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sábado, 17 de janeiro de 2015

O PERIGO DO ORGULHO DENOMINACIONAL


Creio que o muito escrever  pode cansar os que são preguiçosos à leitura. Mas então vai um vídeo do honroso pastor presbiteriano, Hernandes Dias Lopes sobre o tema: orgulho denominacional. Muitos tem caído nessa cilada, transtornando a graça de Deus em legalismo religioso em nome de uma "nova revelação" e um "outro evangelho" onde os líderes dessas "sinagogas"  tentam impor um orgulho denominacional e um sectarismo religioso travestido de piedade e santidade. Porém desconhecem o sentido da graça e o verdadeiro sentido  da santidade e de uma vida piedosa.



domingo, 28 de setembro de 2014

JESUS CRISTO REVELADO EM LEVÍTICO (E O VALOR DO SANGUE DE JESUS PARA A IGREJA)

JESUS CRISTO REVELADO EM LEVÍTICO (E O VALOR DO SANGUE DE JESUS PARA A IGREJA)

O livro de Gênesis mostra a ruína e o fracasso do homem. Êxodo revela a grande redenção e salvação de Deus. Levítico, por outro lado, mostra o acesso a Deus que o regenerado hoje tem por meio de Cristo para adoração e comunhão.  É um livro para um povo redimido, pois revela a graça de um Deus generoso.

Seu ensino, à luz do Novo Testamento, é para aqueles que já perceberam sua condição perdida, e aceitaram a redenção que há em Cristo Jesus e estão buscando se aproximar da presença de Deus. Ele mostra a santidade de Deus e a absoluta e a corrupção humana,por isso precisamos de expiação.
O livro de Levítico nos revela a grandeza da Cruz,temos, na realidade, a Cruz de Cristo. 
A Cruz era de fato uma exposição do amor de Deus, o amor de Deus Pai, e do Filho de Deus "que pelo Espírito eterno se ofereceu’' (Hb 9:14 ). 

Mas foi mais do que isso, era para tratar com o pecado do homem. 

A Cruz de Cristo permanece como estimativa do que o pecado é realmente, algo tão profundo e terrível que custa a crucificação do próprio Deus.
Foi mais ainda do que isso, foi o sacrifício expiatório, por que o pecado poderia para sempre ser tratado. 

Foi um sacrifício para a satisfação plena de Deus. Embora nosso intelecto não possa compreender o mistério da expiação, o nosso coração e consciência confessam seu poder.
Paulo mesmo fala da grandeza da Cruz: "Tendo feito a paz pelo sangue da sua cruz"( Cl 1:20 ). 
O conforto destas palavras trouxeram para almas atribuladas tudo ao longo dos séculos. 
Aqueles que sabem o que é sofrer sob a convicção do Espírito Santo em relação ao pecado, sabem melhor como valorizar a Cruz de Cristo.

O pensamento mais profundo do livro de Levítico está centrado em torno do Grande Dia da Expiação. 

Foi um dia de humilhação. O sentimento de pecado foi se aprofundado ao máximo e com intensidade na mentalidade nacional.  Ocorria apenas uma vez por ano. "Cristo foi oferecido uma vez para tirar os pecados de muitos" (Hb 9:28 ). 

Não há repetição de Sua obra sacrificial. Em todo o ano, há um só dia de expiação. Com o seu incensário de ouro do incenso e do sangue do novilho da oferta pelo pecado, o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos, e fazia expiação por si e sua família. Cristo foi oferecido por nós na Cruz como o perfeito sacrifício. Ele é a nossa eterna propiciação. O nosso substituto eterno.
O que a Igreja faz em relação ao poder do sangue de Jesus hoje é valorizar o ato sacrificial de Jesus numa vida de santidade, amor, trabalho, voluntariedade, entrega, fé e testemunho. Isso é memorizar o sangue. O símbolo do sangue já nos é revelado através da presença remidora e redentora do Espírito Santo mediante a nossa fé em Jesus Cristo como Redentor nosso.

Por isso no Evangelho de João lemos: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"; "O Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós"( Jo 1:29 ; Is 53:6 ).

E, por fim, vemos que o Livro de Levítico repete ainda mais enfaticamente do que Genesis o significado do sangue para a nossa eterna redenção:

"A vida da carne está no sangue" 
"E eu o dei a vocês sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas;pois é o sangue que fará expiação em virtude da vida ... "
"Para a vida de toda a carne, haverá o sangue, com sua vida"(Lv 17:11,14 ,17).

Precisamos perceber a importância vital do sangue de Cristo: pois essa é a base de tudo. Toda a vida cristã se baseia na Mensagem e no ato da cruz.

A redenção é através do sangue (1 Pd 1:18,19).
O perdão é através do sangue (Ef 1:7).
A justificação é através do sangue(Rm 5: 9).
A paz é pelo sangue(Cl 1:20).
A limpeza espiritual é através do sangue(1Jo 1:7).
A santificação é através do sangue(Hb 13:12).
O acesso a Deus é através do sangue(Hb 10:19).
A vitória cristã é através do sangue(Ap 12:11).
A glória eterna é através do
sangue(Ap 7:14,15).

Portanto, o sangue é o elemento simbólico de valor espiritual para a Igreja de Jesus Cristo (sua Noiva).
Ele deve ser memorizado pelo crente até a vinda de Jesus.
Memorizado como?
Em vãs repetições como fazem os pagãos? Não! Mas através da vida santificada e edificada em Deus e através da cruz que propomos (pela fé) carregar a partir de então. Memorizamos o sangue de Jesus quando ceamos com a congregação, quando participamos ativamente do Corpo de Jesus. Nós memorizamos o sangue quando somos fieis à Palavra de Deus e andamos pautados nela, pois sabemos que nossa redenção custou o precioso sangue de Cristo. Memorizamos quando levamos esse Evangelho ao oprimido e necessitado de ouvi-lo. Devemos memorizar o poder do sangue de Jesus (“fazei isso e memória de mim...”).

Logicamente, isso não significa que, agora, temos que usar frases de efeito em nossas orações crendo que só assim Deus nos ouvirá. Ele ensina que a oração deve ser feita em referência a Jesus Cristo, ou seja, em Nome dele, pois, a fé no Nome de Cristo já implica a fé em seu sacrifício, pois não podemos crer num Cristo morto, mas sim no Cristo vivo que venceu a morte. O “sangue de Jesus” não é frase especial e nem mantra ou senha, pois Deus já garantiu a livre entrada pela graça e pelo sangue. Basta, agora, orar com fé no Nome de Jesus e em seu poder para nos levar até a presença de Deus, mesmo nós não merecendo estar lá por causa do nosso pecado.
Somente a Deus Glória!!!

Jesus Cristo vem!!!

Gabriel Felipe M. Rocha

sábado, 27 de setembro de 2014

O propósito da salvação em 1 Pedro - 1/5 (1ª parte)

 O propósito da salvação em 1 Pedro - 1/5

(Por Leonardo Dâmaso)

Olá, amigos, leitores e verdadeiros estudantes da Palavra de Deus, a paz! Venho através deste estudo (dividido em duas partes) deixar um ensinamento consistente e coerente com as Escrituras a respeito do propósito bíblico da salvação. Como estou demasiadamente atarefado com meus estudos e escrevendo um artigo para postar aqui em breve, deixo esse rico artigo de Leonardo Dâmaso (fonte: Bereanos) para nosso aprendizado.

Como já tenho dito e reafirmado aqui, o Blog Palavra a Sério é um blog comprometido com a verdade das Escrituras e com a Revelação de Jesus Cristo e não com dogmas e ensinamentos extra bíblicos de grupos religiosos específicos. Isso é atestado pela seriedade de nossos artigos e pela coerência do nosso ensino.
Louvado seja Deus pela grande salvação em Cristo Jesus e pela benção constante e operante do Espírito Santo que ilumina nossas postagens.

Vamos ao estudo:

O propósito da salvação
(1 Pedro 1.13-25)

Introdução

Após tecer um louvor de agradecimento a Deus, e, ao mesmo tempo, discorrer com virtude sobre a obra da salvação em Cristo Jesus através de uma série de afirmações indicativas (vs.3-12), Pedro, dessa vez, relaciona a santidade na vida cristã como evidência e finalidade da salvação. Se outrora o apóstolo afirmou a nossa salvação expondo algumas das principais doutrinas da graça, tais como: eleição, expiação, regeneração, santificação (vs.2-3), agora ele nos chama através de uma série de imperativos (exortações) para viver esta salvação na vida prática (1.13-25). Além de explicar para quê o cristão foi salvo, estas doutrinas da graça são, também, a base do chamado a um estilo de vida em obediência.

O esboço homilético desta seção pode ser dividido em três pontos, ou seja, o propósito da salvação consiste em: 1 Uma vida em santidade (1.13-16). 2 Uma vida com reverência (1.17-21). 3 Uma vida em amor (1.22-25).         

1. Uma vida em santidade (1.13-16)

Tendo recebido o dom da salvação em Cristo Jesus (vs.9), os destinatários de Pedro bem como os cristãos em geral não devem desprezar este inefável presente sendo negligentes na salvação. Como filhos de Deus, devemos viver em conformidade com a sua vontade, que consiste numa vida em obediência a sua Palavra (veja Mc 3.35; Jo 9.31; 1Pe 2.15). A realidade da salvação deve se expressar em santidade vivida. 

1.13 Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.

Pedro, através de uma série de imperativos (exortações), instrui os seus leitores e a todos os cristãos em como viver uma vida que glorifica a Deus. Para vivermos em santidade é necessário:

a) Dispormos a mente. A preposição por isso é uma conclusão afirmativa que antecede o tema da obra da salvação tratado nos versículos 3-12. Pedro, agora, liga a salvação com a santidade (vs.13), e, desse modo, tomando por base esta salvação que é recebida pela fé em Jesus Cristo (vs.5), exorta-nos a cingir o nosso entendimento. A expressão cingindo o vosso entendimento, ou como é na tradução literal do grego – “cingindo os lombos do vosso entendimento”1 é uma metáfora que, na época de Pedro, no século 1, era facilmente compreendida por todas as pessoas. Porém, hoje, no mundo moderno, é necessária uma explicação mais acurada do seu significado. 
  
Cingir os lombos, na antiguidade, era um hábito dos orientais. A túnica, uma roupa comum e usada na época, era uma peça larga e comprida, semelhante a um vestido longo que cobre todo o corpo. Era colocada sob o manto ou a capa e usada com um cinto sob a cintura. Esse tipo de roupa, sem o cinto, atrapalhava a pessoa a exercer algum tipo de trabalho que exigisse movimentos longos e intensos em alguma atividade física que era preciso certa agilidade. Sendo assim, para ter uma boa mobilidade e evitar empecilhos, a pessoa cingia os lombos (ou quadris), isto é, colocava o cinto sobre a túnica. Em outras palavras, a expressão moderna e equivalente para nós, hoje, seria dizer: Vamos “arregaçar as mangas ou tirar o casaco”, que indica algum trabalho ou atividade física que fôssemos exercer.

A palavra entendimento, no grego διάνοία (dianoia), se refere à mente; “significa pensar em algo e tirar as conclusões apropriadas”.2 Portanto, Pedro utiliza e aplica esta metáfora do cingir os lombos dizendo aos seus leitores e a todos os cristãos que eles devem estar com a sua mente preparada e disposta para agir colocando em prática aquilo que ouviram, ou seja, tudo o que foi dito anteriormente sobre a salvação (vs.3-12).

Aplicação prática

O entendimento, aqui, se refere ao modo pelo qual nos relacionamos com Deus através da mente que irá convergir na nossa conduta. Em vista disso, a nossa mente deve estar disciplinada e livre de qualquer coisa que possa servir de obstáculo para, assim, vivermos uma vida cristã pautada nas Escrituras e que glorifique ao Senhor. A nossa mente precisa estar subjugada aos preceitos de Deus para que possamos compreender a sua vontade para a nossa vida, discernindo entre o certo e errado, entre a verdade e a heresia, e não aos preceitos que norteiam o mundo e a vida de muitos “ditos” cristãos, como, por exemplo, o evangelho caracterizado pelo materialismo e a preocupação exacerbada com a estabilidade e a satisfação pessoal na vida.

O materialismo é uma avidez desenfreada pelo consumismo, e a preocupação exacerbada com a estabilidade e a satisfação pessoal na vida, além de serem o lema da sociedade secular, tem sido também o lema da igreja evangélica em sua maioria. O “evangelho” mundano que tais “cristãos” creem apresenta o seguinte slogan: Eu tenho que ter isso e aquilo de qualquer maneira! Portanto, vou lutar e trabalhar sobremaneira para conquistar tudo o que eu desejo ter neste mundo profetizando e barganhando com Deus! Ou: Eu só serei feliz se tiver dinheiro, uma namorada (o), uma esposa (o) e saúde!  

Todavia, o materialismo é pecado, mas a motivação pela estabilidade e satisfação pessoal não são pecado em si. No entanto, esta motivação se torna pecado quando depositamos toda a nossa esperança e as colocamos como prioridade em nossa vida em detrimento de Deus, que é a nossa prioridade (1Cor 15.19; Cl 3.1-3). O evangelho mundano caracterizado pelo materialismo e a preocupação exacerbada pela estabilidade e satisfação pessoal têm corrompido e desvirtuado a mente de muitos cristãos. Portanto, conforme a ideia no grego, era como se Pedro dissesse: Não permita que qualquer coisa tire o foco da sua mente em relação a compreender e obedecer a Palavra de Deus!

Para vivermos em santidade é necessário:

b) Sermos sóbrios. Se os cristãos devem cingir o entendimento no sentido de estar com a mente preparada, disciplinada e disposta para viver a salvação que ouviram na vida prática, Pedro prossegue exortando-os que, agora, eles devem ser sóbrios3 (4.7; 5.8).  

No grego, a expressão sede sóbrios νήφοντες (nephontes), literalmente “sendo sóbrios”, é um particípio presente ativo que, traduzido como um imperativo, seria como se eu dissesse que “estou sóbrio ou tenho autocontrole”. Esta palavra descreve uma pessoa que tem domínio próprio tanto em relação à bebida alcoólica, evitando, assim, a embriaguez e, de modo geral, a qualquer tipo de êxtase frenético que extraia a pessoa da racionalidade. Entretanto, aqui, de forma mais ampla, se refere à pessoa que não está “embriagada” por coisa alguma estando com a mente lúcida.4 Ser sóbrio, portanto, além de ser constante, firme e perseverante no pensamento acerca da esperança da salvação em Cristo Jesus, significa, também, “ser calmo, estável e controlado” 5 (veja a mesma ideia em 2Tm 4.5; 1Ts 5.6, 8). 

Aplicação prática

John MacArhtur acentua que o cristão sóbrio é responsável de modo correto por suas prioridades e não se deixa embriagar pelas distrações do mundo.Não obstante, é bem verdade que o falso evangelho mundano que corrobora o materialismo e a preocupação exacerbada pela estabilidade e satisfação pessoal e todas as suas outras “falsas doutrinas” são um tipo de "droga" que tem entorpecido muitos cristãos verdadeiros, os quais são cristãos incautos e sem discernimento espiritual.
   
Os prazeres mundanos como a bebida alcoólica, a pornografia, a fornicação (o sexo fora do casamento), o adultério, a desonestidade, a mentira, as baladas e as orgias são, também, "drogas" que tem entorpecido muitas pessoas nas quais, algumas, são até cristãos verdadeiros que, enfraquecidos pelas negligencias e omissões, se desviaram do evangelho.

O cristão verdadeiro que está entorpecido pelo falso evangelho pode ter o seu entendimento elucidado pelo Espírito Santo para o conhecimento do verdadeiro evangelho e ser liberto da "droga" chamada falso evangelho. O cristão desviado e entorpecido pelos prazeres mundanos pode, também, ser resgatado e restaurado por Deus à sobriedade sendo introduzido novamente à comunhão da igreja. Certamente o Senhor não abandona os seus! Ele cuida de nós!

Para vivermos em santidade é necessário:

c) Esperarmos na graça. Depois de instar os cristãos acerca da necessidade de serem vigilantes e equilibrados, estando com a mente livre de qualquer perturbação e inclinada para a salvação em Cristo Jesus, Pedro, dessa vez, acentua que eles devem também depositar toda a esperança que possuem na graça que será entregue quando Jesus Cristo se revelar. 

O verbo esperar, no grego έλπίσατε (elpisate), significa, basicamente “colocar a esperança”. É uma forma verbal de esperança έλπίδα (elpis) que, no versículo 3, declara que os cristãos, a partir da regeneração, já recebem a salvação, porém, de modo parcial. Esta salvação parcial, contudo, é apenas o prelúdio daquilo que ainda é esperado, ou seja, a salvação na sua plenitude no qual o versículo 5 aborda. Todavia, o verbo esperar, aqui, é seguido pelo advérbio τελειος (teleios), que pode ser interpretado de duas maneiras:  

1. Enfatizando o verbo esperar conforme traduziu a ARA por esperai inteiramente. 2. Como uma indicação ao modo pelo qual os cristãos devem viver esta esperança, isto é, com maturidade e integridade (veja o uso do advérbio τελειος (teleios) também em Tg 1.2-4). Embora estas duas interpretações sejam possíveis, contudo, seria melhor entendermos o advérbio τελειος (teleios) como uma ênfase no verbo esperar, no qual se harmoniza perfeitamente com o contexto geral da carta (3.5). Desse modo, Pedro exorta os cristãos a esperar inteiramente, que significa “depositar a esperança”. 

Logo, vemos que esta esperança descrita não consiste em uma pessoa, mas em um objeto, ou seja, “na graça”. Esta graça que nos versículos 2 e 10 está no tempo presente, não obstante aqui, é sinônimo da salvação futura (vs.4, 9). Deus, portanto, está “trazendo a graça para os cristãos na revelação de Jesus Cristo”.

A expressão revelação de Jesus Cristo ARA é uma repetição da última parte do versículo ,e tem o mesmo sentido aqui como uma referencia não a primeira vinda de Cristo, mas a sua segunda vinda em glória (1Cor 1.7-8). A obra da redenção dos pecadores eleitos será concluída quando Jesus voltar. A plenitude da salvação chegará através do livramento da presença do pecado pela glorificação do corpo e da alma. Portanto, “olhar para a volta de Cristo fortalece a fé e a esperança em tempos difíceis e concede mais da graça de Deus (Tt 2.10-13)”7    

Não obstante, a seguir, nos versos 14-16, observamos que Pedro amplia o tema da santidade na vida cristã começando uma nova série de imperativos (exortações) baseados em três pontos. Senão vejamos:

a) Um solene aviso acerca do perigo à santidade.

1.14 Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância.           

Pedro, aqui, tece uma advertência aos seus leitores históricos e a todos os cristãos. O apóstolo assevera que, uma vez que foram eleitos para a salvação em Cristo Jesus por Deus Pai (vs.2), regenerados pelo Espírito Santo para a esperança da salvação futura e uma vida em santidade (vs.3, 13), os cristãos, todavia, não devem retornar ao estilo de vida que tinham no passado quando não conheciam o evangelho, o qual era caracterizado pela prática do pecado. Sendo assim, Pedro diz o que estes cristãos “devem fazer” (imperativo positivo). Vejamos então:

i. Os cristãos devem ser obedientes. A expressão filhos da obediência “é um linguajar semita (hebraico). Significa algo como: pessoas que são cunhadas integralmente pela obediência”(veja os exemplos similares em Lc 10.6; Ef 5.8; 2Ts 2.3).  

Geralmente, os filhos obedientes “são os filhos de uma pessoa que faleceu e deixou um testamento para que recebam a herança. Os cristãos são chamados de filhos, não por nascimento, mas por adoção. Entre os gregos e romanos do século 1, a prática da adoção era bem comum. Um filho adotivo desfrutava dos mesmos privilégios que o filho natural, até mesmo a ponto de dividir a herança”. Em vista disso, Pedro chama os seus destinatários e todos os cristãos de filhos da obediência, ou, em outra tradução, de “filhos obedientes” a fim de esboçar o conceito de santidade a eles. Portanto, ser filho da obediência é viver uma vida que desemboque em obediência, que pode ser definida simplesmente como fazer a vontade de Deus (1.2).

Após delinear o que os cristãos devem fazer, Pedro, agora, diz o que eles “não devem fazer” (imperativo negativo). Senão vejamos:

ii.  Os cristãos não devem se amoldar novamente aos desejos que tinham no passado. Embora os primeiros destinatários históricos de Pedro fossem uma mescla de Judeus e gentios (1.3, 12, 14, 18, 22-23, 25; 2.9-10; 4.3), todavia, o apóstolo relembra aqui especificamente o estilo de vida dos cristãos gentios no passado antes da conversão, a fim de avisá-los do perigo de retornar a este velho estilo de vida que Deus não se agrada. Diferente dos judeus, que conheciam a lei moral, estes gentios eram pagãos e ignorantes quanto ao conhecimento da vontade de Deus revelada nas Escrituras. Por essa razão, tinham o seu modus vivendi (modo de viver) conduzido pelas mais variadas paixões9 ou “desejos pecaminosos”.

No grego, a expressão não vos amoldeis σνσχηματιςόμενοι (syschematizomenoi) é, literalmente, “não vos amoldando”, podendo ser traduzida como “não se deixem conformar” 10 ou, trivialmente, como uma exortação a “não entrar no esquema”. Esta expressão “significava assumir a forma de alguma coisa, a partir de um molde no qual se era encaixado”.11 Contudo, uma vez que foram libertos da escravidão do pecado (Ef 2.1-3), Pedro adverte estes cristãos gentios a não entrarem novamente no antigo esquema do mundo caracterizado por uma vida regida pelos prazeres carnais (veja com exemplo Êx 20.13-17).

Aplicação prática

Os cristãos foram salvos para a obediência, por isso os salvos são filhos obedientes. Como os filhos herdam a natureza dos pais, precisamos viver em santidade, pois nosso Pai é santo.

Como filhos obedientes, não podemos retroceder nem cair nas mesmas práticas indecentes que marcavam nossa conduta quando vivíamos prisioneiros do pecado. Naquele tempo, os desejos e as paixões constituíam o esquema determinante da nossa vida e a nossa norma de conduta. É incoerente, incompatível e inconcebível um salvo amoldar-se às paixões de sua velha vida12 (veja Ef 4.22-25, 28-29, 31). Que não sigamos o mau exemplo de homens ímpios e desobedientes. Antes, sejamos corajosos o bastante para rejeitar o padrão de vida que eles gostariam de impor-nos por seu exemplo e influência.13 

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Notas:
1. A ARC traduziu literalmente a expressão no grego.
2. Ênio Mueller. 1 Pedro – Introdução e Comentário, pág 98.
3. O imperativo “sede sóbrio” não é um chamado à sobriedade, mas uma metáfora para manter a mente alerta e serena (Bob Utley. Comentário Bíblico de Marcus e 1, 2 Pedro, pág 222).
4. A palavra grega νήφοντες (nephontes) era comumente usada no âmbito religioso na época de Pedro, especificamente para as religiões de mistério para descrever as pessoas que se mantinham voltados para a salvação eterna enquanto que as outras pessoas que eram apegadas as prazeres deste mundo eram consideradas “embriagadas”.
5. Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento 2, pág 511.
6. Bíblia de Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1730.
7. Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento 2, pág 511.
8. Uwe Holmer. Comentário Esperança. 1 Pedro, pág 21
9. σνσχηματιςόμενοι (me syschematizomenoi) é um particípio presente passivo que, influenciado pelo verbo principal “sede” γενήθητε, no versículo 15, no qual é um imperativo aoristo ativo, é traduzido como um imperativo.
10. Ênio Mueller. 1 Pedro – Introdução e Comentário, pág 101.
11. A palavra grega traduzida pela ARA por “paixões” é έπθυμία (epthymia), que é comumente descrita como “um anseio por algo que é proibido”. Denota um “forte desejo pela lúxúria”, podendo ser traduzida como “concupisciências” ARC ou, literalmente do grego como “desejos”, conforme a NVI e a Almeida Século 21 traduziram. Pessoalmente, para melhor entendimento, prefiro a tradução da BJC em virtude do acréscimo do adjetivo “mau”, ficando, assim, traduzido como “maus desejos”.
12. Hernandes Dias Lopes. 1 Pedro, pág 48-49.
13. Russel Norman Champlin. O Novo Testamento Interpretado – Vol 6. 1 Pedro, pág 104.

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Fonte: Trecho extraído do Comentário Expositivo de 1 Pedro do autor. 
Divulgação: Bereianos

O propósito da salvação em 1 Pedro - 2/5 (2ª parte)

O propósito da salvação em 1 Pedro - 2/5

(Por Leonardo Dâmaso)

(continuação)

b) A razão do imperativo à santidade.

1.15 ... pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também a vós mesmos em todo o vosso procedimento.


Após instar os cristãos a sempre se manterem como filhos obedientes e não se amoldarem ao antigo esquema de vida norteado pelo pecado que outrora eles faziam parte antes da conversão, Pedro, dessa vez, salienta por qual motivo os cristãos devem viver em santidade. O apóstolo realça que assim como Deus, que é santo, chamou os cristãos de uma vida outrora em trevas para a sua maravilhosa luz (2.9), os cristãos, em vista disso, também devem ser santos em tudo o que fizerem na vida. Se no versículo 14 Pedro exortou o que os cristãos “não devem fazer” (imperativo negativo), isto é, “não se amoldar” ao esquema de uma vida pecaminosa, aqui, mais uma vez, há outro imperativo – tornai-vos santos.

A conjunção “mas”, no grego αλλα (alla), traduzido pela a ARA como pelo contrário, estabelece um contraste com o versículo 14b. Portanto, o versículo 15 é a continuação do versículo 14b, o qual amplia o tema da santidade na vida cristã. Era como se Pedro dissesse: “Não façam aquilo de novo” – vos amoldar às paixões que tínheis anteriormente, “mas façam isso” – sejam santos também em tudo o que fizerem. (NVI) Não obstante duas proposições são destacadas aqui:

i. O caráter daquele que chama os cristãos à santidade.14 A palavra “santo” possui diferentes conotações de significado no Antigo e no Novo Testamento. Santo, no hebraico קדוש (qadosh), significa “ser separado do uso comum para o uso exclusivo de Deus”. No Antigo Testamento, todos os objetos que eram utilizados para Deus. As vestes sacerdotais eram santas (Êx 28.2), o lugar específico para a preparação das ofertas de sacrifício era santo (Êx 29.31), os vasos usados no templo eram santos (1Rs 8.4).   

Por outro lado, a mesma ideia de “separado” que a palavra קדוש (qadosh) transmite no Antigo Testamento é aplicada no Novo Testamento com a palavra grega άγιον (hagios). Contudo, é importante frisar, para melhor compreensão, que a santidade de Deus possui uma dupla conotação. Assim, destacamos a santidade “singular” e a santidade “moral” de Deus.  Senão vejamos:

1. A santidade singular de Deus. De modo restrito, por ser completamente distinto, separado e adorado pela sua igreja em virtude da sua magnífica grandeza inacessível e ao mesmo tempo acessível mediante Cristo Jesus (Jo 1.14), somente Deus possui esta santidade peculiar. Mesmo quando estiverem com os corpos glorificados vivendo eternamente na terra restaurada, os cristãos não serão santos nesse aspecto como Deus é, pois ainda continuarão sendo seres finitos. Desse prisma, a santidade de Deus é única, sendo um atributo incomunicável aos homens (veja Êx 15.11; Is 57.15; Ap 4.8).    

2. A santidade moral de Deus. Proveniente de sua santidade singular, Deus também possui uma santidade moral. As leis estabelecidas por Deus nas Escrituras revelam o seu caráter santo e demonstram que ele é absolutamente livre de qualquer deformidade ética. Deus é separado do pecado e do mal moral (veja Jó 34.10; Hc 1.13). Portanto, diferente da santidade singular, que é exclusiva em Deus, a santidade moral é comunicável aos homens, o que veremos a seguir. 
ii. A santidade deve abarcar todas as áreas da vida dos cristãos. Pedro sublinha que, assim como Deus, o nosso pai espiritual (2Cor 6.18; Hb 12.9; Gl 3.26) é santo, nós, cristãos, como filhos obedientes (vs.14; Rm 8.13-16) também devemos ser santos em toda a nossa conduta moral15 (2.12; 3.1, 3, 13; 2Pe 2.7; 3.11). O Deus que exige santidade é, sobretudo, o modelo para que o imitemos em santidade (Ef 5.1). “Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino. Todo o nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou do pecado para a salvação”.16           

c) A santidade é um imperativo porque é confirmada nas Escrituras.

1.16 Porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

Pedro, agora, ratifica sua exortação aos cristãos sobre a necessidade de conduzirem suas vidas em santidade recorrendo às Escrituras, afirmando que está escrito que eles devem ser santos.

A expressão está escrito γέγραπται (gegraptai), no grego, “era usada em relação a documentos legais cuja validade ainda permanecia”.17 Sendo assim, Pedro não baseia a sua exortação em suas convicções particulares em como os cristãos devem se portar, mas, sobretudo, lança mão da autoridade das Escrituras do Antigo Testamento citando Levítico 11.44-45 para confirmar o seu argumento.

O apóstolo extrai como base para o seu ensino aos cristãos uma exortação proferida diretamente da boca de Deus a Moisés e a Arão, para que estes instruíssem o povo de Israel a serem santos em toda a sua conduta moral assim como Deus é santo (uma vez que a santidade é um dos temas que permeia Levíticos, veja também 19.2; 20.7, 26; 21.8, 15; 22.9, 16, 32).18 Parafraseando, era como se Pedro dissesse: Deus é santo, logo, ele exige que nós, também, sejamos santos, porque ele próprio corrobora em Levítico 11.44-45 e 19.2 para que sejamos santos assim como ele é santo! A conjunção porque διότι (dióti) remonta a expressão está escrito, a qual alega que o imperativo à santidade foi extraído das Escrituras.

Aplicação prática

Não somos santificados pela obediência aos preceitos de Deus estabelecidos nas Escrituras; obedecemos aos preceitos de Deus porque fomos santificados [aspecto posicional dos cristãos] na união com Cristo Jesus pela regeneração. Por outro lado, como pessoas que foram (Hb 10.10; 1Cor 6.9-11), são (Hb 2.11) e estão sendo santificadas pelo Espírito Santo (Hb 10.14), os cristãos, todavia, são chamados a manifestar santidade [aspecto colaborativo na santificação], isto é, o caráter do Deus santo em suas vidas “interiormente” quando estão sozinhos e ninguém os vê, somente Deus, e “externamente” na maneira de viver (ARC) com os outros pelos relacionamentos sociais (para mais detalhes sobre a santificação veja o meu comentário do versículo 2b).  
  
William Barclay escreve:

O cristão é um homem de Deus por eleição de Deus. É eleito para uma tarefa no mundo e para um destino na eternidade. É eleito para viver para Deus no tempo e para viver com Deus na eternidade. No mundo tem que obedecer a lei de Deus e reproduzir a vida de Deus. O cristão foi eleito por Deus, e, portanto, em sua vida tem que haver algo da pureza de Deus e em sua ação tem que manifestar-se algo do amor de Deus. O cristão recebeu a tarefa de ser diferente.19  

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Notas:

[14] A expressão “segundo é santo aquele que vos chamou”, traduzida literalmente do grego κατά τόν καλέσαντα υμας άγιον – “assim como o santo que vos chamou” é incompleta, embora esteja correta. Porém, quando acrescentamos na tradução o verbo auxiliar (tempo presente do modo indicativo) εστιν (estin) “é”, o sentido da expressão fica mais claro – “assim como “é” santo aquele que vos chamou”. (Almeida Século 21) No entanto, prefiro a tradução desse trecho da seguinte forma: “Conforme o exemplo do Santo que vos chamou” (veja um exemplo similar em 2Pe 2.1).
[15] No grego, o substantivo αναστροφη (anastrophe), literalmente “conduta”, traduzido pela a ARA por “procedimento”, e pela a ARC por “maneira de viver”, enfatiza o estilo de vida moral que uma pessoa tem no seu relacionamento com outras pessoas. Desse modo, prefiro a tradução literal do grego ou a tradução da ARC.     
[16] Hernandes Dias Lopes. 1 Pedro, pág 50.   
[17] Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento Grego, pág 554-555.
[18] A religião judaica promovida e distorcida pelos fariseus e líderes religiosos ensinava que os homens poderiam alcançar a santificação pelos seus próprios atos simplesmente se cumprissem os preceitos descritos na “lei”. Tais preceitos de santidade tinham conotações legalistas porque eram baseados numa interpretação equivocada das Escrituras (Mc 7.1-13; Hb 13.9). Contudo, tanto a lei no Antigo Testamento quanto o evangelho enfatiza o contrário. Assim como a salvação é e sempre foi pela graça mediante a fé, a santificação (progressiva), por sua vez, também é desfrutada pela fé (At 26.18).  
[19] William Barclay. 1 Pedro, pág 64-65.

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Fonte: Trecho extraído do Comentário Expositivo de 1 Pedro do autor. 

Divulgação: Bereianos

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

CRISTO É O ELEITO (refutando o calvinismo)

CRISTO É O ELEITO E, SE VOCÊ ESTÁ EM CRISTO, VOCÊ É ELEITO NELE

A presente postagem tem foco em Isaías e Efésios. Falei há um tempo que escreveria como para mim é difícil imaginar como alguém pode ler a Carta aos Efésios de um ponto de vista calvinista, mas não escrevi ainda, então fiquem com este comentário por enquanto.

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Cristo é o eleito e, se você está em Cristo, você é eleito Nele.

"Eis aqui o Meu servo, a Quem sustenho, o Meu Eleito, em Quem se apraz a Minha alma; pus o Meu espírito sobre Ele; Ele trará justiça aos gentios.


Não clamará, não Se exaltará, nem fará ouvir a Sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça. Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a Sua lei.

Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela.

Eu, o Senhor, Te chamei em justiça, e Te tomarei pela mão, e Te guardarei, e Te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios. Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas." - Isaías 42:1-7


Deus não elege certos indivíduos para a salvação; em vez disso, Ele escolheu eleger Seu Filho, Cristo, para ser o "veículo" que traz muitos de nós à salvação. O Novo Testamento ensina que Cristo é um Corpo de muitos membros, Corpo do qual Jesus é a Cabeça. Se você é um membro daquele Corpo, então você está "em Cristo", e é estando "em Cristo" que participamos Dele e de Sua eleição. Nós somos eleitos "em Cristo" porque Ele é o Escolhido de Deus, e contanto que estejamos "em Cristo" pela fé, também seremos escolhidos e eleitos em Cristo.

Antes de estarmos "em Cristo", a Bíblia diz que estamos "em Adão", e que "em Adão" todos morreram, mas "em Cristo" fomos todos feitos vivos (1 Cor 15:22). Estando "em Cristo", recebemos um status que não tínhamos antes de sermos parte de Seu Corpo, qual seja, o de eleitos "Nele".

Por que calvinistas não podem dizer que fomos feitos justos porque Deus nos escolheu individualmente para sermos justos (talvez alguns o digam!)? Ninguém pode argumentar que somos justos em qualquer base individual, pois a Bíblia claramente ensina que somos feitos justos "em Cristo". É a justiça de Cristo de que desfrutamos, não nossa própria e individual justiça.

Calvinistas também apontam Efésios 1 como um texto-prova para a eleição individual, mas em lugar nenhum a Bíblia diz, especialmente não em Efésios 1, que somos escolhidos individualmente. A eleição sempre é condicionada ao estar "no" Eleito/Escolhido, que é Cristo. Considere estes versos de Efésios 1:

"[1] Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:

[4] Como também nos elegeu Nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante Dele em amor;

[7] Em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça,

[9] Descobrindo-nos o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si mesmo,

[10] De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

[11] Nele, digo, em Quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito Daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade;

[12] Com o fim de sermos para louvor da Sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo;

[13] Em Quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo Nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;"

Claramente, esses versos não falam de quaisquer pessoas individualmente, visto que pronomes como "nós" e "nos" são usados por toda a passagem. Essas palavras indicam um Corpo corporativo, que está "em Cristo" ou "Nele". 

Assim, todas as promessas feitas aos eleitos de Deus são cumpridas "em Cristo", e somente quando estamos "em Cristo", podemos nós também desfrutar dos benefícios dessas promessas. 

Da mesma forma como Deus escolheu Israel como uma nação corporativa para ser Seu Povo Escolhido, uma nação feita de indivíduos que vivam em Israel, assim é com Cristo. Nós somos uma nação escolhida, santa, "em Cristo", porque estamos Nele.


(Brian Cook)


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A Revelação de Jesus Cristo



Por Gabriel Felipe M. Rocha

Textos base: João 14: 26 e Gálatas 1: 12.

Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas [...] (João 14: 26);

Porque não recebi e nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1: 12).

É muito comum ouvirmos no meio evangélico - principalmente no meio pentecostal – o termo “revelação” e, muitas das vezes, o termo está sendo empregado em referência a um possível dom espiritual, uma mensagem ou um anúncio especial da parte de Deus. Pois bem, é comum ouvirmos isso e, por ter se tornado algo comum, tornou-se também perigoso para a saúde espiritual de algumas igrejas que se lançam cada vez mais - desenfreadamente - aos experimentalismos estranhos em nome da confissão pentecostal e em nome do próprio Espírito Santo. Muitas igrejas e seitas cristãs colocam a “revelação” em referência a uma nova doutrina ou uma nova prática dita “revelada” por Deus. Mas, destrutivamente, muitas dessas “revelações” vão contra a sã doutrina de Jesus Cristo e configuram-se em heresias sem fim.

Por outro lado, - e com a Bíblia na mão – não podemos ignorar que, de fato, o Espírito Santo atua (ou deve atuar) de forma operante na Igreja de Jesus Cristo (quando emprego aqui “Igreja”, não trato exatamente de uma denominação religiosa, mas sim do Corpo de Cristo identificado na particularidade de cada crente genuíno e na unidade espiritual dos mesmos). O Espírito Santo deve ser o guia, o direcionador e o professor da Igreja. Enganam-se os que pensam que o atuar do Espírito na igreja se dá apenas em operações visíveis de curas, línguas, visões, revelações, etc. Aliás, o Espírito Santo deve ser o agente indispensável da Igreja na oposição ao pecado e à heresia, no ensino da Palavra de Deus, no genuíno avivamento, na santificação do crente, no aperfeiçoamento do Corpo, na distribuição e aperfeiçoamento dons espirituais, na vivificação, iluminação e revelação da Palavra expositiva, no guiar das missões evangelísticas, no conceder da sabedoria e ordem nos cultos, no discernimento espiritual, no crescimento particular do crente, na libertação do neófito, no louvor entoado, na escolha e levantamento de cargos eclesiásticos, na direção dos atos da igreja local ou organizacional, etc. Sem a presença do Espírito Santo na igreja, existirá apenas ortodoxia morta ou, por outro lado, manifestações ditas pentecostais, mas sem a verdadeira operação do Espírito divino. Aliás, onde não há a operação do Santo Espírito de Deus, só pode haver dois outros tipos de espírito: o humano e o satânico. Isso é sério!

Mas, de fato, a revelação tem um lugar no seio da Igreja e devemos entender melhor sobre a mesma:
Trago aqui um conceito básico de “revelação”: Revelação divina é a denominação, de modo genérico, para todo conhecimento transmitido ao homem diretamente por Deus (muitas vezes o meio por onde este conhecimento foi passado também é chamado assim). A revelação é o ato de revelar ou desvendar ou tornar algo claro ou óbvio e compreensível por meio de uma comunicação ativa ou passiva com a Divindade. A Revelação pode originar-se diretamente de uma divindade ou por um intercessor ou agente, como um anjo ou santidade; alguém que tenha experienciado tal contato é denominado profeta. (fonte: Wikipédia)

No contexto de Gálatas, Paulo foi bem enfático e também severo quanto ao desvio da fé mediante os “novos ensinamentos” inseridos no Corpo por meio de religiosos e legalistas que ainda não haviam se contentado com o Evangelho (o vinho novo). Nesse contexto, Paulo assevera: “se alguém anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1:9). E ainda afirma que seu apostolado é por causa divina e não humana e o teor de sua pregação é espiritual e não terreno (Gl 1: 10,11) e, sendo dessa forma, não tinha a obrigação de agradar os homens e nem ao sistema legalista que imperava ali no seu tempo, mas sim a Deus (somente a Deus a glória). Para deixar entendido e concluído, Paulo diz no verso 12 que o que aprendeu (o Evangelho) não foi por meio dos ensinamentos humanos, mas sim pela revelação do Cristo.

Analisando o texto original, percebi a tamanha riqueza contida nessa afirmação de Paulo.

A palavra usada por Paulo “aprendi” no grego é “didaskô” que corresponde ao verbo “ensinar”, “aprender”, “aconselhar”. Esse termo (“didaskô”) tem ligação com o termo grego “didachê”, usado também nos textos originais para definir “doutrina”.

Portanto, Paulo dizia sem deixar dúvidas que a doutrina que ele pregava não era uma doutrina humana, proveniente dos homens e aprendida pelos mestres acadêmicos, mas era proveniente da “revelação” de Jesus Cristo. E, como sabemos, o agente revelador no seio da Igreja de Jesus Cristo é o próprio Espírito Santo, portanto, o Espírito divino revela a Pessoa de Jesus Cristo (revela à Igreja o Cristo glorificado). E a Igreja é comissionada para revelar – e anunciar – ao mundo o Cristo por meio da operação (obra) do Espírito Santo. (Ver em João 17: 21,22 e 23). Portanto, a mensagem do Evangelho, o anúncio do Cristo é através da ação espiritual. Como foi na experiência da Igreja descrita em Atos, a Igreja de hoje deve buscar a sensibilidade para ouvir de forma cada vez mais aguçada a voz do Espírito para que cada vez mais ela se ajuste ao projeto revelado por Deus nas Escrituras, a saber, a redenção humana (“[...] ouça o que o Espírito diz às igrejas...” /Ap. 2:7).

No original, Paulo expõe a idéia de que a “revelação” de Jesus Cristo é a causadora da sua aprendizagem e do teor de sua mensagem. Mas qual foi a revelação de Jesus Cristo a Paulo?
O contexto não nos permite afirmar que a revelação de Jesus Cristo que Paulo cita na carta aos Gálatas era a somente revelação de Cristo na experiência pelo caminho de Damasco quando o mesmo Cristo lhe aparecera numa manifestação espiritual (Atos 9: 3 ao 7). Mas a ideia contida no contexto é a de que Paulo aprendeu não no ato da primeira experiência com o Senhor Jesus, mas no processo dinâmico da revelação de Jesus Cristo, Por Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Na santificação diária e na disposição para o serviço, o Deus vivo falava...

Isso corrobora com o que o mesmo Jesus Cristo havia prometido em João 14: 26: “[...] aquele Consolador, o Espírito Santo [...] vos ensinará todas as coisas [...]”.

Algumas das tantas operações do Espírito Santo no seio da Igreja de Jesus Cristo são: a consolidação doutrinária (uma só mente e um só coração), promoção da unidade do Corpo e do crescimento do mesmo e o aperfeiçoamento doutrinário dentro da Igreja na medida em que essa permite a operação do Espírito Santo e o tem não como um parceiro apenas na realização da obra de Cristo, mas como o guia indispensável e condutor infalível.

Contudo, não podemos dizer que o mesmo Espírito “revela novas coisas”, coisas essas que ultrapassam a sã doutrina de Jesus Cristo. Mas apenas ensina e aperfeiçoa aquilo que na Palavra de Deus já se mostra. Da mesma forma, a obra do Espírito Santo não se limita ao tempo histórico e se perfaz sob um viés profético e, na perspectiva da profecia, o Consolador Espírito Santo faz notória sua obra de redenção. Nesse contexto, Ele ensina, revela, aperfeiçoa e direciona como um capitão que dita estratégias aos seus soldados em meio ao combate e campanha proposta. Muitas igrejas atingem níveis de aperfeiçoamento diferente e isso configura a diversidade de igrejas e doutrinas (algo que é perigoso), mas em muitas igrejas sérias e compromissadas com a Palavra da Verdade, vemos as diferenças em algumas colocações doutrinárias, mas vemos uma unidade: o Cristo, seu batismo e seu exemplo. Contudo, o Espírito Santo ensina, adverte, corrige, exorta, opõe e consolida.

No entanto, nem tudo é do Espírito de Deus. Muitas coisas surgem em algumas igrejas e nada tem em comum com o plano profético de Deus. Aí se configura a heresia e, com a heresia, temos a apostasia.

Antes de falarmos aqui da apostasia e da heresia, vamos entender o verdadeiro sentido do termo “profético”.
O Significado da Palavra
O termo mais antigo, no hebraico do Velho Testamento, para profeta ou ‘profético’ é roeh, que quer dizer vidente. Outra palavra, que surgiu depois, é nabi’, aquele que fala, um porta-voz. Nabi’ vem de uma raiz que significa levantar-se, vir à luz ou inchar-se. É relacionada com a palavra para um ribeiro borbulhante e com o verbo jorrar, com o sentido de proferir abundantes sons ou palavras (Pv 18.4).
Esta idéia pode ter um sentido passivo, como de alguém que se faz borbulhar pelo Espírito de Deus, que é inspirado por ele. O sentido mais correto, porém, é ativo e contínuo: alguém que jorra as palavras de Deus, um divulgador divinamente inspirado, um anunciador ou porta-voz (Êx 7.1).
Portanto, há um aspecto anterior, passivo e receptivo no profeta: ele vê. E há um aspecto ativo e comunicativo: ele fala. Antes de poder funcionar como boca ou comunicador, ele precisa receber revelação, percepção e visão; precisa “borbulhar” com os propósitos e sentimentos do coração de Deus.
“Então disse eu: Não me lembrarei dele, e não falarei mais no seu nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fatigado de sofrer e não posso” (Jr 20.9; ver também Jr 6.11).
“Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq 3.8).

Pois bem, mas um conteúdo importante da profecia é: trazer de volta para Deus, ou, chamar de volta para Deus. Veja que todos os profetas da Bíblia ‘chamaram de volta para Deus’, inclusive o próprio João Batista. Nessa perspectiva, o termo “profético” se relaciona com o termo “avivamento” que, basicamente, significa: “voltar-se para Deus” após o ato de “receber a vida de Deus (vivificar/ avivar)”. Então, dessa forma, a verdadeira profecia chama o homem para o avivamento, para voltar-se ao seu Criador.

Nesse mesmo horizonte é que podemos chamar a Bíblia de profética, pois ela, em seu conteúdo revelado, chama o homem de volta para Deus e sua chave hermenêutica fundamental é o Cristo e seu sangue – que trouxe pelo seu pacto sacrifical o homem de volta para Deus.

Sendo assim, a Bíblia é um livro literariamente e espiritualmente profético, pois é a revelação do projeto de redenção de Deus cuja centralidade está toda em Jesus Cristo, o Verbo de Deus, a verdadeira “Palavra Revelada”. Por que é profética? Porque revela a salvação em Cristo. O ato salvífico de Cristo se resume em: trazer o homem de volta para Deus, logo, o conteúdo da Bíblia é profético. Aliás, a salvação é profética, pois parte do pressuposto bíblico que Deus programou tal projeto na Eternidade e lá elegeu o seu povo para herdar a salvação e a glória em Cristo. Tal projeto foi revelado em Jesus Cristo. Não é à toa que a figura do sangue percorre por toda a Bíblia, mostrando, conforme nos explica o autor de Hebreus, que viria o “Perfeito” (Cristo). Isso sustenta a frase de Cristo: “examinai as Escrituras, pois elas de mim testificam”. Como “de mim testificam”? Pelas figuras e tipos. Onde entra a interpretação e a “revelação” nisso? Entra no fato de: o Espírito conduzir o que manuseia a Palavra ao entendimento de caráter profético que configura numa espécie de revelação, pois, bota “para fora” algo que a Bíblia tinha como “modelo”.

A doutrina proveniente de Deus traz o homem de volta a Deus e mantém-no sempre perto de Deus. Nenhuma doutrina centralizada na Palavra, inspirada e revelada por Deus pode levar o crente para longe de Deus. Mas o conteúdo da heresia é a apostasia (afastamento). Toda doutrina que não é de Deus e não se justifica pela Escritura tende a afastar o praticante de Deus, configurando aí a apostasia. Mas nenhuma heresia pode levar o homem a Deus. Se uma doutrina faz com que o crente se prostre diante de Deus e confesse sua fraqueza e limitação diante do altíssimo, logo ela não pode ser uma heresia, pois o conteúdo da heresia é o afastamento. O Diabo não leva ninguém a Cristo, mas afasta.



(Continua. Breve postarei aqui nesta postagem mesmo o restante do assunto. Ao concluir a segunda parte, editarei a presente postagem e colocarei tudo em uma postagem só. Aguardem.)


Gabriel Felipe M. Rocha