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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Desejos do Homem e Novo Nascimento

Desejos do Homem e Novo Nascimento
João 3:16  


“Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vocês, para abençoá-los, convertendo cada um de vocês das suas maldades” (Atos 3:26).

“Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado dos céus” (João 3:27) .


Frequentemente me pego debatendo com cristãos que acreditam que homem e Deus têm papéis iguais na regeneração (sinergistas) e que nossa escolha é o sine qua non do novo nascimento. Eles argumentam que Deus dá a todos a graça preveniente, mas o homem pode exercer seu livre-arbítrio autônomo para fazer a graça eficaz. Estes cristãos ensinam que o homem escolhe a Cristo apesar de seus desejos e isso é o que faz sua vontade livre. Escolher algo diferente de seus desejos constitui verdadeira liberdade para eles, já que a liberdade está acima e é independente de todas as outras influências. Mas é isto o que a Bíblia ensina?

O primeiro alvo deste texto é provar pelas Escrituras que nós sempre escolhemos o que nós queremos (desejamos) mais e que isso é baseado em nossa natureza. Nós escolhemos alguma coisa porque nós a desejamos. Em outras palavras, nós acreditamos em Jesus porque nosso desejo por Cristo se torna maior que nosso desejo pelo pecado. O segundo alvo é explorar de onde esse desejo vem. Ele vem de nossa natureza degenerada (como os sinergistas crêem) ou ele é um dom incondicional de Deus? Meus amigos sinergistas dizem que, utilizando a graça de Deus, apesar de nossos desejos, nossa vontade autônoma definitivamente determinará nosso destino final. Eu argumentarei porque essa posição é fatal para seu sistema teológico inteiro.

Nós Escolhemos O Que Nós Desejamos Mais

Vamos começar com alguns textos bíblicos que ensinam que nossa natureza determina nossos desejos e nossos desejos determinam nossas escolhas. Cristo diz:
“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45).

O que Jesus diz aqui é claro – a água não corre contra a correnteza. Nossa decisão de dizer algo bom ou ruim é somente determinada pela condição de nosso coração. Há uma grande evidência para o mesmo conceito em Mateus 7:18.
“A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons”.
Aqui, Jesus está ensinando que é a natureza da árvore que determina o que virá dela. Somente aquele que tem uma boa natureza é capaz de criar um pensamento correto, gerar uma afeição correta, ou originar uma volição correta. Jesus martela novamente o mesmo conceito nos judeus incrédulos, quando discute se eles são ou não descendentes de Abraão:
“Por que a minha linguagem não é clara para vocês? Porque são incapazes de ouvir o que eu digo. Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira (...) Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz. Vocês não o ouvem porque não pertencem a Deus”. (João 8:43,44,47)
Na passagem acima, os judeus não puderam ouvir a palavra de Deus porque eles pertenciam ao diabo (suas naturezas) e isso aumentou suas vontades de fazer o que desejavam. Suas naturezas os tornaram moralmente impotentes para ouvir as palavras de Jesus. Mais tarde, Jesus ensina que antes de alguém ouvir as palavras de Deus, ele deve ser de Deus. Em outras palavras, uma pessoa não entenderá o evangelho enquanto permanecer em seu estado não regenerado e decaído.
Deus Exige Perfeição
Na história do jovem rico, Jesus o ensina que se ele obedecer todos os mandamentos, ele terá a vida eterna. Todos nós sabemos que esta história foi contada para expor nossa inabilidade de cumprir tudo isso. Mas o jovem (equivocadamente) confiava que ele guardou tudo desde sua juventude. Jesus, conhecendo seu coração e onde ele vacilaria, ordena que o rapaz venda todas suas posses, dê aos pobres e o siga. Em outras palavras, Jesus lhe disse que o arrependimento de sua ganância e a fé em Cristo eram onde ele ainda falhava. Mas ele se afastou entristecido. Jesus então diz a seus discípulos que é mais difícil que um homem rico entre no Paraíso que um camelo passar por um buraco de agulha. “Quem então poderá ser salvo?”, os discípulos perguntam, sabendo que Jesus está dizendo que o caminho para o céu está fechado a todos os homens – um padrão santo que ninguém poderia alcançar. A resposta que Jesus dá é “Para o homem é impossível (arrependimento e fé), mas para Deus todas as coisas são possíveis”. A natureza do jovem não poderia se colocar acima de seus desejos e Jesus diz que isso é impossível para todos os homens. Apenas Deus tem a capacidade de fazer isto. A Bíblia é recheada com exemplos assim. É realmente um mito que o homem em seu estado natural está genuinamente buscando a Deus. Homens podem procurar um deus, mas eles não procuram o verdadeiro Deus, revelado nas Escrituras. Exceto pelo novo nascimento, ninguém vem à luz do verdadeiro Deus, mas suprimi a verdade pela injustiça.
A Bíblia, por esta razão, ensina além de qualquer dúvida que nós agimos ou escolhemos de acordo com nosso maior desejo, que é baseado é nossa natureza. Jesus como notou acima, ensina que é impossível ser de outra forma. Mais ainda, como uma consequência da morte física de Adão e seus descendentes (Gn 2:17) existem muitos outros problemas com a natureza do homem em seu estado decaído, incluindo sua incapacidade de entender Deus (Salmos 50:21; Jó 11:7,8; Rm 3:11); ver coisas espirituais (Jo 3:3); conhecer seu próprio coração (Jr 17:9); direcionar os próprios passos no caminho da vida (Jr 10:23; Pv 14:12); libertar a si mesmo da maldição da Lei (Gl 3:10); receber o Espírito Santo (Jo 14:17); nascer por si só na família de Deus (Jo 1:13; Rm 9:15,16); produzir arrependimento e fé em Jesus Cristo (Ef 2:8,9; Jo 6:64.65; 2 Ts 3:2; Fp 1:29; 2 Tm 2:25); ir a Cristo (Jo 10:26; Jo 6:44); e agradar a Deus (Rm 8:5,8,9). Estas consequências da desobediência de Adão em seus descendentes são o que os teólogos frequentemente se referem como a total depravação do homem. Sem uma mudança de disposição, o amor de Deus e Sua lei não são a mais profunda motivação e princípio do homem natural.

O Que Tudo Isso Tem a Ver com João 3:16?

Sinergistas frequentemente me dizem: “Predestinacionistas acreditam em um Deus que requer mais do que Ele capacita ou permite os homens alcançarem. Este é o tipo de Deus em quem eles acreditam”. Nisto eles estão parcialmente corretos, mas a falha está no homem, não em Deus... porque a natureza de Deus nunca mudou, mas a nossa muda. A Lei de Deus é perfeita porque Ele é perfeito. Ele não pode diminuir Seus padrões por nós ou Ele não mais seria Deus. Por esta razão, Deus teve um propósito específico em exigir perfeição moral em nós e isso inclui o mandamento de crer em Cristo.
Declarações bíblicas como “se tu o buscares” e “todo aquele que nele crer” como em João 3:16 estão num modo hipotético. Um gramático explicaria que há uma declaração condicional, que não expressa nada de forma indicativa. Nesta passagem o que nós “deveríamos” fazer não implica necessariamente que nós “podemos” fazer. Os dez mandamentos, da mesma forma, falam do que nós deveríamos fazer mas eles não implicam que nós temos a habilidade moral de cumpri-los. Os mandamentos de Deus nunca serviram para nos fortalecer, mas para arrancar nossa confiança em nossas próprias capacidades de tal forma que seria o fim de nós mesmos. Com uma clareza pungente, Paulo ensina que este é o intento da legislação divina (Rm 3:20, 5:20; Gl 3:19,24). Se alguém está tentado a argumentar que essa crença é meramente um convite, e não um mandamento, leia 1 João 3:23: “E este é o seu mandamento: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo...”. Então, eu creio que aqueles que sustentam a idéia de que Deus ordena aos homens decaídos e não regenerados a fazerem algo que já são capazes de fazê-lo estão impondo uma teoria antibíblica no texto. Um mandamento ou convite com uma afirmação abertamente hipotética, como João 3:16 faz não implica na capacidade de cumpri-lo. Isto é especialmente verdadeiro à luz de textos como Jo 1:13, Rm 9:16, Jo 6:37, 44, 63-65, Mt 5:16-16, 1 Co 2:14 e muitos outros que mostram a incapacidade moral do homem no estado decaído em crer no Evangelho. Em nossa natureza não regenerada nós não podemos fazer nada a não ser amar as trevas e nunca nos aproximarmos da luz.
Na Cruz Deus Nos Dá o que Ele Exige de Nós
Como isso pode ser boa-nova se os homens nunca se encontrarão naturalmente desejando se submeter em fé aos humilhantes termos do Evangelho de Cristo? (Rm 3:11; Jo 6:64,65; 2 Ts 3:2). Porque Deus nos deu graciosamente o que Ele exige de nós. No evangelho, Deus nos revela a mesma justiça e fé que Ele exige de nós. O que nós deveríamos ter, mas não poderíamos criar ou alcançar ou cumprir, Deus nos garante livremente, como é chamada, a justiça de Deus (2 Co 5:21) e a fé de Cristo. Ele revela, como um dom em Cristo Jesus, a fé e a justiça que antes era somente uma exigência. Fé não é algo com que o pecador contribui para pagar o preço de Sua salvação. Jesus já pagou todo o preço por nós. Fé é nosso primeiro fôlego na respiração de nosso novo nascimento, antes de falar. É uma testemunha da obra da graça de Deus que tomou seu lugar dentro de nós (Ef 2:5,8; 2 Tm 2:25).
Romanos 3:11,12 diz “não há ninguém que busque a Deus, ninguém” e 1 Co 2:14 diz que o homem natural não consegue entender as coisas do Espírito, que são loucura para ele e não é possível que sejam aceitas porque devem ser discernidas espiritualmente. Mesmo Pedro teve de ser revelado pelo Pai que Jesus era o Cristo. Os arminianos e nós concordamos que “todo aquele que crer” tem a vida eterna, mas a questão vai além disso – o que leva alguém a crer?

C.H. Spurgeon, em seu sermão Incapacidade Humana expõe isso com grande clareza:
"Oh", diz o Arminiano, "os homens podem serem salvos se quiserem." Nós replicamos: "Meu querido senhor, todos nós cremos nisto; mas é precisamente no se eles quiserem onde está a dificuldade. Afirmamos que ninguém quer vir a Cristo, a menos que ele seja trazido; pelo contrário, nós não afirmamos isto, mas o próprio Cristo o declara: "Mas não quereis vir a mim para terdes vida"; e enquanto este "não quereis" permanecer registrado na Santa Escritura, não seremos inclinados a crer em qualquer doutrina da liberdade da vontade humana. É estranho como as pessoas, quando falam sobre o livre-arbítrio, discutem de coisas que eles não tem nenhum entendimento. "Ora", diz alguém, "eu creio que os homens podem ser salvos se eles quiserem." Meu querido senhor, de modo algum é esta a questão. A questão é: os homens alguma vez são encontrados naturalmente dispostos a submeterem-se aos termos humilhantes do evangelho de Cristo? Declaramos, sob a autoridade das Escrituras, que o homem está tão desesperadamente em ruína, tão depravado, e tão inclinado a tudo o que é mal, e tão oposto a tudo o que é bom, que sem a poderosa, sobrenatural e irresistível influência do Espírito Santo, nenhum ser humano quererá jamais ser constrangido para Cristo. Você replica, que os homens algumas vezes estão desejosos, sem a ajuda do Espírito Santo. Eu respondo: Você encontrou alguma vez alguma pessoa que estivesse?

Eu argumentaria que este é o porquê de Jesus enfatizar o novo nascimento durante toda a passagem de João 3. Nicodemos não podia entender a linguagem de Jesus: “O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito”. Assim como somos passivos em nosso nascimento físico, também no nascimento espiritual o somos. Nós não participamos ativamente de qualquer nascimento com nossos esforços. O Espírito é semelhante ao vento nesta passagem, que não se sabe se está indo ou vindo – assim é todo aquele nascido em espírito. O trabalho do Espírito é soberano e sobrenatural. Assim como um cego não enxergará se você lançar uma luz nos seus olhos, ordenando a ele tudo que você quiser. Não é de luz que ele precisa, mas de um novo par de olhos. É assim que o novo nascimento parece. Antes da regeneração, Satanás nos tornou cativos de sua vontade. Ele nos cegou para a verdade. Nós devemos ser libertos de nossos próprios desejos e o cativo somente é completamente livre pelo dedo de Deus através do trabalho final de Cristo.
Em João 3:19-20, no mesmo contexto de 3:16 (três versos depois), Jesus qualifica Seu “todo aquele que crê” com a seguinte afirmação: “Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas”. (Isto é para todos nós anterior à regeneração)
Mas todos nós sabemos que alguns virão para a luz. Leia o que João 3:20-21 diz sobre eles. “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus”. Então, veja que existe aqueles que vêm para a luz; e suas obras são o trabalho de Deus. “Feitas em Deus” significa trabalhado em e por Deus. A não ser pelo gracioso trabalho divino de regeneração, todos os homens odeia a luz de Deus e não irão até ela.

Ao invés de balançar nossas cabeças para o versículo que se encaixa em nosso sistema particular de teologia, nós devemos interpretar escritura com escritura, especialmente no contexto da passagem. Agora que nós vimos João 3 por completo, o verdadeiro significado do texto se torna claro. João 1:10-12 é também um dos favoritos dos sinergistas quando anunciam o evangelho:

“Ele estava no mundo, e o embora mundo tenha sido feito por intermédio dele, o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”.

Grande passagem, eu também adoro usar estes versos, mas nós não podemos parar aqui. Nós precisamos reconhecer que devemos adicionar a qualidade do verso 13:
“os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (João 1:13).
Eu estranho muitos deixarem esse versículo de fora de sua evangelização: todos os versículos caminham juntos. Isso repete um tema constante nas Escrituras: que nós somos ordenados a nos arrepender e crer no evangelho, mas adicionalmente, que nós somos moralmente incapazes de fazer tanto sem o eficaz trabalho do Espírito Santo. A oferta de “todo aquele que nele crer” é para todos os homens e verdadeiramente oferecido a todos os homens, mas nenhum homem natural deseja a Deus. TODOS rejeitam este dom, mas o que nós não podemos fazer por nós mesmos, Deus faz por nós. Aqueles que vêm a Deus dão glórias a Ele porque Ele tem preparado seu coração, dando-lhes um desejo por Cristo que é maior que o desejo de permanecer no pecado. Isto é o que Ele fez por Lídia através da pregação de Paulo, no livro de Atos: “O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo”. O que aconteceu a Lídia é o que acontece a todo aquele que vem para a fé em Cristo. Se o Senhor abrir nosso coração, nós desejaremos crer, e nenhuma resistência existe, porque nós não desejaremos resistir. Nossas novas naturezas vivificadas pelo Espírito Santo têm novos desejos e disposições, que não poderíamos produzir por nós mesmos. Se o Senhor abriu o coração de Lídia para ela atender à mensagem e ela resistisse, isto seria uma afirmação contraditória. Note que Deus abriu seu coração para “atender à mensagem”. Se Deus desarmou a hostilidade de Lídia de forma que ela creria, então não deveria haver mais debates de como Ele faz com todos aqueles que têm fé. Apesar do fato de nós termos uma crença real em nós mesmos, pelo esquema sinergista, no entanto, o homem volta sua afeição e fé para Deus enquanto ainda está em sua caída e degenerada condição de coração petrificado. Mas o homem deve primeiro ter uma nova natureza para crer – ou seja, a Escritura ensina que o homem sem o Espírito não deseja, entende, tampouco é capaz de obedecer ou se voltar a Deus (1 Co 2:14, Rm 8:7, Rm 3:11). Se nós iremos acreditar, Deus deve primeiramente transformar nosso coração de pedra em um coração de carne:

“Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis” (Ezequiel 36:26,27).

Os sinergistas acreditam que o grande desejo por fé, pelo qual nós creremos no Deus que justifica pecadores, pertence a nós por natureza e não por um dom da graça, que está, pela inspiração do Espírito Santo, aumentando nossa vontade e tirando ela da descrença para fé e da falta de Deus para Deus. Mas o Apóstolo Paulo diz: “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1:6). E novamente, “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Ef 2:8). Pior ainda, os sinergistas ensinam que Deus tem misericórdia de nós quando, a partir da graça regeneradora, nós acreditamos, queremos e desejamos, mas não confessam que é através do trabalho e inspiração do Espírito Santo em nós que teremos a fé, a vontade ou força para fazer todas estas coisas. Se eles fazem a ajuda da graça depender de nossa humildade ou obediência, mas não concordam que é um dom da própria graça que nós sejamos obedientes e humildes, eles contradizem a Bíblia, que diz 

“O que você tem que não tenha recebido?” (1 Co 4:7) e “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou” (1 Co 15:10).

Então vamos perguntar a nossos amigos sinergistas porque um homem crê e outro não?
Pelo esquema arminiano, Deus dá ao homem graça suficiente para colocá-lo numa posição de decidir por si mesmo se irá ou não crer. Então um homem será mais inteligente, mais sábio e mais humilde? Se este fosse o caso, Deus nos salvaria com base na personalidade gerada por nós mesmos e não pela graça. Pergunte a eles como seus olhos se voltaram a Deus. Um homem usa a graça dada a ele e outro não. O que no homem determina sua escolha e por quê? Isso nos deixa com salvação pelo mérito, desde que um homem que tem pensamentos e afeições por Deus O escolhe enquanto o outro não. Não já provamos que as Escrituras ensinam que fazemos nossas escolhas baseados no que mais desejamos? Onde o homem conseguiu sabedoria e inclinação a Deus, enquanto o outro permaneceu endurecido? Como um homem criou um pensamento reto, afeição reta, ou originou volição reta? Se não veio de seus desejos, então veio de onde? As escolhas são baseadas no que nós somos. Um homem natural nunca escolheria a Deus por si mesmo sem a graça regeneradora. Então Deus sobrenaturalmente enxerta a obra regeneradora do espírito ao despertar a fé de Seus eleitos.

Então, porque alguns homens rejeitam a Deus?

Resposta muito simples: Porque eles são malignos. “Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar” (2 Ts 2:10). Eles odeiam a Deus e não O querem, como toda pessoa sem o Espírito. Cristo diz “vocês não creem, porque não são minhas ovelhas”. Jesus claramente mostra que a natureza da pessoa determina as escolhas que faz. Ele não diz “vocês não creem, por isso não são minhas ovelhas” . Não, Ele diz “vocês não são minhas ovelhas, (POR ISSO) vocês não creem”. A Bíblia afirma claramente porque alguns creem e outros não. Nossa natureza determina nossas escolhas. Descrença é consequência da maldade, segundo as Escrituras. Crer é consequência da misericordiosa mudança na disposição do coração (em direção a Deus) através da rápida ação do Espírito Santo. O esquema sinergista deixa cada pessoa decidir por elas mesmas enquanto ainda estão em sua natureza decaída. O homem em seu estado não regenerado decide baseado em um princípio dentro dele. Nossa vontade por si só não é autônoma, mas controlada por quem somos naturalmente. Nós nunca escolhemos o que nós não queremos ou odiamos. Em nosso estado não regenerado nós ainda somos hostis para com Deus, amamos as trevas e somos cegos pelo diabo, tomados cativos para fazer a vontade dele, e não desejamos ou queremos coisas espirituais.

Se a graça preveniente dos arminianos somente faz o coração neutro, como eles admitem, então o homem não é motivado nem desmotivado para crer ou descrer – consequentemente a única opção é pelo acaso que alguém creia ou não. Eles irão argumentar ardentemente contra isso mas não encontrarão outra alternativa bíblica. Nossa escolha, qual seja, é baseada em nosso caráter interior, não pelo acaso. Um homem escolhe e o outro não, porque um foi renovado pelo gracioso trabalho de Deus. Apenas isso dá toda glória a Deus pela salvação.

“O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida. Contudo, há alguns de vocês que não creem” (...) E prosseguiu: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai” (João 6:63-65).

Concluindo, minha oração é que a igreja do século XXI finalmente aprenda a doutrina “somente pela graça” corretamente. Oh! Que nós entendamos a pobreza da condição do homem perdido e a glória da misericórdia e graça divinas, e que não nos preocupemos em proclamá-las. Acredito que percorreremos um longo caminho parar criarmos uma postura de adoração que dê completa honra a Deus, em que Seu povo terá pensamentos corretos sobre Ele e alcançará um estágio de verdadeiro reavivamento. Esta tem sido uma longa batalha desenhada através da História da igreja (Agostinho/Pelágio, Lutero/Erasmo, Calvino/Armínio, Wesley/Whitefield) mas eu permaneço muito otimista quanto ao futuro crescimento do reino de Deus.



Fonte: Os Bereanos

domingo, 7 de junho de 2015

O problema do ensino da graça preveniente

O problema do ensino da graça preveniente

SÍNTESE CRISTÃ

Refletindo sobre a Escritura, a fé e a conduta cristã!

Por Sam Storms
Porque os arminianos wesleyanos afirmam a eleição condicional, enquanto os calvinistas afirmam que a eleição é incondicional? A resposta é a graça preveniente. De acordo com essa doutrina, em uma ação sobrenatural de graça e misericórdia, Deus restaura a todos os seres humanos o livre-arbítrio perdido na queda de Adão. A graça preveniente proporciona às pessoas a capacidade de escolher ou rejeitar Deus.
A graça preveniente apenas possibilita a fé salvadora, mas é o próprio indivíduo que faz com que ela seja real. Então, ainda precisamos perguntar: “Quem, em última análise, é responsável por uma pessoa vir a ter fé e outra não?”. No sistema arminiano, a resposta é a própria pessoa, e não Deus.
O arminiano sustenta que Deus prevê tanto que alguns crerão quanto que outros não crerão em Cristo em resposta ao Evangelho. Ele também afirma que Deus sabe por que eles respondem com crença ou descrença, pois Deus é onisciente e conhece os segredos e as motivações internas do coração. Deus também conhece aquilo que, na apresentação do Evangelho, terá êxito em convencer alguns a dizer “sim” e o que não terá êxito em persuadir aqueles que dizem “não”.
A pergunta, então, é: se Deus realmente deseja que todos sejam salvos como sustenta o arminiano, e se Ele sabe o que entre os meios de persuasão contidos no Evangelho podem levar as pessoas a responderem “sim”, por que Ele não orquestra a apresentação do Evangelho de tal maneira que ela tenha êxito em convencer todas as pessoas a crerem? Não há dúvidas de que o Deus que conhece perfeitamente cada coração humano é capaz de criar um mundo no qual o Evangelho teria êxito em todos os casos. E se Deus desejou que todos sejam salvos da maneira como o arminiano sustenta, por que não levou todos eles a salvação?
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Extraído do livro Escolhidos: Uma Exposição da Doutrina da Eleição.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O Calvinismo segundo Entendo

SÍNTESE CRISTÃ

Refletindo sobre a Escritura, a fé e a conduta cristã!

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Calvinistas estão entre as tradições religiosas mais mal compreendidas da história da Igreja. Sei perfeitamente que alguns deles fizeram por merecer. Há calvinistas que defendem suas convicções sem caridade, gentileza e sensibilidade para com quem diverge. Outros, não conseguem ouvir quem não seja calvinista. Não considero essas atitudes como intrínsecas ao calvinismo. As pessoas são assim porque lhes faltam domínio próprio e humildade, e não porque são calvinistas. Não há nada no calvinismo que exija que calvinistas sejam rudes, intransigentes, mal educados, excessivamente críticos e arrogantes.
Boa parte das acusações que têm sido feitas aos calvinistas, além de serem generalizações injustas, parecem proceder de uma falta de conhecimento adequado do que os calvinistas realmente acreditam. Como não falo por todos, vou dizer o que eu penso sobre alguns desses pontos mais polêmicos.
Para começar, o calvinismo não é um bloco monolítico. Há várias correntes dentro dele. Todas se vêem como legítimas herdeiras do legado de João Calvino, desde presbiterianos liberais até puritanos modernos. Considero-me um calvinista dentro da tradição teológica que elaborou e até hoje mantém a Confissão de Fé de Westminster, muito similar às demais confissões reformadas dos batistas, congregacionais, episcopais e reformados.
1 – Creio que Deus predestinou tudo o que acontece, mas não sou determinista. O Deus que determinou todas as coisas é um Deus pessoal, inteligente, que traçou seus planos infalíveis levando em conta a responsabilidade moral de suas criaturas. Ele não é uma força impessoal, como o destino. Não creio que os atos da vontade e da liberdade humanas sejam mera ilusão e que nossa sensação de liberdade ao cometê-los seja uma farsa, como o determinismo sugere. Eu acredito que as nossas decisões e escolhas são bem reais e que fazem a diferença. Elas não são uma brincadeira de mau gosto da parte de Deus. Os hipercalvinistas são deterministas quando negam a responsabilidade humana ou pregam a passividade dos cristãos diante de um futuro inexorável. Por desconhecer essa distinção, muitos pensam que todos os calvinistas são deterministas e que eles vêem o homem como um mero autômato.
2 – Creio que Deus é absolutamente soberano e onisciente sem que isso, contudo, anule a responsabilidade do homem diante dele. Para mim, isso é um mistério sem solução debaixo do sol. Não sei como Deus consegue ser soberano sem que a vontade de suas criaturas seja violentada. Apesar disto, convivo diariamente com essas duas verdades, pois vejo que estão reveladas lado a lado nas Escrituras, às vezes num mesmo capítulo e até num mesmo versículo! (Ex: Atos 2:23).
3 – Encaro a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana como sendo parte dos mistérios acerca do ser Deus, como a doutrina da Trindade e das duas naturezas de Cristo. A soberania de Deus e a responsabilidade humana têm que ser mantidas juntas num só corpo, sem mistura, sem confusão, sem fusão e sem diminuição de ambas.
4 – Creio que Deus predestinou desde a eternidade aqueles que irão se salvar e, ao mesmo tempo, oro pelos perdidos, evangelizo e contribuo para a obra missionária. Grandes missionários da história das missões eram calvinistas convictos. Calvinistas pregam sermões evangelísticos e instam para que os pecadores se arrependam e creiam. Se quiserem um bom exemplo, leiam O Spurgeon que Foi Esquecido, de Iain Murray, publicado pela PES. Nunca as minhas convicções sobre a predestinação me impediram de ir de porta em porta, oferecendo o Evangelho de Cristo a todos, sem exceção. Após minha conversão, e já calvinista, trabalhei como evangelista e plantador de igrejas durante vários anos, em Pernambuco.
5 – Creio que Deus já sabe, mas oro assim mesmo. Sei que ele ouve e responde, e que minhas orações fazem a diferença. Contudo, sei que ao final, através de minhas orações, Deus terá realizado toda a sua vontade. Não sei como ele faz isso. Mas, não me incomoda nem um pouco. Não creio que minha oração seja um movimento ilusório no tabuleiro da predestinação divina.
6 – Não creio que Deus predestinou todos para a salvação. Da mesma forma, não creio que ele foi injusto nem fez acepção de pessoas para com aqueles que não foram eleitos. Não creio que Deus tenha predestinado inocentes ao inferno, pois não há inocentes entre os membros da raça humana. E nem que ele tenha deixado de conceder sua graça a pessoas que mereciam recebê-la, pois igualmente não há pessoa alguma que mereça qualquer coisa de Deus, a não ser a justa condenação por seus pecados. Deus predestinou para a salvação pecadores perdidos, merecedores do inferno. Ao deixar de predestinar alguns, ele não cometeu injustiça alguma, no meu entender, pois não tinha qualquer obrigação moral, legal ou emocional de lhes oferecer qualquer coisa. Penso assim pois entendo que a Queda de Adão veio antes da predestinação na seqüência lógica (não na seqüência histórica) em que Deus elaborou o plano da salvação.
7 – Creio que Deus sabe o futuro, não porque previu o que ia acontecer, mas porque já determinou tudo que acontecerá. Por isso, entendo que a presciência de que a Bíblia fala é decorrente da predestinação, e não o contrário. Quem nega a predestinação e insiste somente na presciência de Deus com o alvo de proteger a liberdade do homem tem muitos problemas. Quem criou o que Deus previu? E, se Deus conhece antecipadamente a decisão livre que um homem vai tomar no futuro, então ela não é mais uma decisão livre. Nesse ponto, reconheço a coerência dos socinianos e dos teólogos relacionais, que sentiram a necessidade de negar não somente a soberania, mas também a presciência de Deus, para poderem afirmar a plena liberdade humana.
8 – Creio que apesar de ter decretado tudo que existe desde a eternidade, Deus acompanha a execução de seus planos dentro do tempo, e se comunica conosco nessa condição. Quando a Bíblia fala de um jeito que parece que Deus nem conhece o futuro e que muda de idéia o tempo todo, é Deus falando como se estivesse dentro do tempo e acompanhando em seqüência, ao nosso lado, os acontecimentos. É a única maneira pela qual ele pode se fazer compreensível a nós. Quem melhor explica isso é John Frame, no livro Nenhum Outro Deus, lançado pela Editora Cultura Cristã. Minha esposa teve o privilégio de traduzir e eu de prefaciar essa obra, a primeira em português a combater a teologia relacional.
9 – Creio que Deus é soberano e bom, mas não tenho respostas lógicas e racionais para a contradição que parece haver entre um Deus soberano e bom que governa totalmente o universo, por um lado, e por outro, e a presença do mal nesse universo. Diante da perversidade e dos horrores desse mundo, alguns dizem que Deus é soberano mas não é bom, pois permite tudo isto. Outros, que ele é bom mas não é soberano, pois não consegue impedir tais coisas. Para mim, a Bíblia diz claramente que Deus não somente é soberano e bom – mas que ele é santo e odeia o mal. Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece a presença do mal do mundo e a realidade da dor e do sofrimento que esse mal traz. Ainda assim, não oferece qualquer explicação sobre como essas duas realidades podem existir ao mesmo tempo. Simplesmente pede que as recebamos, creiamos nelas e que vivamos na cereteza de que um dia ele haverá de extinguir completamente o mal e seus efeitos nesse mundo.
10 – Estou convencido que o calvinismo é o sistema doutrinário mais próximo daquele ensinado na Bíblia, ao mesmo tempo em que confesso que ele não tem todas as respostas. Todavia, estou convencido que os demais sistemas têm menos respostas ainda. Leio autores das mais diferentes persuasões teológicas. Às vezes tenho sido mais desafiado e tenho aprendido mais com livros de outras tradições. Não deixo de ouvir alguém somente porque não é calvinista. Há calvinistas que não são assim. Contudo, é uma injustiça acusar a todos de estreiteza, sectarismo, obscurantismo e preconceito.
Espero ter deixado claro que um calvinista, para mim, é basicamente um cristão que tem a coragem de aceitar as coisas que a Bíblia diz sobre a relação entre Deus e o homem e reconhecer que não tem explicações lógicas para elas. Para muitos, esse retrato é de alguém teologicamente fraco e no mínimo confuso. Mas, na verdade, é o retrato de quem deseja calar onde a Bíblia se cala.

Rev. Augustus Nicodemus Lopes

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

CRISTO É O ELEITO (refutando o calvinismo)

CRISTO É O ELEITO E, SE VOCÊ ESTÁ EM CRISTO, VOCÊ É ELEITO NELE

A presente postagem tem foco em Isaías e Efésios. Falei há um tempo que escreveria como para mim é difícil imaginar como alguém pode ler a Carta aos Efésios de um ponto de vista calvinista, mas não escrevi ainda, então fiquem com este comentário por enquanto.

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Cristo é o eleito e, se você está em Cristo, você é eleito Nele.

"Eis aqui o Meu servo, a Quem sustenho, o Meu Eleito, em Quem se apraz a Minha alma; pus o Meu espírito sobre Ele; Ele trará justiça aos gentios.


Não clamará, não Se exaltará, nem fará ouvir a Sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça. Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a Sua lei.

Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela.

Eu, o Senhor, Te chamei em justiça, e Te tomarei pela mão, e Te guardarei, e Te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios. Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas." - Isaías 42:1-7


Deus não elege certos indivíduos para a salvação; em vez disso, Ele escolheu eleger Seu Filho, Cristo, para ser o "veículo" que traz muitos de nós à salvação. O Novo Testamento ensina que Cristo é um Corpo de muitos membros, Corpo do qual Jesus é a Cabeça. Se você é um membro daquele Corpo, então você está "em Cristo", e é estando "em Cristo" que participamos Dele e de Sua eleição. Nós somos eleitos "em Cristo" porque Ele é o Escolhido de Deus, e contanto que estejamos "em Cristo" pela fé, também seremos escolhidos e eleitos em Cristo.

Antes de estarmos "em Cristo", a Bíblia diz que estamos "em Adão", e que "em Adão" todos morreram, mas "em Cristo" fomos todos feitos vivos (1 Cor 15:22). Estando "em Cristo", recebemos um status que não tínhamos antes de sermos parte de Seu Corpo, qual seja, o de eleitos "Nele".

Por que calvinistas não podem dizer que fomos feitos justos porque Deus nos escolheu individualmente para sermos justos (talvez alguns o digam!)? Ninguém pode argumentar que somos justos em qualquer base individual, pois a Bíblia claramente ensina que somos feitos justos "em Cristo". É a justiça de Cristo de que desfrutamos, não nossa própria e individual justiça.

Calvinistas também apontam Efésios 1 como um texto-prova para a eleição individual, mas em lugar nenhum a Bíblia diz, especialmente não em Efésios 1, que somos escolhidos individualmente. A eleição sempre é condicionada ao estar "no" Eleito/Escolhido, que é Cristo. Considere estes versos de Efésios 1:

"[1] Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:

[4] Como também nos elegeu Nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante Dele em amor;

[7] Em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça,

[9] Descobrindo-nos o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si mesmo,

[10] De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

[11] Nele, digo, em Quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito Daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade;

[12] Com o fim de sermos para louvor da Sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo;

[13] Em Quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo Nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;"

Claramente, esses versos não falam de quaisquer pessoas individualmente, visto que pronomes como "nós" e "nos" são usados por toda a passagem. Essas palavras indicam um Corpo corporativo, que está "em Cristo" ou "Nele". 

Assim, todas as promessas feitas aos eleitos de Deus são cumpridas "em Cristo", e somente quando estamos "em Cristo", podemos nós também desfrutar dos benefícios dessas promessas. 

Da mesma forma como Deus escolheu Israel como uma nação corporativa para ser Seu Povo Escolhido, uma nação feita de indivíduos que vivam em Israel, assim é com Cristo. Nós somos uma nação escolhida, santa, "em Cristo", porque estamos Nele.


(Brian Cook)


quinta-feira, 16 de junho de 2011

A fé que salva


Paz a todos, estamos felizes pois o Blog tem sido muito acessado, pra glória do Senhor, esperamos poder postar mais mensagens a cada dia. Bom hoje falaremos sobre um tema fundamental para Salvação; e que parte de Deus, a fé, sim isso mesmo a fé vem de Deus para nós, a palavra fé pode ser aplicada de diversas maneiras, as vezes a é mal aplicada; exemplo: "Fulano tem muita fé em nossa senhora", "Eu tenho muita fé no padroeiro", "Eu tenho fé que Deus não muda então se Ele me salvou, estou salvo para sempre" e etc. A fé ai citada é simplesmente uma convicção humana de que algo possa ser a verdade, porque foi convencido dela, mas esta fé não basta para a Salvação, pois não veio de Deus, vamos entender melhor o sentido da fé.

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." Efésios 2:8

Vamos analisar o texto em questão:

Deus na sua soberania, não tinha obrigação de salvar o homem, mas ele usou sua graça, e a palavra graça tem vários significados em português se analisarmos a palavra no grego: Graça - charis - χαρις: boa vontade, amável bondade, favor, privilégio, generosidade. Então entendemos que o ato de eleger e salvar vem de Deus, por puro amor, Deus salva por generosidade, amável bondade.

Fé vem do grego pistis - πιστις: convicção da verdade de algo. Fé é isso sim, mas a fé dada por Deus tem um valor maior. Vemos no texto que a fé é um "meio", o termo usado para "meio" no grego é "dia - δια", e também significa "através", então concluímos até aqui que a fé é um "elo" de ligação entre o homem e Deus pois é através dela que somos salvos. Ai alguém pode perguntar: Mas Jesus é quem liga o homem a Deus? R.: Sim Jesus não deixa de ser mediador sendo a fé o elo de união. Por quê?

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" I Timóteo 2:5. A Palavra afirma que só Jesus é mediador. Então por que a fé me une a Deus se Jesus é o mediador? R.: Jesus é mediador porque através de Jesus estamos unidos a Deus através da Fé. Isso mesmo, veja:

"...deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, Olhando para Jesus, autor e consumador da fé..." Hebreus 12:1b e 2a

"...Jesus, autor..." a palavra em grego para autor é archegos - αρχηγος e significa: alguém que toma a liderança e deste modo dá exemplo. Se Jesus é "Autor" da fé, Ele é esse alguém que deu exemplo, então a fé em Deus para a Salvação  leva o homem ao exercicio da SANTIFICAÇÃO, somos salvos pela fé que Deus nos dá através de Jesus, então ninguem será salvo sem SANTIFICAÇÃO, como assim? se Jesus deu exemplo de fé para nós, então fé é andar como Jesus andou, e não existe maior exemplo de vida santa que Jesus, algo que nunca alcançaremos, "Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito..." Filipenses 3:12, devemos andar como ele "exemplificou" senão, a fé que você tem não é verdadeira, não é a que vem de Deus, de Jesus o "Autor", mas sim a que vem de Constantino, de Calvino, de Armínio, de Agostinho e de tantos outros "doutores de religião". Jesus é o exemplo de fé verdadeira, e Ele nos dá essa fé. E sem SANTIFICAÇÃO não há Salvação mesmo que você esteja eleito.
"Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;" Hebreus 12:14.

A GRAÇA SALVA EM SANTIFICAÇÃO

Se a graça de Deus salva através da fé então, a graça de Deus me salva pela SANTIFICAÇÃO, isso mesmo: "Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo"
 I Pedro 1:2. a Eleição de Deus permanece, mas só salvará através da SANTIFICAÇÃO. Quando dizemos que a fé nos une a Deus estamos concordando em dizer que a SANTIFICAÇÃO nos aproxima de Deus.

O SANGUE DE JESUS

Se Jesus é Autor da fé e nos deu ela para nos unirmos a Deus, então podemos afirmar que também somos sacerdotes, pois temos algo que nos coloca na presença de Deus (o sangue de Jesus), a FÉ  é o meio e a SANTIFICAÇÃO a condição, e se a santificação nos une a Deus, então é através do Sangue de Jesus que nos unimos a Deus. Sim: "Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus..." Hebreus 10:19, então através do Sangue de Jesus nos santificamos. O sacerdote segundo a Lei não poderia entrar no santuário sem o sangue da oferta a Deus. Da mesma maneira a igreja entra na presença de Deus com este recurso: o sangue de Jesus, por isso quando orarmos devemos clamar a Deus tendo em mente que somos aceito por causa da oferta de Jesus por nós, oferta essa que só foi feita uma vez, mas o escritor de hebreus faz menção de usarmos este recurso da Graça. 
E a fé é pessoal, você não precisa de um copo de água no rádio, de dar nó em camisa, do "Homem da Fé", Oração Poderosa, Carnê, Patrocínio, Campanha, pois toda vez que vai a Deus através do Sangue de Jesus você entra na presença d'Ele.

SE DEUS ME ELEGEU, ME DEU A FÉ ENTÃO EU NÃO PERCO A SALVAÇÃO? ERRADO!!!!

"...deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta..." O escritor faz menção de correr a "carreira", e a palavra usada no grego é agon - αγων, e um dos significados é: "a competição por um prêmio nos jogos". Deus te eleger significa que Ele vai te colocar pra participar desta corrida, agora você tem que "CORRER". Se deixar de correr não ganha o prêmio, e nós corremos usando a nossa FÉ, nos SANTIFICANDO para Deus, por isso mesmo tendo o nosso sacerdócio universal, Jesus continua sendo MEDIADOR, pois se nossa fé enfraquecer ele nos ajudará, intercederá a Deus por nós, nos Justificará por não termos nos santificado e errado, pecado, nos tornando SANTOS. Dai entendemos o sentido do texto: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; " Efésios 1:4, somos santos por causa da justificação de Jesus, quando não somos justos Ele nos justifica. A Santificação é em Jesus, e é Deus ajudando, dando uma chance ao homem de voltar a Ele obedecendo a Jesus. Sem SANTIFICAÇÃO a eleição perde o valor, pois o homem não irá a Deus :"Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;" Hebreus 12:14.

A FÉ PRECISA AUMENTAR?

Sim, Jesus nos dá a fé mas ele também é CONSUMADOR, e a palavra usada no grego para Consumador é teleiotes - τελειωτης: e significa "aperfeiçoador", ou seja essa fé deve ser aperfeiçoada. Como? Santificando, tomando exemplo de Jesus o Autor, "QUANTO MAIS SANTIFICAÇÃO MAIS FÉ".
 
Revisando: Deus elege e salva; a fé é dada para o homem por Deus para a Salvação(é Deus ajudando o homem a correr do pecado); não precisamos de outro intermédiario senão Jesus; a santificação é necessária para Salvação. Quer estar próximo de Deus, então use a sua FÉ, creia que Ele exista e se santifique.

Hoje tratamos da fé que vem de Deus para Salvação, outrora falaremos sobre a Fé como firme  fundamento, fé misturada, " a tua fé te salvou". Abraços.

Mateus de Souza Morais.