terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Jesus Sonda a Igreja (2)


CONTINUAÇÃO

Jesus Sonda a Igreja (2)

Como Cristo vê a sua Igreja?

Apocalipse 1:9-13 e 3:14-22

1- A revelação de Jesus Cristo, as sete igrejas da Ásia e os diagnósticos de Jesus às igrejas.

 Mesmo numa situação tão sombria e num cenário tão assustador e amargo, Deus continua no trono e rege todos os destinos da História e os rumos da sua Igreja. Era um dia de domingo, era o dia do Senhor quando Jesus se revelava a João. E diz a Bíblia que João escuta uma voz atrás dele e era como voz de trombeta dizendo:

“o que vê, escreve- o em um livro e envia às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia” (Ap 1:11)

       Quando João se volta para ver quem falava com ele, ele não percebe de imediato quem falava, mas vê sete castiçais de ouro. Ele via as sete igrejas e, no meio delas, um semelhante ao Filho do Homem, JESUS CRISTO. O mundo só pode ver Jesus na Igreja, através da Igreja. Se a igreja tem luz (Espírito Santo), Jesus se revela, do mesmo modo, se Jesus é o centro e a figura principal, toda a Igreja tem luz.

       O Cristo que João vê ali não é o Cristo da estrebaria, não é o Cristo das mãos calejadas da carpintaria, não é o Cristo suando sangue com o rosto prostrado em terra com clamores e angustias do Getsemani, não é o Cristo cuspido, humilhado e abatido do Cinédrio, não é o Cristo que caminha tropeçando em Jerusalém com o madeiro pesado nas costas, não é o Cristo exangue da cruz que lamenta o abandono do Pai, mas, João vê o Cristo da Glória, vê um Jesus glorificado cheio de honras e poder.

       Seus cabelos não estão mais sujos de poeira, mas são como a alva lã. Seus pensamentos são santos e puros e sua presença expressa um senhorio. Suas mãos não estão presas com pregos no lenho maldito, mas sustentam a Igreja Fiel. Seus pés não estão esmagados e presos com o prego da cruz, mas são como o bronze polido, pois Ele é juiz soberano. Sua voz não está mais embargada pela sede, mas é como a voz de muitas águas. Seu rosto não está mais desfigurado pelos hematomas, mas brilham como o sol em seu fulgor.

       E diz a Bíblia que, João quando vê o Cristo Glorificado, ele se prostra como morto aos seus pés. Jesus põe a mão direita sobre ele e diz: “não temas, João! Eu sou o Primeiro e o Último, estive morto, mas eis que estou vivo para todo o sempre e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 17,18). Este é o Cristo que João viu!

      Diz o texto em Apocalipse 1:13 que João vê Cristo no meio da Igreja. E é exatamente por termos Cristo no nosso meio que estamos hoje de pé, pois, quando Cristo é o centro em nossa igreja (por mais simples que seja), estamos alimentados e firmes na revelação de sua glória. A Igreja se alimenta da revelação. É nele que buscamos o alimento, Ele é a Palavra (o pão), Ele é quem batiza com o Espírito Santo (vinho abundante). É nele que temos a vitória (1Cor 15:57).

      Quando Jesus não é o centro, a igreja não passa de uma organização religiosa e social, algumas até com poderes políticos relevantes, mas não passa de uma organização terrena e destituída da glória do Cristo Vivo e Revelado.

      Em Apocalipse 2:1, temos a informação de que Jesus não está apenas no meio da igreja como uma figura inerte (apenas recebendo adoração), mas Ele está andando no meio da igreja. Jesus passeia no meio da igreja e, com seus olhos como chamas, vê e penetra nos corações e no íntimo de cada igreja e sonda, fazendo uma avaliação espiritual. Para quê? Para examinar a Igreja, para exortar a Igreja, para corrigir a Igreja, para encorajar a Igreja, para revelar seus assuntos proféticos à Igreja, enfim, para fazer promessas à Igreja. O que é curioso é o fato de haver um estribilho nas sete cartas que Ele envia: “Eu conheço”. Das sete igrejas, cinco receberam essa expressão de Jesus: Éfeso, Pérgamo, Tiatira, Sardes e Filadélfia - “Eu conheço”.

     “Eu conheço as suas obras”- Jesus conhece as nossas dores, dificuldades, medos, aflições, o que pensamos, falamos, fazemos, deixamos de fazer, etc., Ele conhece!

      Para a igreja de Esmirna, a mais pobre da Ásia, Jesus se dirige e diz: “Eu conheço a tua tribulação e a tua pobreza, mas tu és rica”. Jesus nos impressiona! Ele chama de rica a mais pobre igreja da Ásia, pois, a avaliação de Jesus é espiritual e profética. O que importa é a avaliação do céu. O que chama a atenção de Deus não é a grandeza terrena, pois esta será subjugada condenada no Dia do Senhor, mas o que chama a atenção de Deus é o trabalho e a genuína devoção a Ele. A igreja comprometida com a Sua vontade é a igreja que agrada a Deus. “Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? [...] Minha mãe e meus irmãos são aqueles que fazem a vontade do Pai” (Mt 12:48-50).

     Qual a nossa ideia de igreja rica? Uma igreja que tem um santuário suntuoso? É uma igreja que tem um orçamento robusto? É uma igreja que tem muitos membros? É uma igreja que tem gente influente na sociedade? Para a mais pobre (materialmente) igreja da Ásia, Jesus diz: “tu és rica”! A riqueza de Esmirna estava em seu trabalho, sua perseverança, seu sofrimento e incansável realização da Obra de Deus. Sua riqueza estava no valor que dava ao Reino e à mensagem do Evangelho, pois abdicaram de suas vidas para ganhar a vida eterna.

     O que Jesus diria à nossa igreja local hoje?  O que Jesus diria à nossa denominação hoje? Ainda existe o amor? Existe humildade? Ou a soberba tomou o lugar da humildade? O amor pela “placa” ou pela denominação superou o amor a Cristo e pelo próximo? Você é capaz de citar, pelo menos, 15 nomes (em sua igreja) que morreriam por Cristo se a perseguição do tempo de Esmirna fosse hoje? E você? Que avaliação Jesus faria de ti? Eu confesso que, escrevendo este artigo, minha vontade de me humilhar em oração foi manifesta e orei pedindo ao Senhor perdão por tanta omissão e desprezo.

     Para a igreja de Laodiceia, a mais rica da Ásia, que se olhava no espelho e dava nota máxima para si: “sou rica e abastada e não preciso de coisa alguma”, Jesus faz outra avaliação e diz: “tu és pobre, miserável, cega e nua”. Laodiceia, que significa, “direito do povo” faz uma referencia triste a muitas igrejas de hoje (tempo contemporâneo). É comum, em nosso meio cristão, apontarmos o dedo para algumas igrejas “mundanas” e heréticas de hoje e dizer: “a igreja tal é a igreja de laodiceia”, mas, as vezes, as advertências de Jesus à Laodiceia cabe a nós mesmos e, talvez, á nossa igreja em casos mais específicos. Vigiemos! Jesus sonda a igreja, Jesus sonda a liderança da igreja, Jesus sonda a administração da igreja, Jesus sonda os músicos e grupos de louvor da igreja, Jesus sonda o pregador, o pastor, o mais simples obreiro, o diácono da igreja. Ele sonda e dá o diagnóstico.

      Para a igreja de Pérgamo, a segunda e mais importante cidade da Ásia, Jesus diz: “Eu conheço o lugar onde tu habitas, [...] onde está o trono de Satanás” (Ap 2:13). Jesus conhece bem as suas igrejas, a geografia, a cultura e a história de cada uma delas, Ele conhece o contexto. Jesus é um pastor relevante, Ele é um pregador relevante, Ele é um obreiro relevante. Por que Jesus faz essa afirmação à igreja de Pérgamo? Ele faz tal afirmação, pelo menos, por duas razões:

     1ª- Pérgamo concorreu com Éfeso (capital da Ásia) para ter o direito de construir o primeiro templo de adoração ao imperador romano como uma divindade. Muitos estudiosos da Bíblia até mantém a ideia de que Pérgamo, profeticamente, indica a fase onde o Cristianismo “casou-se” com o Estado romano (era pré e pós Constantino). Inclusive o nome “Pérgamo” pode ser traduzido como “casamento pervertido”, reforçando tal ideia. Enfim, Pérgamo desagradou muito a Jesus, pois passou a habitar no trono de Satanás (o grande pai da mentira e do engano), dando lugar para as heresias e apostasias abomináveis. Na questão da concorrência com Éfeso para ter direito ao templo, Pérgamo obteve êxito e, portanto, teve o primeiro templo de adoração a César na Ásia. O primeiro templo asiático a Cesar foi edificado em Pérgamo. O que Jesus está dizendo a Pérgamo? Que toda a adoração a homens é satânica, inclusive, o humanismo é satânico. Foi por isso que, Pedro ao repreender Jesus (“tenha compaixão de ti mesmo”), quando este falou da morte na cruz, ouviu a advertência do Mestre: “vai para trás de mim Satanás”. Qualquer caminho que afaste o homem da cruz é humanismo satânico. Quando não carregamos a “nossa cruz”, somos idolatras, pois amamos mais a nossa vida e, sendo assim, não somos dignos de Jesus.

     2ª- Pérgamo era o centro do culto à Esculápio. Esculápio era o “deus da cura”, o símbolo desse “deus” era uma serpente, inclusive, tal símbolo é usado ainda hoje como o símbolo da Medicina, e outras áreas que envolvem ciências médicas. Pessoas se deslocavam do mundo inteiro para tratarem de seus problemas de saúde, buscando na imagem religiosa e pagã de Esculápio a cura. Nada diferente da igreja romana (união pervertida do Estado e da Igreja) que, usando desses artifícios diabólicos, fez sua base espiritual no trono de Satanás. Profeticamente, iniciava um período nefro para a Igreja. Particularmente, Pérgamo obteve a reprovação de Jesus.

      Mas Jesus permanece andando no meio das igrejas e, para cada uma, dita o diagnóstico, para cada uma, no final de cada advertência e elogio, deixa uma promessa: “O que vencer...”.

       E, como foi com João em Patmos, Jesus (hoje) anda por suas igrejas, Ele sonda a Igreja, Ele se relaciona em laços de amor com sua Noiva, mas despreza a meretriz. Jesus passeia por entre as igrejas e, em cada igreja, faz elogios, mas, também, deixa advertências específicas, pois Ele conhece as nossas obras. Ele sabe qual é a intenção do coração de cada um, pois também somos igrejas de Deus, nosso corpo é templo de Deus. Ele sabe de cada omissão nossa, assim como sabe de cada submissão nossa. Outro dia vi no noticiário o caso de um médico que deveria estar fazendo um plantão (estava sendo pago para isso), mas faltou ao plantão por motivos banais. Nessa ocasião, uma menina foi vítima de “bala perdida” e precisou fazer uma cirurgia com bastante urgência e, tal médico, era o único neurocirurgião de plantão naquela noite. Fiquei indignado pelo descaso e pela possível perda daquela inocente vida, mas, nesse momento, o Senhor me tocou e me constrangeu dizendo: “e aquelas vidas que estavam morrendo e que estavam diante de você e nada fez por elas por motivos tão banais? Deixou de pregar, de testemunhar e de falar do meu Nome. Elas estão mortas!”. Não podemos mais ser omissos!
CONTINUA NA POSTAGEM ABAIXO

5 comentários:

Elianajorge@hotmail.com disse...

Uma aula e tanto!

Elder Monteiro Júnior disse...

Graça e paz! Qual a diferença do Jesus glorificado de João 20 e 21 do Jesus glorificado de Apocalipse 1 e 2 ? Muito bom o blog, grato! Elder Monteiro Jr.

Anônimo disse...

Fala, meu chegado, apdsj!!!! Quero deixar a minha admiração pelo blog de vcs, é muito bom e alimenta a nossa mente e o nosso coração. Continue nessa força e nessa dedicação porque o Senhor tem muito mais pra te revelar das suas palavras, amém? Fica com Deus!! José Eduardo

Gabriel Felipe disse...

Caro, José Eduardo, apdSJ! Fico feliz com sua presença aqui, obrigado, ficamos feliz em gostar do blog. Na verdade não o divulgamos muito e nem insistimos tanto, as pessoas tem entrado e recebido uma benção pela Palavra viva e revelada do Senhor, é por isso que continuamos a escrever nesse blog. Abraço

Gabriel Felipe disse...

Grato pelos comentários! Irmão Elder, paz! Sobre sua pergunta,é interessante afirmar que: Jesus, descrito no Evangelho de João, estava em sua forma HUMANA. O Jesus homem é quem morreu na cruz, portanto, necessário era o mesmo Jesus homem ressurgir ali, senão não faria sentido uma ressurreição. A Palavra nos informa que Jesus ficou por ali cerca de 40 dias, certo? Então, estava ali o mesmo Jesus homem, porém com o explendor de sua glória, tanto é que não o reconheceram de imediato e não o identificaram na plenitude de sua forma física, apenas pelas atitudes e palavras "não ousavam a perguntar quem era, pois sabiam que eram o Senhor". Tomé, para crer, viu o Jesus com as marcas da cruz, porém vivo e glorificado, mas não com a sua imagem de glória da Eternidade, pois Jesus ainda estava retido por um pouco tempo no plano terreno. Esse Jesus que ressurgiu da morte e que permaneceu com seus discipulos era o Jesus que ainda não havia enviado o seu CONSOLADOR ESPÍRITO SANTO. Após o Pentecostes, Jesus foi visto já em sua forma de glória. Paulo viu tamanha glória, João o viu com mais detalhes e totalmente glorificado e honrado na ilha de Patmos. Nesses eventos, Jesus já estava na Eternidade. Espero ter ajudado, a paz!