segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A importância vital da unidade cristã

A importância vital da unidade cristã

Referência: Filipenses 2.1-5

1. A unidade espiritual da igreja é produzida por Deus
A unidade espiritual da igreja é uma obra exclusiva de Deus. Não podemos produzir unidade, mas apenas mantê-la. Todos aqueles que crêem em Cristo, em qualquer lugar, em qualquer tempo fazem parte da família de Deus e estão ligados ao corpo de Cristo pelo Espírito.
Esta unidade não é externa, mas interna. Ela não é unidade denominacional, mas espiritual. Só existe um corpo de Cristo, uma igreja, um rebanho, uma noiva. Todos aqueles que nasceram de novo e foram lavados no sangue do cordeiro fazem parte dessa bendita família de Deus.
Esta unidade é construída sobre o fundamento da verdade (Ef 4.1-6). Por isso, a tendência ecumênica de unir todas as religiões, afirmando que doutrina divide enquanto o amor une é uma falácia. Não há unidade cristã fora da verdade.
2. A unidade espiritual da igreja precisa ser preservada com diligência
William Barclay diz que o perigo que ameaçava a igreja de Filipos e ainda ameaça todas as igrejas saudáveis é a desunião. Os negócios internos da igreja não iam tão bem quanto os negócios externos. Havia alguns transtornos em casa, diz William Hendriksen. Paulo exorta a igreja de Filipos a tapar as brechas que estavam comprometendo a unidade da igreja, como já havia exortado a igreja de Éfeso (Ef 4.3).
Paulo recorre a este tema, depois de tê-lo abordado no capítulo anterior (1.27). Ninguém pode destruir o fato de que pessoas que creram em Cristo, foram adotadas na família de Deus, nasceram do Espírito, foram seladas pelo Espírito e batizadas no corpo de Cristo pelo Espírito são um em Cristo Jesus. Porém, essas mesmas pessoas podem quebrar essa comunhão como os membros de uma família que em vez de viver em amor, vivem brigando entre si, deixando de desfrutar a alegria de uma convivência harmoniosa. Quando os crentes vivem brigando e falando mal uns dos outros, isso é um espetáculo lamentável e vergonhoso diante do mundo que desonra a Cristo e a própria igreja.
Paulo faz uma transição dos inimigos externos (1.28), para os perigos internos (2.1-4). Ralph Martin diz que esta transição que a palavra grega oun “pois” demarca, presume que Paulo está deixando a ameaça de um mundo hostil, para tratar de um problema igualmente ameaçador, o da comunidade dividida. Paulo alerta para o fato de que uma igreja dividida é uma presa fácil no caso de um ataque frontal da sociedade externa. Assim, não basta apenas ficar firme contra os perigos que vêm de fora, é preciso acautelar-se contra o perigo de esboroar-se por causa das divisões intestinas. Werner de Boor diz que, para Paulo “uma santa e una igreja” não era apenas um artigo de fé.
A palavra inicial usada por Paulo é traduzida melhor por “visto que”, ao invés de “se”. Essa conjunção grega ei “se” implica a inexistência de qualquer dúvida quanto à realidade destas bênçãos, quer na mente de Paulo, quer na experiência dos filipenses: poderia ser traduzido assim: “Tão certo quanto…”.
Acompanhemos o ensino de Paulo sobre esse tema fundamental para a igreja de Cristo em todos os tempos.
I. OS ALICERCES DA UNIDADE (2.1)
O apóstolo Paulo antes de exortar a igreja sobre a questão da unidade cristã dá a base doutrinária. Há quatro pilares que sustentam a unidade cristã. Esses pilares não são criados pela igreja, mas são dádivas de Deus à igreja. Robertson diz que há quatro fundamentos dados por Paulo para justificar seu apelo à unidade. Ele coloca esses fundamentos em forma cláusulas condicionais, mas ele assume em cada uma que a condição é verdadeira. Esses pilares já existem e eles precisam ser o alicerce da unidade.
J. A. Motyer destaca que podemos ver a obra da própria Trindade na construção da unidade da igreja. Os crentes estão em Cristo, experimentando a realidade do amor de Deus, pela ação do Espírito Santo. J. B. Lightfoot diz que o apóstolo Paulo apela aos filipenses por meio de sua mais profunda experiência como cristãos para preservarem a paz e a concórdia. Dos quatro fundamentos da unidade, o primeiro e o terceiro são objetivos (exortação em Cristo e comunhão do Espírito), os princípios externos do amor e harmonia; enquanto o segundo e o quarto (consolação de amor e entranhados afetos e misericórdias) são subjetivos, os sentimentos interiores que nos inspiram.
1. Exortação em Cristo (2.1)
A palavra grega paraklesis sugere que há uma obrigação colocada sobre os filipenses, oriunda diretamente de sua vida comum “em Cristo”, para trabalharem juntos, em harmonia. Paulo está convidando os filipenses a lembrar-se de seu status de comunidade amada por Cristo. Bruce Barton diz que todo crente tem recebido encorajamento, exortação e conforto de Cristo. Essa comum experiência deveria unir os crentes de Filipos. William Barclay alerta para o fato de que ninguém pode caminhar desunido com seu semelhante e ao mesmo tempo estar unido a Cristo. Ninguém pode viver a atmosfera de Cristo e viver ao mesmo tempo odiando a seus semelhantes.
2. Consolação de amor (2.1)
Robertson afirma que a palavra “consolação” aqui deveria ser traduzida como encorajamento e consolação, pois a idéia é terna persuasão do amor. Aqui é o amor de Cristo pela igreja que Paulo tem em vista. Ao conclamá-los para que vivam juntos em harmonia, Paulo apela para os mais altos motivos: o amor que o Senhor da Igreja nutre por seu povo deve impeli-los a viver dignamente. O amor nos leva a amar como Cristo nos amou (1Jo 3.16). O amor nos leva a suportar uns aos outros. O amor nos leva a perdoar uns aos outros. O inferno é a condição eterna dos que fizeram da relação com Deus e seus semelhantes algo impossível porque destruíram em suas vidas o amor.
William Barclay alerta para o fato de que não significa só amar aos que nos amam, aos que nos agradam ou aos que são dignos de ser amados. Significa uma boa vontade invencível para aqueles que nos odeiam. É o poder de amar aos que não nos agradam, é a capacidade semelhante à de Jesus Cristo de amar o que não é amável nem digno de amor.
3. Comunhão do Espírito (2.1)
A participação comum no Espírito, pela qual os crentes são batizados em um só corpo, deveria determinar a morte de toda desavença e espírito de partidarismo. F. F. Bruce diz que o Espírito trouxe os cristãos de Filipos à comunhão uns com os outros. Aquele que os uniu em Cristo, também os uniu uns aos outros. É o Espírito Santo que produz a nossa comunhão com Deus e a nossa comunhão com o próximo. É o Espírito que nos une a Deus e ao próximo de tal maneira que todo aquele que vive em desunião com seus semelhantes dá provas de não possuir o dom do Espírito. Bruce Barton afirma: “Porque só há um Espírito, há um só corpo (Ef 4.4); facções ou divisões não têm lugar no corpo de Cristo”.
O Espírito Santo é o princípio unificador na igreja local (1Co 12.4-11). Somente ele pode dar ordem ao caos e preservar a harmonia no corpo de Cristo. A não ser que o Espírito Santo reine, haverá na igreja confusão. Sem o Espírito Santo não há vida nem poder na igreja, diz Robertson. Onde reina o Espírito Santo, existe amor, porque o amor é fruto do Espírito.
4. Entranhados afetos e misericórdia (2.1)
A palavra grega splanchna “afetos” significa literalmente “as entranhas humanas”, consideradas como a sede da vida emocional (1.8). Enquanto no primeiro capítulo a palavra está se referindo ao amor de Paulo pelos filipenses, aqui ela se refere ao amor de Cristo por eles e através deles. Já a palavra grega oiktirmoi “misericórdias” é a palavra que descreve a emoção humana da piedade terna, ou simpatia. A irmandade em uma igreja não se limita a “sentimentos” nem se resume em atividades de ajuda e frias ações. Certamente nossas “entranhas” precisam ser movidas, e as aflições do irmão precisam despertar em nós uma viva compaixão.
Quando o Espírito Santo trabalha na vida do crente, o fruto do Espírito é produzido (Gl 5.22,23). Paulo destaca dois desses frutos que acentuam o verdadeiro cuidado de um para com o outro, o que pavimenta a unidade entre os crentes. “Afeto” refere-se à sensibilidade para com as necessidades e sentimentos dos outros, enquanto “compaixão” significa o sentimento de dor que alguém sente ao ver o outro sofrer e o desejo de aliviá-lo desse sofrimento. Tal preocupação fortalece a unidade entre os crentes. Toda desarmonia na igreja de Deus é falta dos entranhados afetos. É ausência de misericórdia.
II. OS PERIGOS CONTRA A UNIDADE (2.3,4)
O apóstolo Paulo já havia mencionado o exemplo negativo de alguns crentes de Roma que estavam trabalhando com a motivação errada (1.15,17). Esse comportamento fere a comunhão entre os irmãos e perturba a unidade da igreja. Agora, Paulo fala sobre dois perigos que conspiram contra a unidade da igreja.
1. Partidarismo (2.3)
A igreja de Filipos tinha muitas virtudes, a ponto de Paulo considerá-la sua alegria e coroa (4.1). Mas esta igreja estava ameaçada por alguns sérios perigos na área da unidade. Havia tensões dentro da igreja. A comunhão estava sendo atacada. A palavra grega eritheia traduzida por “partidarismo” é o resultado do egoísmo. Depois de Paulo mencionar a atitude mesquinha de alguns crentes de Roma que, movidos por inveja pregavam a Cristo para despertar nele ciúmes, pensando que o seu trabalho apostólico era uma espécie de campeonato em busca de prestígio, volta, agora, suas baterias para apontar os perigos que estavam afetando, também, a unidade na igreja de Filipos.
Em primeiro lugar, o perigo de trabalhar sem unidade (1.27). Nada debilita mais a unidade do que os crentes estarem engajados no serviço de Deus sem unidade. A obra de Deus não pode avançar quando cada um puxa para um lado, quando cada um busca mais seus interesses do que a glória de Cristo. Na igreja de Filipos havia ações desordenadas. Eles estavam todos lutando pelo Evangelho, mas não juntos.
Em segundo lugar, o perigo de líderes buscarem seus próprios interesses (2.21). Paulo ao enviar Timóteo à igreja de Filipos e dar bom testemunho acerca dele, denuncia, ao mesmo tempo, alguns líderes que buscavam seus próprios interesses. Esses líderes eram amantes dos holofotes; eles não buscavam a glória de Deus nem a edificação da igreja, mas a construção de monumentos aos seus próprios nomes.
Em terceiro lugar, o perigo de falsos mestres se infiltrando na igreja (3.2). Os falsos mestres, os maus obreiros e a heresia são sempre uma ameaça à igreja. Os lobos sempre buscarão uma brecha para entrarem no meio do rebanho (At 20.29). Paulo está alertando a igreja de Filipos sobre os judaizantes que tentavam desacreditar seu apostolado, ensinando que os gentios precisavam ser circuncidados caso desejassem ser salvos. Assim, eles negavam a suficiência da fé em Cristo e acrescentavam ritos judaicos como condição indispensável para a salvação.
Em quarto lugar, o perigo do mundanismo na igreja (3.17-19). A unidade da igreja de Filipos estava sendo ameaçada por homens mundanos, libertinos e imorais. Essas pessoas fizeram Paulo sofrer de tal modo, que o levaram às lágrimas (3.18). Paulo os chama de inimigos da cruz de Cristo (3.18). Essas pessoas eram mundanas, pois só se preocupavam com as coisas terrenas (3.19). Eram comilões, beberrões e imorais, com uma visão muito liberal da fé cristã, do tipo que está sempre dizendo: “isso não é pecado, não tem problema”. Em vez de a igreja seguir a vida escandalosa desses libertinos, deveria imitar o seu exemplo (2.17).
Em quinto lugar, o perigo dos crentes viverem em conflito dentro da igreja (4.2). Aqui o apóstolo está trabalhando com a questão do conflito entre lideranças da igreja local, pessoas que disputam entre si a atenção e os espaços de atuação na igreja. Paulo Lockmann comentando este texto diz que quando o trabalho era dirigido pela família de Evódia, o pessoal de Síntique não participava, e quando era promovido por Síntique quem não participava era o pessoal de Evódia.
2. Vanglória ou egoísmo (2.3)
Vanglória é buscar glória para si mesmo. A palavra grega kenodoxia traduzida por “vanglória” só aparece aqui em todo o Novo Testamento. Ela denota uma inclinação orgulhosa que busca tomar o lugar de Deus, e a estabelecer um status auto-assertivo que rapidamente induz ao desprezo do próximo (Gl 5.26). A vanglória destrói a verdadeira vida comunitária. Paulo colocou seu “dedo investigativo” bem na ferida dos filipenses. Os membros da igreja de Filipos estavam causando discórdia por causa de suas atitudes ou ações. Eles desejavam reconhecimento ou distinção, não por puros motivos, mas meramente por ambição pessoal. Eles estavam criando partidos baseados em prestígio pessoal, ao mesmo tempo em que desprezavam os outros.
III. O IMPERATIVO DA UNIDADE (2.2)
O apóstolo Paulo está preso, algemado, na ante-sala do martírio, mas sua atenção não está voltada para si mesmo. Havia alegria no coração do apóstolo (4.4,10), mas sua medida ainda não estava cheia. Um grau mais elevado de unidade, de humildade e de solicitude em família pode completar o que ainda falta no cálice da alegria de Paulo. Seu principal anseio não era a rápida libertação da prisão, mas o progresso espiritual dos filipenses. Sua alegria, não vem de suas condições pessoais, mas da condição da igreja de Deus. Mesmo preso Paulo diz que a igreja de Filipos era sua alegria e coroa (4.1). Suas orações em prol dos cristãos filipenses eram orações alegres (1.4). Mas, agora, o apóstolo deseja que o cálice da sua alegria transborde e por isso ordena: “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento” (2.2). Paulo não pode estar alegre enquanto o espírito de facção existir nessa generosa igreja de Filipos.
F. F. Bruce diz que Paulo exorta, na verdade, para que tenham unanimidade de coração. Não se trata da unanimidade formal que se consegue manter mediante o exercício do poder de veto; trata-se daquela unanimidade sincera de propósitos, pela qual ninguém deseja impor um veto sobre as pessoas.
Aquela mesma igreja que estava comprometida com Paulo no apoio missionário, dando-lhe conforto e sustento financeiro, estava sendo ameaçada por divisões internas e isso estava toldando a alegria no coração do velho apóstolo.
Como a igreja poderia completar a alegria de Paulo?

1. Demonstrando unidade de pensamento (2.2)
A unidade de pensamento não é uma coisa fácil de alcançar, especialmente onde as pessoas têm uma mente ativa e um espírito independente. O verbo grego phronein usado aqui para definir “o pensar a mesma coisa” é muito importante nesta epístola, uma vez que aparece nesta carta dez vezes, enquanto aparece apenas mais treze vezes em todas as demais epístolas. Werner de Boor corretamente afirma que phronein não tem em vista o “pensamento” teórico do teólogo, mas o pensar prático, subordinado ao querer. Trata-se do phronein de Jesus Cristo, que neste caso não é o raciocínio doutrinário, com o qual o eterno Filho de Deus sem dúvida poderia ter apresentado uma imagem condizente de todas as coisas. Aqui se trata do “pensamento” que conduziu o Filho de Deus do trono da glória para a vergonha da morte na cruz! Se todos “pensarem” da maneira como Jesus Cristo também pensou, como ele morreu por pecadores, não poderão se separar; hão de apegar-se aos irmãos. Nessa mesma linha de pensamento Moule diz que a palavra phronein traduzida aqui por “mente” denota não uma capacidade intelectual, mas uma ação e uma atitude moral.
Bruce Barton está correto quando diz que “ter uma só mente” não significa que os crentes têm que concordar em tudo; em vez disso, cada crente deve ter a mesma atitude de Cristo, que Paulo descreve em Filipenses 2.5-11.
2. Demonstrando unidade nos relacionamentos (2.2)
Os irmãos da igreja de Filipos precisam ter o mesmo amor uns pelos outros, igual ao que Cristo tem por eles. Bruce Barton diz que o amor de Cristo o trouxe do céu para a humilde condição da natureza humana, para morrer na cruz em favor dos pecadores. Muito embora os crentes não podem fazer o que Cristo fez, eles podem seguir seu exemplo, quando expressam o mesmo amor na maneira de lidar uns com os outros.
3. Demonstrando unidade espiritual (2.2)

A igreja precisa ser unida de alma. Jesus orou para que todos aqueles que crêem possam ser um como ele e o Pai são um (Jo 17.22-24). Robertson diz que essa frase significa dois corações batendo como se fosse um só. Na igreja de Deus não há espaço para disputas pessoais. A igreja não é um concurso de projeção pessoal nem um campeonato de desempenhos pessoais. A igreja é um corpo onde cada membro coopera com o outro, visando a edificação de todos.
4. Demonstrando unidade de sentimento (2.2)
A igreja precisa ser ter o mesmo sentimento. A igreja é como um coro que deve cantar no mesmo tom. Os crentes não são competidores, mas cooperadores. Eles não são rivais, mas parceiros. Eles não estão lutando por causas pessoais, mas todos buscando a glória de Deus. Na igreja de Deus não devem existir disputas políticas, briga por cargos, ciúmes e invejas. O espírito de Diótrefes que buscava primazia e desprezava os outros, não deve ser cultivado na igreja de Deus (3Jo 9-11).
IV. A VIRTUDE QUE PROMOVE A UNIDADE (2.3-5)
A humildade é a virtude que promove a unidade. A humildade é o remédio para os males que atacam a unidade da igreja. A palavra grega tapeinophrosyne é um termo cunhado pelo cristianismo. Ralph Martin diz que “humildade” era uma expressão de opróbrio no pensamento clássico grego, tendo conotações de “servilismo”, como nas atitudes de um homem vil, ou de um escravo. Lightfoot diz que quase sempre entre os escritores gregos “humildade” tem um significado negativo. Entre o povo de Deus, a humildade é um imperativo, pois “Deus escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3.34). Tiago diz que Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6) e o apóstolo Pedro ordena: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe 5.5). A humildade deve ser a marca do cristão, pois seu senhor e mestre foi “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Os discípulos de Cristo demoraram entender essa lição e muitas vezes discutiram quem devia ocupar a primazia entre eles. Nessas ocasiões Jesus lhes dizia que maior é o que serve e que ele mesmo veio não para ser servido, mas para servir (Mc 10.45).
1. O que é humildade? (2.3)
A humildade provém do conhecimento de Deus e de um correto conhecimento de si mesmo. Enquanto a ambição e o preconceito arruínam a unidade da igreja, a genuína humildade a edifica. Ser humilde envolve ter uma correta perspectiva sobre nós mesmos em relação a Deus (Rm 12.3), que por sua vez nos coloca numa correta perspectiva em relação ao próximo. O apóstolo Paulo deu o seu próprio testemunho em suas cartas. Durante a sua terceira viagem missionária se qualificou de “o menor dos apóstolos” (1Co 15.9), durante sua primeira prisão em Roma se intitulou de “o menor dos menores de todos os santos” (Ef 3.8), e um pouco mais tarde, durante o período que se estendeu da primeira à segunda prisão em Roma, levou essas descrições humildes de sua pessoa ao clímax, designando-se de “o principal dos pecadores” (1Tm 1.15). Jamais o orgulho prevalece no coração de alguém que conhece a Deus e a si mesmo. F. F. Bruce, citando James Montgomery lança luz sobre o que é humildade:
O pássaro que alça as asas nos céus,
Constrói seu ninho lá em baixo, na terra.
E o que trina maviosamente,
Canta de noite quando tudo repousa.
Na cotovia e no rouxinol vemos
Quanta honra cabe à humildade.
O santo que usa a coroa mais brilhante do céu,
Curva-se em humilde adoração.
O peso da glória faz que se prostre,
Quanto mais se prostra mais sua alma ascende;
O escabelo da humildade deve estar
Bem perto do trono de Deus.
2. Como a humildade se manifesta? (2.3,4)
O apóstolo Paulo menciona duas manifestações da humildade.
Em primeiro lugar, a humildade olha para o outro com honra (2.3). No capítulo primeiro, Paulo colocou Cristo em primeiro lugar (1.21). Agora, coloca o outro acima do eu (2.3). Uma pessoa humilde não tem sede de fama, projeção e aplausos. Ela não se embriaga com o poder. Ela não busca os holofotes do palco nem corre atrás das luzes da ribalta. Uma pessoa humilde não canta “quão grande és tu” diante do espelho. Werner de Boor diz que uma pessoa humilde tem prazer de realizar o serviço pouco aparente, o trabalho que permanece nos bastidores, a obra insignificante, deixando com alegria aos outros aquilo que parece mais importante e obtém maior reconhecimento.
Em segundo lugar, a humildade busca o interesse do outro com solicitude (2.4). A igreja de Filipos era multirracial: Lídia era uma judia rica, a jovem liberta era uma escrava grega e o carcereiro era um oficial romano da classe média. Nessas condições não era fácil manter a unidade da igreja. Ter interesse em proteger os interesses alheios, porém, faz parte dos alicerces da ética cristã. No mundo cada um cuida primeiro de si, pensa somente em si e tem o olhar atento apenas para os próprios interesses. Os interesses dos outros estão fora de seu verdadeiro campo de visão. Por isso tampouco existe no mundo verdadeira comunhão, mas somente o medo recíproco e a ciumenta autodefesa contra o outro. Na irmandade da igreja de Jesus pode e deve ser diferente, diz Werner de Boor.
É importante ressaltar que Paulo não exige que eu negligencie as minhas coisas e somente me engaje em favor dos outros. Porém, Paulo espera que meu olhar de amor e preocupação também caia sobre as necessidades, dificuldades e aflições do irmão, e presume que ainda restem tempo, energia e capacidade em quantidade suficiente.
3. O supremo exemplo da humildade (2.5)
Neste capítulo dois, Paulo cita quatro exemplos de humildade, ou seja, colocar o “outro” na frente do “eu” (2.5; 2.17; 2.20; 2.30). Porém, o argumento decisivo de Paulo é o exemplo de Cristo (2.5). F. F. Bruce diz que o exemplo de Cristo é sempre o argumento supremo de Paulo na exortação ética, principalmente quando trata do interesse altruísta pelo bem-estar do próximo. Se o exemplo de Cristo deve ser seguido, é melhor, então, manter maior interesse pelos direitos dos outros e pelos nossos deveres, do que cuidar principalmente de nossos direitos e dos deveres dos outros.
O texto que registra a encarnação, esvaziamento, humilhação, obediência, morte e exaltação de Cristo não é uma peça doutrinária escrita por um teológico de gabinete que está traçando reluzentes verdades doutrinárias contra o nevoeiro denso das heresias, mas foram escritas por um homem que, com humildade e amor lutava pela verdadeira concórdia de seus irmãos. Essas frases, com todo o seu teor dogmático são parte dessa luta. A leitura correta deste magno texto cristológico não é apenas aquela que trata da humilhação e exaltação do Filho de Deus, mas a que abala nosso coração egoísta e vaidoso por meio da trajetória seguida por Jesus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Uma reflexão breve sobre a obra do Espírito Santo no contexto bíblico e congregacional

Uma reflexão breve sobre a obra do Espírito Santo no contexto bíblico e congregacional

(por Gabriel F. Rocha)

E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus” (Mateus 16:6)

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego" (Romanos 1:16)

Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos, mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento(II Co. 10:12)

Porque grande é o Senhor, e digno de louvor, mais temível do que todos os deuses (Salmos 96:4)

A minha mensagem será sempre sobre a glória e os feitos do Noivo (Jesus) e jamais sobre a glória, feitos, adereços e virtudes da noiva (quem lê, entenda.)
Mas se eu precisar relatar os feitos dela (igreja), eu farei menção da graça do Pai, do sacrifício salvífico do Filho e da obra redentora do Espírito Santo, pois sem a Trindade Santa, não há feito algum para se gloriar. Portanto, a glória nossa será sempre a glória de Deus. O que podemos oferecer a Deus a não ser glórias, reconhecimento e louvor?
Menos de nós, menos de nossa placa, menos de nosso ego e mais de Deus. Voz de Deus e não de homens! Muitos homens estão falando e apelando em seus discursos em nome de Deus! Haverá juízo!

Falar da Igreja de uma forma geral e mostrar o que Deus está fazendo no seio dela é louvável e sadio. Acrescenta muito à fé. Gera gratidão e edificação quando feito em glória ao Noivo.
No entanto, em alguns grupos há uma forma de apelação denominacional.
Exemplo: “nós temos e os outros não!”; “Ai de você se deixar nosso grupo! Lá não tem isso, aquilo e aquilo outro...”; “Não há operação espiritual fora daqui”; “Aqui há doutrina, lá fora é só movimento ou religião”; “lá fora está tudo corrompido, mas aqui dentro o Espírito Santo fala”; “Só aqui Ele fala...”; etc. Embora haja algumas verdades em relação à dramática condição do evangelho atual que se vê – em alguns lugares – corrompido e cheio de levedura, tais generalizações são perigosas e não são verdades. E se não há verdade nesse tipo (apelativo) de fala, há mentira nos púlpitos.

Por quê?

De fato, existe hoje uma série de heresias e engano. Grupos se afastam cada vez mais das verdades bíblicas e se jogam aos ventos de doutrina. Não há consolidação  doutrinária em vários grupos. No entanto, existem igrejas sérias que têm levado o Evangelho de Jesus Cristo a sério. Isso é atestado no testemunho que tais igrejas têm, nos trabalhos consolidados  de missões, no amor genuíno pelas vidas perdidas (sem proselitismo), pela relação e responsabilidade com o outro, pela posição definida ante o mundo, pela busca e oração com intimidade, pelo sadio entendimento de Corpo sem noções de sectarismo e também sem noções de ecumenismo. Existem igrejas que pregam a mensagem da cruz totalmente centrada nas Escrituras e não fogem das verdades bíblicas. Existem igrejas sérias que combatem o pecado e não deixam de pregar a Verdade com receio de se esvaziarem e não atraírem multidões para si. Prega-se diligentemente o Evangelho de salvação, transformação, santidade, arrependimento, entrega pessoal, fé, frutos do Espírito, obras, devoção e crescimento em graça. Preocupam-se com os tantos casos de divórcios existentes no seio das igrejas contemporâneas (inclusive em números expressivos em igrejas pentecostais e sectárias), se preocupam com os jovens e têm mensagens consistentes dentro da sã doutrina bíblica e que confrontam a realidade em que os jovens estão inseridos. Abordam constantemente a volta de Jesus Cristo e se santificam com entendimento e maturidade para tal evento. Há, portanto a operação do Espírito Santo, pois há fé. A obra de redenção do Espírito Santo tem como pré-requisito a fé em Jesus Cristo.

Portanto, a partir das Escrituras, vejo tais generalizações como ENGANO RELIGIOSO, pois não creio que o Espírito Santo segregou um grupo para chamar de seu, pois o projeto veterotestamentário previa isso apenas para Israel na efetivação da Lei. No entanto, agora, estamos debaixo da graça mediante o sacrifício salvífico de Cristo e mediante o derramamento (universal do Espírito Santo). Assim, não há mais segregações, mas sim Evangelho universal a partir da fé em Jesus Cristo. Creio, portanto que: se um indivíduo X crê em Jesus Cristo como salvador e foi eleito para tal fé, o Espírito Santo começará uma obra nesse de redenção, desde sua confissão de fé primária e arrependimento total até seu triunfo na glória de Deus. Assim como o mesmo Espírito Santo pode fazer a mesma obra de redenção na vida do crente Y, a partir da mesma fé (fé: dom de Deus/ fé da Eternidade/ fé para a salvação). Se Deus é quem confere a salvação por meio da graça e por meio de seu Filho, seria incoerente realizar um projeto diferente em cada um, pois há um só projeto de salvação e não dois, três, quatro...  Há um só Deus e Pai, um só Corpo, uma só Noiva, um só batismo e uma só fé.

Veja a postagem:  http://palavraserio.blogspot.com.br/2014/09/uma-reflexao-sobre-obra-do-espirito-na.html

O que há, de fato é: resultado de uma busca. Resultado de uma posição em relação à Mensagem da cruz e do desejo de conhecer mais desse Deus (sem se afastar das Escrituras). Assim, alguns grupos alcançam determinados elementos do projeto de redenção divino mais que outros e assim por diante.

No entanto, quando o grupo denominacional, institucional, tradicional, etc. têm sua base de fé no Evangelho, baseado na Palavra de Deus e na Revelação de Jesus Cristo, há uma unidade de fé que une todos em um só Corpo. Há uma só Noiva e, assim, é extremamente perigoso se reconhecer como A ÚNICA, NOIVA DE CRISTO em referência ao seu grupo denominacional em meio aos outros grupos. Isso desencadeia uma série de problemas como o sectarismo, religiosidade, justificação exacerbada dessa mensagem soberba que gera dogmas e heresias e tantos outros males que causam confusão e transtornam a simplicidade do Evangelho da cruz.

Aliás, toda igreja, seja local, denominacional, etc. deve se firmar na mensagem bíblica como regra de fé e prática. Deus fala! Mas Deus fala primeiro pela sua Palavra, pois nela há a base para qualquer construção. Em que sentido? Existe nas Escrituras todo o projeto de salvação do Pai e está manifesto em suas páginas a Revelação de Jesus Cristo (vivo e glorificado). Portanto, a Igreja fiel de Jesus Cristo deve se firmar na Revelação de Jesus Cristo (veja em Mateus 16: 16-18). Todo crente que crê em Jesus Cristo e foi eleito para tal salvação em Jesus é passivo de ter um encontro pessoal com Cristo e esse ato configura a revelação de Jesus a esse eleito. Veja a experiência de Paulo a caminho de Damasco (Atos 9: 3-5). Assim, não é lícito dizer que não há revelação de Jesus Cristo em outros grupos, sendo que em tais grupos há a fé (dom de Deus) na vida de uma congregação separada por Deus, seja qual nome a referida venha a ter.

Qual seria a atitude de Jesus ao receber o pecador que Deus – de antemão – elegeu para a salvação? Qual seria a obra do Espírito Santo na vida desses escolhidos?

Qual seria a atitude de Cristo ao receber o pecador X e o pecador Y? Qual seria o gesto e qual seria a obra de Cristo para aqueles a quem o pai escolheu - desde a Eternidade- para a salvação?
Nosso Senhor faria uma obra completa em X e uma obra incompleta em Y sendo ambos escolhidos para a mesma glória?
Ah! Um seria vaso de honra e outro para desonra? Um seria "filho" e o outro seria "primo"? Mas não foram eleitos pelo mesmo Pai, participantes do mesmo batismo e receberam o mesmo chamado (para a salvação)? De certo, vaso de desonra, em completa comunhão com as Escrituras, seria aquele que não tem sobre si o selo do Espírito Santo.
Seria o sacrifício de Jesus mais eficiente para X e menos eficiente para Y?

Não sei qual é o entendimento pregado e ensinado sobre o que é a obra do Espírito Santo em alguns lugares, mas existe uma perspectiva bíblica para tal definição. Obra do Espírito é aquilo que o Espírito Santo faz na vida daquele que foi eleito para a salvação. É a obra que o Espírito Santo promove desde o chamado até o triunfo com Cristo em sua esperada vinda.
Pois bem, vamos agora ao ponto:
O que é, então, a Obra Redentora do Espírito Santo? Vamos responder sob duas perspectivas à luz das Escrituras sem deturpação alguma da Verdade revelada na Palavra de Deus:
1) A Obra Redentora do Espírito Santo é um projeto planejado desde a Eternidade, partindo da graça soberana do Deus Altíssimo que desejou salvar o homem através de Jesus Cristo. Jesus, portanto, é o Nome principal nesse projeto divino. Ele é o Verbo da criação e o Verbo da redenção. Desde a Eternidade, Deus planejou salvar o homem através do sacrifício de Cristo que efetivaria a obra salvífica do Espírito Santo na vida do escolhido.
2) O segundo aspecto perpassa já na própria vida do escolhido quando esse é chamado, conhece a Mensagem do Evangelho, se arrepende, nasce da água (regenera-se), recebe a fé, é batizado pelo Espírito Santo, passa pelas águas, tem a vida transformada, santifica-se nessa Verdade, firma-se em Cristo, passa a ter um louvor em espírito, recebe os frutos do Espírito Santo para sua caminhada cristã, recebe dons do Espírito Santo pela graça divina, é usado na obra de Deus, cresce em graça e conhecimento e alcança responsabilidades maiores no serviço do Reino e, sobretudo, testemunha da chegada do Reino e da volta de Cristo.
Logicamente, como já dissemos aqui, existem grupos que alcançaram de forma mais autêntica determinados elementos daquilo que podemos chamar de "a obra do Espírito", mas, definitivamente, não há um exclusivismo religioso ensinado nas Escrituras. A Bíblia trata os salvos em Cristo como "eleitos", "filhos", "povo", etc. Não há nenhuma referência nas Escrituras de exclusividade institucional.
Assim, concluímos que:
Não existem grupos específicos que detém ou têm a "obra" ou que seja propriamente a "obra" de Deus. A obra é exclusivamente de Deus e se dá na economia divina, na revelação de Jesus Cristo ao salvo e na ação contínua do Espírito Santo até o triunfo final com Cristo.
Todos que crêem em Jesus Cristo e firma-se nEle, recebe o Espírito Santo. Logo, se recebe o Espírito Santo, participa de sua obra redentora. Assim, caminham firmados nas doutrinas bíblicas, na fé, no Espírito e em espírito e na graça de Deus.
Volvendo-se a textos, vemos que todos que foram chamados receberam, a princípio, o mesmo tratamento, por pior, ou melhor, que fossem no novo ou no velho testamento. A diferença no tratamento entre X e Y é o resultado maior de seus comportamentos do que da Operação da Trindade neles. Tem-se também que a Trindade sempre operou de forma uniforme naqueles que foram escolhidos. Não se aperfeiçoa mais a uns e a outros menos. Tudo é reflexo do comportamento humano em buscar o aperfeiçoamento ou maior intimidade com Deus. Mas mesmo assim estes, aos olhos de Deus, não são melhores ou piores. Se na bíblia certos servos são mais mencionados do que os outros isso não implica que foram melhores ou pior do que tantos outros. Não há como o mesmo espírito que opera em X ou Y ser diferente. Deus não é Deus de confusão! Quanto ao escrito que "Deus não faz acepção de pessoas" não se limita somente a escolha quanto à raça, gênero ou classe social, mas diz respeito também que Deus operará em X ou Y da mesma forma lhe concedendo a mesma porção necessária à salvação. A partir do momento que você usa a ação do Espírito Santo em sua vida para se promover em detrimento de outros, à luz das escrituras, é difícil entender a genuinidade dessa operação do Espírito Santo que causa segregação


Consideração final:

Existe a saudável possibilidade de se pregar Jesus, pregar sua obra redentora, mencionar a operação e obra do Espírito Santo no meio da igreja sem ter que desviar o foco para a imagem da igreja local, denominacional, institucional, etc. Igrejas sérias não precisam fazer tais apelos. Não precisam de mostrar o que o seu segregado grupo tem ou deixa de ter. A Glória é do Noivo! Aleluias ao Cordeiro! Igrejas sérias pregam o Evangelho sem forçar a barra e não se lançam ao proselitismo. Jamais se medem e se comparam. Isso é vaidade! Elas carregam e pronunciam a mensagem da cruz e anunciam o Reino vindouro sem se preocuparem com suas próprias imagens, vaidades e negam tais atitudes religiosas e sectárias. 

domingo, 7 de setembro de 2014

O dogma

O dogma
A doutrina ou ensino genuinamente bíblico é o que se chama de sã doutrina. Dela não se deve desviar. São ensinos trazidos por Jesus no Seu ministério. São ensinos novamente falados pelos apóstolos, vividos e registrados nas escrituras. Tais ensinos atravessaram os séculos e são imutáveis. Exemplos, a salvação pela graça e fé. A salvação tão somente por Jesus Cristo, o batismo com Espírito Santo, nas águas, etc. Lembrando que não existe doutrina da última hora. Toda doutrina bíblica verdadeira já se encontra revelada nas escrituras. Seria inconcebível pensar que algum grupo religioso tenha uma doutrina da última hora que não foi ensinada por Jesus ou vivida pelos apóstolos nem mesmo a igreja nos seus 2000 anos de história. Embora, temos pleno conhecimento que, nesses dois mil anos foi produzido loucuras e excessos de todos os tipos.
Gostaria de deixar aqui sugerido um bom livro para se conhecer as doutrinas bíblicas. Inclusive você poderá baixá-lo. Mas lembre de sempre estudar com a Bíblia aberta conferindo cada coisa. Um bom livro não substitui as escrituras.
Tudo que excede as escrituras podem ser chamados de dogmas ou assuntos de determinada igreja a respeito de uma verdade ou possível verdade. Assim, o dogma pode ser bom ou mal. Se não causa danos mas aproxima mais o homem da oração, de uma vida santificada e não fere os princípios básicos e imutáveis estabelecidos na palavra de Deus encontra-se a sua utilidade. Um dogma jamais poderá ser considerado algo fundamentalmente necessário à vida eterna. Seu lugar encontra-se naquela forma de vida espiritual na visão de determinado grupo religioso. Não pense que sua igreja não tem pois possivelmente, ela terá algo de dogmático ou muita coisa.
O dogma é danoso quando quer tomar lugar da sã doutrina. É danoso quando um determinado grupo o coloca como algo especial que coloca essa denominação acima das demais. Ora se uma denominação tem algo especial talvez Deus devesse ter dado a todos se não por que não o fez? Você precisa aprender ser mais crítico. Senão vejamos, se eu tenho uma doutrina melhor que a dos outros, isso me coloca acima dos outros. Se eu estou, então, acima, eu estou mais apto para o reino enquanto os outros não. Daqui a pouco não é Jesus quem salva mais, mas a "doutrina" daquela igreja. Por fim somente esse grupo religioso que tem salvação. Daí para se falar que só está salvo quem está nessa igreja é um passo. "Saiu do nosso meio perdeu a salvação". Que tolice. Só Jesus Cristo pode salvar o homem. O poder do proselitismo religioso é condenar o homem.
Você pode compreender isso?
Muitos não compreendem pelo simples fato de não ler a Bíblia. Ora, se esse meu ensino especial é uma cobrança de Deus para mim e o outro que só observa a palavra de Deus tem a mesma possibilidade da vida eterna que eu que estou cheio de regras e condições especiais então tem alguma coisa errada nessa doutrina. Se você está me entendendo agora você está pronto para identificar o dogma.
"Ah, mas Deus nos deu uma revelação especial". E foi assim que surgiram muitas seitas antigas e modernas.
Quer aprender mais... Então nos acompanhe. Deus vos abençoe!


sábado, 6 de setembro de 2014

VALE TUDO PARA PREGAR A CRISTO?

VALE TUDO PARA PREGAR A CRISTO?
(Por Augustus Nicodemus )

Um amigo no Twitter me perguntou faz um tempo se Filipenses 1:18 não justificaria o evangelho gospel e o show gospel .
Para quem não lembra, Paulo diz o seguinte em Filipenses 1:15-18:
Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” (Fp 1:15-18).
A interpretação popular desta passagem, especialmente desta frase de Paulo no verso 18, “Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” – é que para o apóstolo o importante era que o Evangelho fosse pregado, não importando o motivo e nem o método. A conclusão, portanto, é que podemos e devemos usar de todos os recursos, métodos, meios, estratégias, pessoas – não importando a motivação delas – para pregarmos a Jesus Cristo. E que, em decorrência, não podemos criticar, condenar ou julgar ninguém que esteja falando de Cristo e muito menos suas intenções e metodologia. Vale tudo.
Então, tá. Mas, peraí... em que circunstâncias Paulo disse estas palavras? Ele estava preso em Roma quando escreveu esta carta aos filipenses. Ele estava sendo acusado pelos judeus de ser um rebelde, um pervertedor da ordem pública, que proclamava outro imperador além de César.
Quando os judeus que acusavam Paulo eram convocados diante das autoridades romanas para explicar estas acusações que traziam contra ele, eles diziam alguma coisa parecida com isto: “Senhor juiz, este homem Paulo vem espalhando por todo lugar que este Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, que nasceu de uma virgem, que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia, e que está assentado a direita de Deus, tendo se tornado Senhor de tudo e de todos. Diz também que este Senhor perdoa e salva todos aqueles que creem nele, sem as obras da lei. Senhor juiz, isto é um ataque direto ao imperador, pois somente César é Senhor. Este homem é digno de morte!”
Ao fazer estas acusações, os judeus, nas próprias palavras de Paulo, “proclamavam a Cristo por inveja e porfia... por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias” (verso 17).
Ou seja, Paulo está se regozijando porque os seus acusadores, ao final, no propósito de matá-lo, terminavam anunciando o Evangelho de Cristo aos magistrados e autoridades romanos.
Disto aqui vai uma looooonga distância em tentar usar esta passagem para justificar que cristãos, num país onde são livres para pregar, usem de meios mundanos, escusos, de alianças com ímpios e de estratégias no mínimo polêmicas para anunciar a Cristo. Tenho certeza que Paulo jamais se regozijaria com “cristãos” anunciando o Evangelho por motivos escusos, em busca de poder, popularidade e dinheiro, pois ele mesmo disse:
Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2Co 2:17).
Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2Co 4:1-2).
Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia. Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1Ti 1:5-7).
Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1Ti 6:3-5).
Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” (1Co 2:1-5).

Portanto, usar Filipenses 1:18 para justificar esta banalização pública do Evangelho é usar texto fora do contexto como pretexto.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

UMA REFLEXÃO SOBRE A OBRA DO ESPÍRITO NA VIDA DO PECADOR

UMA REFLEXÃO SOBRE A OBRA DO ESPÍRITO NA VIDA DO PECADOR
(Para evitar exclusivismos e sofismo)

Qual seria a atitude de Cristo ao receber o pecador X e o pecador Y? Qual seria o gesto e qual seria a obra de Cristo para aqueles a quem o pai escolheu - desde a Eternidade- para a salvação?
Nosso Senhor faria uma obra completa em X e uma obra incompleta em Y sendo ambos escolhidos para a mesma glória?
Ah! Um seria vaso de honra e outro para desonra? Um seria "filho" e o outro seria "primo"? Mas não foram eleitos pelo mesmo Pai, participantes do mesmo batismo e receberam o mesmo chamado (para a salvação)? De certo, vaso de desonra, em completa comunhão com as Escrituras, seria aquele que não tem sobre si o selo do Espírito Santo.
Seria o sacrifício de Jesus mais eficiente para X e menos eficiente para Y?

Não sei qual é o entendimento pregado e ensinado sobre o que é a obra do Espírito Santo em alguns lugares, mas existe uma perspectiva bíblica para tal definição. Obra do Espírito é aquilo que o Espírito Santo faz na vida daquele que foi eleito para a salvação. É a obra que o Espírito Santo promove desde o chamado até o triunfo com Cristo em sua esperada vinda.
Pois bem, vamos agora ao ponto:
O que é, então, a Obra Redentora do Espírito Santo? Vamos responder sob duas perspectivas à luz das Escrituras sem deturpação alguma da Verdade revelada na Palavra de Deus:
1) A Obra Redentora do Espírito Santo é um projeto planejado desde a Eternidade, partindo da graça soberana do Deus Altíssimo que desejou salvar o homem através de Jesus Cristo. Jesus, portanto, é o Nome principal nesse projeto divino. Ele é o Verbo da criação e o Verbo da redenção. Desde a Eternidade, Deus planejou salvar o homem através do sacrifício de Cristo que efetivaria a obra salvífica do Espírito Santo na vida do escolhido.
2) O segundo aspecto perpassa já na própria vida do escolhido quando esse é chamado, conhece a Mensagem do Evangelho, se arrepende, nasce da água (regenera-se), recebe a fé, é batizado pelo Espírito Santo, passa pelas águas, tem a vida transformada, santifica-se nessa Verdade, firma-se em Cristo, passa a ter um louvor em espírito, recebe os frutos do Espírito Santo para sua caminhada cristã, recebe dons do Espírito Santo pela graça divina, é usado na obra de Deus, cresce em graça e conhecimento e alcança responsabilidades maiores no serviço do Reino e, sobretudo, testemunha da chegada do Reino e da volta de Cristo.
Logicamente, existem grupos que alcançaram de forma mais autêntica determinados elementos daquilo que podemos chamar de "a obra do Espírito", mas, definitivamente, não exclusivismo religioso. A Bíblia trata os salvos em Cristo como "eleitos", "filhos", "povo", etc. Não há nenhuma referência nas Escrituras de exclusividade institucional.
Assim, concluímos que:
Não existem grupos específicos que detém ou têm a "obra" ou que seja propriamente a "obra" de Deus. A obra é exclusivamente de Deus e se dá na economia divina, na revelação de Jesus Cristo ao salvo e na ação contínua do Espírito Santo até o triunfo final com Cristo.
Todos que crêem em Jesus Cristo e firma-se nEle, recebe o Espírito Santo. Logo, se recebe o Espírito Santo, participa de sua obra redentora. Assim, caminham firmados nas doutrinas bíblicas, na fé, no Espírito e em espírito e na graça de Deus.
"E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado" (Lucas 18: 09-14)

"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo" (Fp - 2:3)

"Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna" (Tiago 4:16)

Jesus vem!!!
Gabriel Felipe M. Rocha.