Creio que o muito escrever pode cansar os que são preguiçosos à leitura. Mas então vai um vídeo do honroso pastor presbiteriano, Hernandes Dias Lopes sobre o tema: orgulho denominacional. Muitos tem caído nessa cilada, transtornando a graça de Deus em legalismo religioso em nome de uma "nova revelação" e um "outro evangelho" onde os líderes dessas "sinagogas" tentam impor um orgulho denominacional e um sectarismo religioso travestido de piedade e santidade. Porém desconhecem o sentido da graça e o verdadeiro sentido da santidade e de uma vida piedosa.
"E apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira pela qual foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela" (Tito 1:9/ Bíblia King James Atualizada)
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sábado, 17 de janeiro de 2015
domingo, 28 de setembro de 2014
JESUS CRISTO REVELADO EM LEVÍTICO (E O VALOR DO SANGUE DE JESUS PARA A IGREJA)
JESUS CRISTO REVELADO EM
LEVÍTICO (E O VALOR DO SANGUE DE JESUS PARA A IGREJA)
O
livro de Gênesis mostra a ruína e o fracasso do homem. Êxodo revela a grande redenção e
salvação de Deus. Levítico, por
outro lado, mostra o acesso a Deus que o regenerado
hoje tem por meio de Cristo para adoração e comunhão. É um
livro para um povo redimido, pois revela a graça de um Deus generoso.
Seu ensino, à luz do Novo Testamento, é para aqueles que já perceberam sua condição perdida, e aceitaram a redenção que há em Cristo Jesus e estão buscando se aproximar da presença de Deus. Ele mostra a santidade de Deus e a absoluta e a corrupção humana,por isso precisamos de expiação.
O livro de Levítico nos revela a grandeza da Cruz,temos, na realidade, a Cruz de Cristo.
A Cruz era de fato uma exposição do amor de Deus, o amor de Deus Pai, e do Filho de Deus "que pelo Espírito eterno se ofereceu’' (Hb 9:14 ).
Mas foi mais do que isso, era para tratar com o pecado do homem.
A Cruz de Cristo permanece como estimativa do que o pecado é realmente, algo tão profundo e terrível que custa a crucificação do próprio Deus.
Foi mais ainda do que isso, foi o sacrifício expiatório, por que o pecado poderia para sempre ser tratado.
Foi um sacrifício para a satisfação plena de Deus. Embora nosso intelecto não possa compreender o mistério da expiação, o nosso coração e consciência confessam seu poder.
Paulo mesmo fala da grandeza da Cruz: "Tendo feito a paz pelo sangue da sua cruz"( Cl 1:20 ).
O conforto destas palavras trouxeram para almas atribuladas tudo ao longo dos séculos.
Aqueles que sabem o que é sofrer sob a convicção do Espírito Santo em relação ao pecado, sabem melhor como valorizar a Cruz de Cristo.
O pensamento mais profundo do livro de Levítico está centrado em torno do Grande Dia da Expiação.
Foi um dia de humilhação. O sentimento de pecado foi se aprofundado ao máximo e com intensidade na mentalidade nacional. Ocorria apenas uma vez por ano. "Cristo foi oferecido uma vez para tirar os pecados de muitos" (Hb 9:28 ).
Não há repetição de Sua obra sacrificial. Em todo o ano, há um só dia de expiação. Com o seu incensário de ouro do incenso e do sangue do novilho da oferta pelo pecado, o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos, e fazia expiação por si e sua família. Cristo foi oferecido por nós na Cruz como o perfeito sacrifício. Ele é a nossa eterna propiciação. O nosso substituto eterno.
O que a Igreja faz em relação ao poder do sangue de Jesus hoje é valorizar o ato sacrificial de Jesus numa vida de santidade, amor, trabalho, voluntariedade, entrega, fé e testemunho. Isso é memorizar o sangue. O símbolo do sangue já nos é revelado através da presença remidora e redentora do Espírito Santo mediante a nossa fé em Jesus Cristo como Redentor nosso.
Por isso no Evangelho de João lemos: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"; "O Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós"( Jo 1:29 ; Is 53:6 ).
E, por fim, vemos que o Livro de Levítico repete ainda mais enfaticamente do que Genesis o significado do sangue para a nossa eterna redenção:
"A vida da carne está no sangue"
"E eu o dei a vocês sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas;pois é o sangue que fará expiação em virtude da vida ... "
"Para a vida de toda a carne, haverá o sangue, com sua vida"(Lv 17:11,14 ,17).
Precisamos perceber a importância vital do sangue de Cristo: pois essa é a base de tudo. Toda a vida cristã se baseia na Mensagem e no ato da cruz.
A
redenção é através do sangue (1 Pd 1:18,19).
O perdão é através do sangue (Ef 1:7).
A justificação é através do sangue(Rm 5: 9).
A paz é pelo sangue(Cl 1:20).
A limpeza espiritual é através do sangue(1Jo 1:7).
A santificação é através do sangue(Hb 13:12).
O acesso a Deus é através do sangue(Hb 10:19).
A vitória cristã é através do sangue(Ap 12:11).
A glória eterna é através do
sangue(Ap 7:14,15).
O perdão é através do sangue (Ef 1:7).
A justificação é através do sangue(Rm 5: 9).
A paz é pelo sangue(Cl 1:20).
A limpeza espiritual é através do sangue(1Jo 1:7).
A santificação é através do sangue(Hb 13:12).
O acesso a Deus é através do sangue(Hb 10:19).
A vitória cristã é através do sangue(Ap 12:11).
A glória eterna é através do
sangue(Ap 7:14,15).
Portanto,
o sangue é o elemento simbólico de valor espiritual para a Igreja de Jesus
Cristo (sua Noiva).
Ele
deve ser memorizado pelo crente até a vinda de Jesus.
Memorizado
como?
Em
vãs repetições como fazem os pagãos? Não! Mas através da vida santificada e
edificada em Deus e através da cruz que propomos (pela fé) carregar a partir de
então. Memorizamos o sangue de Jesus quando ceamos com a congregação, quando
participamos ativamente do Corpo de Jesus. Nós memorizamos o sangue quando
somos fieis à Palavra de Deus e andamos pautados nela, pois sabemos que nossa
redenção custou o precioso sangue de Cristo. Memorizamos quando levamos esse
Evangelho ao oprimido e necessitado de ouvi-lo. Devemos memorizar o poder do
sangue de Jesus (“fazei isso e memória
de mim...”).
Logicamente,
isso não significa que, agora, temos que usar frases de efeito em nossas orações
crendo que só assim Deus nos ouvirá. Ele ensina que a oração deve ser feita em
referência a Jesus Cristo, ou seja, em Nome dele, pois, a fé no Nome de Cristo
já implica a fé em seu sacrifício, pois não podemos crer num Cristo morto, mas
sim no Cristo vivo que venceu a morte. O “sangue de Jesus” não é frase especial
e nem mantra ou senha, pois Deus já garantiu a livre entrada pela graça e pelo
sangue. Basta, agora, orar com fé no Nome de Jesus e em seu poder para nos
levar até a presença de Deus, mesmo nós não merecendo estar lá por causa do
nosso pecado.
Somente
a Deus Glória!!!
Jesus
Cristo vem!!!
Gabriel Felipe M. Rocha
sábado, 27 de setembro de 2014
O propósito da salvação em 1 Pedro - 1/5 (1ª parte)
O propósito da
salvação em 1 Pedro - 1/5
(Por Leonardo Dâmaso)
Olá, amigos, leitores e
verdadeiros estudantes da Palavra de Deus, a paz! Venho através deste estudo
(dividido em duas partes) deixar um ensinamento consistente e coerente com as
Escrituras a respeito do propósito bíblico da salvação. Como estou demasiadamente
atarefado com meus estudos e escrevendo um artigo para postar aqui em breve, deixo
esse rico artigo de Leonardo Dâmaso (fonte: Bereanos) para nosso
aprendizado.
Como já tenho dito e reafirmado
aqui, o Blog Palavra a Sério é um blog comprometido com a verdade das
Escrituras e com a Revelação de Jesus Cristo e não com dogmas e ensinamentos
extra bíblicos de grupos religiosos específicos. Isso é atestado pela seriedade
de nossos artigos e pela coerência do nosso ensino.
Louvado seja Deus pela
grande salvação em Cristo Jesus e pela benção constante e operante do Espírito
Santo que ilumina nossas postagens.
Vamos ao
estudo:
O
propósito da salvação
(1 Pedro
1.13-25)
Introdução
Após
tecer um louvor de agradecimento a Deus, e, ao mesmo tempo, discorrer com
virtude sobre a obra da salvação em Cristo Jesus através de uma série de
afirmações indicativas (vs.3-12), Pedro, dessa vez, relaciona a santidade na
vida cristã como evidência e finalidade da salvação. Se outrora o apóstolo
afirmou a nossa salvação expondo algumas das principais doutrinas da graça,
tais como: eleição, expiação, regeneração, santificação (vs.2-3), agora ele nos
chama através de uma série de imperativos (exortações) para viver esta salvação
na vida prática (1.13-25). Além de explicar para quê o cristão foi salvo, estas
doutrinas da graça são, também, a base do chamado a um estilo de vida em
obediência.
O esboço
homilético desta seção pode ser dividido em três pontos, ou seja, o propósito
da salvação consiste em: 1 Uma vida em santidade (1.13-16). 2 Uma vida com
reverência (1.17-21). 3 Uma vida em amor (1.22-25).
1. Uma
vida em santidade (1.13-16)
Tendo
recebido o dom da salvação em Cristo Jesus (vs.9), os destinatários de Pedro
bem como os cristãos em geral não devem desprezar este inefável presente sendo
negligentes na salvação. Como filhos de Deus, devemos viver em conformidade com
a sua vontade, que consiste numa vida em obediência a sua Palavra (veja Mc
3.35; Jo 9.31; 1Pe 2.15). A realidade da salvação deve se expressar em
santidade vivida.
1.13 Por
isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na
graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.
Pedro,
através de uma série de imperativos (exortações), instrui os seus leitores e a
todos os cristãos em como viver uma vida que glorifica a Deus. Para vivermos em
santidade é necessário:
a) Dispormos a mente. A
preposição por isso é
uma conclusão afirmativa que antecede o tema da obra da salvação tratado nos
versículos 3-12. Pedro, agora, liga a salvação com a santidade (vs.13), e,
desse modo, tomando por base esta salvação que é recebida pela fé em Jesus Cristo
(vs.5), exorta-nos a cingir o nosso entendimento. A expressão cingindo o vosso entendimento, ou
como é na tradução literal do grego – “cingindo os lombos do vosso
entendimento”1 é uma metáfora que, na época de Pedro, no século
1, era facilmente compreendida por todas as pessoas. Porém, hoje, no mundo
moderno, é necessária uma explicação mais acurada do seu significado.
Cingir os lombos, na antiguidade, era um hábito dos orientais.
A túnica, uma roupa comum e usada na época, era uma peça larga e comprida,
semelhante a um vestido longo que cobre todo o corpo. Era colocada sob o manto
ou a capa e usada com um cinto sob a cintura. Esse tipo de roupa, sem o cinto,
atrapalhava a pessoa a exercer algum tipo de trabalho que exigisse movimentos
longos e intensos em alguma atividade física que era preciso certa agilidade.
Sendo assim, para ter uma boa mobilidade e evitar empecilhos, a pessoa cingia
os lombos (ou quadris), isto é, colocava o cinto sobre a túnica. Em outras
palavras, a expressão moderna e equivalente para nós, hoje, seria dizer: Vamos
“arregaçar as mangas ou tirar o casaco”, que indica algum trabalho ou atividade
física que fôssemos exercer.
A
palavra entendimento, no
grego διάνοία (dianoia), se refere à mente; “significa pensar em algo
e tirar as conclusões apropriadas”.2 Portanto, Pedro utiliza e
aplica esta metáfora do cingir os lombos dizendo aos seus leitores e a todos os
cristãos que eles devem estar com a sua mente preparada e disposta para agir
colocando em prática aquilo que ouviram, ou seja, tudo o que foi dito
anteriormente sobre a salvação (vs.3-12).
Aplicação
prática
O
entendimento, aqui, se refere ao modo pelo qual nos relacionamos com Deus
através da mente que irá convergir na nossa conduta. Em vista disso, a nossa
mente deve estar disciplinada e livre de qualquer coisa que possa servir de
obstáculo para, assim, vivermos uma vida cristã pautada nas Escrituras e que
glorifique ao Senhor. A nossa mente precisa estar subjugada aos preceitos de
Deus para que possamos compreender a sua vontade para a nossa vida, discernindo
entre o certo e errado, entre a verdade e a heresia, e não aos preceitos que
norteiam o mundo e a vida de muitos “ditos” cristãos, como, por exemplo, o
evangelho caracterizado pelo materialismo e a preocupação exacerbada com a
estabilidade e a satisfação pessoal na vida.
O
materialismo é uma avidez desenfreada pelo consumismo, e a preocupação
exacerbada com a estabilidade e a satisfação pessoal na vida, além de serem o
lema da sociedade secular, tem sido também o lema da igreja evangélica em sua
maioria. O “evangelho” mundano que tais “cristãos” creem apresenta o seguinte
slogan: Eu tenho que ter isso e aquilo de qualquer maneira! Portanto, vou lutar
e trabalhar sobremaneira para conquistar tudo o que eu desejo ter neste mundo
profetizando e barganhando com Deus! Ou: Eu só serei feliz se tiver dinheiro,
uma namorada (o), uma esposa (o) e saúde!
Todavia,
o materialismo é pecado, mas a motivação pela estabilidade e satisfação pessoal
não são pecado em si. No entanto, esta motivação se torna pecado quando
depositamos toda a nossa esperança e as colocamos como prioridade em nossa vida
em detrimento de Deus, que é a nossa prioridade (1Cor 15.19; Cl 3.1-3). O
evangelho mundano caracterizado pelo materialismo e a preocupação exacerbada
pela estabilidade e satisfação pessoal têm corrompido e desvirtuado a mente de
muitos cristãos. Portanto, conforme a ideia no grego, era como se
Pedro dissesse: Não permita que
qualquer coisa tire o foco da sua mente em relação a compreender e obedecer a
Palavra de Deus!
Para
vivermos em santidade é necessário:
b) Sermos sóbrios. Se os cristãos
devem cingir o entendimento no sentido de estar com a mente preparada,
disciplinada e disposta para viver a salvação que ouviram na vida prática,
Pedro prossegue exortando-os que, agora, eles devem ser sóbrios3 (4.7;
5.8).
No grego,
a expressão sede sóbrios νήφοντες
(nephontes), literalmente “sendo sóbrios”, é um particípio presente ativo que,
traduzido como um imperativo, seria como se eu dissesse que “estou sóbrio ou
tenho autocontrole”. Esta palavra descreve uma pessoa que tem domínio próprio
tanto em relação à bebida alcoólica, evitando, assim, a embriaguez e, de modo
geral, a qualquer tipo de êxtase frenético que extraia a pessoa da
racionalidade. Entretanto, aqui, de forma mais ampla, se refere à pessoa que
não está “embriagada” por coisa alguma estando com a mente lúcida.4 Ser
sóbrio, portanto, além de ser constante, firme e perseverante no
pensamento acerca da esperança da salvação em Cristo Jesus, significa, também,
“ser calmo, estável e controlado” 5 (veja a mesma ideia
em 2Tm 4.5; 1Ts 5.6, 8).
Aplicação
prática
John
MacArhtur acentua que o cristão sóbrio é responsável de modo correto
por suas prioridades e não se deixa embriagar pelas distrações do mundo.6 Não
obstante, é bem verdade que o falso evangelho mundano que corrobora o
materialismo e a preocupação exacerbada pela estabilidade e satisfação pessoal
e todas as suas outras “falsas doutrinas” são um tipo de "droga" que
tem entorpecido muitos cristãos verdadeiros, os quais são cristãos incautos e
sem discernimento espiritual.
Os
prazeres mundanos como a bebida alcoólica, a pornografia, a fornicação (o sexo
fora do casamento), o adultério, a desonestidade, a mentira, as baladas e as
orgias são, também, "drogas" que tem entorpecido muitas pessoas nas
quais, algumas, são até cristãos verdadeiros que, enfraquecidos pelas
negligencias e omissões, se desviaram do evangelho.
O cristão
verdadeiro que está entorpecido pelo falso evangelho pode ter o seu
entendimento elucidado pelo Espírito Santo para o conhecimento do verdadeiro
evangelho e ser liberto da "droga" chamada falso evangelho. O cristão
desviado e entorpecido pelos prazeres mundanos pode, também, ser resgatado e
restaurado por Deus à sobriedade sendo introduzido novamente à comunhão da
igreja. Certamente o Senhor não abandona os seus! Ele cuida de nós!
Para
vivermos em santidade é necessário:
c) Esperarmos na graça. Depois de
instar os cristãos acerca da necessidade de serem vigilantes e equilibrados,
estando com a mente livre de qualquer perturbação e inclinada para a salvação
em Cristo Jesus, Pedro, dessa vez, acentua que eles devem também depositar toda
a esperança que possuem na graça que será entregue quando Jesus Cristo se
revelar.
O
verbo esperar, no grego
έλπίσατε (elpisate), significa, basicamente “colocar a esperança”. É uma forma
verbal de esperança έλπίδα
(elpis) que, no versículo 3, declara que os cristãos, a partir da regeneração,
já recebem a salvação, porém, de modo parcial. Esta salvação parcial, contudo,
é apenas o prelúdio daquilo que ainda é esperado, ou seja, a salvação na sua
plenitude no qual o versículo 5 aborda. Todavia, o verbo esperar, aqui, é seguido pelo
advérbio τελειος (teleios), que pode ser interpretado de duas
maneiras:
1.
Enfatizando o verbo esperar conforme
traduziu a ARA por esperai
inteiramente. 2. Como uma indicação ao modo pelo qual os
cristãos devem viver esta esperança, isto é, com maturidade e integridade (veja
o uso do advérbio τελειος (teleios) também em Tg 1.2-4).
Embora estas duas interpretações sejam possíveis, contudo, seria melhor
entendermos o advérbio τελειος (teleios) como uma ênfase no verbo esperar, no qual se harmoniza
perfeitamente com o contexto geral da carta (3.5). Desse modo, Pedro exorta os
cristãos a esperar inteiramente,
que significa “depositar a esperança”.
Logo,
vemos que esta esperança descrita não consiste em uma pessoa, mas em um objeto,
ou seja, “na graça”. Esta graça que nos versículos 2 e 10 está no tempo
presente, não obstante aqui, é sinônimo da salvação futura (vs.4, 9). Deus,
portanto, está “trazendo a graça para os cristãos na revelação de Jesus
Cristo”.
A
expressão revelação de Jesus
Cristo ARA é uma repetição da última parte do versículo
,e tem o mesmo sentido aqui como uma referencia não a primeira vinda de Cristo,
mas a sua segunda vinda em glória (1Cor 1.7-8). A obra da redenção dos
pecadores eleitos será concluída quando Jesus voltar. A plenitude da salvação
chegará através do livramento da presença do pecado pela glorificação do corpo
e da alma. Portanto, “olhar para a volta de Cristo fortalece a fé e a
esperança em tempos difíceis e concede mais da graça de Deus (Tt 2.10-13)”7
Não obstante,
a seguir, nos versos 14-16, observamos que Pedro amplia o tema da santidade na
vida cristã começando uma nova série de imperativos (exortações) baseados em
três pontos. Senão vejamos:
a) Um solene aviso acerca do perigo à santidade.
1.14 Como
filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na
vossa ignorância.
Pedro,
aqui, tece uma advertência aos seus leitores históricos e a todos os cristãos.
O apóstolo assevera que, uma vez que foram eleitos para a salvação em Cristo
Jesus por Deus Pai (vs.2), regenerados pelo Espírito Santo para a esperança da
salvação futura e uma vida em santidade (vs.3, 13), os cristãos, todavia, não
devem retornar ao estilo de vida que tinham no passado quando não conheciam o
evangelho, o qual era caracterizado pela prática do pecado. Sendo assim, Pedro
diz o que estes cristãos “devem fazer” (imperativo positivo). Vejamos então:
i. Os cristãos devem ser obedientes. A
expressão filhos da obediência “é
um linguajar semita (hebraico). Significa algo como: pessoas que são cunhadas
integralmente pela obediência”8 (veja os exemplos similares em
Lc 10.6; Ef 5.8; 2Ts 2.3).
Geralmente,
os filhos obedientes “são os filhos de uma pessoa que faleceu e deixou um
testamento para que recebam a herança. Os cristãos são chamados de filhos, não
por nascimento, mas por adoção. Entre os gregos e romanos do século 1, a
prática da adoção era bem comum. Um filho adotivo desfrutava dos mesmos
privilégios que o filho natural, até mesmo a ponto de dividir a herança”. Em
vista disso, Pedro chama os seus destinatários e todos os cristãos de filhos da
obediência, ou, em outra tradução, de “filhos obedientes” a fim de esboçar o
conceito de santidade a eles. Portanto, ser filho da obediência é viver uma
vida que desemboque em obediência, que pode ser definida simplesmente como
fazer a vontade de Deus (1.2).
Após
delinear o que os cristãos devem fazer, Pedro, agora, diz o que eles “não devem
fazer” (imperativo negativo). Senão vejamos:
ii. Os cristãos não devem se amoldar novamente aos desejos que tinham
no passado. Embora os primeiros destinatários históricos de Pedro
fossem uma mescla de Judeus e gentios (1.3, 12, 14, 18, 22-23, 25;
2.9-10; 4.3), todavia, o apóstolo relembra aqui especificamente o estilo
de vida dos cristãos gentios no passado antes da conversão, a fim de avisá-los
do perigo de retornar a este velho estilo de vida que Deus não se agrada.
Diferente dos judeus, que conheciam a lei moral, estes gentios eram pagãos e
ignorantes quanto ao conhecimento da vontade de Deus revelada nas Escrituras.
Por essa razão, tinham o seu modus vivendi (modo de viver) conduzido pelas mais
variadas paixões9 ou
“desejos pecaminosos”.
No grego,
a expressão não vos amoldeis σνσχηματιςόμενοι
(syschematizomenoi) é, literalmente, “não vos amoldando”, podendo ser traduzida
como “não se deixem conformar” 10 ou, trivialmente, como
uma exortação a “não entrar no esquema”. Esta expressão “significava assumir a
forma de alguma coisa, a partir de um molde no qual se era encaixado”.11 Contudo,
uma vez que foram libertos da escravidão do pecado (Ef 2.1-3), Pedro adverte
estes cristãos gentios a não entrarem novamente no antigo esquema do mundo
caracterizado por uma vida regida pelos prazeres carnais (veja com exemplo Êx
20.13-17).
Aplicação
prática
Os
cristãos foram salvos para a obediência, por isso os salvos são filhos
obedientes. Como os filhos herdam a natureza dos pais, precisamos viver em
santidade, pois nosso Pai é santo.
Como
filhos obedientes, não podemos retroceder nem cair nas mesmas práticas
indecentes que marcavam nossa conduta quando vivíamos prisioneiros do pecado.
Naquele tempo, os desejos e as paixões constituíam o esquema determinante da
nossa vida e a nossa norma de conduta. É incoerente, incompatível e
inconcebível um salvo amoldar-se às paixões de sua velha vida12 (veja
Ef 4.22-25, 28-29, 31). Que não sigamos o mau exemplo de homens
ímpios e desobedientes. Antes, sejamos corajosos o bastante para rejeitar o
padrão de vida que eles gostariam de impor-nos por seu exemplo e influência.13
____________
Notas:
1. A ARC
traduziu literalmente a expressão no grego.
2. Ênio
Mueller. 1 Pedro – Introdução e Comentário, pág 98.
3. O imperativo
“sede sóbrio” não é um chamado à sobriedade, mas uma metáfora para manter a
mente alerta e serena (Bob Utley. Comentário Bíblico de Marcus e 1, 2 Pedro,
pág 222).
4. A palavra
grega νήφοντες (nephontes) era comumente usada no âmbito religioso na época de
Pedro, especificamente para as religiões de mistério para descrever as pessoas
que se mantinham voltados para a salvação eterna enquanto que as outras pessoas
que eram apegadas as prazeres deste mundo eram consideradas “embriagadas”.
5. Warren
Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento 2, pág 511.
6. Bíblia de
Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1730.
7. Warren
Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento 2, pág 511.
8. Uwe Holmer.
Comentário Esperança. 1 Pedro, pág 21
9. σνσχηματιςόμενοι
(me syschematizomenoi) é um particípio presente passivo que, influenciado pelo
verbo principal “sede” γενήθητε, no versículo 15, no qual é um
imperativo aoristo ativo, é traduzido como um imperativo.
10. Ênio
Mueller. 1 Pedro – Introdução e Comentário, pág 101.
11. A palavra
grega traduzida pela ARA por “paixões” é έπθυμία (epthymia),
que é comumente descrita como “um anseio por algo que é proibido”. Denota um
“forte desejo pela lúxúria”, podendo ser traduzida como “concupisciências” ARC
ou, literalmente do grego como “desejos”, conforme a NVI e a Almeida Século 21
traduziram. Pessoalmente, para melhor entendimento, prefiro a tradução da BJC
em virtude do acréscimo do adjetivo “mau”, ficando, assim, traduzido como “maus
desejos”.
12. Hernandes
Dias Lopes. 1 Pedro, pág 48-49.
13. Russel
Norman Champlin. O Novo Testamento Interpretado – Vol 6. 1 Pedro, pág 104.
***
O propósito da salvação em 1 Pedro - 2/5 (2ª parte)
O propósito da
salvação em 1 Pedro - 2/5
(Por Leonardo Dâmaso)
(continuação)
b) A razão do imperativo à santidade.
1.15 ... pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também a vós mesmos em todo o vosso procedimento.
Após instar os cristãos a sempre se manterem como filhos obedientes e não se amoldarem ao antigo esquema de vida norteado pelo pecado que outrora eles faziam parte antes da conversão, Pedro, dessa vez, salienta por qual motivo os cristãos devem viver em santidade. O apóstolo realça que assim como Deus, que é santo, chamou os cristãos de uma vida outrora em trevas para a sua maravilhosa luz (2.9), os cristãos, em vista disso, também devem ser santos em tudo o que fizerem na vida. Se no versículo 14 Pedro exortou o que os cristãos “não devem fazer” (imperativo negativo), isto é, “não se amoldar” ao esquema de uma vida pecaminosa, aqui, mais uma vez, há outro imperativo – tornai-vos santos.
A
conjunção “mas”, no grego αλλα (alla), traduzido pela a ARA como pelo contrário, estabelece um
contraste com o versículo 14b. Portanto, o versículo 15 é a continuação do
versículo 14b, o qual amplia o tema da santidade na vida cristã. Era como se
Pedro dissesse: “Não façam aquilo de novo” – vos amoldar às paixões que tínheis anteriormente, “mas façam isso” – sejam santos também em tudo o que
fizerem. (NVI) Não obstante duas proposições são
destacadas aqui:
i. O caráter daquele que chama os
cristãos à santidade.14 A palavra “santo” possui
diferentes conotações de significado no Antigo e no Novo Testamento. Santo, no hebraico קדוש (qadosh),
significa “ser separado do uso comum para o uso exclusivo de Deus”. No Antigo
Testamento, todos os objetos que eram utilizados para Deus. As vestes
sacerdotais eram santas (Êx 28.2), o lugar específico para a preparação das
ofertas de sacrifício era santo (Êx 29.31), os vasos usados no templo eram
santos (1Rs 8.4).
Por outro
lado, a mesma ideia de “separado” que a palavra קדוש (qadosh) transmite no
Antigo Testamento é aplicada no Novo Testamento com a palavra grega άγιον
(hagios). Contudo, é importante frisar, para melhor compreensão, que a
santidade de Deus possui uma dupla conotação. Assim, destacamos a santidade
“singular” e a santidade “moral” de Deus. Senão vejamos:
1. A santidade singular de Deus.
De modo restrito, por ser completamente distinto, separado e adorado pela sua
igreja em virtude da sua magnífica grandeza inacessível e ao mesmo tempo
acessível mediante Cristo Jesus (Jo 1.14), somente Deus possui esta santidade
peculiar. Mesmo quando estiverem com os corpos glorificados vivendo eternamente
na terra restaurada, os cristãos não serão santos nesse aspecto como Deus é,
pois ainda continuarão sendo seres finitos. Desse prisma, a santidade de Deus é
única, sendo um atributo incomunicável aos homens (veja Êx 15.11; Is 57.15; Ap
4.8).
2. A santidade moral
de Deus. Proveniente de sua santidade singular, Deus também possui
uma santidade moral. As leis estabelecidas por Deus nas Escrituras revelam o
seu caráter santo e demonstram que ele é absolutamente livre de qualquer
deformidade ética. Deus é separado do pecado e do mal moral (veja Jó 34.10; Hc
1.13). Portanto, diferente da santidade singular, que é exclusiva em Deus, a
santidade moral é comunicável aos homens, o que veremos a seguir.
ii. A santidade deve abarcar todas as áreas da
vida dos cristãos. Pedro sublinha que, assim como Deus, o nosso pai
espiritual (2Cor 6.18; Hb 12.9; Gl 3.26) é santo, nós, cristãos, como filhos
obedientes (vs.14; Rm 8.13-16) também devemos ser santos em toda a nossa
conduta moral15 (2.12; 3.1, 3, 13; 2Pe 2.7; 3.11). O Deus que
exige santidade é, sobretudo, o modelo para que o imitemos em santidade (Ef
5.1). “Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino. Todo
o nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele
que nos chamou do pecado para a salvação”.16
c) A santidade é um imperativo porque é confirmada nas
Escrituras.
1.16
Porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.
Pedro,
agora, ratifica sua exortação aos cristãos sobre a necessidade de conduzirem
suas vidas em santidade recorrendo às Escrituras, afirmando que está escrito
que eles devem ser santos.
A
expressão está escrito γέγραπται
(gegraptai), no grego, “era usada em relação a documentos legais cuja validade
ainda permanecia”.17 Sendo assim, Pedro não baseia a sua
exortação em suas convicções particulares em como os cristãos devem se portar,
mas, sobretudo, lança mão da autoridade das Escrituras do Antigo Testamento
citando Levítico 11.44-45 para confirmar o seu argumento.
O
apóstolo extrai como base para o seu ensino aos cristãos uma exortação
proferida diretamente da boca de Deus a Moisés e a Arão, para que estes
instruíssem o povo de Israel a serem santos em toda a sua conduta moral assim
como Deus é santo (uma vez que a santidade é um dos temas que permeia
Levíticos, veja também 19.2; 20.7, 26; 21.8, 15; 22.9, 16, 32).18 Parafraseando,
era como se Pedro dissesse: Deus
é santo, logo, ele exige que nós, também, sejamos santos, porque ele próprio
corrobora em Levítico 11.44-45 e 19.2 para que sejamos santos assim como ele é santo! A
conjunção porque διότι (dióti) remonta a expressão está escrito, a qual alega que o
imperativo à santidade foi extraído das Escrituras.
Aplicação
prática
Não somos
santificados pela obediência aos preceitos de Deus estabelecidos nas
Escrituras; obedecemos aos preceitos de Deus porque fomos santificados [aspecto
posicional dos cristãos] na união com Cristo Jesus pela regeneração. Por outro
lado, como pessoas que foram (Hb 10.10; 1Cor 6.9-11), são (Hb 2.11) e estão
sendo santificadas pelo Espírito Santo (Hb 10.14), os cristãos, todavia, são
chamados a manifestar santidade [aspecto colaborativo na santificação], isto é,
o caráter do Deus santo em suas vidas “interiormente” quando estão sozinhos e
ninguém os vê, somente Deus, e “externamente” na maneira de viver (ARC) com os outros
pelos relacionamentos sociais (para mais detalhes sobre a santificação veja o
meu comentário do versículo 2b).
William
Barclay escreve:
O cristão
é um homem de Deus por eleição de Deus. É eleito para uma tarefa no mundo e
para um destino na eternidade. É eleito para viver para Deus no tempo e para
viver com Deus na eternidade. No mundo tem que obedecer a lei de Deus e
reproduzir a vida de Deus. O cristão foi eleito por Deus, e, portanto, em sua
vida tem que haver algo da pureza de Deus e em sua ação tem que manifestar-se
algo do amor de Deus. O cristão recebeu a tarefa de ser diferente.19
_________
Notas:
[14] A
expressão “segundo é santo aquele que vos chamou”, traduzida literalmente do
grego κατά τόν καλέσαντα υμας άγιον – “assim como o santo que vos chamou” é
incompleta, embora esteja correta. Porém, quando acrescentamos na tradução o
verbo auxiliar (tempo presente do modo indicativo) εστιν (estin) “é”, o sentido
da expressão fica mais claro – “assim como “é” santo aquele que vos chamou”.
(Almeida Século 21) No entanto, prefiro a tradução desse trecho da seguinte
forma: “Conforme o exemplo do Santo que vos chamou” (veja um exemplo similar em
2Pe 2.1).
[15] No
grego, o substantivo αναστροφη (anastrophe), literalmente “conduta”, traduzido
pela a ARA por “procedimento”, e pela a ARC por “maneira de viver”, enfatiza o
estilo de vida moral que uma pessoa tem no seu relacionamento com outras
pessoas. Desse modo, prefiro a tradução literal do grego ou a tradução da ARC.
[16] Hernandes
Dias Lopes. 1 Pedro, pág 50.
[17] Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave
Linguística do Novo Testamento Grego, pág 554-555.
[18] A religião
judaica promovida e distorcida pelos fariseus e líderes religiosos ensinava que
os homens poderiam alcançar a santificação pelos seus próprios atos
simplesmente se cumprissem os preceitos descritos na “lei”. Tais preceitos de
santidade tinham conotações legalistas porque eram baseados numa interpretação
equivocada das Escrituras (Mc 7.1-13; Hb 13.9). Contudo, tanto a lei no Antigo
Testamento quanto o evangelho enfatiza o contrário. Assim como a salvação é e
sempre foi pela graça mediante a fé, a santificação (progressiva), por sua vez,
também é desfrutada pela fé (At 26.18).
[19] William
Barclay. 1 Pedro, pág 64-65.
***
Fonte: Trecho extraído do Comentário Expositivo de 1 Pedro do autor.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
CRISTO É O ELEITO (refutando o calvinismo)
CRISTO É O ELEITO E, SE VOCÊ ESTÁ EM CRISTO,
VOCÊ É ELEITO NELE
A presente postagem tem foco em Isaías e Efésios. Falei há um tempo que escreveria como para mim é difícil imaginar como alguém pode ler a Carta aos Efésios de um ponto de vista calvinista, mas não escrevi ainda, então fiquem com este comentário por enquanto.
--------------------------
Cristo é o eleito e, se você está em Cristo, você é eleito Nele.
"Eis aqui o Meu servo, a Quem sustenho, o Meu Eleito, em Quem se apraz a Minha alma; pus o Meu espírito sobre Ele; Ele trará justiça aos gentios.
Não clamará, não Se exaltará, nem fará ouvir a Sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça. Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a Sua lei.
Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela.
Eu, o Senhor, Te chamei em justiça, e Te tomarei pela mão, e Te guardarei, e Te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios. Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas." - Isaías 42:1-7
Deus não elege certos indivíduos para a salvação; em vez disso, Ele escolheu eleger Seu Filho, Cristo, para ser o "veículo" que traz muitos de nós à salvação. O Novo Testamento ensina que Cristo é um Corpo de muitos membros, Corpo do qual Jesus é a Cabeça. Se você é um membro daquele Corpo, então você está "em Cristo", e é estando "em Cristo" que participamos Dele e de Sua eleição. Nós somos eleitos "em Cristo" porque Ele é o Escolhido de Deus, e contanto que estejamos "em Cristo" pela fé, também seremos escolhidos e eleitos em Cristo.
Antes de estarmos "em Cristo", a Bíblia diz que estamos "em Adão", e que "em Adão" todos morreram, mas "em Cristo" fomos todos feitos vivos (1 Cor 15:22). Estando "em Cristo", recebemos um status que não tínhamos antes de sermos parte de Seu Corpo, qual seja, o de eleitos "Nele".
Por que calvinistas não podem dizer que fomos feitos justos porque Deus nos escolheu individualmente para sermos justos (talvez alguns o digam!)? Ninguém pode argumentar que somos justos em qualquer base individual, pois a Bíblia claramente ensina que somos feitos justos "em Cristo". É a justiça de Cristo de que desfrutamos, não nossa própria e individual justiça.
Calvinistas também apontam Efésios 1 como um texto-prova para a eleição individual, mas em lugar nenhum a Bíblia diz, especialmente não em Efésios 1, que somos escolhidos individualmente. A eleição sempre é condicionada ao estar "no" Eleito/Escolhido, que é Cristo. Considere estes versos de Efésios 1:
"[1] Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:
[4] Como também nos elegeu Nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante Dele em amor;
[7] Em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça,
[9] Descobrindo-nos o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si mesmo,
[10] De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;
[11] Nele, digo, em Quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito Daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade;
[12] Com o fim de sermos para louvor da Sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo;
[13] Em Quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo Nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;"
Claramente, esses versos não falam de quaisquer pessoas individualmente, visto que pronomes como "nós" e "nos" são usados por toda a passagem. Essas palavras indicam um Corpo corporativo, que está "em Cristo" ou "Nele".
Assim, todas as promessas feitas aos eleitos de Deus são cumpridas "em Cristo", e somente quando estamos "em Cristo", podemos nós também desfrutar dos benefícios dessas promessas.
Da mesma forma como Deus escolheu Israel como uma nação corporativa para ser Seu Povo Escolhido, uma nação feita de indivíduos que vivam em Israel, assim é com Cristo. Nós somos uma nação escolhida, santa, "em Cristo", porque estamos Nele.
(Brian
Cook)
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
A Revelação de Jesus Cristo
Por Gabriel Felipe M. Rocha
Textos base: João 14: 26 e Gálatas 1: 12.
“Mas aquele Consolador, o
Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas
[...]” (João 14: 26);
“Porque não recebi e nem
aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1:
12).
É muito comum ouvirmos no meio evangélico - principalmente no meio pentecostal – o termo “revelação” e, muitas das vezes, o termo está sendo empregado em referência a um possível dom espiritual, uma mensagem ou um anúncio especial da parte de Deus. Pois bem, é comum ouvirmos isso e, por ter se tornado algo comum, tornou-se também perigoso para a saúde espiritual de algumas igrejas que se lançam cada vez mais - desenfreadamente - aos experimentalismos estranhos em nome da confissão pentecostal e em nome do próprio Espírito Santo. Muitas igrejas e seitas cristãs colocam a “revelação” em referência a uma nova doutrina ou uma nova prática dita “revelada” por Deus. Mas, destrutivamente, muitas dessas “revelações” vão contra a sã doutrina de Jesus Cristo e configuram-se em heresias sem fim.
Por outro lado, - e com a Bíblia na mão – não podemos ignorar que, de fato, o Espírito Santo atua (ou deve atuar) de forma operante na Igreja de Jesus Cristo (quando emprego aqui “Igreja”, não trato exatamente de uma denominação religiosa, mas sim do Corpo de Cristo identificado na particularidade de cada crente genuíno e na unidade espiritual dos mesmos). O Espírito Santo deve ser o guia, o direcionador e o professor da Igreja. Enganam-se os que pensam que o atuar do Espírito na igreja se dá apenas em operações visíveis de curas, línguas, visões, revelações, etc. Aliás, o Espírito Santo deve ser o agente indispensável da Igreja na oposição ao pecado e à heresia, no ensino da Palavra de Deus, no genuíno avivamento, na santificação do crente, no aperfeiçoamento do Corpo, na distribuição e aperfeiçoamento dons espirituais, na vivificação, iluminação e revelação da Palavra expositiva, no guiar das missões evangelísticas, no conceder da sabedoria e ordem nos cultos, no discernimento espiritual, no crescimento particular do crente, na libertação do neófito, no louvor entoado, na escolha e levantamento de cargos eclesiásticos, na direção dos atos da igreja local ou organizacional, etc. Sem a presença do Espírito Santo na igreja, existirá apenas ortodoxia morta ou, por outro lado, manifestações ditas pentecostais, mas sem a verdadeira operação do Espírito divino. Aliás, onde não há a operação do Santo Espírito de Deus, só pode haver dois outros tipos de espírito: o humano e o satânico. Isso é sério!
Mas, de fato, a revelação tem um lugar no seio da Igreja e devemos entender melhor sobre a mesma:
Trago aqui um conceito básico de “revelação”: Revelação divina é a denominação, de modo genérico, para todo conhecimento transmitido ao homem diretamente por Deus (muitas vezes o meio por onde este conhecimento foi passado também é chamado assim). A revelação é o ato de revelar ou desvendar ou tornar algo claro ou óbvio e compreensível por meio de uma comunicação ativa ou passiva com a Divindade. A Revelação pode originar-se diretamente de uma divindade ou por um intercessor ou agente, como um anjo ou santidade; alguém que tenha experienciado tal contato é denominado profeta. (fonte: Wikipédia)
No contexto de Gálatas, Paulo foi bem enfático e também severo quanto ao desvio da fé mediante os “novos ensinamentos” inseridos no Corpo por meio de religiosos e legalistas que ainda não haviam se contentado com o Evangelho (o vinho novo). Nesse contexto, Paulo assevera: “se alguém anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1:9). E ainda afirma que seu apostolado é por causa divina e não humana e o teor de sua pregação é espiritual e não terreno (Gl 1: 10,11) e, sendo dessa forma, não tinha a obrigação de agradar os homens e nem ao sistema legalista que imperava ali no seu tempo, mas sim a Deus (somente a Deus a glória). Para deixar entendido e concluído, Paulo diz no verso 12 que o que aprendeu (o Evangelho) não foi por meio dos ensinamentos humanos, mas sim pela revelação do Cristo.
Analisando o texto original, percebi a tamanha riqueza contida nessa afirmação de Paulo.
A palavra usada por Paulo “aprendi” no grego é “didaskô” que corresponde ao verbo “ensinar”, “aprender”, “aconselhar”. Esse termo (“didaskô”) tem ligação com o termo grego “didachê”, usado também nos textos originais para definir “doutrina”.
Portanto, Paulo dizia sem deixar dúvidas que a doutrina que ele pregava não era uma doutrina humana, proveniente dos homens e aprendida pelos mestres acadêmicos, mas era proveniente da “revelação” de Jesus Cristo. E, como sabemos, o agente revelador no seio da Igreja de Jesus Cristo é o próprio Espírito Santo, portanto, o Espírito divino revela a Pessoa de Jesus Cristo (revela à Igreja o Cristo glorificado). E a Igreja é comissionada para revelar – e anunciar – ao mundo o Cristo por meio da operação (obra) do Espírito Santo. (Ver em João 17: 21,22 e 23). Portanto, a mensagem do Evangelho, o anúncio do Cristo é através da ação espiritual. Como foi na experiência da Igreja descrita em Atos, a Igreja de hoje deve buscar a sensibilidade para ouvir de forma cada vez mais aguçada a voz do Espírito para que cada vez mais ela se ajuste ao projeto revelado por Deus nas Escrituras, a saber, a redenção humana (“[...] ouça o que o Espírito diz às igrejas...” /Ap. 2:7).
No original, Paulo expõe a idéia de que a “revelação” de Jesus Cristo é a causadora da sua aprendizagem e do teor de sua mensagem. Mas qual foi a revelação de Jesus Cristo a Paulo?
O contexto não nos permite afirmar que a revelação de Jesus Cristo que Paulo cita na carta aos Gálatas era a somente revelação de Cristo na experiência pelo caminho de Damasco quando o mesmo Cristo lhe aparecera numa manifestação espiritual (Atos 9: 3 ao 7). Mas a ideia contida no contexto é a de que Paulo aprendeu não no ato da primeira experiência com o Senhor Jesus, mas no processo dinâmico da revelação de Jesus Cristo, Por Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Na santificação diária e na disposição para o serviço, o Deus vivo falava...
Isso corrobora com o que o mesmo Jesus Cristo havia prometido em João 14: 26: “[...] aquele Consolador, o Espírito Santo [...] vos ensinará todas as coisas [...]”.
Algumas das tantas operações do Espírito Santo no seio da Igreja de Jesus Cristo são: a consolidação doutrinária (uma só mente e um só coração), promoção da unidade do Corpo e do crescimento do mesmo e o aperfeiçoamento doutrinário dentro da Igreja na medida em que essa permite a operação do Espírito Santo e o tem não como um parceiro apenas na realização da obra de Cristo, mas como o guia indispensável e condutor infalível.
Contudo, não podemos dizer que o mesmo Espírito “revela novas coisas”, coisas essas que ultrapassam a sã doutrina de Jesus Cristo. Mas apenas ensina e aperfeiçoa aquilo que na Palavra de Deus já se mostra. Da mesma forma, a obra do Espírito Santo não se limita ao tempo histórico e se perfaz sob um viés profético e, na perspectiva da profecia, o Consolador Espírito Santo faz notória sua obra de redenção. Nesse contexto, Ele ensina, revela, aperfeiçoa e direciona como um capitão que dita estratégias aos seus soldados em meio ao combate e campanha proposta. Muitas igrejas atingem níveis de aperfeiçoamento diferente e isso configura a diversidade de igrejas e doutrinas (algo que é perigoso), mas em muitas igrejas sérias e compromissadas com a Palavra da Verdade, vemos as diferenças em algumas colocações doutrinárias, mas vemos uma unidade: o Cristo, seu batismo e seu exemplo. Contudo, o Espírito Santo ensina, adverte, corrige, exorta, opõe e consolida.
No entanto, nem tudo é do Espírito de Deus. Muitas coisas surgem em algumas igrejas e nada tem em comum com o plano profético de Deus. Aí se configura a heresia e, com a heresia, temos a apostasia.
Antes de falarmos aqui da apostasia e da heresia, vamos entender o verdadeiro sentido do termo “profético”.
O Significado da Palavra
O termo mais antigo, no hebraico do Velho Testamento, para profeta ou ‘profético’ é roeh, que quer dizer vidente. Outra palavra, que surgiu depois, é nabi’, aquele que fala, um porta-voz. Nabi’ vem de uma raiz que significa levantar-se, vir à luz ou inchar-se. É relacionada com a palavra para um ribeiro borbulhante e com o verbo jorrar, com o sentido de proferir abundantes sons ou palavras (Pv 18.4).
Esta idéia pode ter um sentido passivo, como de alguém que se faz borbulhar pelo Espírito de Deus, que é inspirado por ele. O sentido mais correto, porém, é ativo e contínuo: alguém que jorra as palavras de Deus, um divulgador divinamente inspirado, um anunciador ou porta-voz (Êx 7.1).
Portanto, há um aspecto anterior, passivo e receptivo no profeta: ele vê. E há um aspecto ativo e comunicativo: ele fala. Antes de poder funcionar como boca ou comunicador, ele precisa receber revelação, percepção e visão; precisa “borbulhar” com os propósitos e sentimentos do coração de Deus.
“Então disse eu: Não me lembrarei dele, e não falarei mais no seu nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fatigado de sofrer e não posso” (Jr 20.9; ver também Jr 6.11).
“Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq 3.8).
Pois bem, mas um conteúdo importante da profecia é: trazer de volta para Deus, ou, chamar de volta para Deus. Veja que todos os profetas da Bíblia ‘chamaram de volta para Deus’, inclusive o próprio João Batista. Nessa perspectiva, o termo “profético” se relaciona com o termo “avivamento” que, basicamente, significa: “voltar-se para Deus” após o ato de “receber a vida de Deus (vivificar/ avivar)”. Então, dessa forma, a verdadeira profecia chama o homem para o avivamento, para voltar-se ao seu Criador.
Nesse mesmo horizonte é que podemos chamar a Bíblia de profética, pois ela, em seu conteúdo revelado, chama o homem de volta para Deus e sua chave hermenêutica fundamental é o Cristo e seu sangue – que trouxe pelo seu pacto sacrifical o homem de volta para Deus.
Sendo assim, a Bíblia é um livro literariamente e espiritualmente profético, pois é a revelação do projeto de redenção de Deus cuja centralidade está toda em Jesus Cristo, o Verbo de Deus, a verdadeira “Palavra Revelada”. Por que é profética? Porque revela a salvação em Cristo. O ato salvífico de Cristo se resume em: trazer o homem de volta para Deus, logo, o conteúdo da Bíblia é profético. Aliás, a salvação é profética, pois parte do pressuposto bíblico que Deus programou tal projeto na Eternidade e lá elegeu o seu povo para herdar a salvação e a glória em Cristo. Tal projeto foi revelado em Jesus Cristo. Não é à toa que a figura do sangue percorre por toda a Bíblia, mostrando, conforme nos explica o autor de Hebreus, que viria o “Perfeito” (Cristo). Isso sustenta a frase de Cristo: “examinai as Escrituras, pois elas de mim testificam”. Como “de mim testificam”? Pelas figuras e tipos. Onde entra a interpretação e a “revelação” nisso? Entra no fato de: o Espírito conduzir o que manuseia a Palavra ao entendimento de caráter profético que configura numa espécie de revelação, pois, bota “para fora” algo que a Bíblia tinha como “modelo”.
A doutrina proveniente de Deus traz o homem de volta a Deus e mantém-no sempre perto de Deus. Nenhuma doutrina centralizada na Palavra, inspirada e revelada por Deus pode levar o crente para longe de Deus. Mas o conteúdo da heresia é a apostasia (afastamento). Toda doutrina que não é de Deus e não se justifica pela Escritura tende a afastar o praticante de Deus, configurando aí a apostasia. Mas nenhuma heresia pode levar o homem a Deus. Se uma doutrina faz com que o crente se prostre diante de Deus e confesse sua fraqueza e limitação diante do altíssimo, logo ela não pode ser uma heresia, pois o conteúdo da heresia é o afastamento. O Diabo não leva ninguém a Cristo, mas afasta.
Por outro lado, - e com a Bíblia na mão – não podemos ignorar que, de fato, o Espírito Santo atua (ou deve atuar) de forma operante na Igreja de Jesus Cristo (quando emprego aqui “Igreja”, não trato exatamente de uma denominação religiosa, mas sim do Corpo de Cristo identificado na particularidade de cada crente genuíno e na unidade espiritual dos mesmos). O Espírito Santo deve ser o guia, o direcionador e o professor da Igreja. Enganam-se os que pensam que o atuar do Espírito na igreja se dá apenas em operações visíveis de curas, línguas, visões, revelações, etc. Aliás, o Espírito Santo deve ser o agente indispensável da Igreja na oposição ao pecado e à heresia, no ensino da Palavra de Deus, no genuíno avivamento, na santificação do crente, no aperfeiçoamento do Corpo, na distribuição e aperfeiçoamento dons espirituais, na vivificação, iluminação e revelação da Palavra expositiva, no guiar das missões evangelísticas, no conceder da sabedoria e ordem nos cultos, no discernimento espiritual, no crescimento particular do crente, na libertação do neófito, no louvor entoado, na escolha e levantamento de cargos eclesiásticos, na direção dos atos da igreja local ou organizacional, etc. Sem a presença do Espírito Santo na igreja, existirá apenas ortodoxia morta ou, por outro lado, manifestações ditas pentecostais, mas sem a verdadeira operação do Espírito divino. Aliás, onde não há a operação do Santo Espírito de Deus, só pode haver dois outros tipos de espírito: o humano e o satânico. Isso é sério!
Mas, de fato, a revelação tem um lugar no seio da Igreja e devemos entender melhor sobre a mesma:
Trago aqui um conceito básico de “revelação”: Revelação divina é a denominação, de modo genérico, para todo conhecimento transmitido ao homem diretamente por Deus (muitas vezes o meio por onde este conhecimento foi passado também é chamado assim). A revelação é o ato de revelar ou desvendar ou tornar algo claro ou óbvio e compreensível por meio de uma comunicação ativa ou passiva com a Divindade. A Revelação pode originar-se diretamente de uma divindade ou por um intercessor ou agente, como um anjo ou santidade; alguém que tenha experienciado tal contato é denominado profeta. (fonte: Wikipédia)
No contexto de Gálatas, Paulo foi bem enfático e também severo quanto ao desvio da fé mediante os “novos ensinamentos” inseridos no Corpo por meio de religiosos e legalistas que ainda não haviam se contentado com o Evangelho (o vinho novo). Nesse contexto, Paulo assevera: “se alguém anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1:9). E ainda afirma que seu apostolado é por causa divina e não humana e o teor de sua pregação é espiritual e não terreno (Gl 1: 10,11) e, sendo dessa forma, não tinha a obrigação de agradar os homens e nem ao sistema legalista que imperava ali no seu tempo, mas sim a Deus (somente a Deus a glória). Para deixar entendido e concluído, Paulo diz no verso 12 que o que aprendeu (o Evangelho) não foi por meio dos ensinamentos humanos, mas sim pela revelação do Cristo.
Analisando o texto original, percebi a tamanha riqueza contida nessa afirmação de Paulo.
A palavra usada por Paulo “aprendi” no grego é “didaskô” que corresponde ao verbo “ensinar”, “aprender”, “aconselhar”. Esse termo (“didaskô”) tem ligação com o termo grego “didachê”, usado também nos textos originais para definir “doutrina”.
Portanto, Paulo dizia sem deixar dúvidas que a doutrina que ele pregava não era uma doutrina humana, proveniente dos homens e aprendida pelos mestres acadêmicos, mas era proveniente da “revelação” de Jesus Cristo. E, como sabemos, o agente revelador no seio da Igreja de Jesus Cristo é o próprio Espírito Santo, portanto, o Espírito divino revela a Pessoa de Jesus Cristo (revela à Igreja o Cristo glorificado). E a Igreja é comissionada para revelar – e anunciar – ao mundo o Cristo por meio da operação (obra) do Espírito Santo. (Ver em João 17: 21,22 e 23). Portanto, a mensagem do Evangelho, o anúncio do Cristo é através da ação espiritual. Como foi na experiência da Igreja descrita em Atos, a Igreja de hoje deve buscar a sensibilidade para ouvir de forma cada vez mais aguçada a voz do Espírito para que cada vez mais ela se ajuste ao projeto revelado por Deus nas Escrituras, a saber, a redenção humana (“[...] ouça o que o Espírito diz às igrejas...” /Ap. 2:7).
No original, Paulo expõe a idéia de que a “revelação” de Jesus Cristo é a causadora da sua aprendizagem e do teor de sua mensagem. Mas qual foi a revelação de Jesus Cristo a Paulo?
O contexto não nos permite afirmar que a revelação de Jesus Cristo que Paulo cita na carta aos Gálatas era a somente revelação de Cristo na experiência pelo caminho de Damasco quando o mesmo Cristo lhe aparecera numa manifestação espiritual (Atos 9: 3 ao 7). Mas a ideia contida no contexto é a de que Paulo aprendeu não no ato da primeira experiência com o Senhor Jesus, mas no processo dinâmico da revelação de Jesus Cristo, Por Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Na santificação diária e na disposição para o serviço, o Deus vivo falava...
Isso corrobora com o que o mesmo Jesus Cristo havia prometido em João 14: 26: “[...] aquele Consolador, o Espírito Santo [...] vos ensinará todas as coisas [...]”.
Algumas das tantas operações do Espírito Santo no seio da Igreja de Jesus Cristo são: a consolidação doutrinária (uma só mente e um só coração), promoção da unidade do Corpo e do crescimento do mesmo e o aperfeiçoamento doutrinário dentro da Igreja na medida em que essa permite a operação do Espírito Santo e o tem não como um parceiro apenas na realização da obra de Cristo, mas como o guia indispensável e condutor infalível.
Contudo, não podemos dizer que o mesmo Espírito “revela novas coisas”, coisas essas que ultrapassam a sã doutrina de Jesus Cristo. Mas apenas ensina e aperfeiçoa aquilo que na Palavra de Deus já se mostra. Da mesma forma, a obra do Espírito Santo não se limita ao tempo histórico e se perfaz sob um viés profético e, na perspectiva da profecia, o Consolador Espírito Santo faz notória sua obra de redenção. Nesse contexto, Ele ensina, revela, aperfeiçoa e direciona como um capitão que dita estratégias aos seus soldados em meio ao combate e campanha proposta. Muitas igrejas atingem níveis de aperfeiçoamento diferente e isso configura a diversidade de igrejas e doutrinas (algo que é perigoso), mas em muitas igrejas sérias e compromissadas com a Palavra da Verdade, vemos as diferenças em algumas colocações doutrinárias, mas vemos uma unidade: o Cristo, seu batismo e seu exemplo. Contudo, o Espírito Santo ensina, adverte, corrige, exorta, opõe e consolida.
No entanto, nem tudo é do Espírito de Deus. Muitas coisas surgem em algumas igrejas e nada tem em comum com o plano profético de Deus. Aí se configura a heresia e, com a heresia, temos a apostasia.
Antes de falarmos aqui da apostasia e da heresia, vamos entender o verdadeiro sentido do termo “profético”.
O Significado da Palavra
O termo mais antigo, no hebraico do Velho Testamento, para profeta ou ‘profético’ é roeh, que quer dizer vidente. Outra palavra, que surgiu depois, é nabi’, aquele que fala, um porta-voz. Nabi’ vem de uma raiz que significa levantar-se, vir à luz ou inchar-se. É relacionada com a palavra para um ribeiro borbulhante e com o verbo jorrar, com o sentido de proferir abundantes sons ou palavras (Pv 18.4).
Esta idéia pode ter um sentido passivo, como de alguém que se faz borbulhar pelo Espírito de Deus, que é inspirado por ele. O sentido mais correto, porém, é ativo e contínuo: alguém que jorra as palavras de Deus, um divulgador divinamente inspirado, um anunciador ou porta-voz (Êx 7.1).
Portanto, há um aspecto anterior, passivo e receptivo no profeta: ele vê. E há um aspecto ativo e comunicativo: ele fala. Antes de poder funcionar como boca ou comunicador, ele precisa receber revelação, percepção e visão; precisa “borbulhar” com os propósitos e sentimentos do coração de Deus.
“Então disse eu: Não me lembrarei dele, e não falarei mais no seu nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fatigado de sofrer e não posso” (Jr 20.9; ver também Jr 6.11).
“Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq 3.8).
Pois bem, mas um conteúdo importante da profecia é: trazer de volta para Deus, ou, chamar de volta para Deus. Veja que todos os profetas da Bíblia ‘chamaram de volta para Deus’, inclusive o próprio João Batista. Nessa perspectiva, o termo “profético” se relaciona com o termo “avivamento” que, basicamente, significa: “voltar-se para Deus” após o ato de “receber a vida de Deus (vivificar/ avivar)”. Então, dessa forma, a verdadeira profecia chama o homem para o avivamento, para voltar-se ao seu Criador.
Nesse mesmo horizonte é que podemos chamar a Bíblia de profética, pois ela, em seu conteúdo revelado, chama o homem de volta para Deus e sua chave hermenêutica fundamental é o Cristo e seu sangue – que trouxe pelo seu pacto sacrifical o homem de volta para Deus.
Sendo assim, a Bíblia é um livro literariamente e espiritualmente profético, pois é a revelação do projeto de redenção de Deus cuja centralidade está toda em Jesus Cristo, o Verbo de Deus, a verdadeira “Palavra Revelada”. Por que é profética? Porque revela a salvação em Cristo. O ato salvífico de Cristo se resume em: trazer o homem de volta para Deus, logo, o conteúdo da Bíblia é profético. Aliás, a salvação é profética, pois parte do pressuposto bíblico que Deus programou tal projeto na Eternidade e lá elegeu o seu povo para herdar a salvação e a glória em Cristo. Tal projeto foi revelado em Jesus Cristo. Não é à toa que a figura do sangue percorre por toda a Bíblia, mostrando, conforme nos explica o autor de Hebreus, que viria o “Perfeito” (Cristo). Isso sustenta a frase de Cristo: “examinai as Escrituras, pois elas de mim testificam”. Como “de mim testificam”? Pelas figuras e tipos. Onde entra a interpretação e a “revelação” nisso? Entra no fato de: o Espírito conduzir o que manuseia a Palavra ao entendimento de caráter profético que configura numa espécie de revelação, pois, bota “para fora” algo que a Bíblia tinha como “modelo”.
A doutrina proveniente de Deus traz o homem de volta a Deus e mantém-no sempre perto de Deus. Nenhuma doutrina centralizada na Palavra, inspirada e revelada por Deus pode levar o crente para longe de Deus. Mas o conteúdo da heresia é a apostasia (afastamento). Toda doutrina que não é de Deus e não se justifica pela Escritura tende a afastar o praticante de Deus, configurando aí a apostasia. Mas nenhuma heresia pode levar o homem a Deus. Se uma doutrina faz com que o crente se prostre diante de Deus e confesse sua fraqueza e limitação diante do altíssimo, logo ela não pode ser uma heresia, pois o conteúdo da heresia é o afastamento. O Diabo não leva ninguém a Cristo, mas afasta.
(Continua. Breve postarei aqui nesta postagem mesmo o restante do assunto. Ao concluir a segunda parte, editarei a presente postagem e colocarei tudo em uma postagem só. Aguardem.)
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