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sábado, 26 de outubro de 2013

INSPIRAÇÃO, REVELAÇÃO E ILUMINAÇÃO

Inspiração, revelação e iluminação

Inspiração, revelação e iluminação - Estes três conceitos caminham bem juntos, mantendo uma estreita ligação entre si, e são necessários para uma melhor compreensão do ensino das Escrituras.

A declaração de W. C. Taylor, missionário batista pioneiro no Brasil, irá nos ajudar a entender a relação destes conceitos entre si e o sentido de cada um:

"Três doutrinas vão sempre juntas, na inteligente apreciação do valor da Escritura: revelação, inspiração e iluminação. Para o autor (do texto bíblico) veio a Revelação; para a Escritura que ele transmite, veio a Inspiração; para o leitor, que busca saber por meio dela a verdade e a vontade de Deus, virá, nas condições de espiritualidade, a Iluminação. Os profetas e os apóstolos foram Movidos. Suas Escrituras foram Inspiradas. Nós somos Iluminados".

Inspiração - O termo vem do latim inspiro, que significa "soprar para dentro". "Inspiração" significa que Deus soprou para dentro do autor bíblico a Sua verdade. 

Ou seja, na inspiração, Deus divide de seus mistérios, mas esses precisarão ser revelados para o homem (que não tem a mente de Deus). A Inspiração é uma forma de “revelação”, mas “revelação” entra num outro contexto. O conteúdo das Escrituras não é uma especulação ou uma descoberta humana após uma longa e cansativa pesquisa filosófica, ou, pelo menos, não se resume nisso. Ela também não se dá ao homem como "revelação" (no sentido espiritual do termo) através de uma exaustiva labuta hermenêutica. Mas seja qual for o método que o autor usou, ou o que Deus usou com o autor, isto é inspiração. Foi Deus quem colocou na mente e no coração do escritor bíblico a capacidade de apreender e de registrar Sua Palavra. Assim dizemos que a Bíblia nasceu no coração e na mente de Deus. E Ele soprou Suas idéias para o homem. Isto é inspiração.

Na realidade, o que é inspirado não é o escritor humano, mas sim o texto bíblico; 

"Toda Escritura é inspirada". O termo "inspirada" (theopneustos), de 2 Tm 3.16, expressa mais do que qualquer outra coisa, que o "produto final" de todo o processo - a Escritura, é o que possui a qualidade de ser Palavra de Deus e, portanto, autoridade divina. 

Os escritores humanos foram "conduzidos" (pheromenoi) pelo Espírito Santo para registrarem o texto "soprado por Deus", o qual possui a autoridade de Palavra de Deus e cuja prerrogativa é ser obedecido (2 Pe 1.21, cf. 1.19).

Revelação - O termo significa "tirar o véu" e mostrar algo que estava encoberto. É tirar o véu daquilo que, veio de Deus, mas que é mistério para o homem . A Bíblia é um mistério a ser revelado sempre e o mesmo Espírito que inspirou revela (tira o véu). O fechamento do cânon bíblico não significa o cessar da revelação divina, pois esta manifesta-se (ou deve se manifestar) sempre no leitor da Bíblia que crê, não só na veracidade histórica da Bíblia, mas também (e principalmente) no teor profético da mesma.

Neste sentido, "revelação" é o conteúdo registrado pela inspiração. A relação entre os dois termos pode ser definida assim: a inspiração é o automóvel e a revelação é o passageiro. Quando dizemos que "Deus se revelou" estamos dizendo que Ele tirou o véu que O encobria diante dos homens e Se deu a conhecer à humanidade. O propósito da Bíblia é trazer a auto-revelação de Deus aos homens. E Jesus é a chave hermenêutica da mesma, aliás, Ele é a Palavra de Deus a ser revelada na Bíblia. A Bíblia como conjunto de livros é apenas informações sobre Deus, seu propósito salvífico, bons preceitos a serem seguidos, etc. Mas no âmbito da revelação ela é Jesus vivo, glorificado e que fala ao crente (sem o véu da separação). Conquista essa garantida pelo sangue derramado na cruz.

O propósito da Bíblia é falar de Deus. Ele revelou-Se a Si mesmo. Porém essa revelação não nos é algo 'completo'. Não temos todo o conhecimento de Deus, mas o Consolador Espírito Santo nos traz esse conhecimento pela revelação e pela iluminação. Já sabemos que Jesus é o clímax da revelação de Deus: "Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer" (Jo 1.18). Jesus é a maior revelação de Deus e a finalidade da revelação é tornar Deus conhecido dos homens.

"Revelação e inspiração estão estreitamente ligadas, mas distinguem-se em aspectos da verdade bíblica. Nas Escrituras, a inspiração e a revelação, se combinam para assegurar que a Bíblia é a Palavra de Deus, revelando com exatidão fatos sobre o Senhor. A revelação foi o ato da divina comunicação aos escritores da Escritura. Inspiração foi a obra de Deus em guiar e dirigir os escritores da Bíblia para que eles escrevessem a verdade absoluta, mesmo quando ela estivesse além do seu entendimento. A inspiração foi limitada à Bíblia em si, e é mais adequado dizer que as Escrituras foram inspiradas do que dizer que os escritores foram inspirados" (Lewis Chafer).

Iluminação - Esta palavra significa "fazer a luz brilhar". Não somos inspirados simplesmente porque não recebemos a revelação, mas somos iluminados para conhecê-la: "sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da vossa vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos" (Ef 1.18). 

A iluminação é para que os crentes descubram as grandes verdades reveladas por Deus na Sua Palavra e a aplicação para as suas vidas. Isso é um ato contínuo que se findará apenas no concluir da história da Igreja na terra. É através da iluminação que o Espírito Santo concede aos cristãos a capacidade intelectual de compreenderem o que foi inspirado e revelado nas Escrituras. É impossível entendermos a situação de pecado sem intervenção do Espírito Santo, que produz luz em nossa consciência. A Iluminação acontece porque o homem natural não pode discerni-la (1 Co 2.14); a obra de Cristo na cruz faz sentido (1 Co 1.18); e o Espírito Santo ensina (Jo 14.26). Esse ensinamento é contínuo.

A obra redentora do Espírito Santo não se limitou no espaço- tempo conhecido como “era apostólica”. A base doutrinária nos foi deixada como 'herança' (herança histórico-profética), mas os ENSINAMENTOS do Senhor Jesus continuariam através dos séculos:
• “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14:16);
• “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo [...] vos ENSINARÁ todas as coisas...” (João 14:26).

Hoje, o Espírito Santo é quem zela pala doutrina, configurando-a em cada momento histórico e profético sem ultrapassar os preceitos doutrinários rudimentares deixados por Cristo cuja referência é a Bíblia. Portanto, não pecamos em dizer que: doutrina é um CONSTANTE ensinamento. Ensinamento esse, dado de forma didática através da revelação do Espírito Santo. Inclusive, dizer que a “Bíblia já é completamente revelada” é uma enorme abstração, uma vez que ela foi dada através de uma inspiração . Inspiração e revelação são conceitos distintos. Quem revela os segredos da Palavra de Deus é aquele quem inspirou vários homens a escrevê-la: o Consolador Espírito Santo (traremos esse assunto em determinado momento). 

Citei os dois versos do Evangelho segundo João por serem de extrema importância para essa análise. O termo “Consolador” foi escrito originalmente como “parákletos” que expressa: “o que está sempre ao lado”; “perto em todo o tempo” (tempo cronológico, tempo histórico e tempo profético). Significa também “advogado”, ou seja: aquele que advoga ou intercede por alguém. 
Logo, o texto em João 14:26 diz: “aquele Consolador...vos ensinará todas as coisas”. O termo original que corresponde a “ensinará” é “didasko” cujo significado é “ensinar”. O termo didasko (ensinar), portanto, tem uma estreita ligação com o termo “didachê” que foi usado pelo mesmo escritor (João) e se traduz por doutrina. Concluímos que: quando Jesus disse aos seus discípulos e apóstolos que iria voltar para a sua imensurável majestade e glória, advertiu-lhes com a promessa da vinda de seu Espírito Santo como aquele que iria dar continuidade à sua obra, ensinando todas as coisas. 
É interessante notar no Evangelho segundo João (capítulos 14) que Jesus faz a promessa da vinda do Consolador Espírito Santo precedida pela promessa de seu glorioso retorno ao mundo (veja em Jo 14: 2,3; Jo 14:18.). O entendimento que temos, portanto, é o seguinte: O ensinamento de Cristo não se limitou apenas aos ensinamentos deixados àquele período histórico (era apostólica), mas, pela intervenção docente e didática do Espírito Santo, seria retransmitido ao mundo através dos séculos com aperfeiçoamentos e ênfases para cada momento histórico (e profético) da Igreja de Cristo. Esse aperfeiçoamento é obra exclusiva do Espírito Santo e não cabe a homem algum configurá-lo aos seus próprios moldes teológicos e religiosos, pois daí tem-se o que a Bíblia acusa de “outro evangelho” . Inclusive, essa minha análise nada tem a ver com o fechamento do Cânon bíblico, ou seja, não estou dando margem para se dizer que a “transmissão da herança” (incumbência do Espírito Santo) significa que a Bíblia “está incompleta” e que precisa de “algo a mais”. Não é isso. Inclusive, os mistérios bíblicos são inacessíveis ao homem sem a provisão inspiradora reveladora do Espírito Santo. Portanto, o Espírito Santo ao transmitir a Herança, Ele está apenas ensinando, repassando preceitos e posicionamentos importantes ligados ao tempo histórico –profético da Igreja cuja ênfase Ele mesmo revela. Ele faz a função de um professor que, enquanto docente, ensina com base na grade curricular estabelecida. No caso em vigência, o Espírito Santo ensina e repassa a Herança seguindo a base curricular estabelecida, a saber, a Bíblia. Exemplo: Igreja Apostólica (primeiro período da Igreja). Esse período foi profético enquanto “início” da obra redentora de Cristo na terra. A ênfase dada para esse período foi: “Cristo, o que morreu, está vivo!”. Nesse determinado contexto profético, o Espírito Santo confirmava a doutrina cuja base escrita era a “Lei e os profetas”, porém por revelação que transcendia o escrito. Veja em Atos 8: 30-35. A Lei e profetas, já cumpridos em Cristo, revelavam pela intervenção do Espírito Santo, a pessoa de Jesus. Alguém poderia dizer: “a Bíblia já é plenamente revelada”. Se fosse “plenamente revelada” o eunuco (em Atos 8:30-35) não precisaria de uma 'ajuda' inspirada de Filipe e transmissão da revelação dada pelo mesmo de que Jesus o tal que estava oculto naquelas letras (nos escritos de Isaías 53:7,8). Da mesma forma, diante das aporias históricas e religiosas da cada período, o Espírito Santo confirmava e zelava pela sã doutrina. Outro exemplo: a Reforma Protestante veio como uma intervenção sobrenatural do Espírito Santo na História, dando ocasião para a obra redentora de Cristo ressurgir visível na terra, longe da perversão católica-romana estabelecidas. A igreja, nesse referido período, se separou e a chamada “igreja protestante” atravessou a história com o constante aprendizado doutrinário do Espírito Santo que, como governo da Igreja de Deus, purgou ao longo dos séculos conceitos heréticos, devolvendo aos crentes fiéis a Palavra de Deus como regra de fé, usando homens inspirados por Deus para, enfim, surgir na terra o período propício para os grandes avivamentos, preparando a Igreja de Cristo para a esperada Volta de Jesus. Portanto, desde as teses de Lutero e os cinco pilares da Reforma, a Igreja de Cristo na Terra foi recebendo contínua instrução do Espírito Santo.


Gabriel Felipe M. Rocha

sábado, 20 de abril de 2013

O FARISAÍSMO



“Naquele mesmo dia, chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: Sai e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te” (Lucas 13:31)

O termo fariseu pode ser, previamente, entendido como “os separados”.

Tratava-se de uma seita que se vangloriava de ter a correta interpretação da lei de Moisés. Consideravam-se os protetores da lei de Deus e achavam que podiam determinar os limites dentro dos quais os judeus deveriam viver. Na tentativa de aprimorar a lei de Deus, enchiam-na de detalhes e práticas que a distorciam e afastavam mais ainda o povo do seu Deus.
Falando em “afastar”, o texto base acima (Lucas 13:31) mostra exatamente isso: uma tentativa de tirar o servo do caminho. No caso do texto citado, Jesus era esse servo, aliás, o Servo. Jesus foi perseguido muito em seu ministério pelo farisaísmo da época.
Vajamos o contexto do texto citado:
Jesus concluiria seu ministério em Jerusalém  onde ali seria morto e ressurgiria dando início à história da Igreja.
O Adversário (Satanás) sabia desse plano divino. Por isso, enviou alguns para tirarem Jesus do caminho. Quem foram os enviados de Satanás? Sim, os fariseus!
Vivemos, no campo espiritual, o mesmo contexto: estamos indo a Jerusalém, estamos no caminho (Jesus). Mas, como sabemos que nosso inimigo não está satisfeito com o processo da nossa salvação (caminhar no caminho proposto), ele envia sempre alguém. Esse alguém (enviado pelo inimigo) é sempre aquele que, muitas vezes, está perto, na mesma congregação. Tem-se, portanto, o fariseu dos dias de hoje.
Podemos notar que os fariseus eram extremamente religiosos e atenciosos com a lei. Existem alguns ‘crentes’ rigorosos com a “lei”, porém não vivem em espírito. Seus argumentos são sempre bons como os do textos acima:
“sai, Herodes quer matar-te...”. Usam argumentos cuja aparência é de paz e bondade, mas o intuito, muitas vezes, é tirar o verdadeiro crente e servo do caminho. Esses argumentos estão soltos por aí e vestidos de boa aparência como:
“Vai à madrugada de novo? Eles estão fazendo sua mente...”;
“Viu o que aquele irmão fez? Não chegue mais perto dele, pode contaminar você...”;
“Irmão, sai dessa igreja! Viu o que o pastor fulano falou na mensagem...”;
“Ihhh a liderança falhou, isso não pode..essa obra não é mais a mesma...”
Os fariseus são pessoas que se vestem de santidade, mas, na verdade, por baixo dessas vestes de pseudo-crentes, estão a podridão de uma vida doente espiritual, cheia de amargura e ódios, invejas e ciúmes e tantos outros sintomas de uma vida sem Deus, embora “sabem tudo de Deus” (os fariseus nos tempos de Jesus sabiam tudo de Deus, da lei, mas não tinham uma experiência com o Deus vivo).
Vamos ver alguns aspectos históricos dos fariseus:

Podemos colocar como origem remota dos fariseus os antigos escribas que continuaram o trabalho de Esdras.

Na época do novo testamento, quando Jesus iniciou o seu ministério haviam muitos partidos e seitas entre os judeus, como, por exemplo, os zelotes, os essênios, os saduceus e os fariseus. Existia ainda um Sinédrio que era uma espécie de conselho formado por 70 anciões e presidido pelo sumo-sacerdote. Este sinédrio era responsável por julgar questões religiosas entre os judeus (para o governo de Roma era vantagem permitir a existência do sinédrio desde que suas decisões fossem favoráveis aos interesses do império). No sinédrio haviam representantes dos partidos, mais a maioria era composta de fariseus e saduceus e, dentre eles, os saduceus eram a maior parte.

Os fariseus não eram o maior partido, porém tinham bastante força por terem a simpatia do povo (classe pobre), enquanto os saduceus possuíam muitos membros da alta classe da sociedade. A liderança do sinédrio estava nas mãos dos saduceus na época de Jesus. Embora o partido dos fariseus não fosse um partido tão grande, foi o que mais tempo sobreviveu após a destruição de Jerusalém em 70dc.

Os saduceus não criam na imortalidade da alma, na ressurreição dos mortos e em seres espirituais; já os fariseus criam nas três coisas.

Tanto saduceus quanto fariseus se opunham a Jesus, os saduceus principalmente por causa da multidão que seguia a Jesus, o que para eles poderia despertar uma represália de Roma e a perda das mordomias e liderança (lembre-se de que o partido possuía membros principalmente das classes aristocráticas). O fato de Jesus ressuscitar mortos aumentou mais ainda o ódio deles. Os fariseus, por sua vez, perseguiam a Jesus principalmente por causa da interpretação da lei e por que ele afirmava ser o Filho de Deus.

Os líderes religiosos não conseguiram enxergar em Jesus o messias, pois Cristo fugia de todos os padrões que eles tinham como santidade. Para os fariseus era inconcebível e ilógico um messias que comia e bebia com os pecadores, não tinha um exército armado, falava com samaritanos, era manso e humilde, etc.

No início da igreja, os apóstolos tiveram muito trabalho com os saduceus (At 5.17,18) e fariseus; principalmente com aqueles que vinham para a igreja e instavam em querer colocar um jugo pesado sobre as costas dos cristãos (At 15.5-34). O Evangelho primeiramente havia sido pregado aos judeus e por isso, a Igreja no início sofria uma forte pressão do judaísmo; alguns achavam que para ser salvo era necessário aceitar a Cristo e obedecer à lei de Moisés. Jesus já havia mostrado que a Graça não seria uma espécie de remendo da lei quando ensinou a parábola encontrada em Mt 9.16,17.

O apóstolo Paulo foi usado especialmente pelo Senhor para falar sobre a Graça de Deus, ele podia falar com a experiência própria de ter sido um fariseu (At 23.6-8; 26.5; Fp 3.3-9) e haver perseguido a Igreja no seu zelo sem entendimento.

Os ensinos

Criam no fato de que o exílio na Babilônia deveu-se a desobediência a Torah, e que a observância desta era uma obrigação individual e nacional. Alegavam deter a interpretação correta da lei; os fariseus afirmavam que poderiam tirar dela à vontade de Deus para situações não expressas diretamente.

O seu extremo zelo sem entendimento; levou a elaboração de costumes que fugiam da vontade de Deus, deixando o amor em último plano. Estas tradições a princípio visavam impedir a quebra da Torah, mais na verdade a encheram de detalhes que distanciaram ainda mais a vontade de Deus do seu povo.

A ênfase do farisaísmo sempre era ética e não teológica.

As tradições e adaptações da lei, somente poderiam ser passadas por eles, pois afirmavam serem estudiosos da Torah.

Todas estas adaptações e tradições; levaram os fariseus a uma grande hipocrisia e a uma supervalorização destas adaptações e tradições.

As características do fariseu

Os fariseus (como também os saduceus) eram marcados pela importância dada à aparência externa e pela grande hipocrisia (vide vocabulário). Estas características fundamentais levavam a uma infinidade de erros. Podemos observar claramente como eram estes religiosos no texto de Mt 23. Perceba que de alguma forma existem crentes que agem deste modo. Vejamos:

23.4- Colocavam um pesado jugo sobre os discípulos = Igrejas que colocam os seus membros sob um jugo pesadíssimo e incoerente com a verdade; crentes que, individualmente, insistem em querer colocar fardos de tradições humanas sobre os irmãos.

Isto é bem diferente do jugo de Jesus. Mt 11.28-30

23.5- Não faziam as coisas por amor, mas para serem vistos = Igrejas e crentes que trabalham para serem vistos pelos homens e não trabalham para o Senhor; vivem de aparência!

23.5- Queriam aparentar ser mais santos do que os outros = Igrejas e crentes que acham que seus costumes os tornam mais santos; muitas vezes instintivamente acabam querendo ser mais santos do que Deus!

23.6-12- Gostavam de serem visto como mais importantes = Igrejas e crentes cheios de costumes humanos que por este motivo se acham melhores; buscam a liderança a qualquer preço.

23.13- Com seus ensinos afastavam as pessoas de Deus = Igrejas e certos “irmãozinhos” que espantam os pecadores.

23.14- Interesseiros = Igrejas que exploram a fé e ingenuidade dos seus membros, com pretexto de espiritualidade, mais na verdade interessados em alguma coisa;

23.15- Proselitismo = Igrejas e crentes que, ao invés de buscar almas no mundo, tentam tirar as pessoas de outras denominações.

Muitas vezes preferem matar espiritualmente alguém, a aceitar que um irmão seja livre em Cristo e não ande conforme o jugo que desejam impor.

23.16-22- Valorizavam coisas sem importância e desprezavam as que realmente importavam; na verdade eram materialistas = Igrejas e crentes cheios de avareza no coração e muitos que brigam por causa de questões tão banais.

23.23,24- Valorizavam mais os detalhes do que o essencial, deixando o amor por último = Quantos fazem isso...

23.25-28- Aparência de santidade; quando esta deve começar de dentro para fora (necessário é nascer de novo! Jo 3. 3-7) = Igrejas que pregam uma santidade superficial- mudar a roupa é fácil se comparado com mudar o coração!

A conversão tem início no coração e manifesta-se com a mudança de postura e caráter.

23.29-36- Perseguição a Verdade (Os profetas falavam do Messias que havia de vir, o qual eles perseguiam) = Igrejas e crentes que de tanta cegueira; lutam contra a Verdade!

Amados; tudo isso é fruto da hipocrisia do farisaísmo. Nos dias de hoje existem muitos que dizem serem cristãos, mais são grandes hipócritas!

O farisaísmo ainda existe no meio da igreja, não apenas nos usos e costumes que vemos em algumas igrejas sendo colocados em pé de igualdade com a graça, mais em muitas outras atitudes também. Aproveitemos para refletir: Será que eu muitas vezes tenho me portado como um fariseu? Talvez você pense:

“Fariseu? Eu?”.

Exatamente! Tendemos ao caminho mais curto, o caminho das aparências, ao invés de deixarmos Deus transformar o nosso íntimo para que as nossas obras passem a ser conforme a nossa fé. Eis aí o motivo de tantas igrejas caírem neste erro.

Estes fariseus modernos procuram o caminho mais curto, se gloriam de andarem debaixo do jugo como se isto fosse mais difícil; entretanto é fácil se tornar um crente na aparência externa, é fácil dizer que uma mulher é crente somente pelo fato de ter um cabelo enorme e um saião bem grande; difícil é mostrar uma vida transformada em caráter e conduta. Eles dizem: “Estas igrejas são porta larga!”, entretanto, verdadeiramente trabalhoso e difícil é ensinar a liberdade com discernimento, esperar pela transformação do coração. Muito fácil é obrigar os membros da igreja a usarem certas roupas e aí dizer que são crentes, quando o coração deles ainda não foi transformado; porta larga é a igreja que acha que, por seus membros gritarem e falarem em línguas são crentes (línguas que na maior parte das vezes não passam de manifestações da carne), ao invés de ensinarem os membros a terem uma vida frutífera; porta larga é viver ensinando e repetindo sempre as mesmas besteiras sem respaldo bíblico, ao invés de ensinarem a Palavra de Deus (e quantos assuntos e livros a Bíblia possui para serem ensinados...). Porta larga é punir a irmã que cortou o cabelo ou usou uma calça comprida (às vezes por causa do trabalho) e deixar impune a crente fofoqueira, o irmão que não paga as suas contas, etc.



O farisaísmo pode ser visto ainda hoje em algumas pessoas que se dizem cristãs, e, o que é pior, podemos notar que denominações inteiras adotam práticas farisaicas, descambando para o legalismo, e colocando as suas interpretações particulares, usos e costumes no mesmo patamar das verdades bíblicas.

Vamos vigiar para não sermos como esses.

Gabriel Felipe M. Rocha.
Adaptado e reformulado com base do texto de meu irmão em Cristo, Reginaldo Nogueira.

TRÊS CLASSES DE PESSOAS




1Co 2.14,15 “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido”.

DIVISÃO BÁSICA DA RAÇA HUMANA.

As Escrituras dividem todos os seres humanos em geral, em duas classes.

(1) O homem/mulher natural (gr. psuchikos, 2.14), denotando a pessoa irregenerada, i.e., governada por seus próprios instintos naturais (2Pe 2.12). Tal pessoa não tem o Espírito Santo (Rm 8.9), está sob o domínio de Satanás (At 26.18) e é escravo da carne com suas paixões (Ef 2.3). Pertence ao mundo, está em harmonia com ele (Tg 4.4) e rejeita as coisas do Espírito (2.14). A pessoa natural não consegue compreender a Deus, nem os seus caminhos; pelo contrário, depende do raciocínio ou emoções humanas.

(2) O homem/mulher espiritual (gr. pneumatikos, 2.15; 3.1) denota a pessoa regenerada, i.e., que tem o Espírito Santo. Essa pessoa tem mentalidade espiritual, conhece os pensamentos de Deus (2.11-13) e vive pelo Espírito de Deus (Rm 8.4-17; Gl 5.16-26). Tal pessoa crê em Jesus Cristo, esforça-se para seguir a orientação do Espírito que nela habita e resiste aos desejos sensuais e ao domínio do pecado (Rm 8.13,14).Como tornar-se um crente espiritual? Aceitando pela fé a salvação em Cristo, a pessoa é regenerada; o Espírito Santo lhe confere uma nova natureza mediante a concessão da vida divina (2Pe 1.4; ver o estudo A REGENERAÇÃO ). Essa pessoa nasce de novo (Jo 3.3,5,7), é renovada (Rm 12.2), torna-se nova criatura (2Co 5.17) e obtém a justiça de Deus mediante a fé em Cristo (Fp 3.9).

UMA DISTINÇÃO ENTRE OS CRENTES.

Embora o crente nascido de novo receba a nova vida do Espírito, ele tem residente em si a natureza pecaminosa, com suas perversas inclinações (Gl 5.16-21). A natureza pecaminosa que no crente existe, não pode ser mudada em boa; precisa ser mortificada e vencida pelo poder e graça do Espírito Santo (Rm 8.13). O crente obtém tal vitória negando-se a si mesmo diariamente (Mt 16.24; Rm 8.13; Tt 2.11,12), deixando todo impedimento ou pecado (Hb 12.1), e resistindo a todas as inclinações pecaminosas (Rm 13.14; Gl 5.16; 1Pe 2.11). Pelo poder do Espírito Santo, o próprio crente guerreia contra a natureza pecaminosa e diariamente a crucifica (Gl 5.16-18,24; Rm 8.13,14) e a mortifica (Cl 3.5). Pela abnegação e submissão à obra santificadora do Espírito Santo em sua vida, o crente em Cristo experimenta a libertação do poder da sua natureza pecaminosa e vive como um crente espiritual (Rm 6.13; Gl 5.16).

Nem todo crente se esforça como devia para vencer plenamente sua natureza pecaminosa. Ao escrever aos coríntios, Paulo mostra (3.1,3) que
alguns deles viviam como carnais (gr. sarkikos), i.e., ao invés de resistirem com firmeza às inclinações da sua natureza pecaminosa, entregavam-se a algumas delas. Embora não vivessem em contínua desobediência, estavam em parceria com o mundo, a carne e o diabo em certas áreas das suas vidas, e mesmo assim querendo permanecer como povo de Deus (10.21; 2Co 6.14-18; 11.3; 13.5).

(1) A figura do crente carnal. Embora os crentes de Corinto não vivessem em total carnalidade e rebeldia, nem praticassem grave imoralidade e iniqüidade, que os separaria do reino de Deus (ver 6.9-11; cf. Gl 5.21; Ef 5.5), estavam vivendo de tal maneira que já não cresciam na graça, e agiam como recém-convertidos, sem divisar o pleno alcance da salvação em Cristo (13.1,2). A carnalidade deles era vista na “inveja e contendas” (3.3). Não se afligiam com a imoralidade dentro da igreja (5.1-13; 6.13-20). Não levavam a sério a Palavra de Deus, nem os ministros do Senhor (4.18,19). Moviam ação judicial, irmãos contra irmãos, por razões triviais (6.6-8). Observe-se que aos crentes coríntios que estavam vivendo em imoralidade sexual ou pecados semelhantes, Paulo os têm como excluídos da salvação em Cristo (5.1,9-11; 6.9,10).

(2) Perigos para os cristãos carnais. Os cristãos carnais de Corinto corriam o perigo de se desviarem da pura e sincera devoção a Cristo (2Co 11.3) e de se conformarem cada vez mais com o mundo (cf. 2Co 6.14-18). Caso isso continuasse, seriam castigados e julgados pelo Senhor, e se continuassem a viver segundo o mundo, acabariam sendo excluídos do reino de Deus (6.9,10; 11.31,32). Realmente, alguns deles já estavam mortos espiritualmente, por viverem em pecados que levam a isso (ver 1Jo 3.15 nota; 5.17 nota; cf. Rm 8.13; 1Co 5.5; 2Co 12.21; 13.5).

(3) Advertências aos cristãos carnais. (a) Se um crente carnal não tomar a resolução de se purificar de tudo quanto desagrada a Deus (Rm 6.14-16; 1Co 6.9,10; 2Co 11.3; Gl 6.7-9; Tg 1.12-16), ele corre o risco de abandonar a fé. (b) Devem tomar como exemplo o fato trágico dos filhos de Israel, que foram destruídos por Deus por causa de seus pecados (10.5-12). (c) Devem entender que é impossível participar das coisas do Senhor e das coisas de Satanás ao mesmo tempo (Mt 6.24; 1Co 10.21). (d) Devem separar-se completamente do mundo (2Co 6.14-18) e se purificar de tudo quanto contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a sua santificação no temor do Senhor (2Co 7.1).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO?


Religião Romana, jugo, mentira e decadência

“Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão” (Gálatas 5:1)

 

Olá, amigos e leitores do Blog Palavra a Sério, a paz de nosso Senhor Jesus! No mês passado postei algo ligado ao tema “catolicismo romano” e, nessa postagem, trato novamente desse tema. Acredito não estar sendo “repetitivo” em tratar certos assuntos, mas, pelo contrário, creio que seja interessante e importante para nós, servos do Altíssimo, sabermos mais sobre um sistema dominador e religioso que nos cerca e que nos tem como “seitas” e povo “excluído da verdadeira Igreja de Cristo”

O sistema Católico Romano, cujo líder atual e o Papa Ratzinger (Bento 16), afirma ser a única igreja verdadeira. Os dois pilares sobre os quais o Catolicismo está fundamentado são:

1) A Sucessão Apostólica

2) O Poder Temporal do Papa.

Como não foi edificada sobre a Petra = Rocha = Cristo - mas sobre Petrus = seixo/ fragmento = Pedro, esta igreja não pode ser infalível, porque o único infalível é o Senhor Jesus Cristo. Pedro era um pecador falível, tanto que logo após a sua confissão de fé em Mateus 16:16, ele é chamado de Satanás pelo próprio Senhor Jesus (verso 23). Em Gálatas 2:11-14 o apóstolo Paulo, referindo-se a Pedro, diz o seguinte: “E, chegando Pedro à Antiquai, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e diretamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”

Quando lemos a Carta de Paulo aos Gálatas vemos que Pedro não era o chefe da Igreja de Jerusalém e sim Tiago, o irmão carnal de Jesus (2:9), porque foi ele quem deu a palavra final no Concílio de Jerusalém, a respeito da circuncisão dos gentios (Atos 15:12-20). Aliás, no Novo Testamento não existe a expressão “igreja verdadeira”, mas a palavra “igrejas”, a qual aparece nada menos que 36 vezes. Como por exemplo em Romanos 16:16-b, onde lemos: “As Igrejas de Cristo vos saúdam”. E na 1 Coríntios 11:16, na 2 Coríntios 8:1 e na 2 Tessalonicenses 1:4, lemos: “nas igrejas de Deus...”, etc. Esse conjunto de igrejas, num mesmo Espírito (uma só OBRA), compõe sim uma IGREJA SÓ, o CORPO de Cristo, a IGREJA FIEL.

O Poder Temporal da Igreja romana foi obtido à custa de um documento forjado com o título de “Doações de Constantino” que legava ao Papa Adriano I todos os países do chamado Sacro Império Romano daquela época. (“Four Horsemen” p. 13, J.T.Chick).

Se a Bíblia reconhece a existência de muitas “igrejas verdadeiras”, contanto que sejam fiéis à Palavra de Deus; então, qualquer igreja que afirma ser a “única igreja verdadeira” está negando a Bíblia, portanto é uma igreja falsa, não bíblica. Quando Paulo diz em Gálatas 5:1 “ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão” Ela está condenando veementemente a ditadura religiosa imposta por homens falíveis.

Igrejas que usam ensinos complementares e visões de “santos” e “anjos” são igrejas antibíblicas, portanto não podem ser consideradas como verdadeiras. A Igreja Católica Romana tem apelado para visões de Maria e de “santos”, conforme sua conveniência política. Logo após ter perdido a I Guerra Mundial (bolada pelo Vaticano através dos Jesuítas, conforme “The Godfathers”, J.T.Chick, o Papa Pio XII afirmou ter tido a visão do sol dançando no céu. Essa visão (mentirosa ou satânica) aconteceu porque ele precisava sustentar a forjada aparição de Fátima, cuja protagonista principal foi nada menos que a sobrinha do futuro Bispo de Leiria, chamada Rosa Bacelar (segundo conta o ex-padre Aníbal Reis em seu livro “A Senhora de Fátima”, p. 13). Essa aparição se deu exatamente em Fátima, Portugal, por 3 motivos: 1) Combater o Socialismo que ameaçava a ditadura católica romana naquele país. 2) Liquidar a religião ortodoxa na Rússia, pois Maria pedia que o povo orasse pela conversão desse país. 3) Agradar os muçulmanos, pois a cidadezinha montanhosa de Fátima fora assim chamada em honra à filha mais velha de Maomé, Fátima, esposa do primo e sucessor de seu pai.

De uma cajadada só a “santa madre” matou três coelhos: 1) Destruiu o Partido Socialista em Portugal. 2) Liquidou o Czar Nicolau I da Rússia (que protegia os Ortodoxos) e 3) Enganou os muçulmanos com as tais “novenas de Fátima”, pois os seguidores de Maomé ainda hoje acreditam que foi a filha de Maomé quem lá apareceu (“The Prophet”, p. 26, N.T. Chico). Dizia o Dr. Alberto Rivera, ex-padre Jesuíta, que a Ordem Jesuíta programou várias aparições de Maria na China, Rússia, e Estados Unidos (Ibid p.27). Só os iludidos acreditam nessas aparições fajutas.

Coitado do homem mais rico do mundo, que agora é o Papa Ratzinger! Ele já não pode fumar suas três carteiras diárias de Malboro (segundo informação do seu irmão Georg), tomar o seu chope na hora em que deseja fazê-lo, nem ficar navegando horas e horas, na Internet, porque os seus encargos de papa lhe tomam um tempo enorme, tentando se equilibrar na corda da mentira institucionalizada de sua "igreja".

O Brasil tem problemas graves de desigualdade social, corrupção generalizada, violência urbana e muitos outros que não tenho tempo de citar. Hoje, as notícias que mais chamam a atenção dos alemães sobre o nosso país, além do futebol e do carnaval, são as notícias da violência que predomina no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Provavelmente a chacina de 11 crianças numa escola do RJ (hoje) já está bombando nos jornais europeus.

Nós, brasileiros, somos roubados pelos bandidos, pelos políticos e, com corrupção típica de um país, cujo povo vive bajulando os papas, ficamos expostos à maldição espiritual, por causa da rompante idolatria dos membros da meretriz romana. Você, católico iludido, voluntariamente, por mera preguiça de ler a Bíblia, aprenda a ser um cristão e, porventura, um servo do DEUS vivo!

 

Escrito por Gabriel Felipe M. Rocha/ Artigo e informações de Mary Schultze/ www.maryschultze.com

(Algumas informações históricas e adaptação do texto para o blog -Gabriel Felipe M. Rocha)

sábado, 11 de agosto de 2012

NÃO AMEIS O MUNDO



O MUNDO

“Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” (1 João 2.15-16)

O que é o mundo? Qual sua origem e, quem foi o seu idealizador e criador? Por que Deus nos adverte com tanta veemência em sua Palavra para que não o amemos? Existe algum juízo sobre o mundo? O que acontecerá com aqueles que permanecem no mundo e como escapar dele ?

Através desta postagem, procurarei responder estas perguntas.

A palavra MUNDO é muito usada no Novo Testamento e o apóstolo João faz largo uso dela. Essa palavra vem do grego clássico cujo significado é “kosmos”. É geralmente usada em três sentidos diferentes:

1º- Como universo material: o mundo todo, o planeta Terra (At 17:24; Mt 13:35; Jo 1:10; Mc 16:15).

2º- Como os habitantes do mundo ( Jo 1:10; Jo 3:16; Jo 12:19; Jo 17:21). Como raça inteira dos homens separados de Deus e hostis ao Evangelho de Jesus (Hb 11:38; Jo 14:17 e 27; Jo 15:18).

3º- Como coisas e assuntos mundanos, todo o círculo de bens, talentos, riquezas, vantagens e prazeres mundanos que embora vazios e transitórios, excitam nossos desejos e nos afastam de Deus, sendo pois obstáculo à sua Obra Redentora (1Jo 2:15; 1Jo 3:17; Mt 16:26; 1Co 7:31; 1Co 2:12; 1Co 3:19; 1Co 7:31;Tito 2:12; 2Pe 1:4; 2Pe 2:20 e Tg 1:27).

No princípio Deus criou o universo (kosmos – κόσμος) e a Terra fazia parte deste universo, nela Deus colocou o homem que era puro e inocente. Não se vê nenhuma menção acerca do “mundo”, como o conhecemos hoje, neste universo criado por Deus.

No entanto, quando o homem pecou desobedecendo ao Senhor, o inimigo de nossas almas, a saber, satanás encontrou a “porta aberta” para introduzir no universo criado por Deus e na vida do homem o seu sistema (o sistema dos caídos = rebeldia contra Deus). Sistema esse que envolvia o pecado e a desobediência geral ao Senhor e, tal sistema vem progredindo e podemos ver no mundo, que jaz nesse maligno, a forma pecaminosa que tomou. Com isso o adversário passou a ser o SOBERANO DESTE MUNDO, ou o “príncipe deste mundo”.

No livro de Genesis não encontramos em menção ao Jardim do Éden qualquer citação à tecnologias e instrumentos mecânicos. Após a queda, porém, vemos surgir entre os descendentes de Caim alguém lidando com instrumentos cortantes de ferro e bronze. Depois outro começa a desenvolver a música e as artes , e ainda outro envolvido com a agricultura e a pecuária – Gênesis 4:20-22. Bem, o conhecimento e toda a ciência é de Deus, vem de Deus, mas em aplicação neste mundo elas também passam a ser instrumentos para o reino de Satanás (podemos ver isso na televisão, internet, musicalidades profanas, entre inúmeras outras coisas).

As bases ou fundamentos deste sistema mundano criado pelo adversário são basicamente três, e essas são:

a) A concupiscência da carne;

b) A concupiscência dos olhos; e a soberba da vida;

c) A soberba da vida.

Estas três formas de opressão são usadas pelo inimigo desde o princípio até os dias de hoje para prender o homem e escravizá-lo no seu sistema.

A Bíblia mostra que no jardim do Éden o inimigo procurou envolver Adão e Eva nestas três coisas, e obteve êxito. Mais tarde, tentou fazer o mesmo com o Senhor Jesus e foi derrotado.


     I Jo 2: 16

Adão e Eva - Gên 3: 6

Senhor Jesus - Mt 4: 1 - 11

Concupiscência da carne




Concupiscência dos olhos



Soberba da vida


 boa para se comer



Agradável aos olhos



Boa para dar entendimento

Transformar pedras em pão



Mostrou os reinos



Lança-te abaixo



Resultado:



 

   

CAÍRAM

VENCEU



Hoje em dia tudo no mundo gira em torno dessas três coisas fundamentais. O inimigo mantém o homem escravizado dentro de uma ou de todas estas esferas, as quais por suas vez se apresentam através de facetas múltiplas, compondo assim um sistema hostil e de tendências contrarias a Deus e à sua vontade. Por isso o Senhor nos alerta solenemente: “Não ameis o mundo, nem o que nele há...”

Tudo que existe neste sistema, por mais inocente que pareça ser, pertence ao mundo e está sendo controlado pela mente do inimigo. Se fizermos um exame minucioso, vamos descobrir que coisas tais como: música, artes teatro, cinema, religião, educação acadêmica, ciências diversas, etc. fazem parte do sistema mundano e caminham numa direção oposta ao Senhor e favorável ao adversário.

Quando Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho, a multidão que o seguia louvava, pensava que Ele iria libertar Israel do jugo de Roma. Mas o Senhor ao invés de confirmar esta expectativa, falou claramente acerca e sua morte na cruz ainda naqueles dias. Para muitos foi uma decepção ouvir aquelas palavras, mas Jesus estava trazendo a todos uma maravilhosa esperança; sólida e firme. Ele estava anunciando uma mudança de domínio, mais radical e abrangente do que aquela que era esperada pelo povo de Israel. Jesus afirmou que através de sua morte e ressurreição, iria julgar o mundo e expulsar o seu príncipe – Jo 12:31,32.

O grão de trigo iria cair na Terra e produzir uma nova geração de homens e mulheres que não seriam mais escravos e participantes do sistema maligno que os dominava, mas seriam agora participantes de um novo reino de justiça baseado na livre aliança com o Senhor. Através de cordas de amor, seus corações seriam atraídos para longe daquele mundo sob julgamento, para o lado de Jesus, o qual, embora tenha sido levantado para morrer, por esse mesmo ato foi levantado para reinar. Desta forma o mundo como sistema hostil à presença santa de Deus teve o seu julgamento. Isto não quer dizer que a terra e seus habitantes foram julgados naquele momento; para eles o juízo ainda está por vir.

É através da salvação que nós escapamos do mundo. Para muitos, a salvação significa livramento do inferno para viver no céu, ou libertar-se do pecado para viver em santidade, mas não é tão simples assim. Salvação significa algo mais além que isto. Muitos afirmam que “uma vez salvos, salvos para sempre”, mas isso é um terrível engano doutrinário (inclusive histórico). A salvação é algo dinâmico , deve se renovar a todo o instante e esse processo caminha lado a lado da santificação. Basta lembra da última praga sobre o Egito. O povo estava num ‘mundo’ onde o “príncipe mal” dominava, mas em suas casas havia luz e em todo Egito escuridão. O povo estava separado (santificado) e em suas portas havia o sangue como o sinal. Hoje os servos do Senhor estão, da mesma forma, separados para sair em breve e o sangue de Cristo é o sinal, o Espírito Santo é o diferencial.

Quando somos salvos fazemos o nosso êxodo de um mundo inteiro. Saímos de um dominador feroz e passamos a ir de encontro com Jesus (Cl 1:13).

Voltando o nosso exemplo para o povo de Israel, lembramos que Deus os arrancou do Egito (um tipo do mundo) e, durante a caminhada no deserto, fez uma aliança eterna com eles. Mas muitos morreram no deserto pois os seus corações estavam ainda no Egito. Isso é sério! Vamos lembrar da parábola das dez virgens? Cinco entraram para as bodas e cinco ficaram para trás. No arrebatamento da Igreja será assim: 50% dos “crentes” ficarão para trás por amarem mais o mundo e as coisas que nele há.

Salvação significa sair definitivamente desse domínio maligno que rege o mundo.

Muitos hoje confessam que creem em Jesus, mas permanecem totalmente ou parcialmente envolvidos co este mundo, refugiando-se numa religião sem saber que ela mesma faz parte desse sistema, pois onde quer que o poder natural e filosófico do homem domine, existe neste sistema um elemento sob a inspiração do inimigo. Muitos se refugiam em suas próprias razões e concepções, muitos se apegam à Filosofia e tentam explicar ou justificar o que Deus definiu em sua Palavra (não que eu seja contra a Filosofia, ao contrário, estou indo ao titulo de mestre acadêmico nesta área).

O apóstolo Paulo disse: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento” (Romanos 12:2).

Salvação é isto: é não pertencer ao padrão desse mundo, mas buscar a cada dia a boa forma de Deus, a estatura de varão perfeito. Penso no que estão fazendo com o título “Evangelho” nos nossos dias. Muitas igrejas tentam se adaptar àquilo que o mundo dita levando para dentro o que , na verdade, devia estar fora (e longe).

O mundo e sua concupiscência passarão. Mas aquele que guarda o bom tesouro em seu coração, guarda a fé e persevera em fazer a vontade do Senhor permanece para sempre.

A palavra usada no grego para designar a igreja é EKKLESIA (εκκλησία), que é a junção do termo EK = “para fora de” , com o termo KLESIA = “chamada”.


Assim vemos que a verdadeira igreja é aquela que foi separada do sistema mundano para pertencer ao Senhor.

“Quem é esta que sobe do deserto e vem encostada tão aprazivelmente ao seu amado”? (Cantares 8:5)
Esta é a Igreja que subirá deste mundo glorificada com Cristo.

Espero ter acrescentado algo de bom e edificante com este artigo.
No mais, a paz do Senhor Jesus a todos!

Gabriel Felipe M. Rocha