palavra e correção), não cabe mais a nós, HOMENS LIMITADOS, converter a mente em o espírito de ninguém.

Um grande exemplo disso está em 1Tm 1.20:

 

“E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar” (1Tm 1.20)

 

Timóteo, um obreiro ainda bem jovem, estava enfrentando sérios problemas na igreja de Éfeso. Por conta disso, o apóstolo Paulo lhe escreveu uma carta encorajando-o a manter a ordem entre os irmãos. Os falsos mestres e pessoas sem uma genuína intenção eclesiástica, estavam deturpando os ensinos originais nos quais a igreja tinha sido instruída e, entre os tais, Paulo cita dois nomes: Himeneu e Alexandre.


Quando recebeu o ministério eclesiástico pela imposição das mãos do presbitério, o jovem Timóteo recebeu juntamente a responsabilidade de combater as heresias que possivelmente surgiriam no seio da igreja (1Tm 1.18; 4.14; 6.12).
Não há menção específica a respeito das heresias com as quais aqueles dois falsos “obreiros” se envolveram. Entretanto, parece que a carta de Paulo a Timóteo visava tratar problemas de crenças religiosas e idéias filosóficas. O contexto sugere que esses dois homens estavam envolvidos com questões pertinentes ao gnosticismo, sendo que Himeneu é citado por Paulo em 2Timóteo 2.17,18 como que ensinando que a ressurreição já tinha acontecido, minando a esperança futura dos irmãos.
A sentença para esses obreiros seria que fossem “entregues a Satanás”, o que a maioria dos teólogos entende como uma espécie de disciplina ou exclusão da comunhão com a Igreja, o Corpo de Cristo. Este procedimento visava tanto a correção como a punição. Quanto a este fato, a Bíblia de estudo de Genebra afirma o seguinte:

“Portanto, foram devolvidos ao mundo – domínio de Satanás (Jo 12.31; 14.30; 16.11; 2Co 4.4; Ef 2.2)”.

No mesmo sentido, a Bíblia de estudo Pentecostal considera:

“Ser desligado da Igreja; por outro lado, deixa a vida da pessoa aberta aos ataques destrutivos e satânicos (Jó 2.6,7; 1Co 5.5; Ap 2.22)”.

 

Amor nós temos, é função nossa, é parte de nossa vida como SERVOS DE CRISTO. Não há como servir a Cristo se não for em amor. O pecador é sempre bem vindo e, sempre, será visitado por nós com uma palavra de amor, embora numa temática corretiva.

Abraço a todos!

terça-feira, 10 de julho de 2012

PECADO E PERDÃO


Pecado e Perdão


"Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor"


(Romanos 6:23)


 Com base em perguntas freqüentes feitas por algumas pessoas, tenho o entendimento que a doutrina bíblica do pecado não é bem compreendida por muitas pessoas atualmente, até pelo fato de muitos estarem envolvidos num “evangelho” terreno e que faz vista grossa a algumas coisas.


Alguns crentes vivem aterrorizados com a possibilidade de perderem a salvação se caírem no pecado. Não está errado, devemos vigiar para não cair em tentação. Ao mesmo tempo, no outro extremo, alguns pensam que têm uma boa compreensão do assunto, mas mostram sua ignorância ao insistirem que é possível chegar ao ponto da "perfeição sem pecar" nesta vida. Ambos os extremos estão totalmente errados, conforme esperamos demonstrar com base na Palavra de Deus.


A definição do Novo Testamento do pecado deriva da palavra grega hamartia, que literalmente significa "errar o alvo". Podemos pensar nisso como qualquer falha em atingir o alvo estabelecido por Deus, a perfeição absoluta em pensamentos, palavras e ações! Ele é perfeição personificada e sua santidade exige isso de qualquer um que queira comparecer à Sua presença. Portanto, onde isso nos deixa? Alguém seria tão descarado a ponto de afirmar que é perfeito e não peca? Amados, confio que todos os que estão lendo isto tenham um pouco mais de bom senso.

"Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós." [1 João 1:8].

Adão e Eva foram criados perfeitos em todos os aspectos e, aparentemente, receberam corpos glorificados exatamente como o que Jesus Cristo possui hoje. Vestidos de luz, eles foram colocados em um paraíso na Terra, chamado Éden e uma única proibição foi dada a eles — estavam proibidos de comer da "árvore do conhecimento do bem e do mal". Logicamente, Deus sabia que eles iriam desobedecer e é por isto que acrescentou a penalidade:

"Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." [Gênesis 2:17; ênfase adicionada].

O restante da história todos sabemos. Eva foi enganada por Satanás e comeu do "fruto proibido", destarte colocando-se imediatamente em morte espiritual e iniciando o processo de morrer fisicamente. Ela cometeu o primeiro pecado praticado por um ser humano, e Adão logo seguiu o mesmo caminho (Satanás, não o homem, foi o precursor  do pecado por causa de sua rebelião contra Deus — veja Ezequiel 28:15). É interessante que a Bíblia nos diz que Adão não foi enganado e pecou de forma deliberada, por que quis [1 Timóteo 2:14]. Acredito que ele amava Eva a ponto de seguir sem discernimento a desobediência. No entanto, independente das razões específicas para o pecado deles, imediatamente descobriram que eram criaturas caídas — mortais e nus com uma perspectiva de vida totalmente diferente dali para frente. Da perfeição, desceram à total depravação em que todos os aspectos de seu ser foram manchados pelo pecado. Essa mudança monumental é evidenciada pela tentativa deles de cobrirem sua nudez com folhas de figueira e se esconderem de Deus [Gênesis 3:7-8]. Desde então, o homem pecador tenta se esconder de Deus! Se esconde hoje em dias com as folhas de figueira que é a sua razão, argumentação, religião, etc. Tudo é vaidade, tudo é pessageiro.

O fato da depravação humana é resumido pelo apóstolo Paulo nos seguintes versos:

"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." [Romanos 3:10-12].

Para aqueles que desejam saber o que a Palavra de Deus diz sobre o assunto da depravação humana, eis uma relação de versos:

Gênesis 6:5-7,11-13;  Gênesis 8:21;  2 Crônicas 6:36;  Jó 4:17-19;  Jó 9:2-3,20,29-31; Jó 11:12; Jó 14:4; Jó 15:14-16; Jó 25:4-6; Salmos 5:9; Salmos 14:1-3; Salmos 51:5; Salmos 53:1-3; Salmos 58:1-5; Salmos 94:11; Salmos 130:3; Salmos 143:2; Provérbios 10:20; Provérbios 20:6,9; Provérbios 21:8; Eclesiastes 7:20,29; Eclesiastes 8:11; Eclesiastes 9:3; Isaías 1:5-6; Isaías 48:8; Isaías 53:6; Isaías 55:6-7; Isaías 64:6; Jeremias 2:22,29; Jeremias 6:7; Jeremias 13:23; Jeremias 16:12; Jeremias 17:9-10; Ezequiel 36:25-26; Oséias 6:7; Oséias 14:9; Miquéias 7:2-4; Mateus 7:17; Mateus 12:34-35; Mateus 15:19; Marcos 7:21-23; Lucas 1:79; João 1:10-11; João 3:19; João 8:23; João 14:17; Atos 8:23; Romanos 2:1; Romanos 3:9-19; Romanos 3:23; Romanos 5:6; Romanos 5:12-14; Romanos 6:6,17,19-20; Romanos 7:5,11-25; Romanos 8:5-8,13; Romanos 11:32; 1 Coríntios 2:14; 1 Coríntios 3:3; 1 Coríntios 5:9-10; 2 Coríntios 3:4-5; 2 Coríntios 5:14; Gálatas 3:10-11,22; Gálatas 5:17-21; Efésios. 2:1-3,11-12; Efésios. 4:17-19,22; Efésios. 5:8; Colossenses 1:13,21; Colossenses 2:13; Colossenses 3:5,7; 2 Timóteo 2:26; Tito 3:3; Tiago 3:2; 1 Pedro 1:18; 1 Pedro 2:9,25; 1 João 1:8-10; 1 João 2:16; 1 João 3:10; 1 João 5:19; Apocalipse 3:17.

Assim, descobrimos que o homem, no estado não-regenerado, está na pior situação espiritual possível. Ele está morto em ofensas e pecados [Efésios 2:1], é um escravo do inimigo [Efésios 2:2], não pode compreender aquilo que se discerne espiritualmente — a Bíblia [1 Coríntios 2:14], e não busca a Deus [Romanos 3:11]. Para que o homem seja salvo dessa situação, o próprio Deus precisa tomar a iniciativa — exatamente como fez no jardim do Éden, quando foi atrás de Adão e Eva.

No entanto, vamos avançar e discutir o pecado com relação à vida cristã. Eis uma pergunta:

 A regeneração remove a mancha do pecado no coração humano?

Nossa posição de estar "em Cristo" e justificados diante de Deus significa que nossa dívida total pelo pecado (passado, presente e futuro) está cancelada e estamos declarados como totais inocentes à vista de Deus. Mas isso está falando da nossa posição em Cristo, não na nossa condição prática — não da dura realidade da vida diária. Nossa posição como filhos de Deus está definida para sempre nos céus se permanecermos em Cristo, mas nosso estado diário varia em proporção direta com o nível de cooperação que demonstramos à liderança do Espírito Santo.

Um fato é claro: podemos sim perder o posto de “filhos de Deus” se sairmos da graça.

 Uma vez que somos regenerados espiritualmente, o processo vitalício de santificação tem início. Ser santificado, ou santo, significa estar separado para o serviço de Deus e isso não ocorre da noite para o dia. Na verdade, haverá uma grande mudança na vida de uma pessoa após ela se converter e receber o Espírito Santo — mas a verdadeira santidade e perfeição nesta vida é o objetivo inatingível para o qual precisamos nos esforçar,mesmo sendo difícil alcançar em plenitude.

 Cristo é nosso padrão e somos exortados a imitá-Lo, mas é claro que compreendemos que alcançar sua divina perfeição é impossível aqui na Terra. Não somos e nem podemos estar sem pecado (embora Deus nos veja assim, posicionalmente), de modo que precisamos nos esforçar com todas as fibras do nosso ser para procurar acertar o alvo e cruzar a linha de chegada) para obter o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus [Filipenses 3:14], como fez o apóstolo Paulo. O galardão celestial, e não a salvação, é o "prêmio" que precisamos nos esforçar para conquistar em nossa caminhada diária com o Senhor neste mundo.

Entretanto, algumas almas sinceras entendem que a Bíblia ensina a possibilidade de atingir um estágio de perfeição sem pecado algum. Não estamos aqui para discutir posições. Se pensam assim, amém, que sejam plenamente santos sem erro algum nessa terra. Eles entendem assim com base em grande parte nas seguintes palavras do apóstolo em 1 João 3:9:

"Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus." [1 João 3:9].

Entretanto, isso não significa que um cristão nunca peca (quando falamos de pecado não falamos apenas de erros graves, mas TODO o tipo de erro). Para reforçar isso, chamo sua atenção para o que João diz no verso 8 do capítulo 1 (referido anteriormente) — "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos." Alguns podem tentar argumentar que João estava escrevendo para incrédulos, mas isso não teria sentido, pois toda a epístola de 1 João foi escrita para os crentes, "os filhinhos" — como vemos no verso 1 do capítulo 2. O verso 4 do capítulo 1 diz "estas coisas vos escrevo para que não pequeis..." — referindo-se aos crentes, ou "filhinhos", como João afeiçoadamente refere-se a eles depois.

Essa posição é explicada por W. E. Wine em seu Expository Dictionary of New Testament Words, pág. 211, sob o título de "Commit, Commission", #2 Poieo, "Nota:

Em 1 João 3:4,8,9, a Versão Autorizada erroneamente traz "comete" (um significado impossível no verso 8); a Versão Revisada corretamente tem "pratica", isto é, um hábito contínuo, equivalente a “prasso”,no grego. O que está em vista aqui é uma ação contínua, não uma ação eventual.".

Este princípio é validado pela própria experiência de Paulo, que encontramos em Romanos 7:14-25:

"Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado." [Romanos 7:14-25; ênfase adicionada].

Esse lamento do apóstolo Paulo não é verdadeiro na sua própria vida, leitor? Certamente é na minha! Sou um cristão nascido de novo, lavado no sangue do Cordeiro e o Espírito Santo me assegura que sou um filho de Deus — mas ainda experimento a realidade do erro na minha vida humana.

 Quando nasci de novo, recebi uma nova natureza, uma natureza espiritual, mas minha carne, a natureza pecaminosa depravada que herdei de Adão, não foi destruída. Muito pelo contrário, ela está bem viva e levanta sua horrenda cabeça continuamente!

Por meio da oração e com a ajuda do Espírito Santo, posso agora (e espero continuar a) errar muito menos do que errava antes de receber a Cristo e, no processo diário de santificação conseguirei bons resultados.

 No entanto, isso ainda está longe da perfeição. Para aqueles que ainda insistem que a perfeição seja possível e necessária para herdarmos a VIDA, quero lembrar que não existem apenas os pecados que cometemos, mas pecados de omissão — coisas que deveríamos fazer, mas não fazemos. Ih! Será que te preocupei agora leitor?

O padrão de Deus de perfeição e Sua vontade para nossas vidas incluem muitos aspectos sobre os quais precisamos orar e pedir orientação do Senhor. É somente remotamente concebível para você que devemos discernir todos e executá-los ao pé da letra? Deixar de perceber e cumprir com as obrigações e orientações do Espírito Santo é um erro e erro se traduz em pecado — o pecado da omissão. Ó, meus amigos e leitores do Palavra a Sério, não podem ver que somos pecadores, tanto por natureza quanto por prática? O Espírito Santo, falando por meio de profeta Isaías deixa isso bem claro com a seguinte declaração:

"Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam." [Isaías 64:6].


Deus deseja que reconheçamos nossa excessiva pecaminosidade e, ao fazermos isso, também reconheçamos a extraordinária grandeza da sua misericórdia, que perdoa o pecado e tomamos conhecimento de sua graça que nos leva por um caminho de mudança e de nova vida. Levando em conta nossa posição em Cristo, estamos justificados à Sua vista e nossa situação é absolutamente perfeita em todos os sentidos — um lar eterno nos céus está garantido para nós. No entanto, o nível de recompensa recebido uma vez que chegarmos lá será determinado pela forma como batalhamos contra o mundo, a carne e o maligno [1 Coríntios 3:8-15].No entanto, não devemos esquecer que podemos perder essa benção se ficarmos inertes mediante a fé.

Devemos encarar o pecado com leviandade já que estamos na graça? Podemos viver o erro e não procurar a perfeição, porque ela só se dará na Eternidade? Podemos errar sempre a bel prazer,pois será perdoado pelo sangue de Cristo?  Não, nunca! Tenha em mente que o pecado somente está perdoado com relação ao nosso destino eterno, mas quando estamos em Cristo e vivemos uma vida digna de arrependimento Cada pecado que cometemos como filhos de Deus é inescapável, pois Ele conhece cada detalhe de nossas vidas e, sem falha alguma, nos punirá da forma apropriada. Quando éramos crianças, conseguíamos evitar a punição dos nossos pais por que eles não tomavam conhecimento de todas as nossas infrações, mas tal nunca é o caso com Deus! Pode ter certeza que Ele vai disciplinar apropriadamente aqueles a quem ama [Números 32:23 e Hebreus 12:6].

 Portanto, se você é um autêntico filho de Deus, não precisa mais ficar aterrorizado com a possibilidade de perder a salvação se está no centero da vontade de Deus. Se sua vida está escondida em Cristo, procure não errar os mesmos erros que foram corrigidos pelo Senhor. Transfira esse pavor à possibilidade de ser corrigido pelo seu amoroso Pai Celestial se ainda está no erro em consciência  do mesmo! Os esforços para ser bom não comprarão para você absolutamente nada com relação à salvação,pois ela é pala graça, mas a busca pela santificação ajudará a evitar a mão corretiva de Deus. Anos atrás, as pessoas referiam-se aos cristãos como "homens e mulheres que temem a Deus" e todos nós compreendíamos a base para essa expressão. Eu temia meu pai e minha mãe quando criança, pois deles eu tinha o castigo certeiro.  Esse tipo de temor é necessário e benéfico, pois tende a nos manter no "caminho estreito e apertado". [Mateus 7:14].

Gabriel Felipe M. Rocha

CONTINUA