quinta-feira, 30 de agosto de 2012

QUAL O EVANGELHO VOCÊ TEM OUVIDO E PREGADO?

Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho”! (I Cor. 9:16)

Você está numa igreja onde, durante os cultos, é só paz e alegria, e após, mais alegria ainda? Você está numa igreja cujas ministrações lhe fazem sentir-se muito bem consigo mesmo (a)? Lá você ouve sempre que vai vencer porque Deus TEM que fazer?  Alguma coisa está errada,me perdoe.
O Evangelho de Jesus, para o mundo, não é lá muito reconfortante. Implica, basicamente, em "morrermos" para este mundo, e em "tomarmos nossa cruz" para seguir ao Mestre. Ora, quem quer morrer, e quem quer carregar o instrumento que lhe será o motivo de sua morte? O que você sentiria se um assassino lhe fizesse carregar, até o local do crime, a arma com a qual lhe matará?
Forte o que estou dizendo, não é mesmo? Muito melhor é pular e gritar e louvar e ouvir palavras de ânimo em cima dos púlpitos, e voltar para casa com a certeza de que somos salvos e que nossos esforços tem nos garantido o reino e nossos “desafios” ou “sacrifícios” tem incomodado Deus a ponto de “não ter como te abençoar, e, mais do que isso, tem ouvido que todos são herdeiros da promessa e mais do que vencedores em todas as áreas da nossa vida: saúde, prosperidade, família, trabalho, etc. Bem, isso tudo é bom e não temos nada contra nada disso, ao contrário, Deus é fiel suficiente para nos garantir tais vitórias (na sua vontade soberana).
Mas a Palavra de Deus ensina o que, de verdade?
Uma das passagens que mais fala ao meu coração está no episódio de Ananias e Safira, contado no livro de Atos, capítulo 5. Na igreja primitiva nada faltava a ninguém, pois quem tinha mais dividia com quem tinha menos ou não tinha, para que pudesse também ser provido. Assim, a igreja cumpria seu papel em relação à provisão e se deixava ser instrumento para o cumprimento daquilo que Jesus prometeu aos seus: que não precisavam se preocupar com o que comer ou vestir (Mateus 6.25-34). Porém, não era imposto a ninguém tal divisão de bens, a mesma ocorrendo por liberalidade e amor entre os irmãos.
Pois bem, Ananias e Safira venderam um terreno e se dispuseram a doar o valor em prol dos necessitados da igreja, porém esconderam uma parte. Diante de Pedro, seu pecado foi descoberto e o casal acabou morrendo de forma fulminante.
Veja bem como tal acontecimento repercutiu entre os "do mundo", entre aqueles que a igreja queria alcançar e evangelizar:
"E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas. E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão. Dos outros, porém, ninguém ousava ajuntar-se a eles; mas o povo tinha-os em grande estima. E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais". Atos 5:11-14
Olha que fato marcante: o episódio deixou a igreja atemorizada, afinal viram na prática que o pecado traz a morte. E os de fora, que poderiam ser alcançados facilmente com uma campanha de shows gospel (com harpas e trombetas, ao gosto local), não queriam se unir aos cristãos, com medo do que lhes poderia acontecer, por se reconhecerem pecadores. Mas, ao mesmo tempo, cresceu o número de cristãos. Magnífico, não é? Espírito Santo na direção é isso! Não necessita de “boas ideias” de homem nenhum e, muito menos, atrativos mundanos para agradar as gentes.
E, futuramente, vimos a "qualidade" desses novos cristãos, nascidos do verdadeiro arrependimento, fruto de uma pregação no espírito, na revelação da Palavra e na conformidade com a sã doutrina que lhes mostrou o quão pecadores e carentes da misericórdia de Deus eram: esses novos cristãos foram tão fiéis a Deus que se deixaram queimar nas cruzes, se deixaram ser alimento das feras nas arenas romanas, se deixaram martirizar de todas as formas. E quanto mais cristãos morriam, mais o Evangelho de Cristo se espalhava.
Olha que diferença em relação aos nossos dias! Na igreja primitiva, as pessoas não seguiam a Cristo em troca de bênçãos financeiras e em outras áreas da vida: seguiam a Cristo sabendo que isso lhes poderia custar a vida, de forma extremamente dolorosa, e lhes fazer perder tudo aquilo, materialmente falando, que conquistaram até então. Quem queria bênçãos financeiras e outras mais, continuava seguindo os sacerdotes e servindo a César.
Na igreja primitiva, as pessoas tinham verdadeiro temor de Deus e buscavam arrependimento constante. Hoje, muitos se acham mais do que vencedores, mais do que salvos, mais do que libertos do pecado, e por isso podemos pecar todos os dias, em todos os momentos, afinal "o sangue de Jesus nos deixou alvos como a neve". Em tese, muito bonito. Na prática, arrependimento e conversão ZERO.
Poucos hoje entendem o quão sério foi o ato de Jesus na cruz. Poucos hoje levam a sua Palavra a sério. Poucos hoje em dia estão sendo guiados pelo genuíno mover do Espírito Santo. Poucos hoje tem , nos cultos, ouvido que necessário é arrepender-se, que Jesus vem, que o Dia do Senhor virá. Isso não é lucrativo para os “pastores” modernos e religiosos que já se venderam à apostasia por amarem suas vidas mais que o Senhor Jesus. Estes não são dignos do Reino!

Vamos voltar às perguntas no início desta postagem:
Você está numa igreja onde, durante os cultos, é só paz e alegria, e após, mais alegria ainda? Você está numa igreja cujas ministrações lhe fazem sentir-se muito bem consigo mesmo(a) ao te apresentarem as grandes promessas que Deus TEM que cumprir em sua vida?
O Evangelho de Jesus não é oba-oba, não é auto-ajuda, não existe para que fiquemos bem. Ao contrário, quanto mais conhecemos a Jesus e à Palavra, mais ficamos angustiados conosco e temerosos (no sentio de medo e também de reverência). O verdadeiro seguidor de Cristo não consegue dormir direito, sabendo que tem uma fortuna particular e, lá fora, milhões de seres humanos (muitos deles também cristãos) estão morrendo de fome e de frio. O verdadeiro seguidor de Cristo não consegue viver um oba-oba gospel, sabendo que há milhares de cristãos nas masmorras, sendo torturados e mortos por terem optado por Jesus.
Duvida do que estou falando? Leia a Bíblia. Leia o Novo Testamento. Leia os sermões de Jesus e dos apóstolos. Veja o peso que se dá para o arrependimento, para a conversão para uma nova vida. E veja o peso que se dá para "bênçãos".
É lícito orar por bênçãos? Sim, com certeza! Elas são nossas!. Porém, as bênçãos não podem ser a razão de ser da nossa fé. Lembremos que Deus é soberano para nos dar aquilo que Ele quiser, e para não dar também, se Ele não quiser. Esse Evangelho, infelizmente muitas igrejas não pregam, já que tentam conquistar o consumidor com a promessa de sucesso em poucos dias.
Muitos pregadores temem afastar os fiéis, caso preguem o que realmente está na Bíblia. Para agradar à platéia, suas ministrações resumem-se em promessas de grandes ganhos financeiros, curas de todas as doenças e afins. Seus cultos se mostram de acordo com a preferência geral: muita música, regada a expressões emocionalistas, que levam os fiéis facilmente às lágrimas (não de arrependimento, mas de pura emoção, como as que nos caem nos olhos após ouvir qualquer música bonita). Tais lágrimas são comumente confundidas com "unção", quando não passam, muitas vezes, de puro extravasamento humano. Para finalizar, um pregador-showman, que sabe fazer piadinha na hora certa, tem carisma e fala aquilo que as multidões querem (não o que precisam) ouvir.
Queremos seguir a Cristo? Então temos que viver como Ele viveu. Cristo viveu à caça de riquezas e de bênçãos para Si? E os apóstolos, também viveram correndo atrás das bênçãos? E os profetas? Muito pelo contrário!
E por que nós, que alguns que se dizem seus seguidores, agem assim?
Quer pregar o Evangelho de Jesus? Não tema desagradar aos homens, pois é isso mesmo que você fará. “Não vim para trazer paz, mas espada”, disse o Mestre. E desagradar não é novidade nenhuma, pois todos os profetas e pregadores bíblicos desagradaram as multidões do seu tempo. Se seu Evangelho agrada às multidões, repito, alguma coisa está errada.
O verdadeiro Evangelho é aquele que, mesmo desagradando ao ser humano, o traz aos milhares aos pés de Jesus. Esses milhares buscam a Cristo pelo que Ele é, pois o maior tesouro Ele já nos deu: a salvação eterna.

Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal (Mateus 6:31-34)
Gabriel Felipe.

4 comentários:

Adair R. disse...

Irmão, vi que tens falado muito de doutrina. Num texto onde se fala de doutrinas e oposições, li a enfase que deu no "clamor pelo sangue de cristo". É correto, já que o sacrifício de Jesus cristo foi único, repetir em várias ocasiões esse ato? Lembrar do ato não vejo mal, mas falar e repetir o ato a nosso bel prazer ou necessidade particular não seria um pouco herético também, já que falam tanto em heresias. Agradeço sua resposta. Adair Roberto, um escolhido por Deus .

Cristina disse...

Gabriel, apdSJ! Realmente o blog é muito bom, gostei de ver. Parabens e continue nesta força. Cristina

Gustavo disse...

Clamar naõ tem nada a ver com repetir o sacrifício de Jesus.É um caminho traçado por Deus desde o Velho Testamento para entrar na presença de Deus.No V.T Deus exigia sangue nos sacrifícios; o sumo-sacerdote por exemplo, só era aceito no Santo dos Santos levando Sangue.No Novo Testamento temos como exemplo o livro de Hebreus, que se você não conhecer Levítico, não vai entender nada; pois fala do sacerdócio eterno de Cristo e do sacerdócio do crente.Onde a Bíblia é bem clara em dizer: "TENDO POIS OUSADIA PARA ENTRAR NO SANTUÁRIO PELO SANGUE DE JESUS" (Hebreus 10:19)

Gabriel Felipe disse...

Obrigado irmã Cristina pelo comentário, continue conosco. O que postamos aqui é um simples resultado de nossas experiencias com o Deus da Palavra.

Quando ao comentário de Adair, vejo que Gustavo foi suficientemente claro com a resposta e dispensa qualquer intervenção minha. Leia Levítico, leia Hebreus e busque de Deus entendimento. Seja coerente. Que Deus abençoe!