quarta-feira, 22 de junho de 2011

O CENTURIÃO DE CAFARNAUM


 

Texto base: Lucas 7: 1-7 /Texto complementar: Mateus 8:5-13

O significado de Cafarnaum é : “Aldeia de Naum”

Cafarnaum era uma das grandes cidades da Galiléia, muito próxima à foz do Rio Jordão, onde João Batista costumava fazer suas pregações, convidando o povo ao arrependimento dos pecados.
 E como ficava na estrada comercial que ia da cidade de Damasco ao Mar Mediterrâneo, o governo romano tinha lá uma milícia composta de cem soldados, sob a direção de um comandante.
 Esse comandante tinha o titulo de centurião, justamente porque comandava cem soldados. Pelo que se compreende do trecho que acabamos de ler, logo que o centurião teve conhecimento da entrada de Jesus na cidade de Cafarnaum, sem mais demora fardou-se e foi à procura do Nazareno, e, encontrando-o logo, queixou-se do mal de que sofria o seu Criado: "O meu criado jaz em casa paralítico, padecendo horrivelmente."
 Ora, sendo Cafarnaum uma cidade populosa, de certa importância, a ponto de ser guardada por uma milícia de cem soldados, comandada por um centurião, havia forçosamente alguns médicos ali residentes.
Pelo que diz o Evangelho, podemos nos informar que a moléstia que acometera o criado do Centurião era paralisia e, tal paralisia, ocasionava grandes sofrimentos. Sabemos ainda mais que a moléstia do homem era grave e que esse servo do centurião, segundo afirma Lucas que era médico, estava até moribundo, na agonia. Bem, às portas da morte, é impossível que o centurião, uma pessoa de recursos e que muito estimava o seu servo, não houvesse chamado médicos para tratá-lo!
O doente não podia ter ficado até aquele momento sem medicação, embora a medicação não lhe tivesse dado melhoras.
 Provavelmente desanimado com o tratamento da Ciência daquele tempo, o centurião, homem instruído, sabendo das curas que Jesus havia operado, pois, pouco antes de entrar em Cafarnaum, o Mestre tinha curado um leproso, deliberou valer-se do Grande Médico Espiritual para curar o servo.
E sabiamente agiu o centurião, porque seu pedido foi recebido com toda a consideração:
“Eu irei curá-lo", disse Jesus. Admirável frase esta: "Eu irei curá-lo"!
Antes de mais nada , inicio esta mensagem dizendo que : Tudo que o Senhor tem feito e fará por nós, não se deu e nem se dará por causa de nossa posição, cultura, posse e religiosidade ,mas, pela sua vontade soberana. Deus, na eternidade decidiu dar uma benção para o homem. Ele decidiu te dar uma benção, benção essa soberana e incondicional.
No início, a importante cidade de Cafarnaum era apenas uma aldeia “ Aldeia de Naum”, no qual é o significado do nome.
· O homem, por causa da raiz de pecado existente em si, tem, com o passar do tempo, perdido a sua humildade perante Deus e, se afastado de sua origem (a vida eterna). O homem, em meio às várias filosofias, ciências e armazenamento de razão, tem “crescido”, abrindo mão de seu estágio original. Nega qualquer vinculo de dependência com o Criador.
· A aldeia era extremamente dependente das cidades ao redor. Mas, o homem, não quis ser dependente de Deus, mas quis andar sozinho, sozinho para a morte. Ali havia os próprios recursos. O homem tem confiado em si.
· NAUM significa : “compassivo”; “consolação” – O homem na aldeia, ou seja, na dependência desse Deus maravilhoso tem gozado de consolação. Por ser dependente, o Consolador Espírito Santo tem guiado e levado o homem fiel a caminhos e “passos verdejantes”. Mas a aldeia se coloca também como a situação do ser humano sem Deus: rodeado, cercado pelos recursos dessa vida, porém sempre pobre (sem nada para Deus).
A humanidade tem negado a Graça de Deus, o amor revelado ao homem. “quem se compadeceria de ti” (Jr 15:5) Mas , Deus se mostra compassivo em meio a “Aldeia” de nossa existência . Nesse texto que citei em Jeremias, pergunta-se: “Quem se compadeceria?” A resposta para essa e outras varias perguntas que temos em meio às duvidas e dificuldades é certa e única : Jesus !
· Na medida que o homem cresceu em razão e perdeu a revelação, não quis mais o consolo, a presença, a paz verdadeira em sua vida. Preferiu a correria, a facilidade, à porta da Grande Cafarnaum. Em busca de tais prazeres existentes, o homem deixa o profético e ama o presente século .
· Era próxima ao rio Jordão - A benção está próxima (...perto está o Senhor dos que o invocam...) . O homem vive sedento, mas a água está sempre proxima. Faço menção aqui daquele homem, Naamã, chefe do exercito sírio que recebera uma ordem “lava-te no Jordão”, mas, de início, recusara, pois, o Jordão era um rio simples se comparado aos rios de Damasco. O homem quer a bençao, necessita dela, mas tem visto a benção condicionada a homens, aparência, vive numa fé materialista.
· Interessante mencionar Damasco aqui, pois Cafarnaum ficava geograficamente na estrada que ligava à Damasco.
O homem tem a tendência, já desde o inicio, a ir segundo sua vista, e sua circunstancia.
Para o homem sem Deus, o Jordão (Jesus) não é suficiente, mas os rios de Damasco sim. As aparências sim, o materialismo sim. “...duro para nós é esse discurso...” O homem acha difícil , mesmo estando perto, usufruir das vantagens do “Jordão”.
Aprofundando no Texto:
O centurião quis uma benção. Tal benção era a cura de seu servo.
Aquele Centurião era um homem nobre, tinha vários servos consigo, mas a palavra diz que “ele muito estimava” aquele servo. No original, estimar está ligado a amor, ligação à alma de alguém.
Amar o servo era uma atitude totalmente diferente do contexto de onde ele morava (Cafarnaum). Pois, seu lugar amava o recurso, o dinheiro, era um lugar numa posição geográfica bem sucedida e estratégica.
Talvez sem imaginar, esse centurião estava agindo dentro de um plano profético.
Que plano era esse? Jesus, o servo. Jesus, sabemos bem, tem quatro importantes e proféticas características : Rei, Homem perfeito, Deus e Servo. Em seu ministério estava atuando como o servo, a própria salvação sendo entregue de bandeja para a humanidade. Jesus tem toda a característica de Servo, estava inteiramente dentro do contexto do servo do centurião, pois Ele ao se entregar disse “está consumado, que no grego é a mesma frase dita por um servo depois de terminar um serviço ao seu senhor (τελεω – teleo). Jesus, inclusive, é o maior exemplo de como ser um obreiro.
Sendo aquela cidade rica em recursos, o centurião tinha ali médicos à disposição, ainda mais sendo ele um homem de recursos próprios.
Mas não teve jeito para sua situação.
Qual homem, confiante em seus recursos, é digno de ser chamado sábio? Mas a palavra chama de loucos os que confiam em si próprios.
O amor pelo servo, também é, um ato de humilhação. Se compadecendo daquele servo ali, o nobre centurião estava dizendo à sociedade: Sou como ele, ele é como eu.
E aí está a primeira atitude para se receber de Deus uma benção. Reconhecer-se servo, humilde e necessitado.
· v-3 “ouvindo falar de Jesus” – experiência. Paulo quando ouviu a voz de Jesus, jamais confiou em seus recursos teológicos e, talvez, materiais.
· Interessante que, ele usou todos os seus recursos, depois quando não havia mais jeito, procurou Jesus. Nós temos essa tendência. Lutamos com nossas forças e, às vezes buscamos ao Senhor em meio às dificuldades, quando não dá mais.
· A partir do versículo três, começa a mudança na vida daquele homem.
Jesus acabara de concluir suas palavras no famoso Sermão da Montanha e, ao descer , vai à Cafarnaum.
O Senhor tem feito isso. Tem descido, tem olhado para baixo (para o homem), para a pequenez nossa e, vindo ao encontro de nossa “aldeia”, nosso coração. Ele vem dar consolação, pois é um Deus compassivo, tal como o nome da aldeia “Cafarnaum”, nós precisamos de consolação, nossa alma anseia todo o momento por paz verdadeira que só Jesus pode dar.
A atitude de quem quer uma benção
· v 3 – “enviou – lhe uns anciãos dos judeus”. Porque enviou os anciãos que ali estavam com ele? “porque ouviu falar de Jesus”.
Anciãos no Velho Testamento = reverenciados ; homens de bom conselho; ocupavam um papel importante dentro do sistema religioso israelense; respeitados e dignos .
Estavam perto do centurião naquele momento. Podemos imaginar aqueles anciãos e seus bons conselhos fundamentados na lei, na letra, na razão. Talvez pudessem ter dito baseando nos conceitos religiosos e preconceituosos: “está doente para morte, certamente pecou em algo...”( apenas uma conjectura ).
A religião hoje não oferece nada naquilo que nossa alma anseia.
Como aqueles anciãos, o sistema religioso e, o próprio cristianismo está VELHO, perdendo a visão espiritual, saindo do profético. O conselho do homem é baseado naquilo que é para essa vida, pois é terreno e limitado. E sua alma? Quer isso? Ou quer aquilo que é VIVO? Aquilo que pode mesmo a alimentar, o ETERNO, a presença de um conselho vivo, pelo Espírito Santo de Deus.
No Novo Testamento, os anciãos não eram mais como os daqueles tempos descritos em varias passagens bíblicas. Os do N.T. eram já influenciados pelo sistema atual e regente ali. Apegados em posições de destaque, vaidade social e dinheiro.
Você vê o “evangelho” de hoje em dia da mesma forma. Homens, pastores amantes do dinheiro; usam os recursos dessa vida, deste mundo para manterem de pé suas igrejas; estão mesclando a mensagem da cruz com fragmentos deste mundo e, até mesmo, aceitando o pecado. Matando o profético.
· o sentimento daquele centurião era pelo servo. Sua alma estava voltada à vida daquele servo. Servo – um projeto que Deus planejara . dando mais tarde seu Filho para servir, se dar por nós.
Olhe bem, tudo caminhava para um campo profético. O centurião amava o servo. O Senhor se deu pelo servo e, manifestou um sentimento ainda maior em relação a Senhor e servo, chamou os seus de amigos . “Já não vos chamo mais servos.....mas, amigos”. Jesus queria ensinar algo na situação que envolvia o centurião.
Deus tem, nesta hora, ainda servido o homem com a salvação . Quem tem dado credito. Quem tem dado o credito necessário como aquele centurião deu ao seu servo?
· Uma coisa interessante nessa passagem: O homem enviou os anciãos para chamar Jesus. Ou seja: ele apartou de si os velhos anciãos religiosos e vaidosos e, quis ter consigo Jesus.
A nossa benção está em: Deixar, apartar de nossa razão religiosa e se fazer como um servo. Deixar tudo que temos; abandonar todas as paixões seculares para ter apenas um, e o mais necessário: JESUS.
Vão os anciãos e venha Jesus! Que vá toda a religiosidade que aprisiona e venha a Verdade que liberta.
Vão os anciãos (letra que mata) e venha Jesus (palavra que vivifica).
· V- 6 - Mas quando Jesus estava já perto de sua casa. Ele já não mandou ir ter com Jesus os anciãos, mas, enviou a Jesus os seus amigos.
1º ato para benção chegar: sair do comodismo religioso, humano, social, etc. Sair, enfim da razão; reconhecer o projeto, enviar, deixar para Jesus (em seu altar) nossos problemas (anciãos) – largar a mentalidade velha.
2º Estar disposto a dar credito: “enviou os amigos” – Amigo –derivado de amor- oferecer o melhor: seu coração; deixar no altar aquilo que você ama... Enviar a Jesus sua causa. Enviar ao Senhor sua oração, se colocando (em entrega) diante dele.
· “amigos” – no plural. Vários. Nesse mundo, ou, em nossas vidas temos vários apegos, vários desejos em nossos corações. Mas um apenas é necessário e superior a tudo : Jesus. Que vão os amigos, mas que venha Jesus.
· “não sou digno” – reconhecer o pecado; nossa condição. Ser centurião era ser parte do sistema rígido e pesado de Roma sobre aquela sociedade. E nós? E nossa ligação com o pecado? O sentimento certo perante Deus é esse: “não sou digno”. Mas pela graça, justificados.
· “sou homem de autoridade” – Com essa afirmação de FÉ, ele entrou no Ciclo espiritual; incomodou; mexeu no profético. Pois o Verbo, a palavra, a autoridade na Eternidade como a voz do Pai é Jesus, o próprio que estava ali.
Enfim, ele tinha um pedido especifico e definitivo. Queria a Palavra daquele que tinha a autoridade naquele momento.
Às vezes, o que pode estar faltando para sua vida, para seu ministério, para tudo que te envolve é: Uma palavra de autoridade, pelo Espírito.
O coração do homem, o seu coração, deve estar assim: “fala, Senhor”! Na medida em que formos reconhecendo essa voz como a voz soberana e eficaz para transformar nosso ser e nossa volta, estamos já gozando de uma benção sem medida .
“... para quem iremos nós? Só tu tens as palavras de vida eterna...”
Gabriel Felipe

4 comentários:

ATELIER CORES E FORMAS disse...

LINDA MENSAGEM,AMEI. QUE JESUS TE ABENÇOE HOJE E SEMPRE.BJUS FÁTIMA

Gabriel disse...

APDSJ a todos !!!! Apenas quero aqui contribuir com uma informação adicional. quando aquele centurião amou o servo , ele, em seu sentimento quis mostrar que : sua vida era como a dele ....dependente da mesma forma , e da mesma misericordia. Quero aqui dar enfase para um detalhe . Amar o servo ali foi algo profetico e inteiramente ligado às nossas vidas hoje perante o Senhor e sua OBRA Redentora, pois, nossa atitude deve ser como tal , colocando-se como servos. Servo , muitas vezes ligado a uma divida ao Senhor. Nossa posição perante Deus deve ser única num sentido : reconhecermos sempre que : SOMOS DEVEDORES, e tal dívida jamais será paga, pois fomos comprados com o sangue do que Deus tinha de mais maravilhoso em sua Eternidade, Jesus. Quando uma dívida é definitivamente sanada ? Morrendo !!! Como podemos ''tentar'' oagar tal dívida ? Fazendo como aquele Centurião. Morrendo para seus valores materiais, sociais e terrenos e REVIVENDO PARA A GRAÇA DE DEUS, PARA UM NOVO CAMINHO EM JESUS....andando no plano de Deus...no profetico. Que Deus abençoe você.

Anônimo disse...

Muito bom meu filho. Bonita mensagem.Saber que somos servos devedores e que a cada dia a nossa dívida aumenta diante do Senhor é um gozo para nós, pois sabemos que o nosso galardão no céu é maior que qualquer riqueza aqui na terra. Altivo

Anônimo disse...

Bacana meu querido !!! Gostei mais da parte geografica que vc trouxe. PARABENS !!!!!!!