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segunda-feira, 30 de junho de 2014

FÉ: UM DOM DE DEUS

FÉ: UM DOM DE DEUS

(Por Gabriel Felipe M. Rocha)

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; mas é dom de Deus” (Efésios 2:8)


Quando se fala sobre a questão da fé ser “dom de Deus”, abre-se uma discussão, principalmente entre as duas correntes soteriológicas mais comuns no protestantismo, a saber, calvinismo e arminianismo. De fato, dizer que a fé é “dom de Deus”, inquieta muito os da corrente arminiana. Contudo, tal inquietação é justa. Vejamos o seguinte:

Sendo a fé um dom de Deus, torna um pouco confuso o argumento da eleição prevista como quer os calvinistas. Deus escolheria para a salvação, nessa perspectiva da fé prevista, aqueles a quem Ele decidiu dar a fé de antemão, o que o tornaria parcial ao não dar a fé a todos. Por isso, são forçados a afirmar que a fé não é um dom de Deus e, para demonstrar isso, recorrem a Efésios 2:8.

O pressuposto é o seguinte: o pronome demonstrativo touto (“isto”) é do gênero neutro e, portanto, não pode referir-se a pisteos (“fé”) que é do gênero feminino. Sendo assim, eles estão corretos. Mas é importante ressaltar também que “isto” não pode se referir jamais à “graça”, pois kariti, de Karis é de igual modo feminino. Até mesmo “salvação” não poderia ser referência de “isto”, pois soterias é também feminino até porque a forma aqui é verbal. Sendo dessa forma, com base no contexto original, fica claro que o termo “isto” se refere ao ato da salvação como um todo. A fé, portanto, é o meio pelo qual o homem receberá o dom de Deus que é o ato da salvação. A responsabilidade humana não está aqui anulada. Em Lucas 18: 08, o texto bíblico diz: “Quando, porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?”, deixando claro que tal fé será cobrada do homem como um meio pelo qual a salvação – dom de Deus – será, enfim, concluída aqui na terra e acompanhada no Reino de Deus.

Portanto, estamos falando do ato da salvação como um todo, como está explícito na afirmação “pela graça sois salvos mediante a fé”. Ou seja, embora o pronome não se refira diretamente à fé, a inclui como tudo que é necessário para que se efetive o “sois salvos” que é, de fato, um dom de Deus.

Mesmo se precisássemos apenas dessa passagem para afirmar que a fé é um dom de Deus, não estaríamos desamparados de argumentos, como vimos aqui. No mais, essa afirmação é corroborada com outras passagens, formando assim uma doutrina consistente com o conteúdo e o ensino geral das Escrituras.

Por exemplo, Tiago afirma que “toda a boa dádiva, e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tiago 1: 17), sustentado por Pedro que escreve: “o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade” (2Pe 1:3) a ponto de Paulo mesmo perguntar: “que tens tu que não tenhas recebido?” (1Cor 4: 7). E isto, sem dúvida inclui a fé. Essa retórica paulina em 1Cor 4: 7 remete à pergunta que poderia entrar no contexto sem mudar o sentido da retórica: “o que não tens tu ainda para receber? O que te falta?”. Nesse caso, seria a fé.

Contudo, não estamos persuadindo aqui, ao mostrar a fundo esse contexto de Efésios 2:8, que a fé não é algo oriundo de Deus. Aliás, reforço aqui que a fé é oriunda da eternidade e é profética. Ela vem de Deus, é dom de Deus, é dádiva, é generosidade, é meio da graça NECESSÁRIA para a obra salvífica de Deus. Ela é efetivada na vida do crente pela ação exclusiva do Espírito Santo no ato da revelação de Cristo, no arrependimento e na conversão do mesmo. Ela (a fé) é o pontapé inicial (vindo da eternidade e não nosso) para a conclusão de todo o restante projeto do Espírito Santo de redenção humana. O projeto salvífico de Deus – pela graça – é eterno e profético (é dom de Deus) e só pode alcançar o homem (terreno e pecador) pela fé que também é profética.

Assim dizemos sem erro que o homem só pode adentrar o plano de Deus e fazer parte da eternidade do Criador se tiver sobre si os valores oriundos da mesma eternidade. Em suma, ele só poderá subir ao Pai utilizando o meio que o Pai envia, a saber, a fé em Jesus Cristo – o Mediador. O homem na sai condição de pecador e de ser depravado (destituído da glória) não pode conhecer a Cristo senão pela Revelação do mesmo a ele e não ao contrário. Não é um mero reconhecimento intelectual de quem foi ou é Cristo, mas é algo que parte do próprio projeto divino para seus eleitos e o mesmo Espírito testifica por meio da experiência pessoal o Cristo revelado ao que receberá a fé da Eternidade para contemplar tal revelação. Ou seja, Deus dá a se conhecer pelo Espírito Santo na Pessoa de Jesus e é a fé (da eternidade) quem vai ligar o homem (incapaz por si só) no reconhecimento de Jesus Cristo como Salvador, crendo no poder de seu sangue e na eficácia de seu sacrifício. Da fé, inicia-se (agora num plano terreno) todo o processo de redenção pela OBRA DO ESPÍRITO SANTO na regeneração do crente à salvação do crente.  A fé é recebida pelo crente como algo que Deus provou para que esse eleito venha a crer, mas isso, por outro lado, não anula a responsabilidade do mesmo no processo e no exercício dessa fé. A fé se firmará sob diversas formas, mas a principal virá com o constante contato desse crente com a Palavra, pois a Palavra é a fonte da fé. Ela é quem testifica do Cristo e, ouvindo a Palavra, cremos. De fé em fé continuamos fazendo firme nossa vocação.

Ademais, a Bíblia afirma que a fé vem pelo ouvir (João 10: 17). Bem, se a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, como ela pode estar já definida? Não é tão simples discorrer sobre isso. No entanto, a fé vem pelo ouvir e pronto! Sendo assim, o ato da fé não é algo programado de antemão como algo definido de forma pessoal por um Deus parcial, mas é algo que é gerado pela ação do Espírito Santo que promove na vida do ouvinte ou leitor da Palavra a obra de redenção iniciada pela fé salvífica, o “meio” de graça fundamental para a efetivação do dom de Deus na vida do eleito. O texto em João 10: 17 deixa claro que, antes da pregação do Evangelho não há fé no homem, mas tal é gerada. Isso não anula a qualidade profética da fé. Ela é oriunda sim da Eternidade de Deus, até porque não é a fé natural do homem que é capaz de salvá-lo, mas sim a fé salvífica. Há uma diferença entre a fé natural do homem e a fé salvífica que é gerada pela ação espiritual. Poderemos trazer esse assunto em breve.


Aos romanos, Paulo fala da “fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12:13) e aos efésios, Paulo fala da “fé da parte de Deus Pai” (Ef 6:23) e, também, aos filipenses, conclui: “a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” (Fl 1: 29) que remete ao ato consciente de aceitar tal carreira cristã em crer no Cristo e em morrer pela causa de Cristo.

Portanto, concluindo, não podemos pensar a fé como um presente ou um favor do homem a Deus, mas sim um presente de Deus ao homem – não de forma pessoal - na ação redentora do Espírito Santo. Sendo a fé efetivada no ouvir a pregação do Evangelho, podemos crer que o conteúdo da Escritura é por inspiração, revelação e iluminação do Espírito Santo que tende a revelar o Cristo glorificado e testificado pelas Escrituras. Logo, o mesmo Espírito “oferece” e “trabalha” a fé na vida do ouvinte ou do leitor da Palavra de Deus e na disposição consciente do indivíduo, a fé é plantada (como um grão de mostarda) e pode vir a dar seus devidos frutos para a vida eterna.


Gabriel Felipe M. Rocha é professor e acadêmico. Graduado em História (licenciatura e bacharelado) e pós graduado em Sociologia. Atualmente conclui um mestrado em Filosofia na área de Ética e também Antropologia. Possui um bacharelado em Teologia com ênfase em História da Igreja.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SAINDO DA CARNE E ANDANDO EM ESPÍRITO


SAINDO DA CARNE

“Digo, porém: Andai no Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.” (Gálatas 5:16,17)

 

Olá, leitores de bom gosto e amigos do blog Palavra a Sério, a paz do Senhor Jesus!

 

Vivemos em guerra vinte e quatro horas por dia; sete dias por semana. Trata-se de uma batalha ininterrupta, não só contra o nosso adversário, mas contra a nossa própria carne. Muitos ainda pensam erroneamente que “estar na Carne” se trata apenas de pecados sexuais, mas não é só isso. Estar na carne é a sina do crente que converte ao Senhor Jesus. Ele, quando aceita seu Salvador, passa a viver, então, uma guerra (muitas vezes desigual se olharmos á luz da nossa razão carnal). O apóstolo Paulo declarou que via em seu corpo uma guerra entre seu homem interior - que tinha prazer na lei de Deus, e a sua carne - que se via dominada pela lei do pecado.

Deus nos comissionou a vencer a carne; e, se Ele comissionou, podemos fazê-lo! Seu Espírito Santo é quem capacita.

Esta é uma das áreas aonde o Espírito Santo veio trabalhar em nossas vidas para nos conduzir a um viver santo e vitorioso. E os benefícios da oração no espírito estão diretamente ligados às áreas de ação do Espírito do Senhor em nós. Em suma, se é ministério do Espírito nos fazer vencer a carne e nos preparar para o Dia do Senhor, então temos por certo que precisamos deixar Deus operar a sua Obra em nós. E somente andando no Espírito venceremos os desejos e inclinações da carne.

O capítulo áureo na Bíblia sobre andar no Espírito e massacrar a carne é Romanos 8. No capítulo 7 Paulo declara que passava o conflito interior que todos nós também passamos: “o bem que quero este não faço, e o mal que não quero este faço”. Depois faz a pergunta: “quem me livrará do corpo desta morte?”, externando assim a sua incapacidade de vencer a carne. Muitos pensam que esta pergunta ficou sem resposta; mas não!

Logo a seguir, ele mesmo afirma: “Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor.” (Romanos 7:25).

 

A nossa condição de andar em espírito está em Jesus. Jesus é revelação e, portanto, só na revelação andamos em espírito e conforme a vontade de Deus como “filhos” e coerdeiros com Cristo. Andar na revelação é discernir a vontade do Espírito Santo, buscando profundidade em sua Obra.

 

E o capítulo 8 revela como Jesus Cristo nos dá esta vitória. Temos a provisão de Cristo para vencermos. Jesus como revelação (da GRAÇA) nos dispõe pelo seu Santo Espírito recursos provenientes dessa graça, como: oração, jejum, louvor, madrugadas, exame da Palavra entre outros recursos que a graça de Deus promove ao crente em Jesus.

 E da mesma forma como havia dito aos gálatas que o segredo de não cumprir os desejos da carne é ANDAR NO ESPÍRITO, o apóstolo também o diz em outras palavras aos crentes de Roma.

“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:2)

Há duas leis em funcionamento na vida dos que servem a Deus: A DE VIDA E A DE MORTE!

Enquanto a lei do Espírito vivifica, a lei do pecado mata.

No verso 6 lemos: “Porque a inclinação da carne é morte, mas a inclinação do espírito é vida e paz”. Mas nesta exposição das leis, temos mais do que um mero contraste entre uma e outra; as Escrituras estão nos dizendo que uma lei é maior e sobrepõe a outra. A lei do Espírito da vida NOS LIVRA da lei do pecado e da morte!

 

Graças a Deus! Embora a lei operante na maioria dos homens seja a do pecado, nós temos o antídoto: a lei do Espírito da vida. Quando a segunda entra em operação, a primeira é anulada. Basta andar no Espírito, acionando voluntariamente esta lei, e você experimentará a vitória. Caso contrário, jamais agradará a Deus:

“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Romanos 8:7,8)

O que é estar na carne?

 

É viver a vida sem Cristo, desprovida por completo da lei do Espírito. Este não é o caso dos cristãos verdadeiros, pois o texto prossegue dizendo:

“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Romanos 8:9

Depois desta declaração profunda, de que ninguém que serve a Cristo está desprovido do Espírito Santo para vencer, Paulo estabelece claramente ONDE cada uma das duas leis opera: a do pecado, na carne; e a do Espírito da vida, em nosso próprio espírito.

“Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça”. Romanos 8:10

O quê, exatamente, significa a expressão “corpo morto por causa do pecado”?

Fala da operação da lei do pecado na nossa carne; mais à frente o escritor usa o termo “corpo mortal”. Mas assim como a carne está sob a lei do pecado, nosso espírito, por sua vez, está sob a vida; ou seja, tem nele a operação do Espírito da vida! Enquanto a Bíblia chama nossa carne de corpo morto (ou mortal), chama nosso espírito de vivo (ou vivificado) e diz que esta vida do espírito pode fluir para o corpo, anulando a lei da morte.

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita”.
Romanos 8:11

 “vivificar o corpo mortal” fala da lei do Espírito da vida anulando a lei do pecado e da morte na carne já neste tempo presente. Logo, no Arrebatamento, estaremos com o corpo em plenitude de renovação e vivificação. Mas, antes disso, ainda no preparo para esse dia, Deus nos dá seu espírito para andarmos segundo SUA VONTADE.

 

Resumindo, só vencemos a carne pelo operar do Espírito Santo em nós: “porque, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm.8:13). Não há outro meio de vencer a carne, a não ser anulando esta lei mortal do pecado mediante o poder e ação do Espírito de vida.

 

O CATIVEIRO DO PECADO

 

Para melhor enxergarmos a atuação do Espírito Santo quebrando o domínio do pecado e da carne em nossas vidas, precisamos reconhecer que Paulo trata a lei do pecado como sendo um cativeiro:

“Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros”. Romanos 7:22,23

Preste atenção na frase usada pelo escritor “levando cativo”. É nesta linha de raciocínio que ele declara em Romanos 8:15 que não recebemos o “espírito de escravidão”. A lei do pecado e da morte, é na verdade, uma escravidão.

Depois o raciocínio deste cativeiro do pecado se estende e apresenta a própria criação escravizada e ansiando pela libertação:

“Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” Romanos 8:19-23 .

E a Palavra de Deus traça um paralelo entre a natureza e a humanidade nestes termos: ambos estão no “cativeiro da corrupção”; ambos aguardam a libertação. E logo a seguir, veremos Paulo usando a frase “do mesmo modo também o Espírito”... A Bíblia Sagrada está dizendo que assim como a criação e a humanidade gemem, ASSIM TAMBÉM o Espírito Santo geme! Não geme por necessitar de libertação, mas geme em nós, levando-nos a uma vida de mais entrega. E é exatamente neste ponto que aparece a oração no Espírito Santo ligada ao vencer a carne:

“Do mesmo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por com gemidos inexprimíveis”.Romanos 8:26

Somos ajudados na fraqueza. E que fraqueza é esta? O contexto de todo o capítulo - e mesmo dos anteriores - fala de uma só fraqueza: a inclinação da carne. A única maneira de vencer a carne é com a ajuda do Espírito. E como Ele nos ajuda? Visto que não sabemos orar como convém, o Espírito intercede por nós...

É usando OS RECURSOS DA GRAÇA na revelação de Jesus, assim, conheceremos o toque libertador do Espírito Santo.

É interessante também, o significado desta palavra traduzida como “ajuda” (ou assistencia). No original grego é sunantilambanomai, que quer dizer “pegar firme contra algo, juntamente com”. Tal palavra cabe bem no exemplo de alguém que ajuda outro a carregar algo pesado, como um piano. É literalmente “pegar a outra ponta do peso”, o que reflete, na verdade, uma sociedade. É ajuda em parceria. Isso também nos afirma a ideia da VIDA NO CORPO. Aquele que está envolvido com a Obra de Deus e vive como participante das bênçãos espirituais do Corpo de Cristo está vacinado contra a inflamação da carne e pelas flechas malignas do inimigo. No Corpo de Cristo, o crente mortifica a cerne em SANTIFICAÇÃO constante.

 

Aleluia! Deus nos deu uma poderosa arma contra a inclinação da carne, e devemos usá-la dia após dia. Sei muito bem na prática, que, à medida que oramos mais, santificamos mais, dedicamos mais, nossa carne é enfraquecida. O próprio exercício do espírito nos faz mais consciente da presença de Deus e nos alerta para as sutis armadilhas da carne.

 

Gabriel Felipe M. Rocha

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A BOA OBRA (e os Recursos da Graça)


A BOA OBRA

“Agora, porém, completai também o já começado, para que, assim como houve a prontidão de vontade, haja também o cumprimento, segundo o que tendes” (IICor. 8:11)

Tradução João Ferreira de Almeida Revista e corrigida- CPAD. “Bíblia Palavras Chave- Grego/ Hebraico”

“E já que começaram a  agir de modo tão entusiasta, vocês devem prosseguir até o fim com a mesma alegria, dando tudo quanto puderem de tudo quanto possuem. Que a ideia entusiástica do início seja igualada pela ação realista de agora” (IICor. 8:11)

Tradução– “A Bíblia Viva”, segunda edição. Mundo Cristão

 

Logo que Jesus derramou seu sangue, uma OBRA estava a iniciar sobre a Terra. O sangue derramado tinha um significado importantíssimo e não podia ser ignorado: O Espírito Santo seria derramado.  A primeira Igreja viveu essa benção. As Escrituras, além das próprias palavras do Mestre, já haviam os preparado para isso.

“E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Joel 2:28)

“o Espírito da verdade, que o mundo não pode não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (João 14:17)

O objetivo do Espírito Santo seria a realização desse projeto que havia tido seu início na ETERNIDADE.

Inseridos nesse projeto, nós, os servos do Senhor, eleitos segundo a soberania de Deus para a realização desse projeto (anunciar ao mundo a Volta de Jesus Cristo), teríamos que estarmos cheios do Espírito Santo.

Quando nossa eleição se concretizou aqui na Terra, foi começada em nós uma “boa obra”.

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo” (Fl 1:6)

Essa “boa obra” iniciada em nós trata exatamente de um resultado da GRAÇA do Soberano Deus: a presença do Espírito Santo em nós mediante a fé em Jesus Cristo. “Boa”, lido no original grego é “benevolente”. Essa Obra para nós é benevolente, ou seja, nos faz bem, os recursos dessa Obra são abundantes em Vida. O Senhor através de sua Obra redentora nos tirou do mundo e passamos a viver uma forma de vida diferenciada. Estarmos cheios do Espírito Santo faz bem, nos deixa bem, nos capacita para realizarmos um projeto que, apenas pela fé, pode ser tocado a diante.

Mas somos falhos e muito limitados. Às vezes deixamos as lutas abaterem e, por causa disso, a fé diminui e a caminhada já não permanece no mesmo ritmo inicial. No primeiro amor tudo eram louvor e glória. Estávamos dispostos a tudo pela Obra do Senhor, caminhávamos por caminhos distantes para realizar aquilo que hoje chamamos de “comum” e, às vezes, desnecessário: levar uma palavra de vida à alma necessitada. Os espinhos dessa vida sufocam a boa semente que o Mestre plantou um dia em nossos corações. O momento é de buscar saúde espiritual.

·       “Agora, porém,...” – Agora dá a ideia de algo imediato, neste instante. O momento em que vivemos não nos permite “parar no caminho”.

“Importa, porém, caminhar hoje, amanhã e no dia seguinte...” (Lucas 13:33)

“Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará” (Hebreus 10:37)

·       “[...] completai também o já começado...” – Completai está no original como “epiteleo” que significa: “cumprir adicionalmente”, assim como também “realizar”, “terminar”, “aperfeiçoar”, entre outros. Mas vamos chamar a atenção aqui para “cumprir adicionalmente”. O que pode ser adicionado à nossa fé e à nossa vida espiritual?

·       Sabemos que a graça não vem realmente de nós, é dom de Deus (Ef.2:8-9), mas a afirmação dessa graça em nós é “mediante a fé”, ou seja: se eu não crer não posso receber da graça, embora a mesma não seja anulada num caso particular. Ela sempre será graça independente se a vivo ou não. Mas, temos por certo o seguinte: a fé é o único “recurso da graça”, mas a fé num estado apenas subjetivo não tem valia nenhuma. Ela deve ser manifestada.

“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem  fé e não tiver as obras? (Tiago 2:14)

Em romanos 3:20, Paulo diz: “nenhuma carne será justificada [...] pelas obras da lei”. Por outro lado, Tiago 2:21-24 declara, aparentemente, que o homem não é justificado somente pela fé, mas também pelas obras. A dificuldade na aparente contradição é acentuada pela declaração do  próprio Paulo, em Romanos 2:13: “os que praticam a lei hão de ser justificados”. Como estas duas declarações podem ser conciliadas? O que o trecho que lemos acima em II Coríntios 8:11 (“completai também o já começado”) quer dizer, se nada “vem de nós” ?

Uma mera profissão de fé não significa a posse da mesma ou daquilo que acompanha, naturalmente, a fé, que são os “recursos da graça” ou “meios que evidenciam a fé” sendo praticados pela genuína fé e com os resultados dessa graça mediante a fé na vida do crente. No caso de Tiago, esse diz a respeito de uma profissão ou suposição de fé, estéril e destituída de bons frutos. Ela consiste apenas em uma crença intelectual e não de uma fé que vêm da Eternidade e que nos leva à essa Eternidade.

Então, quando Paulo escreve o texto em II Cor. 8:11 e diz que precisamos “completar” o já começado, ele fala a respeito da necessidade que o crente tem de frutificar em fé e “crescer na graça”. Andar de fé em fé e de graça em graça. Subir os degraus da vida espiritual.

“[...] crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (II Pedro 3:18)

“crescer na graça” não está e nunca esteve ligado à busca da salvação pelas “obras”, ou seja, pelo esforço humano, pela “troca” com Deus ou coisa do tipo.

O termo “obras” em Tiago 2:21-24 está inteiramente ligado ao agir conforme a lei, mas, também se aplica a qualquer atitude e artifício humano para conseguir por mérito a salvação e a graça de Deus.

Então “completar o já começado” está se referindo ao agir conforme à graça, pela fé frutificada em “boas obras”, as obras da fé (termo que faz distinção das obras da lei).

Quais são os resultados da fé? Muitos! A oração só é feita na fé (sem fé, inclusive, é impossível agradar a Deus), o jejum sem a fé não passa de um breve tempo de abstinência alimentar, o louvor sem a fé se torna uma música ou uma expressão meramente carnal e emocional, não transcende à Eternidade, a busca ao Senhor pela madrugada não teria sentido se a fé não testificasse que há uma benção na oração da madrugada, a leitura à Palavra de Deus se torna apenas uma consulta histórica, cultural ou, no máximo, teológica e jamais poderá ser considerada um “manual de fé” ou “meio de condução espiritual” do crente em Jesus.

Mas o Senhor começou em nós uma boa obra. A graça já nos foi dada. É dela que Paulo se refere quando escreve: “completai o já começado”. Jesus começou a Obra quando derramou seu sangue e, através desse sangue (Espírito Santo) a boa obra foi  testificada em nossas vidas quando recebemos seu chamado (mediante a graça manifestada na nossa eleição).

“Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia do Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 1:6)

 

Precisamos, a cada dia, crescer nessa graça. Crescer naquilo que foi começado em nós. O que foi começado em nós? Uma obra do Espírito Santo. Uma igreja ou um chamado para a religiosidade? Não! Uma OBRA onde o Espírito Santo é quem opera a SUA vontade.

·        Crescer na graça é agir com uma fé frutificada e visível. Davi, em meio a doença de seu filho recém-nascido, chorou, buscou, se humilhou, jejuou e, tudo isso para quê? Para chamar a atenção de Deus. Deus é tocado quando nossa alma se definha. Era para dizer “sou necessitado de uma graça” (específica).

·        Vivendo cada experiência de fé (fé em fé), O SERVO DO SENHOR, vai se fortalecendo e , assim , completando o que já foi começado. Deus nos dá seu alicerce (sua Palavra; Jesus, a nossa base) e isso é pela graça, mas nós é quem construímos a casa quando atendemos à voz do Espírito Santo e deixamos a Obra ser realizada. Somos apenas “ajudantes”, muitas vezes maus ajudantes. Mas a graça é o bastante! Aleluia!

Terminando,  o texto em II Coríntios diz:  “assim como houve a prontidão de vontade, haja também o cumprimento, segundo o que tendes”.

Essa “prontidão de vontade”, no original é “thelos”, que quer dizer: “determinação”. Interessante que tal termo é constantemente usado também como “algo que foi determinado” ou “essencialmente determinado” (predestinado) a um fim. O Corpo de Cristo  foi predestinado à Vitória, à Herança. Estando nós nesse Corpo, participando dessa graça, crescendo de fé em fé pela obediência ao Espírito Santo (o sangue que circula nesse Corpo), somos co-herdeiros com Cristo (Romanos 8:17) dessa herança espiritual.

Essa Herança espiritual, foi iniciada em nós pela graça, através da fé. Mas por qual veículo ela foi iniciada?Pela Obra do Espírito Santo na vida do crente.

Houve, em um dia quando cremos no Senhor Jesus como nosso Salvador, uma prontidão de vontade. Algo foi iniciado através de nossa fé nessa revelação.

O Senhor nos chamou e nos elegeu para uma Obra determidada à Eternidade.

Essa “prontidão de vontade” também está ligada ao fervor do “primeiro amor”. Do primeiro toque, na qual nos fez, agora, criaturas com o direito de sermos chamados FILHOS de Deus e participantes de uma herança. Estar nessa OBRA é privilégio, não é atoa que ela é chamada “boa obra”.

·        “[...] haja também o cumprimento, segundo o que tendes[...]”

Se houve então a prontidão de vontade, a determinação através do chamado à essa Obra, agora vamos cumprir nossa função segundo aquilo que temos.

Mas, o que temos? O que temos para o Senhor? O que podemos fazer por nós mesmos para realizarmos tão grande Obra? Nada!

Lendo esse trecho de Romanos 8:11, fui lembrado da passagem em Juízes 6:14, onde Deus chama Gideão para realizar (também) uma grande obra para o seu tempo. Gideão chegou a reclamar com o Senhor dizendo: “Eis que minha família é a mais pobre, e eu o menor de minha tribo” (v.15). Mas o Senhor disse anteriormente: “vai nesta tua força”! Que força? Gideão, além de estar decepcionado com tudo que acontecia ali, era realmente muito inferior a outros homens aparentemente capazes para a realização de tão importante obra. Mas Deus tinha uma obra onde os obedientes e humildes de coração (como Davi) serviriam com gratidão e fidelidade.

Mas refaço minha pergunta: O que Gideão tinha? Para esse mundo nada, mas tinha o Senhor. Nessa Obra que hoje o Espírito Santo opera, somos vitoriosos porque estamos no Senhor.

Assim como Gideão, estamos protegendo o nosso alimento, a nossa herança do adversário. O nosso trigo está guardado na rocha, no lagar. Nossa herança, o nosso bem maior está dentro de um projeto profético. Nossa herança não é terrena como a eira, mas profética como o vinho do lagar. Essa era a força de Gideão.

Deus tem chamado um povo como Gideão. Suas estratégias de guerra eram estranhas para o considerado “normal”. Mas nelas estavam o fogo da tocha, estavam o barro  do cântaro (homem) que se quebra dando lugar ao fogo (Espírito Santo). Na obra que Gideão realizava estava a trombeta que tocava em ritmo certo, preparando o exercito para o ataque e para cada movimentação (dons espirituais).

O que temos hoje para ofertar ao Senhor? Nosso trabalho? Nossa intelectualidade e teologia? Meios humanos para alcançar graça? Religião? Não temos nada disso! Somos pobres e necessitados, como disse Davi (um rei). A nossa força é o Senhor! É sua Obra. Nossa força e sucesso está no fato de atentarmos para aquilo que é profético. Isso nos motiva a caminhar, a seguir em frente, a romper, a vencer.

Nosso trabalho não é em vão, nossa obra tem sim uma recompensa. Aleluia!

 

Gabriel Felipe M. Rocha