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sábado, 20 de setembro de 2014

O propósito da salvação em 1 Pedro - 1/5

O propósito da salvação em 1 Pedro - 1/5

(Por Leonardo Dâmaso)

 Leia 1 Pedro 1.13-25

Após tecer um louvor de agradecimento a Deus, e, ao mesmo tempo, discorrer com virtude sobre a obra da salvação em Cristo Jesus através de uma série de afirmações indicativas (vs.3-12), Pedro, dessa vez, relaciona a santidade na vida cristã como evidência e finalidade da salvação. Se outrora o apóstolo afirmou a nossa salvação expondo algumas das principais doutrinas da graça, tais como: eleição, expiação, regeneração, santificação (vs.2-3), agora ele nos chama através de uma série de imperativos (exortações) para viver esta salvação na vida prática (1.13-25). Além de explicar para quê o cristão foi salvo, estas doutrinas da graça são, também, a base do chamado a um estilo de vida em obediência.

O esboço homilético desta seção pode ser dividido em três pontos, ou seja, o propósito da salvação consiste em: 1 Uma vida em santidade (1.13-16). 2 Uma vida com reverência (1.17-21). 3 Uma vida em amor (1.22-25).         

1. Uma vida em santidade (1.13-16)

Tendo recebido o dom da salvação em Cristo Jesus (vs.9), os destinatários de Pedro bem como os cristãos em geral não devem desprezar este inefável presente sendo negligentes na salvação. Como filhos de Deus, devemos viver em conformidade com a sua vontade, que consiste numa vida em obediência a sua Palavra (veja Mc 3.35; Jo 9.31; 1Pe 2.15). A realidade da salvação deve se expressar em santidade vivida. 

1.13 Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.

Pedro, através de uma série de imperativos (exortações), instrui os seus leitores e a todos os cristãos em como viver uma vida que glorifica a Deus. Para vivermos em santidade é necessário:

a) Dispormos a mente. A preposição por isso é uma conclusão afirmativa que antecede o tema da obra da salvação tratado nos versículos 3-12. Pedro, agora, liga a salvação com a santidade (vs.13), e, desse modo, tomando por base esta salvação que é recebida pela fé em Jesus Cristo (vs.5), exorta-nos a cingir o nosso entendimento. A expressão cingindo o vosso entendimento, ou como é na tradução literal do grego – “cingindo os lombos do vosso entendimento”1 é uma metáfora que, na época de Pedro, no século 1, era facilmente compreendida por todas as pessoas. Porém, hoje, no mundo moderno, é necessária uma explicação mais acurada do seu significado. 
  
Cingir os lombos, na antiguidade, era um hábito dos orientais. A túnica, uma roupa comum e usada na época, era uma peça larga e comprida, semelhante a um vestido longo que cobre todo o corpo. Era colocada sob o manto ou a capa e usada com um cinto sob a cintura. Esse tipo de roupa, sem o cinto, atrapalhava a pessoa a exercer algum tipo de trabalho que exigisse movimentos longos e intensos em alguma atividade física que era preciso certa agilidade. Sendo assim, para ter uma boa mobilidade e evitar empecilhos, a pessoa cingia os lombos (ou quadris), isto é, colocava o cinto sobre a túnica. Em outras palavras, a expressão moderna e equivalente para nós, hoje, seria dizer: Vamos “arregaçar as mangas ou tirar o casaco”, que indica algum trabalho ou atividade física que fôssemos exercer.

A palavra entendimento, no grego διάνοία (dianoia), se refere à mente; “significa pensar em algo e tirar as conclusões apropriadas”.2 Portanto, Pedro utiliza e aplica esta metáfora do cingir os lombos dizendo aos seus leitores e a todos os cristãos que eles devem estar com a sua mente preparada e disposta para agir colocando em prática aquilo que ouviram, ou seja, tudo o que foi dito anteriormente sobre a salvação (vs.3-12).

Aplicação prática

O entendimento, aqui, se refere ao modo pelo qual nos relacionamos com Deus através da mente que irá convergir na nossa conduta. Em vista disso, a nossa mente deve estar disciplinada e livre de qualquer coisa que possa servir de obstáculo para, assim, vivermos uma vida cristã pautada nas Escrituras e que glorifique ao Senhor. A nossa mente precisa estar subjugada aos preceitos de Deus para que possamos compreender a sua vontade para a nossa vida, discernindo entre o certo e errado, entre a verdade e a heresia, e não aos preceitos que norteiam o mundo e a vida de muitos “ditos” cristãos, como, por exemplo, o evangelho caracterizado pelo materialismo e a preocupação exacerbada com a estabilidade e a satisfação pessoal na vida.

O materialismo é uma avidez desenfreada pelo consumismo, e a preocupação exacerbada com a estabilidade e a satisfação pessoal na vida, além de serem o lema da sociedade secular, tem sido também o lema da igreja evangélica em sua maioria. O “evangelho” mundano que tais “cristãos” creem apresenta o seguinte slogan: Eu tenho que ter isso e aquilo de qualquer maneira! Portanto, vou lutar e trabalhar sobremaneira para conquistar tudo o que eu desejo ter neste mundo profetizando e barganhando com Deus! Ou: Eu só serei feliz se tiver dinheiro, uma namorada (o), uma esposa (o) e saúde!  

Todavia, o materialismo é pecado, mas a motivação pela estabilidade e satisfação pessoal não são pecado em si. No entanto, esta motivação se torna pecado quando depositamos toda a nossa esperança e as colocamos como prioridade em nossa vida em detrimento de Deus, que é a nossa prioridade (1Cor 15.19; Cl 3.1-3). O evangelho mundano caracterizado pelo materialismo e a preocupação exacerbada pela estabilidade e satisfação pessoal têm corrompido e desvirtuado a mente de muitos cristãos. Portanto, conforme a ideia no grego, era como se Pedro dissesse: Não permita que qualquer coisa tire o foco da sua mente em relação a compreender e obedecer a Palavra de Deus!

Para vivermos em santidade é necessário:

b) Sermos sóbrios. Se os cristãos devem cingir o entendimento no sentido de estar com a mente preparada, disciplinada e disposta para viver a salvação que ouviram na vida prática, Pedro prossegue exortando-os que, agora, eles devem ser sóbrios3 (4.7; 5.8).  

No grego, a expressão sede sóbrios νήφοντες (nephontes), literalmente “sendo sóbrios”, é um particípio presente ativo que, traduzido como um imperativo, seria como se eu dissesse que “estou sóbrio ou tenho autocontrole”. Esta palavra descreve uma pessoa que tem domínio próprio tanto em relação à bebida alcoólica, evitando, assim, a embriaguez e, de modo geral, a qualquer tipo de êxtase frenético que extraia a pessoa da racionalidade. Entretanto, aqui, de forma mais ampla, se refere à pessoa que não está “embriagada” por coisa alguma estando com a mente lúcida.4 Ser sóbrio, portanto, além de ser constante, firme e perseverante no pensamento acerca da esperança da salvação em Cristo Jesus, significa, também, “ser calmo, estável e controlado” 5 (veja a mesma ideia em 2Tm 4.5; 1Ts 5.6, 8). 

Aplicação prática

John MacArhtur acentua que o cristão sóbrio é responsável de modo correto por suas prioridades e não se deixa embriagar pelas distrações do mundo.6 Não obstante, é bem verdade que o falso evangelho mundano que corrobora o materialismo e a preocupação exacerbada pela estabilidade e satisfação pessoal e todas as suas outras “falsas doutrinas” são um tipo de "droga" que tem entorpecido muitos cristãos verdadeiros, os quais são cristãos incautos e sem discernimento espiritual.
   
Os prazeres mundanos como a bebida alcoólica, a pornografia, a fornicação (o sexo fora do casamento), o adultério, a desonestidade, a mentira, as baladas e as orgias são, também, "drogas" que tem entorpecido muitas pessoas nas quais, algumas, são até cristãos verdadeiros que, enfraquecidos pelas negligencias e omissões, se desviaram do evangelho.

O cristão verdadeiro que está entorpecido pelo falso evangelho pode ter o seu entendimento elucidado pelo Espírito Santo para o conhecimento do verdadeiro evangelho e ser liberto da "droga" chamada falso evangelho. O cristão desviado e entorpecido pelos prazeres mundanos pode, também, ser resgatado e restaurado por Deus à sobriedade sendo introduzido novamente à comunhão da igreja. Certamente o Senhor não abandona os seus! Ele cuida de nós!

Para vivermos em santidade é necessário:

c) Esperarmos na graça. Depois de instar os cristãos acerca da necessidade de serem vigilantes e equilibrados, estando com a mente livre de qualquer perturbação e inclinada para a salvação em Cristo Jesus, Pedro, dessa vez, acentua que eles devem também depositar toda a esperança que possuem na graça que será entregue quando Jesus Cristo se revelar. 

O verbo esperar, no grego έλπίσατε (elpisate), significa, basicamente “colocar a esperança”. É uma forma verbal de esperança έλπίδα (elpis) que, no versículo 3, declara que os cristãos, a partir da regeneração, já recebem a salvação, porém, de modo parcial. Esta salvação parcial, contudo, é apenas o prelúdio daquilo que ainda é esperado, ou seja, a salvação na sua plenitude no qual o versículo 5 aborda. Todavia, o verbo esperar, aqui, é seguido pelo advérbio τελειος (teleios), que pode ser interpretado de duas maneiras:  

1. Enfatizando o verbo esperar conforme traduziu a ARA por esperai inteiramente. 2. Como uma indicação ao modo pelo qual os cristãos devem viver esta esperança, isto é, com maturidade e integridade (veja o uso do advérbio τελειος (teleios) também em Tg 1.2-4). Embora estas duas interpretações sejam possíveis, contudo, seria melhor entendermos o advérbio τελειος (teleios) como uma ênfase no verbo esperar, no qual se harmoniza perfeitamente com o contexto geral da carta (3.5). Desse modo, Pedro exorta os cristãos a esperar inteiramente, que significa “depositar a esperança”. 

Logo, vemos que esta esperança descrita não consiste em uma pessoa, mas em um objeto, ou seja, “na graça”. Esta graça que nos versículos 2 e 10 está no tempo presente, não obstante aqui, é sinônimo da salvação futura (vs.4, 9). Deus, portanto, está “trazendo a graça para os cristãos na revelação de Jesus Cristo”.

A expressão revelação de Jesus Cristo ARA é uma repetição da última parte do versículo ,e tem o mesmo sentido aqui como uma referencia não a primeira vinda de Cristo, mas a sua segunda vinda em glória (1Cor 1.7-8). A obra da redenção dos pecadores eleitos será concluída quando Jesus voltar. A plenitude da salvação chegará através do livramento da presença do pecado pela glorificação do corpo e da alma. Portanto, “olhar para a volta de Cristo fortalece a fé e a esperança em tempos difíceis e concede mais da graça de Deus (Tt 2.10-13)”7    

Não obstante, a seguir, nos versos 14-16, observamos que Pedro amplia o tema da santidade na vida cristã começando uma nova série de imperativos (exortações) baseados em três pontos. Senão vejamos:

a) Um solene aviso acerca do perigo à santidade.

1.14 Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância.           

Pedro, aqui, tece uma advertência aos seus leitores históricos e a todos os cristãos. O apóstolo assevera que, uma vez que foram eleitos para a salvação em Cristo Jesus por Deus Pai (vs.2), regenerados pelo Espírito Santo para a esperança da salvação futura e uma vida em santidade (vs.3, 13), os cristãos, todavia, não devem retornar ao estilo de vida que tinham no passado quando não conheciam o evangelho, o qual era caracterizado pela prática do pecado. Sendo assim, Pedro diz o que estes cristãos “devem fazer” (imperativo positivo). Vejamos então:

i. Os cristãos devem ser obedientes. A expressão filhos da obediência “é um linguajar semita (hebraico). Significa algo como: pessoas que são cunhadas integralmente pela obediência”8 (veja os exemplos similares em Lc 10.6; Ef 5.8; 2Ts 2.3).  

Geralmente, os filhos obedientes “são os filhos de uma pessoa que faleceu e deixou um testamento para que recebam a herança. Os cristãos são chamados de filhos, não por nascimento, mas por adoção. Entre os gregos e romanos do século 1, a prática da adoção era bem comum. Um filho adotivo desfrutava dos mesmos privilégios que o filho natural, até mesmo a ponto de dividir a herança”. Em vista disso, Pedro chama os seus destinatários e todos os cristãos de filhos da obediência, ou, em outra tradução, de “filhos obedientes” a fim de esboçar o conceito de santidade a eles. Portanto, ser filho da obediência é viver uma vida que desemboque em obediência, que pode ser definida simplesmente como fazer a vontade de Deus (1.2).

Após delinear o que os cristãos devem fazer, Pedro, agora, diz o que eles “não devem fazer” (imperativo negativo). Senão vejamos:

ii.  Os cristãos não devem se amoldar novamente aos desejos que tinham no passado. Embora os primeiros destinatários históricos de Pedro fossem uma mescla de Judeus e gentios (1.3, 12, 14, 18, 22-23, 25; 2.9-10; 4.3), todavia, o apóstolo relembra aqui especificamente o estilo de vida dos cristãos gentios no passado antes da conversão, a fim de avisá-los do perigo de retornar a este velho estilo de vida que Deus não se agrada. Diferente dos judeus, que conheciam a lei moral, estes gentios eram pagãos e ignorantes quanto ao conhecimento da vontade de Deus revelada nas Escrituras. Por essa razão, tinham o seu modus vivendi (modo de viver) conduzido pelas mais variadas paixões9 ou “desejos pecaminosos”.

No grego, a expressão não vos amoldeis σνσχηματιςόμενοι (syschematizomenoi) é, literalmente, “não vos amoldando”, podendo ser traduzida como “não se deixem conformar” 10 ou, trivialmente, como uma exortação a “não entrar no esquema”. Esta expressão “significava assumir a forma de alguma coisa, a partir de um molde no qual se era encaixado”.11 Contudo, uma vez que foram libertos da escravidão do pecado (Ef 2.1-3), Pedro adverte estes cristãos gentios a não entrarem novamente no antigo esquema do mundo caracterizado por uma vida regida pelos prazeres carnais (veja com exemplo Êx 20.13-17).

Aplicação prática

Os cristãos foram salvos para a obediência, por isso os salvos são filhos obedientes. Como os filhos herdam a natureza dos pais, precisamos viver em santidade, pois nosso Pai é santo.

Como filhos obedientes, não podemos retroceder nem cair nas mesmas práticas indecentes que marcavam nossa conduta quando vivíamos prisioneiros do pecado. Naquele tempo, os desejos e as paixões constituíam o esquema determinante da nossa vida e a nossa norma de conduta. É incoerente, incompatível e inconcebível um salvo amoldar-se às paixões de sua velha vida12 (veja Ef 4.22-25, 28-29, 31). Que não sigamos o mau exemplo de homens ímpios e desobedientes. Antes, sejamos corajosos o bastante para rejeitar o padrão de vida que eles gostariam de impor-nos por seu exemplo e influência.13 

____________
Notas:
1. A ARC traduziu literalmente a expressão no grego.
2. Ênio Mueller. 1 Pedro – Introdução e Comentário, pág 98.
3. O imperativo “sede sóbrio” não é um chamado à sobriedade, mas uma metáfora para manter a mente alerta e serena (Bob Utley. Comentário Bíblico de Marcus e 1, 2 Pedro, pág 222).
4. A palavra grega νήφοντες (nephontes) era comumente usada no âmbito religioso na época de Pedro, especificamente para as religiões de mistério para descrever as pessoas que se mantinham voltados para a salvação eterna enquanto que as outras pessoas que eram apegadas as prazeres deste mundo eram consideradas “embriagadas”.
5. Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento 2, pág 511.
6. Bíblia de Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1730.
7. Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento 2, pág 511.
8. Uwe Holmer. Comentário Esperança. 1 Pedro, pág 21
9. σνσχηματιςόμενοι (me syschematizomenoi) é um particípio presente passivo que, influenciado pelo verbo principal “sede” γενήθητε, no versículo 15, no qual é um imperativo aoristo ativo, é traduzido como um imperativo.
10. Ênio Mueller. 1 Pedro – Introdução e Comentário, pág 101.
11. A palavra grega traduzida pela ARA por “paixões” é έπθυμία (epthymia), que é comumente descrita como “um anseio por algo que é proibido”. Denota um “forte desejo pela lúxúria”, podendo ser traduzida como “concupisciências” ARC ou, literalmente do grego como “desejos”, conforme a NVI e a Almeida Século 21 traduziram. Pessoalmente, para melhor entendimento, prefiro a tradução da BJC em virtude do acréscimo do adjetivo “mau”, ficando, assim, traduzido como “maus desejos”.
12. Hernandes Dias Lopes. 1 Pedro, pág 48-49.

13. Russel Norman Champlin. O Novo Testamento Interpretado – Vol 6. 1 Pedro, pág 104.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

UMA REFLEXÃO SOBRE SANTIDADE

Santo em Publico, Demônio em secreto
(Charles Haddon Spurgeon)

Se uma panqueca não for virada, ela ficará crua de um lado. Em diversos aspectos, alguns crentes são semelhantes a uma panqueca não virada. Eles têm áreas em suas vidas que não foram tocadas pela graça de Deus. Embora houvesse algumas obediências parciais, também existiam muitas rebeldias.
Alma minha, eu ordeno que você verifique, se este é o seu caso. Você tem um coração completo nas coisas do Senhor? A graça de Deus, por meio de suas obras, penetrou até ao âmago do seu ser, em todas as suas forças, ações, palavras e pensamentos? Ser santificado em seu corpo, alma e espírito deve ser o seu alvo; e embora a santificação em você possa não ser perfeita em grau, ainda assim deve ser geral quanto a ação.

Não pode haver aparência de santidade em uma área e entrega ao pecado em outra; pois, deste modo, você será um pão que não foi virado. Um bolo não virado logo queima no lado mais próximo ao fogo, e embora nenhum homem possa ter religião em demasia, há alguns que parecem bastante queimados com zelo fanático pela parte da verdade que receberam, ou são reduzidos a carvão com uma ostentação farisaica daquelas atitudes religiosas que se ajustam ao seu caráter. 

Amam dizer que jejuam, se esforçam para mostrar o que fazem, amam cobrar do outro as mesmas atitudes, ama assentar-se em primeiros lugares, adora estar no púlpito, etc.

Nosso testemunho deve ser, principalmente o testemunho da humildade e do novo nascimento em Cristo em uma vida genuinamente cheia do Espírito Santo e cheia da Palavra de Deus (cheia da essência do Evangelho). A consequência disso será, enfim, uma vida de exemplo. Exemplo tanto para a congregação (igreja), tanto para o mundo.

Só assim mostramos o Cristo vivo ao mundo: numa vida realmente cheia do Espírito Santo em genuína e sincera santificação.


A suposta aparência de santidade superior acompanha frequentemente uma completa ausência de piedade vital. Às vezes, aquele que é santo em público é um demônio em secreto. O pão que está assado de um lado pode ser massa crua do outro lado.


O Senhor, se isto acontece comigo, vira-me! Vira a minha natureza não santificada para o fogo do teu amor, permitindo-a sentir o calor sagrado. Faze com que meu lado já tostado esfrie um pouco, enquanto aprendo de minha própria fraqueza; e deseje aquecimento, ao estar longe de tua chama celestial. Não permita que eu seja um homem de coração dividido, e sim que esteja completamente sob a poderosa influência da tua graça dominadora. Sei que, se me deixares como um pão que não foi virado, sem ser objeto da tua graça, terei de ser consumido para sempre nas chamas eternas (ver Isaías 33.14).

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

AQUIETAI-VOS E SABEIS QUE SOU DEUS

 “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” 
(SALMOS 46:10)


Por Gabriel Felipe M. Rocha*

Aquietai-vos – no hebraico é igual a: “raphah” cujo significado é diversificado e pode ser inserido em várias aplicações.

Mas o que nos chama a atenção aqui é que “aquietai-vos” (raphah) está diretamente ligado à: Estar parado, “soltar”,“deixar ir”ou “deixar cair”.

Em vários momentos de nossas vidas quando a batalha está sendo travada ou a provação está num alto nível de força, queremos logo agir. É comum, desde os primórdios, quando o homem pecou, nós querermos agir pelo nosso impulso e com confiança em nós mesmos, já que tudo a volta parece estar perdido.

Mas Deus nos diz: “Não temas, Eu sou contigo”. Todos os servos na qual o Senhor chamou, tanto no antigo como no novo testamento, Ele confortou com uma palavra de ânimo e direcionou promessas de vitórias.

A tradução desta ordem (aquietai-vos) nos dá a idéia de que: Deus nos pede para largarmos, soltarmos, liberarmos as coisas que impedem o crente de ter fé, exaltar a Deus, dar-lhe glória e dar o seu devido lugar  em seu coração.

O segredo de nossa vitória é deixar Deus agir, pois Ele é o Senhor dos exércitos, o Senhor da guerra, o dono da peleja.

“Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, senão de Deus” (2 Cr.20:15).

Porém o homem no seu instinto quer agir confiando nos seus punhos e (apenas) na sua razão.

Mas o crente que tem o Espírito Santo e confia, de fato, no deus vivo sabe que há um Senhor cuja destra é poderosa em extremo e descansa.

“Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Salmo 139:10)

O homem que foi remido pelo precioso sangue de Cristo sabe o quanto o poder do sangue de Jesus – o Espírito Santo - é eficaz e sua operação de vida é dinâmica na santificação do crente e no seu desenvolvimento espiritual tem, assim, uma experiência na oração, sabendo que Deus, a partir dali, tomará conta da batalha, seja ela qual for.

Mas, para isso acontecer, devemos “aquietarmos”, ou seja, “ficar parado” (de acordo com a palavra no original). Isso significa inércia em plenitude: não falar, não agir, apenas estar em oração e perseverar na fé, inclusive lá em Efésios no capítulo 6 a Palavra nos ensina que nossa luta é somente espiritual. Nós só temos ordem para lutar espiritualmente, o resto é do Senhor e ele não se agrada quando tocamos naquilo que é dele.

Quando o crente ora não existe mais a “minha luta”, mas sim a luta do Senhor. Aleluia!

Outro significado de “aquietai-vos” que vimos no início desta postagem é: “soltar”, “deixar ir”.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”(Salmo 37:05)

Muitas vezes a nossa provação ou luta está ligada a uma má escolha que fizemos, ou até mesmo, pode estar ligado a um pecado cometido. Então? Como é que fica a situação? A Palavra de Deus nos diz que o sangue de Cristo nos liberta de todo o pecado e ela nos informa que temos um advogado infalível (o Senhor Jesus).

Quando oramos e pedimos a Deus a MISERICÓRDIA, Ele entra em nosso favor porque Ele é bom e não tem prazer na nossa dor. Mas é exatamente aí o momento em que nós devemos “deixar ir’ o velho homem, deixar o nosso “caminho” no altar, “soltar” o pecado que habita em nós, abandonar o mal, largar a ira, despedir o engano, libertar o rancor, liberar o perdão, abandonar a razão, jogar fora a vaidade, etc.

Sendo assim, Ele entra na peleja e não perde. Louvado seja Deus!

Algo que me chamou a atenção nesse texto (Sl. 46: 10) é: “aquietai-vos e SABEI que sou Deus”. Na medida em que nós nos aquietamos, ou seja, deixamos Deus agir e nos portamos na fé e na confiança, o nosso conhecimento de Deus aumenta.

“É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3: 30)

No deixar Deus agir, Ele cresce em nossa vida e o nosso “velho homem” diminui, pois a razão, a argumentação, a força, os recursos já não são necessários e passamos, enfim, a vencer em espírito.

Interessante ressaltar também que: Quando Deus age em nosso favor e permanecemos na entrega e na oração, nossa fé aumenta e passamos assim a “saber” mais de Deus, passamos a conhecer dali a diante que Ele é Deus e nada pode contra isso.

Moisés quando foi chamado por Deus para a libertação de Israel do Egito, ele, querendo dar uma boa explicação a Faraó sobre quem estava ordenando a saída do povo, perguntou: “qual é o seu nome”? (Ex.3:13)

Deve ter pensado: “mesmo vendo essa sarça em fogo e não se consumindo, ainda devo confiar nessa voz”? Moisés convivia em meio aos deuses tiranos e falsos do Egito, ele não havia tido ainda uma experiência com o Deus vivo.

Mas a resposta do Senhor foi satisfatória: (Ex.3:14) “EU SOU O QUE SOU.Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós”.

Não havia espaço para argumentação, mas sim para a fé. As vezes, ficar quieto é atitude. A atitude de Cristo mais expressiva para nós foi sua entrega para a morte. Ele assim o fez quieto, como Cordeiro mudo. Mas o céu e a terra estremeceram...



Que Deus abençoe as nossas vidas, amém.





* Gabriel Felipe M. Rocha é professor e acadêmico, estuda na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje – reconhecida internacionalmente como uma das melhores e mais conceituada faculdade de Filosofia e Teologia) onde cursa o mestrado em Filosofia cuja  área de concentração é Ética e Antropologia. É graduado em História (licenciatura e bacharelado) e pós- graduado em Sociologia. Estudou Francês Instrumental na FAJE-BH e bacharelado em teologia no ITG (Instituto Teológico Gamaliel-PE) com ênfase em História da Igreja.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Arrebatamento Secreto????


Irmãos A paz do Senhor;


Diante de algumas duvidas que apareceram no Blog sobre se o arrebatamento é secreto ou não, estou contribuindo com uma pequena mensagem. Bom primeiro gostaria de recapitular uma coisa que sempre digo: "As parábolas de Jesus mostram através de figuras a imagem clara e exata do Reino de Deus" ou seja, tudo declarado em parábolas por Jesus mostra o que acontece e acontecerá em seu Reino. Então gostaria de deixar este respaldo sobre o tema, sendo que muitas outras citações afirmam que o arrebatamento não será secreto.


Primeiro leiamos o texto;


Mateus 25:1 a 13

Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.
E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.
As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.
Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.
E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram.
Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.
Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.
E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.
Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.
E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.
E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.
E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.
Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir. 




Bom o que Jesus afirma é que o arrebatamento será desta maneira: um povo estará preparado e outro não, e este povo que não estiver preparado verá quando a Igreja Fiel(não tem nada a ver com denominação mas com servos fiéis) entrar pela porta no nosso caso Eternidade, e este povo que não entrar irá querer entrar, ficarão em desespero mas não haverá mais como, pois a porta se fechou.


Então irmãos analisando o texto concluímos que os que infelizmente ficarem para trás terão consciência de que a Igreja sumiu e de que Jesus arrebatou seu povo, pois os mesmo irão "tentar entrar". Que eu e você venhamos a vigiar, não entrarei em muitos detalhes neste assunto porque este ensino não interfere na salvação de ninguém pois  eu crendo que será ou não secreto não muda nada o que muda é eu estar preparado para aquele dia.


Abraço e Paz de Deus a todos.

Mateus Morais

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Quem não dá fruto é arrancado...

Paz a todos irmãos,

Aproveitando o comentário do irmão Germano, estarei continuando minha ultima postagem, falando sobre os frutos, o que são, e como consegui-los. Deixo abaixo um texto para base da postagem:

Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. 
João 15:2


Para você o que são estes frutos? São vidas que levaremos a Jesus? Ou são os frutos de arrependimento citados por Batista? Ou são os sacrifícios de louvor, fruto dos lábios que confessam Jesus citados em Hebreus 13:15? O fruto do Espírito citado em Gálatas?

Na verdade entendemos examinando a Palavra que são todos os frutos citados acima, primeiro vamos entender o que são frutos, e como eles nascem. Para uma árvore dar frutos são necessários alguns aspectos cruciais (não sou exímio conhecedor de biologia, se alguém possuir algum acréscimo agradeço):

  • A árvore tem que estar saudável;
  • Obviamente a árvore tem que ser frutífera(que dê frutos);
  • A árvore tem que ter acesso à luz;
  • A árvore tem que possuir uma fonte de água e sais minerais;
  • Com todos itens acima a árvore estará apta para realizar a fotossíntese, que a ciência considera um fenômeno e que alimenta a árvore dando vida e podendo assim dar frutos. 


Sobre a árvore estar saudável e ser frutífera e dar bons frutos:

Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. 

Mateus 12:33

Sobre a árvore estar junto à fonte de água para poder junto com a luz do Sol, realizar a fotossíntese e dar bons frutos:

Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. 
Salmos 1:3



Ou seja irmãos a árvore só é classificada como boa ou ruim, sem meio termo, os frutos da mesma maneira. A luz do sol pode ser comparada à Graça, pois assim como o Sol brilha sobre todos, a graça de Deus veio para todos que a receberem, a água pode vir de uma fonte ou da chuva, mas tem um detalhe, a água da fonte ou rio é constante, agora a chuva vêm em tempos determinados. A árvore junto a ribeiros representa aquela vida que sempre está na presença do Senhor, sempre dando frutos, sempre buscando, orando, participado na congregação, no corpo de Cristo, agora a que espera a chuva, só dá frutos quando Deus abençoa, quando há algum sinal, alguma profecia, nunca busca, vive à espera de alguma ajuda e de algum pregador milagreiro, não vai até o ribeiro, não busca a presença do Senhor, as vezes dá frutos, as vezes não dá, vive morrendo na vida espiritual.


E quanto aos frutos? O que são? Os frutos são o resultado de um processo na árvore, a arvore é plantada, cuidada, regada, até que cresce, e agora vive para dar frutos. Aplicando na nossa vida entendemos o seguinte, Jesus morreu por nós, derramou o seu Espírito sobre nós, nos manifestou a Graça de Deus, criou em nós a Fé. Agora me responda, se você tem uma árvore que você espera o fruto, cuida, faz de tudo por ela, mas ela não dá fruto, o que você fará após tentar de tudo? Cortará pois não serve para nada. Agora vejamos o que são os frutos:


São vidas que levamos a Jesus:


Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. 
João 15:16


Os frutos de arrependimento citados por Batista:

Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 
Mateus 3:8


Como falado na postagem anterior, os frutos de arrependimento são definidos assim: Deus é quem nos leva ao arrependimento nos tocando para mostrar que nossas obras são más, então absorvemos este arrependimento e deixamos de praticar tais más obras(maus frutos) e passamos a praticar obras(atitudes) de servos de Deus, ou seja, Deus nos regou com o arrependimento e demos o fruto, aceitamos Jesus e deixamos o Espírito Santo transformar nossas vidas.

Os sacrifícios de louvor, fruto dos lábios que confessam Jesus citados em Hebreus 13:15:

Deus nos deu a Salvação, nos abençoou, nos livrou da morte eterna, nos deu uma nova vida, nos deu o perdão, nos deu tudo que temos e somos, e Ele espera de nós o fruto disto, ou seja, a GRATIDÃO, não podemos ser ingratos, o fruto de tudo que Deus tem feito por nós é a GRATIDÃO também, e isto inclui o louvor, a obediência, a santificação, a adoração, isto mesmo, cantar louvores e dizer "Glórias e Aleluias" nos cultos não é euforia(nem sempre) mas é o fruto de um coração grato a Deus.

O fruto do Espírito citado em Gálatas:

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. 
Gálatas 5:22


Note que o fruto aqui está no singular, nos ensinando que o sinal de que uma vida tem o Espírito é um só, é um tipo só de fruto que inclui todas as características acima, o Espírito Santo é quem continua a Obra de Jesus na igreja, o fruto do Espírito citado acima nos mostra todo o caráter de Jesus, toda a plenitude da Salvação na vida do crente. Irmãos devemos buscar o Fruto do Espírito a cada dia, nos examinando a cada dia, é logico que nenhum de nós possui todas estas características em todo tempo, somos pecadores cheios de falhas, mas devemos buscar a cada dias ter tudo isto.

O que Deus fará àquele que não der frutos e não se preocupar com isto, nem procurar dar frutos?

Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. 
Mateus 7:19



O nosso alvo é a Salvação, pode parecer para alguns que a palavra foi de exortação como se o escrito fosse, mas quem vos escreve não é perfeito, não se considera "super crente", nem quer parecer "super crente". Mas a palavra foi escrita primeiramente para mim mesmo, pois desejo ter mais destes frutos acima na minha vida, foi escrita para você que quer permanecer na presença do Senhor. Mas também foi escrita para você que está desanimado, deixou de dar frutos, se desviou, está longe de Deus, está uma árvore morta, sem frutos, cortada, sem vida, a Bíblia deixou um verso para você, pois ainda há esperança, há como voltar a dar frutos antes do dia do Juízo:

Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. 
Jó 14:7


Mateus Morais
Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. 
Filipenses 3:12-14

sábado, 2 de julho de 2011

O convite de Deus - Parte I

Parabola da Grande Ceia

Lucas 14
16  Porém ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia e convidou a muitos.
17  E, à hora da ceia, mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.

Mateus 22
2  O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho.
3  E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e estes não quiseram vir.

Jesus sempre mostrava o Reino de Deus comparando com tudo aquilo que é terrestre, como quando Ele fala das dez virgens, quando Ele fala do semeador, e diversas outras parábolas em que Jesus usa as coisas desta vida, do cotidiano do homem, para apontar para aquilo que é eterno. Esta parábola de Lucas 14 é a mesma que Mateus cita em Mt. 22, esclarecendo sobre as diferenças e detalhes, que Mateus esteve presente ao lado de Jesus, ouvindo de sua boca toda palavra, já Lucas não foi discípulo, pois se converteu tempos após a conversão de Paulo, tudo que está escrito no Evangelho segundo Lucas, foi tirado do relato de outras pessoas, entretanto isso faz do Evangelho de Lucas ser o mais detalhado de todos, podendo conter alguns detalhes diferentes do Evangelho de Mateus, Marcos e João.

A parábola em questão foi dita com objetivo de nos mostrar como é o Reino de Deus, então tudo mencionado cada detalhe tem um sentido com aquilo que faz parte do Reino, para interpretação bíblica, basta apenas a própria Bíblia e a orientação do E. Santo, qualquer outro artificio é humano, não deixa de ser válido e pode ser usado, mas só obtemos a revelação da Palavra através da ação do E. Santo. Destaquemos alguns detalhes:

Um certo homem(Pai de família, Rei) – Mateus nos diz que um Rei fez a celebrou as bodas do seu filho(22:2), este homem então nos mostra a pessoa de Deus Pai, o filho é o Senhor Jesus, no casamento existe  a noiva, que é a igreja, Jesus não vai se unir a servos isoladamente, se unirá à sua igreja, um povo(Corpo).

Grande ceia – a Palavra diz que era uma GRANDE ceia, nos mostrando que não é um evento qualquer, e ainda diz que tudo foi preparado, e este encontro de Jesus com a igreja foi preparado antes da fundação do mundo quando Deus nos elegeu em Jesus, e continua sendo preparado quando Jesus limpa a sua noiva com o seu sangue, se revela ressuscitado e nos promete que vai voltar, e a confirmação de que está ceia está preparada são os sinais da volta de Jesus, (ver estudos A última trombeta, O anti-Cristo e a grande tribulação, o tempo de Israel)

Hora da Ceia – Em todo Reino de Deus somente o Pai sabe a hora que está tudo preparado.(Marcos 13:32).

Enviado – A figura do enviado nos mostra o Espírito Santo, que Jesus disse que iria ser enviado pelo Pai, para convencer o mundo do pecado, da justiça, e do juízo, e que este Espírito da verdade falaria do que ouvir na Eternidade, ou seja, falar aquilo que o Pai mandar (João 16:7 a 15). E o Espírito Santo tem a função de avisar ao homem sobre este convite. “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.” João 16:14.

Deixo um texto da palavra para contribuir com nossa análise: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo; graça e paz vos sejam multiplicadas.” 1 Pedro 1:2.

O convite é feito por Deus Pai, e no contexto da parábola Ele convida o homem para as bodas de seu Filho, que acontecerá após o arrebatamento quando a noiva(igreja) irá se encontrar com o esposo(Jesus), “...Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro...” Apocalipse 19:9. (A parábola citada por Lucas e Mateus não nos diz se eles receberam o convite em papel ou somente em palavras, mas de uma maneira eles foram convidados).

Há diferença entre convite e chamado, o convite tem dois sentidos, um deles é a Eleição, que foi feita pelo Pai, já o chamado é feito pelo Espírito Santo a quem recebeu o convite, pois o Espírito Santo anuncia hoje a verdade à igreja, o E. Santo mostra Jesus vivo ao homem, “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” João 16:14, o chamado é quando o homem toma consciência através de Jesus de que Deus o convidou a fazer parte do seu reino, Deus convida ao homem pela graça, sem o homem merecer, outro sentido do convite éque ele é a própria Palavra de Deus pois é através dela que o homem conhece o reino de Deus, no convite estão as condições para entrar na festa, assim como na Palavra está escrito como alcançar o Reino de Deus. “...Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.” Mateus 22:12, era necessário uma veste nupcial, do mesmo modo que há um convite para o homem entrar nas bodas do cordeiro, mas é necessário a veste nupcial, vestes limpas, vestes próprias para aquela ceia, nos fala do preparo, da mudança de vida, arrebatamento é pra quem tiver uma mudança de vida, crendo e aceitando o convite e chamado de Deus, abandonar as vestes sujas do pecado, o convite é feito, mas não basta só receber o convite, aceitar o chamado e conhecer a Palavra, temos que nos preparar para entrar nas bodas. Isso não é um conceito de Salvação pelas obras, mas de uma fé dada por Deus, viva ou seja dinâmica, sendo exercitada.

“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito...”, “em santificação do Espírito”, ou seja, dando ouvidos àquilo que o E. Santo tem dito à igreja, há uma condição para herdar a Salvação, o Espírito Santo através da Palavra ensina ao homem como entrar nas bodas, a Eleição foi feita antes da fundação do mundo sim, pois Deus conhece todas a coisas, é Omnisciente, Onipresente, Omnipotente, mas Deus só nos tem por eleitos em SANTIFICAÇÃO, Deus permanece fiel à sua eleição, o homem não.

Quem é eleito em Jesus? “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação” Romanos 5:18

Obs: A palavra usada para "todos" no texto acima é πας = pas, e significa: individualmente, cada, tudo, todas as coisas, o todo. Nos mostrando que a condenação veio sobre todos mas de maneira individual em cada homem, cada um será julgado, mas a graça veio também sobre todos, mas agindo de forma individual em cada homem. Bom alguns podem dizer que se a graça veio pra cada um, então não veio para todos, mas observemos o contexto deste versículo; ele nos afirma que a condenação veio sobre toda humanidade, se eu nego isso é herético, todo homem foi encerrado debaixo do pecado, o pecado de Adão afligiu toda humanidade, por isso podemos afimar que a Graça veio sobre todos, pois se digo que a Graça veio sobre alguns, mudo o contexto dizendo que a condenação veio somente sobre alguns também, criando uma heresia, resumindo: se neste texte concluimos que a condenação veio sobre todos logo neste mesmo versiculo concluimos que a Graça também veio, agora a Graça salva, mas é mediante a fé(ver estudo a fé que salva para entender melhor o contexto de Salvação).

Aqueles homens foram convidados, chamados, mas rejeitaram, e você vai fazer o que?
O que não se preparou emudeceu. O homem não tem argumentos para se justificar diante de Deus.

Na minha próxima postagem continuarei o assunto falando sobre como o homem tem rejeitado o convite de Deus, as desculpas do homem, tudo no contexto desta parábola. Paz a todos, e não deixem de postar seu comentário sobre o assunto, e se você quiser que tratemos de um assunto especifico, deixe seu comentário pedindo.

Mateus Morais