terça-feira, 9 de abril de 2013

O CONSELHO DE HUSAI E O CONSELHO DE AITOFEL


O CONSELHO DE HUSAI E O CONSELHO DE AITOFEL

Olá, irmãos, amigos e verdadeiros estudantes da Palavra de Deus, a paz de nosso Senhor Jesus!

Hoje quero compartilhar um pequeno estudo e dedicá-lo aos jovens que, segundo a Palavra de Deus, são fortes, pois já venceram o maligno.

Embora aqui reformulada, essa mensagem foi um instrumento na qual Deus usou para falar comigo em uma visita que recebi da ICM (Igreja Cristã Maranata) do bairro Ana Rita em Timóteo-MG. Como todo jovem (na época eu era um), tive meus momentos de dúvidas e questionamentos e, naquele instante, me encontrava ouvindo os “conselhos de Aitofel”. O Diácono, junto de um grupo de irmãos (muitos desses eram jovens) levou até mim esta palavra e hoje posto com carinho e temor aqui no ‘Palavra a Sério’. Boa leitura e reflexão!

Gabriel Felipe M. Rocha

 

Texto base: Então fizeram saber a Davi, dizendo: Também Aitofel está entre os que se conjuraram com Absalão. Pelo que disse Davi: Ó SENHOR, peço-te que torne em loucura o conselho de Aitofel”. (2 Samuel 15:31)

 

 

      O contexto na qual se passa o tema era de traição e golpe de Estado intentado por Absalão, filho de Davi.

      Depois que Davi assumiu o reinado sobre Israel e colocou a casa em ordem, ele nomeou os comandantes das tropas, colocando sobre eles um general. Nomeou, também, para o palácio, pessoas que cuidassem de diversas atividades, inclusive pessoas que cuidassem da educação dos seus filhos (1Cr 27:32).

     Como conselheiro do reino, Davi nomeou a cinco homens sábios e entendidos, para com eles se aconselhar, todas as vezes que tivesse que tomar alguma decisão. Os cinco conselheiros foram: Jônatas, seu tio, que também era escriba; Husai, o arquita; o terceiro foi Aitofel, o gilonita; depois Joaida, filho de Benaia e por último Abiatar, o sacerdote.

      Aitofel, o gilonita, era morador de Giló. Cada conselheiro atuava especificamente em uma área. Aitofel era o conselheiro de guerra. Provavelmente, era ele o estrategista das inúmeras batalhas que Davi venceu. Foi, certamente, o mais importante dos conselheiros de Davi. Houve uma época que a palavra de Aitofel era respeitada como se fosse a palavra de Deus (2Sm 16:23) .Tal era a importância da atuação deste homem perante a nação de Israel.

        Por ocasião da fuga de Davi, ao tomar conhecimento do golpe de Estado que Absalão estava elaborando, Aitofel, voluntariamente seguiu a Absalão. No meio da fuga, entre as centenas de pessoas que o acompanhavam, Davi sentiu a falta de Aitofel. Sabedor que era do peso da palavra de seu conselheiro, Davi orou, pedindo ao Senhor que transtornasse o conselho de Aitofel. Davi sabia muito bem que se Absalão seguisse os conselhos daquele homem, teria imensa vantagem sobre Davi.

       Porém, nesta história, temos a pessoa de Husai, um servo fiel ao rei, tinha amor ao rei Davi. Como Husai era também um homem de importância no reino, Absalão intentou ganhá-lo para seu projeto. Absalão ouvira Aitofel, mas agora desejava ouvir os conselhos de Husai. Assim pergunta a Husai:

“Quando Husai entrou, Absalão lhe disse: Aitofel deu-nos o conselho dele. Devemos fazer o que ele diz, ou você tem outra opinião?" (2Sm 17:6).

       Husai foi enfático em seu conselho:

 

     Husai respondeu: "O conselho que Aitofel deu desta vez não é bom. Sabes que o teu pai e os homens que estão com ele são guerreiros e estão furiosos como uma ursa selvagem da qual roubaram os filhotes. Além disso, teu pai é um soldado experiente e não passará a noite com o exército. Ele, agora, já deve estar escondido numa caverna ou nalgum outro lugar. Se alguns dos teus soldados forem mortos no primeiro ataque, quem souber disso dirá: 'Houve matança no meio do exército de Absalão'. Então, até o mais bravo soldado, corajoso como leão, ficará morrendo de medo, pois todo o Israel sabe que teu pai é um guerreiro valente e que seus soldados são corajosos. "Por isso, dou o seguinte conselho: que se reúnam a ti todos os homens de Israel, desde Dã até Berseba, tantos como a areia da praia, e que tu mesmo os conduzas na batalha. Então o atacaremos onde quer que ele se encontre e cairemos sobre ele como o orvalho cai sobre a terra. Ele e todos os seus homens não escaparão. Se ele se refugiar em alguma cidade, todo o Israel levará cordas para lá, e arrastaremos aquela cidade para o vale, até que não reste ali nem sequer uma pequena pedra".

      A Palavra de Deus afirma em 2Sm 17:14 que o conselho de Husai foi considerado o melhor conselho.

      Husai tinha uma personalidade e uma identidade diferente em relação a Aitofel. Husai queria servir ao rei, mesmo se esse fosse Absalão, pois tinha uma identidade com seu povo, Israel (2Sm 16: 18,19).

      É nessa diferença de personalidade e identidade que o Senhor quer nos falar nessa mensagem.

      Qual o conselho devemos seguir? Qual o conselho o jovem deve seguir? Quem fala mais auto em nossos corações? Aitofel ou Husai?

       Analisando o contexto e a história e aplicando tudo no espiritual, veremos que Absalão é o tipo do nosso Adversário que deseja ardentemente o trono do nosso coração. Ele quer tirar o Rei Jesus (tipificado na pessoa de Davi) do trono que há em nós para que assim venhamos a servi-lo. Absalão tinha enormes cabelos e era um jovem de boa aparência. Os grandes cabelos são, aqui, na aplicação espiritual, os pensamentos elevados do homem em união com a beleza (aparência do mal). Diante de tantos questionamentos que o jovem tem, seus cabelos (no espiritual) tendem a crescer e formar um conjunto de mentalidades que, na maioria das vezes, o afasta de Davi (Jesus) e passa a ter um outro projeto. Abandona a revelação e parte para a razão. Qual o resultado disso? Vai procurar conselhos (mendigar) conselhos em toda a parte, buscando na carne e no sangue a resposta para seus anseios. É importante  lembrar que Absalão morreu por causa de seus cabelos presos em uma árvore.

       Absalão buscou os conselhos de Aitofel, um traidor. Muitos que tem deixado a Obra de Deus para seguir as suas vaidades se colocam para “dar conselhos”. Seus conselhos assemelham aos conselhos dos fariseus em Lucas 13: 31: “Sai e retira-te daqui...” Com seus bons argumentos do tipo “Herodes quer matar-te”, tentam nos tirar do caminho à Jerusalém (Jesus ia seguindo a Jerusalém para cumprir o projeto).

      Tantos “Aitofeis” estão por aí. Um dia foram usados na presença de Davi (Jesus), mas agora se desviam e negam o rei e o projeto. Partem para a razão e a tradição. Pela razão e tradição, Absalão seria rei, pois era o filho mais velho, mas a revelação era outra. Tomando a atitude de tomar o reino, tinham já Davi como morto. Muitos, por desviarem do projeto e seguirem seus próprios caminhos, têm Jesus como morto. Matam a revelação.

      O que propôs Aitofel?

       Observamos que o primeiro grande conselho que Aitofel deu a Absalão foi o de ter uma relação sexual com as concubinas de seu pai Davi, em público. Isto faria com que o povo entendesse de vez por todas que Absalão estava disposto a reinar e que ninguém deveria apresentar-se como obstáculo a este intento. Isso aponta para o seguinte: Quando os “Aitoféis”, que um dia negaram a Obra do Senhor Jesus, querem atacar Davi (a revelação), atacam primeiro as “concubinas” (a Igreja, que tem uma intimidade com o Rei e vive em seus átrios). Querem fazer isso “em público”, ou seja, querem envergonhar o Corpo de Cristo e desanimar o povo de Deus fazendo-os pensar que não há mais a Obra, que tudo acabou, etc.

       Em seguida, Aitofel apresenta-se como voluntário para formar um exército com doze mil homens e sair, imediatamente no encalço de Davi. O conselho de Aitofel sempre está ligado aos recursos humanos e conta sempre com a ajuda das multidões e os recursos dessa vida. Aitofel sabia que a marcha de Davi era lenta e, pelo tempo, ele ainda estava nas regiões montanhosas. Como ele não tinha onde acampar e estava sendo acompanhado por famílias inteiras, com suas mobílias, Davi não teria tempo para sentar-se e elaborar um plano de guerra. Neste projeto, Aitofel propôs a Absalão matar apenas a Davi e com isto dispersar os seus seguidores. Absalão gostou muito do plano.

     Podemos perceber: Os dois primeiros conselhos de Aitofel visam a carne e a morte.

     E é exatamente assim o plano do nosso inimigo: dispersar o povo do Senhor, desestruturar o Corpo de Cristo. Em 2Sm 16:23, a Palavra nos mostra que o conselho de Aitofel tinha valor naqueles dias, pois Aitofel era extremamente importante no reinado de Davi e era também um ótimo estrategista. Embora o conselho de Aitofel fosse considerado semelhante ao conselho de Deus, não era o mesmo. Muitos tem ouvido os conselhos de alguns que, antes eram instrumentos nas mãos do Senhor, mas agora são inimigos do Corpo. Os argumentos tem sempre uma aparência semelhante aos da Obra do Espírito Santo, mas não tem nenhuma relação com a vontade do Senhor.

     Husai teve um conselho diferente e orientou: “o conselho de Aitofel não é bom”. A Obra do Espírito Santo é uma Obra de discernimento e sabedoria. O Senhor é a direção segura e Ele não abre mão de guiar com braço forte o seu povo. O Senhor quer nos dar essa mesma benção – andar segundo a vontade de seu Espírito Santo.

     Husai também diz: “Bem conheces tu a teu pai e a seus homens”. Husai aqui, tipificando o Espírito Santo, faz Absalão lembrar quem é Davi, quem são os seus homens e quais são as suas grandiosas obras. No momento em que nos encontramos em dúvidas mas oramos ao Senhor pedindo direção, o Senhor nos faz lembrar de quem é Jesus para nós. Faz-nos lembrar de suas obras em nossas vidas, nos faz lembrar que sua Igreja é forte e fiel e, dela, não podemos sair. No decorrer do capítulo 17, versos 9 ao 11, Husai explica que, mesmo com o aparentemente sábio conselho de Aitofel, o projeto de Davi era melhor e mais eficaz. O Espírito santo tem testificado em nossos corações uma Obra de poder.

      Absalão, em 2Sm 17:14, reconhece que o conselho de Husai era melhor do que o conselho de Aitofel. Um outro detalhe enriquece essa passagem bíblica: Husai era um homem que tinha uma fiel ligação a Davi, era seu amigo e tinha uma boa relação com o sacerdócio que ali regia. Os bons conselhos partem de um coração cheio do Espírito Santo e de uma Igreja que é fiel e que ama e vive a Obra Redentora de Jesus. Os sacerdotes obedeceram a ordem de Husai com veemência, pois Husai tinha uma reputação inquestionável. Os bons conselhos estão ligados ao projeto espiritual, estão sempre em conformidade com o nosso crescimento espiritual.

DEUS TRANSTORNA O CONSELHO DE AITOFEL

      No entanto, Husai, amigo de Davi, que a pedido deste tinha ficado com Absalão (os que dão bons conselhos são fieis ás ordens do rei), propôs formar um exército muito maior, aliás, conclamar a todo Israel para sair à peleja, sob o argumento de que Davi não perderia uma batalha para apenas doze mil homens. Deus agiu, levando Absalão a preferir este conselho.

     Aitofel percebeu que o plano de Husai era uma “furada”. Até que reunissem a todo o povo, Davi teria atravessado os limites do território de Israel e estaria em lugar onde pudesse enfrentar qualquer inimigo. Aitofel não tinha dúvida que atendendo ao conselho de Husai, Absalão seria derrotado e Davi retornaria mais forte ainda para Jerusalém. Em função disto, Aitofel se enforcou pondo fim a toda a sua história no governo da nação de Israel. O fim de Aitofel foi semelhante ao de Judas Iscariotes. Os que traem o Corpo de Cristo morrem, seus planos são de morte, seus conselhos são para a morte e nunca para a vida, seus projetos estão longe da revelação, estão na tradição e na razão.

O QUE HAVIA NO CORAÇÃO DE AITOFEL?

      Eu me pergunto: O que levou Aitofel a tomar aquela atitude, de trair a Davi, que confiava tanto nele e que o considerava amigo? O que levou Aitofel a aconselhar a Absalão a abusar sexualmente das dez concubinas de Davi, desonrando o rei mais amado de todos os tempos para o povo de Israel? O que levou Aitofel a planejar uma forma de matar somente a Davi, enquanto este fugia?

     Resposta: RESSENTIMENTO - Sim, esta era a razão porque Aitofel planejou e fez tudo isto. Ele era um homem ressentido com Davi.

     Muitos hoje se colocam como inimigos da Obra de Deus e, a maioria desses, um dia foram instrumentos nas mãos do Rei Jesus e serviram em seu projeto, pregaram uma mensagem por longos anos, pregaram tudo aquilo que hoje negam. Tudo parte de um coração ressentido, inclusive seus conselhos (que são para a morte).

Mas, de onde vem todo este ressentimento?

E eu lhe responderia:

Do fatídico caso da morte de Urias! Um dia Davi errou, mas a revelação e a presença de Deus em seu reinado continuaram imperando. Por erros humanos, ventos doutrinários, excesso de “eu acho” ou ressentimentos variados, muitos deixam o projeto e, logo, se ajuntam com Absalão. Não continuam olhando para frente.

      Bate-seba, a mulher de Urias, que Davi possui pecaminosamente, era filha de Eliã - 2Sm 11:3 . Por sua vez, Eliã, era filho de Aitofel - 2Sm 23:34 . Na lista dos trinta e sete valentes de Davi, aparece Urias - 2Sm 23:39 , e Eliã, filho de Aitofel. Ou seja, Urias, além de genro de Eliã, era seu companheiro de guerra. Todos eles, por parentesco direto ou por afinidade, estavam ligados a Aitofel. Este, por sua vez, assistiu a tudo o que Davi fez e guardou tudo isto em seu coração. Aitofel apresentou-se como homem sábio e demonstrou imensa lealdade ao longo de, aproximadamente, três dêcadas. Pelo excelente serviço prestado, ele tornou-se um homem de confiança do rei Davi.  No entanto, guardou esta mágoa em seu coração. Ele nunca deixou de desejar que um dia Davi fosse vingado pelo mal que causou à sua neta e ao esposo dela. No livro de Jó fala que aquele que guarda ressentimento, "morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem". Por isto o escritor da epístola aos Hebreus, assim escreveu: "Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem". (Hebreus 12.15).

Um dia, todos os conselhos de Aitofel serão transtornados e a Igreja Fiel de Cristo triunfará.

 

Gabriel Felipe M. Rocha

sexta-feira, 29 de março de 2013

Meditação do dia



SEGREDOS DA ORAÇÃO

Amados leitores do “Palavra a Sério”, gostaria de compartilhar com os irmãos um e-mail que recebi esta semana, que apesar de muito simples achei muito profundo.

Quando oro ANTES, demonstro DEPENDÊNCIA DE DEUS...
Quando oro DEPOIS, demonstro GRATIDÃO À  DEUS...
Quando oro SEMPRE, demonstro COMUNHÃO COM DEUS...

segunda-feira, 25 de março de 2013

E CRIOU DEUS O HOMEM À SUA IMAGEM


“E disse DEUS: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança [...] E criou DEUS o homem à sua imagem; à imagem de DEUS o criou”. (Genesis 1:26,27).

A todos os amigos, irmãos, leitores e verdadeiros estudantes da Palavra de Deus, a paz de nosso Senhor Jesus!

Vamos tratar aqui, um pouco, da doutrina “Deus”, em análise de sua estrutura divina/triuna e da estrutura essencial humana que, também, se mostra em três definições.

Deus, podemos perceber, é uma entidade singular:

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.” (Deuteronômio 6:4).

“Eu sou o Senhor e não há outro [...] fora de mim não há outro; Eu sou o Senhor, e não há outro. (Isaías 45:5,6).

E plural:

“Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal...” (Genesis 3:22).

“Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Isaías 6:8).

“Eu e o Pai somos um” (João 10:30).

A palavra hebraica para Deus é elohîm, um substantivo plural. Em Genesis 1:1, o termo é usado concordando, gramaticalmente, com um verbo no singular, bara (singular) cujo significado é “criou”. Traduzido ao português no sentido literal ficaria: “...deuses criou”. Quando são usados pronomes no plural – “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” -, isto indica a pluralidade de pessoas (um plural de número), ou o conceito de excelência ou majestade que pode ser indicado desta maneira em hebraico? Deus poderia estar falando com os anjos, a terra, ou a natureza (segundo alguns estudiosos), referindo-se a si mesmo em relação a alguns deles? Ou esta é uma indicação germinal de uma distinção de pessoas na divindade? Não se sabe ao certo, embora a questão da pluralidade de pessoas (Trindade) seja o ponto teológico mais aceito, inclusive por nós do blog Palavra a Sério.

Até a vinda de Jesus e o início de seu ministério terreno, a unidade essencial (interna) da Divindade não era compreendida, em grande parte, ainda que fosse indicada em outras passagens como a de Isaías 48:16:

“Chegai-vos a mim e ouvi isto: Não falei em segredo desde em princípio; desde o tempo em que aquilo se fez, eu estava ali; e agora, o Senhor Jeová me enviou o seu Espírito

Deus é essencialmente Espírito (João 4:24). Portanto, o homem que é “imagem e semelhança” de Deus, possui um espírito Imortal. Os homens se assemelham a Deus em certos aspectos pessoais (Genesis 1:26), sem que sejam iguais a Ele (Isaías 40:25). A semelhança entre o homem e Deus é aquilo que distingue a criatura racional do resto da criação. O homem é um ser pessoal, com a capacidade de pensar, sentir e decidir. Ele tem a capacidade de fazer escolhas morais e a capacidade de crescimento ou declínio espiritual.

No princípio, o homem amava a Deus e era uma criatura santa. O pecado mudou isto. O seu espírito ficou tão alterado pelo pecado, que ele se escondeu de Deus, e agora deseja mais o mal do que a justiça (João 3:19,20). Depois da época de Adão, somente aqueles que viviam com retidão diante de Deus eram considerados seus descendentes (Mateus 3:7-10; Mateus 13:38; João 12:36; Atos 13:10). O Homem não mais se encontra no estado perfeito de inocência em que estava na época da sua criação. Portanto, ele não tem os mesmos atributos e qualidades espirituais, semelhantes aos de Deus, que tivera em seu estado original. Se hoje Deus derrama de seus dons e dos frutos de seu Espírito aos homens, é porque houve uma libertação através do sangue do “segundo Adão” – JESUS CRISTO e, nessa remissão, Deus deu a porção (sem medida) de seu Espírito Santo, fazendo assim, o homem, experimentar de suas maravilhas espirituais (por soberana graça). Jesus, o segundo adão (1Co 15:45), veio para desfazer as obras de Satanás (1Jo 3:8), e para restaurar a semelhança espiritual do homem com Deus (2Co 3:18; Ef 4:24; Cl 3:10).

Essa “semelhança” com Deus está no fato de, o homem, ser:

a) Corpo – soma (gr) – Aspecto visível/físico/ temporal;

b) Alma – psiqué (gr) -  fonte de nossa racionalidade e sentimentos;

c) Espírito – pneuma (gr) – “fôlego” de vida/ “sopro” de Deus/ aspecto que faz o homem carnal e racional transcender e ter contato com seu Criador. Parte que volta para Deus, pois é de Deus.

“..e o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados...” (1Tessalonicenses 5:23)

Jesus veio restaurar a essência tricotômica do homem que, embora sejam distintas, é na movimentação e unidade que elas garantem o home como um ser existente. Jesus, através de seu sangue, renovou e efetivou a existência do homem para com Deus. Pela fé em Cristo, o crente recebe em seu espírito a afirmação da salvação e regeneração pelo Espírito Santo de Deus. É uma “religação” de Deus ao homem/ homem a Deus – espírito humano> < Espírito Santo (Deus).

Dentro deste contexto de transformação (ou renovação) humana é que temos a identidade moldada conforme a intenção original e, pela graça, podemos fazer parte da ‘família’ de Deus.

“E eu dei-lhes a glória que a mim (Jesus) me deste, para que sejam (nós/ Igreja) um, como nós somos um (Pai, Filho Espírito Santo). Eu neles (através do Espírito Santo), e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade (na unidade do Espírito), e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles como me tens amado a mim” (João 17:22,23).

 É interessante que, no Antigo Testamento, o homem é mencionado no termo hebraico (na maioria das vezes) como “adham”, cujo significado é: “baixo”, “avermelhado”, “comum”, “inferior”. O termo “adham” deu origem ao nome Adão. Assim se tornou a identidade humana: inferior, baixa e limitada diante de um Deus Santo e Puro. O termo também apresenta a ideia de “cor avermelhada”, como “Edom”. Porque necessário foi a morte de um inocente para a restauração da identidade original e essencial do homem. No Novo Testamento, quando se refere a ‘homem’, o termo mais usado é “antropos” (grego) que significa “o que olha para cima”. Pois Jesus deu tal condição ao ser humano – olhar (contemplar) outra vez o seu Criador através da morte do Cordeiro de Deus (Jesus Cristo). Está aí a importância do poder do sangue de Jesus na vida (diária) do verdadeiro crente: restauração e renovo da nossa essência (limitada e imperfeita pelo pecado) – para assim chegar a Deus.

Quero concluir esse pequeno e singelo estudo dizendo que: nós somos a imagem de Deus quando estamos debaixo dessa graça maravilhosa mencionada aqui: o sangue (Espírito Santo). Pois é o elo de ligação de nossa estrutura essencial à essência de Deus. Não somos iguais a Deus, mas sim semelhantes a Ele (há uma diferença nessas definições). Não podemos, por exemplo, ter os atributos pessoais de Deus como: onipotência, onipresença e onisciência. Mas podemos participar deles, tendo uma experiência com tais atributos quando temos uma vida em espírito (comunhão com Deus). Nós, no entanto, podemos, mesmo que limitados, ter alguns atributos morais de Deus como: amor, paciência, santidade, justiça, fidelidade, misericórdia e bondade. Inclusive, Ele nos cobra tais atributos em sua Palavra.

Que Deus abençoe!

Gabriel Felipe M. Rocha

domingo, 17 de março de 2013

Acordando do Sonho



ACORDANDO DO SONHO

“Teve José um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais
E disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho, que tenho sonhado:
Eis que estávamos atando molhos no meio do campo, e eis que o meu molho se levantava, e também ficava em pé, e eis que os vossos molhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu molho”. Gênesis 37:5-7
“E teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim”. Gênesis 37:9

Os sonhos de José foram muito além de uma produção de sua mente, ou do que alguns chamam de “sonho de barriga cheia”, foram Promessas feitas por Deus.
Deus também usa este meio para se revelar ao homem, e isto é Bíblico: Em sonho ou em visão noturna, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama. Então o revela ao ouvido dos homens, e lhes sela a sua instrução” (Jó 33:15-16)

A DIDÁTICA DE DEUS:
1º SONHO: “Eis que estávamos atando molhos no meio do campo, e eis que o meu molho se levantava, e também ficava em pé, e eis que os vossos molhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu molho”
O “molho” ou “feixe” se levantou quando estavam “TRABALHANDO”: Deus nunca usou desocupado e preguiçoso. Todos que Deus chamou, usou, fez promessas... tanto no Antigo quanto no Novo Testamento estavam trabalhando.
Um dos exemplos mais vistos: A pessoa está desempregada, mas não sai em busca de emprego e começa a murmurar dizendo que Deus não quer abrir uma porta para ela; não busca se qualificar, estudar, aprender algo novo... e depois a culpa é de Deus.

2º SONHO: “Eis que tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim”.
Foi o complemento da Promessa, que foi um princípio mais tarde, ensinado por Jesus.
No 1º ele viu elementos da TERRA; no 2º ele viu elementos do CÉU.
Jesus vem e explica este princípio: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”. (Mateus 18:18)

PALAVRA PROFÉTICA  x  REALIDADE
“A Palavra Profética nunca se enquadra com o momento atual que a pessoa está vivendo”
Para entender melhor, usemos como exemplo Gideão (Juízes 6:12-16):
-“O SENHOR é contigo, homem valoroso”.
- Questionamento de Gideão: “Ai, Senhor meu, se o SENHOR é conosco, por que tudo isto nos sobreveio?”
(Dizemos sempre o mesmo: -Se o Senhor é comigo, porque estou passando por isso...Deus se esqueceu de mim...)
-“Vai nesta tua força, e livrarás a Israel das mãos dos midianitas”.
- Qual era a força de Gideão? “Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manasses, e eu o menor na casa de meu pai”.
“E o SENHOR lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem”.
Ou seja, a Palavra Profética foi além da realidade, porque Deus já vê o futuro, Ele fala o que vai fazer em nossa vida.

ACORDANDO DO SONHO:
Quando José acorda, a realidade era muito diferente do que ele havia sonhado:
- Ódio e inveja dos irmãos
- Vendido como escravo
- Arrancam a Túnica do Pai; recebe uma roupa de escravo; na casa de Potifar recebe uma roupa de mordomo, onde é tentado, caluniado e preso, onde agora recebe uma roupa de presidiário, mas em meio às adversidades nunca deixou de ser um Servo de Deus, por isso Deus o sustentou e o honrou.
13 anos depois do sonho recebe agora a Túnica de Governador do Egito. Vem os 7 anos de fartura, e quando começa o período da fome , seus irmãos vem ao Egito em busca de alimento... e o final já conhecemos: se cumpre a Promessa, se cumprem os sonhos, 20 anos depois.
CONCLUSÃO:
Esta pode estar sendo sua realidade: Há promessas de Deus sobre sua vida, mas sua realidade está sendo completamente o inverso do que Deus lhe prometeu, portanto, até que a promessa se cumpra se mantenha na posição de Servo (a) de Deus. Não pare, não desanime, mas trabalhe, se esforce, realize a Obra de Deus, pois Ele te honrará.

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”. (I Coríntios 15:58)

Gustavo Rodrigues